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  • Adílio fez 59 anos nesta sexta-feira (15/05)!

    Feliz aniversário, Adílio!

    Mariana Sá (Twitter: @imastargirl)

    Adílio de Oliveira Gonçalves nasceu há 59 anos (15 de maio) e fez história com a camisa do Flamengo. Por doze anos, “Brown” brilhou no meio de campo rubro-negro nos anos dourados do clube. Hoje a quadra de futsal onde o ídolo deu os primeiros passos na Gávea recebe seu nome.

    Conhecido por sua enorme habilidade, um passe sem igual e a criatividade marcante, Adílio fez 615 jogos – é o terceiro com maior número de partidas disputadas na história do Flamengo – e marcou 126 gols, incluindo o segundo no mítico 3-0 sobre o Liverpool na final do Mundial de 1981 e o terceiro contra o Santos na vitória por 3-0 na decisão do Brasileiro de 1983.

    Considerado o melhor camisa 8 de todos os tempos, seus dias de glória são lembrados com carinho pela Nação Rubro Negra. Conhecido por marcar gols importantes, o ex-meia ganhou quatro títulos da Taça Rio, seis da Taça Guanabara, cinco do Campeonato Carioca, três do Campeonato Brasileiro, uma Libertadores e um Mundial.

    Depois que deixou o Mais Querido em 1987, passou por clubes como Coritiba, Barcelona de Guayaquil – onde foi campeão do Campeonato Equatoriano – e Friburguense – venceu a Segunda Divisão do Carioca.

    Desejamos feliz aniversário a esse jogador que sempre honrou a camisa e hoje continua diretamente ligado ao Mais Querido. Relembrando o momento mais importante de sua carreira e do clube até hoje, ele disse “Recordo toda aquela realização que foi conseguida por nós, pelo nosso clube. Foi algo muito bom participar daquele grupo, uma coisa mágica para todos nós. Foi algo do destino; estávamos lá no dia certo e no clube certo. Se fosse por outro time, não conquistaríamos o troféu, era o Flamengo”.

  • Eu sei o que vocês fizeram na edição passada…

    Sem me utilizar de bola de cristal, jogo de búzios ou cartomante vou direto ao assunto, papo reto. Quem tem garrafa para vender no Brasileirão 2015?

     

     

    Ricardo Martins (Twitter: @Rick_Mrtins_BH)

    Blogueiro da Nação, Minas Gerais

     

    Está começando a competição mais equilibrada das Américas, o Campeonato Brasileiro de Futebol. A julgar por 2014 teremos bastante equilíbrio na presente disputa, e podemos afirmar que o “jogo de resultados”, o estilo Murici de ser poderá ser a monotonia da vez. Com a ausência de grandes craques, trogloditas como Guiñazu podem fazer a destruição superar a criação. Mesmo passada a primeira rodada, achei interessante passar, ainda assim, o que eu acho dos nossos adversários. Vamos lá?

     

    Atlético Mineiro
    Apesar de ter perdido jogadores fundamentais na conquista da Copa Libertadores da América de 2013, o Galo continua fazendo prevalecer a alucinação de sua torcida, principalmente no estádio do Horto em Belo Horizonte. A sorte também o vem acompanhando, com gols improváveis e no apagar das luzes. Possui um atacante forte, Lucas Pratto, que vem sendo decisivo. Ponto fraco: a arrecadação vem despencando, e acredita-se que exista uma “bomba-relógio” nas dívidas que possa prejudicá-lo dentro em breve.

    Atlético Paranaense
    Parece ter adotado uma política de gestão mais austera, o que impactou positivamente nas finanças, apesar da diminuição na arrecadação. Possui um elenco muito aquém de outras edições, e se pegarmos como base o campeonato paranaense, luta para não cair.

    Avaí
    Tem um time repleto de jogadores rodados, e que já foram revelações um dia, como Marquinhos (que passou pelo Fla), André Lima e Renan Oliveira. Costuma ser confronto complicado para o Flamengo.

    Chapecoense
    Seu objetivo em 2014 foi alcançado, o de permanecer na primeira divisão, e não deve mudá-lo na presente temporada. Time fechado, mesmo em casa, buscando goleadas por 1×0, exatamente como foi contra o Flamengo no ano passado. No jogo da volta os goleamos de verdade…

    Corinthians
    Apesar das brincadeiras que fazemos, o Corinthians possui um elenco muito forte, o que em tese lhes garantia forte favoritismo para a conquista do campeonato. Mas sabemos que a situação financeira, que já vem impactando em atrasos de pagamentos de direitos e salários, pode acarretar perdas significativas.
    Em 2014 nos venceram por 2xo em São Paulo, mas perderam no Rio de Janeiro por 1×0.

    Coritiba
    Não foi rebaixado em 2014 em função da quantidade enorme de concorrentes. E pelo que vimos no paranaense, o Coxa tem tudo para fazer campanha semelhante a de seu rival Atlético.
    Em 2014 jogou 4 vezes contra o Flamengo e perdeu 3. No Brasileirão foram 6 pontos para o rubro-negro.

    Cruzeiro
    Pode não viver um bom momento, pois o time ainda não encaixou, mas manteve um elenco competitivo e um bom treinador. Não vence seu rival mineiro há mais de 10 jogos e isso será um problema para a conquista dos respectivos 6 pontos regionais. É forte candidato ao título, diante da esterilidade de futebol da maioria dos demais adversários.
    No ano passado, nos pouparam de uma sonora goleada em Uberlândia, quando Marcelo deve ter pedido para tirar o pé. Vivíamos sob o descomando de Enganey Franco. No jogo da volta, já com Luxemburgo, devolvemos os 3×0, mas sem demonstrar a mesma supremacia ocorrida no jogo da ida.

    Figueirense
    Mais um fantasma em nossas vidas. Empatou ano passado com o Fla em sua fase crítica, mas a fragilidade permitiu que, após uma longa temporada, perdesse em Santa Catarina para o Flamengo. Elenco muito fraco, e tá no funil com pinta de que ou dá ou desce. Será que Argel os salvará novamente?

    Fluminense
    Com a saída do patrocinador será muito difícil para o tricolor almejar algo além de Sulamericana. Mas não podemos menosprezar os craques da área jurídica e STJD. No ano passado ganharam 4 pontos em cima do Flamengo. Tá na hora de cobrar os pontos que ajudamos esses caras em 2012…

    Goiás
    Outro que o Flamengo não venceu em 2014, 4 pontos para os esmeraldinos. Tem um elenco modesto, mas possui alguns jogadores que já foram sondados pelo rubro-negro, como o Erik, por exemplo. Time para ficar no meio da tabela.

    Grêmio
    Duas derrotas para os gaúchos em 2014, pedra no sapato do Flamengo. Time fraco diante de sua história, mas pode surpreender com novos valores de sua base. Pode não disputar título, mas também passa longe de cair.

    Internacional
    Em minha opinião, o grande elenco do campeonato brasileiro e, apesar de parte de sua torcida não demonstrar afeição, seu treinador faz um belo trabalho, com formações que variam conforme cada adversário. Se seguir na Taça Libertadores da América poderá escalar reservas em jogos importantes. Não obstante, eu enfatizo que disputam o título.
    Temos que ser gratos a esse time, que nos ajudou a demitir Enganey Franco, após humilhantes 4×0 no Sul. Sorte que no jogo da volta conquistamos os 3 pontos.

    Joinville
    Sinceramente, nem sei o que falar desse time, que tem um jogador que atende por Saci. Alguém imagina que disputará título? Então deverá ter objetivos semelhantes ao Chapecoense. No que nos interessa, mais uma viagem do Flamengo ao Sul do País. Seria uma boa levar nosso confronto em casa para o Nordeste.

    Palmeiras
    Se o Palmeiras não caiu em 2014 deve muito ao Flamengo. Afinal, mesmo perdendo para o Fla de Jayme de Almeida, e empatando em São Paulo, após estar perdendo por 2×0, o rubro-negro tirou pontos de adversários diretos na luta contra o rebaixamento dos porcos. A tendência é a de fazer uma campanha bem superior, e não me surpreenderá se ficar na parte de cima da tabela.

    Ponte Preta
    Time com a camisa mais feia do campeonato. A segunda todos sabem quem é…
    Tá cheio de jogador rodado, e tem um goleiro que atende por Lomba…
    Deve ficar entre os 10 primeiros.

    Santos
    Gosto muito da forma de jogar deste time, mas não sabemos se Robinho e Lucas Lima permanecerão no elenco, seja pelo fator salarial, seja pela janela de vendas para a Europa. Briga por Libertadores, com alguma chance de título.
    No ano passado levaram 4 pontos do Flamengo.

    São Paulo
    É um elenco de qualidade e vem surpreendendo após a saída de Murici Ramalho. Milton Cruz vem fazendo um trabalho interessante, enquanto especula-se a contratação de outro treinador. Se o Ganso permanecer no time brigam por Libertadores e título.
    Outro que nos levou 4 pontos em 2014.

    Sport
    O que dizer do rubro-negro genérico? Elenco limitado, mas que tem a esperança depositada nos gols de Hernane Brocador. Ou seja, não é muito. Deve ficar do meio da tabela para baixo. Alguma chance de rebaixamento.
    Em 2014 o Flamengo venceu uma e empatou a outra.

    Vasco
    Possui um meio de campo típico de filmes de terror. Mas até que existem alguns valores em outros setores. Sua posição na tabela dependerá de quantos pênaltis forem marcados em seu favor, mas não vejo chances de novo rebaixamento.

    E o Flamengo?
    Com o elenco atual temos chances de ficarmos entre os 8 primeiros o que, fosse em 1992 nos levaria para a segunda fase do campeonato…Existem pelo menos 6 times melhores que o Flamengo, mas como o futebol não é ciência exata, tudo pode acontecer. Para pensar em disputar o título, ou vaga de Libertadores há uma aparente necessidade de contratação de cerca de três reforços. As negociações com Robinho existiram, mas a pedida de um milhão de reais dificulta o fechamento.

    Como não vivo de previsões, eu vou torcer muito para esse time do Flamengo me surpreender.

    Cordiais Saudações Rubro-Negras!

  • Marcelinho brilha, Fla vence Limeira e está na final do NBB

     

    Rafael Lisboa (Twitter: @rafinhalisboa)

    Na noite de quinta-feira no Tijuca Tênis Clube, o Flamengo garantiu a classificação para sua quinta final de NBB. Mas quem pensa que foi fácil, se engana, pois o Limeira complicou o jogo até o último quarto, quando aí surgiu a estrela de um ídolo que decidiu, e levou o Flamengo à mais uma final de Novo Basquete Brasil.

    O primeiro quarto, foi o mais equilibrado do jogo, com as duas equipes com números parecidos, tanto nos acertos, como nos erros, e com isso, o quarto terminou empatado, 21 a 21, com destaque para Olivinha que fez 9 pontos.

    No segundo quarto, o Limeira jogou com mais intensidade na defesa, dificultando assim, as jogadas dentro da sua área pintada, e com isso, conseguiu vencer o quarto por 19 a 14, e foi para o intervalo vencendo por 40 a 35.

    Marcelinho relembrou as atuações que o credenciaram ao posto de ídolo do Flamengo, nessa noite (Foto: Luiz Pires/LNB)

    Nada que deixasse o torcedor rubro-negro nervoso até o intervalo. Depois do intervalo, mais precisamente no terceiro quarto, o nervosismo tomou conta do Tijuca Tênis Clube, pois no período o Flamengo não conseguiu reverter a sua desvantagem, perdendo o período por 20 a 19, e indo para o último quarto perdendo por 60 a 54, e com isso, as chances de garantir a vaga na final ontem estavam diminuindo.

    Mas no último quarto, o ídolo da torcida, Marcelinho Machado, se tornou o herói “improvável” da noite. Com um período impecável, vencido por 22 a 7, o clube carioca, conduzido por Marcelinho, venceu a partida por 76 a 67, fechou a série em 3 a 0 e se classificou para a final do NBB 7. Após a partida os jogadores foram comemorar junto com a Nação, que lotou o Tijuca  com quase duas mil pessoas presentes. Agora é esperar Bauru ou Mogi, série está empatada em 1 a 1, e buscar o tricampeonato.

    ‘Abre Aspas’

    Marcelinho: Eu sempre estive aqui. Minha função mudou um pouco dentro do grupo, mas eu sempre tento ajudar da melhor maneira possível. Acredito que consegui ajudar o Flamengo nas duas outras vitórias, seja dando assistências ou com defesas. Já hoje foi pontuando, mas essa é uma preocupação que eu não tenho. Quero entrar na quadra pra jogar basquete e ajudar o Flamengo a vencer.”

    José Neto: A gente sempre trabalho com propósitos. Desde o início trabalhamos com o propósito de chegar à Final e ganhar o campeonato. Cumprimos uma parte do objetivo e estamos aliviados por isso, mas agora precisamos de mais. Temos que buscar mais duas vitórias para buscar o título. Nosso time não se acomoda com só uma parte do acontecido. Agora vamos buscar esse título.”

    José Neto já está com seu nome na história do Basquetebol do Flamengo (Foto: Luiz Pires/ LNB)

    Destaques:

    Flamengo:

    Cestinha: Meyinsse com 17 pontos

    Líder em assistências: Laprovittola com 7 assistências

    Líder em rebotes: Olivinha com 8 rebotes

    Limeira:

    Cestinha: David Jackson com 15 pontos

    Líder em assistências: Ronald Ramon com 4 assistências

    Líder em rebotes: Rafael Mineiro com 8 rebotes

     

     

  • Torcidas Organizadas se unem e fazem Ação para ajudar desabrigados na Bahia

    Torcidas Organizadas impedidas pela Justiça de entrarem no Maracanã fazem Ação Solidária e demonstram que a União também será fora dos estádios.

    Allan Fernandes (Twitter: @Allanfsilva)

    No próximo domingo, dia 17/05/2015, as Torcidas Organizadas Raça Rubro Negra, Urubuzada (que não está punida), Torcida Jovem Fla e Flamanguaça, juntamente com a ConFLAria, irão realizar uma ação social na entrada do Maracanã.

    Segundo informações do membro da ConFLAria e um dos idealizadores do movimento, Leonardo Gonçalves, essa ação consiste em arrecadar alimentos para os desabrigados pela chuva que atingiu a cidade de Salvador.

    A Raça Rubro Negra, que a princípio voltaria ao estádio contra o Sport, foi pega de surpresa com o retorno adiado pela justiça e deixará o espaço da arquibancada que se destina a ela vazio. Participar desta Ação é uma forma de transformar a ausência dentro do estádio em solidariedade.

    A união prometida dentro do Mario Filho será refletida na Ação. Depois de muito tempo com pouca relação, as lideranças das torcidas decidiram apoiar o movimento e irão se unir em prol dessa causa nobre. Vendo essa mobilização das torcidas, o juiz responsável pelo caso, permitiu que a Raça Rubro Negra volte aos estádios, e essa volta será nada mais, nada menos, no clássico das multidões FLA x FLU, que acontecerá dia 31/05, pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro.

    “A Nação Rubro Negra foi desafiada a ajudar as vítimas das chuvas de Salvador-BA. Agora é comparecer ao Maraca, Setor Norte, portão E, e mostrar nossa solidariedade ao povo baiano. Ao mesmo tempo, mandar o recado que briga entre organizadas é coisa do passado. Isso sim é ser FLAMENGO!”, disse o músico Ivo Meirelles, membro da ConFLAria e um dos maiores entusiastas do novo momento de união vivido pelas maiores Torcidas Organizadas.

    As doações podem ser feitas a partir do 12h, até às 16h. Os organizadores pedem para a torcida ajudar doando alimentos não perecíveis e água mineral.

     

    Atualizando: A Flamanguaça aderiu ao evento e também estará participando e ajudando a recolher mantimentos neste domingo. A Organizada, assim como a Urubuzado, está liberada para entrar no Maracanã.

  • Agora é Tolerância Zero!

    Chega de ser tolerante com cafajeste!

    Não vem que não tem. Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa, nem vem de escada que hoje o incêndio é no porão. Não vacila, seu mané de quatro patas, não dá uma de louco – que a gente sabe que o doutor não rasga dinheiro e não joga pedra em avião. Não vacila, que o papo agora é diferente.

    Não vem de bobice, não avacalha com a gente, que a gente avacalha é mais, a gente passa é por cima, esfola a sua laia, bota sua cara no chão. Seu nome vira chacota, meme do twitter, vai rolar vergonha de sair de casa e até a mulher lhe rejeita. Até seu filho lhe vira o rosto, a mãe só que lhe perdoa, que mãe não faz consideração.

    Aqui não tem palhaço, aqui é a gente ri é de piada honesta, não vem com grunhido de porca, não se espalhe no tapete, não mija na caneca, seja homem pela primeira vez, tenha honra, tenha vergonha nesta sua fuça de patife. Não se faça de virgem, que a gente lhe enfia um consolo de canhão.

    E sorte a sua que o exército ainda não botou a farda, tá tudo de boa, aguardando o meio-dia, a gente aqui é de revolução, tem guilhotina, tem pipoca e muriçoca, é soldado, é legião, é artilharia, são 40 milhões, todo mundo já cansado, paciência no limite, só no aguardo do convite.

    Trata a gente com carinho, do jeitinho de tratar quem é amigo, compartilhando o careta, emprestando isqueiro. Não vem que não tem, se tá com frio, corre logo pra coberta, se tá de graça, arranja emprego lá na Praça. Deixa de achar que é jornalista, que tá feio, tá ridículo.

    O Rubro-Negro é um baita amigo, mas não mexe com a nega, não desafina o violão, larga de ser otário, antes que a gente lhe bote cortado, feito a Maria Bonita e o Lampião. Que agora acabou a sua farra: ou aprende sorrindo ou larga a escola. Deixa de achar que é jornalista, moleque, que tá feio, tá muito, mas muito feio.

    Orra, é Mengo!

  • Calendário Brasileiro: Desafio à espera de um milagre

    Poucos temas são tão complexos quanto à reformulação do calendário brasileiro. É consenso que algo precisa ser feito para reverter o atual quadro, mas o que fazer? Como fazer?

     

     

    Valdemir Henrique (Twitter: @netobygu)

     
    Apenas farei uma explanação sobre o cenário, pois propor soluções do que deve ou não ser feito seria leviano de minha parte já que até mesmo especialistas divergem frontalmente em defesa das mais diversas reformas.

    Em primeiro lugar devemos nos perguntar:
    – Para quem o futebol é feito?

    – Quem financia o espetáculo?

    Penso que todos responderão unanimemente os questionamentos. Com horários como 22h, 19h30min e até 21h de um sábado… Com toda certeza não é para o torcedor de arquibancada. O esporte hoje em dia é feito para o telespectador, seja através de transmissões por TV aberta, TV paga ou via Web. Todos os horários e até o número de partidas são pensados para atender a demanda desse público.

    A TV, como financiadora majoritária de todo o espetáculo, busca satisfazer seu público. Procura sempre o retorno publicitário e o melhor encaixe em sua grade de programação. Isso não é exclusividade do Brasil, a maioria dos eventos esportivos é voltada para o telespectador, que ganha esta importância em um mundo cada vez mais conectado.

    Então aquela velha ideia, abordada na maioria das vezes superficialmente, de mudar o horário dos jogos e diminuir consideravelmente o número de datas não é nada fácil de ser posta em prática. Existe uma grande demanda por jogos, e dessa forma, mesmo que a uma emissora concorde com as medidas, ainda existirá uma demanda dos telespectadores que com certeza será atendida por uma concorrente.

    Não abordarei nada sobre as federações por entender que elas são meras chanceladoras burocratas que não se importam com absolutamente nada além de sua existência e poder.

    E quem são os atores desse espetáculo?

    Muitos apontarão apenas os clubes e seus atletas/comissão técnica. Contudo, os torcedores presentes são peça fundamental para uma boa partida, porque eles contagiam a todos com sua vibração: os jogadores se motivam, os telespectadores ficam ainda mais envolvidos e isso acaba refletindo na audiência.

    Falando humildemente como um rubro-negro off-rio, não tem como não se emocionar com o Maraca lotado e a Nação jogando junto. Por outro lado, é deprimente acompanhar um jogo com dois ou três mil torcedores dispersos nas arquibancadas e aquele silêncio entediante.

    Os clubes têm pouco ou nenhum poder de negociação, pois a maioria teria fechado as portas há décadas se fossem tratados como empresas. São dependentes do adiantamento das cotas de TV. Como impor condições em uma negociação se você está endividado e gastou a receita dos próximos cinco anos?

    Os jogadores começaram se organizar somente agora através do movimento Bom Senso FC, mas ainda é uma categoria individualista e dispersa. Apesar dos altos salários (dificilmente pagos em dia), uma jornada com jogos a cada 72 horas num país de dimensões continentais é um exagero. E, via de regra, prejudica a parte técnica. Um calendário bem planejado elevaria a qualidade das partidas gerando melhor retorno financeiro.

    O torcedor de arquibancada… Ah torcedor… Este não é apenas a parte mais frágil, é um pobre coitado apaixonado maltratado por tudo e todos! E das piores maneiras possíveis: Um preço de ingresso que torna quase impossível para a maioria das pessoas acompanhar mais de duas partidas por mês, um transporte público que dispensa comentários, e a segurança pública que de segura só tem o nome. Quando essa figura tão humilhada supera todos esses desafios e chega às bilheterias começa outro inferno, sistemas obsoletos, mau atendimento e cambistas desfilando com ingressos na mão só para mostrar o quanto esse apaixonado é trouxa. Não por acaso registramos médias de público baixas quando comparamos até mesmo com países periféricos no cenário do futebol mundial.

    Em minha humilde opinião, a única forma de superar esse grande desafio, e, consequentemente, fortalecer o futebol brasileiro, é o diálogo entre emissora, clubes e jogadores. Com todos pensando no bem comum. Em numa guerra não existem vencedores e se cada um se importar apenas com o próprio umbigo, o cenário atual continuará desfavorável e as questões apresentadas nesse texto se tornarão cada vez impecilhos ao desenvolvimento do nosso futebol.

    Enquanto a inoperância reina em nosso futebol, países como EUA e China que até pouco tempo eram irrelevantes no mapa do futebol, desenvolvem boas e organizadas competições, através de Ligas competitivas.

    E aqui, no país do futebol, meus amigos leitores, o futebol brasileiro segue padecendo. Aguardando ansioso, à espera de um milagre.

  • Capítulo 5 | O fim de 78

    A saga continua. Com o fim do Carioca, o ano de 1979 chega com muita esperança. O gol de Rondinelli trouxe alívio e o tempo de maturação para o time, que, anos depois, conquistaria o mundo. O Capítulo 5 conta os detalhes do início da pré-temporada de 1979.

     

    Planejamento

    Apesar do Campeonato Carioca ter chegado ao fim, o Flamengo ainda precisava faturar. Uma semana depois da conquista do título, Coutinho mandou a campo o mesmo time que vencera o Vasco, no amistoso de entrega das faixas diante do Fluminense. Nunes abriu o marcador para os tricolores, ainda no primeiro tempo. Porém, na etapa final, o esquadrão rubro-negro mostrou que não era o melhor do Rio de Janeiro à toa. Virada de 2 a 1, com gols de Pintinho (contra) e Toninho. E tome de festa e zoação em cima dos pobres rivais.

    Já planejando a temporada de 79, a Comissão Técnica reuniu-se durante a semana na Gávea para tratar de dois assuntos importantes. Primeiro, a renovação dos contratos de Zico, Júnior, Carpegiani, Adílio e do próprio técnico Cláudio Coutinho. Depois, para discutir possíveis reforços para a equipe.

    Ao fim deste encontro, Coutinho surpreendeu a todos, dando a seguinte declaração: “Precisamos manter o time, renovar os contratos. Depois disso, quero um centroavante, para a reserva de Cláudio Adão, um ponta direita e um ponta esquerda. E não preciso de nada além disso”.

    E o clube nem iria precisar gastar muito para satisfazer o treinador. Acontece que uma dessas posições seria resolvida com o retorno do ponteiro esquerdo Júlio César, o “Uri Geller”. O atleta havia sido emprestado ao Remo e estava de volta a Gávea. Quem também voltava de empréstimo era o volante Andrade. Além deles, O lateral direito Leandro e o volante Vítor seriam promovidos ao plantel principal.

    Contra a Seleção Goiana, no Serra Dourada, mais uma vitória do Mengo, que agora contabilizava 13 partidas de invencibilidade. O placar de 2 a 1 (gols de Tita) não refletiu o domínio que time comandado por Zico exerceu sobre o oponente.

    Para fechar a temporada, mais dois amistosos. O primeiro, contra a Seleção de Roraima. Goleada de 4 a 0 (Zico, três vezes e Eli Carlos). No derradeiro compromisso do ano, vitória de 2 a 0 em cima do Nacional de Manaus, com gols de Eli Carlos e Toninho.

    Para completar o ano extremamente positivo, Coutinho assinou a renovação do contrato em branco, deixando a cargo do Presidente Marcio Braga lhe pagar o que achasse que ele merecia receber.

     

    As férias

    Enquanto os atletas descansavam, os dirigentes rubro negros ameaçavam não disputar o Campeonato Carioca. Tudo por conta de uma proposta que contava com 18 clubes e duraria oito meses. Contrário a essa fórmula, o Flamengo bateu o pé e conseguiu que se disputassem dois Campeonatos em 79. O primeiro, com 10 clubes, seria o Especial. O segundo, com 18 equipes e um formato digno de prêmio de pior da história.

    Com Júlio César confirmado como titular na esquerda e impressionando muito o treinador, a diretoria tratou de correr atrás dos outros pedidos de Coutinho. Para a reserva de Cláudio Adão, chegou Luisinho das Arábias, da Portuguesa da Ilha, por 1,5 milhões de cruzeiros. Já para a ponta direita, o favorito era o argentino Mastrangelo, do Boca Juniors. Corriam por fora Gil, Manfrini, Valdomiro e Reinaldo.

    Depois que o supervisor Domingos Bosco voltou de Buenos Aires sem acordo com o Hermano, o clube contratou Reinaldo, do América, por 1,8 milhões de cruzeiros, mais os passes de Renato e Merica.

    Com o elenco fechado, era hora de voltar ao batente.

     

    A Pré-temporada de 79

    Depois dos exames médicos de praxe, os jogadores foram para Friburgo, onde ficaram por nove dias, fazendo os treinamentos iniciais. Pelo menos, isso era o que estava planejado. Entretanto, as fortes chuvas obrigaram a delegação a retornar ao Rio antes do previsto.

    Satisfeito, Coutinho prometia um time ainda mais agressivo e melhor do que em 78. No primeiro coletivo do ano, vitória dos titulares sobre os reservas, por 3 a 1, com gols de Zico (2) e Cláudio Adão, contra um de Luisinho. O segundo e último coletivo antes do primeiro jogo oficial do clube na temporada foi ainda melhor. Goleada de 4 a 0 dos titulares, gols de Zico (2), Adílio e Reinaldo.

    O ano pra valer começou em Friburgo, onde o Flamengo bateu o Fluminense local, por 4 a 0. Mimi (contra), Júlio César, Adílio e Zico marcaram. Dois dias depois, o time já estava em Salvador, onde sentiu o desgaste e apenas empatou com o Bahia em 1 a 1 (Cláudio Adão).

    Antes de retornar ao Rio para a estréia no Campeonato especial, o Mengo ainda fez mais dois amistosos na boa terra. Em Feira de Santana, bateu o Fluminense, por 2 a 0 (Adílio e Sabino, contra). E em Itabuna, passou pela equipe local por 2 a 1 (Zico e Cláudio Adão).

    A tabela do Campeonato marcava para o dia 8 de Fevereiro, no Maracanã, diante do Volta Redonda o início da caminhada rumo ao bi estadual. Para este jogo, Coutinho tinha alguns problemas. Zico, expulso diante do Vasco, no jogo do título de 78, teria que cumprir suspensão automática e estava fora do jogo. Reinaldo, tinha mais um jogo a cumprir de uma suspensão também da temporada passada. Além disso, Toninho, que ficara na Bahia resolvendo problemas particulares e Carpegiani, com dores musculares ainda eram dúvidas.

    Diante desse quebra cabeça, Coutinho escalou Leandro na lateral direita, Ramírez na esquerda. Júnior foi atuar na cabeça da área, já que Andrade ainda não havia sido regularizado. Tita substituiu Zico. E, Reinaldo pode jogar devido a uma esperteza dos cartolas rubro-negros. Como o América estreou na competição enquanto o Flamengo ainda excursionava, os dirigentes deixaram para registrar seu contrato na Federação na véspera do jogo do mengo. Dessa forma, o ponteiro direito cumpriu a partida que faltava em sua suspensão ainda como jogador do América e estava apto a enfrentar o Volta Redonda.

     

     

    No próximo capítulo:

    Capítulo 6: O primeiro turno do Campeonato Carioca Especial de 79

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    Leia a Saga do Penta – BIOGRAFIA RUBRO-NEGRA

     


    Gustavo Roman é jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros No campo e na moralFlamengo campeão brasileiro de 1987, Sarriá 82 – O que faltou ao futebol-arte? e 150 Curiosidades das Copas do Mundo. Conhecido como um dos maiores colecionadores de gravações de jogos de futebol, publica toda quinta-feira, aqui no Mundo Bola, a série “Biografia Rubro Negra 1978-1992”, onde conta a saga do período mais vitorioso da história do clube mais querido do mundo.

  • É para garantir a vaga, Mengão!

     

     

               Rafael Lisboa ( @rafinhalisboa )

     

     

     

     

     

    A final se aproxima! Na noite de hoje, às 20h30, no Tijuca Tênis Clube, o Flamengo recebe o Limeira pelo jogo 3 da semifinal do Novo Basquete Brasil 7. Se vencer hoje, a equipe rubro-negra se garante na sua quinta final de NBB, e vai em busca do quarto título do NBB, terceiro consecutivo, e quinto título nacional.

    Apesar de estar com a vaga na final praticamente garantida, o técnico José Neto, mantém a cautela: “Um relaxamento pode até ser normal nessa situação, mas se a gente quer alcançar uma coisa que não é normal, que é ser campeão, coisa que não é normal, pois não são todos que são campeões, precisamos sair do normal, pois quem faz somente o normal não chega longe. Tivemos uma experiência nas quartas de final contra São José, em que a gente relaxava quando vencia e tomava uma invertida no jogo seguinte. Sabemos que Limeira tem capacidade de ir para o Rio e vencer as duas, e sei que vão preparados par isso, mas vamos nos preparar para que isso não aconteça.

    Foto: Divulgação LNB

     

     

     

     

     

     

     

    O ala/armador Vitor Benite, destacou os pontos importantes para o Flamengo garantir a vaga à final hoje: “Jogaremos dentro de casa, ao lado da nossa torcida e temos que pressionar bastante o adversário. Temos ciência de que a equipe de Limeira virá para o tudo ou nada, pois eles são uma equipe de qualidade e que já mostrou que pode vencer aqui. Por isso, precisamos estar muito focados e concentrados para chegar ao nosso objetivo.”

    E a Nação tem mais um motivo para ficar confiante: Nunca em toda a história do NBB, uma equipe que abriu 2 a 0 na semifinal, sofreu a virada.

    Se por um lado esse dado alivia os rubro-negros, o ala/pivô de Limeira, ex Fla, Guilherme Teichmann, não quer saber de abaixar a cabeça diante da difícil situação da equipe paulista: “Um relaxamento pode até ser normal nessa situação, mas se a gente quer alcançar uma coisa que não é normal, que é ser campeão, coisa que não é normal, pois não são todos que são campeões, precisamos sair do normal, pois quem faz somente o normal não chega longe. Tivemos uma experiência nas quartas de final contra São José, em que a gente relaxava quando vencia e tomava uma invertida no jogo seguinte. Sabemos que Limeira tem capacidade de ir para o Rio e vencer as duas, e sei que vão preparados par isso, mas vamos nos preparar para que isso não aconteça.”

    Prováveis escalações:

    Flamengo: Laprovittola, Benite, Marquinhos, Olivinha e Meyinsse. Técnico: José Neto

    Limeira: Ronald Ramon, David Jackson, Nezinho, Bruno Fiorotto e Chris Hayes. Técnico: André (“Dedé”) Barbosa

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • Jeep no Manto

    Em evento realizado nesta manhã no Maracanã, Flamengo e Jeep selam acordo e apresentam uniforme com o novo patrocínio


     Por Luiza Sá e Mariana Sá – Mundo Bola Informação

    Hoje (13) foi um dia muito importante da história do Flamengo. Com a presença de ídolos do clube, como Zico, Júlio César e Adílio, Eduardo Bandeira de Mello selou a parceria com a Jeep em pleno Maracanã. O acordo de aproximadamente 5 milhões de reais, terá vigor até o final do ano de 2015.

    Em evento muito bem organizado no Maracanã, Jeep e Flamengo selam parceria. (Foto: Luiza Sá – Mundo Bola)

    A jornalista Glória Maria comandou o evento e logo falou: “quando você fala de Flamengo é impossível não lembrar de Zico”. Então, foi a vez do Galinho subir ao palco e contar que o contato com a empresa já existe há 2 anos pelo Jogo das Estrelas e que não foi difícil fazê-los se encantarem pelo Mais Querido. Como tinha outros compromissos, não ficou muito tempo, mas terminou com a frase que todo torcedor vem falando:

    “Presidente, pega essa caneta aí e gasta um pouquinho para trazer reforços pra gente. ” – Zico

     “Se você encontrar uma camisa do Flamengo por aí, vai encontrar raça, amor e paixão. E isso agora também é Jeep ” disse a apresentadora. “Ao se associar ao Flamengo, a Jeep se torna ainda mais brasileira. Afinal, quer clube mais brasileiro que o Flamengo? ” Completou.

    Representantes da Jeep ao lado de Eduardo Bandeira de Melo e Fred Luz. (Foto: Luiza Sá – Mundo Bola)

    O presidente da Jeep, Sérgio Ferreira, disse que a empresa investiu no Brasil pelo potencial de crescimento e que foi importante se associar a um dos maiores nomes do futebol nacional. Além disso, explicou que a marca escolheu o Flamengo por estar ligado às vitórias e pela solidez da diretoria.

    “O espírito do Flamengo tem muito a ver com os valores da marca Jeep. Liberdade, aventura, autenticidade e paixão. ” – Sérgio Ferreira – Presidente da Jeep

    Eduardo Bandeira de Mello disse que a escolha foi, não só por ser o maior clube do mundo, mas por ser um exemplo de gestão. Comentou também que o clube está muito orgulhoso com o acordo. Sobre o espaço na camisa, EBM falou que a ideia é valorizar o manto sem sacrificar o espaço “está bonita assim”. “É muito importante porque a Jeep é uma marca com credibilidade e penetração internacionais e o Flamengo está se modernizando, recuperando sua credibilidade e eu tenho certeza que a parceria será positiva para os dois lados, completou.

    Aperto de mão entre Bandeira e Sérgio Ferreira, acordo até o fim de 2015 (Foto: Luiza Sá – Mundo Bola)

    Na rodada de perguntas, Sérgio Ferreira afirmou que a Jeep não pretende ainda investir nos esportes olímpicos rubro-negros e que não fará, pelo menos por agora, parceria com outros clubes. Sobre o pedido de Zico, Bandeira falou que não pode revelar nada ainda, mas a torcida pode ficar animada, porque eles estão trabalhando para trazer jogadores capazes de qualificar o elenco. Apesar disso, afirmou que o plantel que temos é capaz de fazer um bom Brasileirão e a obrigação é sempre buscar o melhor. “A expectativa é de recuperação rápida e a gente vai brigar no pelotão da frente, ” afirmou.

    Quando perguntado sobre os contratos – inclusive com a Caixa – que terminam no final do ano e a possibilidade de ter que buscar patrocinadores, o presidente disse que a busca por apoiadores é permanente e que em dezembro tudo já vai estar resolvido e a valorização da camisa continuará. “A Caixa não sinalizou que vai sair do futebol, ela simplesmente concentrou todos os vencimentos dos seus patrocínios no mês de dezembro, o que eu acho extremamente racional. É bem provável que eles continuem investindo. ”

    “É muito importante porque a Jeep é uma marca com credibilidade e penetração internacionais e o Flamengo está se modernizando, recuperando sua credibilidade e eu tenho certeza que a parceria será positiva para os dois lados. ” – Eduardo Bandeira de Melo

    Bandeira de Melo e Sérgio Vieira posam para as fotos com o Manto Sagrad. (Foto: Luiza Sá – Mundo Bola)

    Representantes da Jeep posam para foto com alguns ex jogadores do Flamengo, entre eles Adílio e Julio Cesar Uri Geller. (Foto: Luiza Sá – Mundo Bola)

    “A Jeep é muito mais que um carro, é uma lenda e o Flamengo é muito mais que um clube, é uma nação. ”

    Bem vinda, Jeep.

  • Flamengo é destaque no Business FC e ganha prêmios por melhor gestão e transparência

    Reestruturação do Flamengo norteou debates na Business FC: encontro fomentou mudanças no cenário do futebol brasileiro

    Mundo Bola Informação | Diogo Almeida – Twitter: @DidaZico

    A gestão atual do Clube de Regatas do Flamengo ganhou o título de melhor gestão de clubes em 2014 e o bicampeonato na competição de clube mais transparente do Brasil. As taças foram entregues ontem, durante o seminário Business FC, realizado pela plataforma esportiva Brasil Sport Marketing, uma iniciativa da Pluri Consultoria, Trevisan Escola de Negócios e Fanclub Live Marketing.

    Durante toda a segunda-feira (11/05), no teatro do SESI, Avenida Paulista, 1313, os principais gestores do futebol brasileiro, além de jornalistas, pensadores e estudantes de marketing e gestão discutiram e apresentaram tendências e propostas para o principal esporte do país. O evento contou com 6 painéis de discussões e uma área de negócios exclusiva para networking entre alguns clubes e empresas interessadas em investimentos. No intervalo entre os painéis, foram entregues prêmios concedidos pela BrSM.

    O primeiro Painel discutiu a urgência da profissionalização do futebol no Brasil, a preocupação com o Campeonato Brasileiro como produto e a premência de se criar uma Liga Nacional. Contou com as presenças de Rodolfo Kussarev, presidente do Red Bull Brasil; Jorge Avancini, diretor de mercado do Bahia; Toninho Nascimento, jornalista e ex-secretário nacional de futebol e defesa dos direitos do torcedor do Ministério dos Esportes, e Edu Gaspar, gerente de futebol do Corinthians. Paulo Vinicius Coelho moderou o debate, que girou em torno de práticas de governança corporativa, a falência do atual sistema político, a transparência e responsabilidade orçamentária, a necessidade de separação entre política e gestão, bem como a ingerência política sobre o trabalho dos gestores.

    Jorge Avancini explicou como o Bahia instituiu seu modelo de governança, com mudanças estatutárias e a remuneração do presidente do atual presidente do clube baiano. Avancini instituiu um comitê gestor formado por 2 representantes eleitos, dirigentes de fato, e 3 executivos contratados.

    Intermediado por Mauro Betting, a dificuldade de atrair e reter patrocinadores foi a tônica em discussão no segundo painel da manhã. Fábio Wolff, da Wolff Sports & Marketing, Bernardo Pontes, executivo de marketing do Vasco e Daniel Tiraboschi, diretor-executivo da Baruel, falaram sobre ativação de marketing e a dificuldade em posicionar os jogadores e comissões técnicas sobre a necessidade de participação efetiva em ações de live marketing. “Há mesmo muita dificuldade em trazer o jogador para protagonizar uma ativação. Eles não perceberam ainda a importância que uma ação tem para o ciclo de negócios no futebol”, confessou o diretor-executivo.

    O relacionamento sobre a base de torcedores, a questão exposição x endosso de marca, os impactos da crise econômica e o papel do clube na entrega daquilo que o parceiro comercial foram temas tratados neste segundo painel.

    Fábio Wolff, conhecido pelo arranjo de patrocínios pontuais, contou uma história curiosa sobre a relação de um determinado clube com um patrocinador que acabara de assinar um contrato por várias temporadas: “O clube precisava fazer uma grande quantidade de camisetas para uma ativação de patrocínio. Eles fizeram a estampa sem consultar a empresa e ainda entregaram as camisetas dentro de um saco de lixo preto, sem a menor cerimônia! Na mesma hora o diretor da empresa me ligou e disse que o vínculo não se renovaria ao término do contrato. O clube perdeu um bom patrocinador por causa de um detalhe. Mas é algo que mostra como os clubes brasileiros pecam nas pequenas ações de relacionamento com seus patrocinadores”..

    Sem dúvidas, o painel mais rico do evento. Diversas ideias sobre o papel do jogador nas ações de marketing foram exemplificadas. Tiraboschi confessou que se sentiu encantado pelas opções que o Barcelona lhe deu para ativar a Baruel. “Eu realmente me encantei com o Barcelona. A lista de ações que eu poderia optar era enorme, um caderno. E a cada ação a mais escolhida, mas alto meu investimento ficava! Então eu acho que os clubes brasileiros precisam evoluir muito. E as empresas também, nesta questão do relacionamento entre as marcas. O Barcelona e a Baruel entendem que não adianta apenas uma exposição”. O executivo também aprova, em determinadas circunstâncias, o patrocínio pontual.

    Fabio Wolff ironizou a tentativa de esconder as placas da Allianz no estádio do Palmeiras. “Ridículo, fere em demasia o negócio do futebol. E, particularmente nesse caso, a marca da Allianz foi seguramente mais pronunciada, ou seja, a CBF e sua parceira deram um tiro no pé. Mas não subtrai muito a perda que os clubes têm. De qualquer forma, como uma outra empresa pode querer investir em Naming Rights assim? O vôlei sofre com isso também”.

    O Painel 3 trouxe à tona a perda da capacidade de investimento dos clubes e contou com o advogado Bichara Abidão Neto, sócio da Bichara e Motta advogados; Fernando Ferreira, sócio da Pluri Consultoria, Ricardo Borges Martins, diretor do Bom Senso FC (já entrevistado por aqui no blog Ninho da Nação), e Pedro Daniel, da BDO Consultoria. Moderado por Fernando Trevisan, o painel esclareceu pontos sobre a nova norma da FIFA sobre direitos econômicos de jogadores. “No curto prazo acredito que haverá uma debandada de bons jogadores do Brasil para a Europa. Sem investidores, os clubes têm muito pouco recurso para segurar novas promessas. Além disso, o preço de venda vai cair. Essa norma favoreceu muito os clubes de fora”, explicou Pedro Daniel.

    A necessidade de novas fontes de receitas e o clube-empresa como solução para uma administração ágil também foram foco de debates. Outro ponto foi a Lei de Responsabilidade Fiscal dos Clubes. O Flamengo está à frente, com a Lei de Responsabilidade Fiscal Rubro-Negra, aprovada há semanas, sem a necessidade de uma regulamentação do Estado. O diretor do movimento Bom Senso FC ressaltou que a CBF parece não entender o conceito de institucionalidade: “Não há isso na MP! Por que simplesmente o clube tem a opção de aderir ou não ao acordo. Se aderir ele passa a responder pelo chamado fairplay financeiro. Em contrapartida, aproveita o refinanciamento das dívidas”. Todos no painel foram unânimes em elogiar o Flamengo, exemplar em seu modelo de governança.

    O futuro dos estaduais e das federações de futebol era o tema do Painel 4, que começou com uma excelente explanação sobre o contexto histórico da organização do futebol brasileiro, pelo professor da FGV e Harvard Law School, Pedro Trengrouse. “Fica evidente que o modelo é ditatorial. Não é simplesmente o fato da existência ou não de federações e confederações. Mas como elas se posicionam. Com poderes perpétuos, como donas do futebol. No Rio, existem votos de entidades sem representatividade nenhuma. São dezenas de ligas amadoras sem endereço, por exemplo. O voto dos grandes é vencido. E essa coisa de arbitral… O Flamengo não tem obrigação de fazer algo prejudicial a ele só porque foi decidido no arbitral”, alertou Trengrouse, em um dos grandes momentos da noite.

    No mesmo Painel, o CEO do Flamengo, Fred Luz, anunciou que o Flamengo luta pela criação de uma liga. E quando perguntado em tom de brincadeira, por Fernando Trevisan, sobre a possibilidade do Flamengo disputar o campeonato paulista em 2016, a resposta veio de maneira enfática: “O Flamengo é um clube do Rio. E sempre vai jogar o Estadual do Rio. O que a gente está lutando é por um calendário que não prejudique. O Estadual causa prejuízo financeiro ao Flamengo. Mas a gente entende que pode ser um bom produto, pois gera boa visibilidade ao clube”.

    O Painel 5 deu voz aos administradores das chamadas Novas Arenas. Marcelo Frazão, executivo da Odebrecht Properties, e responsável pela diretoria de negócios da área de Entretenimento do grupo, afirmou que cada vez mais o Maracanã apoia ações de ativação dos clubes, como match days, e iniciativas contundentes das torcidas, como mosaicos. “A gente apoia a festa e entende que a paixão precisa aflorar através das diversas manifestações culturais. A gente não se opõe aos instrumentos musicais e às bandeiras, por exemplo. A gente quer uma festa bonita e cada vez mais aprende e incentiva”, declarou o executivo, que tem no currículo grandes projetos como o Lollapalooza Brasil e o Festival de Verão de Salvador.

    Rogério Dezembro, diretor de negócios da WTorre falou sobre o valor dos ingressos. “Não tem como operacionalizar cobrando um ingresso de 10 reais. O novo estádio do Palmeiras tem 36 escadas rolantes, três dezenas de elevadores. O Cinema custa o mesmo valor de um ingresso e não vejo esse espanto todo”, disse.

    Finalmente chegamos ao Painel dos Presidentes. Eduardo Bandeira de Melo, já laureado pelos títulos de Melhor Gestão em 2014 e clube mais transparente, conversou com presidentes de mais 3 clubes: Bahia, Grêmio e Chapecoense. O presidente do Fluminense, Peter Siemsen, foi aconselhado de última hora pelo jurídico do clube a não comparecer. Teme-se nas Laranjeiras, que depois do “castigo” imposto pela FFERJ, o presidente venha a receber maiores sanções por comparecer a um evento e falar como presidente. Por críticas feitas à Federação do Rio, o mandatário tricolor está impedido temporariamente de exercer o cargo.

    Bandeira agradeceu novamente pelas diversas citações elogiosas ao Flamengo ao longo do dia e explanou sobre diversas assuntos referentes a presente gestão. Sempre com foco na responsabilidade administrativa. Disse que o sucesso em campo ainda não chegou. “Ontem a gente já perdeu, eu já estou ficando preocupado. Não dá mais pra ficar fugindo do rebaixamento todo ano”, confessou.

    Grande vencedor da noite

    Não apenas pelos 3 prêmios – Fred Luz foi eleito o melhor CEO do Brasil – e indicações em todas as categorias. O Flamengo era um norte nas discussões quando se precisava de um nome de clube brasileiro como exemplo. A Business FC, evento que reuniu imprensa e mercado em plena Avenida Paulista, coração da economia brasileira, se curvou perante os demonstrativos e indicações contábeis do Clube de Regatas do Flamengo, na dianteira em todos os quesitos referentes à boa governança e métodos de administração.

    O Flamengo é um dos maiores cases de recuperação financeira do mundo do futebol. A grande torcida dos stakeholders presentes ao seminário era de que a bola precisa começar a entrar no gol e as vitórias da gestão entrem em campo, para legitimar a mudança no clube, diminuir a pressão da torcida e imprensa descompromissada e, acima de tudo, servir de exemplo para a esmagadora maioria do futebol brasileiro.