Há quase um mês lesionado, o lateral-esquerdo voltou a treinar sem qualquer limitação com o restante do elenco. Renê teve uma entorse no tornozelo e saiu de campo aos 71 minutos no duelo contra o Atlético Goianiense pela 21ª rodada do Brasileirão. Desde então, o jogador de 24 anos esteve fora de dois duelos contra o Botafogo além dos embates contra Paraná e Cruzeiro.
A volta do jogador pode acabar com uma dor de cabeça de Rueda. Desde que assumiu o comando do rubro-negro, o treinador barrou Miguel Trauco por ser um lateral com nítidas falhas no que diz respeito à marcação. No duelo contra o Atlético-GO, ele preferiu optar pela improvisação de Rafael Vaz na posição, apesar de ter sido substituído pelo próprio Renê no intervalo.
Sem o piauiense e visto que o camisa 33 não foi bem quando testado, o colombiano passou a optar por Pará, lateral-direito de ofício, do lado esquerdo. Apesar de não ter corrido tantos riscos com a dupla, a volta de Renê deve ser comemorada por se tratar do lateral com melhores características defensivas do elenco.
No duelo do último domingo (10), Rueda voltou a optar por Trauco e viu uma linha defensiva bem mais exposta. Renê não viajou junto com o elenco para Chapecó, onde o Flamengo encara o seu próximo desafio enfrentando a equipe da casa pela Copa Sul-Americana. No entanto, a tendência é que ele esteja apto para enfrentar o Cruzeiro, no jogo de volta da final da Copa do Brasil, no próximo dia 27.
*Créditos da imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo
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Esqueça as infiltrações em velocidade de Aguero e Gabriel Jesus, a classe de Pogba, a cadência de Juan Mata, os dribles de Philippe Coutinho e a técnica de Eden Hazard. O verdadeiro jeito inglês de jogar futebol não tem nada a ver com isso.
A escola inglesa vem sendo radicalmente descaracterizada há alguns anos com a avalanche de jogadores estrangeiros desembarcando na terra da rainha e agora se esvai completamente nas mãos de treinadores como Pep Guardiola, Antonio Conte e Jurgen Klopp.
Os ingleses são extremamente orgulhosos por possuírem o “melhor campeonato do mundo”. De fato, a Premier League de hoje não tem apenas grandes jogadores, mas também nos oferece as variações táticas mais interessantes e ousadas do planeta. Na hora que a bola rola, no entanto, nada disso importa. O que todos os torcedores gritam em uníssono nos pubs e arquibancadas é “far post!”, pedindo o cruzamento no segundo pau assim que a bola passa do meio-campo.
Durante décadas, é verdade, os britânicos conheciam praticamente uma única maneira de jogar futebol. Duas linhas de quatro, compactação, verticalidade e muita, muita intensidade. Os wingers eram responsáveis por acelerar o jogo pelas beiradas e, diferente de hoje em dia, quase nunca jogavam com o “pé trocado”: destros pela direita, canhotos pela esquerda e o objetivo obsessivo de alcançar a linha de fundo e buscar o cruzamento ou ganhar o escanteio. Aliás, o momento mais excitante do jogo para o torcedor inglês é o escanteio. Lá atrás, zagueiros altos e fortes, dominadores de espaço, sempre preparados para uma boa e velha rebatida, protegidos por laterais sem muita permissão para atacar. Na meiuca, jogadores que precisam cobrir o campo quase todo, de área a área, os chamados box-to-box. E na frente, é claro, o glorioso camisa 9, dono da área, gladiador entre os zagueiros, esperando por qualquer bola bandida.
Lembra algum time que você conhece?
O Flamengo de Rueda é, basicamente, uma versão flex do futebol inglês de uma ou duas décadas atrás. Jogadores com funções muito simples e bem definidas, profundidade na correria dos pontas e muito cruzamento. É verdade que Diego e Éverton Ribeiro colocam demais a bola no chão para os padrões da escola britânica, mas é bom lembrar que com Rueda só há espaço para um deles. Vale também reparar que esse meia fica junto a Guerrero quando o time não tem a bola, fechando um pouco o espaço, esperando o contra-ataque e deixando as duas linhas de quatro bem compactas lá atrás.
Isso não é uma crítica, apenas uma constatação. Rueda parece ter simplificado para iniciar o trabalho e de vez em quando começa a inserir algumas inovações, como Paquetá jogando de falso 9 (a última moda, veja só, na Inglaterra).
Para jogar aqui, essa volta ao estilo bretão pode até ser adequada. Pelo menos foge do 4-2-3-1 básico, com pontinhas rápidos com pé invertido, que 99% dos times brasileiros adotam há vários anos. Há pouca inovação tática no Brasil. Os treinadores têm pouco tempo de trabalho, os clubes não buscam uma filosofia de jogo consistente ao longo dos anos e nossa mídia tem o estranho hábito de criticar tudo que é um pouquinho diferente.
Vamos construindo passo a passo. Há um longo caminho pela frente para esse time. Só vamos maneirar um pouco no “far post”, por que disso o torcedor do Flamengo não gosta! Téo Ferraz Benjamin escreve as análises táticas do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @teofb
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Da parte visitante, a impressão que ficou é que praticamente ninguém parecia estar se importando muito com o Botafogo x Flamengo do Engenhão, valendo pelo returno do Brasileirão. Da direção do Clube aos jogadores, passando pela Comissão Técnica e pelos formadores de opinião / influenciadores, pouco se ouviu e se falou até pouco antes da partida.
Uma pena e um erro, que só expõe a forma torta como se enxerga e se trabalha o principal produto do futebol nacional. Fazer do Campeonato Brasileiro um apêndice de outras “prioridades” (Libertadores, Copa do Brasil, Sul-americana) é jogar fora, às vezes muito cedo, o ganha-pão dos clubes durante a maior parte do calendário. Repito: uma pena e um erro.
O reflexo disso, meio óbvio até, é que a própria torcida passa também a não se importar com a competição. Aí não é só um erro: é um perigo. Ontem, em um clássico local disputado no Rio de Janeiro e valendo posição importante na tabela, tivemos a vergonhosa marca de 238 flamenguistas apoiando o time no estádio. DUZENTAS E TRINTA E OITO PESSOAS.
Jogo oficial. Clássico. Campeonato Brasileiro. Rio. Tempo bom. Time no G6.
Qual a desculpa? Preço do ingresso? Crise? Violência?
Para mim, nada justifica um público desse.
Talvez tenhamos tido ontem, neste triste Botafogo 2 x 0 Flamengo, um histórico recorde negativo de público rubro-negro em estádio em se tratando de um clássico local, disputado dentro da cidade e valendo pontos.
Uma vergonha completa.
Oldon Machado é carioca, jornalista, flamenguista, cervejeiro e pai do Theo, não necessariamente nessa ordem. Siga-o no Twitter: @OldonMachado. Também escreve no Blog do Oldon.
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Depois de assumir a liderança de inscritos no Youtube entre os clubes das Américas, a FlaTV mantém o maior crescimento em suas redes sociais e pode bater recorde de inscritos no YouTube.
Agosto foi um mês bastante complicado para os canais nacionais, principalmente pelo retorno da temporada europeia. O Tour que os clubes europeus fazem visando novos mercados e também a janela de transferências influenciou também o Mundo Digital.
No YouTube, Real Madrid e Barcelona se destacaram na pré-temporada com seus tradicionais amistosos. Já o PSG teve um BOOM em suas redes sociais, graças a chegada de Neymar. Enquanto isso a FlaTV fechou agosto com 35.150 (5.56%) novos inscritos, abaixo do que teve em junho e julho quando passou dos 90 mil assinantes.
Com a média de crescimento em pouco mais de 30 mil inscritos por mês no canal, o Flamengo pode ultrapassar em setembro a marca de 400 mil inscritos no ano só no YouTube, principalmente por causa da final da Copa do Brasil, e ainda estar disputando a Copa Sul-Americana, o que aumenta a grande variedade de conteúdo que poderá ser gerado. Para isso o clube conta com o grande engajamento de sua torcida nas redes sociais.
Não dá para apontar apenas um só fator como determinante para esse resultado, mas, com certeza, a fase ruim que o time passava (ou passa) em campo pode ter influenciado. Os resultados negativos, como as derrotas consecutivas para Santos, Vitória e Atlético/MG, a FlaTV deixa de produzir o conteúdo mais aguardado pelo público no pós-jogo, os “Bastidores” das partidas.
Por outro lado, podemos considerar que em junho e julho aconteceram contratações importantíssimas, podemos destacar as que mais trouxeram resultados para a FlaTV: Everton Ribeiro e Diego Alves. Considerando esses fatores “fora da curva”, o resultado de agosto fica acima da média de ganho entre os meses de janeiro a maio (32.546 inscritos).
Mesmo assim, a FlaTV continua com o maior crescimento entre os times nacionais. E o Flamengo, não apenas no YouTube, também deu saltos em suas outras redes sociais. Segundo a análise do Ibope Repucom só em agosto o Flamengo obteve mais de 272 mil novos inscritos em sua base digital.
Audiência
As views do canal também se mantiveram superiores, como aconteceu em junho e julho. Em agosto foram 5.098.289 visualizações que deixaram a FlaTV mais próxima de ultrapassar o Palmeiras também nesse quesito.
Wedson Barreto é estudante de Design Gráfico, torcedor fanático do Flamengo e gosta de Marketing Digital e Esportivo. É baiano mas vive em São Paulo desde os dois anos de idade. Siga-o no Twitter: @wedbarreto
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Em 2016, o Flamengo teve 26 pontos de audiência média, a maior do país. Esse ano, já contabilizando os 36 de quarta, o clube chegou a impressionantes 32,8 pontos de média. Para efeito de comparação, o Corinthians tem média de 26,5 em 2017. Fonte: virandojogo.com
08
Imprestável, inútil, inoperante, nauseabundo, asqueroso, funesto, desprezível, desastroso, catastrófico, nefasto, repugnante… não dá mais!
“O Cuéllar marca”
Não sabemos se falou isso mesmo, mas a cena pegou mal. Quem se junta aos porcos, farelo come.
Aliexpress
O nome do Geuvânio demorou para aparecer no BID, mas atrasado mesmo está seu futebol. Possivelmente está parado no Centro de Tratamento do Correio Internacional de Curitiba.
Ora, ora
Temos uma boa notícia vinda do mundo árabe. Marcelo Cirino estreou com gol na vitória do Al Nasr (não confundir com o caloteiro Al Nassr) diante do possante Ajman pela Etisalat Cup. Quem sabe os árabes nos livram daquela dívida com a Doyen…
G4 É OBRIGASSAUM
Rodar o elenco é importante, mas colocar a Séria A em segundo plano por causa de um jogo pelas oitavas da Sul-Americana é arriscado. Se pensar que a “classificação” para a Sula veio por meio do vexame na Libertadores fica ainda pior.
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“Não deu para entender essa substituição do Rueda. De uma vez só, mexeu em três posições.”
Esse foi o veredicto dos comentaristas a respeito da primeira mexida do treinador rubro-negro, colocando Vinicius Junior no lugar de Rodinei aos 14 minutos do segundo tempo. Com a troca, Pará foi jogar na lateral direita e Everton passou à lateral esquerda.
Fico imaginando o que eles diriam se assistissem às mexidas de Wenger no Arsenal ou Guardiola no Manchester City. Seriam considerados gênios ou confusos pelos nossos comentaristas? O que Rueda fez não teve nada demais: passou Pará à sua posição natural, Everton a uma posição que já exerceu dezenas de vezes (foi inclusive campeão brasileiro há oito anos jogando ali) e colocou Vinicius onde mais gosta de jogar. A ideia, absolutamente correta, tinha um impacto bastante específico em mente.
O falso 9
Sem Guerrero e Vizeu, Rueda escolheu Paquetá para jogar no comando do ataque. Não é mistério para ninguém que o jovem meia tem características completamente diferentes dos centroavantes rubro-negros e, jogando ali, atua como “falso 9”. Mas o que isso significa de fato? E como esse tipo de atacante se encaixa no jogo do Flamengo?
O falso 9 é um atacante que serve como ponto referência no ataque quando o time tem a bola atrás, jogando entre os zagueiros. Porém, quando a bola se aproxima do terço final do campo, esse jogador se desloca em direção ao meio-campo, recuando de sua posição ofigial. Sua principal função é criar uma decisão difícil para os zagueiros: se eles o acompanharem, podem deixar um espaço muito grande às suas costas, facilitando a infiltração de outro jogador; mas se não fizerem a perseguição, permitirão que o adversário tenha superioridade numérica no meio-campo.
Para entender exatamente o que isso quer dizer, basta assistir aos melhores momentos de Barcelona 5-0 Real Madrid em 2010 e ver como Messi na função de falso 9 simplesmente destruiu a defesa do Real. Preste atenção na confusão dos zagueiros merengues a todo momento.
Infiltração
O que aconteceu, então?
Os zagueiros do Cruzeiro decidiram fazer a perseguição a Paquetá, sabendo que isso mataria tanto a bola longa (afinal, Paquetá não tem o domínio e a imposição física de Guerrero), quanto congestionaria o meio-campo.
O Flamengo não conseguiu aproveitar melhor esse espaço criado por causa do perfil dos seus pontas. Tanto Everton quanto Berrío jogam “por fora”, ou seja, um canhoto que joga na esquerda e um destro na direita, que têm a característica de buscar o fundo, não fazer o facão por dentro. Com isso, a única opção de infiltração era Arão.
Como foi e como deveria ser
De fato, o camisa 5 apareceu bem dentro da área em alguns momentos, mas com tanto campo para cobrir, é natural que não conseguisse ser uma opção constante. Isso explica, inclusive, o alto número de cruzamentos (33, disparado o maior desde a chegada de Rueda) e o baixo aproveitamento nesse quesito, com várias bolas sendo cruzadas “para ninguém”. Seria necessário esperar pela chegada de Arão e, convenhamos, paciência não é a principal virtude dos nossos pontas.
A entrada de Vinicius visava justamente criar um estreitamento no ataque do Flamengo, com um jogador que está acostumado a jogar em diagonal. O impacto no jogo não foi direto, pois o Flamengo não criou nenhuma chance dessa forma, mas os zagueiros cruzeirenses deixaram de fazer a perseguição a Paquetá, que passou a participar mais do jogo, aumentando a pressão. A entrada de Gabriel, é claro, destruiu essa ideia.
O Flamengo foi melhor, mas faltou criar mais alternativas, variar as opções de ataque. A defesa do Cruzeiro não parecia muito incomodada com a ideia de receber diversos cruzamentos, mesmo perdendo recorrentemente a segunda bola, como bem apontado por Luiz Portugal em conversa que tivemos no Twitter. Nosso time poderia ter, por exemplo, forçado um pouco mais a tabela pelo meio, jogada que quase deu certo em combinação entre Arão e Paquetá, que Léo salvou.
Cruzeiro
O Cruzeiro é o segundo time que mais chuta no Campeonato Brasileiro e também o segundo time que mais chuta de longe. Claramente, a ideia na final era se valer disso. Muito se falou sobre a escolha de Mano Menezes por Rafael Sóbis, barrando Raniel, e me parece que a opção do treinador se deu justamente por essa característica.
Com Robinho, Thiago Neves e Sóbis, o Cruzeiro tinha um grande poder de fogo de longa distância e queria aproveitá-lo, até pela situação vivida pelos goleiros do Flamengo. Não deu certo e Mano mudou a estratégia, fazendo substituições no sentido de aumentar a mobilidade e poder de infiltração. Por ironia do destino, foi justamente em em chute livre de fora da área que o Cruzeiro empatou, contando com contribuição generosa de Thiago.
É possível que esse também tenha sido o motivo que levou Rueda a escalar Márcio Araújo em detrimento de Cuellar. O camisa 8 tem vários defeitos (e atrapalhou muito o início da construção das jogadas quando o Flamengo tinha a bola), mas tem mobilidade e pode chegar a tempo de abafar esses chutes da entrada da área, além de cometer pouquíssimas faltas. Prefiro Cuellar para o jogo do Mineirão, não me surpreenderia se Márcio Araújo começasse a partida com a mesma ideia.
Conclusões
Foi um jogo estudado e equilibrado, com as duas equipes forçando erros do adversário. As duas defesas pareciam confortáveis com as estratégias adotadas pelos ataques rivais, o que resultou em um jogo de pouquíssimas chances.
Mano Menezes adora trancar o jogo e conseguiu fazer isso com razoável sucesso. O Flamengo pressionou, mas jogando em casa precisava fazer mais, criar mais, inventar mais. Os mineiros vieram para buscar o empate e, apesar da partida burocrátiva, conseguiram o resultado, com ou sem falha do goleiro.
Individualmente, podemos esperar mais de Diego, mas ele precisa jogar mais próximo à área. Já é claro que a presença de Márcio Araújo o prejudica na criação das jogadas e que a falta de infiltração em diagonal dos pontas também não cria situações favoráveis para o craque do time, mas é ele que precisa decidir. Everton e Vinicius também podem aparecer mais.
Juan e Arão fizeram ótima partida, com atuações sólidas e conscientes. Pará, Rodinei, Berrío e Paquetá cumpriram seus papéis – este último tendo nas costas uma tarefa dificílima. O ponto negativo fica por conta de Thiago, é claro, mas já é hora de superar.
A decisão está aberta. O Mineirão nos espera! Téo Ferraz Benjamin escreve as análises táticas do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @teofb
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O Flamengo é tão gigante que se dá ao direito de chegar a final da Copa do Brasil e fazer um jogo de um time só. Foi isso que vimos quinta-feira no Maracanã. A equipe comandada por Rueda controlou as ações, manteve 63% de posse de bola, transmitiu razoável segurança, exigiu do goleiro adversário boas defesas, marcou um gol chorado e, não satisfeita, quando parecia que chegaria ao segundo, entregou o empate. Somos tão protagonistas que até o gol deles foi uma ação quase exclusivamente nossa.
Mas vamos começar do começo. Rueda resolveu nos surpreender e lançar Marcio Araújo no lugar do Cuéllar que estava voltando da sua seleção, mesmo não tendo jogado. Eu estava no Salete comendo uma das lendárias empadinhas de frango quando recebi a notícia e juro que não acreditei. Até gostaria de ter mais paciência com el comandante antes de afirmar isso, mas por se tratar das figuras em questão, não terei: o que diabos ele queria com essa merda? O único motivo para colocar o Marcio Araújo de titular e deixar o Cuéllar no banco é se o colombiano estiver com Ebola. Mesmo uma meningite ou cólera não seriam razões suficientes para justificar a troca. Uma simples viagem confortável de classe executiva então!
Mesmo assim, com bola rolando, o jogo era nosso. Nós contra nossos velhos erros e conhecidas deficiências, até porque o adversário é treinado pelo Mano Menezes e, como tal, não demonstrava muito interesse em atacar.
Foi apenas no segundo tempo, e depois dos devidos ajustes — leia-se a saída do volante que não citarei mais o nome porque só de digitá-lo fico com raiva — que chegamos ao gol. Na raça. Pelos pés do garoto Paquetá, meia talentoso que fez uma partida emocionante numa posição que não é a sua, compensado sua falta de proficiência como homem de referência do ataque com muita entrega e disposição. Mereceu o presente e ainda há de nos dar muitas alegrias.
Então virou festa. A torcida cantava. A equipe avançava. Parecia que terminaria ainda melhor.
Só que se tem alguém mestre em estragar a alegria do Flamengo é o Flamengo.
39 minutos. O jovem arqueiro Thiago, sabiamente escolhido por Rueda para a partida decisiva depois de mais um espetáculo de horrores do Muralha na semana passada, já havia feito uma linda defesa e tido seu nome gritado pela galera. Tudo perfeito até ali. Eis que o vilão de azul viu a defesa parada e soltou o pé. Um chutinho despretensioso de fora da área, maroto, facinho de catar, daqueles que o cara dá sem muita esperança. Mas nosso garoto garoteou. Sua rebatida para o meio da área foi tão equivocada que Arrascaeta demorou a acreditar que estava com o pelota no pé e o gol vazio a sua frente. Diria até que ficou constrangido de tocar a bola pra rede porque sabia que seu nome estaria na súmula mas que quem marcou esse gol fomos nós.
O silêncio que imperou no planeta foi inevitável. Apertaram o mute na galáxia. As supernovas pararam. Não foi uma ducha de água fria. Foi o Glacial Antártico com suas águas polares desaguando no Maraca. Após o apito do juiz, um gosto amargo na boca. Estávamos vencendo em casa, contra um adversário que não se esforçou muito para competir, e saímos sem nenhuma vantagem.
Mas passado o pileque, fica mais fácil notar que o retrogosto não é assim tão azedo.
Pensem: quando foi a última vez que vocês viram o Flamengo administrar bem uma vantagem em decisões?
Isso não é da índole rubro-negra.
Nosso negócio é sofrer até o fim, quando a glória nos aguarda sorridente.
Acreditem: foi o melhor que poderia acontecer. Agora a partida de volta será em Belzonte e eles terão a obrigação de tentar algo mais ousado na frente da sua torcida. Têm o favoritismo todo nas mãos.
E é assim que a gente gosta. É assim que a gente sabe fazer.
Faltam noventa minutos.
Vai ser tenso e sabemos como terminará.
Vamos Flamengo.
Essa taça vamos conquistar.
****
O lance é que isso só vai acontecer no dia 27. Antes, usando a expressão da moda, temos que “virar a chave”. E não me refiro ao Brasileirão. Falo dos dois jogos pelas oitavas-de-final da Sul-Americana que, já disse e repito mil vezes, deve ser nossa competição foco no ano. Nosso esquadrão precisa de casca internacional. Ganhar milhagem continental antes de voltar para a Libertadores. Por isso é mais do que nunca hora de manter a cabeça no lugar e fazer o que precisa ser feito. A adorável Chapecoense que nos perdoe.
Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015). Siga-o no Twitter: @pedroneschling
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Foto no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza/Flamengo.
Depois do advento d’O Gol, como passei a chamar o lance da apoteose de Antônio José Rondinelli Tobias, o rádio passou a ser um companheiro diário para mim. Os programas esportivos das rádios cariocas eram um meio de ter o Flamengo em casa todos os dias, e não apenas quando o time entrava em campo.
As vinhetas e jingles ecoam na memória. No Mundo da Bola, na Rádio Nacional, que na década de 1940 movimentava a equipe comandada por Jorge Curi, e três décadas depois era pilotado por Washington Rodrigues. Na Tupi, Futebol Total, Esportes em Cima da Hora, e a resenha diária no Papo de Bola, precedido pelo comentário de Carlos Marcondes, Tirando a Prova Real.
A revolução de 1984 no rádio carioca mudou o caminho do dial do meu Philco Transglobe. Fui surpreendido pela despedida em tom de desabafo de Jorge Curi na Rádio Globo, após um Vasco e Botafogo. Como assim, um mundo sem o vozeirão de Curi? Foi como ver um amigo ir embora, sem saber para onde.
Logo, a movimentação ficaria esclarecida. A Globo abrigaria José Carlos Araújo, no auge, então chamado de “o narrador jovem, moderno, colorido e cheio de bossa”, que levaria consigo os apolos Washington Rodrigues e Deni Menezes. Waldir Amaral já não era Globo desde o ano anterior, e lembro dele narrando com a categoria de sempre pela Rádio Jornal do Brasil e pela Nacional, para onde também foi Cezar Rizzo. E eu, mesmo sendo fã da equipe que saiu da Nacional para a Globo, seria fiel a Jorge Curi até seus últimos dias. O “locutor padrão do rádio brasileiro” foi para a Tupi, fazer dobradinha com “o mais vibrante” Doalcei Camargo, e lá estava outro ex-global, o “bom de bola” Edson Mauro.
É verdade que aquela equipe da Tupi durou pouco. Mas, ah, que saudade… A genialidade irrequieta de Kleber Leite, a classe de Ronaldo Castro e um nome que poucos se recordam, mas que que sua categoria como setorista do Flamengo não me deixam esquecer sua voz e sua vinheta, o repórter Paulo Cesar Campello. Para completar, a curar a ferida da despedida do maior goleiro do Flamengo de todos os tempos, a Tupi anunciava como comentarista Raul Plasmann.
Naquele resto de 1984 até a morte de Jorge Curi em dezembro de 1985, eu ouvi todos os jogos pela Tupi. A notícia do acidente automobilístico que vitimou o narrador que mais me emocionou me fez ficar um mês sem ligar o Transglobe.
O último gol do Flamengo narrado por Jorge Curi foi o petardo de Leandro contra o Fluminense. Zico assistia ao jogo na cabine ao lado, acompanhado de Sandra, e ambos foram à cabine da Tupi conversar com o velho narrador após o apito final. E este foi, para mim, o final de 1985. Não guardo nenhum sentimento ruim pela perda do título no jogo contra o Bangu, porque o falecimento de Jorge Curi cobriu tudo com o manto de uma tristeza maior.
Assim como não posso ouvir algumas canções sem chorar de saudade, ouvir esta narração me enche de nostalgia, porque os gols do Flamengo nesta voz grave e solene pareciam impregnados de eternidade. Com vocês, o último gol do Flamengo na voz de Jorge Curi:
A CBF divulgou na manhã dessa sexta-feira (08) a lista dos 21 jogadores convocados para a Copa do Mundo Sub-17, que em 2017, será disputada na Índia, entre os dias 6 e 28 de outubro.
Vinícius Júnior, presente nas seleções de base desde o Sub-15 e agora com a responsabilidade de repetir as boas atuações que deram a ele a artilharia e o título de melhor jogador do Sul-Americano Sub-17 de 2017 é um dos convocados.
A delegação brasileira viaja para Mumbai no dia 25 de setembro, 2 dias antes da final da Copa do Brasil. Entretanto, a diretoria rubro-negra recorreu e conseguiu fazer com que o atleta viaje para a Índia somente após a partida no Mineirão. Atualmente Vinícius é peça importante no ataque do elenco profissional do Flamengo, ainda que reserva.
Além de Vinícius Júnior, Wesley (Lateral) e Lincoln (Atacante) são os atletas do Flamengo que aparecem na lista do treinador Carlos Amadeu.
Cabeça de chave do grupo D, o Brasil estreia na competição no dia 07 de outubro, contra a Espanha. Os outros adversários do grupo são: Coréia do Norte e Níger.
Confira a lista completa dos convocados para o Mundial:
GOLEIROS:
Gabriel Brazão – Cruzeiro
Lucas Alexandre – Vasco da Gama
Yuri Sena – Vitória
DEFENSORES:
Wesley – Flamengo
Luan Cândido – Palmeiras
Weverson – São Paulo
Lucas Halter – Atlético Paranaense
Matheus Stockl – Atlético Mineiro
Rodrigo Guth – Atalanta (ITA)
Vitor Eduardo – Palmeiras
MEIAS:
Alan de Souza – Palmeiras
Marcos Antônio – Atlético Paranaense
Rodrigo Nestor – São Paulo
Victor Bobsin – Grêmio
Victor Yan – Santos
Vitinho – Corinthians
ATACANTES:
Brenner – São Paulo
Lincoln – Flamengo
Paulinho – Vasco da Gama
Vinícius Jr. – Flamengo
Yuri Alberto – Santos
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Na minha vida de empreendedor, sempre me fascinou entender a relação das empresas e profissionais com o erro. Atuando na área de inovação, logo entendi que qualquer tentativa de fazer algo novo pressupõe uma chance de falha. Quem não está disposto a errar, não inova nunca.
Mas no mundo corporativo, pessoas são desencorajadas o tempo inteiro a cometerem erros. As falhas são comumente punidas e, portanto, todo mundo tem medo de errar. O erro deveria ser percebido como parte natural do processo, mas não é. Temos medo dele. O resultado disso é que o mundo profissional nos ensina a não inovar.
No futebol, o erro ganha proporções colossais, pois o resultado está ali, cru, à vista, pronto para o escrutínio de milhões de espectadores apaixonados com acesso a 32 câmeras em alta definição, replay, zoom e lente de aumento. Errar no futebol não é para humanos.
Nenhum de nós é capaz de imaginar a pressão de jogar uma final pelo Flamengo – ainda mais sendo goleiro (esse sim não tem direito nenhum de errar), principalmente depois de toda essa situação que foi criada, e tendo apenas 21 anos.
O fato é que Thiago errou feio. Não há como colocar isso de maneira diferente.
Alguns acenderam imediatamente as tochas para jogá-lo na fogueira dos hereges traidores do manto, outros pedem “calma com o menino”. Talvez, se aprendêssemos na vida real a compreender e conviver com o erro, saberíamos lidar melhor com essa situação. O goleiro errou em um momento que não podia e, por isso, merece críticas, precisa assumir o erro e aprender com ele, mas não merece linchamento. Admitir, assimilar, criticar e aprender com o erro é muito diferente de apontar o dedo.
“Jogando no Flamengo, a gente não pode tomar um gol desses.” – disse o goleiro antes de sair do campo.
Uma fala importante. Thiago já demonstrou mais personalidade do que a esmagadora maioria daqueles que trabalham no meio do futebol, incapazes de assumir os próprios enganos. No entando, a crítica ao jovem arqueiro necessita de reflexão, compreensão e rigor. Não é sobre o frango de ontem, mas sim sobre a recorrência desse tipo de situação.
Thiago falhou bizonhamente contra Chapecoense, Palmeiras e Cruzeiro. Em outros jogos, cometeu erros menos graves, alguns dos quais não resultaram em gol. Tem imperfeições claras em lances muito simples e ontem já havia soltado uma bola fácil (que segurou logo depois). Esse tipo de coisa é imperdoável no futebol atual, na posição de goleiro, que evoluiu tanto nas últimas décadas com treinamentos específicos. Os guardiões das traves de hoje são capazes de coisas inimagináveis para lendas do passado.
E aí entra um problema mais grave e menos visível. Já escrevi em uma coluna há um mês que “quando um ator é ruim, a culpa é dele, mas quando todos os atores são ruins, a culpa é do diretor”. Um goleiro que falha uma vez é uma coisa, mas vários goleiros que falham seguidamente indicam uma questão maior. Muitos vídeos têm circulado na internet comparando o treinamento dos goleiros do Cruzeiro, com Robertinho, e do Flamengo, com Victor Hugo. A diferença é notável.
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Há também quem coloque uma parcela de culpa no gol de ontem em toda a defesa, que “não acreditou no rebote”. Primeiro, é bom dizer que nem Arrascaeta acreditou. Ele não ataca a bola, simplesmente está fazendo uma ultrapassagem e é surpreendido com a pelota aos seus pés. Houve erro da defesa sim, mas no início da jogada, permitindo uma troca simples do Cruzeiro que resultou no chute de Hudson. Quem sai para abafar a finalização é Rever, o que já explica todo o erro defensivo. Vale também lembrar que todo gol em um jogo de futebol tem algum tipo de erro. Não é a toa que o italiano Gianni Brera dizia que “o jogo perfeito terminaria zero a zero”. O processo de reconhecer quais foram os erros é importante para gerar aprendizado, e deveríamos nos sentir muito mais confortáveis nesse momento.
Não consigo entender jornalistas que saem em defesa do goleiro dizendo que “a defesa também errou e colocar a culpa no garoto é injusto”. A principal falha foi, sim, de Thiago. Esconder isso é ter uma dificuldade enorme de conviver com os fatos. Foi o que aconteceu, mas isso não significa crucificar o goleiro, pichar o muro da sua casa ou acabar com a sua carreira. Vamos apenas admitir a realidade? Vamos nos colocar em posição mais confortável com o erro? Se fizéssemos isso com mais naturalidade, talvez quem erra também ficasse mais confortável.
Por fim, gostaria de comentar rapidamente outros três erros envolvendo a partida, menos gritantes que o frango do goleiro, mas muito importantes.
Primeiro, o erro do regulamento, que não faz sentido nenhum. Por que existe uma janela de transferências no meio do ano? Realmente é muito difícil entender. Mas a CBF, uma das instituições que erra muito mais do que acerta, seguirá do alto de seu pedestal encaminhando o futebol brasileiro.
Segundo, o erro quase imperdoável de Rueda ao colocar Gabriel. Eu achei que teria muita, muita paciência com o treinador e que demoraria muito para ele me tirar do sério, mas ver o pior jogador do elenco aquecendo para entrar foi uma facada. O treinador disse ao fim do jogo que “não soubemos controlar o resultado depois do gol”. Com Gabriel em campo, isso não é surpresa alguma. Espero que o Colombiano tenha aprendido a lição.
Por fim, o tão comentado “erro” da arbitragem. Já revi o lance diversas vezes e afirmo que não havia impedimento mas, muito mais importante é perguntar: faz sentido discutir tanto um lance que não tem conclusão clara mesmo depois de inúmeros replays, lentes de aumento e tira-teimas? Se o pé de Paquetá estava um ou dois centímetros à frente é irrelevante. O erro aqui é da imprensa, que precisa de polêmica para vender. A mídia esportiva está morrendo, e o que pode vender mais jornal do que um gol “irregular” do Flamengo em uma final?
Téo Ferraz Benjamin escreve as análises táticas do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @teofb
Foto destacada: Marcelo Theobald – Agência O Globo
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