Autor: diogo.almeida1979

  • A covardia do “Eu disse”

     

    Eu disse! Eu tinha razão! Tá vendo? Se pudesse dar um nome para a escalação deste domingo, Zé Ricardo
    escolheria entre as três primeiras frases desse texto. Sabem por que? Porque ontem, o Zé Ricardo deixou de ser apenas um treinador contestado. Ontem, o Zé Ricardo foi covarde.

    Com a escalação, Zé Ricardo fez a torcida pensar que ela havia vencido a teimosia do treinador.

    Mas talvez pela euforia da barração do Marcio Araújo, talvez pela grata surpresa do time “pra frente”, o torcedor não leu as letras miúdas, não enxergou o efeito colateral que estava escondido naquela formação.

    Zé Ricardo colocou apenas um volante, justamente o volante que se caracteriza positivamente pela chegada surpresa na área adversária, quando tinha Rômulo e Cuéllar que se caracterizam muito mais pelo poder de marcação. A zaga ficou exposta e só não passamos mais sustos no primeiro tempo porque o Vitória não chegou tanto.

    Além disso, Zé começou o jogo com 2 jogadores vindos de lesão. Um deles foi bem, o outro muito mal. Era consenso que Berrío merecia a vaga, tinha muito mais poder de recomposição e velocidade.

    Mais que isso: se jogaríamos com 1 volante e se Trauco não vive boa fase, porque não escalar Renê, que marca muito melhor e da maior proteção pelo lado esquerdo, liberando o Éverton um pouco mais?

    A escalação “pra frente” acabou por iludir o torcedor. Torcedor apaixonado, que sabe torcer, mas que não é obrigado a entender tanto de tática e, obviamente, vem sedento por mudanças, vem sedento para ver todos os craques em campo.

    Zé Ricardo era um estudioso, uma aposta que vinha dando certo e passava por uma péssima fase. Ontem, ele largou suas convicções, suas ideias e, simplesmente, fechou os olhos para as consequências de uma formação tática que, para dar certo, precisa de treinamento e confiança. Treinamentos são escassos por conta do número de jogos. Confiança passa longe do atual momento do clube. Deixou de levar pela teimosia para pecar pela inconsequência.

    É hora de mudar. Ainda temos duas competições com possibilidades de título. Ainda dá tempo. Mas a inércia da diretoria parece querer testar os corações rubro-negros.
     

    Felipe Foureaux escreve todas as quintas-feiras no Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @FoureauxFla
     

    Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo


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  • Pressionado por resultados ruins, Flamengo busca recuperação diante do Vitória

    Na manhã deste domingo (06), pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Flamengo recebe o time do Vitória, na Ilha do Urubu. É a segunda vez que os comandados de Zé Ricardo entram em campo às 11h. A primeira vez na Ilha do Urubu, já que contra o Botafogo, pela 4ª rodada, mesmo exercendo o mando, não fora possível realizar a partida no estádio, por conta da não obtenção de todas as licenças necessárias.

    O jogo contra o rubro-negro baiano marca o pior momento da relação entre time e torcida, depois do fracassado tour de três jogos em terras paulistas, com duas derrotas para o Santos — a primeira na Vila Belmiro (e válida pela Copa do Brasil), e a segunda no Pacaembu –, entre os dois reveses, um empate com gosto amargo com o Corinthians, na casa do líder do Brasileirão.

    Nas redes sociais, o técnico Zé Ricardo e o volante Márcio Araújo são os mais criticados. As últimas atuações de Diego, muito por causa do pênalti perdido diante do Palmeiras e o gol incrível desperdiçado com o goleiro corintiano Cássio batido, também o tornaram alvo de críticos mais radicais.

    O desembarque no Aeroporto Santos Dumont teve protestos acalorados. Em uma discussão com um torcedor, Guerrero quase foi às vias de fato. Os muros do Ninho do Urubu também apareceram pichados.

    A situação na tabela não é mesmo nada confortável para o caríssimo elenco montado por Rodrigo Caetano. Com 29 pontos, o Fla já está a 15 pontos do líder Corinthians, e em quinto lugar na tabela de classificação. Mesmo que vença e o quarto colocado Palmeiras perca nesta rodada, não terminará a frente pelo critério de número de vitórias: o alviverde ficaria ainda com duas a mais.

    Caso empate com o Vitória, pode ser ultrapassado pelo Sport, se este conseguir tirar a invencibilidade corintiana na Arena Itaquera. Se o Flamengo fizer a “proeza” de perder pode terminar até mesmo fora do G6, basta uma vitória em casa do Cruzeiro sobre o Botafogo.

    No último treino em Vargem Grande, ninguém do time ou do clube falou em coletiva com a imprensa. O momento é de forte pressão e os ânimos pouco serenos foram as justificativas para o silêncio dos jogadores e Comissão Técnica do Mais Querido.

    Guerrero é desfalque certo contra o Santos. O atacante sentiu ainda no primeiro tempo do jogo no Pacaembu. Felipe Vizeu é o substituto natural do peruano. Paolo realizou exame de imagem e foi constatada lesão muscular na parte posterior da coxa direita. O atacante já iniciou tratamento mas o departamento médico, como de rotina, não previu o tempo de recuperação. Contudo, nos bastidores a expectativa mais positiva é que o tempo no estaleiro dure 15 dias.

    Com desfalques importantes, o Vitória não vai contar com os lesionados Cleiton Xavier e Carlos Eduardo, aquele mesmo que chegou ao Flamengo como grande contratação em 2013. O volante de destaque Uillian Correia, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, será outra ausência bastante sentida. Willian Farias, Thallyson, Kieza, José Welison e Fred completam a longa lista de atletas que não têm previsão de retornarem ao time.

    O técnico Vagner Mancini completou apenas dois jogos sob o comando do rubro-negro baiano e já colhe um início promissor de trabalho. Na última rodada o time voltou a vencer no Barradão após dois meses, 3 a 1 na Ponte Preta. Antes, arrancou suado empate no Mineirão contra o favorito Cruzeiro. Na 19ª posição da tabela, o Vitória agora está a quatro pontos do seu maior rival, o Bahia, que também é o primeiro time fora da zona de degola do Brasileiro

    Ficha Técnica

    Provável time do Flamengo: Diego Alves, Pará, Réver, Juan e Renê; Márcio Araújo, William Arão e Diego; Everton Ribeiro, Everton e Felipe Vizeu.
    Provável time do Vitória: Caíque, Caíque Sá, Kanu, Wallace e Juninho; Renê Santos, Yago, Tréllez e Danilinho; Neílton e André Lima.
    Data: 06/08/2017
    Local: Ilha do Urubu – Estádio Luso Brasileiro
    Horário: 11h
    Árbitro: Raphael Claus (SP/FIFA)
    Assistente 1: Alex Ang Ribeiro (SP/CBF)
    Assistente 2: Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo (SP/FIFA)
    Quarto árbitro: Alberto Poletto Masseira (SP/CBF)

    Foto: Gilvan de Souza / Flamengo


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  • Fla Imperadores vai a Belo Horizonte em busca de primeira vitória

    Após duas derrotas em dois jogos, a equipe do Flamengo Imperadores vai a Belo Horizonte em busca de sua primeira vitória na conferência sudeste do Brasileiro de Futebol Americano. Em campo, enfrentará a forte equipe do SADA Cruzeiro, que vem muito bem até aqui. O Kickoff será às 18h00.

    Na partida anterior, derrota por 30 a 16 conta o Rio de Janeiro Patriotas. Pro jogo deste sábado (05), a equipe vai desfalcada de Hebert, Linebacker. Em contrapartida, terá a volta dos Cornerbacks titulares e do OL, que perdeu o jogo passado por conta de uma lesão nas costas. O ataque vai completo.

    O adversário é duríssimo, e venceu seu duelo contra o Minas Locomotiva por 42 a 0. Felipe Castro, presidente e jogador do time, conversou com o Mundo Bola sobre o adversário:

    “O SADA vem fazendo um grande trabalho principalmente nas contratações. Eles têm que se acertar ainda em algumas coisas. Eu acho que o jogo será fantástico. Eles têm, principalmente, jogadores nacionais de excelente qualidade, de seleção brasileira. Será um jogo mega duro”.

    O jogo será no Sesc Venda Nova, em BH, e terá transmissão ao vivo no página oficial do Cruzeiro e também na do SADA FA.

    *Crédito da imagem destacada: Flamengo Imperadores

  • O foco

     

    Tenho em mim todas as dúvidas do mundo, mas uma certeza absoluta: a Copa Sul-Americana deveria ser a nossa prioridade. Já pensava isso mesmo antes de mais uma semana previsivelmente catastrófica que soterrou qualquer esperança maluca de sobrevida no Campeonato Brasileiro que o fato de sermos torcedores, e com isso acreditarmos em arrancadas épicas até quando nosso time sofre para bater o lanterna com um jogador a menos, poderia nos dar.

    Sim, pessoal, (infelizmente) estou afirmando com todas as letras: a real é que o Brasileirão desse ano para nós se resume a garantir lugar no G6 e, se muito, tentar recuperar uma vaga no G4, algo que com a bola que estamos jogando hoje já estaria de bom tamanho.
    Mas 2017 não acabou. Nossa Síndrome de Estocolmo com o Flamengo nos mantém com uma esperança ignóbil e incontrolável de ganhar os torneios em que ainda estamos de fato vivos. No caso, as Copas do Brasil e Sul-Americana.

    Claro que está mais “fácil” ganhar a Copa do Brasil. Já estamos na semi-final e vamos encarar o Botafogo, e, em se tratando de encarar o Botafogo, é natural que tenhamos uma irresistível certeza que passaremos para a final. Que provavelmente será contra o Grêmio já que o Cruzeiro, adversário deles, é treinado pelo Mano Menezes e, bom, o Mano Menezes tem mais é que… Perdão, me descontrolei.

    Mesmo assim, insisto, nossa prioridade e foco absolutos deveriam ser a Sul-Americana, onde na próxima quarta-feira nos classificaremos para as oitavas despachando, se não quebrarmos o recorde mundial de vacilagem, o tão simpático quanto nanico Palestino, nessa doce oportunidade que a vida está nos dando de consertar a cagada colossal que fizemos no ano passado numa trágica noite em Cariacica.

    O motivo da minha predileção por essa competição, a “Série B” das copas continentais, é muito simples. Entra ano e sai ano e nós temos nos mantido obcecados com a Libertadores, onde invariavelmente passamos vergonha. Admitir isso é duro, dói, mas é a mais pura verdade e um primeiro passo para mudar. Nossa última campanha decente por lá foi, vejamos… Humm… Não lembro.

    O Flamengo tem por obrigação e DNA ser protagonista. Carioca e brasileiro. Continental e mundial. Intergaláctico. Somos mais de 30 milhões de torcedores. Isso é mais que dois terços da população da Espanha, então, porra, Barcelona e Real Madrid que nos respeitem.

    O fundamental processo de recuperação estrutural que o clube vem passando nos últimos anos tem que ter isso como Norte e, assim sendo, a Sul-Americana nos serve brilhantemente como estágio para voltarmos a encarar compromissos internacionais decisivos com responsabilidade e competência que não demonstramos nas últimas vezes que tivemos oportunidade.

    Precisamos encarar a Sul-Americana não como um campeonato de consolo que entrou no nosso calendário depois de mais uma decepção na Libertadores desse ano, mas como uma chance de avisar para a América do Sul: nos respeitem, estamos voltando.

    Não faz sentido chegar na Libertadores 2018 — se tudo der certo e o Zé Ricardo Crew não nos fizer enfartar — sem a confiança que vai ser diferente. Que vamos conseguir brigar para ganhar de verdade.
    Acreditem em mim: vencer a Sul-Americana é fundamental para enterrarmos esse Complexo de Guanabaristas que insiste em tentar se apossar de nós.

    ***

    O problema de querer vencer copas, e isso serve tanto para a do Brasil quanto para a Sul-Americana, é que time que vence copa é time que se supera. Que tem brio, sangue nos olhos e coração na ponta da chuteira, algo que deveria ser natural para qualquer equipe vestindo o manto sagrado, mas… Zé Ricardo vem se revelando um tremendo especialista em acabar com o pouco dessas características que ainda sobrou no nosso elenco.

    Foto: Conmebol / Divulgação

    Resta rezar para que a Magia Flamenga, aquela que transforma sapos em príncipes, garotos em guerreiros, beija-flores em urubus, faça nosso esquadrão despertar do coma.

    Será imenso o desafio.

    Ainda mais sem o Maracanã como catalizador para assombrar os outros, afinal não somos um time que tem torcida, mas uma torcida que tem um time.

    O Flamengo precisa voltar a ser Flamengo. Apesar do Zé Ricardo no comando.

     


    Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015).

     


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  • Mengão da integração – do Gerdau ao Talismã

    Ninguém sabe ao certo quando ele apareceu. Aliás, nem ele. Muito tempo depois, perguntado, disse que estava caminhando pela rua e viu algumas pessoas de camisa do Flamengo conversando na porta do bar. Resolveu entrar e descobriu que ali passava o jogo. No jogo seguinte, já veio com o Manto. Não era um Manto último tipo, com câmbio automático, câmara de ré, central multimídia, mas ainda assim era um Manto, com alguns anos de fabricação, aliás não sei nem se era um Manto 0km ou seminovo, só sei que era um Manto porque eu o vi vestindo muitas vezes.

    Ele chegava sempre com a bola rolando, mesmo naqueles jogos que começam depois da novela. Quando estava vazio, sentava na frente, nas mesas mais perto da TV. Quando estava mais cheio, sentava em qualquer lugar, mas sempre sozinho, não conhecia ninguém. Mas aos poucos a gente foi percebendo a presença dele, porque ele estava sempre mais alegre do que a gente, muito embora a gente tivesse bebido litros de cerveja, ele sempre ria mais, a gente xingava, ele sorria, a gente ficava puto, ele sorria, o Flamengo levava gol, bom, ele não sorria, mas também não fazia discursos ou apontava culpados.

    Um dia ele chegou e no minuto seguinte o Flamengo fez um gol. Ambiente de torcida é assim, a melhor coisa do futebol é abraçar todo mundo, aquele abraço que a gente às vezes não dá nem no pai ou no filho, mas dá com gosto naquela pessoa que você nunca viu. Como ele é pequenino, o Palácio pegou ele no colo, começou a gritar “porra, você é o nosso talismã, você é o talismã”, ele adorou aquela intimidade, dali em diante passou a ser o Talismã, em torcida é assim também, quase ninguém tem nome, o Palácio também não se chama Palácio, o Talismã é claro que não se chama assim, mas não tem ninguém que saiba o nome dele — bom, eu demorei para descobrir.

    A gente aos poucos foi sabendo da vida dele… tava na cara que ele não era abastado, mas a gente quis saber mais, quem sabe, não se deve julgar ninguém pela aparência. Ele sobrevive vendendo churrasquinhos no espeto na porta de um hospital público, daqueles hospitais que a TV adora ir lá filmar os pacientes moribundos nas filas intermináveis. Vejam, ele não vende churrasquinho na porta do Beira-Rio ou do Teatro Opinião, vende na porta de um hospital, amenizando o sofrimento dos ainda mais sofridos que ele.

    A gente descobriu que ele não tinha TV. Um amigo tinha uma TV usada, resolveu presenteá-lo, perguntou o endereço, chegando lá não entendeu porra nenhuma, era um estacionamento, ligou para conferir, o Talismã mandou o amigo andar até os fundos, tinha uma espécie de barraco em PVC ou coisa parecida, o Talismã mora ali, sozinho, na companhia dos seus apetrechos de mestre do espetinho.

    E por que estou contando essa novela toda? Porque eu tenho lido muita coisa estarrecedora sobre o Flamengo e tenho relevado, em geral são coisas de garotos às voltas com as precocidades da adolescência ou então grunhidos selvagens, mas tudo vem contido na barreira sanitária dos 140 caracteres, I can handle!

    Mas outro dia li aqui mesmo nesse Mundo Bola, que me dá a honra de poder publicar umas besteiras de quando em vão, um texto que me aborreceu demais. De verdade.

    Nada contra o Rondi Ramone, que aprendi a admirar quando ele escrevia no Urublog, eu mesmo escrevia lá de vez em quando, eu não conheço o Rondi, nunca falei com ele, ou se se falei esqueci, mas temos dezenas de amigos em comum e o texto dele rendeu dezenas de “ahs”, centenas de “ohs”, milhares de homenagens, apoios entusiasmados, aplausos efusivos e tudo o mais que de elogioso houver para a tese que ele sustentou com coragem, de que o Flamengo está em desintegração.

    Leia: Flamengo em desintegração

    Em síntese — e para não ser injusto, eu vou transcrever ao pé da letra o que disse o Rondi – afirma o texto: que o Flamengo contemporâneo precisa acabar; que o Flamengo de hoje, de planilhas, de expulsão do povo de sua própria casa e que se transformou em máquina de venda de tudo, deixa o mercado contente e a torcida descontente; que o Flamengo não tem mais uma identidade a qual construir uma imagem de si, um ideal para o qual se lançar, não sabe de onde vem e nem onde quer chegar, a não ser nas boas relações com o mercado. E dizendo que a diretoria força uma nova identidade com a qual as partes do corpo não se reconhecem, finaliza afirmando que todo dinheiro do mundo não fará o Flamengo ter potência novamente até que essa questão seja levada a sério, pois se vencermos, não saberemos como, nem para quê.

    Normalmente não dou muita trela para essa cantilena de que o Flamengo perdeu sua identidade, que o futebol se elitizou, que é a era da Fla-Selfie, que bom era no tempo da geral, do mijo na cabeça, da arquibancada de cimento, que saudade do Gerdau gritando “olha o meio”. Tenho meus motivos para ignorar esse saudosismo, que é típico de quem nunca viveu o perrengue do velho Maraca e não faz a mínima ideia de quem é (ou foi) Gerdau.

    Mas esse texto do Rondi não tô a fim de deixar passar em branco não. Porque, convenhamos, não é uma platitude qualquer, é uma platitude adulta, refinada, erudita, elaborada, estruturada de forma refletida e fria, em uma embalagem sofisticada.

    Tem algo em comum entre todos esses militantes em busca da nossa identidade perdida. É gente como eu, estudada, de classe média, que bebe cerveja e vinhos caros, que curte gastronomia, que tem camisas oficiais novinhas, que tem smartphones modernos, que frequenta lugares descolados, mas que se arvora falar em nome de outros rubro-negros, advogam em nome de Gerdaus imaginários, que julgam excluídos e que juram que retornarão aos montes às arquibancadas quando o ingresso for R$ 10, R$ 20 ou, vá lá, R$ 100,00 mais barato.

    Não quero cometer o mesmo erro deles e tomar partido de todos os Talismãs Brasil afora, afinal o que mais tem por aí é Talismãs, humildes rubro-negros que jamais foram a um estádio, mas de um Talismã em particular, o nosso Talismã, o Talismã da FLA RS, desse eu posso falar com tranquilidade, afinal eu convivo com ele toda semana.

    Ele tem algo entre 50 e 60 anos, nasceu em Santa Catarina, esse enclave abençoado da Região Sul pródigo em gerar rubro-negros, já há tempos está por aqui nos pampas vendendo seu churrasquinho maroto. Mas o sonho da vida dele era um dia viajar para ver o Flamengo jogar, essas promessas que bêbado faz a gente fez, garantimos que iríamos levá-lo ao Maracanã, tá na lista, acho que ainda vamos cumprir, desde que Maracanã haja.

    O Luiz, nosso Embaixador, gaúcho de boa alma, coração melhor ainda, que ao contrário do Talismã ia ao Maracanã desde pequeninho, não exatamente para torcer, mas porque a mãe tinha se mudado para o Rio, trabalhava de ambulante no Maracanã, não tinha com quem deixar as crianças, aí foi deixando o Luiz na arquibancada, ele apertando os olhos de 12 graus de miopia foi prestando atenção no Zico, foi ficando cada vez menos gaúcho e cada vez mais Flamengo, enfim, um dia o Luiz voltou para o Sul, trabalhou duro, melhorou bem de vida e achou que não era justo que o Talismã fosse esperar eternamente os bêbados honrarem a promessa, o Luiz descobriu o nome do Talismã, comprou uma passagem para Curitiba, deu uma camisa da FLA RS para ele e foram todos para a Arena da Baixada na Libertadores, Matheus Sávio, Gabriel, essa parte vocês já sabem.

    Tive a sorte de ir para Curitiba em outro voo, quem foi no voo do Talismã chegou lá com os olhos marejados porque o Talismã, que nunca tinha andado de avião, foi contando suas histórias e desfilando sua simplicidade, nunca perguntei os detalhes, só sei que todos se emocionaram.

    E sabem porque eu tô contando essa história imensa? Porque o Talismã realmente conseguiu materializar a tal identidade rubro-negra, essa mesmo que o Rondi e tantos outros dizem que está desintegrada, irreconhecível e expulsa da própria casa.

     

    Só que ao contrário da identidade imaginária que rende debates acalorados, a identidade rubro-negra do Talismã vai ser de PVC, do mesmo material da sua casinha nos fundos do estacionamento. O Luiz, já disse aqui, um homem bom, ajudou o Talismã a preencher uma proposta de um cartão de crédito de limites modestos, mas não tão modestos que não caibam uma mensalidade de um plano de Sócio Torcedor, fez um e-mail para o Talismã, que nem e-mail tinha, preencheu o formulário no site. E assim, com essas modernidades todas, o Talismã está virando sócio-torcedor do Flamengo, sua maior alegria é essa aí, carregar a identidade do Flamengo no bolso, logo vai chegar pelo correio, ele juntando as moedinhas dos churrasquinhos para pagar a fatura todo mês.

    Escolhas, sempre elas. Não estou bem certo de que ingressos a R$ 20,00 trariam de volta hordas de Gerdaus e tornariam mais felizes suas tardes de domingo. Mas tenho plena convicção de que times ricos podem deixar o mercado contente, mas deixam muito mais contentes ainda os Talismãs, porque tendem a ser vitoriosos.

    E quando as vitórias e conquistas vierem (e elas virão, incréus, não desanimem) vocês poderão teorizar à vontade sobre seus propósitos, mas o Talismã não tem tempo para esses luxos, vai só chorar de emoção, é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, para ele, se Deus quiser, sempre haverá muito o que comemorar e churrasquinhos para vender.

     
    Walter Monteiro é advogado com MBA em Administração. Membro das Comissões de Finanças do Conselho Deliberativo e do Conselho de Administração do Clube de Regatas do Flamengo. Escreve sobre o Flamengo desde 2009, em diferentes espaços.


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  • Esqueçam o título brasileiro

     

    Em menos de uma semana, perdemos duas vezes de virada para o Santos.

    Agora, estamos há 15 pontos dos Gambás e podemos esquecer o título brasileiro.

    Pelo menos se continuarmos perdendo jogos dessa maneira. Dominamos, marcamos gols (apesar de perder muitos) e entregamos.

    Nossa defesa está caótica! Nos sete últimos jogos, O Fla levou treze gols!

    O pior é que os gols que levamos são praticamente iguais. Ou em bolas cruzadas dentro da área ou em bolas lançadas no meio dos zagueiros.

    Não é só a defesa que falha. Nosso ataque, repito exaustivamente, perde muitos gols.

    Diego tirou quatro pontos do Flamengo.

    Só o Diego, perdendo um pênalti contra o Corinthians e desperdiçando outro gol feito diante do Santos, nos tirou quatro pontos.

    E ainda tem torcedor que, depois de lances bizarros ainda gritam o nome dele. Têm que xingar, cobrar!

    E a culpa é só do Zé Ricardo?

    É dele também, que não arruma o nosso setor defensivo e insiste nesse tal de Márcio Caramujo.

    O Zé vai acabar rodando abraçado com o camisa 8, a quem ele tanto ama.

    Pelo investimento que o clube fez com jogadores de altíssimo nível, essa campanha está ridícula.

    Vexame em cima de vexame, sem falar da melancólica eliminação da Libertadores.

    Sinceramente, não sei mais o que falar deste Flamengo estrelado, que joga como um time mediano.

    Apenas temos lampejos de timaço e, quando isso acontece, os adversários tremem.

    Falta regularidade ao Flamengo.

    Eu queria tanto fazer uma coluna falando bem do time…

     
    Paschoal Ambrósio Filho é jornalista e autor dos livros 6x Mengão, 100 Anos de Bola, Raça e Paixão e PentaTri

    Imagem do post e destacada nas redes sociais: Staff Images / Flamengo

     


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  • Reflexões sobre um Flamengo à procura de rumo

     

    Por Oldon Machado
     

    Quinta-feira, 3 de agosto de 2017. Dia com o sabor amargo da ressaca moral. Com a dureza do choque de realidade. Com a frieza da ducha de água gelada de um mundo como ele é, e não como deveria ser. Vale para o Brasil, vale para o Flamengo. Falarei rapidamente sobre este segundo, cujo futuro pelo menos ainda me traz algum tipo de esperança, embora o presente exija reflexões.

    O Flamengo reestruturado institucionalmente, recuperado financeiramente e incensado administrativamente passa, sim, por uma crise de identidade. Dentro e fora dos campos. Talvez uma crise menos grave que a de tempos atrás, quando as perspectivas eram desanimadoras em quase todos os níveis e áreas, mas não menos importante de ser discutida, avaliada e devidamente tratada.

    Fora das quatro linhas, o problema principal passa pela transição da Era Maracanã para a Era do Estádio Próprio – neste primeiro momento representada pela casa provisória na Ilha do Governador. Como ajustar a demanda cada vez maior de um público diverso e gigantesco, como é a massa rubro-negra, às necessidades de caixa do clube? Como garantir as maiores receitas financeiras possíveis com a realização de jogos sem alijar parte do povo flamengo do seu time de coração? Essas e outras questões estão em aberto, e se colocam a cada partida jogada numa Ilha do Urubu de parcos 20 mil assentos, quase sempre não preenchidos na sua totalidade em virtude de preços praticados acima da média.

    Mas a questão que mais aflige o torcedor, hoje, está situada dentro de campo, curiosamente a área na qual menos se depositava preocupação à medida em que o belo elenco que temos atualmente vinha sendo construído – ok, construído no meio da temporada, mas mesmo assim a tempo suficiente de entregar resultados. Eliminado precocemente da Libertadores e claudicando no Brasileirão, o Flamengo vive uma realidade distante das suas pretensões iniciais. Futebol débil, time em constante mutação e sem padrão tático algum, desempenho técnico sofrível dos principais nomes, insistência na escalação de nomes menos cotados, atuações regularmente fracas do conjunto, técnico demonstrando cada vez menos repertório. O lugar no G6 tem cara e jeito de meio de tabela. O viés, inegavelmente, é de baixa.

    Além de discutir as pessoas – que podem e devem ser cobradas no dia a dia, especialmente quando têm todas as condições estruturais de trabalho à disposição –, talvez seja o caso de também se discutir as filosofias, no plural.

    Discutir a filosofia do comando do futebol, que parece se apegar a uma profecia irrefutável a ser confirmada a qualquer custo, mesmo quando os fatos esfregam na cara de todos um quadro totalmente oposto. Arrogância típica de quem se vê como um doutrinador de teses no cargo de gestor, justamente quando a gestão mais carece de ideias arejadas. Discutir a filosofia da torcida, que viu no poderio financeiro uma porta de acesso direto às conquistas de tudo – os tais “entreguem as taças” e “Brasileiro é obrigação”. Arrogância típica de novo rico premiado na Mega-Sena, que na euforia tem a certeza de que o dinheiro tudo pode comprar, sem enxergar que valores imateriais são inegociáveis em papel moeda.

    Os conflitos que circundam o Flamengo nos dias de hoje têm um quê de existenciais, de foro íntimo-institucional, e refletem, ao meu ver, um clube em mutação, saído de (muitos) anos amadorísticos e vislumbrando uma fase duradoura de liderança. A ansiedade pelos resultados crescerá à proporção em que as finanças polpudas resultarem em cifras de investimentos cada vez maiores, em um aparato infraestrutural cada vez melhor e em contratações cada vez mais midiáticas.

    Lidar com a pressão é natural para quem vive diariamente o Flamengo, da arquibancada aos gabinetes, mas lidar com a obrigação do protagonismo é algo ainda a ser melhor ajustado na cabeça de dirigentes, dos membros da comissão técnica, dos jogadores e da torcida – seja o mais abastardo que pode ir a todos os jogos, seja o menos favorecido que vê e sofre de longe.

    Se o virtual campeão brasileiro de 2017 se autointitula realisticamente como “o time que sabe sofrer”, o Flamengo rico, teimoso, trôpego e perdido de 2017 poderia se assumir, num ato de sincericídio, como “o time que (ainda) não sabe ganhar”.

    SRN

     
    Carioca, jornalista, flamenguista, cervejeiro e pai do Theo, não necessariamente nessa ordem. Siga-o no Twitter: @OldonMachado. Escreve no Blog do Oldon.

    Imagem do post e destacada nas redes sociais: Staff Images / Flamengo

     


     


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  • Com viaturas na porta, treino do Fla tem voltas e perdas importantes

    Após derrota indigesta, desembarque tenso e pichação no Ninho do Urubu, o Fla voltou a treinar na manhã desta sexta-feira visando o duelo do final de semana contra a equipe do Vitória, que acontecerá na Ilha do Urubu, às 11h00.

    Enquanto alguns jogadores chegavam ao CT, seis viaturas da polícia militar faziam a segurança para que não ocorresse nenhum tipo de problema envolvendo alguns torcedores que pacificamente viam os atletas chegarem para o treino. A necessidade do policiamento se deve pelo clima tenso que os jogadores viveram no desembarque de ontem (03), com torcedores reclamando e protestando enfurecidamente após a derrota por 3 a 2 contra a equipe do Santos.

    Conforme os jogadores foram chegando, a quantidade de viaturas e torcedores iam diminuindo. Com o treino rolando, a novidade foram as voltas do zagueiro Rhodolfo e do ponta Geuvânio. Que tinham se lesionado. O zagueiro pode voltar em momento tenso para o setor defensivo rubro-negro, que sofreu 8 gols em três jogos no período de uma semana.

    Enquanto chegava a boa notícia do retorno dos dois atletas, do DM veio uma ruim. Após ser reavaliado, foi confirmada uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita de Guerrero. O atacante tinha sentido com poucos minutos de jogo de deu lugar para Vizeu, que marcou o segundo gol da equipe no duelo passado. Com isso, o jovem deve ser o titular no embate com o rubro-negro baiano. O tempo de recuperação do peruano ainda não foi informado e ele já iniciou o processo de fisioterapia. Como é uma lesão comum, a estimativa é que ele fique de fora mais do que apenas da próxima rodada.

    *Créditos da imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo


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  • Boa, garoto (ou A maior defesa não conhecida de Zé Carlos)

     

    O Flamengo iniciou o campeonato carioca de 1986 com um time estrelado. Uma goleada de 4×1 contra o Fluminense, com três gols de Zico e o auxílio luxuoso de Mozer e Sócrates, resguardados lá atrás pelo bom e velho Cantarelli. Mas o time que chegou a decisão contra o favorito Vasco da Gama, de Roberto Dinamite e Romário, artilheiros do campeonato, não teria Zico, Sócrates, Mozer e Cantarelli. Teria ainda Leandro, Andrade e Adílio, comandando um time de garotos.

    Um dos garotos era o goleiro Zé Carlos, que subiu ao time principal após uma lesão de Cantarelli e não saiu mais. Na final da Taça Rio, um épico 3×2 contra o mesmo Vasco, campeão da Taça Guanabara, Zé Carlos fez em cabeçada de Morôni a defesa que salvou o título e que ele mesmo considerou, durante toda sua vida, a sua maior defesa, ao lado do chute de Túlio, na pequena área do Serra Dourada, na final da Copa do Brasil de 1990.

    Porém, já no final da carreira, quando defendia o Tubarão, de Santa Catarina, Zé Carlos disse ao autor deste texto que a defesa que ainda aparecia em seus sonhos era outra. Uma defesa que quase ninguém viu.

    Zé Carlos era o goleiro dos juniores do Flamengo em 1981, e o time de garotos foi chamado para enfrentar a seleção brasileira principal, no dia 5 de maio. Era apenas um coletivo no Maracanã, parte da preparação do Brasil de Telê Santana visando a excursão européia. Nada disso importava a Zé Carlos, que só tinha um pensamento: “Zico vai jogar contra o Flamengo e eu sou o goleiro”.

    O Maracanã estava fechado para o público, mas Zé Carlos sentia aquelas arquibancadas lotadas. A seleção, de camisas de treino, cercava os juniores do Flamengo, com suas camisas de jogo. “Eu não posso deixar Zico fazer um gol contra o Flamengo”, repetia mentalmente o jovem goleiro. César marcou 1×0 para a seleção e o treino se aproximava do final, com Zico jogando longe da área.

    Então aconteceu um pênalti. Para todos, só mais um lance do coletivo, que seria esquecido na história. Para Zé Carlos era um pênalti que Zico cobraria contra o Flamengo, com ele no gol. Zico contra o Flamengo era a inversão da ordem natural das coisas, mas lá estava ele ajeitando a bola na marca fatal.

    Zé Carlos via quase todos os dias Zico cobrando pênaltis na Gávea. Canto direito, canto esquerdo, não havia como prever. O único padrão era a bola entrando rente ao poste. Não bastava acertar o lado, era preciso saltar como nunca.

    Com o sol na cara, Zé viu seu ídolo correr para a bola e pensou “vou para o canto esquerdo”. Quando Zico firmou o pé de apoio, Zé Carlos voou com as mãos espalmadas. Em câmera lenta, viu a bola crescer em sua direção, não parecia possível alcançá-la. Esticou os braços até o limite da musculatura e, de olhos fechados, sentiu que algo havia tocado a ponta de seus dedos. Quando caiu no chão, abriu os olhos. A rede não estava balançando e a bola quicava além da linha de fundo.

     

    Zico se aproximou do jovem Zé Carlos, passou a mão em sua cabeça e disse: “Boa, garoto”. Mais tarde, no ônibus a caminho de casa, o goleiro não parava de pensar que havia evitado o incestuoso gol de Zico contra o Flamengo, e chorava um choro tão silencioso quanto o Maracanã vazio naquela tarde de terça-feira.

    Quando fechava os olhos, ainda podia ouvir a voz de Zico: “Boa, garoto”.

     
    Mauricio Neves é autor do livro “1981- O primeiro ano do resto de nossas vidas” e escreve no Mundo Bola todas as sextas-feiras. Siga-o no Twitter: @flapravaler

     


    + Um pouco de alegria a Trinidad e Tobago


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  • Flamengo perde para o Grêmio e é eliminado do Brasileirão Sub-20

    Em confronto válido pela última rodada da Primeira Fase do Brasileirão Sub-20, o Flamengo foi superado por 2 a 1 pelo Grêmio, na noite desta quinta-feira (3), no Estádio Los Lários, em Duque de Caxias (RJ). O resultado garantiu o time gaúcho na Segunda Fase da competição, já o Mais Querido encerrou sua participação no torneio.

    Empatados em números de pontos, Flamengo e Grêmio duelavam pela segunda vaga no Grupo C – o Coritiba confirmou a primeira vaga do grupo com antecipadamente -. Com saldo de gols maior, o Rubro-Negro precisava apenas de um empate para assegurar a vaga. Entretanto, o Tricolor fez um jogo seguro, não desperdiçou as oportunidades que teve e venceu o duelo. Biteco e Jadson marcaram para o Grêmio, enquanto Lincoln descontou para os Garotos do Ninho.

    Com a precoce eliminação, o time sub-20 ficará sem disputar uma competição oficial até que se resolva o impasse envolvendo a decisão do Campeonato Carioca Sub-20. Por falta de garantia de segurança, as partidas entre Flamengo e Vasco, que estavam marcadas para o final de julho, seguem sem data para acontecer. O Torneio Otávio Pinto Guimarães (OPG) tem início previsto para outubro.

    O jogo

    Precisando da vitória para conseguir a classificação, o Grêmio, mesmo jogando fora de casa, não se intimidou. Aos três minutos, Biteco abriu o placar para o Tricolor, que mesmo em vantagem seguiu pressionando. No minuto 13, Jadson ganhou da marcação rubro-negra e chutou na rede pelo lado de fora.
    Sem conseguir encontrar o equilíbrio para atacar e defender, o Flamengo saiu em busca do empate, no entanto, deixava a defesa desguarnecida, o que gerou contra-ataques para o adversário.

    Gabriel Batista fez uma boa defesa em um lance muito parecido com o que deu origem ao primeiro tento da partida. Aos 38 minutos, Pepê cruzou para a área, Biteco finalizou, e o arqueiro rubro-negro salvou quase que em cima da linha.

    O jogo era dominado pelo time azul, mas em uma falha individual do goleiro tricolor, o Mais Querido chegou ao empate. Aos 45 minutos, Luiz Henrique fez o levantamento na área, Felipe não conseguiu segurar a bola, e Lincoln, que estava na frente do arqueiro, aproveitou o vacilo e estufou a rede.


    Diferente do primeiro tempo, quem começou pressionando na etapa complementar foi o Flamengo. O Rubro-Negro desperdiçou uma ótima oportunidade de virar o placar aos oito minutos. Lincoln ganhou da zaga do Grêmio, rolou para Lucas Silva, que chutou mal, sem perigo nenhum.

    Como diz a velha máxima do futebol: “Quem não faz, leva”. O Grêmio trabalhou a bola no campo de ataque o obrigou o goleiro Gabriel Batista a fazer duas grandes defesas no mesmo lance. Jadson aproveitou a cobrança do córner, e com um belo voleio colocou novamente o Tricolor em vantagem.

    Com a intenção de tornar o time mais ofensivo, o técnico Gilmar Popoca promoveu algumas mudanças. Os garotos tiveram mais volume de jogo, carimbaram a trave duas vezes e desperdiçaram algumas outras chances. No final da partida Theo foi expulso, e o Flamengo eliminado: 2 a 1 Grêmio.

    Campanha: 4 jogos, 2 vitórias, 2 derrotas, 10 gols marcados e 3 gols sofridos.

    Flamengo: Gabriel Batista; Kleber, Bernardo, Rafael (Matheus Thuler) e Moraes; Vinicius Souza (Patrick) e Jean Lucas; Luiz Henrique (Theo), Lucas Silva e Gabriel Silva (Fabricio); Lincoln. Técnico: Gilmar Popoca.

     Foto: Staff Images/Flamengo


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