Vamos procurar entender um dos mistérios. O que faz o futebol do Flamengo ter esta mentalidade tão perdedora em comparação com o Corinthians se estruturalmente hoje seu Departamento de Futebol está organizado de forma similar com a diferença talvez relevante que lá há um supervisor técnico, o André Dias ?
O diretor de futebol, Flavio Adauto, é um jornalista que veio em 2016, e Alessandro, ex-jogador do Flamengo, inclusive, virou gerente com Tite. Ou seja, em tese, não teriam nada de especial.
A diferença também se evidencia em algo. A mentalidade vencedora pragmática que Tite consolidou no Corinthians e serve de base para os trabalhos futuros, inclusive este do Carlile. Um ex-auxiliar técnico, do próprio Tite, que virou técnico com a experiência e postura necessária para um grande time.
O Flamengo é um clube de futebol semi-profissional. Apesar de ter um diretor de futebol, o VP de Futebol, invariavelmente um dirigente amador sem qualquer experiência prévia no meio, acha por bem impor suas idéias, mesmo que estapafúrdias, para serem seguidas pelo Departamento. E como gestões se sucedem, cada VP, ou presidente, acha que pode interceder no futebol, que não tem qualquer base de filosofia de jogo ou metas competitivas. É na base do “agora vai porque mando eu”.
E o Flamengo teve o enorme azar de ter seu atual presidente, um ex-burocrata de repartição pública, achando que seus métodos de trabalho, seu pensamento organizacional, combinariam com a gestão de um departamento de futebol e implantação de filosofia similar. Como é o presidente, que para não dividir o osso ainda se tornou o VP de Futebol, esta mentalidade burocrática assolou o departamento de futebol, fazendo de 2017 até aqui, um dos anos mais vergonhosos do clube, pelo futebol apático apresentado em vários jogos que frustraram em boa parte os torcedores que esperavam por um bom ano, pelo orçamento maior, resultado da, aí sim, boa gestão administrativa.
Time que não vence os grandes, time que perde todas as partidas jogadas fora de casa. É um time pequeno dentro de um clube grande. E com elenco de bom nível, embora bastante desequilibrado e com várias falhas de montagem, a qual se pode colocar na conta da parte dita profissional do departamento, dirigida pelo Rodrigo Caetano.
O Flamengo não tem filosofia de jogo. É da responsabilidade do técnico da vez. Seja um estagiário medíocre erguido do nada da Sub-20, seja um técnico estrangeiro, seja qualquer um. Cristóvão, Oswaldo. É chegar e mudar. Não há supervisão técnica, não há um cuidado de cuidar da imagem de jogo e competitiva do clube.
Pode-se falar também que Corinthians teve a “sorte” de vir um Tite. Ok. Teve sorte mesmo. Mas o Corinthians há vários anos apresenta uma “fome competitiva” muito maior que a do Flamengo, não é a toa que agora é hepta campeão. Flamengo perdeu esta fome à partir de 1992. Os deuses e a configuração astral achou uma por acaso em 2009. Mas não há consistência. As gestões se sucedem e o problema segue permanecendo, com os políticos dirigentes amadores de fora batendo no peito e gritando que agora tem a solução. Nunca tem.
Nas derrotas vem o proselitismo político até mesmo de pessoas que tiveram lá e nada fizeram para o Flamengo se reerguer de forma competitiva. Não basta o time, o orçamento, a estrutura. São importantíssimos. Mas há de cultivar o “espírito”. E este espírito surgirá quando o clube por inteiro mostrar ter esta fome.
Esta gestão de futebol do EBM mostrou tanta ausência desta vontade, desta urgência competitiva, que serviu, ao menos, para abrir os olhos dos rubro-negros. Precisamos combater qualquer gestão que queira proteger perebas, minimizar derrotas e não ter títulos como meta principal. Não adianta por Sampaoli. Não adianta construir o CT melhor do universo.
É preciso formar o espírito e incutir em todo departamento de futebol. Colocar métricas, cobrar desempenho, classificar relevância das competições, focar em vencer, em derrotar o adversário. Não é colocando estagiários, não é contratando goleiros que não agarram pênaltis, não é tendo no Departamento preparadores grotescos. São erros inadmissíveis para dirigentes profissionais pagos pelo Flamengo para servir ao Flamengo e não a seus amigos.
Agora está aí. Estamos na dependência de mais um dirigente amador, o novo VP de futebol, para romper esta casca e, quem sabe, incutir uma mentalidade mais competitiva para a conquista da Sula e um melhor 2018. Mas será difícil fazer milagre. A mentalidade amadora subversiva do Flamengo está entranhada no clube há décadas. Não é qualquer gestão que conseguirá retirá-la, sem um processo bem definido, pessoas bem intencionadas e fortes para romper este paradigma.
Que para 2018 se deem os primeiros passos neste sentido.
Flávio H. de Souza escreve no Blog Pedrada Rubro-Negra. Siga-o no Twitter: @PedradaRN
Imagem destacada no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo
O dia 10 de outubro marcou o fim da fase sul-americana das Eliminatórias da Copa do Mundo 2018. Foram 10 países participantes, que lutavam por 4 vagas diretas para o maior evento futebolístico do mundo, e uma para a repescagem (destinada ao 5º colocado). A classificação final apontou o Brasil em primeiro lugar, Uruguai vice, Argentina na terceira posição, Colômbia em quarta e o Peru em quinto, o último conquistou a vaga definitiva ao Mundial após eliminar a Nova Zelândia na repescagem. Quatro jogadores do Flamengo entraram em campo na competição.
Dos atletas rubro-negros convocados para às suas respectivas seleções, Gustavo Cuéllar e Orlando Berrío participaram da campanha colombiana. Miguel Trauco e Paolo Guerrero foram titulares absolutos da seleção peruana nessas eliminatórias. Assim, analisaremos estatisticamente a participação desses quatro jogadores do Flamengo nas Eliminatórias para a Copa do Mundo 2018, que será realizada na Rússia.
No primeiro turno, a Colômbia conquistou 16 pontos. Já no segundo, somou apenas 11 pontos, botando em risco uma classificação praticamente certa, mas conseguiu ficar na 4ª colocação, conquistando vaga direta para a Copa do Mundo 2018. Orlando Berrío e Gustavo Cuéllar representaram o Flamengo pela Seleção Colombiana.
No primeiro turno, a seleção peruana somou apenas 8 pontos. No returno, praticamente dobrou a pontuação (15), contabilizando 23 pontos. Porém, a derrota para a Bolívia (por 2 a 0), na 7ª rodada, rendeu 3 pontos aos peruanos: a Seleção Boliviana foi punida pela FIFA, por escalação irregular do zagueiro Nelson Cabrera. Paolo Guerrero e Miguel Trauco participaram ativamente da classificação peruana para a Copa do Mundo 2018. O atacante foi o artilheiro de sua Seleção, com 6 gols anotados.
A equipe classificou-se em quinto lugar nas eliminatórias da América do Sul, enfrentou a Nova Zelândia na repescagem e, após um empate sem gols na país da Oceania, a vitória por 2 x 0, em Lima, garantiu a vaga definitiva no Mundial da Rússia. O Peru não disputava uma Copa do Mundo desde 1982.
Paolo Guerrero
Miguel Trauco
Adriano Skrzypa é estudante de Educação Física e apaixonado por números no futebol. Siga-o no Twitter: @FlamengoNumeros
Este texto faz parte da plataforma de opinião Mundo Bola Blogs, portanto o conteúdo acima é de responsabilidade expressa de seu autor, assim como o uso de fontes e imagens de terceiros. O Mundo Bola respeita todas as opiniões contrárias. Nossa ideia é sempre promover o fórum sadio de ideias. Email: contato@fla.mundobola.com.
“Ser o maior e melhor time de futebol das Américas e um dos 5 maiores do mundo”.
(Trecho extraído da Visão da Chapa Fla Campeão do Mundo, a Chapa Azul, lançada em 2012)
Advirto que o que se exporá a seguir não é agradável.
O Flamengo, em sua história recente, esteve próximo da Zona do Rebaixamento ou mesmo correu sério risco de descenso em algumas oportunidades. Pode-se destacar as temporadas de 1995, 1998, 2001, 2002, 2004, 2005 e 2010 como as mais críticas nesse sentido. Os anos em que o Flamengo correu risco real de queda à Segunda Divisão, precisando de “vitórias-chave” para lograr escapar do pior.
Traçando um painel de desempenho do time, nessas temporadas, contra as quatro maiores equipes de São Paulo, em jogos do Campeonato Brasileiro, vem:
O rendimento do Flamengo contra equipes paulistas no período de 2013 a 2017, em Campeonatos Brasileiros, é, portanto, inferior ao registrado nas piores temporadas de sua história recente.
Há mais.
Faça-se um recorte do desempenho do Flamengo em Campeonatos Brasileiros, tomando-se por base o início da disputa em pontos corridos, ou seja, o ano de 2003. Serão listadas abaixo as pontuações do Flamengo nas temporadas de 2003 a 2012 (o desempenho geral, ou seja, contra todos os times e não apenas os grandes paulistas). A seguir, entre 2013 e 2017 (até domingo passado).
Ou seja, nos últimos cinco anos, o Flamengo manteve, em média, o mesmo desempenho em Brasileiros registrado nas dez temporadas anteriores. Um aproveitamento médio de 48%.
Mais alguns dados:
A última vitória do Flamengo na capital paulista aconteceu no Brasileiro de 2011, quando o rubro-negro derrotou o São Paulo no Morumbi por 2-1;
Entre 2013 e 2017, o Flamengo atuou como visitante contra as equipes do chamado G12 (as doze mais tradicionais do futebol brasileiro) em 38 ocasiões (não considerando as equipes do Rio de Janeiro).
Venceu DUAS vezes (2-1 Internacional 2015, 1-0 Cruzeiro 2016);
O Flamengo não derrota um adversário do chamado “G12” por três ou mais gols de diferença desde 2011, quando anotou 5-1 no Cruzeiro, no Engenhão;
O Flamengo não derrota um adversário de São Paulo por três ou mais gols de diferença desde 2008, quando fez 5-2 no Palmeiras, no Maracanã;
O Flamengo não termina uma rodada como líder do Brasileiro desde a 38ª rodada da edição de 2009, em que se sagrou Hexacampeão;
“Ser o maior e melhor time de futebol das Américas e um dos 5 maiores do mundo”
Uma boa semana a todos.
Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
Imagem destacada no post e redes sociais: Reprodução.
Arte: Diogo Almeida / Mundo Bola.
O Flamengo vai ao Paraná em busca da primeira vitória no NBB, após estrear no campeonato com derrota diante do Paulistano. O Orgulho da Nação enfrenta o Campo Mourão, nesta quinta (16), às 20h15, no Ginásio Belin Carolo. O jogo não terá transmissão de tv.
O Rubro-Negro começa o ano em baixa. Com a eliminação da Liga Sul-Americana, restou ao FlaBasquete a disputa do NBB. E o começo foi decepcionante, o Mais Querido foi à São Paulo enfrentar o Paulistano, e estreou com uma derrota por 72 a 67, passando o jogo inteiro atrás do placar. O destaque do Flamengo foi o armador venezuelano, David Cubillan com 14 pontos, três rebotes e uma assistência.
O treinador, José Neto analisou e lamentou o resultado: “Tudo deu errado hoje pra gente. Fomos inconstantes, tivemos momentos bons mesmo não liderando o placar. Tiramos uma grande diferença, mas perdemos a nossa intensidade no terceiro quarto. Fomos valentes no último período, jogamos melhor, mas o mérito foi do Paulistano que conseguiu suportar a pressão”.
Já o Campo Mourão teve uma ótima estreia, vencendo o Franca por 77 a 73. Apesar do bom começo, a equipe paranaense não conseguiu manter os resultados, perdendo para o atual campeão, Bauru, em um duelo acirrado, com o placar de 82 a 80. No último jogo, sofreu um revés diante do Minas. O destaque da equipe é o armador norte-americano, Gregory Brown, que possui a maior média de pontos por jogo do Campo Mourão, com 16,3.
Na temporada de 2016/17 do NBB, o Flamengo enfrentou Campo Mourão em duas ocasiões. O primeiro jogo foi no Paraná, e o Rubro-Negro venceu por 90 a 69, com fantástica atuação da dupla Marcelinho e Marquinhos, combinando para 58 pontos. No segundo turno, o duelo foi no Rio, e o Orgulho da Nação saiu novamente vitorioso, pelo placar de 79 a 69. Olivinha foi o destaque da partida com um duplo-duplo, anotando 15 pontos e 12 rebotes.
A arbitragem do confronto entre Coritiba e Flamengo está definida. O juiz Raphael Claus (SP/FIFA), em conjunto com os auxiliares Alex Ang Ribeiro (SP/CBF), e Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo (SP/FIFA), foram sorteados pela CBF para o comando do jogo. A partida ocorrerá na próxima quinta-feira (16), às 21h, no Couto Pereira, em Curitiba. O jogo é válido pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2017.
O árbitro possui 38 anos, e iniciou o ano com bastante responsabilidade, apitando a final dos Campeonatos Paulista e Baiano. No Brasileirão, o paulista já esteve envolvido em polêmicas, no duelo entre Atlético-PR e Fluminense, que terminou em vitória do Furacão. Apesar dos três pontos, a equipe paranaense reclamou bastante da arbitragem. Em falta dentro da área, o juiz não marcou a penalidade, alegando que a infração ocorreu fora da área.
Histórico em jogos do Flamengo
Raphael Claus comandou o apito em seis jogos do Rubro-negro nos últimos três anos. Os resultados são equilibrados, sendo três vitórias, e três derrotas. Neste ano os resultados são negativos, sendo dois revezes com o árbitro comandando o jogo. Nos últimos cinco jogos, o paulista tem uma média de 3,6 cartões por jogo no Campeonato Brasileiro.
Em 2015, o árbitro prejudicou o Mais Querido. Diante do Avaí, o juiz paulista não anulou o gol da vitória da equipe catarinense, em lance que a bola saiu claramente pela linha de fundo. Raphael Claus concedeu 9 amarelos na partida. Na época, o time da Gávea estava dentro da zona de rebaixamento do Brasileirão.
O último encontro do juiz com o Flamengo foi diante do Grêmio, na 32ª rodada do Campeonato Brasileiro 2017. O Mais Querido saiu derrotado no duelo por 3 a 1, de virada, na Arena do Grêmio. Não houve qualquer problema no confronto, em que nem mesmo um cartão foi mostrado.
O Flamengo começa a montagem de sua equipe de League of Legends. Entrando de vez no mundo dos eSports, o Rubro-Negro vai atrás do maior jogador brasileiro de LoL, Felipe “brTT” Gonçalves, que atualmente joga pela Red Canids. As informações sobre a negociação foram divulgadas pelo site do canal SporTV.
Felipe conquistou o tetracampeonato brasileiro de LoL no último ano e disputou o Mundial em 2015 como atirador. O cyber atleta é uma verdadeira celebridade digital, com a maior base de fãs em todo o cenário de eSports do Brasil. São mais de 1,5 milhão de seguidores em suas redes sociais, três vezes mais do que Éverton Ribeiro possui em seu Facebook. O jogador é flamenguista assumido e foi liberado pela sua equipe para negociar com o Mais Querido.
Além do atirador, o Flamengo ainda negocia com outros campeões brasileiros. Para a rota superior, o jovem Leonardo “Robo” Souza, de apenas 19 anos, que jogou junto com “brTT” pela Red Canids este ano também estaria na pauta de negociações. Fechando a trinca de campeões, o Rubro-Negro negocia com o experiente jogador da selva, Thúlio “SirT” Carlos, o atleta também atuou junto ao atirador, sendo bicampeão pela Pain Gaming, jogando inclusive no mundial de 2015. Atualmente o jogador se encontra sem clube.
Para completar a equipe, o Mais Querido busca André “esA” Pavezi. O suporte está de saída da Vivo Keyd que passa por reformulação. Na rota do meio, o jovem cyber atleta Danniel “Evrot” Franco, que disputou o último Circuito Desafiante pela Brave e-Sports, de acordo
Concluindo a equipe, na posição de treinador, próximo de ser anunciado, ainda segundo o SporTV é Gabriel “MiT”. O técnico também é campeão brasileiro, treinando a Pain Gaming em 2015, e disputando o mundial. Se confirmadas as contratações o Flamengo monta uma equipe fortíssima, com currículo invejável para a disputa do Circuito Desafiante do próximo ano. A Riot Games, dona do League of Legends, ainda não anunciou o calendário de competições para o próximo ano.
Imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação/ Riot Games.
Notoriamente reconhecido pela torcida como o motorzinho, Éverton evoluiu em 2017 e tem números que classificam a atual temporada como a melhor dele pelo Flamengo. Sem dúvidas é um destaque da equipe, pois é o segundo jogador que mais participou de jogadas de gol (assistência ou finalização) e também o segundo atleta do atual elenco com mais jogos pelo clube, perdendo apenas para o experiente zagueiro Juan: já são 242 jogos oficiais disputados com o Manto Sagrado.
O meia-atacante está em sua segunda passagem pelo clube carioca. Iniciou sua trajetória na equipe em 2008, saindo no ano seguinte. Após boa passagem pelo Atlético-PR, foi contratado novamente em 2014, e seu contrato com o Flamengo vai até dezembro de 2019.
Números de Éverton no Flamengo – por temporada
Estatísticas – Temporada 2017
Em 2017, Éverton Cardoso disputou 53 jogos. Em apenas um deles, entrou no decorrer da partida. Participou de 23 gols do Flamengo na temporada. Dessa forma, na soma entre tentos e passes para gol, é superado apenas por Paolo Guerrero (28). O atleta deu 1219 passes certos e realizou 66 desarmes.
O ponta está a um gol de sua melhor marca pelo Flamengo. Sua melhor marca em um ano foi em 2014, quando balançou as redes 10 vezes com a camisa rubro-negra, número já igualado na atual temporada. Em 2017, Éverton marcou gols nos 3 principais rivais cariocas: no Botafogo (Carioca), Vasco (Brasileiro) e Fluminense (em momentos decisivos do Campeonato Carioca e Sul Americana).
Outro fato importante é o quesito assistências. Éverton deu 13 assistências em 2017 (até o momento). Destas, sete foram no Campeonato Brasileiro 2017. Até o ano passado, ele tinha no total 21 passes que resultaram em gol, o que mostra que, em 2017, o jogador teve um aumento significativo na capacidade de colocar os companheiros em condições de finalizar. Na própria Copa Sul Americana é o líder isolado em assistências: são 4 em 5 jogos.
Desempenho no Brasileirão 2017
No Brasileirão 2017, o atleta disputou 26 jogos, anotou 4 gols, deu 6 assistências, levou 6 cartões amarelos, tem 87% de aproveitamento nos passes (acertou 663 e errou 94) e realizou 43 desarmes.
Os números mostram que o Éverton atualmente é um das principais peças no ataque do Flamengo e isso vem complementar outra característica já reconhecida pela torcida: a capacidade de dar dinâmica ao jogo, o conhecido motorzinho da equipe. O atleta é sempre um dos pontos mais acionados quando o time tem a bola no campo adversário e é disparado o que mais cruza a redonda à área adversária. No total ele fez 187 cruzamentos, acertando 45, tendo um aproveitamento de 24%.
O número sozinho faz parecer que se trata de um dos jogadores que mais desperdiça jogadas de ataque, mas, na verdade, é o oposto. Everton é o segundo jogador que mais acerta cruzamentos, apenas atrás de Diego, que consegue fazer com que a bola chegue a um companheiro em 31% das vezes que a alça à área. Everton Ribeiro, por exemplo, tem aproveitamento de 21%, Para 22% e Trauco 18%.
Vale lembrar que nesse Campeonato Brasileiro, o Flamengo realizou 745 cruzamentos errados e acertou 210, chegando assim à 21,98% de aproveitamento. Éverton é um dos que aumentam a média da equipe.
Jogar sem Éverton? Apenas em partidas de menor peso
O jogador ficou fora de 22 partidas na temporada: 7 no Carioca, 8 no Brasileiro, 2 na Libertadores, 2 na Copa do Brasil, 2 na Primeira Liga e 1 na Sul Americana. Na maioria delas, foi poupado para “confrontos mais importantes” ou quando era suspenso. De jogos importante não participou apenas dos duelos contra o Atlético Paranaense, pela Libertadores, pois estava lesionado. Nas partidas sem ele o Flamengo soma 62% (11V – 8E – 3D). Já com Éverton em campo, o Mengo contabiliza 59%: 26 vitórias, 16 empates e 11 derrotas.
Esses foram os jogos onde Everton não participou nesse ano. Perceba que, na maioria das vezes, os jogos eram contra equipes de “menor expressão”.
Créditos nas estatísticas de cruzamentos, passes e desarmes: Footstats
Créditos na imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo
Adriano Skrzypa é estudante de Educação Física e apaixonado por números no futebol. Siga-o no Twitter: @FlamengoNumeros
Este texto faz parte da plataforma de opinião Mundo Bola Blogs, portanto o conteúdo acima é de responsabilidade expressa de seu autor, assim como o uso de fontes e imagens de terceiros. O Mundo Bola respeita todas as opiniões contrárias. Nossa ideia é sempre promover o fórum sadio de ideias. Email: contato@fla.mundobola.com.
O Flamengo, ao longo da temporada, emprestou vários atletas para desafogar a folha e enxugar o elenco, abrindo espaço para o surgimento de atletas da base e contratações de novos jogadores.
Em junho, o Mundo Bola trouxe uma relação de como estavam os jogadores cedidos a outros clubes por empréstimo. Com o fim da temporada chegando, atualizamos o ano de cada um dos atletas.
CAFU
Ainda em junho, o ponta esquerda Cafu foi emprestado ao Ceará para a disputa da Série B no Brasileirão.
Campeão da Copinha em 2016, Cafu teve algumas oportunidades no primeiro semestre do ano, participando de jogos tanto do Carioca quanto da Primeira Liga. Foi titular, inclusive, em um clássico contra o Fluminense.
Sem espaço após chegadas de Geuvânio e Everton Ribeiro, foi emprestado ao alvinegro cearense até o fim da temporada. Logo que chegou, participou de 15 partidas em sequência, sete como titular, marcando um gol na vitória por 3 a 1 sobre o Criciúma.
O momento, no entanto, não é dos melhores. Já são nove rodadas sem entrar em campo pela segunda divisão, jogando apenas os dois duelos contra o Fortaleza pela Copa Fares Lopes.
Empréstimo até: 31/12/2017
DOUGLAS BAGGIO
Baggio durante sua apresentação no Luverdense
O atacante, que foi fenômeno na base, teve um início de ano complicado. Emprestado ao Ceará, disputou apenas sete jogos e marcou um gol, na sua estreia contra o Maranguape. Ainda em março voltou ao Flamengo.
Poucos dias depois, foi emprestado para o Luverdense, onde jogou 39 partidas e marcou apenas quatro gols em 2016. Neste ano o bom número de aparições se mantém, assim como a péssima marca de gols feitos. Tem os mesmos 39 jogos – 32 pelo time mato grossense, sendo 21 como titular – e dois gols a menos que no ano anterior. Ganhou dois títulos por lá, com o último sendo a Copa Verde de 2017.
Baggio tenta ser o grande artilheiro dos tempos entre os juniores. Enquanto isso não acontece, tem a confiança do Luverdense, que ainda luta pela manutenção na Série B.
Empréstimo até: 31/12/2017
HÉCTOR CANTEROS
O meia argentino esteve emprestado ao Vélez Sarsfield no período entre agosto de 2016 e junho de 2017. Pelo clube que o revelou, foram 14 jogos (11 como titular), nenhum gol marcado, e a mesma inconsistência que o fez perder espaço no Flamengo.
De volta ao Fla, ficou dois meses treinando no Ninho do Urubu até ser emprestado para a Chapecoense, onde joga ao lado de Luiz Antônio, também atleta do rubro-negro. Pela Chape são 10 jogos, sendo nove como titular e tendo anotado um gol e uma assistência contra Atlético Mineiro e Cruzeiro respectivamente. O desempenho é regular, mas nivelado não muito por cima, apesar de ter dado uma boa saída de bola ao meio-campo do clube catarinense.
Empréstimo até: 21/05/2018
JAJÁ
Após um 2016 com boas oportunidades pelo Avaí, Jajá foi emprestado ao Tombense no início deste ano, onde jogou apenas uma vez, curiosamente contra um Villa Nova, só que o mineiro.
De volta ao Fla em maio, foi emprestado ao Vila Nova (de Goiás) para a disputa da Série B. Porém, ao contrário do que aconteceu pelo Avaí, tem tido poucas oportunidades. Foram apenas cinco jogos, sendo dois como titular.
Jajá não é sequer relacionado desde junho, mesmo mês em que jogou pela última vez. O clube goiano ainda luta pelo acesso. Caso consiga o feito, será a segunda vez consecutiva em que o jogador fez parte de um elenco que subiu para a elite do futebol nacional.
Empréstimo até: 30/11/2017
JONAS
Jonas comemora golaço contra o Avaí
Desde 2015 no Fla, o volante Jonas esteve emprestado nas duas últimas temporadas. Em 2016 teve passagens pela Ponte Preta e pelo Dínamo Zagreb, da Croácia, onde foi titular absoluto e participou da Liga dos Campeões.
Está emprestado ao Coritiba desde o início de 2017. São 32 jogos pelo clube paranaense, sendo 26 como titular. Recentemente marcou um golaço na goleada por 4 a 0 sobre o Avaí.
Titular absoluto nesta reta final de Brasileirão, tenta ajudar o Coxa a se manter da Série A do campeonato.
Empréstimo até: 31/12/2017
LÉO MORAIS
Léo Morais apresentado pelo Coritiba (Foto: Daniel Malucelli)
O lateral pertence ao Flamengo desde 2014, mas não consegue repetir as boas exibições que o destacaram no Atlético Paranaense, clube para o qual esteve emprestado até maio de 2017.
Voltou ao Fla após ser afastado pelo Furacão sob acusações de práticas antidesportivas e má vontade. Logo foi emprestado para o Coritiba. Titular absoluto, soma 19 partidas pelo Coxa.
Tem contrato com o Fla até o fim de 2018.
Empréstimo até: 31/12/2017
LUIZ ANTÔNIO
Luiz Antônio comemora gol importante pela Libertadores
Hoje jogando ao lado de Canteros, Luiz Antônio, campeão da Copinha de 2011, foi emprestado à Chapecoense no início de 2017, uma ajuda do Fla na remontada do elenco do “Indião” após o trágico acidente que está prestes a completar um ano.
Desde então, Luiz tem sido uma das principais peças da equipe. São 54 jogos neste ano, sendo 43 como titular, e sete gols marcados, um deles na vitória por 1 a 2 sobre o Zulia, na Libertadores. Recentemente marcou o gol da vitória contra o Atlético Mineiro em pleno Independência.
Com mais uma boa temporada, assim como foi a de 2016 com a camisa do Bahia, Luiz Antônio pode assinar definitivamente com a Chapecoense, já que o seu contrato se encerra ao fim do empréstimo.
Empréstimo até: 31/12/2017
MATHEUS TRINDADE
Trindade passou rapidamente pelo Ceará
O 2017 de Matheus Trindade foi frenético. Nos três primeiros meses do ano ele defendeu o Ceará, onde jogou apenas três partidas pelo Campeonato Cearense. Em maio foi emprestado para o GO Audax, ficou lá por três meses e disputou Copa Paulista e Série D, somando nove aparições.
Rapidamente foi emprestado para o Jamshedpur FC, clube indiano fundado em maio de 2017. Desde setembro por lá, está em pré-temporada, pois a Super Liga Indiana só começa no próximo dia 18.
Empréstimo até: 31/05/2018
MURALHA
Outro atleta da geração que conquistou o bicampeonato da Copa São Paulo em 2011, Luiz Philipe, mais conhecido por Muralha, não joga pelo Flamengo desde 2014.
Desde julho do ano passado defende o Pohang Steelers, time sul-coreano. Já soma 53 jogos pelo clube, dos quais 33 foram em 2017. No próximo dia 18 tem a última partida da equipe sul-coreana no ano.
Seu contrato com o Fla se encerra ao fim do empréstimo.
Empréstimo até: 31/12/2017
NIXON
Atacante, Nixon viveu bom momento em 2013 e 2014, quando entrou em campo 59 vezes vestindo o manto sagrado para jogar pelo time principal do Flamengo. Conseguiu ganhar a torcida com boas exibições e gols importantes, mas uma grave lesão o atrapalhou.
Nixon em treino pelo ABC (Foto: Andrei Torres/ABC)
Desde que machucou, Nixon não conseguiu mais chances pelo Fla e foi emprestado algumas vezes. Em 2016 esteve no América Mineiro, clube pelo qual disputou 12 partidas. Um ano depois tem apenas duas aparições a mais e atuou pelo RB Brasil até julho, onde marcou um gol após 806 dias, e atualmente veste a camisa do ABC, já rebaixado para a Série C.
Tem contrato com o rubro-negro até o fim de 2018.
Empréstimo até: 30/11/2017
PAULINHO
Após Vitória, Paulinho foi emprestado ao Guarani (Foto: Luciano Claudino)
Jogador que se perdeu por conta de comportamentos extra-campo, Paulinho pertence ao Flamengo desde 2013, quando chegou do XV de Piracicaba e com muita raça conquistou a Nação. Foi importante no título da Copa do Brasil daquele ano, último grande taça conquistada pelo rubro-negro.
Após o episódio do “Bonde da Stella”, o jogador, que prefere atuar pelos lados do campo, perdeu espaço e moral no Flamengo. Em 2016, passou a temporada emprestado ao Santos. Neste ano, novamente foi emprestado, e ficou até julho defendendo o Vitória, onde atuou em 36 ocasiões e marcou três gols.
Em agosto, Paulinho foi novamente cedido temporariamente, desta vez ao Guarani. O clube campineiro teve um início de Série B muito bom e caiu drasticamente de rendimento, hoje lutando para se manter na divisão. Tem apenas seis partidas pelo Bugre, e conseguiu sua vitória no último sábado, o únicos dos seis jogos em que começou no banco de reservas.
Empréstimo até: 31/12/2017
RAFAEL DUMAS
Rafael Dumas atualmente defende o Paysandu
Após rápida passagem pelo Global (Filipinas), o zagueiro Rafael Dumas esteve emprestado ao Luverdense de abril a agosto e não entrou em campo nenhuma vez. Desde agosto está no Paysandu, onde até então tem apenas quatro jogos, sendo titular em metade deles.
Empréstimo até: 30/11/2017
RAFINHA
Rafinha defende o Thai Honda, da Tailândia
Aos 24 anos, Rafinha era querido pela Nação desde a base. Com velocidade fora do comum, conquistou a torcida rubro-negra e ganhou chances no time principal, fazendo Dedé, então no Vasco e em seu auge, comer poeira após um “cadê o Rafinha?” na vitória por 2 a 4 em 2013.
Passou rapidamente de badalado a mais uma eterna promessa. Perdeu espaço, assim como outros amigos da sua geração, e acabou emprestado. Em 2014 jogou pelo Bahia, no ano seguinte vestiu as camisas do Atlético Goianiense e Daejeon Citizen (Coréia do Sul). Em 2016 passou pelo Metropolitano antes de arrumar as malas rumo a Tailândia, para jogar no Thai Honda FC.
Seu contrato com o Fla se encerra junto com o empréstimo.
Empréstimo até: 31/12/2017
RONALDO
Ronaldo em ação pelo Atlético-GO (Foto: Paulo Marcos/Assessoria ACG)
Jovem volante tão pedido pelo torcedor, Ronaldo não teve grandes oportunidades de mostrar seu futebol após ser um dos melhores jogadores da Copinha de 2016. Viu Zé Ricardo, seu treinador na base, ser efetivado como técnico da equipe principal e barrá-lo constantemente. Para a posição contava com os nomes de Cuéllar, Arão, Márcio Araújo e Rômulo como concorrentes. Fora o primeiro, todos passaram por momentos de grande oscilação e rendimentos questionáveis. Ainda assim, Ronaldo não teve chance e foi emprestado ao Atlético Goianiense para a reta final do Brasileirão.
Em meio a um time fraco e praticamente rebaixado, o jovem rapidamente se destacou. Logo que chegou assumiu a titularidade da posição e deu uma nova cara ao meio-campo do Dragão Campineiro. Marcou um belíssimo gol do meio-campo na 24ª rodada, na vitória por 1 a 3 sobre a Ponte Preta. Se destaca também na boa média de desarmes por jogo.
Empréstimo até: 31/12/2017
THIAGO ENNES
Thiago Ennes em ação pelo Cuiabá
Esteve emprestado ao União da Madeira, que disputa a segunda divisão do Campeonato Português, no primeiro semestre deste ano. Jogou apenas duas vezes antes de voltar ao Fla.
Em julho foi emprestado ao Cuiabá, não disputou nenhum jogo da Série C e atualmente tem jogado pela Copa FMF, que garante vaga na Copa do Brasil de 2018 para o time campeão. Tem vínculo com o Fla até fevereiro de 2019 – renovado antes da ida para o time português –, pra onde ele sonha voltar e fazer história, como disse em entrevista para o Mundo Bola.
Segundo o BIRA (Boletim Informativo de Registro dos Atletas), do site da FERJ, o empréstimo acabava no dia 22 de outubro. Ennes, no entanto, ainda está no clube cuiabano.
THIAGO SANTOS
Ponta direita, Thiago Santos teve poucas chances pelo time principal do Flamengo antes de lesão que o afastou do gramado durante muito tempo.
Após a recuperação, foi emprestado ao Mumbai City, da Índia. Há dois meses no clube está em pré-temporada. A primeira partida oficial da temporada será no próximo dia 19, pelo Campeonato Indiano.
Empréstimo até: 31/05/2018
LEIA MAIS: saiba quanto que o Flamengo tem de diretos econômicos sobre alguns desses atletas
Como disse no artigo anterior, ter dinheiro não é garantia de conquistas esportivas, porém a falta dele geralmente resulta em fracassos retumbantes. Além disso, o Flamengo experimenta, nesse 3º Trimestre de 2017, seu primeiro período de verdadeira bonança financeira, porque até então os sucessivos superávits serviam para zerar o prejuízo acumulado por décadas de irresponsabilidade.
Um dos clichês do mundo corporativo ensina que a satisfação é a consequência da subtração do resultado da experiência da expectativa – “Satisfação = Resultado – Expectativa”. Perdi a conta de amigos maravilhados com a campanha do Botafogo, sem sequer prestar atenção de que, no frigir dos ovos, o outrora Glorioso está mais ou menos na mesma condição na tabela e na temporada. Evidentemente, essa sensação se origina da frustração das (altas) expectativas, não dos resultados em si.
Ainda assim, mesmo achando exagerada a expectativa gerada em torno do potencial do elenco do Flamengo (cujo investimento não é muito maior do que o da maioria dos seus principais competidores), me assustei com a elevação pouco criteriosa dos gastos do Flamengo.
Antes de dissecar os números, um pequeno esclarecimento. Vou tirar da conta final os valores referentes aos “Transportes/Despesas de Jogos” por razões óbvias, são gastos que ocorrem independente do investimento direto no elenco (e até aumentam em proporção à Bilheteria). Vou tirar também a comissão paga aos agentes do Vinicius Jr pela venda (se alguém realmente quiser saber depois tento explicar o rolo) e o custo do programa de ST, que quanto mais alto melhor, já que maior a nossa arrecadação.
Feitos esses abatimentos, o Flamengo teve, nos 9 meses de 2017, um gasto total no futebol de cerca de R$ 193 milhões, uma média de mais de R$ 21 milhões (atenção: isso NÃO é a folha salarial, mas sim a média mensal de todos os gastos, incluindo a compra de direitos federativos). No mesmo período em 2016 (e com os mesmos abatimentos), o gasto foi de cerca de R$ 129 milhões. Em resumo, em 2017 o Flamengo gastou R$ 64 milhões a mais (ou cerca de R$ 7 milhões a mais por mês), para colher um resultado até aqui pior.
A meu ver, o que mais assusta é ver a qualidade de alguns desses gastos. A maioria das queixas se concentra nos suspeitos de sempre, Márcio Araújo, Rafael Vaz e assemelhados, mas para quem se preocupa com uma avaliação de custo/benefício, o problema não está nos “perseguidos/protegidos”, mas sim onde o Flamengo depositou suas maiores esperanças.
Vejam, por exemplo, o caso de Geuvânio. O balanço informa que o Flamengo ainda devia quase R$ 4,9 milhões de Direito de Imagem para ele. Ora, como ele ainda tinha 15 meses de contrato a vencer, são cerca de R$ 315 mil mensais a esse título. E, como a última alteração da Lei Pelé (em agosto/2015) passou a limitar o pagamento de direitos de imagem a 40% do total da remuneração do atleta, a remuneração do Geuvânio, ao que tudo indica, é de cerca de R$ 815 mil mensais.
Pelo mesmo critério, Everton Ribeiro ganharia cerca de R$ 640 mil mensais, com o agravante de que o Flamengo investiu na compra de seus direitos econômicos. Não achei informação oficial, mas a imprensa noticiou que seriam R$ 22 milhões. Sendo isso, Everton Ribeiro, com 4 anos de contrato, custaria mais de R$ 52 milhões ao Flamengo – ou cerca de R$ 1,1 milhão por mês.
Diego Alves receberia pouco mais de R$ 600 mil. Rômulo, pouco mais de R$ 350 mil. Rever, R$ 375 mil. Berrio, R$ 640 mil.
Esses números, ressalto, são especulativos. Não se sabe os valores já pagos a esses atletas e há razões para crer que os pagamentos não são lineares. Afinal, por esses critérios aqui adotados Guerrero ganharia cerca de R$ 570 mil e Diego Ribas “apenas” R$ 350 mil. Tudo leva a crer que ganham mais – ou seja, a amortização de direitos de imagem foi mais forte nos períodos que antecedem essa informação.
A maioria dos atletas do Flamengo não tem créditos de direitos de imagem, seja porque já receberam, seja porque é pouco valor e entram em um somatório de “outros” que juntos têm a receber pouco mais de R$ 2 milhões, seja porque, enfim, não recebem mesmo. Nunca saberemos. Dos que estão informados no balanço, faltou falar de Trauco e Muralha (valores relativamente baixos) e Vinicius Jr (um caso peculiar, por conta da sua venda).
Eu vejo uma ansiedade muito grande pela chamada “barca”, ou seja, a dispensa de jogadores ao final da temporada. Infelizmente, isso não é um processo simples, porque o marco regulatório do futebol brasileiro torna as rescisões antecipadas muito custosas.
Com contrato acabando agora, de nomes relevantes e caros, temos Conca, Ederson, Juan e Marcio Araújo (se bem que para esse há boatos de cláusula de renovação automática). Temos também Mancuello e Cuellar, mas esses podem ser apenas uma formalidade – como a lei proíbe contratos com estrangeiros superiores a 2 anos, é comum existir contratos de gaveta que implicam em renovação automática. E Guerrero, cujo contrato acaba no meio do ano.
O resto tem permanência longa. Rafael Vaz e Geuvânio até 12/2018, Arão, Everton Cardoso, Pará, Rhodolfo, Rever, Rodinei e Gabriel até 12/2019. Muralha, Rômulo e Renê até 12/2020. E ainda tem as grandes estrelas, como Diego Ribas, Diego Alves, Everton Ribeiro.
É mais ou menos óbvio que a combinação de salários altos + desempenho irregular dificultará o embarque de vários desses atletas na sonhada barca. Eu não alimentaria grandes esperanças de uma dispensa em massa, a menos que o Flamengo esteja disposto a pagar para os indesejados reforçarem algum rival. Pode ser mais simples em relação a jogadores não muito badalados e de salários que presumo medianos (como, por exemplo, Rafael Vaz ou Gabriel), porém complexo aos que ganham muito (como Rômulo ou Geuvânio).
A paciência da torcida está no limite (ou até então além disso), mas infelizmente talvez ainda seja necessário um pouco mais. Friamente falando, o Flamengo de hoje é parecido com aquele sujeito que investe o dinheiro da rescisão ou do PDV em uma franquia e sonha em ficar rico, mas aprende a duras penas que a vida não é tão cor de rosa quando idealizava. O clube precisa desesperadamente que esses caras que estão lá correspondam ao tanto que se paga por eles.
Eu gostaria de ter coisas melhores para compartilhar. Mas o que temos é isso aí. Sei que a tendência é bater nas velhas teclas de sempre, falar mal dos assuntos para os quais ninguém mais tem a menor paciência, fantasiar que basta nomear/contratar um Darth Vader malvadão que na base do esporro generalizado vai fazer o time correr e render, mas, insisto, não é de gritos e esperneios que precisamos agora.
Precisamos, mais do que nunca, de sobriedade, cautela, frieza. E, quem sabe, de São Judas Tadeu, do Sobrenatural de Almeida, dos Inexplicáveis Poderes do Manto….porque, olhem, quanto mais eu interpreto esses números, mais eu me assusto.
Enfim…..saudações rubro-negras.
Walter Monteiro é advogado com MBA em Administração. Membro das Comissões de Finanças do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração do Clube de Regatas do Flamengo. Escreve sobre o Flamengo desde 2009, em diferentes espaços.
Imagens destacadas no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo
Eu queria muito estrear minhas besteiras aqui neste nobre espaço rubro-negro tratando de algo realmente bom em relação ao Flamengo, principalmente quando estamos a um dia de mais um aniversário. Mas o simbolismo da data está garantido. Ela não deixará de ter uma marca, pelo menos no que diz respeito à falta de flamenguismo que se tem notado no time atual, e já não é de agora. Se em algum momento desses seus riquíssimos 122 anos de história os torcedores do Clube de Regatas do Flamengo tiveram que conviver com gente que, dentro e fora de campo, respeita tão pouco e representa tão mal o que nossa trajetória, nossos títulos e nosso Manto significam para o futebol, eu, de verdade, desconheço. E adoraria que alguém aparecesse e provasse que estou errado, porque não me causa orgulho algum ter vivido para ver o meu Flamengo atingir um grau tão elevado de bundamolice quanto tenho visto nos últimos tempos.
É desolador olhar para os que estão acima de nós na tabela do Brasileiro e ver que só conseguimos vencer o Cruzeiro, o qual sequer precisou ganhar da gente para levar a melhor no embate mais importante entre ambos neste ano. Sim, ainda temos os jogos de volta contra Corinthians e Santos, mas como acreditar que contra eles será diferente, se rodada após rodada o Flamengo faz uma força danada para nos mostrar que não vale a pena? E nem vou falar da eliminação na fase de grupos da Libertadores, porque meu fígado ainda não destilou aquilo.
Como foi que chegamos a esse ponto? Em que momento erramos tanto assim a mão? Estariam corretos os entusiastas de um Flamengo mais “marginal”? Não quero pensar assim, sinceramente. Não posso aceitar que bons eram os tempos em que a gente atrasava salários, não tinha estrutura alguma e recorria a Lula Pereira e Sr. Waldemar. Nossas brigas mais frequentes ali eram contra rebaixamentos e não por títulos.
Encaremos a realidade, meus amigos: 2009 foi lindo, foi delicioso, mas não podemos viver dele para sempre; assim como não podemos viver somente de 81, de 92, de 87, de Zico, de gol do Pet, de maior ganhador de estaduais e da soberania sobre os rivais locais. Precisamos ter sempre esses momentos estupendos na memória, celebrá-los sempre que possível, mas precisamos urgentemente ganhar mais coisas grandes, mais Brasileiros, mais Libertadores, mais a porra toda.
O fato de hoje sermos mais organizados, mais responsáveis e ordeiros não pode de forma alguma servir de motivo para que viremos um bando de Zé Ruelas metidos a besta e sem sangue nos olhos. O vamo-lá-porra tem que voltar. Ele precisa reaparecer, como apareceu no último Fla x Flu, por exemplo. Não é para ser o nosso único recurso, mas tem que ser de novo a nossa maior marca, aquilo que nos define.
A gente precisa aprender a ser organizado sem perder nossa essência de time que se agiganta na hora em que as coisas se complicam e mete medo em qualquer um. Isso passa pela diretoria, sim, mas também passa por jogadores, comissão, torcida… passa por geral! Os avanços fora de campo têm que trabalhar a nosso favor e não contra. Em que lugar do mundo não é assim? Tem que segurar e bancar a onda de ser favorito.
E ninguém está falando de ganhar tudo, mas tem ao menos que mostrar que vai atrás disso sempre, porque quem é grande de verdade não pode se assustar – muito menos se apequenar – diante da possibilidade real de ser maior e mais imponente do que jamais foi.
SRN
Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.