Autor: diogo.almeida1979

  • Montagem e manutenção

    Alguns questionamentos acerca da capacidade do Flamengo de pensar integralmente a formação do seu time

     
    As altas cifras envolvendo o futebol aumentaram o nível de competitividade e exigência do jogo. Ganhar é mais do que uma questão esportiva, de competição: é uma questão financeira, de sobrevivência. Investimento alto espera retorno e gera expectativas e pressão. Ocorre que, a montagem de um time não é processo simples. Mais do que nomes e individualidades, é preciso harmonia, sincronismo entre as peças para que o todo funcione e, aí sim, as individualidades apareçam.

    A construção desse processo é algo cerebral, que conta sim com uma pitada de acaso (jogadores que excedem as expectativas, superando o rendimento esperado), mas que não acontece ou se sustenta a longo prazo por casualidade. Quantas vezes ouvimos falar de um grande elenco que “não deu liga” e de um time que, independente das peças que entram e saem, executa o seu jogo à risca?

    O Flamengo nunca se caracterizou por ser um bom vendedor, fama que envolve muitos fatores. Será que um deles é a maneira como o time é construído? Meu argumento é que o que ocorre – ao menos nos últimos anos – é uma mera adição de peças com um único critério – ocasião de mercado – e quando os jogadores aqui chegam, de diferentes formas acabam se desvalorizando no clube, o que impossibilita boas vendas.

    Quando perdemos Elias, Márcio Araújo chegou. Estava sem clube e o treinador na época, Jayme de Almeida, disse que os jogadores tinham as mesmas características, comparação que o próprio Araújo refutou em sua apresentação no Mais Querido. Caso claro de pegar a reposição mais fácil no mercado sem olhar as funções táticas e papel no time. Outro exemplo de ocasião de mercado foi o Henrique Dourado. Houve investimento alto, mas na necessidade de um centroavante, o clube fez o “óbvio”, buscando o artilheiro do último Brasileirão, diante de uma ocasião de mercado: crise financeira do Fluminense. De artilheiro do BR já tivemos Dill, Souza, Dimba, Josiel… qual foi o critério para a contratação? O time vai jogar em função das potencialidades desse jogador para maximizar seu rendimento? Ele tem características que vão potencializar o desempenho do time?

    Mesmo quando acerta e há otimização de performance, o Flamengo perde o timing de tirar proveito da valorização. Paulinho, que veio a custo baixo e foi muito bem em 2013, principalmente na Copa do Brasil, é um exemplo: Flamengo negou proposta de R$15 milhões do Al-Ahli, em maio de 2014, para ver o jogador cair de produção, ter problemas disciplinares e ser emprestado ao Santos em 2016, saindo do clube pela porta dos fundos e sem retorno financeiro.

    Há ainda casos de jogadores que chegam ao clube vindo de alta performance e caem de rendimento por aqui. Com diferentes níveis de badalação, mas todos com certo grau de boas atuações chegaram, como Guerrero (que até deu declarações de que a falta de estrutura atrapalhava o rendimento), Marcelo Cirino, Canteros, Mancuello, Arão, Donatti, Trauco, Rômulo, etc.

    É preciso relativizar, visto que há muitas variáveis envolvidas, como extracampo (vida noturna), questões pessoais, psicológicas, etc. Mas chamam atenção dois fatores:

    1) a queda de rendimento desses e outros nomes por um encaixe tático deficiente, ou do jogador em si, ou do time como um todo. Diego e Éverton Ribeiro estão colocados nas condições coletivas ideais para ter o rendimento individual? São os mais cobrados e se saírem daqui por “fracasso”, podem brilhar em outros clubes com o encaixe certo. Alguém duvida? O caso da simples mudança de posição do Paquetá nos últimos dois jogos fez o garoto aparecer ainda mais e ilustra bem essa equação.

    2) a incapacidade do Departamento de Futebol em perceber internamente – mesmo após contratação – que o jogador não atendeu/não atenderá as expectativas, e negociá-lo com algum valor de mercado, não esperando assim a total desvalorização do mesmo. Os casos de Cirino e Rômulo ilustram isso: eram jogadores desejados no mercado, não renderam. Um já saiu de forma onerosa para o clube. O segundo permanece, mas não aparenta que deixará qualquer tipo de retorno em sua saída. Trauco, após vir com status de seleção e promissor, “já não serve mais”. Teremos recuperação técnica ou retorno financeiro com ele?
     

    Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

     


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  • Em 1992, o Inter deixou o Fla chegar

    Ao longo da história do Brasileirão, o Flamengo acumulou vitórias memoráveis sobre o Inter no Maracanã

     
    Como esquecer a virada na raça por 2 a 1 que quebrou série invicta do futuro campeão brasileiro em 1975? E o gol impossível de Zico, que deu o triunfo por 1 a 0 na largada para o primeiro título nacional em 1980? E o golaço de falta de Mozer, digno do Galinho, nos 2 a 0 de 1984? E o toque de letra de Casagrande para as redes nos 3 a 0 de 1993? E o show de Adriano nos 4 a 0 em 2009? E, claro, como esquecer da bola magistral de Andrade para Bebeto chegar antes de Taffarel e nos dar o título da Copa União?

    Na história do confronto no Maracanã em jogos válidos pelo Brasileirão pós-1971, são 11 vitórias do Flamengo em 19 jogos, contra cinco dos gaúchos e apenas três empates. Há ainda um triunfo rubro-negro pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1970 (1 a 0, gol de Fio Maravilha), além de outros em competições nacionais e internacionais, como a Copa do Brasil e a Taça Libertadores da América. Mas entre tantas partidas especiais, há uma em que a sintonia entre jogadores e torcida, uma atuação memorável e a prova definitiva da capacidade de superação de uma equipe se mostraram mais nítidas, mais exemplares.

    Aconteceu no Campeonato Brasileiro de 1992. Vindo do título estadual em dezembro do ano anterior, o Fla até que havia começado bem a campanha naquele ano e chegara à liderança na quinta rodada, após vencer o São Paulo de Telê Santana por 3 a 2 no Maracanã. Mas na metade do turno, o time acumulara seis jogos sem vitória, culminando em uma indigesta derrota por 4 a 2 diante do Vasco – na época, o time a ser batido no campeonato. No começo de abril, os rubro-negros ocupavam a 13ª posição na tabela, mais próximos da lanterna do que da ponta. Mas as coisas mudariam dali por diante.

    O time venceria o Atlético-PR no Maracanã, o Corinthians no Pacaembu e empataria o Fla-Flu. Sofreria novo abalo na confiança com uma derrota inesperada para o Sport também no Maracanã – que levou muita gente a enterrar as chances de classificação do time de Carlinhos. Mas, em meio ao perde e ganha entre os demais times que brigavam pela vaga, o time se reabilitaria derrotando Paysandu e Goiás no Rio e empatando com a Portuguesa no Canindé. Chegaria ao domingo decisivo em quinto lugar, empatado em pontos com Santos, Corinthians e o próprio Internacional, mas superando todos eles no saldo de gols.

    Apesar de perder para o Bragantino no Beira-Rio em sua estreia, o Inter fez um ótimo início de campeonato. Entre a segunda e a nona rodadas, venceu seis jogos e empatou dois, alcançando a liderança da tabela ao lado do Vasco. Porém, a partir dali, conquistou apenas uma vitória (sobre o lanterna Paysandu, em Belém). O time dirigido por Antônio Lopes, velho conhecido dos rubro-negros, tinha como principais armas dois bons armadores: Marquinhos (que enfrentara o Fla pelo Atlético-MG na Copa União de 1987) e o garoto Luís Fernando Gomes, colega de vários rubro-negros nas seleções brasileiras de base da época.

    Mas era um time que jogava fechado, explorando os contragolpes para municiar seus homens de frente, Lima e Gerson. Sabendo que o Flamengo partiria para cima empurrado pela massa rubro-negra (mesmo precisando apenas do empate), o Colorado naturalmente abusaria da retranca, aguardando a hora certa de sair para matar a partida e enfim garantir a classificação entre os oito melhores colocados para a fase seguinte, da qual já tinha estado tão perto antes.

    E a massa viria mesmo, em peso. Por determinação do presidente rubro-negro Márcio Braga, na época também secretário de Esporte e Lazer do estado do Rio, os torcedores do clube uniformizados não pagariam passagem na barca Niterói-Rio das 14h30 (um acordo para a mesma promoção nos trens dos ramais Japeri e Santa Cruz do mesmo horário foi anunciado, mas infelizmente não chegou a se concretizar). Tudo para levar todo mundo ao velho Maracanã naquele domingo, 31 de maio de 1992.

    Quase 80 mil torcedores compareceram – disparado o melhor público do Fla na primeira fase contra equipes de fora do Rio – e viram o Fla entrar em campo com um meio-campo mais combativo, tendo Uidemar, Júnior, Marquinhos e Zinho, com Gaúcho e Nélio na frente e Paulo Nunes no banco. O Inter também vinha com dois volantes, deixando Luís Fernando na reserva e toda a criatividade nos pés de Marquinhos. O jogo começou morno, já que, naquele momento, o resultado garantia ambos.

    Mas os alto-falantes do Maracanã anunciaram um gol do São Paulo contra o Náutico no Morumbi, o que eliminaria os gaúchos. Surpreendentemente, porém, o time de Antônio Lopes não mudou a postura defensiva. E começou a pagar caro. Aos 37, Zinho fez fila na defesa adversária e foi parado com falta. Os dois Juniores, o Baiano e o Vovô Garoto, apresentaram-se para a cobrança, mas o zagueiro deixou passar para o experiente meia rubro-negro, que bateu de maneira magistral, entrando bem no canto e sem dar chances ao paraguaio Gato Fernández, arqueiro colorado.

    Embalado e empurrado pelas 80 mil vozes, o Fla domina amplamente as ações. E o segundo gol surge logo no início da etapa final: Uidemar alça a bola para a área e Nélio inicia uma tabelinha de cabeça, passando pelo alto a Gaúcho que, mesmo marcado por dois, testa contra Fernández. O arqueiro só espalma, e a bola sobra para Zinho – cumprindo atuação extraordinária ao lado de Júnior – estufar as redes.

    Com a vaga na mão, o Fla relaxa, toca a bola, administra o resultado, enquanto a torcida canta feliz. Ao apito final do jogo e da rodada, sabe-se que a equipe de Carlinhos terá pela frente Vasco, São Paulo e Santos no quadrangular semifinal. O time, porém, não teme mais nada nem ninguém. Nem mesmo a dita “SeleFogo”, adversária na decisão do torneio. A comunhão com a torcida tornara o time irresistível. E o resultado daquela simbiose nascida ali naquele jogo com o Internacional pode ser conferido na sede da Gávea: a taça (de bolinhas) do Campeonato Brasileiro de 1992.

    https://www.youtube.com/watch?v=UsaHWW_aZsQ
     

    Imagens utilizadas no post e redes sociais: Reprodução

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    Emmanuel do Valle é jornalista e pesquisador sobre a história do futebol brasileiro e mundial, e entende que a do Flamengo é grandiosa demais para ficar esquecida na estante. Dono do blog Flamengo Alternativo, também colabora com o site Trivela, além de escrever toda sexta no Mundo Bola.
     

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  • O ídolo Ronaldo Angelim participará de dois grandes eventos da Embaixada Nação Rubro-Negra Sergipe

    A Nação Rubro-Negra Sergipe está preparando mais uma grande ação para os rubro-negros locais. Nos dias 25 e 26 de agosto, o ídolo Ronaldo Angelim participará de dois eventos nas cidades de Aracaju e Estância, ambos organizados pela Embaixada.

    Além da presença do herói do hexa, haverão diversas outras atrações em ambos os locais, como certificações para torcedores mais assíduos, sorteios de brindes, atrações musicais e estandes de produtos.  O objetivo é aproximar ainda mais a população sergipana da história e das glórias do Flamengo.  A expectativa da diretoria da Embaixada é de que mais de 5 mil pessoas participem dos encontros com o ídolo.

    O Projeto das Embaixadas e Consulados

    As Embaixadas e Consulados funcionam como representantes do Flamengo, reunindo torcedores para assistir aos jogos, trazendo novos sócios-torcedores, realizando eventos, colaborando com iniciativas oficiais rubro-negras e fazendo campanhas sociais. O Fla possui vários destes representantes espalhados por diversas regiões do Brasil e do Mundo.

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  • Flamengo x Mogi: agora com apoio da Nação

    Depois de um grande jogo do time mandante, no interior de São Paulo, Flamengo e Mogi das Cruzes voltam a se enfrentar pela segunda partida da semifinal do Novo Basquete Brasil, agora com a equipe da Gávea como anfitriã, às 20h, nesta sexta-feira (4), na Arena Carioca 1.  O confronto conta com a transmissão do SporTV. Até a noite de quinta-feira tinham sido vendidos 2.500 ingressos para a partida.

    No último duelo, o Rubro-Negro não foi capaz de sair com o triunfo no território mogiano, com a equipe paulista dominando o garrafão e não permitindo o jogo de transição do Orgulho da Nação. Com destaque para a atuação da dupla Tyrone e Shamell, fechando a primeira partida da série em 79 a 62.

    “Não tivemos aproveitamento. Tentamos muitas vezes da maneira certa, mas, em outras, erramos na hora de tomar as decisões. Na maioria das vezes foi erro de aproveitamento e acabamos não pontuando muito bem. Ficamos o campeonato inteiro buscando a primeira posição para decidir todas as séries de playoff em casa, ao lado da nossa torcida, então não tenho dúvidas de que no próximo jogo teremos um aproveitamento melhor para tentar empatar a série”, comentou o treinador do Flamengo, José Neto.

    Um dos grandes atrativos da série entre Flamengo e Mogi será o reencontro entre os dois maiores cestinhas da história da competição: Shamell(6.502 pontos) e Marquinhos (5.832 pontos). Na atual temporada, os dois também estão entre os melhores pontuadores, mas em uma distância maior. Marquinhos é o primeiro do ranking (18,6 pontos por jogo), enquanto Shamell é o sexto (15,1 pontos por jogo).

    Com uma rivalidade surgindo nos últimos anos, Flamengo e Mogi se encontrarão pela terceira vez nas semifinais do Novo Basquete Brasil. Os primeiros confrontos aconteceram nas temporadas 2013/2014 e 15/16 e o Orgulho da Nação saiu vencedor nas duas oportunidades. Na temporada 2013/14, aconteceu o primeiro duelo, o Mais Querido fechou a série em 3 a 1. No jogo decisivo, realizado em Mogi das Cruzes, o Rubro-Negro bateu a equipe paulista pelo placar de 79 a 71, com grande atuação do pivô norte-americano Jerome Meyinsse. Marcando 34 pontos, o camisa 55 ainda pegou seis rebotes e decretou a classificação rubro-negra para a final da competição, diante do Paulistano, finalizada com o terceiro título do FlaBasquete no NBB.

    Na temporada de 2015/16, mais uma série de incrível equilibrio entre as equipes. O Flamengo virou a série para cima do Mogi, após um lindo toco de Marquinhos no último lance do jogo quatro, forçando a quinta partida. No último duelo, contando com a Nação lotando o Tijuca Tênis Clube, o Mengão triunfou por 79 a 75. Olivinha foi o destaque do jogo com 22 pontos e oito rebotes. Na sequência, o Orgulho da Nação foi campeão novamente, mais uma vez em cima do Bauru, chegando ao pentacampeonato.

    O Rubro-Negro contava com 100% de aproveitamento diante do Mogi, na atual temporada, antes da primeira partida da série de semifinal. No primeiro confronto, no Rio de Janeiro, o clube da Gávea venceu por 77 a 71 e chegou ao topo da tabela pela primeira vez na fase regular. No jogo de volta, o Mais Querido venceu de novo, dessa vez por 75 a 72, com destaque para os 20 pontos do armador, Cubillan.

    Na sequência, as equipes voltam a se encontrar no Rio de Janeiro, na Arena Carioca 1, para o Jogo 3, que acontece no domingo (6), às 14h30.

  • Flamengo estuda levar estrutura provisória da Ilha do Urubu para a Gávea

    Atraso na liberação da Ilha do Urubu após queda das torres de iluminação tem como principal motivo estudos para retorno à Gávea

     
    Existe um bom motivo para os atrasos na liberação da Ilha do Urubu. O estádio provisório não recebe mais jogos de futebol desde que duas torres de iluminação desabaram durante um temporal em fevereiro. Nos últimos dias, algumas fotos que mostravam grandes buracos ao lado das arquibancadas vazaram e muito se especulou sobre uma possível falta de condições estruturais que acarretaria ainda mais demora na liberação para os jogos do clube.

    No entanto, o Mundo Bola apurou que o Flamengo realiza estudos para transferência da estrutura provisória da Ilha do Governador para a Gávea. No momento existe apenas o levantamento para que o local recebesse novamente jogos do time profissional, algo que não ocorre há 21 anos.

    A ideia começou a tomar forma depois que o governador Luiz Fernando Pezão assinou há três semanas um termo de regularização de cessão do terreno onde fica a sede social do clube desde os 1930. Outros clubes do entorno se beneficiaram como o decreto que libera atividades econômicas ligadas ao esporte em troca de contrapartidas sociais.

    Dias depois, o Mundo Bola publicou em primeira mão um segundo acordo do Flamengo com Pezão. O presidente Eduardo Bandeira de Mello conseguiu junto ao governador do Rio autorização para a construção de uma estrutura provisória em torno do Estádio José Padilha Bastos, o “Estádio da Gávea”. Com o acordo firmado, o Flamengo poderia completar o anel em torno da estrutura fixa inaugurada em 1938 (foto).

     

    Terreno em 1939 onde hoje é a sede do Estádio da Gávea (à esquerda) e a estrutura atual. Reprodução

     
    No dia 17 de junho, o primeiro jogo na Ilha do Urubu, contra a Ponte Preta, completará um ano. O local, com capacidade para 20.113 torcedores, foi bastante festejado por uma parte da torcida que entende que o time não deve depender somente do consórcio que atualmente administra o “novo Maracanã”, casa histórica do Rubro-Negro.

     

    Nos últimos anos cresce vertiginosamente o clamor pela construção de um estádio próprio do Flamengo. Desde 2013 na presidência do clube, Eduardo Bandeira de Mello e seu Conselho Diretor lidam com grandes problemas com esta questão.

    Em 2016, o estádio, cuja reforma para a Copa do Mundo do Brasil custou mais de 1 bilhão de reais, passou para as mãos do Comitê Olímpico Internacional para a abertura e encerramento das Olimpíadas do Rio. O clube não pode utilizá-lo durante toda aquela temporada, o que o forçou a peregrinar pelo Brasil como mandante. A solução para não sofrer novamente com a falta de campo de jogo foi alugar e expandir as dependências do Estádio Luso-Brasileiro, que fica na Ilha do Governador, Zona Norte da cidade. A conclusão das obras atrasou por causa de problemas do solo que poderiam comprometer a segurança dos torcedores.

    Os custos da Ilha sempre geraram muitas críticas de grupos de oposição. Outras reclamações constantes que envolvem a operação do s jogos do Mais Querido no lugar são os altos preços dos ingressos na maioria dos jogos e a grande quantidade de jogos com pouco público. A insatisfação tem origem na ideia de que seria os altos custos do Maracanã o culpado pela política de preços altos praticada nos últimos anos.

    Não deixe de ler: Do provisório ao permanente: uma proposta coerente para nosso estádio na Gávea

    Também em 2017 o Flamengo anunciou que assinou um documento de opção de compra de um terreno em Manguinhos para a construção de um estádio para 50 mil torcedores. Depois de meses de estudos os dirigentes chegaram á conclusão de que não seria uma boa opção e desistiram do terreno à margem da Avenida Brasil. Informações dão conta de que três terrenos ainda estão na mira do Fla para a construção da sua tão sonhada casa. Um deles seria na Barra da Tijuca, ao lado do Shopping Metropolitano. O Mundo Bola também trouxe esta notícia em primeira mão.


     

    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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  • Com gol de Bárbara, Flamengo/Marinha vence pela primeira vez em 2018

    O primeiro jogo do Flamengo em casa nesse Campeonato Brasileiro Feminino resultou nos três primeiros pontos da equipe na competição. Vitória magra diante da Ponte Preta, por 1 a 0, com gol da meio-campista Bárbara, em cobrança de falta. Foi o seu 29º gol em 56 jogos pelo Flamengo/Marinha.

    As cariocas souberam utilizar o fator casa, mostrando-se superiores na ampla maioria do jogo, com um belo futebol coletivo. As principais chances de gol foram do Flamengo/Marinha, que abriu o placar aos 25 minutos do 1º tempo. A equipe paulista jogou visando os contra-ataques, de uma forma bem defensiva.

    Neste jogo, o técnico Ricardo Abrantes promoveu a estreia de três atletas contratadas nesta temporada para o Flamengo/Marinha: da goleira Kemelli, da lateral/meia Beatriz e da atacante Rafaela.

    Outro fato positivo foi a utilização do uniforme novo do Flamengo. As meninas vinham utilizando uniformes de anos anteriores, e, após grande mobilização nas redes sociais, receberam novas camisas. A estreia na partida passada só não foi possível devido ao processo de aplicação do escudo da Marinha nas camisas.

    Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

    Escalações

    FLAMENGO: Kemelli; Rayanne, Renata Diniz, Ana Carol e Fernanda Palermo; Juliana (Patricia), Jane (Beatriz) e Bárbara; Rafaela (Flávia), Pâmela e Dany Helena. Técnico: Ricardo Abrantes.

    PONTE PRETA: Vanessa, Camila, Ana Rafaela, Ana Carolina, Isabela, Ana Lurdes, Lili, Ana Paula, Ana Beatriz (Raquel), Maressa e Tatiane Antônio. Técnica: Ana Lúcia.

     

    Próxima partida do Flamengo/Marinha

    O próximo compromisso do Mengão no Campeonato Brasileiro Feminino será na próxima quarta-feira (09), contra o Rio Preto-SP. A partida será realizada na Gávea, com entrada franca aos torcedores.

    Regulamento

    O Flamengo está no grupo 2, juntamente de Vitória-PE, Foz Cataratas/Coritiba-PR, Rio Preto-SP, Santos-SP, Portuguesa-SP, Audax-SP e Ponte Preta-SP. Na primeira fase da competição, as equipes do mesmo grupo enfrentam-se em turno e returno. As quatro melhores, avançam às quartas de finais, após isso, mata-mata com jogos de ida e volta. O campeão, além do troféu, garante vaga na Libertadores da América Feminina 2019.

    Créditos imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo

  • Ponte Preta 0 x 1 Flamengo | Um time tentando se entender

    Flamengo estreia na Copa do Brasil respirando novos ares, mas repetindo as mesmas manias. Prosseguiu nesta quarta, no Estádio Moisés Lucarelli ou “Majestoso”, em Campinas-SP, na mesma formação e estilo de jogo do 4-2-3-1/4-2-2-2 utilizada ao longo do jogo contra o Ceará no fim de semana, com ausência de Diego por veto médico e entrada de Geuvânio no time titular.

    Já nas primeiras movimentações, é interessante ressaltar a função mais de meia/ala-esquerda exercida por Vinicius Jr. Se manteve mais próximo à linha de meio campo, apresentando-se nas criações de jogadas e permitindo uma maior aproximação de Geuvânio à Dourado.

    Entretanto, sua péssima noite eliminou qualquer produção ofensiva pela direita durante o 1º tempo, que afetou o desempenho de Rodinei, que com a falta de criatividade apresentada mais à frente, manteve-se mais atento à marcação e pouco subiu.

    Leia do autor: Ceará 0 x 3 Flamengo | Na tática e na técnica: um time com cara de Flamengo

    Em relação à sua função no jogo contra o Ceará, Éverton Ribeiro se posicionou como meia central da equipe executando a função à sua maneira. Circulou bastante no campo ao longo do jogo, apresentando-se para tabelas e iniciando a saída de bola, além de inverter posições em alguns momentos com Paquetá. Além de voluntarioso na marcação.

    Essa movimentação trouxe fluidez à meia cancha rubro-negra. No entanto, essa flutuação ocorria em menor quantidade à frente da grande área, na “zona de pressão” (área em que se posiciona os volantes e zagueiros), o que trouxe em inúmeros momentos o recuo de Henrique Dourado para tal posição, emulando a função de ponta-de-lança, abrindo constantemente o jogo para aqueles que vinham de trás.

    E o centroavante merece um capítulo à parte.

    Muito criticado pela torcida pelo tanto que ganha em relação ao quanto que consegue produzir. Crítica de certa forma equivocada, haja vista que o atacante foi contratado com todos sabendo suas características. É um homem-gol. Possui boa capacidade de posicionamento e poder de finalização, ainda que sua performance seja guiada por seu estado emocional ao longo das partidas e provavelmente, da temporada. E um exímio batedor de pênaltis. Suas deficiências são nítidas, destacando-se a lentidão de movimentos e a baixa qualidade técnica.

    Mas já se sabia disso. E está entregando exatamente o que pode. GOLS. Se as reclamações são ao quanto que recebe, que se direcione a quem o contratou pelo preço que contratou e não ao jogador, que apresentou seu preço, como qualquer outro profissional o faria.

    Participativo, voluntarioso na marcação, forte em todas as divididas, travando batalhas com seus marcadores e as próprias pernas, recuando muito, tentando cumprir a função de meia-atacante, no limite que suas capacidades permitem. Mereceu o gol.

    Gol aliás, denominado pelo narrador da partida pela canal de TV fechada SPORTV como “gol de videogame”. E de certa forma, a referência faz sentido. E que traz outro tópico da partida: a marcação alta.

    Flamengo apresenta a tendência desde 2017 de postar-se no campo do adversário enquanto está com a posse, e ao perde-la, voltar desesperadamente à um posicionamento atrás da linha da bola, “fechando a casinha”. Linha de ação que causava desgaste no time ao longo do jogo, pela quantidade de movimentos amplos, horizontais e verticais, exercidos por todos os jogadores.

    Nesta quarta, no entanto, tomou-se a postura de continuar no campo de ataque, exercendo pressão na saída de bola adversária e encurtando os espaços ao se perder a posse. Enquanto a Ponte Preta trocava passes na linha de meio campo, ocorria a ação de “blitz” por parte de Paquetá, aparecendo como elemento surpresa na pressão à posse adversária, abandonando momentaneamente sua função de 2° volante e posicionando-se mais como meia esquerda e Cuellar centralizando à frente da defesa.

    Tal pressão gera o gol, que evidencia outra característica de um meio-de-campo ausente de um carregador de bola como Diego: passes verticais. É notória a mudança de ritmo do time, que arrisca mais passes entre as linhas de marcação com mais frequência (ainda que com muitos erros da força desses passes e no posicionamento dos receptores) em uma menor quantidade de toques na bola. Ou seja, uma trinca no meio composta por jogadores mais cerebrais que sabem o que fazer com a bola e sabem como deixar companheiros em boas condições.

    Com a marcação alta na saída da Ponte Preta mais presente, permitia espaços para contra-ataque por ter apenas um volante de ofício, já que ao se passar dessa primeira investida de marcação, o time se fragiliza pelos laterais fecharem muito ao meio devido a zaga ser lenta e velha, que pode gerar problemas futuros como ocorreu neste jogo.

    Contra-ataques esses, que por curiosidade, aconteceram por erros individuais de Cuellar e Paquetá enquanto estavam com a bola dominada, seja que em alguns momentos por excesso de confiança e preciosismo, outras pela falta de movimentação e opções para passe da equipe.

    Vale pontuar as intervenções corretas de Réver ao longo da partida e a oscilação apresentada por Léo Duarte, que supriu a velocidade necessária nesse estilo de jogo por sua juventude, teve queda de desempenho com alguns erros e a “lambança” que quase gerou o empate, salvo por Diego Alves e a trave.

    Outra mania que fica evidente da equipe é se acomodar quando está em vantagem no placar, diminuindo seu ímpeto e intensidade, chamando o adversário para seu campo. Fato que ocorreu ao longo do 2º tempo a partir dos 10 minutos. Sofreu pressão desnecessária ao ceder mais espaços aos meias da Ponte Preta trabalharem, que não tiveram sucesso devido às suas próprias deficiências técnicas e à atuação defensiva quase irretocável de Lucas Paquetá e Cuéllar, que decaiu após a exaustão de ambos.

    Que se ressalte a demora e dificuldade de leitura de jogo por parte de Barbieri. Segurou Geuvânio em campo na volta à segunda etapa, que manteve sua atuação deplorável, ainda que com considerável participação defensiva. Cedeu vaga à Jean Lucas, deslocado mais à frente e caindo à esquerda, mantendo assim o ataque da equipe tendendo para esse lado e a direita ainda inócua.

    Com mais tempo para apresentar algo, Jean mostrou confiança e seriedade, dando novo gás à equipe na marcação alta e partindo para cima da defesa da Macaca, ainda que tomando decisões imaturas em duas chances claras de gol. Normal para idade e experiência que possui.

    Porém, continuou com escolhas questionáveis ao tentar corrigir à marcação da equipe devido o cansaço do time como um todo, ao trocar Ribeiro por Pará, adiantando Rodinei pela ponta direita. Mesmo tendo o lateral em fase técnica péssima (que lhe rendeu uma “pixotada”, mesmo com pouco tempo em campo) e outras opções da própria posição ou similares, como Ederson, Arão e Marlos Moreno. Bola fora do treinador.

    E por fim, a entrada de Marlos Moreno na vaga de Vinicius Jr. Extremamente tardia, que em nada modificou o panorama do jogo.

    E claro, temos que falar de Vinicius Junior.

    Aos poucos vai se acostumando ao ritmo de jogo nos profissionais, e aprendendo a tomar decisões mais corretas a situação que se apresenta, além de polir suas jogadas individuais (até o momento, insiste muito ir à linha de fundo em confrontos 1×1). Nesse jogo, não jogou ao nível de Paquetá, Éverton Ribeiro e Cuéllar, mas manteve-se como uma força a ser temida durante os 90 minutos (com grande chance desperdiçada por cima do gol), sempre se movimentando, sempre pedindo a bola, sempre buscando jogadas mais agudas.

    Cada vez mais maduro e importante para a equipe.

    No frigir dos ovos, temos uma equipe buscando resolver suas deficiências e se entender em campo nesse novo estilo de jogo, abandonando cada vez mais o 4-1-4-1 de Carpegiani. Peca nos excessos e nas manias que insiste em manter e, principalmente, na dependência ao fôlego de Cuellar e Paquetá, na insegurança e instabilidade de leitura de jogo de seu treinador. Vitória merecida, mais difícil do que se deveria, mas que ainda traz o mínimo de evolução e perspectivas para o resto da temporada.

    Faltam 8 jogos.


     

    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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  • Ainda falta muito

    Há um tempo Flamengo entra em campo e não sabemos se vai ganhar ou perder, mas temos uma certeza: vai jogar mal

    Os jogos são mornos, chatos. Nada se cria, nada se transforma.

    Contra o Ceará, um sopro de esperança. Independente da partida ruim de um adversário que errou tática e tecnicamente, o fato é que o time de Barbieri dominou, convenceu e venceu com um bom placar. Mas ainda é muito pouco. O Flamengo de 2018 mostra pouquíssimo futebol.

    Parece tudo errado, mas o Flamengo não é exatamente um time sem ideias. É curioso ver como alguns conceitos bastante modernos do futebol estão presentes nesse time, mas muito mal aplicados. Vamos por partes.

    O trio de meio-campo

    Não é exatamente uma ideia nova, mas veio como um contraponto a uma das principais estruturas dos anos 90: o modelo Makelele-Zidane. Um destruidor ao lado de um criador. Essa era a regra. Quanto mais importância o criador ganhava, mais relevante se tornava o destruidor.

    Há mais ou menos quinze anos, times que passaram a incluir um cadenciador no meio-campo conseguiam dominar a posse de bola e, assim, controlar o jogo. Desde então, trios de meio-campo são a norma no mundo todo.

    O Flamengo de hoje copia a versão mais moderna dessa ideia, montado no 4-1-4-1. Dois jogadores organizam o time por dentro, com um terceiro fazendo a proteção atrás. Dois outros jogadores ficam abertos, cobrindo toda a faixa lateral. Foi assim que Tite ganhou o Campeonato Brasileiro pelo Corinthians e é como joga na Seleção hoje.

    Há alguns problemas na aplicação rubro-negra dessa ideia. O objetivo desse trio deveria ser controlar o jogo atraindo o meio-campo adversário para posições desconfortáveis. Forçar escolhas difíceis até que um dos nossos meias consiga se projetar por trás dos volantes, vencendo essa linha. Assim, explorar a tal entrelinha, que é o espaço entre as linhas de defesa e de meio-campo do adversário. É ali que se ganha o jogo.

    No Flamengo, vemos o oposto disso. Não há troca de posições, não há tabela nem passes rápidos. Ninguém se projeta para receber na entrelinha. Muitas ligações diretas, muitos chutões e inversões de jogo. Quando encontra qualquer dificuldade para avançar, o time tenta uma bola longa. Os meias ficam afastados, saindo para os lados o tempo todo para buscar espaço.

    Contra o Ceará, uma pequena mudança no segundo tempo. Saímos do 4-1-4-1 para o 4-4-1-1, com Diego mais adiantado e Cuellar alinhado a Paquetá. A mudança foi boa e o time rendeu, mas não devemos nos enganar: um fator que ajudou foi a formação do Ceará no 5-4-1 marcando com encaixes individuais. Isso permitiu que Diego tivesse muito espaço, mas quase nenhum time brasileiro joga nesse esquema.

    O atacante isolado

    Incluir mais um https://fla.mundobola.com/wp-admin/admin.php?page=FB-commentsjogador por dentro no meio-campo requer, obviamente, deslocar uma peça de outro lugar. O escolhido, como todo mundo sabe, foi um dos atacantes. Os anos 2000 decretaram o fim das duplas de ataque.

    Em um primeiro momento poderíamos imaginar que ter apenas um atacante aumentaria a concentração de gols desse jogador. O que se viu foi exatamente o oposto. O centroavante teve que passar a participar mais do jogo. Passou a ser exigido em diferentes situações, abrindo espaço para outros chegarem às redes. Assim, surgiu a função do falso-9 e aumentou o protagonismo para atacantes construtores, como Firmino e até mesmo Guerrero.

    Sem o peruano, o Flamengo insiste no velho perfil do homem-gol. Um cara para empurrar a bola para dentro. Dourado está longe (muito, muito, muito longe) de ser um primor técnico, mas dá certa pena dele nesse esquema.

    Esse atacante deveria servir como ponto de referência para a aproximação e ultrapassagem dos companheiros. No Flamengo, o espaço entre o meio-campo e o centroavante é tão grande que o atacante joga, de fato, isolado. Vive se debatendo entre os zagueiros, que sempre são maioria. Quando a jogada finalmente chega do jeito que deve ser, ele demonstra total incapacidade para cumprir essa função de ligação.

    Os pontas de pé trocado

    A ideia de utilizar apenas um atacante de referência forçou os pontas a entrarem mais na área. Antes, os extremos eram responsáveis por buscar a linha de fundo. Agora precisavam ser armas letais, goleadores. Precisavam ocupar as zonas próximas ao gol adversário.

    Com isso, surgiram os pontas de pé trocado. Destros jogando na esquerda, canhotos jogando na direita. Essa ideia vai muito além de aproveitar melhor a batida de fora de área. Os pontas com o pé invertido aproveitam uma posição de corpo mais confortável ao invadir a área em diagonal e finalizar a jogada, seja a partir de um drible, uma tabela ou um cruzamento do outro lado.

    Assim, os pontas precisam fazer companhia ao centroavante. É uma relação de sinergia: precisam abrir espaços para o atacante e aproveitar os espaços abertos por ele. Os novos pontas precisam pisar na área o tempo todo.

    Enquanto a jogada é construída, os pontas deveriam ser responsáveis por oferecer amplitude, que é a distância entre uma lateral e outra, esgarçando a defesa adversária. No momento de decidir, aproveitam os espaços entrando em diagonal.

    Mas no Flamengo, os dois costumam ficar abertos o tempo todo. Quase nunca se aventuram por dentro. Não criam tensões na defesa com entradas em diagonal, o famoso facão. Jogam com o pé trocado, mas abraçados às linhas laterais. Com isso, oferecem amplitude, mas não perigo.

    Contra o Ceará, Vinicius Junior fez duas corridas em facão e marcou seus dois gols. Não é coincidência. O mesmo jogo deixou claro que esse problema é ainda mais agravado quando Paquetá joga pela direita, muito longe de sua posição natural.

    Além de não entrarem em diagonal, os pontas rubro-negros jogam muito recuados. No 4-1-4-1 de Carpegianni e Barbieri, esses pontas fazem parte da linha dos meio-campo, não na linha de ataque. Com isso, oferecem amplitude no meio, mas não na última linha do adversário. Não forçam a abertura de espaços na defesa.

    Assim, um oponente que defende com duas linhas de quatro consegue neutralizar o Flamengo facilmente. Marca individualmente no meio-campo e fica com nada menos que quatro jogadores ao redor do nosso centroavante.

    Se os pontas ocupassem posições mais adiantadas, forçariam os laterais adversários a marcá-los. Assim, abririam espaços para que os laterais rubro-negros pudessem subir um pouco, mantendo a amplitude no meio-campo.

    Isso complementaria o ciclo dessa mudança tática. Com os pontas ao redor do mundo entrando em diagonal, os laterais ganharam espaço para fazer ultrapassagens buscando a linha de fundo. Foram os maiores beneficiados pelo espaço gerado. Laterais ofensivos já eram tendência no Brasil há sessenta anos, mas na última década ganharam o mundo. Não é a toa que os laterais das melhores equipes do mundo são nascidos aqui.

    No Flamengo, os laterais raramente ultrapassam. Assim, não aproveitam o espaço deixado pelos pontas e também não arrastam nenhuma marcação, o que abriria espaço para os pontas. Mais uma relação de sinergia que é desperdiçada.

    A divisão em blocos

    Parece haver um motivo para a falta de ultrapassagens dos laterais por aqui. Uma tendência mais recente, que ganhou relevância principalmente a partir das ideias de Pep Guardiola, é a divisão do time em blocos, com cada bloco responsável por uma função específica em cada fase do jogo.

    No Manchester City de Guardiola, cinco jogadores são responsáveis pela saída de bola. Os outros não passam nem perto dali. Pelo contrário, se adiantam para criar profundidade, que é a distância entre a primeira linha e a última. Assim, espaçam as linhas do adversário.

    O primeiro objetivo é levar a jogada até a intermediária de ataque. A partir dali, os blocos se reorganizam. Cinco jogadores carregam a responsabilidade de furar a defesa, com três deles divindo a missão de deixar a linha de zaga constantemente sob pressão com a busca constante das costas dos defensores. Outros três jogadores da equipe, em geral os laterais e um volante, servem como suporte. Jogam atrás da linha da bola e estão sempre preparados como opção de segurança. A ideia é poder reciclar a posse de bola. Se não deu para ir pela direita, a bola volta e circula por esse bloco de suporte até achar outro espaço. Por fim, os dois zagueiros e o goleiro formam um bloco de defesa, cuidando de um eventual contra-ataque.

    O Flamengo também se divide em blocos. É por isso que os laterais quase nunca ultrapassam. Afinal, fazem parte de um bloco recuado. O problema é que há bloco de ligação, com os volantes e pontas, que joga embolado, sem demonstrar capacidade de furar as linhas adversárias. Além disso, o bloco de ataque consiste basicamente de um centroavante lutando uma batalha impossível.

    O tal suporte, que serve para reciclar a posse, é inexistente. Quando a bola chega em um dos nossos laterais, raramente circula até voltar aos meias. É sempre uma ligação buscando o ponta do mesmo lado. O time é apressado. Quando encontra qualquer dificuldade para avançar, abusa de passes longos. Assim, o jogo não se torna mais estruturado, e sim aleatório.

    O Flamengo se divide em blocos com funções específicas, mas não há conexão entre os blocos. E talvez essa seja a parte mais importante. O sopro de esperança é ver Paquetá jogando centralizado, controlando o jogo por dentro do alto de seus 20 anos de idade.

    Conclusões

    Nada no futebol é por acaso. A necessidade de mais um jogador de meio-campo mudou o perfil dos atacantes, o que ressignificou o papel dos pontas e deu nova função aos laterais. O Flamengo está atualizado, mas parece não entender a relação entre esses conceitos.

    Tudo aqui parece aleatório. Há um caminho, mas ainda falta muito para chegarmos lá.


    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Staff Imagens / Flamengo

     

    Escrevo as análises táticas do Mundo Bola porque futebol se estuda sim! De vez em quando peço licença para escrever sobre outros assuntos também. Twitter: @teofb

     

  • Um Flamengo Moribundo

    Saudações Rubro-Negros!

     

    Passa um pouco das 10 horas da manhã de sábado, 28 de abril. Restam mais de 24 horas para que o nosso Flamengo entre em campo lá no Castelão para enfrentar o Ceará pela terceira rodada do Brasileiro. Preferi, no entanto, escrever antes de o jogo acontecer, porque os incidentes ocorridos no embarque do time para Fortaleza me parecem muito mais importantes do que qualquer resultado que saia dessa partida.

    Antes de mais nada, é preciso repudiar por completo a atitude dos caras que foram até o aeroporto agredir jogadores, promover a balbúrdia e o terror. Nada daquilo se justifica nem se pode admitir. Mas não é a primeira vez que acontece e também não será a última, uma vez que a impunidade é soberana e aquele bando de gente à toa que foi até lá tumultuar sabe muito bem disso. Todos vão escapar a qualquer punição, porque é dessa forma que as coisas (não) funcionam nessa terra de ninguém.

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    Não enxergo a mínima possibilidade de recuperação desse grupo. Olhando um pouco mais atrás, a verdade é que já não enxergava antes, mas tal e qual marido traído, preferia não admitir e seguia torcendo para que as coisas milagrosamente se ajeitassem. Me parece que não vão. Olho para os jogadores e percebo que já entregaram os pontos e jogaram a toalha; vejo neles o olhar dos derrotados, o semblante dos esgotados e moribundos. Também não acredito que a chegada de um técnico mais cascudo seja capaz de reverter o quadro, principalmente por não ver no mercado um mísero nome à disposição em condições para tanto. O Flamengo de 2018 é um morto-vivo, um cadáver semi-putrefato que irá se arrastar até o fim da temporada, e sabe-se lá como vai chegar nela.

    É óbvio que a diretoria é a maior responsável pelo que vem acontecendo nesses últimos anos. Ninguém questiona seus muitos acertos nas questões administrativas, porém a verdade é que, quando se trata do futebol profissional, o comando é um desastre absoluto. Faltam sensibilidade, senso crítico, capacidade de observação, pulso firme, atitude vencedora… falta praticamente tudo. E esses erros agora estão cobrando seu preço. Um preço bastante salgado, diga-se.

    Já falei em outros textos do que me parecem ser os motivos principais de tanta trapalhada. Mas um em especial tem me chamado a atenção nesses últimos meses, que é a falta de alguém que tome à frente para assumir as broncas sempre que isso se fizer necessário. Não há entre os jogadores ninguém com essa característica; nem mesmo os mais experientes, como Juan, Réver, Diego e Guerrero têm perfil para isso. Talvez o Diego Alves possa vir a cumprir esse papel um dia, só que sua história dentro do clube é muito curta e ainda sem brilho para tanto. É só olhar para a trajetória de cada um, para o seu histórico, para logo se dar conta de que não dá para esperar que nenhum deles tome a iniciativa de liderar um movimento para dar a volta por cima. E se não existe no grupo de jogadores quem possa ser esse cara, então é preciso buscar um técnico que o seja, só que aí voltamos àquela situação mencionada alguns parágrafos acima: quem? Eu, como já disse, não vejo opções.

    Poucas vezes na minha vida de torcedor desejei tanto estar errado a respeito das impressões que o Flamengo me passa. Contudo, infelizmente, esses anos todos me ensinaram que tais impressões se confirmam na esmagadora maioria das vezes. Só espero que as coisas não se compliquem tanto mais assim para nós, porque, apesar de tudo, o fundo do poço ainda está longe, portanto é possível que o que agora está ruim possa ficar ainda bem pior.

    SRN

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    Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL. Também escreve no blog Happy Hour da Depressão.

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  • Brasileiro Feminino 2018: Flamengo/Marinha recebe a Ponte Preta

    As meninas do Flamengo/Marinha farão o primeiro jogo como mandante em 2018 nesta quarta-feira (2), na Gávea, às 15h contra a Ponte Preta. A entrada ao estádio é gratuita. As rubro-negras querem a primeira vitória no Campeonato Brasileiro Feminino 2018, já que na estreia, foram derrotadas pelas Sereias da Vila pelo placar de 6 a 0, atuando com uma jogadora a menos durante 75 minutos.

    O time titular para esse jogo ainda não foi definido pelo técnico Ricardo Abrantes. O XI inicial da partida contra o Santos tinha: Stefane; Rayanne, Renata Diniz, Ana Carol e Raquel; Juliana, Jane e Barbara; Larissa, Pâmela e Dani Helena. Expulsa na partida anterior, a goleira Stefane está suspensa para o duelo frente à Ponte Preta.

    Arbitragem – Ponte Preta x Flamengo/Marinha

    O duelo será conduzido pelo árbitro Daniel de Sousa Macedo, auxiliado por Andrea Izaura Maffra Marcelino de Sá e Fabiana Nobrega Pitta.

    Histórico de confrontos

    Será a terceira partida entre as equipes na história do Futebol Feminino. Total equilíbrio: dois jogos e uma vitória pra cada lado. Os confrontos foram disputados no Brasileiro Feminino do ano passado.

    Gávea – Flamengo 3 x 0 Ponte Preta – Gols: Pâmela, Larissa e Jane / Moisés Lucarelli – Ponte Preta 3 x 1 Flamengo – Gol: Raquel.

    Foto: Tatiane Marques Fotografia

    O adversário

    As meninas da Ponte Preta, paralelamente ao Brasileiro Feminino, estão participando do Campeonato Paulista, onde em quatro jogos contabilizam uma vitória, um empate e duas derrotas, anotando 3 gols e sofrendo 6. No Campeonato Brasileiro, estrearam com vitória por 1 a 0 sobre o Vitória de Santo Antão.

    O time titular das paulistas na partida anterior teve: Vanessa, Isabella, Camila, Thaís, Sabrina, Thalita, Ana Paula, Isabela, Maressa, Kerolin e Luana. A camisa 11 Kerolin anotou o gol do triunfo alvinegro.

    Regulamento

    O Flamengo está no grupo 2, juntamente de Vitória-PE, Foz Cataratas/Coritiba-PR, Rio Preto-SP, Santos-SP, Portuguesa-SP, Audax-SP e Ponte Preta-SP. Na primeira fase da competição, as equipes do mesmo grupo enfrentam-se em turno e returno. As quatro melhores, avançam às quartas de finais, após isso, mata-mata com jogos de ida e volta. O campeão, além do troféu, garante vaga na Libertadores da América Feminina 2019.

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    Créditos imagem destacada: Staff Images/Flamengo