Autor: diogo.almeida1979

  • Novo aporte da Tim é publicado em diário oficial e cobre custos da temporada

     

    Atualizada às 14h14.
     

    O basquete do Flamengo renovou patrocínio por meio de incentivo fiscal com a empresa de telefonia Tim. A informação já com demonstrativos do Diário Oficial do Estado do Estado do Rio de Janeiro foi publicada em primeira mão por André Amaral, do blog Ninho da Nação, parceiro de conteúdo do Mundo Bola.

    O aporte da Tim para o FlaBasquete gira em torno de R$ 8,3 milhões para os gastos exclusivos do time e Comissão Técnica na temporada 2016/2017. Segundo Amaral, o valor cobre as despesas e deixa até alguma sobra para a temporada atual.

    Dinheiro para Vargem Grande

    Já o segundo aporte especifica a rubrica “Construção Centro de Treinamento do Flamengo – Complemento”, cujo valor a TIM vai pagar, via ICMS, R$ 2,571 milhões.

    — Este dinheiro é para o CT do Ninho do Urubu – futebol. O Flamengo desembolsou recursos e está recebendo de volta cerca de 2,5 milhões de reais pela isenção de ICMS da Tim. — Explica em contato com o Mundo Bola, o vice-presidente de esportes olímpicos, Alexandre Póvoa

    Temporada começa com Carioca
    O primeiro desafio do time, que será comandado novamente pelo técnico José Neto, é a defesa do seu décimo-terceiro título consecutivo do Campeonato Carioca, a partir de setembro. Vasco e Botafogo também já confirmaram presença na competição.

     

     

    Leia a Série dos Doze

    A série dos doze: 2005

    A série dos doze: 2006

    A série dos doze: 2007

    A série dos doze: 2008

    A série dos doze: 2009

    A série dos doze: 2010

    A série dos doze: 2011

    A série dos doze: 2012

     


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  • O que esperar de Reinaldo Rueda

     

    Reinaldo Rueda está muito perto de ser o novo treinador do Flamengo.

    O colombiano levou o Atlético Nacional ao título da Libertadores de 2016, com um futebol de encher os olhos. Em dois anos, foi por duas vezes campeão colombiano (2015 e 2017), uma Copa da Colômbia, 2016, uma Superliga da Colômbia (2016) e a Recopa Sul-Americana (2017).

    O que esperar de Rueda? Qual suas características? Qual expectativa para a chegada de um treinador no meio da temporada? Esquema de jogo?

    Nada melhor para falar sobre o assunto do que Joza Novalis (@jozanovalis). Que já foi entrevistado aqui no Ninho sobre a participação do Flamengo na Libertadores em 2017 – que se encerrou de forma patética e escreveu de forma magnífica sobre a contratação de Orlando Berrío.
     

    Rueda passa instruções durante partida. Foto: Atlético Nacional

     

    Eis Reinaldo Rueda, por Joza Novalis:

    Reinaldo Rueda é apontado como um dos favoritos para assumir o banco de reservas do Flamengo. Colombiano de 60 anos, Rueda é tido como um estudioso do futebol. Porém é bem mais que isto. Uma coisa é estudar, pegar em livros ou “colar” em profissionais e técnicos famosos apenas para confirmar o que se sabe ou o que se pensa saber; outra, bem diversa, é fazer a mesma empreitada tendo profunda consciência de estudante; alguém humilde e que ainda se encanta diante do conhecimento emitido por um mestre. Este é Reinaldo Rueda. Na Alemanha, todos são elogios para o ex-comandante do Atlético Nacional em virtude de sua humildade, gentileza e refino no trato com as pessoas. Quem o vê, e não o conhece bem, chega a duvidar de suas inúmeras conquistas ao longo da carreira. Mas, enfim, Rueda daria certo, se confirmado como técnico do Flamengo? Possível que sim. Vejamos, então, de quem se trata, sua visão de futebol, suas preferências e se de fato seria uma boa para o Rubro-Negro carioca.
     

     
    Dispensável falar de suas conquistas, até os mais leigos se lembram de algumas. Melhor pontuarmos alguns fatores que o levaram a elas. Em 2007, seus estudos já o encaminhavam para uma carreira importante, era comandante do banco da seleção de Honduras, conduzida por ele, tempos depois, para a Copa do Mundo da África do Sul. Contudo, sua visão de futebol era voltada para a armação de equipes defensivas. Foi então que conheceu seu assistente técnico atual, Bernardo Redín. As duas mentalidades eram bem diferentes, pois Redín, embora ainda fosse um estudioso do assunto, era já um adorador do futebol ofensivo. O mais lógico era que o assistente fosse influenciado por quem o empregava, mas foi o contrário. Redín modificou a visão de Rueda, mostrando-lhe as vantagens de armar uma equipe voltada para a construção do jogo ofensivo. Rueda já era um profissional atento aos atletas, mas se impressionou com a meticulosidade com a qual Redín percebia os limites de um jogador e criava um plano para corrigi-los. Este foi outro traço do assistente que Rueda assimilou à sua prática profissional. Redín ficou ao lado de Rueda até 2014, quando foi anunciado como técnico do Monagas, da Venezuela. Porém, assim que assumiu o Atlético Nacional, Rueda chamou seu assistente de volta.

    No Atlético Nacional, a impressão era a de que qualquer treinador estaria fadado ao fracasso, após a gestão impecável de Juan Carlos Osório. Rueda decidiu manter o estilo de jogo de Osório, modificando e fortalecendo a zaga, com a adoção da linha de quatro. Porém, manteve a saída da bola pela defesa, com a aproximação do volante para recebê-la e favorecer as triangulações. Além disso, treinou seus zagueiros para o lançamento da bola, que em geral era cruzado. Se Henríquez estava mais à direita, o lançamento buscava o extremo esquerdo; se na esquerda, seus lançamentos buscavam o extremo do setor direito. Em geral, o resultado era positivo, pois com a proximidade de um, e às vezes de dois volantes, à primeira linha, os defensores e principalmente volantes rivais eram surpreendidos com os lançamentos a partir da zaga. Além disso, um plano individual foi adotado para a qualificação técnica de cada jogador, principalmente aqueles que estavam no banco ou na fila para serem promovidos à equipe principal. Bernardo Redín se ocupou, por exemplo, de Berrío e seu treinamento foi vital para que o atacante flamenguista aprendesse a trocar o lado do campo, entrar em diagonal, jogar de 9 e qualificar o passe curto nas imediações ou dentro da área. Não bastasse isto e um plano de adaptação ao estilo da equipe foi adotado para os jogadores que chegassem ao Atlético Nacional. Tudo isto o Flamengo também ganhará, caso confirme Rueda.

    Durante o tempo que ficou no Atlético Nacional Rueda demonstrou ser um perito em gerir plantel numeroso e qualificado. Isto ocorre, em parte, porque todos os atletas são testados quanto ao conhecimento e assimilação da proposta. Testados durante as partidas, as conversas prévias e o balanço dos erros e acertos, após os jogos. Tudo é muito claro e feito às vistas de todos, o que torna quase impossível a contestação de possíveis descontentes. Outro aspecto que faz de Rueda um bom gerente de elenco é que sua presença agrega aos jogadores uma mentalidade vencedora. Sim, muitos podem tentar o mesmo com sua fala pensada (ou não) aos seus atletas do elenco. Mas sabemos que uma coisa é o jogador olhar para um técnico esforçado e outra é olhar para um vencedor. O respeito é outro

    Flamengo precisa de um técnico inteligente

    Se há um debate impróprio na mídia é aquele que pauta treinador estudioso versus treinador “boleiro”. Quando pensamos neste último, possível que nos lembremos de Renato Portaluppi. Provável que aqueles que creem que ele não estuda, ou não é assessorado por vastos estudos, se enganem. Futebol moderno não admite mais um “boleiro” qualquer, principalmente em time grande. Flamengo precisa de um técnico inteligente, pois o caráter do seu elenco o exige. Quando o jogador sabe de cor o que o técnico vai dizer, ele não o escuta. E se não escuta é natural que pouco a pouco, e mesmo contra sua vontade, deixe de respeitá-lo. Todo atleta tem em sua cabeça uma ideia de jogo ou no mínimo pistas de como solucionar problemas durante uma partida. Errado ou certo, o atleta só abandonará sua visão, em prol da orientação do técnico, caso esta orientação o surpreenda. Para tanto, o discurso do comandante precisa renovar-se o tempo todo e materializar seus conhecimentos e a ampliação desses conhecimentos aos “olhos” do jogador. Caso esta não seja a situação, é até provável que os problemas não apareçam quando o time estiver ganhando. Porém, quando a equipe começar a perder a “coisa” muda de figura.

    Todo ato rebelde de um jogador tende a começar na rejeição do padrão de orientação de seu comandante. Daí para formação de grupinhos é um piscar de olhos. E há situações, sabemos ou desconfiamos, em que o próprio treinador, perdido em seu papel de técnico, troca o comando da equipe pelo comando de algum grupinho formado pelos por ele ou pelos atletas. Portanto, quanto mais o elenco for qualificado tecnicamente e possuir jogadores inteligentes, mais ele necessitará de um técnico inteligente, estudioso e vencedor. Neste sentido, Rueda também se perfila como nome ideal para o Rubro-Negro.

    O passador, o passe-surpresa e os recebedores

    Treinadores da escola de Bielsa refletem a todo instante sobre o passe dentro de uma partida. Rueda não é um seguidor puro do “el Loco”, pois seu repertório inclui outros, como Ancelotti, Del Bosque e Osório, de quem (e às vezes indiretamente, através de Bernardo Redín),filtra os principais traços do bielsismo na sua filosófica de jogo. Pois bem, para esses treinadores, o passe é o que há de mais importante no futebol.

    O passe preconiza basicamente que a bola chegue de forma segura ao seu recebedor. Dentre os dois tipos que há, é óbvio que a conexão da bola entre passador e receptor se realiza de forma tranquila no chamado passe simples. Este tem sua utilidade, mas sua importância é limitada no sentido de que serve só para quebrar a pressão do rival e para a manutenção da bola enquanto não se configura uma situação oportuna para o chamado segundo tipo de passe, o decisivo, aquele que resolve.

    Especialmente durante seu tempo no Atlético Nacional, Rueda se ateve muito à reflexão sobre o caráter do passe. Inteligente que é, concluiu pela obviedade de que o passe decisivo é o mais importante e de que o passador precisa contar com uma visão periférica lapidada de forma a entender a fuga da marcação de seus companheiros próximos ou distantes. Todavia, concluiu também por algo não tão óbvio, o fato de que o melhor passe é aquele que chega aonde o receptor determina, e não o contrário. Efeito disso é que com o treinamento correto, e exaustivo, o jogo inteligente se amplia, ganhando terreno não só na mente do passador, mas também dos receptores da bola. A partir daí, e sob a supervisão de Redín, Reinaldo Rueda revolucionou os treinos no Atlético Nacional.

    Técnico estrangeiro no meio da temporada

    Atualmente, se o nome de um técnico estrangeiro é apontado como possível ocupante do banco de uma equipe brasileira, logo surge o argumento de que ele não teria tempo para se adaptar, já que estamos no meio da temporada. Antes de examinarmos a questão, vale lembrar que ela é resultado de outra anterior, a de que um técnico de fora não dá certo no futebol brasileiro. Engraçado como muitos ainda enchem o peito para falar “futebol brasileiro”, como se ainda fôssemos, no contexto do futebol mundial, algo além de um retrato que se desbota na parede.

    Pois bem, técnico estrangeiro no meio de temporada é uma fria, mas brasileiro também é. Fatores circunstanciais parecem primar sobre sucessos ou insucessos na troca de técnico no meio de temporada. Se não for assim, Levir Culpi, Autuori e Mancini são gênios, enquanto Dorival Junior, Eduardo Baptistas e Alexandre Gallo, toscos. Apenas três exemplos que pautam as situações de Santos, Atlético-PR e Vitória, após suas trocas de treinadores: há outros. Ora, vejamos, se conhecimento e intimidade com o futebol brasileiro são vitais, por quais motivos então um técnico novo em um clube, como Dorival Junior, atualmente no São Paulo, não dava jeito no Santos? Por que Mancini não praticou na Chapecoense os “milagres” que tem praticado no Vitória? Na verdade, números mostram que com exceção de Tite, nossos técnicos “de ponta” se equivalem.

    A outra questão é que técnico estrangeiro não serve para o futebol nacional. Se isto é uma verdade, ela está pela metade, pois técnico brasileiro também não serve. Tempo médio de nossos técnicos nos clubes ilustram bem a afirmação. Esta situação escancara o que se espera de um comandante do banco de reservas: que faça milagres. Não há tempo para seu trabalho ea pressão que sofre é ininterrupta embora se transvista, após as primeiras derrotas, em apoio para inglês ver. Porém, não sejamos totalmente inflexíveis frente a uma triste realidade: tempo ideal para um treinador realizar o seu trabalho e construir uma equipe vencedora, no Brasil, não existe. Sendo assim, é necessário reconhecermos que os técnicos tradicionais, e que praticam o “mesmo”, apenas perpetuam o ciclo vicioso de suas contratações e demissões, nos clubes do país.Então, um ideal mais aceitável sobe ao palco: o de que um técnico diferenciado, com ideias novas e com amplo conhecimento teórico e prático de futebol converta o tempo longo das conquistas em tempo médio. Por isso Rueda seria bem-vindo ao Flamengo. Jorginho, Carpegiani e outros nomes que se especulam são, com todo o respeito, “o mesmo”; Rueda é o diferente.

    Difícil determinar o que é tempo ideal para um técnico comandar no Brasil e obter êxitos, mas 14 meses, ofertados a Zé Ricardo, parecem suficientes; pode não ser o chamado tempo longo, mas, no mínimo, é um senhor tempo médio para um técnico de ponta. Se Reinaldo Rueda se perfila como um treinador acima da média, e se a ele for ofertado um tempo parecido e até menor do que o oferecido a Zé Ricardo, ele tem tudo para triunfar no banco de reservas do Flamengo.

    Esquema de jogo

    Rueda é um adorador do 4-2-3-1, com dois volantes como peças vitrais da geração do jogo. Os dois laterais tendem a ser, primeiro, laterais, depois, apoiadores. Podem e devem apoiar, mas sem custos para o exercício da tarefa defensiva da equipe. Não estamos falando de laterais-zagueiros, pelo contrário até. Porém, são dos laterais que Rueda mais cobra atenção à parte defensiva. Depois destes, veem os volantes, de quem o sistema exige múltiplas funções, como a do tradicional auxílio aos laterais.

    Os dois volantes precisam de mobilidade entre os zagueiros e a linha de três, mais à frente. No sistema, um deles recua para facilitar as triangulações e gerar uma saída com progressão em linha. Este jogador poderia ser Ronaldo ou Cuéllar. O campo se amplia para o passe, mas a bola vai circular numa linha horizontal até que o segundo volante a receba, se posicionando já como primeiro homem do setor criativo, ou ainda quando a bola for lançada diretamente para o meia centralizado e principal responsável pela criação das jogadas ofensivas. É vital para o sistema de Rueda que o passe saia limpo de seus volantes, pois se por um lado estes estão diretamente envolvidos na criação das jogadas, por outro, seus erros de passe podem ser o calcanhar de Aquiles do sistema defensivo.

    Em situações de extrema necessidade, veremos uma transição ofensiva com 2-1-4-3, na qual dois zagueiros suportam um volante, enquanto o outro vira um meio-campista. Este jogador terá a seu lado um meia de origem e dois interinos, que são os laterais. A compactação vai saltar aos olhos, porém, uma pouco à frente veremos os dois extremos convertidos em atacantes, ao lado do camisa 9. Em tal contexto passador e receptor se confundem e a movimentação torna-se fluida e incessante, com ou sem a bola e tanto da parte dos passadores quanto dos receptores da redonda. Os ponteiros trocam de posições ou entram na área em diagonal, dificultando a marcação rival. Prioriza-se passe curto entre as linhas, contudo, por vezes, um passe final e decisivo surge justo do volante que se coloca à frente dos zagueiros. Este sistema cobrará do centroavante significativa precisão para entrar e sair da área, pivoteando e abrindo espaços para os dois pontas. Sabemos que Guerrero pode ser este jogador.

    Uma linha de três sem Diego?

    Provável. Há poucos técnicos tão flexíveis quanto Reinaldo Rueda, porém é a custos que ele abandona o 4-2-3-1. Com sua chegada, Berrío deverá ser o extremo pelo setor direito, pois sua associação com o lateral tecnicamente era um dos pontos fortes do campeão da Libertadores. Importa bem para o sistema que o extremo seja criativo, porém importa mais que ele tenha velocidade e até força física na execução de suas tarefas em campo. Para que o setor tenha um meia-atacante que se notabilize pela criatividade ele precisa exercê-la em altíssimo nível, de forma a compensar suas deficiências defensivas. E se este é o ponto, ele se complica ainda mais pelo fato de que pelo setor esquerdo Trauco não é um bom marcador.

    Por outro lado, a linha de três exige um meia centralizado que saiba trabalhar atrás dos extremos. Este jogador há de ter uma visão periférica e precisa pensar rápido para gerar passes que quebrem as linhas defensivas e encontrem os atacantes em espaços vazios. Deste jogador o sistema exige uma alta velocidade de raciocínio e escolhas; sua mente precisa ter a velocidade física de um Orlando Berrío. No Atlético Nacional, este papel era exercido por Macnelly Torres, atleta que fisicamente nunca foi dos mais velozes. No entanto, nas situações de contragolpe ele era preciso nos passes longos no costado da zaga, em geral cruzados, e que deixavam Borja na cara do gol. Sua velocidade de raciocínio se fazia indispensável para o sucesso das jogadas. Percebemos que Everton Ribeiro pode ser um ponta-articulador dos bons, e que também pode atuar pelo setor esquerdo. Porém, dada à sua condição de principal passador da equipe, é bem provável que Rueda o utilize centralizado, no lugar ocupado hoje por Diego.

    Alternativa seria modificar o sistema para um 4-1-4-1. Mas se há uma grande vantagem em um elenco qualificado é que ele oferece opções para o técnico praticar o esquema que mais lhe convém. Diego poderia ser recuado para segundo volante. E pode. Mas, como vimos acima, é exigido dos volantes um altíssimo comprometimento também com a marcação. Desta forma, tudo indica que Diego possa ir para o banco de reservas.

    Se confirmado Rueda…

    Chegada de Rueda pode significar uma mudança real de patamar no Flamengo. O clube da Gávea teria no seu banco de reservas um dos mais inteligentes e vencedores técnicos das Américas. Teria uma equipe que joga da mesma forma dentro e fora de campo, o que contribui para assegurar a identidade futebolística da equipe e nutrir seu DNA de personalidade. Além disso, o clube poderia ser estimulado a investir pesado nas suas estruturas e no treinamento sofisticado de seus atletas, até mesmo os das categorias de base. Os assistentes de Rueda são todos eles profissionais sofisticados. Dentre eles, está Eduardo Velascos, tido como o melhor preparador de goleiros da Colômbia, e profissional com vários convites recusados para trabalhar no futebol europeu. Então, se for o caso de Reinaldo Rueda ser confirmado como o novo técnico,que ele tenha sorte, assim como o Flamengo em seu caminho. Caminho que de fato se anunciaria como novo, diferenciado e promissor.

     
    André Amaral comanda há anos o Ninho da Nação, um dos blogs rubro-negros mais importantes da internet. Siga-o no Twitter: @Ninhodanacao.
     

    Foto destacada nas redes sociais: Atlético Nacional

     


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  • A folha em branco

     

    O recado é rápido, assim de orelhada, no meio do treino mesmo. Um assobio agudo, o rápido desvio pra beira do campo, a letra rápida, sem rodeios.

    “Ó, quando acabar aí o homem quer falar contigo.”

    Ainda uniformizado e salpicado de priscos de grama e terra sobre o suor que lhe unta a pele, o jogador entra na apertada e quente salinha que funciona como local de reunião, nas franjas do gramado. Acomoda-se na improvisada cadeira de plástico algo empoeirada. Sorridente, o vice-presidente de Futebol o recebe com uma expressão cordial no rosto. Não demonstra pressa.

    Como vão as coisas, e a família, e depois da usual introdução que tenta emular um pretenso clima informal, chega-se aos finalmentes. Sobre a mesa há uma pequena pilha de papeis datilografados, que evidentemente não repousam ali por acaso.

    “Chamei você aqui para começarmos a tratar de sua renovação. Temos uma proposta a lhe fazer.”
     

     
    Ainda resta pouco mais de um mês para o término do contrato. Mas o dirigente já busca antecipar o acerto, uma vez que o jogador vive um momento de forte ascensão na carreira. Campeão, vitorioso, convocado para a Seleção Brasileira, um dos principais jogadores do time, querido pela torcida, é um atleta com potencial chance de assédio por parte de outros clubes, especialmente do exterior. Ademais, ainda há a competição internacional por iniciar, que pode valorizá-lo ainda mais. Por conta disso, é interessante que o Flamengo aja com diligência para não correr o risco de onerar em excesso sua folha ou, pior, de perder o atleta.

    O jogador, por sua vez, não pensa em sair. Gosta do clube, que reputa como segunda casa, possui ótima relação com os companheiros e é titular absoluto. Sente-se em um momento de plena realização profissional, exceto por um detalhe. Sua remuneração ainda está no patamar de jogadores de início de carreira. Ganha pouco mais que juniores que recentemente ascenderam, ou mesmo que alguns reservas. Visivelmente seu salário é incompatível com a posição que ostenta no time e no plantel. Isso o incomoda. A renovação é a oportunidade de corrigir essa grave distorção. Com isso ajeitado, não terá mais do que se queixar.

    O dirigente, sem remover o sorriso da face, o apresenta à minuta de contrato. Lá consta a proposta salarial do clube. Um robusto aumento nos vencimentos, chegando ao patamar das principais estrelas. Se aceitar, o jogador passará a receber um dos maiores salários do futebol brasileiro. Enquanto o VP vai expondo alguns detalhes, em sua maioria cansativos, o jogador mal consegue disfarçar o faiscante brilho no olhar. Com a face ruborizada, seu corpo pulsa num quase irresistível ímpeto de apanhar a caneta e acabar logo com aquilo. Por duas vezes quase se trai, mas consegue se recompor e, após uma leitura dinâmica não muito atenta, expõe sua posição.

    “Doutor, os números são muito bons. Eu topo. Mas preciso falar com meu procurador, que entende mais dessas coisas.”

    Despedem-se. O jogador, feliz. O dirigente, satisfeito com o progresso da conversa.

    Dia seguinte. O jogador e seu procurador, que também é parente, pedem um horário. A expressão na face do atleta é bem menos luminosa. Quieto, ouve seu representante conversar com o VP. Os termos não parecem amistosos, embora haja cordialidade. Há certas divergências acerca de minúcias, como prazo de pagamento das luvas, responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Renda, entre outras filigranas. Após debates infrutíferos, o procurador encerra a sessão.

    “Infelizmente não podemos aceitar a proposta nesses termos. Vamos reabrir essa discussão mais à frente, quando o contrato estiver perto de expirar.”

    Algo aborrecido, o VP leva a decisão do jogador ao presidente. Que apanha a minuta. E a rasga em pedaços.

     
    O presidente, homem vivido e manhoso nas artes de negociar, põe-se a raciocinar. Pensa: “os familiares são mais complicados, porque têm a ideia pré-concebida de que estamos querendo enganá-los, explorá-los”. Mas não demora a entender a artimanha do procurador. A ideia é esperar passar o torneio internacional e, com uma eventual valorização, negociar em bases mais favoráveis. Não é algo que o surpreenda. Enquanto vai pensando, serve-se de um bom escocês. “Então ele quer pagar pra ver. Vamos ver quem vai trucar no fim.”

    Passa-se um mês.

    Agora se está na semana de encerramento da validade do contrato. O Flamengo se prepara pro início do Estadual, mas não sabe se poderá contar com o jogador. E o ritual se repete. O mesmo assobio no treino, o mesmo recado, o mesmo encontro na saleta, os mesmos papéis sobre a mesa. Mas dessa vez o VP não parece tão afável.

    Sem muita delonga, o dirigente apresenta a nova e alegada definitiva proposta contratual do Flamengo. Dessa vez, o clube oferece menos da metade da oferta inicial. Ainda é um salário alto, que o alçará a uma das principais remunerações do elenco. No entanto, em cotejo com a oferta anterior, aquilo soa como esmola de pinga. O jogador, olhos úmidos de revolta, esforça-se para não explodir em impropérios. Colhe a minuta e se despede. Ironicamente, a posição é semelhante à da reunião anterior.

    “Vou levar pro meu procurador analisar.”

    A reação do representante é bombástica. Enfurecido, vai aos jornais e rebenta em frases fortes, com as quais os setoristas se regalam. “Esse VP é maluco. Essa proposta é uma piada, estão nos fazendo de palhaços. Com isso aqui não tem conversa, não tem nada.”

    O presidente, sem perder a calma, degusta a revolta do representante, esparramada nas letras garrafais dos jornais de grande e não tão grande circulação. O caso agora ganha repercussão. É preciso dançar essa música. O momento pede firmeza, rigidez. Os setoristas certamente o procurarão. E seu próximo passo já está calculado.

     

    “Bem, se o procurador nos toma como malucos ou dados a palhaçadas, significa que não nos leva a sério. Mas o Flamengo é um clube sério, dirigido por pessoas corretas. Dessa forma, proíbo esse sujeito de frequentar qualquer dependência do CR Flamengo. E tem outra. Esse jogador não atua mais aqui. Vou colocá-lo à venda. As negociações estão sumariamente encerradas.”

    No dia seguinte, mais manchetes espalhafatosas, mais fervura na imprensa. Assustado com a repercussão do caso, o representante do jogador diz ter sido mal-interpretado, desmente suas declarações, atribuindo-as a um “entendimento apressado” dos repórteres. Enquanto isso, o jogador passa a treinar entre os reservas. Resignado, o treinador começa a montar a equipe sem sua presença.

    Sem alterar uma vírgula do seu discurso, o presidente segue repetindo a mesma arenga para os setoristas que o procuram. “Não tem negócio, não joga mais aqui”. Pés à mesa, gravata afrouxada, vai bebericando seu scotch. “Desmentir a imprensa… Que coisa manjada. Achei que ele era melhor que isso. Enfim, apostou e se deu mal. Agora eu dou as cartas.”

    Com efeito, a aposta do jogador se revelara arriscada. O título internacional não veio, sua atuação foi, na melhor das hipóteses, discreta e a tão esperada valorização não chegou nem perto de acontecer. Assim, a posição de força mostrada há trinta dias esfumou-se em bruma.

    O jogador segue treinando entre os reservas, às vezes sequer aparece. Agora acena com a posição de aceitar a proposta original, aquela que recusara trinta dias antes. Mas não cogita sequer discutir qualquer coisa abaixo disso. O Flamengo estreia no Estadual, vence sem dificuldades, mas o treinador segue preocupado. O reserva imediato está se recuperando de uma grave lesão, e o garoto da base içado para fazer a função ainda se mostra instável e irregular, sem condições de assumir a condição de titular.

    Os dias vão se sucedendo e o quadro parece inalterado. O VP de Futebol, procurado pela imprensa, avisa, “estou pessimista. Essa negociação parece extremamente complicada, a distância ainda é muito grande”. No entanto, o jogador, de forma surpreendente, faz um discurso conciliador, sempre pelos jornais: “eu quero continuar aqui, e acho que esse é um desejo mútuo”.

    O presidente entende o recado. Começa a amaciar seu discurso. “Em nenhum momento falei que iremos punir o jogador. Não temos a menor intenção de fazê-lo, afinal se trata de um profissional correto e que sempre respeitou e honrou o clube”. E instrui o VP a preparar nova proposta ao atleta. “Ele está amaciando. Irá roer a corda.”

    E os atores seguem exercendo seus papeis no espetáculo. Incomodado com a indefinição, o treinador põe o jogador para treinar entre os titulares. A diferença de rendimento é assombrosa. O time voa em campo, sob os olhares impressionados do numeroso público que acompanha a atividade. O jogador chega a ter seu nome gritado em campo. Incomodada, a diretoria lança mão de mais uma carta.

    “Toda essa situação é bastante incômoda para a gente, que já gostaria de poder contar com o jogador em campo, nos ajudando a ganhar jogos, mas infelizmente parece que essas coisas estão em segundo plano. Só me preocupo com o torcedor pobre, do povão, aquele que ganha tão pouco, que se sacrifica pelo time… Ele pode não estar gostando nada dessa briga toda por um salário milionário…”

    Todos fingem se convencer da ensaiada indignação do VP, que solta esse “desabafo” numa rodinha de jornalistas. Mas o efeito é certeiro. Nos bares e botecos da cidade, a pecha de “mercenário”, temor e pavor da esmagadora maioria da boleirada, aos poucos começa a pespegar na testa do jogador, agora tido como rebelde. Para complicar, começam a pipocar nos jornais rumores sobre o suposto interesse do Flamengo em um atleta de primeiro nível, que atua justamente na posição do jogador. Irritado, cansado e encurralado pelas circunstâncias, o atleta parece sufocado, sem saída.

    É o momento perfeito para o bote.

    O eterno ritual se repete pela enésima vez. O treino, o recado… E lá estão novamente, frente a frente, na mesma saleta, transpirando um calor infernal, o jogador e o VP, com um chumaço entre eles. A nova proposta é bem mais amistosa. Um salário algo maior (embora ainda distante do original), um substancial aumento nas luvas, pagas integralmente à vista, e a perspectiva de premiações diferenciadas. É uma remuneração que, pingos nos is, dará ao jogador o status tão almejado, o de profissional de primeira linha dentro da hierarquia do time. Uma posição, agora sim, compatível com sua importância no elenco.

     

     

    O jogador sorri um sorriso sem graça. Concorda com tudo. Quer ir logo embora. Quer jogar domingo. Está angustiado por não poder seguir com a equipe, por não poder fazer o que gosta, que é jogar bola, ainda mais no Flamengo, seu querido Flamengo.

    “Olha doutor, eu já não aguento mais esse suplício. Vou mostrar isso aqui pro meu representante e amanhã a gente assina esse troço.”

    E se despede. Animado, o VP leva o caso ao presidente. “Parece que roeu. Ele vai assinar”. Bem menos otimista, o presidente replica: “Vai nada. Ele já pipocou duas vezes. Vai ratear de novo. Quer um uisquinho?”

    No dia seguinte, o jogador sequer troca de roupa. Vai ao encontro do vice-presidente de Futebol e avisa, de forma lacônica: “Estou aqui para comunicar que não aceito a proposta. Tenha um bom dia”. E volta pra casa.

     

     

    O presidente, ao ser informado, dá um murro na mesa e simula irritação. Grita, esbraveja. “Está à venda. O primeiro que chegar aqui com ‘x’, leva.” O VP especula, “será que já não existe algum clube por trás disso, presidente?”, “Não. O problema aí é outro. E eu já sei como resolver.”

    O Flamengo sai do Rio de Janeiro, vai jogar amistosos. O jogador segue treinando entre os juniores. Como uma caça.

    O treinamento segue burocrático, anônimo, protocolar. O tédio só é quebrado pela presença daquele homem elegantemente vestido com camisa pólo clara, calça social cáqui, sapato lustrado, que parece acompanhar a atividade com interesse. Ao perceber a ilustre figura nas arquibancadas, todos se entreolham. Não é difícil descobrir o motivo. “É, parece que o chefe quer falar contigo”. Findo o treino, o presidente desce ao gramado e, trajado com seu melhor sorriso, aproxima-se afável, cordial, quase carinhoso.

    “Venha comigo. Vamos bater um papo.”

    Agora estão na Sala do Gabinete, consideravelmente menos improvisada e mais agradável que a saleta do VP. Banho tomado, o jogador se impressiona com o conforto da poltrona reclinável em que se instala. O ar suavemente refrigerado acaricia sua mente, embalando-a com o sofisticado silêncio que parece inebriá-lo em um reconfortante transe de paz. Tranquilidade. Não se sente assim há meses.
    O presidente o interpela, sorriso ensolarado, olhos miúdos, faiscantes, a voz macia, paternal. “Poxa, você sabe que é de casa, o quanto gostamos de você. Veja bem, eu o tenho como um filho. Desde pequeno, quando você chegou aqui, eu vi que você ia longe, que era melhor que os outros… Hoje taí, crescendo, na Seleção… Fazendo parte de uma família. Da nossa família.”

    “Poxa doutor, mas me chamaram de mercenário. O senhor sabe que eu não sou mercenário, isso magoa a gente.”

    “De fato, houve excessos. Em toda briga de família há excessos, não é verdade? Quem nunca xingou um ente querido num acesso de raiva? Pessoas falam o que não querem, depois acabam se arrependendo. Meu VP está arrependido. Eu estou arrependido. Quero passar uma borracha nisso tudo. Porque gosto de você. Vamos zerar. Você quer continuar conosco?”

    “Sim doutor, é o que eu mais quero”, e soluça em lágrimas caudais.

    É o momento da investida final. O presidente se vira para buscar um novo maço de papeis datilografados, contendo a mesma proposta recusada dias antes. No entanto, ainda inebriado em um transe catártico e sem a menor disposição para analisar números, cláusulas e afins, o jogador pede a palavra. Vai sair da caixa. Vai tomar uma das mais desconcertantes decisões já vivenciadas em um processo dessa natureza. Pede uma caneta.

    “Doutor, não precisa me mostrar nada dessas coisas aí não. Só preciso de uma folha em branco.”

    A luminosa face de imediato subitamente se congela. Perde a luz. É como se levasse um tiro. Petrificado e lívido, o presidente atende ao jogador que, diante de um dirigente estarrecido, assina a folha em branco e a entrega de volta. Agora aliviado, as costas livres de um fardo. Enfim, o jogador parece reunir forças para um sorriso genuíno.

    “Pronto. Está aí assinado. Pode colocar o que quiser.”

    Pela primeira vez, o presidente perde o controle da situação. Não sabe como reagir. Hesita entre abrir um uísque ou enxotar o jogador a pontapés. Com efeito, desde o início do processo cada etapa, cada passo, cada ação terá sido minuciosamente planejada. Agora, com o jogador nas cordas, emocionalmente devastado, pronto para aceitar qualquer coisa, o dirigente recebe um mortal contragolpe no queixo. Não contava com a mais prosaica das características humanas, o atributo normalmente esquecido em uma negociação, ainda mais envolvendo cifras tão altas: a espontaneidade. Diante de tão escancarada manifestação de desprendimento, o presidente simplesmente não sabe o que fazer.

    Dura pouco. O presidente traz de volta a si a expressão amistosa no rosto e cumprimenta o jogador: “Meus parabéns! Precisamos celebrar o momento. Estou feliz que continuará conosco”. Avisa aos jornais que a renovação enfim está consumada. Diante dos repórteres, não deixa o jogador falar. Capitaliza o momento. Transforma em vitória o inesperado desfecho. “O jogador demonstrou seu amor ao clube. Confiou na gente. Assinou em branco, porque sabe que somos homens de palavra. Agora, é seguir o trabalho, temos certeza que logo ele estará de volta aos gramados para nos dar mais alegrias”.

     

     

    Meio sem jeito, o jogador corrobora, “é, é isso aí mesmo, agora só penso em voltar ao time”. Sente-se vazio. E feliz. Toda sua existência, todo o seu pensamento, todas as suas emoções, passam a se resumir agora a apenas um objetivo, uma meta, um alvo.

    Jogar domingo.

     
    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
     


     


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  • A série dos doze: 2012

    Chega aqui uma época em que as discussões sobre a sobrevivência dos estaduais se acentuaram, principalmente pelo crescimento e boa organização do campeonato nacional. Não só no Rio de Janeiro como em outros estados as competições estavam cada vez mais pobres de disputa tornando-se previsíveis aos olhos de muitos amantes do basquete.

    Em 2012 apenas quatro times disputaram o carioca, sendo assim, os dois primeiros classificados disputaram diretamente  a final. Novamente o Tijuca era o único que poderia dar mais trabalho ao estrelado time do Flamengo, no entanto, Botafogo e Riachuelo foram ovacionados por seguirem competindo fortemente à medida do possível.

    Seguindo as preparações, antes o Fla já havia anunciado a saída do técnico Gonzalo Garcia -o qual retornou à Argentina para treinar o La Unión de Formosa- depois de sua “falha” em triunfar com o elenco. No início de junho foi apresentado José Neto, também responsável pelo sucesso do Joinville antes de chegar à Gávea.

    Entre renovações e reforços chegando, o FlaBasquete brilhou novamente na disputa do Carioca Adulto. Terminou a competição na liderança, invicto com doze pontos e seis vitórias. Já o vice Tijuca fez dez pontos com quatro vitórias e duas derrotas. Dita as regras, aconteceu uma reedição de 2010 e também de 2011 nas finais.
     

    Final:

    05 de novembro – Tijuca 79 x 108 Flamengo

    07 de novembro – Flamengo 120 x 88 Tijuca

    A nação sempre tão presente fez a festa nos ginásios Tijuca Tênis Clube e Hélio Mauricio palcos de uma decisão já conhecida. Além do carioca, estreando pelo Flamengo, José Neto levou o NBB 2012-2013 junto de suas estrelas.

    Time:

    Alexandre, Olivinha, Diego, Douglas, Duda, Feliz, Gegê, Chupeta, Marcelinho, Marquinhos, Shilton, Kojo, Benite e Caio Torres

    Téc: José Neto

     

    Leia a Série dos Doze

    A série dos doze: 2005

    A série dos doze: 2006

    A série dos doze: 2007

    A série dos doze: 2008

    A série dos doze: 2009

    A série dos doze: 2010

    A série dos doze: 2011

     


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  • Nome forte, Reinaldo Rueda não é descartado por Rodrigo Caetano e rumores ganham força

    O Flamengo, por meio de coletiva de imprensa com Rodrigo Caetano, falou abertamente sobre a demissão do ex-treinador Zé Ricardo, que aconteceu horas após a derrota por 0 a 2 diante do Vitória. A partida ficou marcada pelo baixo desempenho da equipe, na contramão das exibições contra Corinthians e Santos quando, apesar do time não ter conseguido bons resultados, tiveram pontos positivos.

    Foram 15 meses como treinador da equipe principal. Ao todo colecionou 47 vitórias, 23 empates e 17 derrotas e encerrou sua passagem com o bons 62,2% de aproveitamento. Apesar de poucos, os reveses foram determinantes para a sua queda. Em 2017, péssimos resultados fora de casa tiraram a equipe do seu objetivo principal: a Libertadores. Recentemente, uma dura goleada quase eliminou a equipe da Copa do Brasil, e sucessivos tropeços deixaram o time distante da briga pelo título do Brasileirão. A diretoria do Flamengo já mapeia o mercado de treinadores visando um profissional com boa “metodologia de treinamento e perfil de liderança”, nas palavras de Rodrigo Caetano. Entre os nomes mais ventilados, estão os de Roger Machado, que já teria dito “não” logo no primeiro contato, segundo informações da grande imprensa do país, e do colombiano Reinaldo Rueda, que entre 2015 e 2017 foi campeão colombiano duas vezes, além de ter conquistado uma Copa da Colômbia, uma Libertadores e uma Recopa Sul-Americana. Aos 60 anos, participou de 2 Copas do Mundo e treinou três seleções nacionais (Colômbia, Honduras e Equador).

    O nome do colombiano, inclusive, não foi rechaçado pelo diretor de futebol do clube, que em dado momento disse não ter preconceito com idades, seja ela qual for. Além disso, afirmou que a vinda de um estrangeiro seria visando um projeto de médio-longo prazo, sem grandes garantias em um primeiro momento por questões de adaptação e tudo mais. Rueda é o nome mais pedido nas redes sociais, e a grande mobilização do torcedor já provou surtir efeitos, apesar de Rodrigo Caetano ter negado: “Procuramos nomes que atendam a torcida e não que venham da torcida. Não me lembro do Flamengo ter contratado alguém se pautando pela torcida”. Na noite desta segunda, a Rádio Caracol, veículo de boa reputação da Colômbia, disse já haver acerto entre treinador e clube. A rádio foi a primeira a relatar o acidente envolvendo o avião que transportava a delegação da Chapecoense e, mais recentemente, foram os primeiros a cravarem a ida de James Rodriguez para o Bayern de Munique.

    A ideia de um treinador de fora ainda é, contudo, vista com cautela por especialistas. Recentemente nomes como os de Diego Aguirre, Juan Carlos Osório, Edgardo Bauza, Ricardo Gareca, Paulo Bento, entre vários outros, não tiveram grandes desempenhos e pouco tiveram tempo pra impor uma nova filosofia ou algo do tipo. No entanto, conseguiram sucesso em outro clubes do continente, alguns com menos dinheiro, infraestrutura pior do que a maioria dos clubes do Brasil. Bauza foi bem à frente de San Lorenzo e LDU e Osório com o Atlético Nacional (Rueda foi o seu substituto) foram exemplos de sucesso em outros clubes sul-americanos.

    PONTOS POSITIVOS PARA RUEDA

    O seu Atlético Nacional jogava bonito. Com a característica de esperar a hora certa para tentar marcar e sendo uma equipe muito obediente taticamente, sabia envolver o adversário e ser sempre cruel. Tinha como pontos fortes a saída de bola e os bons lançamentos de Sebastián Pérez, características semelhantes às de Cuéllar, além de meias como Macnelly Torres e Alejandro Guerra, habilidosos e técnicos, assim como temos Diego, Éverton Ribeiro e, quem sabe, Conca.

    Rueda soube aproveitar muito bem a potência física de Berrío e seu time sabia usar bem as pontas. O Flamengo de Zé Ricardo joga abusivamente pelos lados do campo e mais erram do que acertam. Caso o treinador colombiano corrija isso, pode vir a ser uma grande arma da equipe. No ataque vem a maior diferença, já que Borja era definidor e Guerrero tem outros pontos fortes que não o faro de gol.

    Rueda tem tudo que Zé Ricardo tinha de positivo, só que tudo isso ainda melhor. Fora experiência e respaldo, aos 60 anos é o famoso “copeiro”, já que ganhou 6 títulos em 7 finais. O grande problema poderia ser adaptação, mas ele já disse outra vez que era fã de Telê Santana e que também estuda o futebol brasileiro. Com o elenco que o Fla tem, basta uma boa organização, sem mudanças radicais até o fim do ano, para quem sabe ainda conquistar a Copa do Brasil e Copa Sul-Americana neste ano, além de terminar o Brasileirão com um segundo turno que mereça aplausos.

    Rueda tem se “reciclado” na Europa, e vem acompanhando de perto a metodologia de Carlo Ancelotti à frente do Bayern de Munique. Por fim, termino com uma frase do nosso blogueiro Diogo Almeida, que disse: “o melhor (treinador do continente) precisa estar no maior“.

    *Créditos da imagem destacada: Marcos Ribolli


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  • Análise estatística – Flamengo sob o comando de Zé Ricardo

    Na noite de ontem (6), o Flamengo comunicou oficialmente o desligamento de Zé Ricardo no cargo de técnico da equipe profissional de futebol do clube. O técnico, que fez sua estreia no time profissional no dia 29 de maio de 2016, na vitória sobre a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, por 2 a 1.

    Ele assumiu interinamente o comando da equipe (após os problemas com Muricy Ramalho), e foi logo efetivado.

    Confiram os números do Flamengo sob o comando do técnico Zé Ricardo!

    88 Jogos Oficiais – 47 Vitórias – 25 Empates – 16 Derrotas

    145 Gols Marcados – 85 Gols Sofridos – 62,87% de Aproveitamento

    Zé Ricardo conquistou apenas um título no comando do time profissional do Mengão: o Campeonato Carioca 2017. Em todas as competições, ele manteve 50% ou mais de aproveitamento. Porém, na Libertadores, não conseguiu classificar a equipe para as oitavas, e vinha de uma sequência negativa no Campeonato Brasileiro, e de uma “quase” eliminação da Copa do Brasil.

    Quem mais entrou em campo nesses 88 jogos

    Marcio Araújo – 75 jogos oficiais
    Willian Arão – 73 jogos oficiais
    Réver – 70 jogos oficiais
    Alex Muralha – 66 jogos oficiais
    Rafael Vaz – 65 jogos oficiais
    Pará – 65 jogos oficiais
    Éverton – 65 jogos oficiais
    Paolo Guerrero – 56 jogos oficiais
    Mancuello – 48 jogos oficiais
    Diego – 48 jogos oficiais

     

    Desempenho do Flamengo em clássicos sob o comando de Zé Ricardo

     

    Adriano Skrzypa é estudante de Educação Física e apaixonado por números no futebol. Siga-o no Twitter: @FlamengoNumeros
    Imagem destacada e redes sociais: Gilvan de Souza/Flamengo


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  • O Zé se enrolou

     
    Tava na cara que o Zé Ricardo sairia do comando do time rubro-negro.

    A derrota inexplicável para o Vitória, por 2 x 0, em plena Ilha do Urubu foi o ponto final.

    Não considero o Zé um mau técnico e sou contra esse negócio de trocar toda hora.

    Mas, infelizmente, não tinha outra alternativa para o clube, que já se despediu de ser campeão brasileiro este ano.

    Fez ótimos trabalhos nas categorias de base e levou o Flamengo a um quase título brasileiro no ano passado.

    O que fica difícil de entender é como, com um material humano que tinha atualmente, ele não conseguisse armar um time, um esquema tático, nada!

    Se enrolou demais.

    E ainda insistia no Márcio Caramujo.

    Depois daquela pixotada do Willian Arão, que acabou no gol dos baianos, vi que a panela tinha virado de vez.

    Agora, é esperar que o novo técnico transforme o Flamengo no time que ele pode ser.

     
    Paschoal Ambrósio Filho é jornalista e autor dos livros 6x Mengão, 100 Anos de Bola, Raça e Paixão, e PentaTri.

     


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  • Zé Ricardo – Início, meio e fim

     

    Zé Ricardo era visto como bom técnico da base. Ganhou a Copinha montando um time sub-20 com bons valores e competitivo. O técnico, então, ficou prestigiado. Era comum os elogios e o desejo que se aprimorasse na carreira fazendo cursos da UEFA e sendo auxiliar técnico de treinador consagrado. Voltaria ao Flamengo para fazer carreira como treinador.

    Mas o destino geralmente dá dribles seguidos em qualquer planejamento ou ideia. Parece proposital. Muricy, contratado, não vinha bem como técnico até pela carência de zagueiros e pela ousadia de se reinventar como treinador de time mais voltado ao ataque. Não estava dando certo. Flamengo sofria um vexame após o outro em campo. A torcida estressada, fez até o zagueiro Wallace sair correndo do clube quando virou o foco principal da revolta. Então, Muricy adoeceu. Flamengo colocou Zé Ricardo como técnico interino até a contratação de técnico definitivo, que me parece que seria o Abel pela escolha de Rodrigo Caetano. A torcida ainda recalcada com ele desde 2003 após o episódio “Santo André” o renegou publicamente. Mas, neste ínterim, Zé Ricardo conseguiu dar uma equilibrada no time, o tornando menos ofensivo, fazendo Arão não avançar tanto como fazia com Muricy, e substituindo Cuellar por Marcio Araujo, para “cobrir os laterais”, segundo a versão corrente. Com a troca de goleiros, PV por Muralha, na época um bom goleiro, Flamengo deixou de tomar tantos gols de frango. E com a chegada de Rever e Vaz a zaga se acertou de vez. Com a vinda de Diego, Flamengo cresceu no campeonato brasileiro a ponto de chegar, em algum tempo, a disputar a primeira posição com Palmeiras embora nunca tenha conseguido.

    Zé Ricardo recebeu a consagração de muitos torcedores. Mas o time, ainda assim, tinha uma característica peculiar. Não procurava “matar seus jogos”. Isto é, uma vez feita a vantagem, recuava para jogar em contra-ataque, se expondo perigosamente. Além disso, Zé Ricardo mantinha o costume de alongar as substituições necessárias, tornando-se, assim, previsível em virada de tempo.

    Flamengo, então, com Zé Ricardo começou a mostrar indícios da falta de competitividade, ao ser eliminado de forma vergonhosa na Sul Americana pelo Palestino, jogando “em casa”, na saudosa Cariacica. Time mostrou paralisia coletiva a ponto de receber olé.

    A torcida culpou as constantes viagens. “Atrapalham os jogadores”, disseram. A diretoria conseguiu então que os jogos fossem feitos no Maracanã, justamente na reta final. Sendo que as partidas mais espaçadas, jogando-se uma vez por semana, dando tempo para mais treinamentos. E aí o time estagnou de vez. Zé Ricardo não conseguiu fazer o time evoluir de forma alguma. Previsível, os demais times encontraram a formula de deter o Flamengo, principalmente fazendo marcação alta e contando com as seguidas falhas do Marcio Araujo, que por todo o tempo foi titular absoluto do Zé Ricardo, para desespero de boa parte da torcida.

    Flamengo, então, de candidato a título chegou em terceiro lugar. Zé Ricardo não conseguiu “reinventar” o time na reta final. Sucumbiu às suas ideias arraigadas de composição, mantendo o time titular até o fim.

    Mas vinha o ano de 2017. Libertadores, fortalecimento de elenco, torcida exigente de títulos relevantes. Não seria a hora de contratação de técnico experiente, de qualidade, vencedor até para Zé

    Ricardo complementar sua formação de técnico, estudando nos cursos da UEFA e depois servindo como auxiliar técnico? Como um técnico ainda bem inexperiente no profissional conseguiria lidar com elenco de formação tão complexa com exigência enorme de performance?
    Muito difícil, certo? Mas a diretoria não entendeu assim, e não sei se por planejamento ou comodismo resolveu apostar na continuidade. O que poderia ser ruim para todos se desse errado. E deu.

    Zé Ricardo passou a trabalhar com o elenco fortalecido por mais reforços mantendo a base de seu time de 2016. Fazendo até declarações de “lealdade”, supostamente bem agradecido a estes jogadores o terem “ajudado”. Típico de técnico inexperiente ainda sem confiança em si próprio. Mantendo o chamado “mono-esquema”, que já irritava boa parcela da torcida ainda em 2016, procurava rodar os reforços de forma a torcer para que coubessem na camisa de força que instituiu na forma do time jogar.

    Conseguiu o carioquinha, mas foi vexatório na Libertadores. Não conseguiu fazer nenhum ponto em jogos fora. Derrotado fragorosamente em todos, vendo o Atletico-PR se classificar em nossa chave. O time não evoluía. Não andava. Um elenco de bom nível cujo técnico tinha a teimosia em escalar jogadores de menor capacidade técnica, para poder encaixar na camisa de força.

    Campeonato brasileiro. Corinthians, com um bom técnico no elenco, dispara em pontos. Flamengo, claudicante, jogando de forma previsível. Com jogadores contratados sendo amontoados em um esquema que não conseguiu dar liga e nem o técnico arrumar solução. Troca goleiro por outro, troca de novo. Falhas de marcação seguidas, volante insubstituível marcando presença jogo a jogo, ataque inoperante até pela característica já marcada de jogar com pivô.

    Flamengo então perde do Vitória em casa. 2 a 0. E a diretoria, após muita pressão da torcida, resolve demitir o treinador.

    E agora, temporada perdida, fazer o que? Contratar já treinador forte, experiente e vencedor já para tentar algo em torneio eliminatório que falta, e este treinador pela disponibilidade hoje só poderia ser estrangeiro, como Rueda? Ou a diretoria apostará na solução caseira, do técnico brasileiro que está sobrando mas é mais fácil para o departamento de futebol dialogar e controlar?

    Infelizmente apostaria na segunda opção em se tratando do perfil desta gestão de futebol. Mas, vejamos.
     

    Flávio H. de Souza escreve no Blog Pedrada Rubro-Negra. Siga-o no Twitter: @PedradaRN
     

    Foto destacada nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo
     


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  • Os sinais

     

    É tarde.

    A luminosidade tépida que já sussurra sair de cena, a tênue brisa que se esgueira em carícias, o reconfortante aroma terroso e herbal de grama e mato que contorna as narinas, o aconchegante silêncio apenas entrecortado pelo sibilante chilrear das pequenas aves que, vez ou outra, rompem entre as abundantes árvores que contornam o gramado, tudo parece convidar ao descanso, ao repouso. Ou à melancólica reflexão.

    No entanto, todo esse cenário árcade contrasta com uma desajeitada sinfonia de apitos, gritos, palavrões, rugidos e o surdo e seco espocar de bolas que infestam o campo de visão, rodopiando daqui pra lá, espancadas, pisoteadas, chutadas e estapeadas nervosamente por profissionais em atividade.

    É dia de trabalho.

    Agora há dois grupos em disputa. A esfera está com o time de colete, que vai rodando o jogo, de acordo com as orientações do professor, que, à guisa de maestro, boné e apito à boca, vai cantando os movimentos de seus comandados, buscando conferir alguma ordem àquela frenética e aparente descoordenada correria. Eis que uma bola é esticada à lateral do campo. O passe não é muito preciso, mas encontra um jogador livre. Um pique, e pronto. Mas o rapaz trota, ensaia arrancar, estaca e enfim desiste do lance. E a bola, matreira e sorridente, sai pela linha lateral, expressão de escárnio.

    São os sinais.

    O professor limita-se a um esporro protocolar, sem carregar nas tintas. Vivido, sabe que não tardará o dia da despedida. O dia do adeus. Na verdade, um “até breve”, conhecedor das coisas da bola nativa. Tem a perfeita noção de que, meses antes, o lateral arrancaria para alcançar bolas ainda piores, como se sua existência disso dependesse. Faz parte do protocolo. Da liturgia. Da vida.

    Sabe o professor que o momento da chegada é o mais importante. É o que definirá o tempo de duração no cargo. É a hora de criar a empatia imediata, mostrar-se carismático, trazer para seu lado um grupo de jovens sonhadores mas não muito dados à disciplina ou a essas coisas enfadonhas de movimentos de cobertura, deslocamentos, infiltrações e outras complicações a que são obrigados sem a bola. De tudo isso o professor tem noção. A percepção de que precisa conquistar os “cabeças”, as referências do plantel, transformá-los em “auxiliares” informais, que saberão facilitar seu trabalho em troca de certas regalias na forma de funções táticas menos áridas e prioridades na escalação, entrevistas, reportagens. Em contextos mais árduos, nos elencos mais difíceis, mesmo a necessidade de segregar elementos refratários, se for o caso. Tendo êxito nessa etapa, o professor terá feito os jogadores “correrem” por ele. E tudo se tornará mais simples.

    A fase seguinte será a transmissão de suas ideias. Manhoso, o professor não exige muito de seus comandados nesse aspecto. Com efeito, um grupo disciplinado e disposto à entrega em campo não precisa de muita “ciência” na cabeça. A defesa, ou o sistema defensivo como um todo, precisa de posicionamento adequado, adestramento dos movimentos de cobertura e insistente treinamento nas bolas paradas. Jogadores motivados se procuram e se encontram em campo. Eis o que os “modernos” chamam de compactação, aglutinação ou outras palavras bonitas pra vender jornal. O velho professor, nos seus tempos de jogador, praticava compactação desde o dente de leite. E agora se descobriu ser “coisa nova”.

    Enfim, organizada a defesa, o professor se dedica à forma de jogo. E aí vai dos ingredientes. E do “pacto” com as lideranças. Se o time é jovem, leve e veloz, faz jogo de correria, vertical. Se tem mais idade e é mais técnico, trabalha posse de bola e marcação por pressão. Se é tecnicamente tosco, insiste em jogadas ensaiadas e muita bola alta na área. Tudo isso precisa dar liga em dois, três treinamentos. Porque no seu primeiro jogo é imperativa a vitória. De preferência jogando bem. Uma boa vitória na estreia conquista de vez o time. O elenco. O clube. A torcida.

    “Chegar chegando. Nunca falha.”

    Imerso nesses pensamentos, o professor termina mais um treinamento burocrático. Vai caminhando para a coletiva de pré-jogo. As dóceis perguntas dos jornalistas não o preocupam. Setoristas costumam manter um certo acordo tácito. “Não aperto, trabalho em paz”. Será inquirido acerca de banalidades, falará da dificuldade do jogo, simulará alguma dúvida na escalação, desfiará declarações rigorosamente similares às proferidas dias antes. Comentará da “situação difícil na tabela, que estamos enfrentando com muito trabalho”, e a entrevista acabará com todos contentes com suas pautas fechadas.

    “No fundo, isso tudo é um teatro em que cada um exerce seu papel.”

    Entediado, o professor volta a recitar em sua mente os passos de seu ciclo. É apresentado, conquista o grupo, organiza minimamente o time, faz os jogadores correrem pra ele, vence. E aí vem a melhor parte.

    Porque, quando tudo corre bem, a primeira vitória traz confiança. E não há nada mais letal do que jogador motivado e confiante. “Dopado” com esses atributos, o indigente joga como medíocre, o medíocre vira bom, o bom se torna craque, o craque se reveste em gênio. E as panelas batendo soam como orquestra. E as vitórias borbotam caudais, colhem-se de cacho.

    E aí o professor vira estrela de programa esportivo, os principais jogadores se tornam xodós ou ídolos, seu time vira moda, referência, passa a ser admirado, comentado, falado, invejado. Independente do que aconteça a partir daí, o nome já está estabelecido para o mercado. Contratos futuros.

    “Essa parte é boa. Muita gente puxando o saco”, reconhece enquanto masca um chiclete e entra no carro.

    No auge do prestígio do ciclo, o professor tem um arco amplo de atuação. Treinos pegados, jogadores querendo mostrar serviço, “fazer filme” com o chefe. É uma hora delicada, porque o professor não pode se esquecer daqueles que lhe abriram a porta no começo. Mas também precisa manter o time funcionando. É o que os mais novos chamam de “gestão do elenco”. Antigamente se dizia “papaizão”. Saber comandar, disciplinar, afagar, manter todos juntos a ele. É nessa hora que muitos se perdem.

    Depois, o início da queda. O time passa a ser estudado, analisado, dissecado. E anulado. As vitórias agora escassas, às vezes vindo em semanas. E sem a fragrância adocicada do triunfo, esvai-se a confiança. “O papai já não dá mais no couro”. E o elenco, antes pilhado e arrebatado pela fome do êxito, volta a se dedicar a assuntos mais mundanos e agradáveis em suas resenhas e horas de folga.

    “Quando a ladeira vira descida já era, amigo”. O professor já está a caminho de casa, ouvindo algo para se distrair da tensão.

    Cinco jogos sem vitória. Um novo revés no domingo e será engatada a terceira derrota seguida. E os sinais, sempre os sinais, todos aí, expostos a todos os que são capazes de interpretá-los. Dando de ombros, o professor sente não haver muito o que fazer. Perdeu o grupo. Não necessariamente por indisciplina, todos chegam no horário, batem ponto, treinam e vão embora. Mas o elenco já não lhe pertence. Não há a fé. A flama do objetivo em comum. A identidade coletiva.

     

    Os sinais. Jogadores substituídos com gestos de reprovação, como discreto menear de cabeça ou a marcha displicente ao deixar o gramado. As entrevistas veladas, “tá faltando organização ali”, “estamos atacando com pouca gente”, “temos que treinar mais”, empresários de jogadores (normalmente os reservas) cavando vaga em outras equipes, as matérias evidentemente plantadas na imprensa, “alguns diretores já estão descontentes”, “treinador já não é unanimidade no clube” e o beijo da morte do presidente ou do executivo, ou de qualquer homem-forte, que “prestigia” o trabalho em público. “Ainda não nos passa pela cabeça trocar”, “confiamos nele para reverter essa situação”, declarações que sinalizam que a lâmina já está sendo afiada para a execução.

    O telefone toca no viva-voz. É seu agente. Traz uma sondagem de outra equipe. Também grande e com problemas na tabela. Com um jogo duríssimo no fim de semana. Provável derrota e demissão do colega. O agente quer saber se interessa. “Cozinha eles. Já vai discutindo salário, essas coisas. Mantenha no circuito. E se vazar pra fora eu nego e a coisa morre, ok?”

    Assim são as coisas. Assim é o jogo. Assim é a vida.

     
    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
     

    Foto destacada nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo


     


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  • Peraltadas #14 – Um até mais e dois medos

    Até

    Zé Ricardo se vai depois 90 jogos no clube, sequência que nenhum treinador rubro-negro conseguia desde Carlinhos, entre 1991 e 1993. Promissor, a torcida fazia questão de gostar do campeão da Copinha 2016. Uma pena ter se perdido tanto, sabotando seu próprio trabalho agarrado a jogadores medíocres.

    Ora, ora

    Não deixa de ser irônico que o treinador tenha caído justamente após um raríssimo jogo em que não utilizou nenhum jogador do quarteto maldito. Tarde demais, o máximo que podemos esperar de 2017 é que não comprometa muito 2018.

    Perdidos

    O Coordenador de Psicologia poderia explicar o que ocorre com um time que leva um gol de um futuro rebaixado e se desespera tanto. Não que isso fosse algo extraordinário, mas o Flamengo criava chances até sofrer um gol em um erro individual. O que se viu depois foi ansiedade e descontrole transformados em cruzamentos na área.

    Planejamento

    Sigo esperando alguma explicação para Leandro Damião ter jogado mais do que o dobro de minutos de Felipe Vizeu na temporada. Na quarta, o jovem mostrou ter muito mais qualidade que o jogador do Santos. No domingo, chegou atrasado e perdeu um gol que teria mudado completamente o contexto do jogo. Faltou ritmo, não?

    Que erro!

    Zé vai, Jayme fica. O Flamengo perde uma imensa oportunidade de se livrar do Márcio Araújo da comissão técnica, um “professor” ultrapassado e desqualificado. Marketing social tem limite, a função de auxiliar não pode ser tratada como algo irrelevante. O Corinthians teve Carlille por 8 anos e nós com esse senhor ingrato que o Luxemburgo desenterrou em 2010…

    Medo

    Assustadora a relação de treinadores especulados para substituir Zé Ricardo. Não há bom nome disponível no mercado brasileiro, mas alguns são especialmente bizarros. Cogitar Jorginho, por exemplo, me embrulha o estômago.

    Medo [2]

    Vocês falando em padrão de jogo e tudo que quero é um treinador que não utilize Muralha, Vaz, Márcio Araújo e Gabriel. A coisa ficou tão feia que a gente acaba se contentando com o mínimo. Se o substituto chegar montando o time com o 8, eu largo os bets.

     
    José Peralta é craque em cornetagem, mas é maneiro pacas. Toda segunda-feira suas peraltadas estão aqui, no Blog CRFlamenguismo.

    Foto destacada nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

     


     


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