Autor: diogo.almeida1979

  • Diego na Seleção faz sentido?

    Por que Diego e não Luan?

    Uma leve polêmica foi levantada na internet com a convocação de Diego. Muitos jornalistas, torcedores adversários e até mesmo rubro-negros questionaram a presença do meia na lista de Tite justamente em um momento ruim tecnicamente. Diego já teve altos e baixos desde que chegou ao Flamengo há pouco mais de um ano e, de fato, não vive uma boa fase agora.

    Tite já mostrou que sabe o que faz à frente da Seleção. Seu retrospecto até aqui não abre brechas para críticas infundadas, portanto acredito que a convocação de Diego justamente neste momento tem algo mais importante por trás.

    Uma volta no tempo

    O futebol passou por uma revolução profunda nos últimos dez anos e o Brasil perdeu completamente essa mudança.

    Os cadenciadores, jogadores que lêem o jogo e ditam o ritmo, estavam praticamente descartados no jogo de alto nível. Guardiola, craque com a bola, capaz de uma precisão incrível nos passes, foi a maior prova disso. O capitão decidiu abandonar o Barcelona aos 30 anos para terminar a carreira escondido em equipes como Brescia, Roma, Al Ahli (Doha) e Dorados (México). Na época, justificou a escolha dizendo que “o futebol está se modificando, aumentando muito a carga física do jogo” e que nesse estilo ele não poderia se encaixar.

    Mas o próprio Guardiola voltou alguns anos depois como treinador, modificou o estilo de jogo do Barcelona, ganhou tudo, influenciou a maneira de jogar da Espanha que também passou a ganhar tudo pela primeira vez na sua história. Os cadenciadores, como Xavi, Iniesta, Pirlo, Kroos e Modric foram extremamente beneficiados, voltando a assumir o posto de jogadores mais importantes em um futebol cada vez mais baseado na posse de bola e no controle do ritmo.

    O Brasil literalmente não viu isso acontecer. Continuamos obcecados com o camisa 10 e, consequentemente, continuamos usando volantes destruidores com o único intuito de neutralizar o craque adversário. Enquanto o mundo se moveu em direção a meio-campistas versáteis, capazes de desempenhar diversas funções, o Brasil continuou aperfeiçoando a estrutura “criador + destruidor” na meiuca. Um bom exemplo é um tal camisa 8 que não sabe dar um passe de cinco metros, mas continua titular pela “disciplina tática e capacidade de recomposição”.

    O resultado é fácil de identificar: há jogadores brasileiros em todos os grandes clubes de todas as grandes ligas jogando em todas as posições, menos essa. Nas últimas três copas do mundo, o Brasil utilizou Emerson, Zé Roberto, Gilberto Silva, Felipe Melo, Luiz Gustavo e Paulinho como volantes. Alguns são bons jogadores, mas nenhum é capaz de controlar o ritmo da partida.

    Tite

    Depois de sua primeira passagem pelo Corinthians, Tite foi viajar e estudar. Retornou ao Corinthians com uma grande ideia: um trio de meio-campo diferente, formado por volante-âncora, um volante-vai-e-volta e um volante-armador. Ralf e Elias foram escolhas naturais para os dois primeiros postos, mas o terceiro jogador simplesmente não existia no futebol brasileiro.

    Tite teve que buscar Renato Augusto, ex-camisa 10. Reconhecendo as características certas no meia (inteligência, visão de jogo, dinamismo, bom passe e controle de espaços), foi uma questão de adaptá-lo à nova função.

    Renato Augusto não é um craque de nível mundial, mas seu desempenho no Corinthians e na Seleção mostram que um jogador para essa função é fundamental no esquema de Tite. Na verdade, é fundamental no futebol que se joga hoje.

    O problema

    Mas Tite tem um problema óbvio na mão: Renato Augusto não tem reserva.

    Se o jogador se machucar antes da Copa ou não estiver em um bom momento, a tríade do meio-campo ruirá. Portanto o treinador tem nove meses para encontrar um outro cadenciador.

    É aí que entram Arthur e Diego.

    O volante do Grêmio é o melhor passador do Campeonato Brasileiro, portanto parece uma boa opção para jogar por ali. No entanto, ainda é muito jovem e não ocupa tanto os espaços ofensivos no Grêmio como precisaria fazer na Seleção, afinal, joga com Luan à sua frente – ótimo jogador, mas quase um atacante.

    Diego é também um bom passador. É um jogador mais agudo, que agride a área e está acostumado a dar o último passe, diferente do que Tite precisa. Mas é possível que o treinador enxergue no experiente meia do Flamengo as mesmas características que tornaram Renato Augusto um titular incontestável.

    Resta saber se o Diego conseguirá se adaptar. Hoje joga com um cão-de-guarda o protegendo no Flamengo e a torcida reclama muito quando é obrigado a buscar o jogo muito atrás. Mas será que foi justamente essa saída de bola que chamou a atenção do treinador canarinho?

    Tite, afinal, sabe o que faz. E muitas vezes as escolhas do momento fazem parte de uma busca mais profunda.

     


    Téo Ferraz Benjamin escreve as análises táticas do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @teofb

    Imagem destacada: Gilvan de Souza / Flamengo

  • Diego volta a ser convocado e declara: “Parecido com a minha primeira”

    Apesar de não viver um bom momento no Flamengo, Diego volta a ser chamado para servir a seleção brasileira nos confrontos contra Bolívia(em La Paz, dia 5 de outubro) e Chile (em São Paulo, dia 10), válidos pela eliminatória Sul-Americana para a Copa do Mundo da Rússia. O jogador se mostrou muito feliz e afirmou o desejo de jogar a Copa do Mundo.

    – Parecido com a minha primeira convocação, com 17 anos. Nunca escondi meu sonho e grande objetivo de estar na seleção e disputar Copa do Mundo. Estar nesta lista significa um objetivo alcançado. Com muito trabalho coletivo, que acaba me alavancando. Muito feliz – disse o meia.

    Quando questionado sobre a sua fase atual no Rubro-Negro, que não é uma das melhores, Diego enfatizou o bom desempenho que teve, apesar de não manter o ritmo.

    – É difícil contestar. Estamos aqui para jogar. Temos que respeitar quem analisa. Uma coisa é verdade, ninguém alcança grandes objetivos por acaso, por ser simpático ou bonito. Mérito tem que ter. Procurei evoluir para manter o alto nível sempre. A queda não pode ser brusca, mas manter em uma temporada com situações diferentes acaba sendo impossível – afirmou

    Ainda sobre o assunto, o meia não escondeu que não só ele, mas sua equipe passa por um momento difícil na temporada.

    – A equipe passa por momentos difíceis. Jogador também. Acredito que não pode ser brusca. Mas estou satisfeito com a temporada. Estamos em um mês importante, que vai decidir muita coisa. Se está num bom ou excelente momento, é opinião e eu respeito – completou.

    No fim da entrevista, o camisa 35 deixou claro que jogar a Copa do Mundo é um dos motivos de inspiração para voltar a jogar em alto nível e garantiu que caso esteja na lista final, será o auge de sua carreira.

    – O sonho de jogar Copa me motiva diariamente. Esse sonho passa pelo Flamengo. Por isso me dedico constantemente. Chegar em uma Copa seria o auge da minha carreira – concluiu.

  • FIFA determina e Flamengo deve receber dinheiro da venda do Hernane

    A grande novela da venda do Hernane ganha um novo e – provável – último capítulo. Nesta sexta-feira (15), a Fifa determinou que o Al Nassr pague, impreterivelmente até 28 de Setembro, cerca de 3 milhões de euros ao Flamengo. O valor, refere-se à ida do atacante ao clube da Arábia Saudita. O montante era cobrado pelo Mais Querido desde 2014 e, após percorrer todas as instâncias nos tribunais do futebol mundial a decisão não cabe mais recurso.

    Caso o Al Nassr não pague o valor até a data estipulada, o clube pode ser punido com multa, perda de pontos no campeonato nacional, rebaixamento e até exclusão de competições, progressivamente. Além da venda, o Flamengo deve receber o valor corrigido e acrescido das multas.

    Reprodução: Twitter

    No fim de julho, o vice-presidente jurídico do Flamengo disse, em documento divulgado, que queria uma audiência especial com o presidente da Fifa para falar sobre o assunto.

    – O Flamengo aguarda a confirmação da audiência com o Presidente da FIFA entre agosto e setembro, para que possamos externar pessoalmente nossa preocupação com o prazo da execução e que, ao final, o Clube finalmente receba o valor devido pelo Al Nassr, acrescido de multa e juros, nos termos da decisão do CAS – reforçou à época, ao GloboEsporte.com.

    A notícia da última decisão foi dada através do Twitter pelo Dr. Marcos Motta – advogado que representa o clube carioca na ação, e confirmada pelo clube em seguida.

    O “Brocador”, como popularmente foi chamado pela torcida rubro-negra, chegou ao clube em 2012, mas foi apenas na temporada seguinte que brilhou. Hernane fechou 2013 como o maior artilheiro do ano o Brasil, com 36 gols, e foi parte fundamental do último título nacional do Flamengo, a Copa do Brasil. Considerado xodó dos torcedores, foi vendido em 2014 ao Al Nassr.

    Os problemas com o clube saudita começaram logo cedo. Sem receber salários por três meses, Hernane buscou sua liberação junto à Fifa e conseguiu. De volta ao Brasil, atuou pelo Sport e, desde 2016 defende o Bahia.

    O Mundo Bola teve acesso ao contrato de venda ao clube saudita que, mesmo com cláusulas de segurança, não conseguiu evitar a falha do pagamento. Matéria completa aqui.

  • Flamengo tem apenas 43% de aproveitamento fora do Rio de Janeiro

    Na noite da última  quarta-feira (13), o Flamengo empatou com a Chapecoense em 0 a 0, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. O resultado, considerado indigesto por boa parte da torcida, poderia ter sido pior caso o Verdão do Oeste não tivesse desperdiçado tantas oportunidades de gols no segundo tempo do duelo.

    O empate com sabor amargo ligou o sinal de alerta sobre a equipe comandada pelo colombiano Reinaldo Rueda, que desta vez escalou o que tinha de melhor. Mas seja atuando com o time titular, misto ou reserva, uma opinião é comum entre os torcedores: o Flamengo de 2017 não convence quando joga fora do Rio de Janeiro.

    Na atual temporada, o Mais Querido disputou 23 jogos fora do estado do Rio, e possui apenas 43% de aproveitamento. Considerando que em menos de duas semanas o time enfrentará o Cruzeiro, em Belo Horizonte, na decisão da Copa do Brasil, o número preocupa. A última vitória rubro-negra fora longe do Rio aconteceu no dia 5 de julho, contra o Palestino, no Chile, em partida válida pela segunda fase da Copa Sul-Americana. Na oportunidade, o Flamengo venceu por 5 a 2.

    A próxima partida do Rubro-Negro fora do Rio será a decisão contra a Raposa. Antes, no entanto, o Flamengo enfrentará o Sport e Avaí pelo Campeonato Brasileiro, e a Chapecoense no jogo de volta das oitavas de final da Sul-Americana. Os três jogos serão disputados na Ilha do Urubu.

     Campeonato Carioca

    A estreia oficial na temporada aconteceu em Natal, pelo Campeonato Carioca. Jogando na Arena das Dunas, o Flamengo goleou o Boavista por 4 a 1, com gols de Guerrero (2), Diego e do estreante Trauco. Ainda pelo Estadual, o Rubro-Negro enfrentou Vasco e Fluminense em Brasília e Cariacica, respectivamente, somando dois empates nos clássicos.

    Jogos: 3 | Vitórias: 1 | Empates: 2 | Derrotas: 0

    Libertadores

    Maior decepção da temporada, a campanha rubro-negra fora de casa na Libertadores foi um fracasso. A equipe de Zé Ricardo perdeu os três jogos que disputou como visitante (Universidad Católica, Atlético-PR e San Lorenzo). Embora o torcedor tenha em mente o gol de Belluschi no último minuto da partida contra o time do Papa Francisco,  os resultados obtidos fora do Maracanã ajudam explicar a precoce e vexatória eliminação.

    Jogos: 3 | Vitórias: 0 | Empates: 0 | Derrotas: 3

    Foto: Staff Images /Flamengo

    Copa da Primeira Liga

    A competição criada para revolucionar o futebol brasileiro não ‘deu liga’. Tal como na temporada passada, o Flamengo acabou eliminado por um time paranaense. Desta vez a queda aconteceu nas quartas de final, em Cariacica, diante do Paraná, após empate no tempo normal e derrota nos pênaltis. O Rubro-Negro mandou seus jogos fora do Rio, tendo atuado em Brasília, Fortaleza (como visitante), Gama e Espírito Santo.

    Jogos: 4 | Vitórias: 2 | Empates: 2 | Derrotas: 0 

    Foto: Staff Images / Flamengo

    Copa Sul-Americana 

    Com a eliminação na Libertadores, o Flamengo ganhou uma vaga na Sul-Americana. O primeiro desafio na competição continental foi diante do Palestino, algoz na última temporada. Mas o time misto rubro-negro foi suficiente para golear a equipe chilena fora de casa, e praticamente garantir a classificação no primeiro jogo. No confronto das oitavas, a equipe de Rueda não conseguiu balançar as redes da Chapecoense na Arena Condá.

    Jogos: 2 | Vitórias: 1 | Empates: 1 | Derrotas: 0 

    Copa do Brasil

    Um vitória e uma derrota, é esse  desempenho do Flamengo fora de casa na Copa do Brasil. Contra o Atlético-GO, mesmo fazendo uma de suas piores partidas da temporada, o Mais Querido conseguiu a vitória no Serra Dourada. Já diante do Santos, derrota por 4 a 2, mas a classificação veio devido ao resultado no jogo de ida: 2 a 0 na Ilha do Urubu.

    Jogos: 2 | Vitórias: 1 | Empates: 0 | Derrotas: 1

    Fotos: Gilvan de Souza / Flamengo

    Campeonato Brasileiro

    Com o Maracanã cedido para os Jogos Olímpicos do Rio, o Flamengo viajou pelo país durante a maior parte do Brasileirão 2016. Mesmo com a intensa rotina de jogos, viagens e treinamentos, o clube terminou o campeonato na terceira colocação, conquistando vaga para Libertadores. No Campeonato Brasileiro deste ano, sem as  dificuldades descritas anteriormente, o Rubro-Negro tem apenas a 11ª melhor campanha fora do Rio, tendo vencido apenas o Bahia e o lanterna Atlético-GO.

    Jogos: 9 | Vitórias: 2  | Empates: 4 | Derrotas: 3

    Aproveitamento geral fora do Rio de Janeiro

     

     

    Foto destacada: Gilvan de Souza / Flamengo 


     

  • Meninas do Flamengo/Marinha enfrentarão o América em Realengo

    Está chegando a hora! Depois de quase 3 meses sem disputarem jogos oficiais, as meninas do Flamengo/Marinha iniciarão a trajetória no Campeonato Carioca Feminino 2017, neste sábado, 15h, no centro esportivo da Universidade Castelo Branco, em Realengo. O jogo será contra o América e terá portões abertos para a torcida.

    Atual bicampeão da competição, o Flamengo/Marinha lutará pelo tricampeonato estadual. A equipe iniciou os trabalhos em 2015, e conquistou 2 estaduais (2015 e 2016) e um Campeonato Brasileiro (2016).

    A equipe titular para esse jogo ainda não foi definida pelo técnico Ricardo Abrantes. Algumas jogadoras estão lesionadas, e outras estão de saída da equipe, como a zagueira Tânia Maranhão e a lateral Roberta Emilião, que completaram os 8 anos de Marinha nesta temporada.

    A Universidade Castelo Branco está localizada na Av. Santa Cruz, 1631 – Realengo, Rio de Janeiro – RJ.

     

    Regulamento

    Neste ano, serão 7 equipes postulantes ao título: Flamengo/Marinha, AA Portuguesa, América FC, Barcelona EC, ISQL Brasileirinho, Duque de Caxias FC e Cruzeiro FC. Serão disputadas duas fases: a primeira fase será disputada pelos 7 times, em turno único.

    As 3 primeiras colocadas da fase, classificam-se para a segunda fase. Um detalhe importante: a equipe que sagrar-se campeã da primeira fase, garante um ponto extra na disputa da segunda fase.

    Na segunda fase, as 3 equipes duelam entre si. Quem conquistar mais pontos, leva o título. O campeão e o vice garantem vaga na Copa do Brasil Feminino 2018.

    Critérios de desempate: maior número de vitórias na fase, melhor saldo de gols na fase, maior número de gols pró na fase, menor número de cartões amarelos e vermelhos, durante todo o campeonato, confronto direto na fase, sorteio na sede da Federação.

     

    Algumas partes importantes do regulamento:

    Se o clube mandante não realizar o pagamento da taxa de arbitragem antes do início da partida, o jogo não ocorrerá. Sendo o adversário declarado vencedor pelo placar 3×0. Serão permitidos no banco de reservas, no máximo 7 atletas, podendo ser realizadas o número máximo de 5 substituições.

     

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  • A fábrica que o meu pai trabalhou por anos pode virar o estádio do Flamengo

    Já morei no Irajá.

    Quer dizer, não era bem o Irajá. A Rua São Leonardo faz uma espécie de “linha fronteiriça” com Vista Alegre, bairro ali colado. Então, de pequeno sempre escutava morar “na Rua São Leonardo, em Vista Alegre”, o que não vai mudar o preço do dólar, ao fim das contas.

    Corriam os idos de 1977.

    Família começando a vida, eu o mais velho de dois filhos pequenos, meu pai trabalhando numa fábrica na Avenida Brasil em regime de plantão, minha mãe em casa cuidando das crianças, ou seja, nós. Vida simples, sossegada, sem luxos mas sem faltar nada.

     
    Avenida Brasil… A descomunal, ampla e vasta passarela de veículos nervosos, rasgando-se em plena velocidade, era como uma porta de entrada para o mundo. Sair do sufocante cercado das vielas de Vista Alegre e ter diante de si toda uma existência, um universo querendo ser explorado, tateado, sentido. E, no horizonte de uma criança de cinco anos, isso se resumia às compras do mês no Carrefour (uma aventura sempre consumada com um brinquedo, um indefectível caminhãozinho de plástico tratado qual preciosa joia), ao sundae de morango na beira da pista, às inevitáveis passagens por um valão preto que fedia tanto que parecia ser o riacho de entrada do inferno. Ou aos domingos na Urca. Sim, a Urca. Dia de Urca era dia de festa, era a tarde no parquinho, no velotrol, de correria em algum gramado, de picolé, de pipoca, da tarde silenciosa no pé do morro à brisa da maresia que amolecia corpos e mentes. Até o triste momento da volta pra casa e pra realidade da rotina de todo dia de arroz e feijão.

    Rotina muitas vezes vivida à frente da Telefunken em branco e preto, que tocava musiquinhas diárias anunciando coisas que interessavam à mãe ou ao pai, dependendo do horário. “Hora do jornal, hora da novela, você é muito pequeno pra isso. Vá pro quarto”. As barulhentas corridas de fitipaldi, essas eram liberadas. Mas logo me entediava ficar vendo uns carros pra lá e pra cá, um cara de voz grave falando coisas que eu não compreendia. Um dia apareceu algo pegando fogo, uma fumaça preta, meu pai me levando rápido pro quarto, fiquei sem entender nada.
     

     
    O cotidiano também dentro do meu quarto verde, onde construía meus “enredos fantásticos” com minhas corridas de carrinhos, ou as lutas com os bonecos, essas coisas de criança. Sim, quarto verde. Tinha o nosso quarto verde e o quarto dos adultos (mãe e pai), que era rosa. Parece que o dono do apartamento (alugado) era mangueirense, bem depois soube. Não deixou repintar. Mas não incomodava.

    Um dia cruzamos um túnel e fomos parar num lugar de praia, um calçadão grande, tão colorido, cheio de luzes ofuscantes, um sol que cegava a gente, balões enormes, carros, gente pra lá e pra cá, causando revolução na minha cabecinha de menino, o olho brilhando, sem saber onde pousar. Meu pai não curtia muito ir na área Sul, achava tudo muito caro, muito tumulto, ruim pra estacionar. Ele tinha um Doginho amarelo, morria de ciúme do carro, só não gostava que dava muito defeito. Tava juntando dinheiro pra trocar num Passat.

    Da escola eu gostava. Tinha os coleguinhas que eu já tava acostumado, a professora era legal, carinhosa, tinha espaço pra brincar, gangorra, escorrega, era divertido. E faziam uns passeios agradáveis, conheci uma fábrica de refrigerante, aquele mundo de garrafa pra lá e pra cá, depois fomos numa floresta grande, um lugar cheio de árvores, tomamos banho num laguinho, essas coisas. É interessante como não precisa de muita coisa para fazer a vida de uma criança se encher de fantasia.

    E tinha o Flamengo.

    Meu pai sempre falava do Flamengo, sempre dizia que um dia a gente ia ver jogo do Flamengo, que agora não dava, que eu era muito pequeno e tal. E eu não sabia o que o Flamengo fazia, mal e porcamente chutava bola pra lá e pra cá, mas não tinha ideia do que era futebol. Só sabia que existia o Flamengo, e que o Flamengo era um super-herói que toda hora estava envolvido numa luta do bem contra o mal.

    “Papai, o Flamengo ganhou hoje?”

     
    Da resposta a essa pergunta dependia toda a integridade anímica do meu dia. Dissesse, “Sim, meu filho, hoje o Flamengo ganhou”, e tudo se descortinaria em ânimo e alegria. Eu desceria correndo as escadas do prédio e sairia gritando de felicidade, pronto a chutar ou atirar alguma coisa, ou a pedalar no meu jipe de lata. Mas, saísse a resposta “Não, hoje não deu. Perdemos”, e tudo estaria inapelavelmente arrebentado. A comida entraria empurrada, o muxoxo no canto do quarto, a falta de vontade pras coisas. Como o bem não vence o mal? Era algo muito complexo, transcendental.

    Meu pai gostava de ir ao Maracanã, mas tinha meio que parado com o hábito, por conta do horário da fábrica. Ia mais raramente agora. Mas conhecia um pessoal do Bangu, chegou a pegar amizade com um zagueiro Ananias, gostava de trocar ideia com o Zózimo, que foi campeão do mundo e morreu precocemente, foi sócio do Flamengo e de vez em quando ia ver os treinos, participava. Às vezes, quando ele ia pro ponto da Avenida Brasil esperar a condução pra fábrica, aparecia um sujeito magro, irrequieto, cheio de pente e gingado, elegante todo na calça boca de sino e a camisa de botões estampada meio aberta, o embrulho debaixo do braço levando um par de chuteiras. Tava indo treinar, tinha que pegar três conduções pra chegar na Gávea. “E aí Vanderlei, o Mengão tá firme pra domingo? Olhe lá, hein?”, e o lateral-esquerdo, só no meneio, respondia com um sorriso, engatando uma conversa amena e tão breve quanto o tempo de espera.

    Um dia meu pai foi levar o Doginho no posto pra botar gasolina. Pouco antes de chegar, viu um movimento estranho, pessoas correndo. Parou o carro e se entocou na esquina. Alarido, gritaria, tiros. Gente caída no chão. Era um assalto. Escapara por pouco, questão de minutos. Parou, pensou. E pensou mais um pouco. Gostava do trabalho, era louco pela cidade. Mas coisas como isso do posto estavam ficando cada vez mais frequentes. E chegando aos lugares mais improváveis. Dois filhos pequenos, família. Assim não podia ser. Lembrou-se da proposta. Estavam abrindo fábricas na Bahia e precisavam de gente qualificada, com experiência. E pagavam bem, coisa de dobro ou triplo. Muitos colegas já haviam aceitado. Ele relutava. Não queria ir, não queria sair de onde estava estabelecido, da cidade onde se sentia tão bem. Mas as circunstâncias se impuseram.

    E de repente, não mais o sorvete, não mais a Urca, não mais o Carrefour, não mais o valão, não mais a praia colorida, não mais os coleguinhas, não mais o quarto verde, não mais nada. Toda uma existência, toda uma vida empacotada num caminhão trambolhudo num monte de caixas feias, tristes e sem cor. Ao menos uma última aventura nos foi dada, a de ir na caçamba do bicho, com o vento na cara. Zé Buscapé.

    “Pai, o que é Bahia? É um lugar bem longe”, “Na Bahia tem sorvete? Tem, sim”. “Na Bahia tem praia? Também tem, meu filho”. “Tem Urca? Não, lá não tem Urca”. “Pai, na Bahia tem Flamengo? Sim, o Flamengo está em todo lugar”.

    “Pai, quando é que a gente volta pro Rio?”

    “Breve”.

    * * *

    Nunca mais voltei à Rua São Leonardo.

    Depois de quarenta anos, a gente passa a relevar determinadas reminiscências, guardando-as com certo carinho, às vezes passando pano nas memórias, mas com o cuidado de não se tornar delas escravo. Vez por outra vem à mente uma ou outra tinta dessa breve existência de carioca, usualmente provocada por alguma passagem que meu pai até hoje conta (ele ainda se diverte ao recordar a figura do espevitado Vanderlei). Assim foi, e assim é. Mas às vezes a vida gosta de nos pregar peças, de nos atiçar com suas ironias.

    Pois. Sai a notícia de que o Flamengo pensa em comprar um terreno pra fazer seu Estádio. E aparece o terreno. E surge gente do Flamengo confirmando a história. E os jornais já se apressam em estampar mapas, e fotos de satélite, entre outros apetrechos e análises de se é bom, se é ruim, de onde é perto ou longe, se vai ser vantajoso, quais os problemas, essas coisas que hoje em dia já se gosta de cravar, pro bem ou pro mal, antes mesmo de se ter a certeza.

    O terreno fica em Manguinhos. Era uma Fábrica de Metanol. A Fábrica. A fábrica onde meu pai trabalhou durante tantos anos.

    Não sei se essa história do Estádio vai prosperar ou não. Se é despiste para pressionar o Maracanã. Se é “coelho” escondendo outro terreno. Se o lugar é violento ou não. Se vão construir, se vão dar com a cara na porta, se é uma coisa boa, se é apenas conversa mole. Não sei de nada disso, e por enquanto não quero saber, até que isso ganhe mesmo corpo ou não.

    O que sei, e isso eu tenho todo o direito de saber, é que, de uma forma ou de outra, um estranho e extravagante enredo se forma na minha irrequieta mente. De repente, volto a ter cinco anos, a tomar meu sorvete, a correr pela Urca, a brincar de carrinho no meu quarto verde, a cegar com a praia brilhante do Sul. E agora, sentindo o fedor da valeta que vai dar na Avenida, meu pai está me levando pro Ponto de Ônibus esperar a condução. Estamos indo pra Fábrica. Vestimos negro. E vermelho.

    Vamos ver o jogo do Mengão.

     
    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
     

    Imagens do post e destacada nas redes sociais: Reprodução
     


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  • Ronaldo estreia pelo Atlético-GO e chama atenção dos flamenguistas

    O jovem Ronaldo, emprestado pelo Flamengo ao Atlético-GO, estreou na noite dessa segunda-feira no novo clube. E bastaram 25 minutos em campo para ele chamar a atenção das duas torcidas rubro-negras. A do Dragão, que gostou do que viu, e a do Fla, que ainda não compreendeu o motivo do volante não ter sido usado mais vezes.

    Ronaldo entrou no jogo aos 20 minutos do segundo tempo e deu outra cara ao time do Atlético-GO. Mesmo com pouco tempo em campo, foi o sexto jogador que mais ficou com a bola, acertou 22 dos 24 passes tentados e também teve dois desarmes. De acordo com avaliação do site WhoScored, o volante teve nota 6.8, uma das maiores da equipe.

    Além de exercer o papel de marcação e ajudar na saída de bola, sempre se apresentando como opção de passe, Ronaldo subiu bastante ao ataque. Inclusive sofreu uma falta perigosa na entrada da área e deu um passe para finalização. O empréstimo do jovem vai até o final do ano e o Flamengo espera que ele ganhe experiência para ser mais utilizado em 2018.

    Torcida do Flamengo elogiou o volante durante a estreia pelo Dragão

    Confira os lances do volante Ronaldo na estreia pelo Atlético-GO

     


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  • Ingressos – Flamengo x Sport

    O Flamengo retorna à Ilha do Urubu nesse domingo, dia 17, para enfrentar o Sport Recife, em duelo válido pelo Campeonato Brasileiro 2017. O último jogo entre as equipes ocorreu em Pernambuco, pelo 1º turno do Brasileiro 2017, quando o Mengão acabou sendo derrotado por 2 a 0.

    Os ingressos para o duelo já estão sendo vendidos para STs do Mengão. As vendas para o público geral abrem nessa quinta-feira (14). Confira mais informações sobre a comercialização dos bilhetes:

     

    Informações

     

    Duelo: Flamengo x Sport Recife

    Local: Ilha do Urubu

    Data e hora: 17 de setembro de 2017, 16h

    Motivo: Campeonato Brasileiro 2017 – 24ª rodada

    Portões abertos: 14h

     

    Valores

     

    Setor Norte

    ST Raça e superiores: R$ 25,00
    ST Tradição: R$ 40,00
    ST Nação Jr e público geral: R$ 80,00 (R$ 40,00 meia)

    Setores Leste/Oeste

    ST Raça e superiores: R$ 30,00
    ST Tradição: R$ 45,00
    ST Nação Jr e público geral: R$ 90,00 (R$ 45,00 meia)

     

    Setor Sul: momentaneamente bloqueado. Caso esgotem os outros setores, será liberado para venda.

     

    Horários de abertura

    12/09, 9h –  ST +Paixão
    12/09, 13h –  ST Paixão
    12/09, 14h – ST +Amor
    12/09, 15h – ST Amor
    12/09, 22h – ST +Raça
    13/09, 9h – ST Raça
    13/09, 20h – ST Tradição
    14/09, 10h – Público Geral e ST Nação Jr

     

    Compre seu ingresso de forma online aqui!

     

    Pontos físicos de venda e retirada de ingressos

    Gávea

    14, 15 e 16/09 – das 10h às 17h. Dia 17, das 10h às 13h

    Espaço Rubro-Negro – Ilha Plaza Shopping , Centro, Downtown, Méier e Shopping Nova América:

    14, 15 e 16/09 – das 10h às 17h

     

    Bilheterias da Ilha do Urubu (apenas retirada):  17/09 – das 10h às 16:00

     

    Vale lembrar que os pontos físicos de venda e troca abrem dia 14/09 às 10h. Não haverá venda nas bilheterias da Ilha do Urubu. As vendas online encerram-se no dia 16 às 20h.

     

    Créditos imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo

     

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  • Delegação que viajou para Chapecó tem nomes importantes de fora

    O elenco do Flamengo já está em Chapecó, onde na próxima quarta (13) enfrentará a Chapecoense pela partida de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. A lista conta com Diego Alves, que não estava inscrito e ganhou o lugar de César entre os goleiros que disputam a competição.

    Como na competição continental só são permitidos sete jogadores no banco de reservas, bem diferente dos 12 permitidos no Campeonato Brasileiro, nome importantes acabaram de fora da lista composta pelos 21 atletas relacionados para a partida. Entre eles está Renê, que já voltou a treinar com o elenco, além de Conca, Mancuello e Matheus Sávio. Geuvânio e Rômulo, que foram bem questionados no duelo do último domingo contra o Botafogo, também não viajaram.

    Reinaldo Rueda já deixou claro que o foco do Flamengo são as duas copas em disputa. Essa importância fica clara ao ver todos os titulares entre os 21 relacionados. Confira a lista completa:

    Goleiros: Diego Alves, Thiago e Muralha

    Laterais: Rodinei, Pará e Trauco

    Zagueiros: Réver, Rhodolfo, Rafael Vaz e Juan

    Volantes: Cuéllar, Arão e Márcio Araújo

    Meias: Diego, Éverton Ribeiro, Lucas Paquetá e Gabriel

    Atacantes: Berrío, Everton, Guerrero e Vinicius Júnior

    Uma das grandes incógnitas é quem será o goleiro titular. Diego Alves é o titular absoluto no momento, mas não pode jogar a Copa do Brasil. A tendência é que Rueda opte por Thiago ou Muralha, para dar ritmo ao titular do jogo de volta da final.

    *Créditos da imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo


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  • Chape demite treinador nas vésperas de duelo contra o Fla

    A Chapecoense vai encarar o Flamengo nesta quarta-feira (13), pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. O “Indião” chegou a esta fase após eliminar o Defensa y Justicia nos pênaltis. Nas vésperas do importante encontro contra o rubro-negro, o clube demitiu o treinador Vinícius Eutrópio.

    Eutrópio assumiu o clube substituindo Vagner Mancini. O atual comandante do Vitória, onde tem tido uma ótima arrancada neste Brasileirão, chegou a colocar a Chape na liderança da competição nas primeiras rodadas. Com ele, a equipe catarinense somou 4 vitórias, 2 empates e 5 derrotas no Brasileirão. Após a mudança no comando, a queda de rendimento foi maior. O agora ex-Técnico do verdão do oeste acumulou 3 vitórias, 2 empates e 7 derrotas ao longo da competição. Os péssimos resultados os colocaram na zona de rebaixamento, já abaixo do rubro-negro baiano.

    Enquanto não contrata um novo treinador, a Chape será comandada pelo auxiliar Emerson Cris. Em 2017 Flamengo e Chapecoense se enfrentaram uma vez, com o rubro-negro aplicando uma goleada de 5 a 1. Além dos dois jogos pela Copa Sul-Americana (nos dias 13 e 20), ambos se enfrentarão pela returno do Brasileirão no dia 15 de outubro, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O histórico do confronto conta com 7 jogos, 5 vitórias rubro-negras, 1 empate e 1 vitória dos catarinenses.

    *Créditos da imagem destacada: Jamira Furlani/Avaí FC


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