O torcedor rubro-negro que foi ao Engenhão na tarde deste domingo voltou para casa com o grito de “é campeão” entalado na garganta. Sem conquistar um título desde de 2014, quando venceu o Campeonato Carioca em cima do Vasco, o Flamengo desperdiçou a oportunidade de levar mais uma taça para sua gloriosa galeria. Após um primeiro tempo de cinco gols, o Mais Querido buscou o empate no final da etapa complementar com Guerrero. Nas penalidades, porém, o Fluminense saiu vencedor do duelo (4×2).
Depois do clássico, o técnico Zé Ricardo refletiu sobre o resultado apontando os erros de sua equipe e enaltecendo as virtudes do adversário. O treinador ainda falou sobre a Libertadores, indicando as falhas que não podem ser cometidas na competição mais importante para o clube na temporada. O Rubro-Negro estreia na próxima quarta-feira (08), no Maracanã, contra o San Lorenzo.
Adversário melhor
– O primeiro tempo foi atípico, demoramos um pouco a fazer a leitura defensiva da estratégia que o Flu colocou. Os gols foram estranhos, mas não tira a responsabilidade. Flu esteve mais concentrado do que nossa equipe, acredito que teve mais merecimento na vitória. Acho que foi grande partida, não é todo dia que tem final de campeonato com seis gols.
Análise do jogo
– Buscamos rapidamente o empate, a virada. O resultado do primeiro tempo não traduziu o rendimento que gostaríamos de ter tido. O segundo tempo foi mais equilibrado. Tivemos que abrir mais, com opções de homens de frente, tivemos oportunidades com Berrío, Guerrero, Rômulo passando que o Berrío não enxergou… Mas estão todos de parabéns. Foi um dia que não estivemos brilhantes tecnicamente, estávamos desconcentrados, digamos assim. Mas lutamos até o fim, acreditamos que poderíamos buscar. Conseguimos, mas nos pênaltis eles foram mais felizes.
Tropeço às vésperas da Libertadores
– Serve de alerta. Quarta-feira tem nova batalha, competição mais importante do continente. Continuamos invictos, porque empatamos o jogo. Na disputa de pênaltis eles foram mais competentes. Agora é tentar recuperar rapidamente todo mundo. Tinha que manter confiança em alta, mesmo não fazendo partida tão brilhante como não fizemos hoje. Conseguimos buscar força, resultado. Na quarta a torcida vai ver a equipe muito concentrada, fazer grande jogo contra o San Lorenzo.
Escolha dos batedores
– Todos os batedores ali têm aproveitamento muito bom. Foi quem estava se sentindo melhor, inteiro para bater. Acontece. Hoje tivemos vento contra. Acontece na vida de todo mundo, temos que passar por isso e olhar para frente.
Erros que não podem ser cometidos
– Acredito que precisamos nos concentrar. Libertadores não costuma dar chance para esse tipo de erro. O San Lorenzo é uma equipe tradicionalíssima, precisamos respeitá-los, estarmos muito atentos. Vencer em casa é fundamental. Precisamos ser ofensivos na medida certa, mas não dando espaço, como aconteceu hoje no primeiro tempo. Que esse primeiro tempo possa ter servido para o desafio de quarta-feira.
Foto: Gilvan de Souza O que você pensa sobre isso?
Quarenta anos e nove disputas depois, o Flamengo voltou a ser derrotado na cobrança de pênaltis por um dos seus três grandes rivais locais. A última derrota do rubro-negro em desempate em clássicos tinha sido em 1977, na decisão do segundo turno do Campeonato Carioca, quando perdeu para o Vasco por 5×4, com Tita desperdiçando sua cobrança, após empate em 1×1 no tempo normal. Com o resultado, o Vasco garantiu o título carioca antecipado.
Depois daquela derrota, os jogadores do Flamengo, que já haviam perdido a final da Taça Guanabara do ano anterior para o mesmo adversário da mesma maneira, fecharam o famoso “pacto do Barril”, tido como marco inicial da maior era de conquistas da história do clube, que começou com o Carioca do ano seguinte.
Nestes 40 anos, o Flamengo venceu 4 disputas de pênaltis contra o Botafogo (pelo Brasileiro de 1988, na final do Carioca de 2007, na final do Carioca de 2009 e na semifinal da Taça Guanabara de 2011), 3 contra o Fluminense (no Teresa Herrera de 1978, na final da Taça Guanabara de 2001 e na semifinal da Taça Rio de 2011) e 2 contra o Vasco (na semifinal da Taça Guanabara de 2007 e na final da Taça Rio de 2011) – um total de nove séries de invencibilidade. A marca foi quebrada com a derrota por 4×2 para o Fluminense na disputa de hoje, com Réver e Rafael Vaz desperdiçando suas cobranças.
Contra o Fluminense, o jejum era ainda maior: a última derrota na marca dos pênaltis foi após um amistoso em Brasília, em 1974, valendo a Taça Presidente Médici.
De maneira geral, o Flamengo não perdia nenhuma disputa de pênaltis em jogos oficiais desde 2004, quando foi eliminado desta maneira pelo Santos na Copa Sul-Americana – perdeu em um amistoso contra o Ceará no ano passado. No período, foram sete disputas – as seis contra rivais no Carioca e um duelo contra o Coritiba na Copa do Brasil de 2014.
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Após um empate eletrizante em 3 a 3 no tempo normal, o Fluminense levou a melhor nas cobranças de pênaltis e se sagrou campeão da Taça Guanabara 2017, na tarde deste domingo (05), no Engenhão. O título do Tricolor veio com uma vitória de 4 a 2 nas penalidades. Lucas, Henrique, Marquinho e Marcos Junior converteram para o time das Laranjeiras, enquanto apenas Diego e Guerrero fizeram para o Flamengo. Júlio César defendeu a cobrança de Réver, e Vaz chutou para fora.
Eletrizante – Essa palavra define como foi a primeira etapa do clássico que decidiu a Taça Guanabara 2017. Foram cinco gols em 45 minutos, com direito a virada e revirada.
Contra-ataque mortal – Aos cinco minutos de jogo, o Flamengo teve um bom lance para abrir o placar no Engenhão, mas quem acabou marcando o gol no lance foi o Tricolor. Diego cobrou a falta na barreira, Trauco pegou o rebote e chutou em cima da marcação. A bola sobrou para Wellingon Silva que arrancou em velocidade pelo lado direito. O atacante do Fluminense ainda contou com o escorregão de Pará, ficou de cara com o goleiro Muralha e chutou no canto esquerdo do arqueiro rubro-negro.
Resposta rápida – O Mais Querido não ficou se lamentando pelo gol perdido. Dono do melhor ataque da competição, o Flamengo partiu literalmente para cima do Fluminense, com direito aos seus jogadores defensivos no ataque. Foi assim que aconteceu o empate, quatro minutos do gol sofrido. Mancuello cobrou a falta na área, Júlio César saiu mal e a bola ficou com o Rafael Vaz. O zagueiro tocou para o gol, Dourado tentou cortar, mas a bola sobrou para Willian Arão deixar tudo igual.
Pane total – Em um lance em que faltou comunicação e experiência, Trauco recuou a bola para Alex Muralha dentro da pequena área. O juiz marcou a infração e Sornoza acertou a trave na cobrança da falta.
Virada – Os dois times faziam jus à expectativa criada em torno da partida. Não só por toda a polêmica envolvendo a decisão do Ministério Público e dirigentes, mas sim por reunir as equipes de melhor campanha na competição. Em jogada iniciada por Diego, Éverton aproveitou a sobra do cabeceio no chão de Guerrero e, sozinho, de cabeça estufou a rede adversária.
Mão boba- Aos 31 minutos, Guerrero cortou com a mão uma bola levantada na área do Tricolor. O pênalti foi marcado pelo árbitro e convertido por Henrique Dourado.
Revirada no fim – Em mais uma jogada de velocidade, o Fluminense foi letal. Wellington Silva observou a entrada de Lucas na área e tocou a bola para o lateral, que por sua vez avançou e tocou no canto esquerdo de Alex Muralha.
Controle – Na etapa complementar o jogo não teve a mesma intensidade do primeiro tempo. Lento, o Flamengo tinha a posse de bola mas esbarrava na boa marcação do Fluminense, que não perdia tempo e saía em velocidade com a bola. Depois de três substituições que mudaram totalmente o sistema tático da equipe, o Mais Querido passou a ameaçar e por pouco não empatou num chute de Diego.
Gol salvador – Com cinco atacantes em campo, a pressão do time de Zé Ricardo aumentou. Pará sofreu falta fora da área, tirando um suspiro de esperança da torcida rubro-negra. Rafael Vaz e Guerrero foram pra bola. Todos esperavam um chute do zagueiro, mas quem bateu foi o atacante. E com categoria. Aos 40 minutos do segundo tempo o Mais Querido chegava ao gol de empate. Guerrero, cobrando falta, deixou tudo igual no Engenhão.
Derrota nos pênaltis – Diego começou os trabalhos abrindo vantagem para o Flamengo. Logo em seguida, Lucas deixou tudo igual. Paolo Guerrero também converteu sua cobrança, jogando a responsabilidade para o Flu, que empatou com Henrique. Na terceira cobrança do Rubro-Negro, o goleiro Júlio César defendeu a bola chutada por Réver. Marquinho colocou o Flu na frente. Rafael Vaz não resistiu a pressão e chutou pra fora. Na sequência, Marcos Junior marcou para o Fluminense confirmando a conquista tricolor.
Fala, Capitão – “Nós temos que sair com a cabeça em pé. Acabamos saindo atrás e conseguimos virar, mas depois corremos atrás novamente. A equipe foi aguerrida, mas eles foram mais eficientes e mereceram. Vamos entrar sempre para ganhar, mas às vezes acaba não acontecendo. Temos que parabenizar o Fluminense e virar a chave para a Libertadores”, disse Réver.
Foco na Libertadores – O Flamengo não terá muito tempo para lamentar o resultado do clássico. Na próxima quarta-feira (08), o Rubro-Negro estreia na Libertadores da América, contra o San Lorenzo, no Maracanã, às 21h45.
Fluminense: Júlio César; Lucas, Renato Chaves, Henrique e Léo; Pierre, Orejuela e Sornoza; Richarlison, Henrique Dourado e Wellington. Técnico: Abel Braga
Flamengo: Alex Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Miguel Trauco (Felipe Vizeu); Willian Arão (Berrío) e Rômulo; Mancuello (Gabriel), Diego e Éverton; Paolo Guerrero. Técnico: Zé Ricardo
Arbitragem: Wagner do Nascimento Magalhães, auxiliado por Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa e Luiz Claudio Regazone.
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A CBF divulgou, na manhã de hoje, a tabela detalhada das quatro primeiras rodadas da primeira fase do Brasileirão Feminino A1 2017. Assim, ficou definido que a equipe do Flamengo/Marinha estreará contra o Vitória-BA, no próximo sábado, dia 11, às 16h no Estádio do Barradão. Vale lembrar que no início do ano, o Vitória sagrou-se campeão do Campeonato Baiano Feminino, pela primeira vez em sua história. Será também o primeiro duelo entre os rubro-negros no futebol feminino.
Vitória, da Bahia, será o primeiro adversário do Flamengo no Brasileirão Feminino 2017
Na segunda rodada, recebemos o São José-SP, dia 19, às 15h30 no CEFAN. No dia 27, em Araraquara, visitaremos a Ferroviária-SP, com transmissão do SporTV. E no dia 23, teremos o duelo contra o Santos, novamente no CEFAN.
Segundo o treinador da equipe, Tenente Ricardo Abrantes, a pré temporada foi positiva, onde principalmente a união do grupo teve destaque. Ainda segundo o próprio, ainda não existe time titular, pois todas as atletas estão no mesmo padrão. Essa semana será crucial para a definição.
O Brasileirão Feminino 2017 iniciará no dia 11/03 e seguirá até o dia 19/07. O Flamengo/Marinha está no grupo 2, com Ferroviária-SP, Foz Cataratas-PR, Ponte Preta-SP, Rio Preto-SP, Santos-SP, São José-SP e Vitória-BA. Os times de cada grupo se enfrentam em turno e returno, totalizando 14 partidas. Os quatro melhores times de cada grupo se classificam às quartas-de-final, os vencedores dos confrontos avançam às semifinais e estes, à grande final. A partir das quartas de final, sempre jogos de ida e volta.
Créditos na imagem estacada: Flamengo- Staff Images
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O técnico Zé Ricardo está pensando no Fla-Flu e já de olho no confronto contra o San Lorenzo pela Libertadores. Mas ele encontrou um tempo para assistir aos jogos da seleção sub-17 no Sul-Americano, que tem quatro rubro-negros entre os convocados e três entre os titulares. Na coletiva de ontem, o técnico elogiou especialmente o atacante Vinicius Júnior, tido como principal promessa das categorias de base do Flamengo. Destaque da Copa São Paulo este ano, a expectativa é que, no retorno da seleção, o atacante possa ser integrado ao grupo principal.
– O Vinicius tem uma capacidade de improviso e drible muito grande, uma relação muito íntima com a bola. O Lincoln, o Wesley, o Patrick que não vem jogando também. São jogadores reconhecidamente de talento, mas estão no início das suas carreiras. A gente reconhecidamente sabe que é uma geração com poderio técnico, mas tem outros aspectos que influenciam a formação desses atletas e eles têm que passar por essas etapas. A técnica vai ser sempre decisiva, como decidiu ontem (quinta-feira) o jogo contra o Paraguai, mas a dimensão tática é cada vez mais importante. A gente quer resgatar o valor da base, temos um trabalho muito bem feito aqui na base do Flamengo, e é inteligente aproveitar isso para que as necessidades de contratação sejam cada vez menores e pontuais aqui no clube – disse o técnico.
Vinicius Júnior e os outros Garotos do Ninho voltam a campo hoje, às 19h15, para enfrentar a Argentina, em Talca, no Chile. A seleção brasileira, com sete pontos, já entra em campo classificada e o resultado não influencia em nada, já que não há nenhuma vantagem em ser o primeiro do grupo. Mas um empate pode tirar a Argentina da competição. Além do Brasil, a Venezuela também já está classificada no grupo B, e o Paraguai garante a vaga se vencer o Peru ou se a Argentina não derrotar o Brasil. Pelo outro grupo, se classificaram Chile, Colômbia e Equador. Os quatro primeiros do hexagonal final garantem a vaga no Mundial da Índia, em outubro.
O atacante rubro-negro já marcou dois gols na competição, inclusive o que carimbou a vaga para a segunda fase, contra o Paraguai – um verdadeiro golaço. Ele é o artilheiro do Brasil na competição. Já Lincoln tem um gol e uma assistência.
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Após o recesso durante o Carnaval, os Garotos do Ninho voltaram a campo neste sábado pela sétima rodada da Taça Guanabara Sub-20. Em um jogo marcado pelo equilíbrio, o Flamengo foi derrotado por 2 a 1 pelo Tigres do Brasil, em Xerém, com um gol marcado no último lance da partida. O tropeço tirou a chance do Rubro-Negro assumir a liderança do Grupo A nesta rodada. O Botafogo, que ainda não jogou, é o primeiro colocado do grupo com 13 pontos. O Flamengo tem a mesma pontuação do Alvinegro, mas leva desvantagem no saldo de gols (11 x 9).
Patrick abriu o placar para o Mais Querido aos 12 minutos da etapa inicial, aproveitando o cruzamento rasteiro de Loran. Precisando do resultado positivo para continuar vivo na briga pelas vagas na semifinais, o Tigres equilibrou o duelo passando a incomodar bastante a zaga rubro-negra. Os donos da casa empataram com Dudu, e no último lance do jogo viraram o placar, conquistando a segunda vitória na competição.
O resultado mostra uma dificuldade dos Garotos do Ninho em partidas fora de casa. Longe da Gávea, o Flamengo ainda não conquistou nenhuma vitória nos três jogos que disputou: empate em 1 a 1 com o Nova Iguaçu, derrota por 2 a 1 para o Botafogo e derrota por 2 a 1 para o Tigres. Dentro de seus domínios foram 04 vitórias para o Fla.
A partida marcou a retorno do técnico Gilmar Popoca, que tirou um período de férias logo após a participação do Flamengo na Copa São Paulo. Nos seis primeiros jogos do Rubro-Negro no Campeonato Carioca quem comandou a equipe foi o auxiliar técnico Waltinho. O próximo compromisso do Flamengo é contra a Portuguesa, no sábado (10), às 10h, na Gávea.
Flamengo: Hugo Souza, Kleber, Bernardo, Dantas e Moraes, Hugo Moura, Jean Lucas (Theo), Patrick (Luiz Henrique), Lucas Silva, João Pedro (Gabriel Silva) e Loran.
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O presidente Eduardo Bandeira de Mello esteve hoje pela manhã nas Laranjeiras, sede do Fluminense, para dar uma entrevista conjunta com o colega Pedro Abad para promover a paz no Fla-Flu de amanhã pela final da Taça Guanabara. Bandeira começou a entrevista elogiando a postura de Abad no caso:
– Queria agradecer a postura do Fluminense, do presidente Pedro Abad, que foi firme, de uma coerência ímpar, que foi parceiro em todos os momentos, quando poderia ter partido por uma postura fácil, dado que ele ganhou o sorteio. O Flamengo na semana passada teve uma atitude semelhante, quando também abrimos mão da torcida única contra o Vasco, e o presidente Eurico Miranda também foi parceiro e está conosco nesta campanha pela paz nos estádios. A campanha pela paz é para valer mesmo. Acho até que demorou, os clubes deveriam estar envolvidos há mais tempo. Não só com o Fluminense, mas com o Vasco da Gama que também já se engajou neste sentido.
Abad explicou por que não colocou os ingressos à venda logo na quinta-feira, como a Ferj determinou, e insistiu na derrubada da liminar que impunha a presença de apenas uma torcida em clássicos.
– Os clubes têm muitos interesses em comum, um deles é o da manutenção da forma de fazer futebol, o direito dos torcedores interagirem. Se a gente tivesse começado a vender os ingressos antes, tornaria praticamente irreversível ter uma torcida só, que era a do Fluminense. Então levamos ao limite mesmo, aguardando a medida judicial. Esse pioneirismo que estamos tendo aqui no Rio pode ser importante para outros Estados onde está havendo clássico com torcida única, para que a paz reine nas arquibancadas, para que a festa seja completa. A torcida única não quer dizer mais nada em termos de segurança. Dentro do estádio é que a gente vê menos confusão hoje em dia. Torcida única pode incitar torcidas que ficam de fora a irem para o entorno do estádio para brigar. Não é pela torcida única que a confusão está estancada. Hoje Flamengo e Fluminense estão aqui nas Laranjeiras, outro dia pode ser na Gávea, para mostrar que os clubes estão empenhados para que a torcida seja diferente daqui pra frente.
Abad e Bandeira rejeitaram a possibilidade de aceitarem o Termo de Ajuste de Conduta proposto pelo Ministério Público para a retirada do processo.
– Se você ler a decisão do desembargador, ele entende que a torcida única não só não é uma solução, como é um problema. Eu entendo da mesma maneira. Torcida única dentro do estádio não garante a paz fora do estádio. Eu acho que está todo mundo bem-intencionado, mas acabou prevalecendo a melhor solução. O importante é que daqui pra frente a gente consiga fazer tudo da melhor maneira possível. Eu sempre defendi que essa questão de violência tem que ser atacada na sua raiz, nas pessoas físicas que cometem os atos criminosos. Criminoso não tem CNPJ, tem CPF. Na medida em que se identificarem os criminosos e se aplicarem as penas que o Código Penal prevê, nós daríamos um grande passo para resolver essas questões. Nós estaremos permanentemente abertos ao diálogo, e eu tenho certeza que nós podemos encontrar uma solução como essa. Clubes que tenham alguma relação incestuosa com torcidas organizadas, que incitem a violência, nesse caso cabe mais que uma multa, cabe processar e prender as pessoas físicas envolvidas nisso, que talvez sejam mais responsáveis que os arruaceiros que brigaram – disse o presidente do Flamengo.
Bandeira defendeu a presença das torcidas organizadas nos estádios, mas afirmou que elas precisam se engajar contra a violência de seus integrantes:
– Eu sempre fui fã do movimento de torcidas organizadas, do espetáculo que faziam. Infelizmente esse movimento foi desvirtuado pela ação de uma minoria que presta um desserviço para essas organizações que fazem uma festa bonita no estádio. Eu gostaria que eles se engajassem nessa campanha, não aceitassem nenhuma provocação, fossem lá para torcer, não danificassem o estádio, que é um estádio público que está sob concessão do Botafogo.
Abad disse que o comportamento dos torcedores será fundamental para a decisão do mérito do processo para que a possibilidade de que haja torcida única deixe de existir em outros clássicos:
– É um leão de cada vez. Ontem a gente matou um. Agora sim a gente vai começar a repensar a estratégia para o restante da ação. Se a gente tiver amanhã um exemplo de comportamento, onde todos possam conviver bem, sem violência, sem destruição do patrimônio público, essa possibilidade de que a chance de ter duas torcidas se mantenha cresce bastante. O papel principal é dos próprios torcedores mostrarem pro Judiciário e pro Ministério Pùblico que podem conviver em paz.
Questionado sobre as últimas declarações de dirigentes do Botafogo, contrárias à presença da torcida do Flamengo no Engenhão, Bandeira voltou a dizer que a rivalidade exacerbada é unilateral>
– Da parte do Flamengo não existe rivalidade nenhuma, além da rivalidade saudável que deve existir entre os grandes clubes. O Flamengo não quer brigar com ninguém. Tenho muitos amigos botafoguenses e tenho excelente relação com todos eles.
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O Flamengo enfrentará na próxima quarta feira, na primeira rodada do grupo 4 da Libertadores, um time que fará sua estreia na temporada. O San Lorenzo deveria enfrentar hoje o Belgrano, pela 15ª rodada do Campeonato Argentino, a primeira após a paralisação do fim de ano. Mas uma greve dos jogadores argentinos fez que os clubes decidissem adiar em uma semana a volta do campeonato. Com isso, o Flamengo perde a oportunidade de observar o time do técnico uruguaio Diego Aguirre, de recentes passagens pelo Atlético-MG e pelo Internacional, antes do confronto de quarta-feira.
O San Lorenzo perdeu três dos seus principais jogadores do ano passado, o uruguaio Martín Cauteruccio, artilheiro no ano com 17 gols; o meia-armador Sebastián Blanco e o lateral-esquerdo Emmanuel Mas. Para substituí-los, chegaram os meias Ruben Botta, ex-Pachuca, e Robert Piris, ex-Rubio Ñu, do Paraguai. Embora tenha começado a pré-temporada no mesmo dia que o Flamengo (11 de janeiro), até agora, o time só atuou em seis amistosos, o que dificultou o monitoramento do Flamengo. O time pretendia enviar um espião para observar o jogo contra o Belgrano, mas diante do adiamento, mudou os planos.
– O Campeonato Argentino não começou, então a gente não tem tantas informações reais assim, só dos amistosos que eles vêm disputando em portões fechados lá no estádio dele e também no torneio de verão no início do ano, os dois jogos que eles fizeram. A gente tinha uma pessoa para ver esse jogo lá na Argentina, ontem ficamos esperando até 8 horas da noite, lá para as 8 e meia, 9 horas tivemos a confirmação que não teria jogo. Mudamos um pouco o canal e essa mesma pessoa deve assistir Colo-Colo e Católica, que jogam sábado. A gente vai trabalhar contra o San Lorenzo com as informações que nós temos, que infelizmente é o que restou. Como é uma equipe que tem seu treinador há bastante tempo, e já vem jogando de uma forma, apesar de ter perdido jogadores importantes, joga de uma forma ou no 4-3-3, ou no 4-2-3-1, bastante formatada. A gente já tem essa informação e agora é desmembrar os jogadores para ver o que pode ser aproveitado para o jogo de quarta-feira, mas logicamente pensando isso a partir do final do jogo com o Fluminense – disse o técnico Zé Ricardo na entrevista coletiva de hoje .
Apesar da greve, é improvável que o San Lorenzo deixe de viajar para a partida da Libertadores. Nesta semana, o Racing disputou normalmente sua partida da Copa Sul-Americana. Já foram vendidos mais de 28 mil ingressos para o jogo da próxima quarta-feira no Maracanã.
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Além de Diego, o lateral-esquerdo Miguel Trauco, o atacante Paolo Guerrero e o volante Gustavo Cuéllar também irão desfalcar o Flamengo por três rodadas do Campeonato Carioca, inclusive o clássico contra o Vasco, para disputar as Eliminatórias.
Trauco e Guerrero foram convocados pelo argentino Ricardo Gareca para os duelos do Peru contra Venezuela e Uruguai. Já Cuéllar volta à seleção principal colombiana depois de ficar de fora na maioria das convocações do ano passado. O colombiano provavelmente teria chances de jogar pelo Flamengo justamente nestas partidas, já que é provável que o técnico Zé Ricardo opte por um time misto ou totalmente reserva em algumas partidas da Taça Rio.
Já Orlando Berrío, que vinha integrando as últimas listas do técnico José Pekerman, desta vez ficou de fora.
Já os argentinos do elenco ficaram fora da lista do técnico Edgardo Bauza – embora tenha passagem pela seleção, Mancuello nunca foi convocado desde que veio para o Flamengo. Já Donatti jamais foi chamado.
O ex-governador recordista de corrupção preso, o sucessor cassado pela Justiça eleitoral e investigado pela Polícia Federal ainda no cargo, a companhia de água vendida para pagar o rombo que ambos deixaram, o Maracanã abandonado, os carros alegóricos virando armadilhas mortais: a lista dos motivos pelo qual o carioca não anda podendo se orgulhar muito da Cidade Maravilhosa é grande e ocuparia esse texto inteiro se eu me alongasse.
Mas nos últimos dias, de onde menos se esperava, os cariocas deram um exemplo para o país. Os presidentes de Flamengo, Fluminense e Vasco deixaram por um momento o ganho imediato de lado e pensaram juntos no bem coletivo e resolveram unir esforços para preservar o direito inalienável do seu torcedor fazer o que sempre fez: torcer.
(Deixemos de lado a figura diminuta que ocupa a Presidência do Botafogo, que não merece nem esse parênteses.)
No último clássico entre Flamengo e Botafogo, aconteceu uma briga entre bandidos que se reúnem em torcidas organizadas, como tantas que sempre ocorrem. Um dos brigões morreu, como tantas vezes morre gente que não tem nada a ver com a briga. Não é um problema de hoje e não é fácil de resolver — ainda mais na situação extraordinária no qual a polícia reduziu seu efetivo para o clássico por conta das justas reivindicações que faz para receber a remuneração que lhe é devida.
Na tradição brasileira de sempre procurar uma solução fácil — e errada — para um problema complexo, o Ministério Público do Rio de Janeiro resolveu entrar com uma ação na Justiça para que, depois de 111 anos de torcida mista, os clássicos no Rio passassem a ter apenas uma única torcida. E um juiz decidiu acatar. Desde o primeiro momento, os presidentes de Flamengo, Vasco e Fluminense se uniram numa posição: a decisão era inaceitável e deveria ser combatida até ser revertida. Não deveria ser realizado um só clássico com uma só torcida.
E os dirigentes mantiveram essa postura independentemente de quem seria beneficiado. Primeiro o Flamengo, que se negou a enfrentar o Vasco com torcida única mesmo tendo esse direito por ter feito a melhor campanha na primeira fase. E depois o Fluminense, que adotou a mesma postura apesar de ter vencido o sorteio de mando contra o Flamengo.
Alguns jornalistas, principalmente de São Paulo, ironizaram a “várzea” do Campeonato Carioca, por não haver um palco e uma data definidos para a final da Taça Guanabara há poucos dias da partida. A “várzea”, porém, só aconteceu porque os dirigentes foram intransigentes em defesa da realização do jogo com duas torcidas.
A torcida única é uma praga que vem germinando há anos no futebol brasileiro. Começou com o fim da tradicional divisão meio a meio entre as torcidas e a imposição de pequenos percentuais para o visitante: 10%, 5%. Como a violência no futebol não tem nada a ver com a porcentagem de torcedores presentes na arquibancada, a limitação obviamente funcionou. E aí surgiram os promotores com a sua ideia de torcida única.
O Allianz Parque só com palmeirenses no estádio contra o Corinthians: clubes paulistas aceitaram medida sem chiar
Em São Paulo, sequer houve a necessidade de uma decisão judicial para que os clubes corressem para acatar uma recomendação da Secretaria de Segurança Pública, endossada pelo Ministério Público, de que os clássicos tivessem torcida única. A recomendação veio depois de uma briga entre palmeirenses e corintianos após um clássico em abril do ano passado, que deixou um morto e vários feridos.
– Toda e qualquer medida que venha no sentido de coibir a violência ligada ao futebol terá o apoio da Sociedade Esportiva Palmeiras. Porém, não adianta se iludir achando que, pelo simples fato de um clássico ter torcida única, a violência acabou- apressou-se a apoiar o então presidente palmeirense, Paulo Nobre (o que não deve causar espanto, visto que mais tarde no ano ele inclusive proibiu seus próprios torcedores de frequentarem a rua onde fica o estádio para torcer do lado de fora na reta final do Campeonato Brasileiro).
– Torcida única é horroroso, mas a morte de um torcedor é mais horroroso. Agora já que as autoridades são incompetentes para conter a violência, torcida única é uma decisão correta – apressou-se para aderir o presidente do Santos, Modesto Roma Júnior.
– É uma medida descabida um jogo com torcida única. Desrespeito ao torcedor, ao cidadão. Se eu tivesse poder para mudar, mudaria ontem – disse o presidente corintiano, Roberto de Andrade. Não há registro, porém, de que ele tenha tentado nenhuma medida judicial para reverter a decisão.
Com todos bem calminhos, a medida de torcida única foi renovada no início deste ano e já foi “normalizada” pela imprensa paulista, que não estranha mais a situação e até vê “várzea” onde há resistência.
Pois que siga a “várzea” e que os clássicos no Rio continuem acontecendo como sempre foram, com as duas torcidas, sem que a maioria de torcedores que só querem ver o seu time jogar sejam punidos pela ação de criminosos que, por acaso, torcem para aquele ou outro time, e vão cometer seus crimes podendo entrar no estádio ou não.
– A avaliação é simples: dá menos trabalho ao policiamento quando há forças equivalentes. Com forças iguais, os torcedores sentem se inibidos naturalmente. Já quando a divisão é desigual quem está ao lado da maioria sente-se mais forte e o ambiente fica naturalmente tenso. As brigas acontecem a quilômetros de distância do local do jogo. Há grupos, especialmente aqueles ligados as subsedes das torcidas organizadas, que marcam brigas pela internet. O jogo não significa nada para eles e é preciso pensar em medidas para inibi-los – disse à ESPN o tenente-coronel Gianfranco Caiafa, da PM de Minas Gerais, primeiro Estado a adotar a famigerada torcida única no Brasil, explicando porque decidiram abandonar a experiência.
Este ano, o clássico mineiro voltou a ter torcida dividida meio a meio pela primeira vez desde 2010. No Rio, a rara união entre dirigentes garantiu, ao menos por mais um jogo, que nosso futebol não entre na contramão da história. Parabéns a eles.
***
Um último recado: me orgulho muito de ser filho de pai tricolor. Até por poder ser prova viva da evolução da espécie. Meu pai nunca se furtou de me levar para ver jogos do Flamengo, até contra o Fluminense, sempre na área da torcida mista. Talvez por isso o tema me seja tão caro. O recado que eu quero deixar é que, de nada adianta a luta pelo direito de torcer se não formos torcer em paz. Sem brigas, lembrando que somos adversários, não inimigos. E sem quebrar nada no Engenhão para não ter que ouvir chororô depois e para não doer no bolso do Flamengo. Que a taça venha em paz no domingo. Rodrigo Rötzsch é jornalista e coeditor do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @rodrigorotzsch. Deixe seu comentário!
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