Autor: diogo.almeida1979

  • Brasileiro Feminino: Flamengo/Marinha enfrenta Foz Cataratas no Paraná

    Na quinta-feira (17), as atletas do Flamengo/Marinha querem conquistar a primeira vitória como visitante no Campeonato Brasileiro Feminino 2018. O adversário é o Foz Cataratas/Coritiba, às 20h, no Estádio Pedro Basso. A entrada ao estádio é gratuita, mas, quem quiser pode realizar a entrega de 1kg de alimento não-perecível. Não é obrigatório, mas o Foz Cataratas irá doar para entidades que atendem pessoas carentes. O duelo é válido pela 4ª rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro Feminino 2018, e os portões do estádio Pedro Basso, localizado em Foz do Iguaçu-PR, serão abertos às 19h.

    O time titular para esse jogo ainda não foi definido pelo técnico Ricardo Abrantes. O XI inicial da partida contra o Rio Preto tinha: Kaká; Rayanne, Renata Diniz, Ana Carol e Fernanda Palermo; Ju, Beatriz e Bárbara; Rafaela, Pâmela e Dany Helena. A volante Beatriz, expulsa no duelo anterior, é desfalque para a partida no Paraná.

    Arbitragem –  Foz Cataratas/Coritiba x Flamengo/Marinha

    O duelo será conduzido pelo árbitro Cristian Eduardo Gorski da Luz, auxiliado por Denise Akemi Simões de Oliveira e Heitor Alex Eurich.

    Histórico de confrontos

    Será a terceira partida entre as equipes na história do Futebol Feminino. A vantagem é do Mengão: nos dois jogos, duas vitórias do Flamengo: 5 a 2 no Estádio Los Larios (RJ), com gols de Pâmela (2), Bárbara (2) e Jane, e vitória por 1 a 0 no Estádio Pedro Basso (PR), gol da zagueira Ana Carol e com direito a pênalti defendido pela goleira Kaká.

    Lei do ex?

    A atacante Dany Helena foi uma das principais jogadoras do Foz Cataratas/Coritiba na Libertadores 2016. Apesar de ter realizado apenas cinco jogos pela equipe paranaense (contratada apenas para a competição), a atacante fez três gols. A equipe encerrou a participação no campeonato com o 3º lugar. Em entrevista rápida ao Mundo Bola, ela revelou sua expectativa para o jogo: “A equipe do Foz começou bem a competição, vai ser um jogo de 6 pontos e nós precisamos muito da vitória. Joguei lá em 2016 mas a equipe do Foz está bem diferente, espero que possamos fazer um grande jogo e sair com a vitória”.

    Dane Helena já jogou no Foz Cataratas, pela Libertadores Feminina 2016. (Acervo pessoal)

    O adversário

    As meninas do Foz Cataratas/Coritiba estão com desempenho idêntico ao Flamengo/Marinha no Campeonato Brasileiro: ambas as equipes possuem 4 pontos em 3 jogos: 1 vitória, 1 empate e 1 derrota. As paranaenses anotaram 3 gols e sofreram outros três.

    O time titular das paranaenses na partida anterior (derrota para o Santos) teve: Jessica; Bruna, Bruna Amarante, Carol Carioca e India; Vero, Katielle, Gabriela e Thaynara; Pamela e Julia.

    Combate ao Melanoma

    Participantes do Instituto Melanoma Brasil distribuirão folhetos informativos sobre a doença (câncer de pele) durante o jogo, para os torcedores presentes no estádio. As atletas de ambos os times também farão ações antes do jogo.

    Atualmente, o Foz Cataratas/Coritiba é o único time feminino da série A1, que realiza suas partidas no período noturno, o que protege atletas, torcedores, dirigentes e arbitragem da exposição ao sol, um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença. “Os jogos do feminino são sempre às 15h. Esperamos que a CBF veja a importância da mudança deste horário e altere a tabela. É questão de saúde”, enfatiza o vice-presidente do Foz Cataratas/Coritiba, Marcelo Valente.

    Regulamento

    O Flamengo está no grupo 2, juntamente de Vitória-PE, Foz Cataratas/Coritiba-PR, Rio Preto-SP, Santos-SP, Portuguesa-SP, Audax-SP e Ponte Preta-SP. Na primeira fase da competição, as equipes do mesmo grupo enfrentam-se em turno e returno. As quatro melhores, avançam às quartas de finais, após isso, mata-mata com jogos de ida e volta. O campeão, além do troféu, garante vaga na Libertadores da América Feminina 2019.

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    Créditos imagem destacada: Staff Images/Flamengo

    Com informações do site Click Foz do Iguaçu

  • Injustiça da Justiça

    Como operador do Direito, vi ao longo de 18 anos que nem sempre a Justiça é feita por quem prolata uma sentença ou uma decisão

     
    “Meu filho está destroçado.” Estas são as palavras são da Srª. Petronila Gonzales, mãe de Paolo Guerrero. Estão destroçados também a Nação Rubro-Negra, todo um país, o Peru, e fãs do atacante por todo o mundo.

    Sou advogado e como tal, faço o uso do Poder Judiciário para buscar a Justiça para mim e meus clientes. Como operador do Direito, vi ao longo de 18 anos que nem sempre a Justiça é feita por quem prolata uma sentença ou uma decisão.

    Por tudo o que foi comprovado, a quantidade da substância benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, não era compatível com o uso de cocaína (droga), muito menos como chá de coca. Assim, ficou comprovado que não houve dolo, ou seja, intenção do doping, bem como houve contaminação do chá que o Guerrero ingeriu à época.

    Cabe destacar que o próprio TAS (Tribunal Arbitral do Esporte) reconhece que não houve dolo em sua decisão, o que torna mais injusta a referida decisão.

    As decisões judiciais devem ser tomadas de acordo com a legislação e jurisprudência. A legislação são as leis, já a jurisprudência são decisões de casos semelhantes.

    Vou citar abaixo alguns casos recentes para compararmos com o caso concreto do Guerrero:

    Vou citar abaixo alguns casos recentes para compararmos com o caso concreto do Guerrero:

    Maria Sharapova. Doping consciente com intenção de melhorar sua performance esportiva. Pena de 15 meses de suspensão.

    Thomas Bellucci. Contaminação comprovada, não havendo intenção de melhorar sua performance esportiva. Pena de 4 meses de suspensão.

    Jobson (1º doping). Uso consciente de entorpecentes, o chamado doping social, onde não há intenção de melhorar sua performance esportiva. Pena de 6 meses de suspensão.

    Paolo Guerrero. Contaminação comprovada, não havendo intenção de melhorar sua performance esportiva. Pena de 14 meses de suspensão.

    Já andava extremamente decepcionado e desgostoso com o Poder Judiciário, os motivos estão estampados nas manchetes dos jornais, não preciso citá-los.Essa decisão ampliando a pena do Guerrero só serviu para confirmar que as injustiças são mundiais, não se restringindo ao nosso país.

    “Às pessoas que contribuíram para esta vergonhosa injustiça digo que estão me roubando o Mundial e, talvez, minha carreira. Espero que consigam dormir em paz.”Palavras de Paolo Guerrero em seu primeiro pronunciamento após a ampliação da suspensão.

    Guerrero, lhe respondo com lágrimas nos olhos, as mesmas lágrimas que surgiram no momento que li a notícia sobre a ampliação da pena, que as pessoas que contribuíram para esta Injustiça dormem tranquilamente, pois elas não sabem o verdadeiro significado da Justiça.

    Saudações Rubro-Negras,

    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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    Bruno Baesso é pai da Alice, escritor, poeta, advogado, fundador do grupo literário Los Burrachos e louco. Siga-o no Twitter: @BrunoCBB55
     

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    Pagando para ver…
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    > E que pipoquem os gols rubro-negros…
    Tua glória é lutar
    E começa o Campeonato Brasileiro 2018…
    A tão esperada estreia na Copa Libertadores da América 2018
    A barca rubro-negra
    Apatia que incomoda
    Mudanças no futebol rubro-negro

  • Preços altos podem afastar curva de crescimento do Fla no Maracanã contra Emelec; torcida vive melhor fase após reformas da Copa

    Quando o alto-falante do Maracanã anunciar público e renda para Fla x Emelec, o pagante pode ser menor do que no sábado, contra o Vasco

     
    A última parcial de público para Flamengo x Emelec, divulgada pelo Flamengo na manhã do último domingo, dava conta de que 35 mil ingressos haviam sido vendidos. O confronto acontecerá na noite desta quarta-feira (16) e o clima de decisão não parece ter contagiado a torcida como nos três últimos jogos da temporada no Maracanã.

    Ao custo de até R$ 10,00 para sócios-torcedores, o time jogou contra América-MG para 47.175 pagantes, para o jogo contra o Internacional recorde de 55.283, e Ponte Preta, pela Copa do Brasil, para 52.497 compradores. A média assim ficou em 51.651, recorde absoluto após a reconstrução do Mário Filho para a Copa do Mundo 2014, liberado para grandes jogos ainda no ano anterior.

    Punido pela Conmebol por conta dos acontecimentos da finalíssima da Copa Sul-Americana 2017, o time jogou as duas primeiras partidas da Libertadores deste ano em casa, contra River Plate e Santa Fé, com os portões fechados. A punição representou arquibancadas vazias e um grande prejuízo financeiro para o orçamento deste ano, que projeta meta de arrecadação com bilheterias de R$ 49 milhões, somando os lucros com o programa Nação Rubro-Negra.

    O jogo contra os equatorianos pela quinta rodada da fase de grupos da Libertadores garante classificação antecipada para as oitavas de final da competição, lugar pouco frequentado pelo clube, que sequer conseguiu passar nas últimas três edições (2012, 2014 e 2017).

    O Fla antecipou em mais de 40 dias o serviço de venda para a decisão. Sócios-torcedores dos planos mais superiores tiveram desde 6 de abril a oportunidade de garantir seu tíquete. E desde o dia 02 deste mês as vendas para os torcedores que não são associados ao “Nação” foram abertas. Um prazo bastante confortável para que todos os interessados planejem a ida ao jogão.

    “Reta final da fase de grupos do torneio internacional mais importante do ano, jogo valendo classificação, o fim da punição com a volta da própria torcida e grande prazo para compra. Nenhum destes fatores parece ser mais atraente do que os ingressos baratos dos últimos jogos”, declarou um funcionário do clube, que pediu para não se identificar.

    Preços dos ingressos Flamengo x Emelec. Norte esgotado.

    Sócios-torcedores estão pagando valores bem acima do tíquete médio de R$ 29,00, um dos menores dos últimos anos, que fez lotar o Maraca nos últimos jogos. O ingresso para o Setor Norte, o mais popular e único até aqui com venda encerrada, era arrematado por R$ 50,00 para quem faz parte do plano Raça, mas o público em geral pagou exorbitantes R$ 180,00 (R$ 90 para quem tem direito à meia-entrada). Bom lembrar que o ST do plano Raça em um ano desembolsa R$ 480,00. Planos superiores, que basicamente diferem apenas na prioridade de compra dos outros, debitam mais de R$ 2500,00 da conta-corrente dos associados. O quadro mostra o preço nos outros setores.

    Claramente a diretoria buscou um pouco de compensação para o prejuízo de jogar contra os dois outros adversários da chave sem renda alguma. Os preços no Brasileiro provavelmente levam o torcedor a entender que pode escolher os duelos no Brasileiro e Copa do Brasil. A Libertadores passa então a ser “para os ricos” e não é um grande sacrifício abandonar a competição sul-americana enquanto o time estiver bem em outras jornadas. No entanto, a Lei da Oferta e Procura logo pode dar as caras e a precificação para as competições nacionais subir.

    O clássico diante do Vasco, no próximo sábado (19), tem tudo para que os arquibaldos continuem visitando o maior palco do futebol carioca. Os preços do Setor Norte vão de R$ 15,00 (sócio-torcedor) a R$ 60,00 (inteira). Os valores são praticamente os mesmos do jogo de estreia do Brasileiro; com uma pequena variação que chega no máximo a R$ 20,00 nos setores Oeste e Leste Inferior, que podem receber também torcedores vascaínos. Receita de sucesso mantida, mesmo com o rival em profunda crise, que pode influenciar a lotação do Setor Sul, exclusiva para cruzmaltinos.

    Desde 2013, quando o mítico templo do futebol foi liberado após reconstrução para a Copa do Mundo do ano seguinte, o Fla vive de pequenas sequências com público tão bom quanto agora. No Brasileiro de 2015, contra Vasco, Joinville e Internacional a média chegou a ser de 40.434 pagantes. Mas o time caiu de rendimento, decepcionando demais os torcedores com os vexames em casa. O tíquete médio girou em torno de R$ 40,00.

    Como na reta final do Brasileirão 2016, quando o time passou quase toda a temporada peregrinando pelo país. Nas últimas quatro rodadas com mando de campo seu,conseguiu voltar ao palco e estabeleceu uma boa média de 41.907 torcedores. Vice-líder, a torcida festejou a liberação do estádio para o confronto contra o Corinthians. O clube chegou a vender um combo para os jogos contra Botafogo, Coritiba e Santos. Desgastado, não teve fôlego para arrancar a taça de campeão do líder Palmeiras. O time decepcionou com três empates: 2 a 2 contra o Corinthians, 0 a 0 diante do Botafogo e 2 a 2 com o Coritiba, sepultando as chances do hepta. Apenas contra o Santos, na 37ª rodada, venceu. A média pagante chegou a 43.155 pessoas, com o tíquete médio de R$ 50,00 – 60% acima do atual.

    É bom lembrar aqui o quanto o novo estádio encolheu. Será impossível bater sequências épicas como as de 2007 a 2009, quando a Nação estabeleceu seguidos públicos acima de 80 mil pagantes. No entanto, quando o alto-falante do Maracanã anunciar o público e a renda para Flamengo x Emelec, não será surpresa, apesar da importância da noite, se o pagante for menor do que no sábado, contra o Vasco.

    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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  • Chapecoense 3 x 2 Flamengo: ainda que se entendam os porquês

    Entre o estágio e a efetivação: é a pegada da crônica do jogo desta 5ª Rodada de Campeonato Brasileiro, ainda que se entendam os porquês

     
    Uma Chape fraca tecnicamente, que na aplicação tática e jogando nos erros e fraquezas do visitante, leva os 3 pontos em casa contra um desfigurado rubro-negro carioca, poupando quase todos os titulares para o jogo de quarta-feira pela Libertadores e por ausência no elenco de peças compatíveis com as funções exercidas por Éverton Ribeiro e Paquetá nos jogos anteriores.

    Houve necessidade de se formatar um time “às pressas” para esse jogo especifico. Entretanto, há sempre algo a se tirar de jogos como esse. Assim como diagnósticos a serem dados.

    Barbieri pode ser profissional de futuro promissor, conhecedor de táticas e apto para tirar o melhor do elenco que tenha em mãos. Contudo, demonstra certas fraquezas na leitura de jogo, incapacidade de impor-se no elenco para substituir jogadores veteranos que não estejam entregando o que se espera deles e falta de confiança ou quem sabe, ousadia, para fazer testes que podem vir a ser úteis ao longo da temporada.

    Flamengo veio a campo em um 4-1-4-1 tendendo ao 4-3-3 com Marlos Moreno (fora de posição) e Rodinei (improvisado) como alas/pontas, Diego na função de meia-atacante/ponta-de-lança, com Trauco armando pela ala esquerda. E defendia em duas linhas de 4 mantendo Diego e Guerrero mais soltos nas obrigações defensivas. E aí residiu o primeiro pecado do jogo dessa tarde de domingo por Barbieri.

    Ainda que virtualmente o time devesse se comportar bem e impor-se em campo pela qualidade claramente superior, não foi o que aconteceu. Chape fez marcação em uma linha de 4 e duas linhas de 3, onde o trio de ataque sempre pressionasse em linha alta quem estivesse com a bola, e um dos volantes (Canteros e Márcio Araújo) adiantando para cobertura, até muitas vezes passando da linha de meio campo, mantendo sempre 2 ou 3 em cima de quem tinha a posse. Caso Flamengo passasse dessa primeira linha alta, pegaria a defesa do time anfitrião desguarnecida e em menor número, com chance de produzir boas triangulações. Só que o xis da questão foi: quem faria tal saída de bola?

    Jonas, ainda que tenha qualidade nos lançamentos e em certas inversões, teve uma partida do ponto de vista técnico sofrível. Se isentou de dar opção de passe aos zagueiros e laterais inúmeras vezes, aceitando a marcação exercida pela primeira linha de defesa da Chapecoense. Isso tornou o time burocrático e indeciso, girando a bola sem objetivo, esperando um espaço que não viria sem um passe mais agudo, criativo.

    Jean Lucas, ainda que seja um jovem promissor, é um jogador de intensidade e infiltração. Típico volante com explosão e qualidade na chegada ao ataque e arremate. Mas não um volante cerebral, que leia os caminhos do campo, que seja o regente da equipe, funções estas exercidas por Cuéllar e Paquetá no time titular. Como o time sentiu falta da dupla!

    Nessa perspectiva, as melhores saídas de bola consistiam em bolas longas ao ataque, preferencialmente à Guerrero, tentadas com maior eficácia por Juan (4 certas em 9 tentativas) e Trauco (5 certas de 11 tentadas), para que fizesse a proteção em meio a volantes e zagueiros e iniciasse a construção das jogadas, exercendo o papel de meia-armador. O peruano mostrou-se voluntarioso, buscando jogadas por toda a faixa de ataque. Centroavante de rara técnica, teve atuação complicada pela falta de ritmo, ao vencer apenas 9 de 20 divididas, e a costumeira dificuldade de decisão em certas jogadas agudas e cruciais, com as mais claras aos 14 minutos do 1º tempo, em jogada individual pela esquerda, isolando o chute à linha lateral inversa (jogo estava 0 a 0) e a melhor chance do jogo aos 17’ do 2º tempo, ao invadir a área com a bola dominada e chutar torto longe do gol (estava 1 a 1 e já tinha feito um gol de cabeça em falta cobrada por Trauco).

    Com essa dificuldade apresentada, a Chapecoense se postava em campo à espera de erros da equipe visitante, criando o gol de abertura do placar, no segundo grande pecado de Barbieri na escalação inicial: o corredor esquerdo. Apodi é conhecido por ser lateral de grande força no apoio ao ataque e veloz, com claras fraquezas defensivas. Com isso, ter na ala esquerda da defesa Marlos Moreno, Trauco e Juan, foi o prenúncio do suicídio.

    O colombiano, ainda que com lampejos de habilidade ao longo dos 90 min, possui dificuldade em exercer obrigações defensivas com intensidade. Trauco é o lateral mais técnico do elenco mas possui óbvias dificuldades de cobrir a falta de mobilidade e explosão de Juan, por sua baixa estatura e velocidade. Ainda que tenha feito 6 desarmes e vencido 9 dos 16 duelos disputados, foi incapaz de interceptar o cruzamento rasteiro de Apodi, após perda de Marlos no combate à Canteros, que tabela com Guilherme Augusto, lança o lateral na ponta aproveitando carrinho no vazio de Juan, que termina por se infiltrar no espaço abandonado pelo veterano e concluindo a gol após erro de cobertura de Jonas. Falha coletiva capitaneada pelas dificuldades físicas do zagueiro de 39 anos. Lei do Ex aplicada com sucesso.

    Após a falha, Chape ganha terreno e tem outras chances de ampliar o placar, a primeira em falha de César que chuta em cima do atacante, e outra em cabeçada perigosa que raspa a rede pelo lado de fora. E muito desse domínio vêm da ausência de um meia ou de um jogador que armasse o jogo pela zona central.

    Os pontas espetados foram pouco acionados em passes verticais, Diego, em atuação apagadíssima no 1º tempo, se posicionou mais adiantado, fechando como um segundo atacante próximo a Guerrero. Só que, como a transição não existia, recuava para fazer a saída de bola, mas por não ter os predicados à função, aumentava a passividade à marcação e burocracia da saída de bola. Em muitos momentos, poderia se dizer que Flamengo atuava em um 4-2-4, evidenciando o claro espaçamento de seus setores. Com isso, muitos chutes de fora-da-área, mas pouco perigosos à meta de Jandrei.

    Na volta ao 2º tempo, há certa correção no posicionamento ofensivo pelo lado esquerdo. Com Marlos caindo e fechando mais a diagonal, permitindo que Trauco usufruísse do corredor. Culmina na falta batida por Trauco, alta e na segunda trave, arrematada quase sem ângulo em cabeçada de Guerrero. Gol de empate, momento de alívio.

    Entretanto, a falta de qualidade na saída de bola persiste e o Flamengo continua trocando passes sem objetividade na própria defesa, além do lado direito continuar inofensivo com fraca atuação da dupla Pará-Rodinei. O jogo se torna mais truncado no meio, e as chances de perigo só surgem em lances de bola parada e o contra-ataque desperdiçado por Guerrero, já comentado.

    E aos 20’ 2º tempo , falha clamorosa na saída de bola de Juan, condicionada pela má distribuição apresentada desde o início da partida – e em nenhum momento Barbieri tendo esboçado vontade de corrigi-la. Desarmado, permite que Guilherme invada a área e ao sentir o braço de Jonas sobre seu ombro se joga e consegue cavar o pênalti. Chapecoense mais uma vez à frente no placar.

    Aos 25’ 2º tempo, Barbieri retira de campo Jean Lucas para entrada de Vinicius Jr,retornando Marlos Moreno à sua posição de origem, pela direita, que estava tendo uma atuação correta até ali e auxiliando Jonas na marcação (3 desarmes e 9 duelos de 15 disputados), para manter Diego em campo, que ainda que apresentasse uma melhora técnica (terminou o jogo com 4 passes decisivos), não tem características de armador e ao ser recuado para segundo volante, diminuiu consideravelmente o poder de marcação (0 desarmes, interceptações e chutes bloqueados) e manteve a lentidão da distribuição (1 bola longa tentada e malsucedida).

    Entretanto, a estrela de Vinicius Jr brilha novamente. Aos 32, ainda que anulado desde sua entrada, devido principalmente à falta de criação da equipe, finaliza com extrema destreza mais um cruzamento de Trauco. Gol. E mais uma vez, igualdade no placar.

    Barbieri insiste no erro e não corrige a criação da equipe. Faz o óbvio. “Quer gol? Coloca atacante”. Logo, Dourado em campo. Sempre voluntarioso na marcação, consegue 1 desarme, mas com a nulidade do sistema criativo e em nenhum momento sanada por Barbieri (entradas de Ederson e Cuellar nos lugares de Diego e Pará seriam mais eficazes, ou mesmo adiantar Trauco para a meia com entrada de Renê), sequer finaliza. A entrada, mais tarde, de Cuéllar, pouco agrega ao panorama da partida.

    Contudo, a bola pune. Persistir em seus erros sempre tem um preço a pagar. E não ter corrigido o sistema defensivo pela esquerda pesou no final. Antes da entrada da grande área, cruzamento executado mesmo sob marcação de Cuéllar, pane geral na defesa, falha clamorosa, agora de César (que se apresentou inseguro e fora de ritmo durante os 90 min), derrota decretada e fim da partida.

    Vale frisar que mesmo com as ausências de titulares, era possível levar a campo um time mais coeso e equilibrado, com testes e opções para o futuro da equipe, demostrando força e independência sobre o elenco para fazer o que for necessário visando a vitória acima de tudo, e não a relação cordial e amistosa com o elenco e seus medalhões. Precisamos de técnico. E não creio que seja o Barbieri. Ainda “Segue o Líder! ”, mas sem oba-oba e com todos os pés possíveis plantados no chão.

    Abaixo, para instigar à discussão de outras possibilidades, escalação alternativa a esse time alternativo (em vermelho/amarelo como seria a escalação inicial e em branco/preto pós-substituições).


     

    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Staff Imagens / Flamengo

     

    Matheus Miranda analisa os jogos do Mengão no Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @Nicenerd04
     

     

  • Como ganhar dinheiro apostando no Flamengo

    Você provavelmente já ouviu falar nas apostas esportivas não é mesmo? Hoje em dia as apostas deixaram de ser feitas apenas em lotéricas ou em grupos informais antes de um jogo importante, surgiu uma rede gigante de sites que oferecem a possibilidade de fazer as suas apostas no conforto da sua casa e, dependendo da sua sorte, levar uma bela bolada para casa. Se você também tem interesse em entrar nesse mundo das apostas e fazer uma renda extra com suas apostas no timão fique então de olho nas dicas que trouxemos para vocês logo abaixo.

    Escolha uma liga

    A verdade é que para apostar você precisa conhecer bem os times que estão em campo. Por isso, a nossa dica é que você escolha apenas uma liga para fazer as suas apostas. Não queira abraçar o mundo e apostar em todas as ligas porque, provavelmente, não vai dar bom resultado. Se quer apostar no Brasileirão fique então só nessa liga e, assim por diante. Estude bem essa liga e as suas chances serão bem maiores.

    Estatísticas

    Ninguém é doido de apostar em um time que nunca nem sequer viu jogar. Por isso recomendamos que você acompanhe as estatísticas dos jogos para saber o que cada jogador está produzindo, como cada time tem se desempenhado nas partidas, etc. Acompanhe essas estatísticas para ficar por dentro do assunto e aumentar as suas chances de ganhar uma graninha extra.

    Participe de Fóruns

    Os fóruns sobre futebol, sobre o flamengo principalmente, são excelentes para te ajudar a ficar por dentro do tema e, assim, ter uma visão sobre a competição e poder ter um desempenho melhor ainda nas suas apostas esportivas. Vale a pena participar desses grupos de discussão que, com certeza, você vai aprender muito com eles.

    Se informe

    Informação nunca é demais, ela é crucial! Não vale a pena apostar em um time só porque ele ganhou na Libertadores do ano passado, por exemplo ou porque fez 4×1 contra seu maior adversário, isso não é informação suficiente para ditar as suas apostas! Você precisa estudar bem o time que vai apostar para diminuir as chances de perca e aumentar as de ganhos, como é óbvio!

    Assista o máximo de jogos que puder

    Sempre vai ter um comentarista que vai puxar a bola mais para um time, um narrador ou uma notícia que vai sempre puxar a sardinha para um dos lados, etc. Então, o melhor a fazer é assistir o máximo de jogos que você conseguir e, com isso, tirar as suas próprias conclusões e não se basear no que as pessoas dizem apenas.

    E para saber mais sobre o mercado das apostas esportivas você pode ainda acessar o site https://brasilcasinos.com.br/apostas-esportivas/ onde vai encontrar todas as regras desse game, as dicas, truques para vencer, etc. Vale a pena dar uma olhadinha antes de se jogar nesse mundo de apostas esportivas.

  • O Preço do Maracanã – Parte 6: O fim da Ilha e o Estádio da Gávea

    Depois de investigar todos os possíveis cenários, Bruno De Laurentis chega ao fim da jornada da busca do Flamengo pelo seu direito de operar um estádio

     
    Até o fim do ano temos mais 17 jogos com mando de campo no Campeonato Brasileiro. Teremos mais pelo menos 1 jogo de Libertadores, e se passarmos de fase (e iremos), mais um. Além da Copa do Brasil com um jogo contra a Ponte Preta, e passando, pelo menos mais um jogo – que também certamente seria no Maracanã.

    Antes de seguir, você precisa ler:
    O Preço do Maracanã – Parte 1: Nada sai barato no New Maracanan
    O Preço do Maracanã – Parte 2: Assinando com o Maracanã
    O Preço do Maracanã – Parte 3: A cronologia do contrato
    O Preço do Maracanã – Parte 4: Sem contrato, a extorsão
    O Preço do Maracanã – Parte 5: As duas torres e o efeito Manguinhos

    Nesse caso, já teríamos os tais 20 jogos. A Ilha do Urubu, lá fechada, demandando custo para reforma de pavimentação, gramado, torres e envelopamento das arquibancadas provisórias, o que fazer? O Flamengo paga um aluguel mensal de 300 mil reais mensais à Portuguesa da Ilha do Governador. Até o fim do ano, seria dinheiro no lixo. Cresce nos bastidores um movimento que, em caso de acordo com Maracanã, adiante-se o encerramento do contrato da Ilha do Governador. Se o clube mandar um jogo na Ilha do Governador em um mês, o custo do aluguel será de 300 mil reais, o que surrealmente seria maior que o aluguel de um jogo no Maracanã. No caso de dois jogos, sairia 150 mil cada jogo, enquanto no Maracanã custaria 250 mil cada jogo e você poderia arrecadar mais no total e ter mais gente no estádio. Além disso, o Maracanã com o time em boa fase permite a melhor precificação, enquanto na Ilha os ingressos baixos não pagam o custo de operação e causam prejuízo maior. No Maracanã o Flamengo perdeu apenas um jogo desde 2015, desempenho técnico quase tão bom quanto o da Ilha do Urubu.

    Com todos os pontos elencados, o que você faria? Ainda mais com o furo da repórter da ESPN que talvez o clube nem mesmo precise mais arcar com alguns custos do Maracanã?

    Bem, como também adiantou o Mundo Bola em furo de reportagem, a atualização do Decreto de Cessão da Gávea que resolveu o impasse dos “fins comerciais”, incluiu a assinatura de uma carta de intenções que permitiriam ao clube trabalhar pelo Estádio da Gávea. Ano passado o prefeito Crivella também acenou ser favorável à medida, assinando carta de intenções semelhante. Pela primeira vez desde o meio da década passada, o Flamengo tem os poderes municipal e estadual a seu lado (aparentemente, pois em ano eleitoral nem tudo pode ser levado a ferro e fogo) para levantar seu estádio na Gávea. Acústico, como quer o prefeito, ou boutique, como preferem diretoria e Governo do Estado.

    Todos esses movimentos não são em vão, caro leitor. Em 2013, conforme coluna de Renato Maurício Prado, e em 2015, conforme Ancelmo Góes, Odebrecht e Pezão sinalizaram positivamente para a construção de um estádio pequeno para o Flamengo, até mesmo com parceria da empreiteira.

    Para a empreiteira é a melhor solução, pois um pequeno estádio na Gávea inviabilizaria o clube de mandar jogos de grande apelo fora do Maracanã. Quando o clube acena com a construção de um estádio no terreno de Manguinhos, desenterram projeto de alça de ligação entre Ponte e Avenida Brasil, esquecido há uma década. Tudo sempre será feito para que o Flamengo não tenha um estádio à altura de seu porte, porque ele é o trem pagador do Rio de Janeiro.

    Quando o poder público e privado acenam positivamente para o Flamengo na Gávea com estádio de 20 mil pessoas, eles sabem que perderão apenas os jogos de estadual contra pequenos (pouco lucrativos) e talvez no máximo uma dúzia de jogos ao longo da temporada contra equipes que não causam nenhuma comoção na torcida. Os jogos grandes, o grande público continuaria no Maracanã.

    Então não estranhem o movimento. Talvez até nessa articulação recente de reaproximação com o Consórcio Maracanã já estejam engatilhando o estádio. São muitos fatos acontecendo concomitantemente entre os mesmos agentes de sempre, que costumam dividir o tabuleiro mas nem sempre em lados opostos.

    Circula também que o Flamengo pensa e avalia desmontar a Ilha do Urubu e levar a estrutura provisória para a Gávea, mantendo a mesma estrutura. Nesse caso, deixaria de pagar o aluguel mensal à Portuguesa e teria menor custo por jogo. Um bom histórico em seus primeiros jogos em sua sede desarmaria a vizinhança/Amaleblon e provaria que o clube pode ter seu estádio em sua sede com estrutura definitiva. O metrô está lá para ajudar. O estacionamento do combalido Jockey Club espera ansioso por essa receita.

     

    Assim ficaria a Ilha do Urubu montada na Gávea, em foto tirada do alto de nossa velha arquibancada de alvenaria ainda dos anos 30. Reprodução: @b_delaurentis / Bruno De Laurentis – Mundo Bola

     
    Todas as partes tem boas cartas.

     

    Infelizmente o clube é o que joga com o blefe. Blefa quando pressiona dizendo que não assina com A ou B. Blefa quando diz que vai comprar um terreno. Blefa quando alega poder manter o Maracanã inteiro sozinho como ele é hoje.

    Apenas jogando com inteligência poderá resolver seu problema histórico de não ter um estádio operacional para chamar de seu.

    Que não erremos a mão. Nosso futuro depende disso.

    SRN.

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    O Preço do Maracanã – Parte 1: Nada sai barato no New Maracanan
    O Preço do Maracanã – Parte 2: Assinando com o Maracanã
    O Preço do Maracanã – Parte 3: A cronologia do contrato
    O Preço do Maracanã – Parte 4: Sem contrato, a extorsão
    O Preço do Maracanã – Parte 5: As duas torres e o efeito Manguinhos
    O Preço do Maracanã – Parte 6: O fim da Ilha e o Estádio da Gávea
     

    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Reprodução

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    Bruno De Laurentis é assistente de arte, carioca e gamer. Escreve no blog “Deixou Chegar” e também é responsável pela identidade visual do Mundo Bola. Acesse: brunodelaurentis.com.br. Siga-o no Twitter: @b_laurentis.
     

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  • O Preço do Maracanã – Parte 5: As duas torres e o efeito Manguinhos

    Entenda por que o Flamengo tenta abandonar o caro Maracanã e a utilização da opção de compra do terreno localizado na Avenida Brasil

     
    Com a troca de presidente do Botafogo e uma nova reaproximação entre os clubes, Flamengo pensou no início do ano que finalmente abandonaria o Maracanã e seus preços exorbitantes, uma vez que teria a Ilha do Urubu para jogar partidas de baixa demanda como as de fases classificatórias de estadual e contra clubes de menor expressão ao longo do Brasileirão e das fases menos agudas das Copas. Flamengo pensou até mesmo em jogar a Libertadores na Ilha do Urubu.

    Antes de seguir, você precisa ler:
    O Preço do Maracanã – Parte 1: Nada sai barato no New Maracanan
    O Preço do Maracanã – Parte 2: Assinando com o Maracanã
    O Preço do Maracanã – Parte 3: A cronologia do contrato
    O Preço do Maracanã – Parte 4: Sem contrato, a extorsão

    Curiosamente, tudo deu errado. De novo.

    Na Libertadores, mudou ESTE ano o regulamento que agora PROÍBE que clubes joguem com arquibancadas provisórias em competições sul-americanas. A proibição inclui Libertadores, Sul-Americana e Recopa. Além disso, o Flamengo pegou dois jogos de punição e multa de 1 milhão de reais pelos eventos da final da Copa Sul-Americana no Maracanã de 2017.

    E para piorar, com uma forte chuva, as torres de iluminação do estádio Ilha do Urubu do lado Oeste caíram, uma sobre o gramado ao lado da arquibancada Sul e outra para fora ao lado da Norte. Parte da pavimentação cedeu com o encharcamento do terreno em dois pontos e o clube fechou o estádio para que fossem feitas perícias contratadas com o intuito de repassar todo esse prejuízo para o responsável pelas falhas, seja a empresa projetista, a que executou a obra ou a fornecedora de material.

    Com todo o tempo que perícias e ações judiciais demandam, era confortável dizer que a Ilha não voltaria em pouco tempo. Lembro que à época, disse que não seriam menos de 3 meses. E errei, pois o Flamengo estima que será apenas depois da Copa do Mundo. Bem mais que os 3 meses previstos.

     

    Uma das torres caídas, esta, sobre o gramado, também danificado. Foto: Reprodução

     
    Sem dúvida, uma ação rubro-negra pesou na balança de toda essa disputa: o Terreno de Manguinhos. A opção de compra foi uma importante ferramenta para que as outras partes cedessem mais em negociações, uma vez que comprado o Terreno, não haveria como voltar atrás, e seria muito difícil tirar do Flamengo o direito de lá construir seu estádio. Clube teve o dinheiro e a opção de compra, e não se enganem que isso não tenha pesado nessa nova postura dos agentes Estado/RJ e Consórcio Maracanã.

     

    Tenha certeza de que por isso houve a reaproximação com o Consórcio Maracanã. Treino aberto sem cobrança de aluguel, jogos com aluguel de 250 mil reais contra América, Internacional… Jogo da Libertadores contra Emelec no estádio.

    Curiosamente a reaproximação deu-se após o Consórcio cassar a liminar judicial do Flamengo obtida há pouco tempo que determinou piso e teto para valor do aluguel. Consórcio estava liberado para cobrar os aluguéis exorbitantes, mas curiosamente as partes entenderam-se e estão praticando o valor de 250 mil reais nestes últimos jogos, que afastou a princípio a necessidade de jogar no Engenhão – que tinha aluguel não muito diferente.

    Sabemos também que cresce um movimento no clube de fazer acordo com o Consórcio, que agora sinaliza até negociar participação nos bares e retirar parte das cadeiras da arquibancada Norte Superior para aumentar o número de ingressos à venda. Além disso, o pacote seria para 20 jogos e com prazo de 3 ou 4 anos. Como o prazo excederia o mandato do atual presidente, o contrato seria levado à votação no Conselho Deliberativo do clube. Como informou Gaby Moreira, repórter ESPN, há um novo agente no negócio e essa empresa assumiria parte do aluguel e dos gastos operacionais em troca da exclusividade de exploração nos chamados “ativos de marketing” do estádio que são, em resumo, publicidade nas áreas não exploradas pela TV, como corredores, telão e nos túneis que levam o público até as arquibancadas. Mas aí entra a Ilha do Urubu de novo. O que fazer com ela?

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    O Preço do Maracanã – Parte 1: Nada sai barato no New Maracanan
    O Preço do Maracanã – Parte 2: Assinando com o Maracanã
    O Preço do Maracanã – Parte 3: A cronologia do contrato
    O Preço do Maracanã – Parte 4: Sem contrato, a extorsão
    O Preço do Maracanã – Parte 5: As duas torres e o efeito Manguinhos
    O Preço do Maracanã – Parte 6: O fim da Ilha e o Estádio da Gávea
     

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  • Com as esperanças renovadas, Flamengo busca o empate para forçar o Jogo 5

    A grande vitória do Orgulho da Nação, com muita raça e determinação, levou o Flamengo a ir com tudo para Mogi das Cruzes em busca da vitória para empatar a série, que no momento está 2 x 1 para os paulistas. A bola laranja é levantada neste sábado (12), às 14h, no Ginásio Hugo Ramos. Diante do cenário, o Jogo 4 da série de semifinal do Novo Basquete Brasil continua valendo a vida para o Rubro-Negro. A partida conta com a transmissão do SporTV e da Band. Em caso de vitória, o Mais Querido força o Jogo 5, e o duelo volta ao Rio de Janeiro para a decisiva partida.

    No último confronto da série, o Flamengo conseguiu se sobressair diante do adversário, após perder as duas primeiras partidas de maneira mais apática que o habitual. O Rubro-Negro se encontrou em quadro e dominou Jogo 3 desde o inicio, com destaque para o ala-pivô, Olivinha, que marcou mais um duplo-duplo em sua carreira.

    O capitão e ídolo do Orgulho da Nação, Marcelinho Machado, atua em sua última temporada dentro das quadras, e a próxima partida, tanto quanto o Jogo 3, pode ser sua última, mas o ala rubro-negro não se mostra intimidado, e confia plenamente no grupo para lutar por cada bola na próxima partida.

    “O esporte serve muito para mostrar o caráter das pessoas. A gente vive muito as relações e me sinto muito orgulhoso em ser capitão desse time. E como falei antes, era um momento de vida ou morte. Podemos ter uma situação que não esteja legal aqui ou ali, mas fechamos as mãos e jogamos. Se a gente vai passar para a final ou não, não sabemos o futuro. Mas que eu tenho muito orgulho desse time, eu tenho. Desde o início da temporada, como um apoia o outro, e é assim que a gente vai produzir para buscar essa vitória lá.”

    O ala-armador, Ronald Ramon, também comentou sobre a decisão deste sábado, afirmando que é jogo de vida ou morte para as pretensões do Mais Querido na temporada.

    “É um jogo de vida ou morte. Nós compreendemos que lá é difícil, entretanto, temos que estar focados naquilo que sabemos fazer e no que treinamos durante essa semana. É claro que relembrar esse confronto de 2016 é uma sensação boa. Na época, estávamos no mesmo cenário e conseguimos o resultado. A mentalidade precisa ser igual. É outro elenco, mas o clube é o Flamengo. A camisa fala por si. Vamos dar nosso melhor para vencer o duelo, estamos fechados nisso.”

    No Jogo 1, o Rubro-Negro não foi capaz de sair com o triunfo no território mogiano, com a equipe paulista dominando o garrafão e não permitindo o jogo de transição do Orgulho da Nação. Com destaque para a atuação da dupla Tyrone e Shamell, fecharam a primeira partida da série em 79 a 62. No Jogo 2, o Flamengo jogou diante da Nação no Rio de Janeiro, mas sofreu outro revés, sendo dominado pelo Mogi das Cruzes, que liderou a partida de ponta a ponta, fechando em 88 a 74.

    Com uma rivalidade que vem surgindo nos últimos anos, Flamengo e Mogi estão se encontrando pela terceira vez nas semifinais do Novo Basquete Brasil. Os primeiros confrontos aconteceram nas temporadas 2013/2014 e 15/16 e o Orgulho da Nação saiu vencedor nas duas oportunidades. Na temporada 2013/14, aconteceu o primeiro duelo, o Mais Querido fechou a série em 3 a 1. No jogo decisivo, realizado em Mogi das Cruzes, o Rubro-Negro bateu a equipe paulista pelo placar de 79 a 71, com grande atuação do pivô norte-americano Jerome Meyinsse. Marcando 34 pontos, o camisa 55 ainda pegou seis rebotes e decretou a classificação rubro-negra para a final da competição, diante do Paulistano, finalizada com o terceiro título do FlaBasquete no NBB.

    Na temporada de 2015/16, mais uma série de incrível equilíbrio entre as equipes. O Flamengo virou a série para cima do Mogi, após um lindo toco de Marquinhos no derradeiro lance do jogo quatro, forçando a quinta partida. No último confronto, contando com a Nação lotando o Tijuca Tênis Clube, o Mengão triunfou por 79 a 75. Olivinha foi o destaque do jogo com 22 pontos e oito rebotes. Na sequência, o Orgulho da Nação foi campeão novamente, mais uma vez em cima do Bauru, chegando ao pentacampeonato.

    O Rubro-Negro conta com 60% de aproveitamento diante do Mogi, na atual temporada, depois das derrotas na série de semifinal. Já na fase regular, o time da Gávea tinha duas vitórias em dois jogos. No primeiro confronto da fase regular no Rio de Janeiro, o clube da Gávea venceu por 77 a 71 e chegou ao topo da tabela pela primeira vez na fase regular. No jogo de volta, o Mais Querido venceu de novo, dessa vez por 75 a 72, com destaque para os 20 pontos do armador, Cubillan.

    O Flamengo precisa da vitória para forçar um quinto jogo, que aconteceria no dia 15 de maio, terça-feira, na Arena Carioca 1, no Rio de Janeiro.

     

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  • Flamengo 0 X 0 Ponte Preta: entre equívocos e excessos

    Matheus Miranda analisa o empate do Flamengo diante da Ponte Preta, jogo que carimbou o time nas quartas-de-final da Copa do Brasil, no Maracanã

     
    Entre equívocos e excessos. É a definição para o jogo desta quinta, partida de volta das oitavas-de-final da Copa do Brasil. Jogo pegado, nervoso e burocrático ao longo dos 90 minutos, devido principalmente à má atuação do trio de ataque rubro-negro.

    Ponte Preta veio a campo propondo jogo duro, investindo em um sistema compacto disposto em duas linhas de 4, com os jogadores de meio pendendo ao lado onde a bola estivesse, duplicando a marcação e deixando o lateral na função de cobertura, enquanto que a dupla mais adiantada, Felippe Cardoso e Lucas Mineiro, dificultava a saída de bola da equipe da casa. 4-4-2 proposto como um forte à meta defendida por Ivan.

    Flamengo veio à campo com o mesmo time que enfrentou o Internacional, com uma ligeira diferenciação no posicionamento: Paquetá iniciou jogo passado em uma função mais recuada, como 2° volante pela direita que invertia funções com Éverton Ribeiro. No 2° tempo, postou-se mais à esquerda com certa liberdade para pisar na zona central e se infiltrar nas entrelinhas e rotação por todo o campo. Essa movimentação entre Paquetá e Ribeiro alternavam a equipe entre 4-4-1-1/4-1-2-3.

    Porém, nesse segundo jogo contra a Macaca, o meia-atacante-volante se posicionou mais como autêntico meia-esquerda, com menor presença na saída de bola e buscando se apresentar mais na zona central de ataque, movimentando-se em uma faixa de campo mais reduzida. No comparativo de mapas de calor de ambos os jogos, fica mais claro a diferença de função e posicionamento (avaliações dos jogadores e respectivos mapas de calor encontrados no site sofascore.com).

    Alterações que também se apresentam no posicionamento de Ribeiro, que mais livre para transitar pela zona central de ataque no jogo contra o time gaúcho, nesse já se posiciona mais na faixa intermediária auxiliando na saída de jogo e rotação inicial da equipe.

    Ainda que a configuração da equipe não se altere, o mesmo não pode ser dito do jogo coletivo proposto. Para a saída de jogo, Paquetá tem em seu arsenal a jogada individual, o drible, assim como bolas longas. Permite que o time se espace mais em campo, buscando amplitude nas opções de passe. Com Ribeiro, que na maioria das vezes prioriza tabelas e triangulações, o time age de forma mais compacta no momento ofensivo, buscando maior aproximação de seus jogadores para que as jogadas sejam criadas e finalizadas. Como Vinicius Jr e Geuvânio posicionam-se como pontas espetados de um 4-3-3, necessitou-se da aproximação dos laterais fechando mais por dentro, para que tabelas e triangulações fossem executadas.

    O que nos traz à avaliação dos laterais. Rodinei e Renê não são jogadores dos sonhos da torcida rubro-negra, mas até o momento não estão comprometendo, além de se notar evolução defensiva e ofensiva de ambos. Rodinei municiou o ataque com 3 bolas longas bem-sucedidas de 4 tentadas, 2 passes decisivos, além de auxiliar na retomada de posse com 4 desarmes, 12 de 20 duelos vencidos. Renê foi detentor de números até mais satisfatórios, com êxito em todas 7 bolas longas tentadas, 1 passe decisivo, além dos usuais bons números defensivos, com 6 desarmes, 3 interceptações e 1 chute bloqueado. Vale ressaltar a continuidade do péssimo aproveitamento de cruzamentos: de 8 tentados pela dupla, apenas 1 bem-sucedido por Renê.

    A tal troca de passes e construção de jogadas não obteve êxito nos últimos ¾ de campo. Manteve-se a progressão natural de ataque ao iniciar a construção de jogadas pelo meio e buscar a amplitude fornecida pelos pontas, para finalização ou último passe. Com a péssima noite de Vinicius Jr e Geuvânio, este último nulo todas as vezes que tocou na bola, o ataque perdeu o ímpeto e a imposição sobre a defesa da Ponte Preta, tornando o jogo monótono, com muitas trocas de passes, mas pouca efetividade e criatividade para a conclusão. O conhecido “time arame liso”, conforme denominado por torcedores e alguns comentaristas esportivos ao longo da temporada passada. Os grandes perigos à meta do visitante vieram mais de bolas alçadas e chutes de fora-da-área, por Paquetá (3), Éverton Ribeiro e Guerrero (2).

    Com a falta de boas tomadas de decisão, com Vinicius Jr perdendo continuamente a posse com dribles mal executados, Rodinei carregando duas vezes até a entrada da grande área e escolhendo o último passe errado (ao hesitar em passar a bola à Paquetá aberto pela esquerda, posteriormente finalizada por Vinicius Jr e ao recuar uma bola à Ribeiro enquanto tinha Vinicius Jr livre pela ponta), passes com força excessiva pelos meias de criação, fizeram com que Henrique Dourado tivesse participação discreta enquanto esteve em campo.

    Com a nova rotação do meio-campo, que buscava mais presença na zona central, continuou preso em meio aos zagueiros como referência, trombando e dividindo bolas. Mas marcou presença em lances como ao fazer pivô e lançar Ribeiro pela direita (jogada mal concluída pela demora de Geuvânio em fornecer amplitude para o passe), na finalização prensada após cruzamento rasteiro de Vinicius Jr e bom passe de calcanhar para o camisa 7 rubro-negro, em um dos raros momentos que saiu da grande área.

    Com o baixo rendimento dos pontas e desgaste físico de Paquetá e Ribeiro no 2° Tempo, que rendeu certo espaço de manobra para Lucas Mineiro e Felippe Cardoso, a Ponte Preta começa a se aventurar em descidas pela esquerda desguarnecida pela dificuldade natural de recomposição defensiva de Vinicius Jr, que torna o jogo mais igual e truncado no meio de campo no início da segunda etapa, além de perigoso, já que um gol da Macaca levaria o jogo para os pênaltis. Nesse contexto, entram em campo Guerrero e Jean Lucas.

    Ribeiro se posiciona como ponta-construtor pela direita, Jean Lucas fecha como 2° Volante na esquerda enquanto Paquetá faz o meia-armador, flutuando entre as linhas, ainda que com um posicionamento mais à direita, e, por fim, Guerrero como referência. Nessa configuração, as funções se alteram e os pontas se infiltram mais em diagonal, cedendo o corredor aos laterais – só aproveitado por Rodinei; Renê continua fechando como um zagueiro pela esquerda. Como Guerrero tende a sair da área para trabalhar como ponta-de-lança, adianta a primeira linha de 4 da Ponte Preta, o que abre espaços para passes em profundidade para Vinicius Jr e infiltrações de Jean Lucas. Logo, as jogadas se tornam mais agudas e há mais trocas de passe à frente da grande área.

    Para se proteger de tal alteração, Doriva sai do 4-4-2 e com as entradas de João Vítor e Tiago Real, passa a se posicionar em um 4-1-4-1 com Nathan afundando na defesa como um terceiro zagueiro para duplicar a marcação sobre o centroavante peruano.

    Entretanto, o desgaste físico e falta de ritmo de jogo de Guerrero abate o ímpeto da equipe carioca que cede a posse da bola. A Ponte Preta se lança ao ataque nos minutos finais. Temos então a chance mais clara de toda partida com a finalização cara a cara com Diego Alves de Felippe Cardoso, que acerta a trave e volta para às mãos do goleiro. Nota para a falha clamorosa na primeira linha por lentidão descomunal de Rever. As entradas de Marlos Moreno e Aaron pouco agregam ou alteram o panorama do restante da partida que termina em um empate amargo.

    Uma atuação na média com as partidas anteriores, prejudicada pela baixa efetividade de peças responsáveis pela finalização das jogadas, além da adaptação de certas variações de funções e posicionamentos mais fixos na trinca de meio-campo. Insistência com jogadores que já tiveram oportunidades e não as agarraram e alterações óbvias e pouco criativas, colocam em cheque se Barbieri está à altura do cargo que ocupa interinamente. Classificação assegurada, e agora o clube se volta para o jogo contra a Chapecoense, às vésperas do jogo contra o Emelec, o mais importante do primeiro semestre de 2018.


     

    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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    Análises de Matheus Miranda

    > Flamengo 2 x 0 Internacional | Um time em nítida evolução
    > Ponte Preta 0 x 1 Flamengo | Um time tentando se entender
    > Ceará 0 x 3 Flamengo | Na tática e na técnica: um time com cara de Flamengo

  • O Preço do Maracanã – Parte 4: Sem contrato, a extorsão

    Sem contrato com o Maracanã em 2017, o calvário do Flamengo passou a ser insuportável

     
    Em 2017, o Flamengo ficou sem contrato com o Maracanã, e passou a fechar seus jogos individualmente. A partir daí o calvário do clube, já penoso, passou a ser insuportável. Fechou um pacote de 3 jogos para a primeira fase da Libertadores, onde recolheu com sucesso três boas vitórias em casa, renda bruta de 8 milhões de reais, porém deixou entre 40 e 50% do total para trás com perdas significativas.

    Dessa vez, além dos altos custos operacionais e de infraestrutura do estádio, clube tinha altíssimo aluguel a pagar. Esse altíssimo novo preço tornou inviável que clube jogasse no Maracanã suas partidas de Campeonato Estadual e jogos iniciais de Copas.

    Antes de seguir, você precisa ler:
    O Preço do Maracanã – Parte 1: Nada sai barato no New Maracanan
    O Preço do Maracanã – Parte 2: Assinando com o Maracanã
    O Preço do Maracanã – Parte 3: A cronologia do contrato

    O Consórcio, asfixiado pelo descumprimento do contrato com o Estado do Rio em que constava na operação a construção de edifícios garagens, torre comercial e outros empreendimentos no Complexo Esportivo, viu que sua conta não fecharia e sinalizou que desejava encerrar o contrato devolvendo o Complexo.

    O Governo, que quebrado não consegue sequer pagar seus servidores e acionara até o Governo Federal para salvar suas contas, não quer receber o Complexo esportivo de volta que demanda 55 milhões de reais anuais de manutenção.

    Ao mesmo tempo, diz o Governo que contratou a FGV para criar um novo edital para o Complexo do Maracanã, desta vez permitindo que um clube opere o Consórcio. O Flamengo diz ter acordo com CSM e GL Events para entrar na concorrência totalmente estruturado. Mas o que temos de real é que o Edital nunca veio a público e que o Governo do Estado teme que a devolução imediata do Complexo ao Rio venha acompanhado de uma ação indenizatória de custos milionários cobrando quem rompeu o contrato de licitação primeiro. Quem o fez foi o Governo do Estado do Rio de Janeiro, ao impedir a demolição do Museu do Índio, do Parque Aquático Julio deLamare, da Escola Pública Friedenreich (escola pública de melhor IDEB municipal) por pressão popular, tornando a operação do Complexo deficitária. Ao mesmo tempo, Odebrecht teme romper unilateralmente o contrato e ser acionada judicialmente pelo Governo do Estado. E fica o jogo de empurra-empurra entre todos.

    Então no meio desta disputa, o Flamengo, sem contrato com o Consórcio, passou a ser o maior prejudicado. Coube a ele custear a precificação da operação do Complexo, chegando a pagar 750 mil reais de aluguel por jogo. Fazendo um cálculo simplista, se nosso clube jogasse 40 partidas no estádio por ano, deixaria no caixa do Consórcio 54% do total anual de manutenção do Complexo. O resto o Consórcio arrecadaria com shows, eventos e jogos dos outros clubes, assim, fechando seu ano fiscal sem prejuízos colossais. O prejuízo agora era único do Flamengo, coagido e sem opções.

    E isso não poderia continuar assim, então o clube, que já estudava desde 2016 um estádio pequeno para alugar e chamar de seu provisoriamente, viu o “sucesso” do Botafogo com a Arena Botafogo no Estádio da Ilha do Governador, e em fevereiro de 2017 deu início à construção de seu próprio estádio provisório na Sede da Portuguesa, mas dessa vez com piso pavimentado, transposição de canal pluvial que ameaçava o terreno, Praça de Alimentação com Contêineres, arquibancadas de melhor qualidade e personalização do Estádio.

    Inaugurado com atraso, chamado de Ilha do Urubu, o estádio iniciou bem, apesar da precificação alta e com muita reclamação da torcida e do acesso ruim via Linha Vermelha que é conhecida por eventos diários de violência urbana. Porém em pouco tempo a precificação mostrou-se incorreta, uma vez que todos os fatos acima elencados tornou a Ilha um praça de desportos que tinha dificuldade de lotação, apesar de oferecer apenas 18 mil ingressos aos rubro-negros (fora o setor visitante com 2 mil lugares).

    Causou estranheza o custo de operação do estádio mostrando-se semelhante ao do Maracanã, que é quase 4 vezes maior em público total, tamanho, estrutura… e quando o impacto inicial passou, acumularam-se jogos com prejuízo, com públicos entre 5 e 8 mil pessoas. O maior exemplo foi Vinicius Junior, já vendido para a Europa, fazendo seus primeiros gols todos no Setor Sul, com seus tentos viajando pelo mundo com arquibancada fechada, sem torcedores, prejudicando a imagem do clube de maior torcida do mundo.

     

    Ilha do Urubu em seu jogo com melhor público, mais de 18 mil presentes. Foto: Divulgação

     
    Ainda assim, clube teve rendimento técnico ótimo na Ilha, com altíssimo aproveitamento. Proximidade da torcida do gramado pressionou muito os adversários, apesar da acústica ruim por não haver cobertura e ser conhecido por fortes ventos. Foi nele, no Estádio dos Ventos Uivantes, que aconteceu o primeiro gol da história de goleiro com bola rolando, do rubro-negro Ubirajara.

     

    Jogamos contra Palestino e Chapecoense lá pela Sul- Americana nas fases 16 avos e oitavas de final, e também contra o Santos nas quartas da Copa do Brasil.

    No Brasileiro, ótimo aproveitamento também. A sexta colocação na tabela passou pelo rendimento péssimo fora de casa, ao contrário do excelente rendimento como visitante de 2016. A Ilha foi ótima nesse aspecto técnico.

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    Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Emerson Santos / Rádio Globo (Maracanã); Reprodução (Kléber Andrade)

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    Bruno De Laurentis é assistente de arte, carioca e gamer. Escreve no blog “Deixou Chegar” e também é responsável pela identidade visual do Mundo Bola. Acesse: brunodelaurentis.com.br. Siga-o no Twitter: @b_laurentis.
     

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