Autor: diogo.almeida1979

  • É hora de acordar

    pesar da classificação paras semifinais da Copa da Brasil não tem como ficar feliz com o futebol apresentado, principalmente no segundo tempo. O Flamengo simplesmente deu 3 gols para o Santos, todos com falhas individuais grotescas. O Flamengo quase entrega a classificação em um jogo que tinha tudo para ser tranquilo. Não tem como se animar, mesmo estando a 4 jogos do título.

    O Flamengo montou um plantel que não admite o futebol que vem sendo apresentado, o sistema defensivo não existe. Foram 2 jogos com erros idênticos, o que é inadmissível no futebol profissional. Vejam no vídeo abaixo:



     

    O Flamengo conseguiu estar duas vezes à frente do placar. Deveria jogar com tranquilidade, explorando os contra-ataques, pois quem precisava fazer 4 gols era o Santos. O time tinha que jogar com inteligência, como fez bem o Botafogo no jogo contra o Atlético-MG. Para piorar, mais uma vez, Zé Ricardo não fez a leitura correta do jogo e substituiu mal.

    A derrota tem 5 culpados: diretoria, Zé Ricardo, Vaz, Márcio Araújo e Muralha. A Diretoria sim, pois vê impassivelmente a sucessão de erros cometidos pelo nosso técnico e jogadores perebas constantemente escalados. Tem que ter pulso firme!!! Temos um bom elenco, estrutura e salários em dia para que? Apresentar esse futebol medíocre? Não se pode admitir em um elenco como o Flamengo tem, usar em um jogo decisivo Muralha, Vaz, Márcio Araújo e Gabriel. A Diretoria não pode escalar jogadores, mas pode avisar que não garantirá seu emprego se continuar escalando os perebas de sempre.

    Zé Ricardo tem jogadores mais qualificados e prefere usar os jogadores citados acima. Falta inteligência ao Zé Ricardo em usar esses jogadores, pois em qualquer resultado negativo ele atrai para ele todas as criticas. Quando poderia simplesmente não escalá-los e evitar uma pressão desnecessária. Vamos citar um a um o porquê não utilizá-los.

    O Muralha nunca poderia jogar ontem, saiu do time por deficiência técnica e volta em um jogo decisivo. Estava sem ritmo de jogo e há 13 jogos sem jogar. O pior que voltou apresentando os mesmos erros. A opção correta seria usar o Thiago. Além disso, tira o mínimo de confiança que o jovem goleiro deveria ter. Voltou sob o argumento que estava treinando bem, treino esse que o Zé Ricardo não deve assistir, sem bem que teve a coragem de dizer que o Muralha jogou bem ontem.

    O Vaz não tem condições de jogar enquanto não entender que não é o Baresi, falhou feio no segundo gol do Santos. Com a bola dominada dentro da área, chega o atacante para apertar a marcação e ele tenta sair jogando, dando origem ao escanteio em que saiu o gol Santista. O Vaz quando joga o feijão com arroz tem atuações que o qualificam a permanecer no elenco, mas prefere fazer o mais difícil sem ter condições técnicas para isso. Ontem ele conseguiu deixar o elenco todo irritado com ele, como observou o repórter Eric Farias na transmissão ao vivo:



     

    Márcio Araújo é um capitulo a parte, posso escrever uma coluna inteira sobre os motivos de não o escalar no time titular, como já fiz aqui. Temos opções melhores e que nem a NASA explica o porquê não jogam.

    Gabriel nunca poderia entrar ontem, tínhamos no banco Mancuello, Lucas Paquetá e Vinicius Júnior no banco e utiliza um jogador sem ritmo de jogo e que não tem apresentado um bom futebol há bom tempo. Concordo que tem que movimentar o elenco e colocar todos para jogar, mas não em jogo decisivo. Coloque esses jogadores para jogar em um time misto no jogo contra o Palestino, um confronto praticamente decidido.

    Chegamos a um ponto que não vejo como manter Zé Ricardo, não do jeito que está. Como já disse, temos um bom elenco, estrutura e salários, não justificando o futebol que o Flamengo vem apresentando e complicando jogos fácies. Jair Ventura que não tem o elenco e a estrutura que o Zé Ricardo tem, vem fazendo um trabalho infinitamente melhor. É hora de acordar ou iremos ter que nos contentar apenas com o título do inexpressivo Campeonato Carioca.

    Saudações Rubro-Negras,

     


    Bruno Baesso escreve no Blog Vivendo o Flamengo e também é um APOIADOR do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @BrunoCBB55

     


     


    Este texto faz parte da plataforma de opinião Mundo Bola Blogs, portanto o conteúdo acima é de responsabilidade expressa de seu autor, assim como o uso de fontes e imagens de terceiros. O Mundo Bola respeita todas as opiniões contrárias.
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  • (Já passou) A hora de mudar

     
    Há uma série de coisas para se discutir sobre o Flamengo hoje, mas acredito que não tenha nada que o rubro-negro pense mais no momento que não seja “que porra o Zé Ricardo ainda tá fazendo no comando do time?”.

    Juro pra você que sou totalmente contra campanhas para queimar técnico. Pelo contrário. Nas últimas (muitas) demissões que rolaram na Gávea eu quase sempre fiquei triste, achando que o degolado merecia mais crédito.

    Além do mais, parece coisa de criança mimada reclamar com ódio no coração do treinador de uma equipe que está na semi-final da Copa do Brasil, em 4º lugar no Brasileirão, bem cotado na Sul-Americana e que perdeu muito pouco ao longo da temporada. Jornalistas e especialistões de mesa redonda batem no peito para dizer isso.

    A equação é mesmo complicada e pode turvar olhos mais sensíveis.

    O Flamengo vem nos últimos anos vivendo uma revolução. O presidente Bandeira de Melo e seus parceiros fizeram e continuam a fazer um trabalho de reestruturação institucional inédito no futebol do Brasil. De falido, endividado e desacreditado, passamos a ser um clube rentável, que vê a dívida diminuir ano a ano, paga os salários em dia, investe em contratações milionárias e estrutura. É um fato: o Flamengo, que antes apelava para o charme de Maior do Mundo para seduzir uns zé-manés tipo Cadu, se tornou respeitado institucionalmente e imbatível à concorrência para os bons jogadores que querem retornar ao Brasil como os Diegos Ribas e Alves.

    Temos um elenco que hoje é, no papel, de longe um dos melhores que eu me lembro de ter visto vestir nossa camisa nas últimas décadas. Boa parte dos nossos reservas seriam (ou brigariam para ser) titulares em quase todas as equipes da Série A.

    Então chegamos finalmente ao Zé Ricardo.

    Nosso técnico é um sujeito muito simpático. Mesmo. Não tem a afetação insuportável de quase todos os figurões da velha guarda. Carece um pouco de carisma, é verdade, mas tem boas intenções e parece ser esforçado e estudioso. Quando assumiu a equipe como interino em um momento complicado, fez um trabalho eficiente e elogiável, juntou as peças que tinha, deu um padrão tático ofensivo que a equipe não tinha há bastante tempo. Sobreviveu no cargo jogo a jogo, acabou ganhando a confiança dos jogadores, da torcida e da diretoria que, antes receosa, decidiu que era hora de apostar no prata da casa. (Só não podemos esquecer que não conseguiram nenhum nome do primeiro time que formasse consenso entre os manda-chuvas àquela época.)

    O que vale é que o Zé Ricardo ficou, o time encaixou e lutou pelo título até o fim do ano passado. 2017 então parecia promissor. Mas a maionese azedou. Mesmo reforçado no começo do ano, o Flamengo nunca mais voltou a apresentar um futebol minimamente interessante. Pior que isso: se tornou absolutamente previsível e ineficaz. Roda a bola insistentemente de um lado pro outro para no fim lançar um chuveirinho na área. É inadmissível que depois de tanto tempo de casa, o maluco não tenha treinado QUALQUER variação tática para quando esse esquema com dois pontas falha. Sem contar que nossa defesa, que se mostrava segura em boa parte de 2016, virou uma bomba-relógio: é só esperar a hora em que vão fazer a merda todo jogo.

    Vence? Sim. Geralmente graças ao talento individual de algum jogador.

    Mas vacila. Muito.

    Encontra dificuldades contra qualquer equipe bem treinada, mesmo que com jogadores menos talentosos.

    Pior: o Flamengo 2017 perdeu a alma.

    Não acho que falte vergonha na cara dos jogadores. Parecem valorizar o alto salário que recebem. Mas é algo transcendental, gutural, inexplicável. Não tem nada que justifique a falta de pulsação que temos visto em campo. E isso, para quem é Flamengo, é mortal.

    Também não existe desculpa, treino espetacular, meritocracia ou dívida no pôquer que justifique a insistência do Zé em certas figuras e a falta de oportunidades para outras. Não vou aqui citar o óbvios Vaz, Muralha, Márc… Não vou. Parei.

    Bandeira de Mello evidentemente é um sujeito de altas ambições políticas que parecem inclusive transcender nossa Nação. Diz o noticiário político que ele quer ser o próximo governador do Rio. Em sua cruzada por uma nova forma de gerir um clube, tem cada vez mais centralizado as decisões do futebol e blinda o ex-interino que virou solução inesperada garantindo que Zé Ricardo vai continuar até o fim do seu mandato em 2018.

    Já achei bonito esse inédito respaldo. Foi importante e necessário em alguns momentos, nosso coração torcedor tende a querer sangue antes do tempo. Mas extrapolou. Virou teimosia do cartola.

    Os jornalistas-comentaristas-fodõestaristas que me perdoem com suas análises.

    Com o material humano que temos hoje e um treinador mais experiente, acho muito improvável que estivéssemos a 12 pontos do líder. Que tivéssemos caído na primeira fase da Libertadores. Que levássemos gol de pré-adolescente fugitivo da 4ª série contra o Palestino. Que o Santos quase nos impelisse outro vexame histórico essa semana.

    Isso aqui é Flamengo. No fim das contas, quando entramos em campo não aceitamos menos do que a glória.

    Por isso Zé Ricardo precisa sair. E, infelizmente, já vai tarde.

     


    Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015).

     


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  • Ou vai ou racha

     

    Hoje eu vim pra falar sobre aquele (quase) desastre contra o Santos.

    Um Flamengo e Santos não é para qualquer um, duas camisas pesadas de jogos quase sempre memoráveis. O erro foi justamente desrespeitar isso escalando quem não merecia.

    E a partir daí eu já começo a ver outra coisa no Zé, ele não está conseguindo controlar os egos do elenco, parece que está rachando entre quem joga bola e quer vencer e quem só tem vaga cativa por “lealdade” ou o que seja. Posso estar muito errado, mas o jogo contra o Santos foi muito claro nisso.

    Era pra fazer história, passar com moral, chegar com pé na cara da cachorrada no próximo jogo se a gente mete um 2×1 ou 3×1 no Santos lá dentro da Vila. No fim, tomamos 4×2 no último minuto de jogo e quase fomos eliminados.

    Agora a gente saiu como quem escapou pela arbitragem, de novo. Porque a imprensa caiu matando em cima do lance do pênalti, tudo que a “fla-press” queria, mais uma polêmica.

    Isso tem que ter doído em alguém.

    E pelas reações em campo, parece que doeu. Os jogadores que mais querem vencer reagiram negativamente a mais uma entregada do Rafael Vaz e a transformação de um jogo épico para o Flamengo em um jogo épico para o Santos, tudo isso em apenas 2 minutos.

    Muitos ali possuem nome, carreira, vontade de estar na seleção, e isso sem falar em ego e vergonha na cara, que é o mínimo. E a única explicação para o Vaz ter preferência ao Juan, é através dessa meritocracia inversa do Zé onde o pereba tem vez. A mesma explicação para Márcio Araújo. Gabriel.

    Em um lance, um jogador que não deveria ser titular nunca nesse elenco que temos, quase custou mais uma eliminação vexatória. Até quando esse tipo de jogador vai ganhar carta branca pra arruinar o time é a questão.

    A maioria da torcida tá desanimada por causa disso, povo tá cansado de ver os mesmos jogadores errando e tendo oportunidade sempre. E pior do que perder o elenco é perder o apoio da Nação.

    Só posso esperar que esse jogo contra o Santos seja o divisor de águas desse time. O elenco tem qualidade, tem jogadores vencedores, mas precisa de comando melhor em todo lugar do departamento de futebol. Ter time com elenco milionário é pra quem sabe, é melhor aprender rápido.

    SRN.

     

    George Castro é colaborador do Mundo Bola desde os primeiros dias. Já escreveu matérias no Mundo Bola Informação e agora desfila suas opiniões aqui no blog Resenha Rubro-Negra. Siga-o no Twitter: @George_CRF e @RESENHA_Mundo Bola
     

    Foto destacada nas redes sociais: Ivan Storti/Santos FC
     


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  • Há 46 anos, com assistência para gol e tentativa de intimidação vascaína, Zico estreava no Flamengo

     
    Por Fábio Justino, especial para o Mundo Bola Informação

    Como foi a estreia daquele garoto de 18 anos que viria a se tornar o maior jogador da história do Flamengo

     Foi no dia 29 de Julho de 1971 que o franzino Zico com apenas 18 anos, vestiu pela primeira vez a camisa RUBRO NEGRA na equipe profissional do Flamengo. Nosso Galinho de Quintino, estreou contra o Vasco da Gama naquela quinta feira, vestindo a camisa 9 ele deu o passe que abriu o placar para o gol de Nei Oliveira, Fio Maravilha marcou o segundo gol no finalzinho e a partida acabou 2 a 1 para o MENGO.

    Zico lança camisa da estreia – E não era a 10!

    Enquanto as rádios tocavam exaustivamente ‘Não Quero Dinheiro do Tim Maia’ e ‘Never Can Say Goodbye dos irmãos Jackson Five’ naquele inverno de 1971, o Flamengo vivia uma crise gigantesca com direito a saída de ídolo, troca de técnico e uma escassez de títulos que já beiravam seis anos. Naquela Taça Guanabara – que em nada tinha a ver com a competição atual – o Flamengo mais uma vez eliminava o Vasco da Gama, porém, terminava a competição em quarto lugar, atrás de Botafogo e América.

    — Fui chamado pelo Fleitas Solich, mal tinha acabado o campeonato da categoria de base e o Flamengo não andava bem. Ele me chamou e me colocou no time. Então não deu nem tempo de ficar nervoso, ainda mais por ser Flamengo, conhecer todo mundo e a gente já treinava algumas vezes contra o profissional, lembro de ter sido um jogo bom e muito difícil — recorda Zico.

    Em um elenco com Ubirajara, Liminha e Fio (ainda não era chamado de Maravilha) o menino Zico foi blindado dentro de campo em relação a intimidação dos adversários.

    — Lembro que quando eu comecei a jogar, comecei a tentar as jogadas, os zagueiros do Vasco – Moisés e Rene – começaram a querer intimidar, aí o Fio chegou e foi logo dizendo: “Aí, não mexe com o garoto não que a bronca é comigo” — revela Zico.

    A admiração, o respeito pelo jogador, pai de família e ídolo são facilmente percebidas nas palavras de grandes nomes que compõem a emocionante e rica história rubro negra.

    — Tenho muito orgulho por ter acompanhado a estréia do Zico, foi uma grande emoção ter visto a primeira partida do maior jogador dos tempos atuais da história do Flamengo. Zico é meu afilhado e na época foi uma pena não ter prosseguimento, ele voltou aos juniores, mas logo em 1974 voltou aos profissionais e nunca mais saiu — contou emocionado o ex-presidente George Helal.

    Apolinho, técnico do clube em 1995 e diretor de Futebol em 1998 relata: “Zico foi apelidado de Galinho pelo saudoso radialista Valdir Amaral. Como ele era muito franzino e o (já falecido) Celso Garcia insistia que seria craque, o Valdir sempre brincava perguntando pelo Galinho de Quintino. Célio de Souza – que na época cuidava da base do Vasco – queria levá-lo para São Januário, então Celso Garcia pediu socorro ao grande George Helal, que não perdeu tempo e colocou o Professor Francalacci (Preparador Físico do Flamengo na década de 70) para fortalecer sua musculatura. Na minha galeria de heróis ele figura juntamente com Zizinho e Evaristo, sem dúvida alguma, Zico é o maior ídolo da NAÇÃO RUBRO-NEGRA”.

    O Galo tem grandes recordações desta data e faz questão de demonstrar sua gratidão ao já falecido Manuel Agustin Fleitas Solich, técnico paraguaio que o lançou e esteve a frente do clube 526 vezes.

    — Foi um dia memorável realmente, vou ser grato pro resto da vida ao Solich, por ele ter me escalado, confiado em mim e me dar essa grande oportunidade de jogar pela primeira vez no profissional, como centroavante e jogando com a camisa nove — explicou.

    Com 732 jogos, Arthur Antunes Coimbra foi o segundo jogador a vestir mais vezes o MANTO SAGRADO, ficando atrás apenas de Júnior que 876 vezes entrou em campo ostentando o MANTO que ele mesmo deu o nome de SEGUNDA PELE. O Galinho marcou 508 gols, venceu 434 partidas, empatou 180 e perdeu apenas 118 vezes.
     

    Ficha do jogo de estreia de Zico:

    Flamengo 2 x 1 Vasco
    Local: Maracanã (preliminar de Botafogo x Fluminense)
    Juiz: Aírton Vieira de Morais
    Gols: Nei 20, Rodrigues 44 do 1º tempo; Fio 45 do 2º tempo.
    Flamengo: Ubirajara; Murilo, Washington (Onça), Fred e Tinteiro; Liminha e Tales (Chiquinho); Zico, Nei, Fio e Rodrigues Neto. Técnico: Fleitas Solich.
    Vasco: Andrada; Fidélis, Moisés, Renê e Batista; Gaúcho (Benetti) e Pastoril; Jaílson (Valfrido), Ferretti, Dé e Rodrigues. Técnico: Paulo Amaral.

    Fábio Justino escreveu para o site oficial do Flamengo, O Globo (Online), para o extinto Magia Rubro Negra e agora rascunha aqui no Mundo Bola. Opina lá e não deixe de seguir: twitter.com/fabiojusttino

  • Ingressos – Corinthians x Flamengo 30/07/17

    Será o terceiro jogo do Flamengo na Arena Corinthians. Nos dois jogos anteriores, em 2015 e 2016, dois êxitos da equipe paulista. Todos os ingressos para a torcida mandante foram vendidos antecipadamente para esse grande duelo, restando apenas para a torcida do Flamengo.

    Duelo: Corinthians x Flamengo

    Local: Arena Corinthians, em SP

    Data e hora: 30 de julho de 2017, 16h

    Motivo: Campeonato Brasileiro 2017 – 17ª rodada

    Portões abertos: 14h

    Ingressos

    Valor: R$ 100 Inteira / R$ 50 Meia

    Setores disponibilizados: Sul – Visitante

    Ingressos disponibilizados: 2.350

    Os ingressos serão vendidos APENAS na bilheteria da torcida visitante da Arena Corinthians, no domingo, a partir das 12h30. A bilheteria fica próxima ao Credenciamento Staff, no portão G. Será realizado fechamento das ruas e isolamento da área destinada à torcida visitante a partir das 9h, com fiscais que coordenarão, juntamente com a Polícia Militar, o acesso dos torcedores que queiram adquirir os ingressos. Será vendido apenas UM ingresso por torcedor, e o único método de pagamento é em dinheiro, não sendo aceitos outras formas, como por exemplo, em cartão.

    Curiosidade

    Em 2015: 1713 torcedores rubro-negros compareceram no setor visitante. Inteira: R$ 70.

    Em 2016: 2233 torcedores rubro-negros compareceram no setor visitante. Inteira: R$ 70.

    Créditos imagem destacada: Blog Teoria dos Jogos

    O que você pensa sobre isso?


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  • Flamengo em desintegração

     

    Olá. Já faz bastante tempo que não escrevo um texto, assim, sobre o Flamengo. Em outro momento da vida escrevia sob o nome Rondi Ramone, no Urublog do Arthur Muhlenberg. Provavelmente ninguém lembra, ainda bem, e essa informação só é importante pra eu mesmo me acostumar novamente com esta função. O pessoal me fez o convite para escrever aqui muito provavelmente por conta dos meus excessos na conta do tuíter. Como o ambiente dá forma para a coisa, um texto assim será menos histérico. O que é uma pena, a histeria é muito importante e veio para tirar a paz mórbida dos não-histéricos, dos acomodados. Não sou um grande fã de patologizar as coisas, mas é possível que o Flamengo caiba dentro de alguma dimensão da histeria, da mania, da melancolia, a depender da rodada. Do fundo depressivo da luta contra o rebaixamento até a checagem de voos internacionais rumo a Tokio, com i mesmo, é um palito. O amor próprio, narcísico, muito importante para cada pessoa exista, é excedido também por nós.

    Não tem jeito, o Flamengo tem essas qualidades. Está na encruzilhada onde Exu encontrou Eros, o deus do amor. E é por isso que cabe dizer que o Flamengo contemporâneo precisa acabar. Já está morto, falta o enterro. O Flamengo de planilhas, o Flamengo da expulsão do povo em sua própria casa, o Flamengo que se transformou em máquina de venda de tudo, que deixa o mercado contente demais, e a torcida contente de menos. Esse Flamengo não pode se naturalizar.

    Sequer entrarei na cilada, no labirinto ideológico do resultado, da eficiência. A eficiência é um relógio e o Flamengo é o tempo não mensurável, é o que acontece entre um jogo e outro. Vocês sabem que isso é verdade, não preciso lhes dizer. Não somos Flamengo apenas durante as partidas. Somos, principalmente, entre elas. E já há alguns anos foi vendida uma promessa impossível de cumprir: fazer de uma coisa profunda da alma popular brasileira um negócio. A crença na fatalidade do sucesso do mercado encontra neste Flamengo seu limite. Dinheiro não é suficiente. É preciso outra coisa, aquela palavra que nos orgulhamos, a raça. O dinheiro pode ajudar, é verdade. Deveria, até. Mas a distância entre o “Flamengo Campeão do Mundo” e a realidade de “Flamengo campeão do Youtube” é insuportável.

    A falta de talento e vibração do departamento de futebol, que transformou o amado Zé Ricardo num sujeito amedrontado e apático, é um inferno. Um inferno. A militância anti-crítica não será capaz de fazer a realidade se tornar melhor, mesmo com as conquistas em estrutura. Não dá para ser Flamengo e ter arena McFla ao mesmo tempo. Não dá para ser campeão do mundo com jogadores entediantes, com “bons números” incapazes de nos encher de tesão mesmo. Lembram disso? Tesão de ver o Flamengo jogar. Tesão de dizer que a maior torcida do mundo faz a diferença. É ela que faz com que os dirigentes de mercado tenham algo a mostrar em suas reuniões com parceiros. Sem essa torcida, amigos, o que eles teriam a vender? Nada. É a torcida e as cores fortes e revolucionárias que fazem o Flamengo ser essa potência permanente.

    Há alguns anos muitos se empenharam na operação de transformação modernizante do Flamengo, que resultou na vitória da Chapa Azul e na derrota do Flamengo arcaico representado pelo patricismo. O Brasil atual nos mostra que o passado não elaborado, não verdadeirmente superado, retorna, não como farsa, mas como adoecimento. O mesmo risco corre o Flamengo. Espero que estes dirigentes saibam da responsabilidade que têm. O Flamengo é importante demais para ser dirigido desta maneira. Existe uma enorme diferença entre a organização econômica estar a favor do Flamengo e o Flamengo existir a favor do mercado.

    Beleza. Dito tudo isso, infelizmente os medos e ansiedades do verdadeiramente querido Zé Ricardo estão atrapalhando os planos de todos nós. E ele está só. O presidente, que só enfrenta situações de confronto quando é para ofender sua própria torcida, pra não falar nos invisíveis gestores do futebol, o abandonam à cólera da torcida. Estão queimando Zé Ricardo que, por sua vez, se atira ao fogo. Torço a cada rodada que ele mude, mas a cada semana a esperança diminui. Uma pena.

    O argentino Enrique Pichon-Rivière, psicanalista, psiquiatra, inventor da psicologia social, de vez em quando usava metáforas de futebol para pensar as relações entre o psiquismo individual e social, e em outras vezes usava metáforas psíquicas para falar sobre futebol. Mágico dos trabalhos grupais, organizava jogos entre os pacientes psiquiátricos do hospital em que trabalhava, lá pelos anos 1960.

    Certa vez escreveu que o jogo – de futebol, ou a interação com o outro – acontecia antes no campo interno. O mundo interno da pessoa, o mundo interno de um grupo familiar, por exemplo. Na metáfora futebolística seria mais ou menos assim: os jogadores e a comunidade ao redor deles, da torcida aos dirigentes, se relacionam e produzem uma interação com um outro time. Cada integrante deste jogo se relaciona com os demais integrantes do próprio time, diante do outro. Internaliza funções, atribuições e sentidos, até construir uma identidade. Apenas nesta internalização de um “mim”, em relação com o próprio grupo, jogará com sentido no campo externo, sabendo mais ou menos bem o que fazeria diante do Outro geral, do outro time, neste exemplo.

    O Flamengo está desintegrado. Não tem mais uma identidade a qual construir uma imagem de si, um ideal para o qual se lança. O Flamengo atual não sabe de onde vem e nem onde quer chegar, a não ser nas boas relações com o mercado. E isso reverbera no campo externo, frágil nos momentos de ansiedades agudas, de transições importantes. Com uma parte importante dessa comunidade (diretoria) forçando uma nova identidade, as partes do corpo não se reconhecem.

    Me parece que todo dinheiro do mundo não fará o Flamengo ter potência novamente até que essa questão seja levada a sério. Se vencermos, não saberemos como, nem para quê. E isso é simplesmente deprimente.

    Deixo a pergunta: por que o Flamengo deve existir? Que sensações queremos ter com ele? O que ele significou para nós, desde crianças, desde as gerações anteriores a nós? Qual o sentido das políticas que o direcionam hoje?

    Bem, é isso. Não devo escrever com frequência, porque dá trabalho mesmo e ando mais preguiçoso.

    Saudações Rubro Negras!
     

    PS: como nos tempos de Rondi Ramone, deixo aqui uma musiquinha pra acompanhar a leitura. Chama Identity, do X-Ray Spex, e lá eles perguntam: quando você se olha no espelho, você se reconhece?
     

     
    Daniel Guimarães é psicanalista, mora em São Paulo, é um dos colaboradores do site tarifazero.org; já publicou crônicas no Blog do Torcedor do Globoesporte.com sob o pseudônimo Rondi Ramone. E é mais um no coletivo Cultura Rubro Negra aqui do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @camarada_d.

     


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  • Classificamos, mas foi uma vergonha

     
    Tudo bem, passamos pelo Santos e estamos nas semifinais da Copa do Brasil.

    Mas precisava tanto sofrimento desnecessário?

    Perdemos por 4 x 2.

    O time degringolou exatamente no momento em que dominávamos o jogo.

    Acabou a concentração.

    Por que?

    Por que o Rafael Faznada fez aquela besteira dentro da área e cedeu o escanteio para o Santos, que acabou fazendo o gol?

    Até os jogadores do Flamengo ficaram irritados com o zagueiro, que não deu um chutão, que era o correto, naquele momento.

    Nunca vi, tão claramente, os outros jogadores ficarem tão explicitamente irados com um companheiro de time.

    O que foi o Márcio Caramujo? Estava só fazendo número em campo, pois pouco desarma, não sabe dar bons passes e não chuta a gol.

    Por que escalar o Muralha?

    Ele está em má fase e falhou escandalosamente em dois gols adversários.

    Me desculpe o Zé Ricardo, a quem tanto defendo por aqui, mas não deu para entender a entrada do Muralha no lugar do Thiago. E o pior é que o técnico ainda elogiou o goleiro!

    Por que insistir tanto com o Caramujo?

    O Zé acha, de verdade, que esse cara joga bola?

    Se acha mesmo, vou mudar de opinião sobre nosso técnico.

    Já nos livramos do Leandro Caminhão e o Caramujo tem que ir embora, de preferência de mãos dadas com o Rafael Faznada.

    Um jogo nas mãos e perdemos, vergonhosamente, para um Santos que estava dominado, até então.

    Diego (foi um maestro), Berrío, Éverton, Guerrero e Cuéllar foram os destaques.

    Domingo vamos enfrentar os Gambás.

    Ainda bem que o Diego Alves deve estrear no gol.

    Se o Rhodolfo não tiver condições de jogar, melhor irmos de Juan, apesar da idade, no lugar do Rafael.

    Volantes deveriam ser Cuéllar e Willian Arão.

    Teremos a volta de Everton Ribeiro.

    Seria bom o Rodinei no lugar do Pará. A velocidade dele é uma arma para os contra ataques.

    Missão: acabar com a invencibilidade deles, lá no Itaquerão.

    Temos time para isso.

    O Flamengo, porém, tem que jogar focado do primeiro ao último minuto.

    É um jogo chave.

    Se não for assim, vamos praticamente colocar a faixa nos caras.

     
    Paschoal Ambrósio Filho é jornalista e autor de 6x Mengão e Pentatri; co-autor de 100 Anos de Bola, Raça e Paixão.


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  • Um pouco de alegria a Trinidad e Tobago

     

    No saguão do Hilton Hotel, em Porto de Espanha, a delegação do Flamengo aguardava o tempo passar. A terça-feira chuvosa de 27 de julho de 1982 já havia trazido uma boa notícia para os rubro-negros: Leandro havia renovado seu contrato, e voltaria ao time para a disputa do estadual e da Libertadores.

     Afastado do time desde a conquista do Campeonato Brasileiro contra o Grêmio, ele seria um dos desfalques do amistoso no Caribe. Além dele, Raul, recuperando-se de lesão na perna direita; e o ponteiro Zezé, que na hora do embarque foi acometido de indisposição estomacal e acabou substituído às pressas por Jason, permaneceram no Rio.

    No ônibus, a caminho do Estádio Nacional de Trinidad e Tobago, os jogadores acenavam para a população, eufórica com a visita do time que tinha Zico e Junior, dois dos magos que semanas antes encantavam o mundo na Copa da Espanha.

    Cartazes com o rosto do camisa 10 da Gávea anunciavam o duelo entre Flamengo e ASL Sports Club, time patrocinado pela Aviation Sports Limited, ambos de propriedade do milionário Arthur Suite, fundador da Trinidad and Tobago Football League’s (TTFL), uma dissidência da Liga Nacional de Futebol do mesmo país.

    O gramado pesado, a velocidade dos jogadores caribenhos – quase uma seleção caribenha reunida por Suite com a camisa do ASL – e o cansaço do Flamengo, em plena disputa da Taça Guanabara, tornaram o jogo difícil. A torcida local se dividiu entre os que apoiavam os astros brasileiros e os que se empolgaram com as dificuldades impostas pelos comandados do treinador William Kepler Santa Rosa, o Esquerdinha, ídolo do Flamengo na década de 1950.

    Três marcadores se revezavam sobre Zico, especialmente o zagueiro Brian Williams, que o agarrava, puxava pelo braço e entrava de carrinho a cada tentativa de domínio. O placar sem gols já era uma vitória para o ALS quando Veron Skinner aparou um cruzamento com um voleio, venceu Cantarelli e explodiu o superlotado Estádio Nacional aos 17 do segundo tempo. Três minutos depois, após mais uma falta de Williams em Zico, um revoltado torcedor trinitário-tobagense invadiu o campo e avançou aos socos contra o zagueiro. Saiu preso, levando pontapés da polícia local, mas aplaudido pela torcida, que com a prisão do defensor de Zico, passou a apoiar o Flamengo.

    Os campeões mundiais transformaram o último quarto do jogo em campeonato. O amapaense Jason Rodrigues Correa, que havia entrado no lugar de Peu, empatou ao marcar o seu único gol com a camisa do Flamengo. Zico virou a partida logo depois, e Antunes marcou o terceiro já no final, sob aplausos de toda a plateia. Ao final, Zico entregou sua camisa enlameada a Brian Williams, sinalizando a todos que o que acontece no campo de jogo, fica no campo de jogo.

    O ônibus rubro-negro deixou o estádio lentamente, acompanhado por centenas de torcedores que o seguiam aos pulos, gritando Flamengo, Flamengo, Flamengo, saudando aqueles jogadores a quem não veriam novamente, mas que haviam levado um pouco de alegria a Trinidad e Tobago.

     
    Mauricio Neves é autor do livro “1981- O primeiro ano do resto de nossas vidas” e também escreve no Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @flapravaler

     


     


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  • Flamengo vence Corinthians fora de casa pelo Brasileirão Sub-20

    Em partida válida pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro Sub-20, o Flamengo derrotou o Corinthians por 3 a 0 na Arena Barueri. Lucas Silva, Bill e Lincoln marcaram os gols do triunfo rubro-negro na terra da garoa na fria noite desta quinta-feira (27).

    Com o resultado, o Flamengo chegou ao seis pontos e recuperou a segunda colocação do Grupo C. O Grêmio tem os mesmos seis pontos do Rubro-Negro, mas leva desvantagem no saldo de gols (8 x 1). Líder com nove pontos conquistados, o Coritiba é o primeiro classificado do grupo. Apenas duas equipes avançam de fase.

    A definição da segunda vaga para próxima fase da competição será na próxima quarta-feira (02/08). O Mais Querido recebe o Grêmio, na Gávea, às 15h, precisando apenas de um empate para avançar de fase.

    Após ficar 15 dias sem disputar um jogo oficial, o time juniores rubro-negro foi a São Paulo enfrentar o Corinthians – eliminado na terceira rodada da competição – com a pressão de ter que pontuar para continuar vivo no torneio.

    O descanso forçado foi devido ao adiamento dos jogos finais do Campeonato Carioca. Por falta de garantia de segurança, as partidas entre Flamengo e Vasco, que estavam marcadas para os dois últimos finais de semana, seguem sem data para acontecer.

    Em tabela com Kleber, Lucas Silva recebeu no meio da zaga corinthiana, entrou na área e finalizou cruzado, abrindo o placar em Barueri ainda no primeiro tempo.

    Bill, que entrou na etapa final, tentou dar chapéu no adversário, roubou a bola e com muita categoria deu uma cavadinha para ampliar para o Rubro-Negro.

    Lincoln marcou o terceiro do Flamengo já nos acréscimos, após um novo vacilo da zaga corinthiana no recuo de bola mal feito.

    Flamengo: Gabriel Batista; Kleber, Bernardo, Rafael e Moraes; Vinicius Souza, Jean Lucas e Luiz Henrique (Bill); Lucas Silva, Gabriel Silva (Hugo Moura) e Lincoln (Samuel). Técnico: Gilmar Popoca.

    Foto: Staff Images/Flamengo


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  • Santos 4 x 2 Flamengo – Quem nasceu para vilão…

    Em algum momento do seriado Narcos, os policiais estão na cola de Pablo Escobar e têm tudo para acreditar que chegou a hora da tão aguardada captura do supertraficante. Chegam na fazenda do Wagner Moura, digo, Escobar, poucos minutos atrasados, e deixam o chefão escapar por entre os dedos. Diante da decepção de um dos policiais, o outro afirma: “Os vilões precisam dar sorte toda vez. Os mocinhos só precisam ter sorte uma vez.”

    Eu não sei se vocês são como eu, talvez eu seja doido, mas às vezes eu faço conexões com o futebol em assuntos que parecem não ter nada a ver. A primeira coisa que pensei nessa cena foi: “Zagueiro precisa dar sorte toda vez. O atacante só precisa de uma.”

    É aquela velha história… O zagueirão pode cortar tudo durante noventa minutos, ser um muro instransponível na defesa, mas dá uma pixotada no último lance e tem que sair escoltado pela polícia. O mesmo vale para goleiros e para o juiz, aliás. Já o atacante, pode não encostar na bola o jogo todo, mas se coloca no barbante a bola da vitória, sai como herói.

    Não é a toa que outro dia vi o diretor do Everton, Steve Walsh, dizendo: “Em todo o tempo que estive no futebol, eu nunca não estive procurando por um atacante”. Essa “única sorte” não acontece por acaso. E muito pouca gente nasceu pra ser herói.

    Mas quem nasceu para ser vilão, precisa estar preparado para isso. Precisa saber que a sorte, o tempo, a grama, o vento, o sol, a imprensa e a torcida vão estar contra, e precisa estar totalmente focado para não errar. Hoje vamos falar sobre isso — sobre um time que parece gostar de viver perigosamente. Vamos falar dos nossos vilões — e porque eles são dignos da Sessão da Tarde, não das séries policiais.

    Rafael Vaz

    Vamos começar pelo começo: Vaz é bom zagueiro.

    Agora vamos elaborar um pouco mais: Vaz poderia ser um bom zagueiro. Ele tem os atributos para isso. É forte, alto, razoavelmente rápido, tem firmeza, um passe razoável (pior do que ele imagina, melhor do que a torcida diz) e um controle de bola acima da média para um zagueirão de área. Como Trauco é muito frágil defensivamente e precisa de cobertura o tempo todo, não é nenhum absurdo que Vaz brigue pela vaga.

    Mas ele não se ajuda. Quando foi barrado pela primeira vez, disse não entender porque a torcida reclamava quando ele “dava chutão para a lateral, mas também quando ele tentava sair dando chapéu”. Porra Vaz! É sério que essas são as duas únicas opções que você enxerga quando tem a bola?

    Ontem o lance do nosso segundo gol se iniciou em uma linda roda de bobinho entre ele, Trauco e Everton. Ali, ele mostrou que conhece esse caminho alternativo.

    Nesse jogo, aliás, Vaz acertou 90% das jogadas. Ele sempre acerta 90% das jogadas. Mas duas ou três vezes por jogo ele erra bizonhamente. Quando alguém corrige, nada acontece e Vaz sai elogiado de campo. Quando não dá pra ninguém corrigir, ele sai crucificado.

    Alguém, por favor, avisa para o Vaz: O ZAGUEIRO PRECISA DAR SORTE TODA VEZ. O ATACANTE SÓ PRECISA DE UMA.

    Nos ajude a te ajudar, meu zagueiro!

    Muralha

    Vocês não sabem o quanto eu estou ansioso para ver o Flamengo voltando a utilizar aquele benefício de ter um jogador que usa as mãos no futebol.

    Verdade seja dita: Thiago foi muito mal na chance que teve. Ele é garoto, pode crescer, evoluir e bla bla bla. Mas demonstrou claramente que não tem condições de ser titular. Eu até defendo que Muralha seja banco com a entrada do Diego Alves. Mas esse era o último jogo antes da estreia do novo goleiro. Será mesmo que era a hora de Muralha voltar?

    Imaginem o Flamengo eliminado com frango de Thiago. Seria péssimo.

    Agora imaginem o Flamengo eliminado com frango de Muralha. Ia começar a terceira guerra mundial, mano.

    Muralha talvez seja o apelido mais irônico do futebol atual. Debaixo das traves ele não é nada demais, mas saindo do gol… Se decide, meu goleiro! Os dois gols de cabeça ontem eram dele no alto. Ainda houve um outro lance no primeiro tempo em que ele saiu caçando borboleta. Quase complicou  mais uma vez.

    Tá foda, meu goleiro!

    Zé Ricardo

    Eu já falei aqui que o futebol pode ser dividido em quatro dimensões: técnica, tática, física e psicológica. Já falei também que o Flamengo vem dependendo exclusivamente de lampejos técnicos de seus melhores jogadores, sem nenhuma novidade tática.

    Mas o que é o psicológico desse time?

    O cenário que estão pintando por aí, de que o Flamengo escapou por pouco de uma tragédia, não é totalmente verdadeiro. Controlamos o jogo durante a maior parte do tempo, e inclusive jogamos melhor em vários momentos. Mas foi só um zagueiro fazer uma merda que o time despirocou! Virou um Deus nos acuda!

    Depois conseguimos amarrar de novo e o Santos não fez nada dos 15 aos 45 minutos do segundo tempo. Aí essa galera desequilibrada tinha que tomar mais um gol só pra botar fogo, né? Só pra parecer que foi no sufoco.

    Porra, Zé Ricardo! Comanda esse time aí, meu irmão! Acalma essa rapazeada!

    Se bem que é inútil pedir isso ao nosso treinador. Ele, mais do que todos, gosta de viver perigosamente. No mundo dos vilões, Zé Ricardo é uma espécie de Tripa-Seca, do Chapolim, sempre fazendo de tudo pra se sabotar.

    A decisão de colocar o Muralha foi arriscadíssima. Como já disse, imagina o clima que ficaria se o Flamengo fosse eliminado com erro do goleiro? Pra que correr esse tipo de risco? Mas, depois disso, o comandante se superou. E eu vou até tomar um chá de camomila antes de escrever essa próxima frase.

    Ele colocou o Gabriel.

    Sim, meus amigos. Com Vinicius no banco, ele colocou o pior jogador do elenco, machucado há dois meses. Quem não lembrou daquela plaquinha subindo no Mineirão com o Mattheus Bebetinho na beira do campo ou na Argentina com o Matheus Sávio aquecendo?

    É melhor eu encerrar esse texto por aqui. Não tenho mais nada pra falar depois da entrada do Gabriel.

    O time está nas semi-finais. Enfrenta o Corinthians agora pelo direito de sonhar no Brasileiro. Mesmo assim, a torcida está escaldada.

    Quem nasceu para vilão precisa ser amigo da sorte, não ficar bricando ela.

     

    Téo Ferraz Benjamin escreve as análises táticas do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @teofb


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