Autor: diogo.almeida1979

  • Orlean sobre eSports “Viemos fazer história”

    Degrau por degrau o Flamengo vai evoluindo, montando a estrutura e a equipe em si de seu time de eSports. Em entrevista exclusiva com o Vice-Presidente de Marketing, Daniel Orlean, ao Mundo Bola, o dirigente do Mais Querido afirmou os planos para a temporada da equipe de eSports do Rubro-Negro,  traçou objetivos, comentou sobre o Game Office, e também acerca das contratações para a equipe principal.

    O Flamengo é a primeira equipe do futebol brasileiro a ter uma equipe própria de eSports. Além do pioneirismo entre os clubes, o time da Gávea é o pioneiro de eSports brasileiro a possuir um Game Office. Criando a possibilidade dos cyber atletas separarem as vidas pessoal e profissional, deixando de viver cem por cento do tempo com seus companheiros de equipe, diminuindo o desgaste na relações dos pro players. Na Coreia, que é referência mundial da modalidade, as principais equipes trabalham com o Game Office, que tem se mostrado mais eficiente.  Orlean afirmou que o plano é ter o espaço de treinamentos em São Paulo, onde ocorre todo o Campeonato Brasileiro de League of Legends.

    O VP de Marketing confirmou que existem negociações com atletas do cenário brasileiro de LoL, apesar de não revelar nomes, o estágio das contratações estão avançadas. Como já havia sido noticiado, o Flamengo espera contar com a maior estrela do eSport brasileiro, o Felipe “brTT“, além de outros campeões brasileiros. Ainda sobre os novos atletas, o dirigente afirmou que o rumor sobre o ex-cyber atleta, Felipe “Yoda”, voltar a jogar profissionalmente pelo Mais Querido não existe, e que o mesmo continuará a ser streamer sem nenhuma ligação com o Mengão.

    “O nosso sonho é vencer tudo, mas nossa meta inicial são os playoffs do CBLoL, nós entramos nos eSports para fazer história.” comentou Daniel Orlean sobre os planos para a primeira temporada do Rubro-Negro na categoria.

    Na última semana, o Flamengo anunciou os atletas classificados na primeira fase da peneira.

     

  • Diego iguala o seu segundo ano mais goleador e está a cinco do recorde

    O camisa 35 do Flamengo vive ótima fase em 2017. Nesta reta final, assumiu ainda mais o protagonismo da equipe, principalmente após a suspensão preventiva de Paolo Guerrero por doping. No último domingo (19), Diego balançou as redes na vitória contra o Corinthians, e chegou ao seu 17º tento no ano, igualando sua segunda melhor temporada em termos de gols marcados.

    Na temporada 2007/08, a sua sétima como profissional, Diego anotou os mesmos 17 gols, ainda vestindo a camisa do Werder Bremen. Precisou de 43 partidas para atingir essa marca, quatro a menos do que tem em 2017. Foi o vice-artilheiro dos Verde e Brancos, na respectiva Bundesliga, em que o clube terminou na segunda colocação, a melhor dos últimos 10 anos.

    Com os 17 tentos anotados, faltam apenas cinco para o meia de 32 anos chegar ao seu ano mais goleador na carreira. Em 2008/09, Diego balançou as redes 21 vezes em incríveis 39 partidas, uma média de 0,53 gols por jogos, bem acima dos 0,39 da temporada anterior e dos 0,36 da atual.

    Atualmente faltam quatro jogos para o Flamengo encerrar o ano. No entanto, em caso de classificação para a final da Copa Sul-Americana, esse número subirá para seis, ou seja, Diego precisa de praticamente um gol por jogo caso queira bater o recorde de gols marcados em apenas uma temporada.

    Mesmo não alcançando a marca, a tendência é de que o camisa 35 termine 2017 como artilheiro do rubro-negro no Campeonato Brasileiro, além de ter um ótimo aproveitamento principalmente nos grandes jogos da temporada.

  • Todos à beira de um ataque de nervos

    Alan Sugar é um magnata londrino que fez fortuna nos anos 80 fabricando computadores pessoais no Reino Unido. Depois que a sua empresa superou o valor de 1,2 bilhão de libras esterlinas ele resolveu fazer o que realmente gostava: comprou seu time de coração, o Tottenham, 2ª maior torcida de Londres, que estava à beira da falência. E fez uma promessa: dali em diante, o clube seria gerido como um negócio como outro qualquer, ou seja, gastaria apenas os recursos que conseguisse arrecadar e teria lucros todos os anos.

    Sugar ficou lá por 16 anos (sendo 10 como o presidente do time), até que se encheu de vez, vendendo sua parte e declarando haver desperdiçado sua vida nesse tempo todo. Mas, justiça seja feita, Sugar cumpriu rigorosamente a sua promessa. O Tottenham nunca mais teve problemas financeiros e todos os anos teve um pequeno lucro. Foi administrado rigorosamente dentro dos princípios da boa governança.

    A parte ruim da história é que nos 10 anos que Sugar deu as cartas o Tottenham ganhou apenas 1 Copa da Inglaterra e passou quase sempre no meio da tabela do Campeonato Inglês, muito atrás do Arsenal, o time de maior torcida de Londres e seu maior rival. A torcida Yid (de Yiddish, para relembrar os vínculos do time com a comunidade judaica) detestou o período de Sugar com todas as suas forças. E, ironia suprema, o Arsenal, dirigido nesse tempo da forma convencional no ambiente de futebol (isto é, gastando como se não houvesse amanhã), acabou tendo um desempenho financeiro melhor que o Tottenham.

    O episódio do Tottenham é o exemplo mais luminoso de uma estatística que prova que a correlação entre gestão financeira adequada e conquistas desportivas é, infelizmente, baixa. A razão provável é que o equilíbrio de forças entre os competidores simplesmente não é leal. Cada Alan Sugar que ganhou seus bilhões em uma indústria de alta competição precisa lidar com múltiplos Roman Abramovich, o russo 10 vezes mais rico que ele e que chegou lá subornando autoridades para assumir as petroleiras do antigo estado soviético e ainda fugiu levando bilhões de rublos de impostos sonegados.

    Há anos que o paradigma do Tottenham não me sai da cabeça e mais recentemente ele me assombra como um pesadelo: será que vamos fracassar depois de tanto suor?

    Nessa série de artigos que tenho escrito aqui para o Mundo Bola venho procurando insistir em um ponto: a condição estrutural do Flamengo é muito mais frágil do que imagina nossa torcida.

    Há uma clara assimetria de informações entre o que a torcida acha que somos (e que fomos!) e aquilo que realmente temos capacidade de ser.

    Recentemente meu colega aqui do Mundo Bola, Adriano Melo, escreveu em seus “Alfarrábios” que nas últimas 23 edições do Brasileiro (incluindo a atual) o Flamengo lutou para não cair em 12, sendo que em 6 delas com alto risco, escapando no detalhe. E, como todo sabemos, só se sagrou campeão 1 única vez.


    Leia também: Precisamos falar sobre estes números, Flamengo


    Vou acrescentar uma informação chocante e raramente lembrada. Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Ponte Preta, Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético PR, Paraná, Figueirense, Internacional, Grêmio e Juventude têm mais vitórias do que derrotas nos confrontos conosco. Empatamos com Coritiba e Avaí. Superamos, até com boa margem, América-MG, Criciúma e Chapecoense. Faltou alguém? Sim, o Santos. Temos 24 vitórias sobre eles e 23 derrotas. É o único time realmente importante do Sul/Sudeste que contra quem conquistamos uma mínima supremacia.

    Desde que o Flamengo ganhou seu título em 2009 de forma improvável, tivemos o Corinthians campeão 3 vezes, o Fluminense e o Cruzeiro 2 vezes, o Palmeiras 1 vez. Os 2 paulistas e o tricolor carioca conquistaram seus títulos na base de incentivos financeiros inalcançáveis para nós: uma cooperativa que foi à falência para patrocinar os delírios de seu dirigente, um estádio novinho em folha erguido com empréstimos oficiais até hoje não cobrados e milionários com dinheiro de origem não muito clara competindo entre si para ver quem coloca mais dinheiro na instituição.

    Mesmo o Cruzeiro, cujo milagre financeiro ainda não foi totalmente explicado, aparentemente gastou valores muito acima da sua capacidade, tendo sido a maior folha salarial do país nos anos ao redor de suas conquistas.

    E mesmo antes do nosso triunfo, vivemos a era do São Paulo, então o clube mais poderoso do país.

    Dá para dizer que com exceção do nosso solitário título (e, talvez, do primeiro título cruzeirense), ganhar campeonatos no Brasil possui uma forte correlação com alto poder de investimento, não necessariamente com gestão financeira adequada.

    E é nesse ponto que a assimetria que antes comentei ganha corpo. Em parte por culpa da notória preguiça de quem tem a responsabilidade de informar, em parte por iniciativa da própria direção do clube, que deixou a fantasia crescer, a torcida do Flamengo passou a acreditar que nosso elenco era poderoso e que o Flamengo estava nadando em dinheiro, sendo questão de tempo que essa pujança financeira resultasse em títulos.

    As fragilidades do Flamengo, entretanto, são imensas. Ao lado do Fluminense, é o único time da Série A que não tem um estádio fixo decente para mandar seus jogos (em que pese a Ilha do Urubu vir cumprindo seu papel com louvor). Não tem 6 meses que saiu do vermelho, passando enfim a ter patrimônio líquido positivo. Estreou seu Centro de Treinamento em janeiro desse ano. E depende dos recursos que consegue captar para seguir vivendo, porque não tem mecenas ou estádio de presente para mandar às favas o fair play financeiro.

    O Flamengo cumpre, em 2017, uma campanha de mediana para boa quando comparada ao seu próprio histórico. Chegou à final da Copa do Brasil, está na semifinal de uma competição internacional, o que não acontecia desde 2001 (antes o Flamengo tinha conquistado 1 Libertadores e 1 Copa Mercosul, tinha sido vice 2 vezes da Supercopa Sulamericana e chegou a 2 semifinais da Libertadores, um desempenho que, em 38 anos de história, é bem modesto) e mesmo a duras penas sempre esteve ali na zona de classificação para a Libertadores do ano que vem.

    Apesar disso, tem sido muito irritante assistir vários jogos do Flamengo, afinal a expectativa era de que os altos investimentos nos trouxessem resultados mais prósperos. Eu me aborreço profundamente a cada revés, especialmente diante de times que, convenhamos, deveríamos vencer com um pé nas costas (apesar da perversa estatística nos provar o contrário, são eles que normalmente ganham de nós). Mas a frustração emocional não pode servir de desculpa para sepultar a razão, menos ainda para dar vazão a um ódio militante contra tudo e contra todos.

    De todas as incompreensões a que mais me intriga tem a ver com a relação direta que tentam estabelecer entre a figura do presidente do clube e os resultados imediatos. Quem me acompanha há mais tempo sabe que atuo na política do Flamengo e que mesmo prezando pela minha independência e não abrindo mão de criticar aquilo que discordo, sou formalmente um aliado do presidente, afinal fui eleito para o Conselho de Administração pela Chapa Azul.

    Porém, política à parte, o presidente do Flamengo, seja ele quem for, tem um papel relativamente pequeno nos resultados de curto prazo. Cabe a um presidente gerir o clube nos seus aspectos centrais, ou seja, cuidando da arrecadação, das despesas, da escolha dos profissionais de cúpula e, sobretudo, das relações institucionais com os associados, com a torcida e com os demais stakeholders.

    Logo, contratar ou demitir o treinador (ou o diretor executivo), autorizar compras ou vendas de atletas valiosos ainda são, no ambiente semiprofissional que temos hoje, algo dentro da esfera de responsabilidade de um presidente. Mas é preciso ser muito ingênuo para acreditar que o desempenho da equipe varia diretamente ao sabor das “cobranças” que um presidente possa fazer.

    Quem era o presidente do Chicago Bulls nos anos 90? Duvido que alguém saiba dizer sem googlar. Provavelmente o leitor só se lembra de Michael Jordan/Scottie Pippen/Denis Rodman e do treinador Phil Jackson. Até hoje Mr. Jerry Reinsdorf é um ilustre desconhecido para quem não é muito fissurado no esporte. É assim nos grandes vencedores: não é por conta dos cartolas que os times triunfam, mas sim porque os cartolas conseguem dar às equipes campeãs a estrutura necessária às conquistas. Dali em diante, é com os atletas e a comissão técnica.

    Essas reflexões são importantes porque, não tenham dúvida, se não sair dos trilhos, o bonde do Mengão ainda vai atropelar muita gente nos próximos anos, tão logo a sua dominância financeira estiver consolidada. Estará perto das primeiras posições em todas as temporadas (como, bem ou mal, já esteve na do ano passado e até nessa mesmo) e vai faturar algumas taças, a despeito do paradoxo do Tottenham que mencionei lá no início.

    No entanto, como ainda estamos no início da nossa escalada, não há como menosprezar o risco de um retrocesso, ou seja, a adoção de velhas práticas em busca de resultados imediatos, que são, como sempre no futebol, incertos – aliás, é daí que decorre muito da magia do esporte – enquanto as desgraças, isso é absolutamente certo, são consequência direta da irresponsabilidade extrema.

    Se serve de consolo, quero lembrar o caso do time que mais gastou dinheiro com o seu futebol em 2016. Foram R$ 300 milhões, uma média mensal de incríveis R$ 25 milhões. Apesar de ter gastado tanto, esse time ficou no meio da tabela do Brasileiro, 2 posições abaixo da zona de classificação para a Libertadores, foi eliminado nas oitavas de final da Libertadores, foi eliminado nas quartas de Final da Copa do Brasil e sequer foi campeão estadual. Ok, vocês são espertos, já sabem que clube é esse… é o Corinthians!

    Estamos, mesmo, todos nós à beira de um ataque de nervos. Mas só nos resta manter a convicção de que a evolução é um processo lento, doloroso, mas recompensador. Temos muitas dificuldades para competir com rivais estruturalmente muito superiores a nós, mas estamos nos esforçando a cada dia para encurtar essa distância e tudo leva a crer que vamos conseguir.

    O Flamengo que eu quero, para sempre, não vai ser freguês de quase todos os clubes de fora de sua cidade, uma página negra construída lentamente sob a nossa indiferença enquanto nos contentávamos em rir dos nossos minúsculos rivais cariocas, que afundam ano após anos e cuja mediocridade distorce a nossa percepção.

    Por isso, aceite um conselho: não fique por aí postando hashtags na linha do “eu quero meu Flamengo de volta”. De tanto insistir, pode ser que ele volte mesmo – e a gente vai tomar um porre de felicidade gritando que o Obina era melhor que o Eto’o.


    Walter Monteiro é advogado com MBA em Administração. Membro das Comissões de Finanças do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração do Clube de Regatas do Flamengo. Escreve sobre o Flamengo desde 2009, em diferentes espaços.

  • Precisamos de Adriano tanto quanto ele precisa de nós

    Saudações, Rubro-Negros!

    Foi com grande alarde — como sempre o é, quando se trata de Flamengo e Adriano –, que se repercutiu na semana passada a declaração do Imperador ao canal Entrando em Campo. Disse o Didico: “O Flamengo é meu mundo, minha terra. Sou do Rio, minha família quase inteira… Até hoje brinco com a minha vó, ‘vou para o Vasco’. ‘Vasco? Pelo amor de Deus, Adriano!’. Independentemente de qualquer coisa, sou flamenguista doente, não preciso provar para ninguém. Estou aqui, ano que vem vou começar a treinar direitinho. Se me quiserem, estou aqui, não precisa me pagar nada, eu faço por amor”.

    Ora, meus queridos, quem é que se surpreende com tal manifestação? Adriano não foi somente um dos maiores representantes da Magnética em campo em todos os tempos, ele é muito mais do que isso. Adriano é um espelho da alma rubro-negra, o qual reflete o que o Flamengo tem de melhor e também o que ele tem de mais autodestrutivo. Adriano é o Flamengo, e o Flamengo é Adriano.

    Ao carregamos o Flamengo dentro de nós, carregamos também Adriano. Didico talvez seja a personificação do que é ser Flamengo: gigante, monstruoso, um conquistador quase imbatível, cujo maior inimigo, porém, vive dentro dele mesmo. Os fantasmas que afastaram Adriano do futebol e do clube, do seu mundo, como ele próprio define, são os mesmos que fazem o Flamengo não se agigantar tanto quanto pode. Tomados de euforia, tornamo-nos imparáveis, indestrutíveis; tão logo os efeitos efêmeros dessa euforia cessam, entramos em um grave conflito interno, no qual somos tomados por dúvidas, questionamentos, insegurança e medo. E aí sucumbimos.

    E do que pode ter — ou ter tido — medo o Imperador? Seria muita audácia minha, um professor de idiomas, querer responder essa pergunta sob a ótica da ciência, a psiquiatria ou a psicologia. Em mim no entanto fica a impressão de que, motivado sabe-se lá pelo quê, um dia Adriano se convenceu de que não servia para aquilo, que o peso de ser tão enorme quanto todos esperavam e viam que poderia vir a ser era demais para ele suportar. Quando se deparou com seu gigante interno, quando se deu conta de que ao liberá-lo teria automaticamente que arcar com todo o alto custo daquela decisão, algo na cabeça do menino o fez desejar parar pela primeira vez. No justo momento em que houve esse primeiro trinco na vidraça, não era difícil imaginar que não demoraria a se quebrar por inteiro.

    E assim também vejo o Flamengo. Tivemos nossa primeira grande chance de nos tornarmos muito maiores no início dos anos de 1980. Porém, ainda nessa década, iniciamos nossa rotina de conquistas alcançadas na base da euforia, que em flamenguês chamamos de “deixou chegar, fodeu”, e as alternamos com campanhas ridículas e sofríveis, tanto em solo nacional quanto internacional, não raro com revezes bizarros e que entraram para a História. Nesses mais de trinta anos, quantas vezes o Flamengo conseguiu emplacar uma sequência de dois ou três grandes anos, com conquistas de peso, campanhas empolgantes na Libertadores etc.? Por outro lado, assistimos com frequência a implosões ocorrerem logo a seguir à maioria dessas conquistas. Somos nós sendo Adriano, aprisionando nosso gigante interno e tendo nossas entranhas consumidas por ele.

    O ano de 2017 foi simbólico nesse sentido. Ninguém vai me convencer de que não há espaço para o Impera nesse Flamengo Corporate. Por isso acho fundamental que esteja lá em 2018. Que o nomeiem Embaixador da Nação no Vestiário, ou qualquer coisa que o valha, mas deixem-no voltar para casa, para o seu mundo, para a sua terra. Em campo, não vamos esperar dele mais do que uma ou outra participação num joguinho do Carioca ou da Primeira Liga, se essa sobreviver. Não será com seus gols que ele irá nos ajudar, mas com sua simples presença, a qual reforçará em todos o sentimento de que ali está o Flamengo personificado, e que portanto é preciso cuidar dele, respeitá-lo, abraçá-lo, celebrá-lo, amá-lo, exaltá-lo, porque ao fazer isso estarão contribuindo para que também o Flamengo e os rubro-negros se sintam cuidados, respeitados, abraçados, celebrados, amados e exaltados. E que ele esteja lá todos os dias até o último de sua vida, para que essa lembrança seja tão forte, que jamais sequer pensemos em perdê-la de vista novamente.

    SRN


    Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.

     
    Imagem destacada no post e redes sociais: Vera Donato / Divulgação e Alexandre Vital / Fla Imagens.

  • Flamengo vence Botafogo e abre vantagem na decisão do Carioca Sub-17

     

    Depois da eliminação para o Palmeiras na semifinal Copa do Brasil Sub-17, o time juvenil do Flamengo voltou as atenções para o Campeonato Carioca. Na manhã deste domingo, no Estádio Nilton Santos, os Garotos do Ninho venceram o Botafogo por 2 a 1, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Carioca. Os tentos rubro-negro foram marcados por Yuri, artilheiro isolado da competição, com 15 gols, e Wendel. Já Basseto descontou para o alvinegro.

    Com o resultado, o Mais Querido pode apenas empatar o jogo da volta que será declarado campeão estadual pelo segundo ano seguido. Já um triunfo alvinegro por vantagem mínima levará a decisão para os pênaltis. O segundo e decisivo jogo será disputado no próximo domingo (26), às 10h, no Estádio da Gávea.

    O jogo

    Flamengo e Botafogo se enfrentaram pela sétima vez na temporada. Como nas outras ocasiões, o jogo foi movimentado e pautado pelo equilíbrio. O Rubro-Negro teve a primeira chance do clássico. Aos cinco minutos, o atacante Vitor Gabriel recebeu de Yuri dentro da área, dominou, fez o giro e chutou por cima da meta alvinegra.

    A resposta do Botafogo não tardou para acontecer. Dois minutos depois, Rhuan aproveitou falha do goleiro Victor Hugo na cobrança de escanteio de Marlon, e chutou muito perto do gol rubro-negro. Já aos nove, em jogada de contra-ataque, Yuri César passou pela marcação, invadiu a área e finalizou na saída do goleiro André, inaugurando o marcador no Nilton Santos.

    Em desvantagem, o Alvinegro adiantou suas linhas, passando a ditar as ações ofensivas do jogo, enquanto o Flamengo, bem postado, aguardava a chance para sair em contra-ataque. O goleiro Victor Hugo, então, transformou-se no nome do jogo. O arqueiro rubro-negro apareceu com duas ótimas defesas em finalizações de Marcelo, sendo uma de fora da área.

    Com a marcação bem encaixada, o Flamengo não cedia espaços para o adversário, que só voltou a levar perigo na reta final do primeiro tempo. Aos 37’, em jogada pela direita, Marcelo rolou para Barbosa, que chutou cruzado, exigindo mais uma boa defesa de Victor Hugo.

    Tendo Rhuan como seu principal jogador, o Botafogo voltou para etapa complementar disposto a buscar o empate. O time alvinegro dominou os minutos iniciais do segundo tempo, sempre aparecendo com muito perigo pelo lado esquerdo. Na  melhor chance, Lucas Maciel recebeu de Rhuan dentro da área, mas chutou torto, à direita de Victor Hugo.

    A resposta rubro-negra veio com Marx Lenin, aproveitando o rebote da zaga após cruzamento de Ramon. O chute saiu forte, assustando o goleiro André. Em uma nova jogada, Marx Lenin fez um ótimo lançamento para Wendel do campo de defesa, o atacante dominou fora da área, deslocou o arqueiro botafoguense e ampliou o placar.

    Apesar da desvantagem, os donos da casa seguiram pressionando em busca do gol. Depois de ter parado em diversas oportunidades no goleiro Victor Hugo, o Botafogo contou com a falha do camisa 1 flamenguista para diminuir o placar com Basseto, de cabeça, aos 23 minutos.

    O clássico seguiu equilibrado, mas o Flamengo soube administrar o resultado e teve até oportunidade para ampliar o marcador.

    Flamengo: Victor Hugo; Braian, Natan, Patrick (Ari) e Ramon; Gomes, Marx Lenin (Henrique), Matheus Alves e Yuri César (Pablo); Vitor Gabriel (Vitor Ricardo) e Wendel. Técnico: Márcio Torres.

    Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo

  • FlaBasquete retorna às vitórias diante do Campo Mourão

    Depois de ser eliminado da Liga Sul-Americana e estrear com derrota no NBB, o Flamengo se recuperou. Enfrentando a equipe de Campo Mourão, o Rubro-Negro enfim voltou a ganhar dentro das quadras. Na última quinta-feira (16), o Mais Querido venceu pelo placar de 89 a 82. Com destaque para a grande atuação de JP Batista.

    O Orgulho da Nação começou o jogo de forma dominante. Com o pivô, JP Batista, arremessando com perfeição, o time da Gávea fechou o primeiro quarto em vantagem, pelo placar de 24 a 18. No segundo quarto, as duas equipes se destacaram no ataque. O armador Brown, do Campo Mourão, voltou com muita eficiência, diminuindo a vantagem da equipe carioca, terminando em 42 a 39 a primeira metade do confronto.

    Voltando do intervalo, o armador norte-americano continuou a dar trabalho à defesa do FlaBasquete. Pelo lado Rubro-Negro, Marquinhos e Olivinha não cederam ao ritmo da equipe paranaense, e aumentaram a diferença para 66 a 59 pontos. Na última etapa, o Campo Mourão buscou uma improvável reação, reduzindo a diferença para 3 pontos. Marquinhos e David Cubillan fecharam a partida com seus pontos. Dando a primeira vitória ao Flamengo na atual temporada do NBB.

    “Sem dúvida a chave muda agora. É um resultado extremamente importante para nós. Estamos um momento difícil pela eliminação na Sul-Americana seguida de uma derrota em São Paulo. O grupo teve experiência de poder vir aqui e saber virar essa chave, entrar focado sabendo que o Campo Mourão é um time muito talentoso e tem tido um início de temporada forte. Conseguimos superar todas as dificuldades e ter um resultado positivo” analisou JP.

    JP Batista foi o principal destaque Rubro-Negro, com 30 pontos, 15 rebotes e 5 assistências. Auxiliado por Marquinhos com 26 pontos, e Olivinha, com mais um duplo-duplo (14 pontos e 14 rebotes).

    O Flamengo só volta a atuar no dia 30 de novembro, por conta das Eliminatórias da FIBA. O confronto será diante do Caxias do Sul, no Rio de Janeiro.

    *Imagem em destaque: Staff Images/ Flamengo

  • Árbitro mato-grossense apita duelo contra o Corinthians

    A arbitragem do confronto entre Flamengo e Corinthians está definida. O juiz Wagner Reway (MT/FIFA), de 36 anos, em conjunto com os auxiliares Eduardo Gonçalves da Cruz (MS/CBF), e Fabio Rodrigo Rubinho (MT/CBF), foram sorteados pela CBF para o comando do jogo. A partida ocorrerá no próximo domingo (19), às 17h, na Ilha do Urubu, no Rio de Janeiro. O jogo é válido pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2017.

    Neste ano, o mato-grossense foi responsável por apitar a final da Serie C do Campeonato Brasileiro, onde o CSA se sagrou campeão. Na Serie A do Brasileirão, o juiz já esteve envolvido em polêmicas, no duelo entre Coritiba e Bahia, que terminou em um empate. Apesar da igualdade no placar, a equipe baiana reclamou bastante da arbitragem. Ainda no primeiro tempo o centro-avante, Kleber, fez o que bem entendeu em campo, acertando uma cotovelada no jogador do tricolor baiano, o atleta só foi expulso na segunda etapa, após acertar outra cotovelada em Edson. Os dois trocaram cuspes e foram expulsos.

    Histórico em jogos do Flamengo

    Wagner Reway comandou o apito em seis jogos do Rubro-negro nos últimos seis anos. Os resultados são positivos, sendo três vitórias, dois empates, e apenas uma derrota. Neste ano, este jogo será o primeiro do Mais Querido com o árbitro comandando o jogo. Nos últimos cinco confrontos, o paulista tem uma alta média de 5,8 cartões por jogo no Campeonato Brasileiro, aplicando vermelho em três dos últimos cinco jogos.

    O último encontro do juiz com o Flamengo foi diante do Santa Cruz, na 10ª rodada do Campeonato Brasileiro 2016. O Mais Querido saiu vitorioso no duelo por 1 a 0, no Estádio do Arruda. Não houve qualquer problema no confronto, apenas um cartão amarelo foi mostrado.

  • Vai encarar?

    Bandeira de Melo se orgulha de ser um pioneiro. E de fato é o primeiro presidente do Flamengo a tratar nosso clube como uma empresa gigante. Sua gestão como presidente conseguiu feitos notáveis e históricos do ponto de vista administrativo. Uma de suas últimas conquistas foi a saída do Flamengo do Ato Trabalhista. Isso significa que mais de 130 milhões de reais foram pagos em 650 ações que o clube havia perdido. Espera aí que eu vou repetir pra você dimensionar direitinho o tamanho da parada que acabou de ler: seiscentonas e cinquentaças ações. Centomuitas e trintolhadas de milhonetas de dinheiros.

    Ele pagou. Resolveu a herança maldita.

    Restam, segundo a imprensa, cerca de sessenta ações em curso. Ainda é coisa pra caramba, mas já não temos mais 15% de todas as receitas do clube penhoradas para pagar essas cagadas do passado. Isso incluía bloqueio de dinheiro que entrava de bilheteria, patrocínios, direitos de TV, entre outras coisas.

    “Ih, lá vem o Pedro defender o Bandeira”.

    Calma, fera. Segura a ondinha e lê aí.

    Acontece que essa empresa magnificamente bem administrada ainda é um clube de futebol, sendo esse o ativo que gera a paixão na imensa maioria do seu público consumidor e, portanto, seu principal produto. E nesse quesito, amigas e amigos, a gestão Bandeira está bem próxima do fracasso total até agora.

    Passamos por maus bocados necessários e compreensíveis no início da era Bandeira justamente por conta da responsabilidade financeira que impera desde que ele assumiu, mas mesmo nos dias atuais onde a verba já deixou de ser um problema (tão grande), sobretudo se comparada ao dinheiro que os adversários têm para investir, os resultados esportivos do time são facilmente questionáveis.

    Esse ano caímos em um grande equívoco coletivo que foi acreditar que tínhamos um bom elenco por conta do investimento milionário feito em contratações. Infelizmente, com o passar da temporada, descobrimos de forma cruel que nos venderam uma ilusão.

    Temos sim um time razoavelmente competitivo. Quero dizer que se todos os nossos onze titulares estiverem em campo, podemos jogar com equilíbrio contra a maioria dos adversários e até vencer. Mas quando um ou dois saem por conta de lesão, convocação, piriri ou distúrbios diversos, dá ruim. Quando saem cinco, como é o caso do momento que estamos passando, fudeu.

    Agrava a análise do trabalho da diretoria o fato de peças fundamentais desse tal “Time Titular™ só terem chegado no meio da temporada sem poder participar das principais competições do ano, como foi o caso do Diego Alves e do Éverton Ribeiro. Isso é uma prova evidente de falha no planejamento do departamento de futebol. Os cartolas podem até tentar se defender dizendo que as contratações foram “oportunidades”, que envolveram “engenharia financeira” e que tiveram “variantes incontroláveis”, mas, véio, na boa, se tá complicado com os caras, sem eles estaria muito pior e esse time não teria custado muito mais barato. Portanto, sim, Rodrigo Caetano e companhia deram mole.

    Outro vacilo já muito abordado por mim aqui nesse espaço foi a demora indesculpável em demitir o Zé Ricardo quando tudo apontava que o trabalho dele já havia naufragado de forma irremediável.

    E com isso nos vemos, mais uma vez, chegando ao fim da temporada com uma brochante sensação de termos tido irrisórias participações nas principais competições do ano.

    De “favoritos”, fomos pateticamente eliminados na primeira fase da Libertadores e no Brasileiro sequer passamos perto da expectativa de disputar o título.

    Vencer o caneco do mais disputado campeonato nacional do mundo é obrigação?

    Claro que não.

    Chegar no G4 e garantir vaga na Libertadores com a segunda equipe mais cara do país é?

    Matematicamente, sim.

    Correr o risco de terminar fora de um atípico G7 e sequer estar presente na pré-Libertadores do ano que vem seria um mico?

    Com certeza.

    Bandeira, do alto de seu trono, assegurou que nunca está satisfeito e que tudo está sempre sob constante avaliação, deixando no ar inclusive a permanência para o ano que vem do técnico colombiano Reinaldo Rueda que chegou outro dia com a chapa já pelando e, de largada, encarou um clássico mata-mata contra o competitivo time do Botafogo pela Copa do Brasil. Organizou a defesa e ganhou. Depois perdeu a final nos pênaltis contra o competitivo Cruzeiro sofrendo com falhas dos dois goleiros que tinha a disposição, algo totalmente além de sua alçada, não é verdade, Rodrigo Caetano?

    Rueda também nos conduziu às semifinais da Sul-Americana, fato que não canso de repetir ser um feito e tanto tendo em vista que não chegávamos tão longe em uma competição continental desde 2001. Vamos agora encarar o enjoado time do Junior de Barranquilla no pior momento da nossa equipe no semestre.

    Em suas entrevistas, Rueda nunca poupa palavras quando o time vai mal. Assume a responsabilidade e a divide com seus comandados. Cobra publicamente deles entrega e resultado. Isso é algo atípico no Brasil, onde os treinadores locais, mesmo nos piores momentos, têm o hábito de passar a mão na cabeça dos jogadores, esses pobres meninos tão precisados de carinho, com o objetivo de manter a “união do grupo”.

    Gosto muito mais da postura de nosso atual treinador. Mas, honestamente, tenho minhas dúvidas do quanto essa atitude não faz com que seus comandados não sintam tanta necessidade de “correr pelo técnico”, esquecendo que honrar a camisa do clube e o contra-cheque recebido deveriam ser motivos mais que suficientes para estimulá-los. Sim, estou me referindo ao famoso corpo mole. E temo que seja isso uma das causas da piora do time.

    Torço muito para estar errado. Que a ausência da espinha dorsal da equipe titular que temos hoje seja a explicação para determinadas falhas bizarras que nos acometeram nas últimas partidas. Que nossa camisa pese e vençamos a Sul-Americana inaugurando uma nova fase de bonança esportiva que marque o ano de 2017 como positivo em nossa gloriosa história. Ou que, mínimo do mínimo, ao menos fiquemos na porra do G7 do Brasileirão.

    Mas se por ventura isso não acontecer, espero que nosso presidente seja novamente pioneiro e banque a investida no vitorioso comandante colombiano ao invés de nos manter reféns de uma eterna panela corporativista de pernas de pau que insiste em imperar nos gramados brasileiros. Há um bonde de jogadores para serem dispensados antes de se pensar em mandar o Rueda embora. Um bonde. E todos sabemos disso.

    Dar tempo e condições para que seu trabalho apareça, ao contrário de diretorias de outros clubes que naufragaram em experiências similares, desistindo de competentes e experimentados técnicos gringos por conta da má vontade de jogadores mimados que sempre vão preferir chefes miguxos da galera, faria dele pioneiro em mais uma importante frente.

    Então, Bandeira, qual vai ser?

     


    Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015). Siga-o no Twitter: @pedroneschling
     

    Imagens destacada no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

  • Vai com Deus, Paschoal

    Hoje as palavras não são minhas, mas compartilho com o autor a tristeza, o luto e a saudade. A coluna hoje é do meu irmão Pablo Duarte Cardoso.
     

    ESCREVE PABLO CARDOSO DUARTE

    Para quem ainda acredita nessas coisas, e eu acredito, foi por obra da Providência que conheci e me tornei amigo de Paschoal Ambrósio Filho. Foi há pouquíssimo tempo, tempo de menos para que eu pudesse desfrutar plenamente de uma amizade que eu julgava duraria pela vida toda. Eu morava no Canadá, para onde fui com a família por razões profissionais, e andava em busca de quem me ajudasse a concretizar o que tomei para mim quase como uma missão existencial: publicar um livrinho, nestes trinta anos do tetracampeonato rubro-negro, que explicasse exaustivamente, sobretudo às novas gerações, como e por que o Flamengo foi o único campeão brasileiro de 1987. Tudo isso a 8 mil quilômetros de distância.

    Só que, muito logo me dei conta, há ainda, no Brasil, uma enorme dificuldade em vender livros sobre futebol. (Não há de ser um problema exclusivo nosso: num prefácio que escreveu quando do vigésimo aniversário do seu grandioso Fever Pitch, Nick Hornby conta como se deparou com o mesmíssimo problema na Inglaterra, em 1992.) E, no meu caso, essa dificuldade foi agravada pela escolha convencional de submeter meu manuscrito a um punhado de grandes editoras, que encaravam com não pouca perplexidade aquela conversa abstrusa sobre asteriscos e taças de bolinhas.

    Até que o eterno presidente Marcio Braga me pôs em contato com Altamir Tojal, e por meio dele meu manuscrito foi parar nas boas mãos do Paschoal. Mãos rubro-negras, mãos de quem entendia, como eu, a importância de se contar aquela história num ano como este. Que se crisparam e se ergueram como as minhas quando o Renato tirou do lance o Batista, depois o João Leite, tocou a bola para o arco vazio e calou para sempre o Mineirão. E o livro saiu, claro, como me garantiu, desde o primeiro e-mail, o nosso bom Paschoal, com seu otimismo contagiante.

    Quando, na data magna do 15 de novembro, fui surpreendido com a notícia de que o Paschoal nos deixara, alguém me contou que ele trazia no peito uma bomba-relógio. Que tivera um enfarte feio em 2006 ou 2007 e desde então vivia com a consciência plena da finitude de tudo. E talvez isso explicasse a gentileza extrema, a doçura que punha em cada gesto e em cada palavra. Não digo aqui nada de muito original: já há décadas Nelson Rodrigues dizia que “há uma inteligência da morte, assim como há uma bondade da morte”. “O que vai morrer já olha as coisas, as pessoas, com a doçura do último olhar.”

    E assim era o Paschoal que eu conheci, sem me dar conta dessa circunstância. Na última vez que o vi, no lançamento do meu livro, deixei-o conversando feliz com meu pai, que por essas coincidências da vida fora amigo e colega do pai do Paschoal, na Capemi, no começo dos anos 70. Falaram do pai e falaram da paixão que nos uniu neste pouco mais de um ano de convivência: o Flamengo, claro.

    As últimas palavras que ouvi dele, antes de desvencilhar-se tímido dos meus agradecimentos, foram sobre o Leandro. Paschoal nos contava que, muito antes da pesquisa que fundamentou o seu Cem Anos de Bola, Raça e Paixão, teve ocasião de conversar com o grande Luís Mendes. E manifestou-lhe uma frustração rubro-negríssima: a de não ter visto jogar Domingos da Guia. Pois o Luís Mendes, com sua onisciência, retrucou-lhe: — Você viu! Você viu jogar o Leandro. Foi o que de mais próximo houve do maior zagueiro de todos os tempos.

    E o meu pai, que desde a minha infância punha o Leandro num patamar só inferior ao Zico, ficou emocionado com a constatação. Pois então ele também vira jogar o Domingos, na elegância superior de José Leandro Ferreira. E despedimo-nos felizes, pelo livro e pela missão cumprida, mas sobretudo por aquela amizade recente, fundada na comunhão de centenários valores flamengos.

    Nem me ocorreu então que aquela conversa acabava ali. Nove dias depois, no dia do 122º aniversário do clube que ele tanto amou, o Paschoal nos deixou. Talvez esteja vendo jogar o Domingos. E talvez constate, de si para si, que o Leandro foi melhor.

    Vai com Deus, amigo. Que Ele dê forças aos parentes e amigos que ficam. E nós aqui havemos de nos consolar com a lembrança da bondade que temperava cada gesto seu.
     


    Mauricio Neves é autor do livro “1981 – O primeiro ano do resto de nossas vidas” e escreve no Mundo Bola todas as sextas-feiras. Siga-o no Twitter: @flapravaler

     

    Imagem usada no post e nas redes sociais: Facebook

  • Coritiba 1 x 0 Flamengo: pouco repertório

    Tinha tudo para ser um ótimo jogo. Afinal, mesmo que com objetivos completamente diferentes as duas equipes necessitavam demais de uma vitória. Taticamente, ambos os times entraram espelhados num 4-2-3-1. Com a posse da bola os donos da casa foram menos “engessados” e transformavam Alan Santos num quarto homem para apoiar Tiago Real na construção ofensiva, passando para um 4-1-4-1.

    O Flamengo começou melhor. Com duas boas chegadas. Porém, logo aos oito minutos, Carleto cobrou uma falta da intermediária. Cléber Reis subiu mais que Juan (mesmo que com as duas mãos nas costas do zagueiro Rubro-Negro, lance que acabou gerando muita reclamação. Eu não marcaria a falta) e testou. A bola ainda bateu na cabeça de Juan e matou Diego Alves.

    Com a vantagem, o Coxa praticamente abdicou do jogo. Se fechou todo atrás da linha da bola e deu a redonda ao time carioca. Os visitantes ficaram muito mais tempo com ela nos pés. No entanto, a rigor, só criaram uma chance. Aos 17, depois de uma forte pressão, Éverton bateu. Wilson soltou nos pés de Lucas Paquetá que, da pequena ´rea, com goleiro caído, conseguiu perder. Incrível o lance. E digno da camisa do Inacreditável Futebol Clube. Aos 25, a equipe ainda perdeu Éverton, que deixou o campo sentindo uma lesão muscular. Felipe Vizeu veio para o jogo. Paquetá passou a ocupar o lado esquerdo do ataque.

    O panorama não se alterou na etapa complementar. O Mengo tinha a bola. Pressionava. Mas finalizava pouco e cruzava muitas bolas altas.
    Consagrando assim o zagueiro Cléber Reis, o melhor em campo.

    Os treinadores resolveram então mexer. Marcelo Oliveira tirou Henrique Almeida, Rildo e Dodô. Colocou Kléber, Geterson (para ajudar Carleto na marcação pelo lado esquerdo da defesa) e Matheus Galdezani. Rueda sacou Márcio Araújo e Diego e pôs Vinícius Júnior na esquerda e Geuvânio na direita. Centralizou Éverton Ribeiro. E recuou Lucas Paquetá para pensar o jogo por trás ( a terceira posição que o garoto atuou em 90 minutos). Não funcionou. Só aos 48 o Fla ameaçou numa cobrança de falta de Paquetá que raspou o travessão de Wilson.

    No fim, o Coritiba venceu e praticamente se livra do fantasma do rebaixamento. Mostrou muita vontade e se defendeu com afinco. Já o Flamengo mostrou mais uma vez o pouco repertório ofensivo que vem preocupando seu torcedor. Tem a bola. Mas não acha soluções. E fica cada vez mais ameaçado de não conseguir a vaga para a Libertadores via campeonato nacional. Com o investimento feito seria o maior mico do ano futebolístico sem sombra de dúvidas.

    Veja a análise de Gustavo Roman em vídeo:

     


    Gustavo Roman é jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros “No campo e na moral – Flamengo campeão brasileiro de 1987”, “Sarriá 82 – O que faltou ao futebol-arte?” e “150 Curiosidades das Copas do Mundo”. Também escreve para o Blog do Mauro Beting.
     

    Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo