Autor: diogo.almeida1979

  • Flamengo x Vasco no Maracanã: 20 motivos comprovam como o Flamengo é o trouxa do futebol brasileiro

    1. O aluguel do Maracanã é caro;

    2. O custo de operação do Maracanã é caro;

    3. O Maracanã é tão caro que até a CBF foge dele é não o utiliza em jogos da seleção;

    4. O Maracanã tem cadeiras cativas;

    5. O Maracanã obriga o mandante a deixar de vender milhares de ingressos para separar a torcida visitante;

    6. A distância da arquibancada do Maracanã até o campo é muito maior. Se não estiver lotado, a perda técnica é grande;

    7. O Maracanã é o estádio de todos. O adversário e sua torcida não se sentirão desconfortáveis deslocando-se pela Tijuca;

    8. O gramado do Maracanã é ruim e favorece a equipe menos técnica;

    9. O adversário mandou o jogo da ida no estádio que desejou;

    10. O estádio escolhido pelo adversário, como ficou claro, é infinitamente menos seguro que a Ilha do Urubu, que não tem nenhum histórico de confusão;

    11. A torcida do adversário foi a causadora da confusão que ensejou a mudança do local do jogo do returno;

    12. Se há risco, que o clube/torcida causador do problema seja punido sem carga de ingresso para visitantes;

    13. A Ilha do Urubu possui todos os laudos e licenças necessários para a realização do jogo;

    14. O Botafogo jogou na Ilha contra Flamengo e Fluminense em 2016;

    15. O Botafogo jogou na Ilha sem alvará da Prefeitura em 2016;

    16. O Botafogo não jogou contra o Vasco na Ilha em 2016 apenas porque o clube cruzmaltino estava na Série B;

    17. O Maracanã é o estádio onde o adversário visitante mandou sua última partida e onde mandará a próxima;

    18. O adversário nunca jogou na Ilha do Urubu;

    19. O Flamengo tem 72,2% de aproveitamento na Ilha e 33,3% no Maracanã;

    20. Não nos esqueçamos quem contribuiu para a CBF retirar o mando do Flamengo. Além do Coronel da PM e do Promotor do MP/RJ, os vereadores Otoni de Paula e Felipe Michel atuaram contra os interesses do clube. Esses dois dependerão dos votos dos rubro-negros em próximas eleições.


    José Peralta é craque em cornetagem, mas um cara maneiro pacas. Toda segunda-feira suas peraltadas estão aqui no Blog CRFlamenguismo.

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  • Caminhos para o basquete fora do estado de São Paulo

    Em 22 de setembro de 2012, cinco anos atrás, eu escrevi um artigo aqui com o título: “O maior adversário do basquete do Flamengo”.

    Nele eu argumentei: “O Flamengo precisa de um basquete nacional forte e descentralizado para se sustentar, pois isto é essencial para atrair financiamento. Um basquete concentrando suas forças exclusivamente no estado de São Paulo é uma séria e constante ameaça à continuidade do time da Gávea. Muitos poderão argumentar que na maior parte da história do basquete brasileiro as coisas foram assim, e o basquete do Flamengo está aí desde 1919 presente, ainda que com algumas interrupções. Mas agora a necessidade de uma estrutura financeira forte é maior, se houvesse um novo distanciamento, certamente seria em escala ainda mais intensa do que no passado, e muito provavelmente de uma forma fatal. Até porque na Gávea não existe a conjugação verbal ‘ser coadjuvante’, logo ou se está brigando no páreo, ou o caldeirão arrebenta. (…) É muito importante para o Flamengo que haja um basquete forte fora de São Paulo, capaz de enfrentar as equipes paulistas de igual para igual. Mas a força do capitalismo financeiro vai sempre tentar induzir a concentração. É necessário uma estratégia ativa contra estas forças centralizadoras”.

    Pouco depois, uma declaração oficial confirmava a lógica dos meus argumentos: “Não é possível fazer o Campeonato Paulista correndo junto com o NBB. Tivemos este ano Sul-Americano pra lá, Sul-Americano pra cá, Jogos Abertos… E o NBB não quis de jeito nenhum adiar seus jogos, e aí ficou nesse lenga-lenga. Ano que vem vou bater o pé. Vou querer o Paulista até o dia 5 de dezembro. O Paulista vai de agosto até o início de dezembro, como sempre foi. Essa situação ocorre porque os estados que não fazem basquete, como Brasília e Rio, querem que o NBB comece o quanto antes. O negócio deles é matar o Campeonato Paulista, mas eu não vou deixar” – declaração dada em dezembro de 2012 ao jornalista Alessandro Lucchetti, do Estado de São Paulo, pelo presidente da Federação Paulista, Toni Chakmati

    No mesmo texto de setembro de 2012, eu pedia: “Seria fundamental também um torneio paralelo ao Paulista entre os times dos outros estados, talvez fosse o primeiro grande passo para viabilizar uma Segunda Divisão. Daria para fazer um torneio com pelo menos 12 times, reunindo Brasília, Flamengo, Uberlândia, Minas Tênis, Joinville, Vila Velha, Tijuca Tênis e Basquete Cearense, e dentre os que poderiam se somar a eles: Sport Recife, Bira Lajeado, Campo Mourão, Londrina, Corinthians Gaúcho, Vitória, São Sebastião do Paraíso … deveria ser aos moldes da Liga das Américas, com Quadrangulares concentrados em determinadas cidades-sedes (barateando transporte e buscando centros que dessem retorno em presença de público). De preferência um ‘torneio batizado’, levando o nome de alguma empresa em troca do financiamento dos deslocamentos das equipes de menor capacidade de financiamento…”.

    Cinco anos depois, a Copa Avianca é uma primeira caminhada nesta direção. Poderia ser muito mais explorada. Precisou a Polícia Militar do Rio de Janeiro vetar os jogos com torcida organizada, precisou a FBERJ cancelar o Estadual 2017 para que as agremiações do Rio de Janeiro enxergassem este óbvio ululante!!!

    Em junho de 2014, escrevi outro artigo aqui no blog no qual reforcei: “O maior adversário do basquete do Flamengo continua sendo o mesmo”, no qual endossei minha argumentação: “E se há duas temporadas dava para pensar num torneio como este com pelo menos 12 times, hoje é muito difícil chegar a esta quantidade. A próxima temporada do NBB terá 6 de fora de São Paulo, e na segunda divisão deste ano houve 2 (Campo Mourão e Sport Recife). Portanto, conseguir reunir 10 já parece um desafio enorme! Mais do que nunca, é urgente uma atitude para reverter este quadro”.

    Houve um primeiro embrião com a Copa Rio-Nordeste em 2016, chamado de “Super Four”, com Flamengo, Vasco, Basquete Cearense e Vitória, disputado no Centro de Formação Olímpica, em Fortaleza.

    Agora em 2017, a Copa Avianca organizou um Hexagonal em Belo Horizonte, reunindo Flamengo, Vasco, Botafogo, Minas Tênis Clube, Basquete Cearense e Vitória. Uma evolução, um passo largo adiante, mas ainda falta mais ousadia e abrangência para se alinhar ao que eu pedia há cinco anos atrás.

    Minha proposta de competição ideal para atingir esta meta de um projeto de descentralização do basquete brasileiro, com datas apenas durante a disputa do Campeonato Paulista:

    Participantes: Flamengo, Vasco, Botafogo, Basquete Cearense, Vitória, Minas, Contagem Towers, Campo Mourão, Caxias do Sul, Joinville, ou APAB Blumenau ou Ginástico ou Praia Clube Uberlância, e UniFacisa (para estimular o projeto num centro de pouca tradição no basquete, como a Paraíba). Seriam 6 ou 5 da Região Sudeste, 4 ou 3 da Região Sul, e 3 da Região Nordeste, totalizando 12 equipes divididas em 2 grupos com disputas simultâneas.

    Formato de disputa: dois hexagonais ao mesmo tempo no mesmo formato da Copa Avianca 2015 durante três circuitos com duração de 1 semana cada. Um primeiro circuito na segunda quinzena de agosto, um segundo circuito em setembro, e o terceiro circuito na primeira quinzena de outubro. Cada circuito teria dois campeões. Cada campeão de circuito ganharia dois pontos, e cada vice-campeão de circuito ganharia um ponto. Os quatro que mais pontuassem, com o número total de vitórias como critério de desempate, disputariam um quadrangular final, um Super Four, às vésperas do início do NBB.

    Exemplo

    1º Circuito (agosto)

    Grupo A, em Manaus (não tem equipe no torneio, mas tem ginásio e torcidas pelos times de futebol do Rio para atrair público)
    Times: Vasco, Botafogo, Basquete Cearense, Caxias do Sul, Joinville, Contagem Towers e ou APAB Blumenau ou Ginástico ou Praia Clube

    Grupo B, em Campina Grande
    Times: Flamengo, Vitória, Minas, Campo Mourão, Joinville e UniFacisa

    2º Circuito (setembro)

    Grupo C, em Fortaleza ou Salvador ou Campo Mourão
    Times: 1º, 3º e 5º do Grupo A + 2º, 4º e 6º do Grupo B

    Grupo D, em Fortaleza ou Salvador ou Campo Mourão
    Times: 2º, 4º e 6º do Grupo A + 1º, 3º e 5º do Grupo B

    3º Circuito (outubro)

    Grupo E, em Fortaleza ou Salvador ou Campo Mourão
    Times: 2º, 4º e 6º do Grupo C + 1º, 3º e 5º do Grupo D

    Grupo F, em Belo Horizonte ou Rio de Janeiro
    Times: 1º, 3º e 5º do Grupo C + 2º, 4º e 6º do Grupo D

    Final Four (Fim de Outubro)

    Em Belo Horizonte ou Rio de Janeiro
    Times: 4 com mais pontuação nos 3 Circuitos

    Campeão de Circuito = 2 pontos, Vice = 1 ponto

    Semi-final: 1º x 4º e 2º x 3º + Final
     


    Marcel Pereira é economista e escritor rubro-negro, autor do livro “A Nação” (Editora Maquinária).

     
    Imagem utilizada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

  • A crise de identidade

    Desde que me entendo por gente vivo uma bipolaridade entre comemorar a grande fase do Flamengo rumo a todos os títulos da Via Láctea e na semana seguinte estar fazendo contas de quantos jogos precisamos vencer para escapar do rebaixamento.

    Mas a verdade é que existe uma série de coisas que mudaram no futebol brasileiro e no próprio Flamengo e a combinação disso nos jogou em um limbo existencial entre o Ser Rubro-Negro que fomos e o Ser Rubro-Negro que vivenciamos hoje.

    Depois de mais de um século administrado como um clube qualquer, descobrimos nos últimos anos que com o mínimo de competência e equilíbrio, temos potencial para sermos uma Nação não apenas como torcida, mas como instituição esportiva. O Flamengo hoje é um clube profissional, com todos os ônus e bônus que isso carrega, e isso é uma novidade para nós torcedores.

    Vou ilustrar meu argumento com o exemplo razoavelmente recente do título brasileiro de 2009:
    Adriano voltava ao clube simplesmente por ser Didico, torcedor como todos nós, não por habilidade dos cartolas. Criaram uma campanha de marketing para a torcida escolher com qual número de camisa ele deveria jogar, a 9 ou a 10. A 9 ganhou de lavada mas ele quis a 10. Didico tem desses caprichos. Então ele jogou um ou dois jogos com a 9 e ficou por isso mesmo. Foda-se.

    Segue: nosso meia de criação na heroica conquista do hexa foi o Pet. Que só estava no elenco por conta de um acordo judicial pela dívida milionária que o clube tinha com ele. Não havia nem plano real de utilizá-lo. Jogar o fino que ele jogou então foi a surpresa do século.

    E o técnico? Andrade era o auxiliar que foi efetivado no modo “vai tu mesmo” depois que vazaram com o Cuca…

    Tudo, amigos, literalmente tudo era mambembe, improviso. Nosso mística é que brilhou porque o Flamengo nasceu para brilhar.

    Hoje não. Nosso elenco é profissional. Qualificado. Planejado por um diretor de futebol de currículo vitorioso. Foi mapeado no mercado levando em conta oferta e necessidade. Há verba cada vez mais alta para investir graças a bem costurados acordos de patrocínio, ao corretamente implantado plano sócio-torcedor. Nosso técnico é um dos principais nomes do continente, sempre especulado em importantes seleções — essa semana foi a do Chile.

    Isso tem resultado em títulos?

    Não.

    Sabemos lidar com esse fato?

    Nem fudendo.

    Embanana nossa cabeça mesmo.

    Mas…

    Aquela gangorra entre lutar para não cair em um ano e querer ser campeão no ano seguinte mesmo sem organização pra isso parece cada vez mais distante. Hoje temos uma realidade equilibrada que nos permite realmente almejar a conquista de toda competição que encaramos. Estar disputando nas cabeças é uma obrigação não mais por conta “de sermos Flamengo” mas porque de fato temos uma das equipes mais qualificadas e caras dos campeonatos que disputamos.

    Isso para nós torcedores ainda é novidade. Sempre fomos o time da massa. Nunca da verba. O time da entrega, nunca o do pragmatismo. Nosso Deus é de Quintino e usava fralda vermelha e preta. É complicado para nosso sangue borbulhante não questionar um camisa 10 que chega com trinta anos a peso de ouro, muita rodagem e títulos pelo mundo, mas que nem sempre fala o que o torcedor quer ouvir quando o time perde.

    Paralelo a isso, o Brasileirão mudou. O Flamengo, que sabemos bem ser uma torcida que tem um time e não contrário, sempre jogou no modo deixou-chegar-fudeu. Mata-mata é nossa essência. Então o campeonato passa a ser de pontos corridos. Valendo a mesma coisa vencer o primeiro jogo lá em abril ou o último quase em dezembro. Tem que ter uma frieza europeia para lidar com essa fórmula. E somos apenas rapazes (e moças) latino-americanos.

    Aí chega outubro de 2017, vencemos o Carioquinha, fomos eliminados na primeira fase da Libertadores, chegamos na final da Copa do Brasil, estamos brigando por vaga na Libertadores no Brasileiro sem jamais ter disputado a liderança de verdade e temos a reta final da Sul-Americana para disputar.

    O que achar dessa temporada?

    Dizer que é uma bosta seria exagero. Qualifica-la de boa, pelo menos por hora, excesso de boa vontade.

    Não anda fácil ser Flamengo. Temos uma crise de identidade entre nossa essência e a nova realidade para encarar.

     


    Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015). Siga-o no Twitter: @pedroneschling

     

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    Imagem destacada no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

  • A cabeçada de Réver e as intermináveis listas

    Era um jogo ordinário. No 0x0 pantanoso do primeiro tempo, no 1×0 fortuito e no 1×1 do pênalti de Juan em Brocador, era um jogo ordinário, irritante de tão ordinário. Nada fluía para Diego e Guerrero e assim já eram dois setores operando abaixo da necessidade. A noite de quinta-feira se encaminhava para mais uma de irritações em 2017.

    Talvez tenha algo a ver com este confronto com o Bahia, afinal. No meu baú afetivo, guardo apenas um jogo contra o Bahia no Rio de Janeiro, os 3×0 em 1985, com o golaço de falta de Zico, que na Rádio Tupi foi anunciado por Jorge Curi como um chuá: – Lá vem Zico, atirooou… Ceeestaaa! Nem mesmo os 6×0 de 2003, o jogo do luto por Roberto Marinho, me vem naturalmente como uma bola lembrança, talvez por ter sido um ponto fora da curva de um time que era errático demais. Fato: jogos contra o Bahia no Rio costumam ser chatos, é a história quem afirma isso.

    E seria só mais um desses jogos chatos não fosse a cabeçada de Réver. Quem diria que uma partidinha tão ordinária guardaria espaço para um lance que talvez figure entre as cabeçadas mais bonitas do Flamengo em todos os tempos? O centro em parábola de Everton, a subida de Réver meio corpo acima dos beques, para testar no ângulo oposto e impossível para o goleiro do Bahia, e a bola estufando o véu de noiva como se houvesse saído de um chute e não de uma cabeçada. Foi o primeiro momento da noite que me fez sorrir, porque no gol inaugural só havia soltado um palavrão de desabafo.

    E como se a cabeçada de Réver houvesse aberto uma brecha no espaço-tempo para que a noite fosse enfim agradável, Diego fez mais dois gols para fechar a conta em goleada e talvez seja possível nos recordamos deste jogo no futuro como uma boa lembrança no meio deste emaranhado de jogos chatos contra o Bahia.

    Ativei a velha mania de fazer listas e coloquei o gol de Réver entre as dez cabeçadas que mais gosto do Flamengo, sempre deixando de fora da lista gols de Zico e gols em finais, sendo as outras nove Tita contra o Fluminense em 1979, Nunes contra o Fluminense em 1981, Tita contra o Palmeiras em 1984, Adílio contra o Campo Grande em 1984, Mozer contra o Santos em 1984, Bebeto contra o Vasco em 1989, Junior contra o Americano em 1991, Gaúcho contra o São Paulo em 1992 e Adriano contra o Santos em 2009.

    É claro que eu mesmo sou capaz de contestar essa lista, e tentar espaço para o peixinho de Sérgio Araújo contra o Santos em 1988, para tantos outros testaços fulminantes de Gaúcho, e certamente temos como elegíveis cabeçadas de Romário, Cláudio Adão, Aldair; cabeçadas célebres de famosos-famosos e cabeçadas obscuras de famosos-quem?, mas se o gol de Réver, além de reabrir o caminho para a vitória e para os três pontos, me valeu para começar a fazer listas, certamente será uma das poucas lembranças que guardarei de 2017.

    Bom, talvez este gol, e esta vitória, também deem ao time um pouco mais de lucidez, e aí Rueda poderia usar essa lucidez para vencer os próximos três difíceis jogos, e o campeonato já não será então só essa obrigação chata que vem sendo. Talvez. Ou talvez eu só queira me enganar mais um pouquinho.

    Não importa. Por ora, fico com essa lembrança, de Réver subindo acima de toda a defesa do Bahia, acima de Todos os Santos, de todo o tédio que começava a dominar a Ilha do Urubu, de todo esse Flamengo de estatura mediana de 2017. Lá de cima, Réver acertou uma cabeçada de cinema para que não fôssemos dormir irritados mais uma vez. Para um ano como este, não é pouca coisa.

     


    Mauricio Neves é autor do livro “1981 – O primeiro ano do resto de nossas vidas” e escreve no Mundo Bola todas as sextas-feiras. Siga-o no Twitter: @flapravaler

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    Imagem usada no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

  • Árbitro paulista apita Flamengo x Bahia

    No jogo da vigésima nona rodada do Campeonato Brasileiro de 2017, o Flamengo irá enfrentar o Bahia, nesta quinta-feira (19), às 21:00, na Ilha do Urubu, no Rio. Para apitar a partida, a CBF escalou o árbitro Marcelo Aparecido R. de Souza (SP/CBF) e os auxiliares Alex Ang Ribeiro (SP/CBF) e Anderson José de Moraes Coelho (SP/CBF).

    Em 2017, o árbitro paulista já esteve envolvido em polêmicas, no jogo entre Atlético-PR e Grêmio, que terminou em 2 a 0 para a equipe gaúcha na segunda rodada do Brasileirão, naquela ocasião, a equipe paranaense reclamou muito da arbitragem, que não marcou um toque de mão do zagueiro gremista, que resultaria em um pênalti.

    Histórico em jogos do Flamengo

    Marcelo Aparecido atuou em sete jogos do Rubro Negro nos últimos três anos, sendo este o quarto do ano. Nos seus últimos jogos, o arbitro tem uma média de 4 cartões por jogo, a maioria amarelos, e apenas 1 vermelho, apitando jogos da Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.

    O último encontro do árbitro com o Flamengo foi no jogo de ida da decisão da Copa do Brasil de 2017, no duelo contra o Cruzeiro. Na partida o Mais Querido ficou apenas com empate no Maracanã, por 1 a 1, Lucas Paquetá marcou pelo Rubro-Negro. Antes disso no mesmo ano, o árbitro havia atuado em uma vitória do Mengão, diante do Atlético-PR na Ilha do Urubu, por 2 a 0.

    Scout do árbitro em jogos do Flamengo

    Vitórias: 4

    Empates:1

    Derrotas:2

  • Flamengo perde para o Santos, mas avança de fase na Copa do Brasil Sub-17

     

    Na tarde desta quarta-feira (18), os Garotos do Ninho, jogando na Vila Belmiro, conquistaram a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil Sub-17. O Santos derrotou o Mais Querido por 2 a 1, não conseguindo reverter a vantagem da equipe carioca, que venceu o jogo de ida por 5 a 2 na Ilha do Urubu. Denílson e Rodrygo anotaram os tentos santistas, enquanto Vitor Gabriel descontou para o Flamengo.

    Com a classificação, o Rubro-Negro enfrentará o Cruzeiro na próxima fase da competição. A equipe mineira passou Internacional com um empate jogo de ida e vitória por 3 a 1 em Nova Serrana (MG). O mando de campo e datas para este confronto serão definidos através de um sorteio na sede da CBF.

    No entanto, antes de enfrentar a Raposa, o Flamengo tem um importante compromisso pelo Campeonato Carioca.  Pelo primeiro jogo da decisão da Taça Rio, os Garotos do Ninho vão enfrentar o Botafogo, no estádio Nilton Santos, no próximo sábado (21), às 15h45 (de Brasília).

    O jogo

    Mesmo podendo perder por até dois gols de diferença, o Flamengo teve a iniciativa da partida, chegando com perigo aos cinco minutos em um chute de fora da área. O Santos, então, após as investidas rubro-negra, adiantou suas linhas e equilibrou o duelo.

    Aos 13 minutos, Rodrygo apareceu pelo lado esquerdo, driblou dois marcadores próximos à área e fez o cruzamento para Denílson, que chegou batendo de primeira, sem chances para o goleiro Victor Hugo. Aproveitando o bom momento, o Santos continuou pressionando e por pouco não chegou ao segundo tento com Giovanni. Na jogada, o atacante recebeu o cruzamento e cabeceou para trás, mas bem posicionado, o goleiro Victor Hugo fez uma excelente defesa.

    Precisando ampliar o marcador, o Santos seguiu com maior posse de bola e pressionando o time adversário pelo lado esquerdo. O Peixe ainda teve mais duas chances claras de gol, mas desperdiçou com Mikael e Rodrygo, respectivamente. O Flamengo, por sua vez, não conseguiu mais chegar com perigo após a pressão inicial e apenas administrou o resultado até o intervalo.  

    Foto: Reprodução/Twitter Santos FC

    A equipe rubro-negra empatou o clássico no início da etapa complementar. Aos cinco minutos, Matheus Alves fez um bonito lançamento da intermediária para Vitor Gabriel, que estava sem marcação na área. O camisa 9 da Gávea dominou no peito, deu um tapa na bola tocou para o fundo da rede do goleiro James, decretando a igualdade.

    O gol de empate do Flamengo foi como um balde de água fria no time santista. Mas precisando balançar as redes, os donos da casa logo retomaram as ações e foram em busca do desempate. O Santos novamente se manteve no campo de ataque, criou as melhores chances, mas as desperdiçou.

    A insistência do Peixe, porém, foi premiada no final do jogo. Aos 40 minutos, Lucas Lourenço deu um belo passe para Rodrygo pelo alto, que dominou e tocou na saída do arqueiro rubro-negro. O gol deu mais ânimo ao jogadores alvinegros, que tiveram a bondade do árbitro paulista Thiago Luiz Scarascati de estender o jogo até o minuto 52. No fim, o lateral-esquerdo Pablo, do Flamengo, acabou recebendo o segundo cartão amarelo, e consequentemente o vermelho, por reclamar da generosidade do juiz. Mas apesar do resultado negativo, o Flamengo garantiu a classificação. 

    “Foi uma partida muito difícil contra um adversário de muita qualidade. Graças a Deus construímos um ótimo placar jogando na Ilha do Urubu, e conseguimos nos classificar para as quartas de final. Ter a oportunidade de jogar e fazer um gol na Vila Belmiro, berço de grandes craques do futebol como Pelé e Neymar, é algo que me deixa muito feliz e motivado para seguir minha luta rumo a todos os meus sonhos”, disse o atacante Vitor Gabriel, autor do gol rubro-negro.

    Flamengo: Victor Hugo; Ramon (Teo), Aristeu, Patrick, Pablo; Henrique (Lucas Gabriel), Matheus Alves; Luan (Marx Lenin), Yuri (Rhyan), Wendel; Vitor Gabriel (João Guilherme). Técnico Márcio Torres.

    Crédito da imagem destacada: Ian Sena /Flamengo 

  • Mudanças no futebol rubro-negro

    Além do mau momento vivido pelo Flamengo, o que tem me tirado do sério são as chuvas de reclamações nas redes sociais e grupos do WhatsApp. Na sua grande maioria, as reclamações são justas e corretas, mas confesso que viver num mundo cercado de reclamações é muito chato. Assim, propus que ao invés de reclamações, fossem feitas sugestões de mudanças no futebol Rubro-Negro. Eis aqui as feitas com mais frequência e as quais irei emitir minha opinião:

    Autonomia ao novo vice-presidente de futebol Ricardo Lomba

    Concordo. Bandeira de Mello nunca deveria ter acumulado a função. O Presidente do Clube deve estar presente no futebol, mas dar autonomia ao seu Vice Presidente e aos profissionais contratados para este trabalho. Tendo um papel parecido com o que sugeri para o CEO do Clube.

     

    Demissão de Fernando Gonçalves, coordenador de psicologia

    Concordo. A demissão de Fernando Gonçalves deveria ser imediata. As justificativas são inúmeras, mas a principal é o comportamento do time em campo. Não virou uma partida contra um adversário de respeito, se mostra apático e conformado com as derrotas. O Flamengo precisa contratar um profissional com trabalhos em grandes clubes e com um currículo indiscutível.

     

    Demissão do gerente de futebol, Mozer

    Não tenho como opinar, pois o que faz dentro do Clube é uma incógnita. Mais uma falha do Flamengo.

     

    Demissão do Rodrigo Caetano

    Discordo. Muitos dirão que é o responsável por este time, mas acho que é um dos responsáveis por o Flamengo ter este elenco. O fato do time não estar apresentando um bom futebol não pode ser atribuído a ele. Já se mostrou contrário a proteção de jogadores e não tem a autonomia necessária para o cargo que ocupa.

     

    Demissão do clube ou afastamento do CEO Fred Luz do futebol

    Concordo com a segunda opção. O CEO do Flamengo sempre é avaliado pelo futebol do Flamengo, quando entendo que deveria ser avaliado por tudo, em outras áreas do Clube, tem demonstrado um bom trabalho. Não acho que tenha que se afastar totalmente do futebol, mas deveria dar mais autonomia ao Diretor de Futebol e deixá-lo subordinado diretamente ao Vice Presidente de Futebol. Assim, acompanhando o futebol e interferindo pouco ou quando solicitado.

    Troca de Victor Hugo, preparador de goleiros

    Concordo. A fase vivida pelos antecessores do Diego Alves está ligada a preparação. O exemplo disso é o Alex Muralha, fez dois bons Campeonatos Brasileiros, sendo convocado para seleção brasileira e neste ano teve uma queda brusca de rendimento. Por onde passou, Victor Hugo teve mais comemoração na sua saída do que em sua chegada. O Flamengo precisa contratar um preparador de goleiros com bons trabalhos realizados recentemente.

     

    Saída do goleiro Alex Muralha

    Concordo em parte. Caso haja uma proposta, não me oporia a sua saída. Caso contrário, com um bom preparador de goleiros, tem condições de ser um bom reserva para o Diego Alves.

     

    Saída do zagueiro Rafael Vaz

    Concordo. Já demonstrou que não tem condições de vestir o Manto Sagrado, o emprestaria até o fim do seu contrato com o Flamengo.

     

    Saída do volante Márcio Araújo

    Concordo. Já demonstrou que não tem condições de vestir o Manto Sagrado. Não apenas pelo futebol medíocre, mas pelo espírito perdedor que parece ter contaminado quase todo elenco.

    FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

     

    Saída do atacante Gabriel

    Concordo. Em 5 anos não conseguiu ter uma sequência de boas atuações. Sempre é noticiado que tem um clube interessado, empresta com o valor do passe fixado e que vá ser feliz em outro lugar.

     

    Saída do auxiliar de futebol Jayme de Almeida

    Concordo. Tem DNA Rubro-Negro, mas não agrega mais valor ao time e aos técnicos, sempre sendo deixado de lado assim que possível. Além de ter um defeito grave, é defensor dos perebas e sempre que assume interinamente promove a volta deles ao time titular.

     

    Empréstimo do meio-campista Matheus Sávio e do centroavante Felipe Vizeu

    Concordo. Matheus Sávio ainda mostrou a que veio e um empréstimo para um time que dispute a série A ou B pode ser importante para que jogue, ganhe experiência e desenvolva seu futebol sem a pressão da torcida. Felipe Vizeu teve uma queda de rendimento e um empréstimo pode ser uma boa solução.

     

    Contratação de um goleiro reserva

    Concordo em parte. Caso Alex Muralha saia do Flamengo, concordo com a contratação de um bom goleiro para ser o reserva imediata do Diego Alves. Deixando Thiago a posição de terceiro goleiro.

     

    Renovação do zagueiro Juan

    Concordo. Zagueiro mais técnico do time e com DNA Rubro-Negro, figura importante dentro do elenco.

     

    Contratação de mais um zagueiro

    Concordo. Hoje o Flamengo somente pode contar com 3 zagueiros, Juan, Réver e Rodolpho. Vaz não traz confiança e Léo Duarte ainda não mostrou o motivo de ser promovido ao time principal. Além disso, Juan tem que ser poupado de alguns jogos por conta da idade. Assim, a contratação de um zagueiro ou quem sabe até dois deve estar entre a lista de contratações para o próximo ano.

     

    Renovação do centroavante Guerrero

    Concordo. Peça fundamental do time e que não só produz mais porque a bola não chega a frente com a frequência e qualidade que se deve. Apenas por conta da idade, condicionaria o recebimento do salário atual a um número mínimo de partidas e conquistas.

     

    Contratação de um “bom finalizador”

    Concordo. O Flamengo deveria contratar dois e não apenas um. Deveria contratar um atacante que saiba jogar fora da área e com finalização para ser companheiro do Guerrero. Outro para ser reserva imediato do Guerrero em caso de ausência deste.

     

    Mudança no comportamento dos jogadores

    Concordo. Essa é uma das principais mudanças que o Futebol Rubro-Negro deve sofrer. A Nação Rubro-Negra não merece e não aguenta mais um time tão apático e sem vibração como este. Poucos são os jogadores que demonstram indignação com as derrotas. A torcida quer um time com sangue nos olhos, como é tradição Rubro-Negra.

     

    Transparência nas metas e atreladas a conquistas

    Concordo. As metas não só do Futebol, mas de todo Clube deveriam ser exibidas no site e serem atreladas a conquistas. O Clube deve ter a mesma transparência com as metas com que tem com suas contas.
    Bem, essas são as principais mudanças que foram sugeridas e como podem ver e concordo com a sua grande maioria. Gostara de lembrar a torcida, sócios, jogadores, profissionais do Clube e dirigentes que o Flamengo tem sempre que vir em 1º lugar. Espero que essa reflexão chegue aos dirigentes do Clube e que tenham sabedoria para absorvê-las da melhor forma possível e humildade para reconhecer os erros.

    Saudações Rubro-Negras,

     


    Bruno Baesso escreve no Blog Vivendo o Flamengo e também é um APOIADOR do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @BrunoCBB55

     
    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

  • A profunda entrevista do filósofo do futebol Fred Luz

    “Laissez-faire, laissez-passer, le monde va de lui même (Deixar fazer, deixar passar, que o mundo vai por si mesmo) ” – QUESNAY, François.

    “Ouça um bom conselho/ Que eu lhe dou de graça/ Inútil dormir que a dor não passa/ Espere sentado/ Ou você se cansa/ Está provado, quem espera nunca alcança” – BUARQUE, Chico

     

    Contarei uma história de um casal. História fictícia, mas que poderia ser real. Casal jovem, poucos anos de casado, ambos começando a vida profissional. Um dia, a moça pensa: “quero ser mãe”, o rapaz assente: “quero ser pai”. Um ou dois filhos, imaginam. E começam a projetar a imagem dos pequenos correndo pela casa, das brincadeiras, de uma vida em família, essas coisas que se vê nos comerciais de margarina. E se animam. Mas logo ponderam: “A casa é pequena, precisa de uma casa maior”, “Preciso concluir o mestrado antes de me dedicar à maternidade”, “Acho que em mais um tempo consigo minha promoção”, “Antes disso preciso trocar o carro”, “Aquela viagem dos sonhos pra Paris”, entre outras prioridades que vão emergindo no pensamento de ambos. Sim, eles querem ter filhos, mas há outras prioridades. “Com certeza teremos um filho. Algum dia isso acontecerá”.

    Ou seja, na verdade não querem. Até desejam, mas não querem.

    Passam-se alguns anos. Seguem morando na mesma casa. Não viajaram pra Paris. O carro não foi trocado. A promoção do rapaz não veio. A moça terminou o mestrado, mas perdeu o emprego. As contas da casa nem sempre fecham. Mesmo assim, olham-se fixamente, pensam, ponderam, fazem conta daqui e dali e decidem: “f-se”. E resolvem “engravidar”. E a partir dali todo o cotidiano e toda a estrutura do casal estará, nos próximos meses, voltado ao projeto de colocar no mundo uma criança. “Loucura, insensatez”, ouvirão. Mas insistirão assim mesmo. E terão o filho. Que nascerá saudável e será criado sem que nada lhe falte, apesar dos sacrifícios. Renúncias.

    Porque seus pais assim o quiseram.
     

    * * *

    Há cerca de seis dias, o CEO do Flamengo, Fred Luz, concedeu longa entrevista ao Globoesporte.com, onde desenvolveu algumas linhas de raciocínio acerca de seu trabalho no clube e, em especial, no futebol, onde admitiu a necessidade de prestar uma “atenção especial”. Entre outras declarações, uma em particular chamou a atenção:

    “Não tenho dúvida de que o Flamengo vai engrenar. Assim como eu sei que eu vou morrer (risos), só não sei quando nem como, eu tenho certeza de que o Flamengo vai engrenar. Só não sei quando.”

    O responsável pela execução do planejamento estratégico da instituição, pela movimentação do maior orçamento da história do clube e do futebol brasileiro, informa candidamente que “não sabe quando nem como” o Flamengo irá se tornar protagonista.

    Na segunda-feira próxima passada, o meia Diego, um dos principais jogadores da equipe, concedeu entrevista coletiva, falando da sua atuação contra a Chapecoense, dos momentos difíceis vividos após a Final da Copa do Brasil, da frustração com a lesão que o tirou da Seleção Brasileira. Em determinado momento, declarou o seguinte:

    “Temos que fazer as coisas como acreditamos. O trabalho será recompensado em algum momento. Vai acontecer.”

    Quando se coteja a declaração de uma das lideranças e referências do elenco com a frase do “presidente profissional” do clube, percebe-se, sem nenhum esforço, a similaridade de teor. Significa que a mensagem transmitida pela cúpula diretiva do Flamengo chegou ao “chão de fábrica”. Uma índole determinista, fatalista, quase bovina de esperar que “o destino ajeite as coisas”.

    Daí se torna ao início dessas linhas. O Flamengo realmente QUER ser campeão? Protagonista?

    O Flamengo está disposto a estabelecer renúncias, a se indispor, a se indignar com os resultados obtidos no campo? O Flamengo realmente demonstra insatisfação com sua posição intermediária no Brasileiro e com a precoce eliminação na Fase de Grupos da Libertadores?

    Tornemos à entrevista do Sr. Luz.

    “Discordo completamente disso aí, acho que tem muita cobrança, os próprios jogadores se cobram muito (…) Temos que corrigir isso e identificar o que está acontecendo com a gente.”

    “Se o Flamengo ficar entre os quatro primeiros no Brasileiro e ganhar a Sul-Americana, acho que terá sido um bom ano para o Flamengo.”

    Perceba-se a contradição entre uma pretensa assertiva declaratória de que “há cobrança” e a frase seguinte, de conformismo e aceitação de um desfecho amealhando resultados muito abaixo aos anseios do torcedor flamengo. O Flamengo, na pessoa de seu principal dirigente remunerado, avisa à sua torcida e aos seus empregados que aceita como “boa” uma temporada onde o time, um dos mais caros do país e do continente, terá, hipoteticamente, amealhado um quarto lugar no Brasileiro e uma conquista de uma Copa Sul-Americana, torneio que, em que pese sua relevância continental, serviria como uma espécie de “prêmio de consolação” ocasionado pela precoce eliminação na Libertadores. Naturalmente, o time conquistou o Estadual.

    Foi para conquistar Estaduais que se mobilizou tanta gente lá atrás, em 2012?

    O que se seguirá poderá chocar, parecer cru, reacionário, ultrapassado, corja, ou gerar outras reações do tipo. Mas a questão é que o que o torcedor quer ver, o que o torcedor quer viver, o que o torcedor quer sentir, é o Flamengo ganhando, ralando a bunda no chão, erguendo taças. O torcedor não está preocupado se os jogadores estão recebendo em dia, se estão treinando em CT de mármore ou no barrão, se o ticket médio é de R$ 5 ou de R$ 500. O torcedor nem abre notícia de “prêmio financeiro”, “clube cidadão”, “benchmark” ou outras filigranas. O torcedor quer ver gol. Quer ver 90 minutos de futebol e ter a certeza que seu time irá derrotar o adversário. E, caso não aconteça, ao menos sair de campo tendo se sentido representado.

    O Flamengo de hoje nos representa?

    Não se trata de fazer apologia aos tempos românticos do atraso ou das dívidas. Até porque essa discussão já deveria ter sido superada. O que se trata é de exigir que se arrebentem as muletas, os subterfúgios, as douradas de pílula, as armadilhas do longo prazo. Queremos ser campeões. HOJE. AGORA. JÁ. E se isso não estiver nem perto de acontecer, como tem sido a tônica da temporada, que se cortem cabeças, que se reformule, que se admita o erro. Que se AJA.

    Que se QUEIRA ser campeão. Como nós queremos.

    “Acho que no momento em que foi feito o planejamento, ele foi bem feito. Depois, se mostrou que poderíamos ter feito coisas diferentes.” – LUZ, Fred

    Boa semana a todos.

     


    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
     

    Imagem do post e das redes sociais: Reprodução Globoesporte.com

  • Flamengo tem 66,66% de aproveitamento na Arena Condá

    A 11ª vitória do Flamengo no Campeonato Brasileiro 2017 veio em Chapecó, mais precisamente, na Arena Condá, estádio da Associação Chapecoense de Futebol. Foi o 5º confronto entre as equipes no local, e o retrospecto é favorável ao Rubro-Negro: 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota, 7 gols marcados e 3 sofridos. Relembre os confrontos:

    Campeonato Brasileiro 2014 – Chapecoense 1 x 0 Flamengo

     

    Escalação: Paulo Victor, Luiz Antonio, Wallace, Marcelo e João Paulo (Marcio Araújo); Muralha, Héctor Canteros (Negueba), Lucas Mugni, Everton, Gabriel (Eduardo da Silva) e Alecsandro. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

     

    Campeonato Brasileiro 2015 – Chapecoense 1 x 3 Flamengo

    Escalação: Paulo Victor, Pará, César Martins, Samir e Jorge (Luiz Antônio); Marcio Araújo, Héctor Canteros e Everton; Paulinho (Ederson), Kayke e Marcelo Cirino. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

    Gols: Paulinho, Canteros e Kayke

     

    Campeonato Brasileiro 2016 – Chapecoense 1 x 3 Flamengo

    Escalação: Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Jorge; Marcio Araújo, Willian Arão, Diego (Cuéllar), Gabriel (Leandro Damião) e Everton (Mancuello); Paolo Guerrero. Técnico: Zé Ricardo.

    Gols: Diego, Leandro Damião e Mancuello

     

    Sul Americana 2017 – Chapecoense 0 x 0 Flamengo

    Escalação: Diego Alves, Rodinei, Réver, Juan e Pará; Cuéllar, Arão e Diego (Éverton Ribeiro); Berrío (Lucas Paquetá), Everton (Vinicius Jr) e Paolo Guerrero. Técnico: Reinaldo Rueda.

     

    Campeonato Brasileiro 2017 – Chapecoense 0 x 1 Flamengo

    Escalação: Diego Alves, Pará, Réver, Rafael Vaz e Miguel Trauco; Willian Arão, Gustavo Cuéllar, Diego (Gabriel) e Everton Ribeiro (Romulo); Everton (Berrío) e Paolo Guerrero. Técnico: Reinaldo Rueda

    Gol: Diego

     

    Chegada do ônibus do Mengão na Arena Condá, para a festa da torcida. Foto: Adriano Skrzypa

    Quando analisamos de forma geral, ou seja, em jogos no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, o aproveitamento é ainda melhor: 76,66%. Apenas uma derrota em dez jogos, ainda dois empates e sete vitórias.

    Em Santa Catarina, 4 técnicos comandaram o Flamengo nestes 5 jogos. Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira, Zé Ricardo e Reinaldo Rueda (2x), mas apenas com o colombiano não sofreu gol (2 partidas). O meia-atacante Everton disputou todos os confrontos entre Chapecoense e Flamengo na Arena Condá.

     

     

    Créditos nas imagens: Adriano Skrzypa

  • O elo é fraco

    [two_third]Eu estava ouvindo o podcast Revisionist History, do Malcolm Gladwell, quando ele citou que o basquete é um esporte que depende do melhor jogador, mas o futebol depende do elo mais fraco do time.
     
    E isso explicou demais o Flamengo 2017.

    No basquete é só você fazer a bola chegar na mão do LeBron, Durant, Curry, Jordan, que o cara resolve por conta própria. É comum ter um jogador bem abaixo dos outros 4 titulares do time e não prejudica tanto o desempenho da equipe. No futebol não.

    A seleção argentina, mesmo com o Messi, sofreu muito para se classificar para a Copa da Rússia. E no último jogo foi o próprio camisa 10 resolvendo sozinho. Mas o time já tinha começado na desvantagem exatamente por culpa do elo mais fraco.

    Os autores do livro Gravesen entre e Carlos Diogo já foram volante deles.

    Em 2013/14, na retomada dos títulos europeus, o Real fez uma troca de jogadores brasileiros que deixou bem clara a mudança de pensamento do clube. Saiu o Kaká e chegou o Casemiro. Saiu um galático e chegou o carregador de piano que ajuda a equilibrar o time. E não foi só isso, o Madrid mudou completamente a estratégia de contratações. Mesmo que tenha batido recorde contratando o Bale, buscou o Asensio, no Mallorca, por menos de 4mi de euros. Está gastando menos e com mais foco. Hoje o Real prefere investir em promessas (como o Vinícius Jr) que em medalhões que custam 2, 3 vezes mais e não rendem.

    O Kroos, é essencial pro time e foi contratado por 25mi de euros. Valor baixo entre contratações dos maiores clubes da europa.

    O Real encorpou o elenco. Matou os elos fracos. Continua com craques, mas não tem jogadores que destoem para baixo.

    Ao contrário do Barcelona, que tem Messi, Suárez e Piqué, mas o time não tem equilíbrio. E estão contratando mal. Gastando muito dinheiro por jogadores que não rendem o que deveriam.

    Dei essa volta toda pra falar do Flamengo, obviamente.

    Hoje temos galáticos (pro mercado nacional) como Guerrero, Diego, Éverton Ribeiro e Diego Alves. Mas também temos nossos Gravesens. Nossos elos fracos erram passes decisivos, não marcam direito, chutam errado, pulam só pra direita.

    Custam pontos, nos eliminam de campeonatos.

    No nível de elenco do Flamengo, é mais importante contratar 4 jogadores de R$ 10mi que um jogador por R$ 40mi. E é até mais fácil. Tem muito mais jogador bom do que craque, no mercado.

    Se vier mais algum galático pra 2018, ótimo. Mas não deve ser o foco. O Flamengo precisa fortalecer os elos fracos.

    PS: Como o podcast é em inglês, achei uma transcrição. Pode facilitar para quem quiser entender um pouco melhor a teoria do elo fraco. Fica mais fácil de traduzir.

     
    Metade humanas metade exatas. Trabalha com marketing, e analisando dados. Tenta explicar com números tudo que é possível. Twitter: @luizfilipecm
     


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