Autor: diogo.almeida1979

  • Paquetá: “O Flamengo pode contar comigo”

    O Flamengo termina o ano de grande expectativa com o vice-campeonato da Copa Sul-Americana e sem conquistar nenhum grande título. Após ser derrotado na Argentina, o Rubro-Negro apenas empatou no Maracanã, consagrando o Independiente como campeão. A grande parte dos jogadores se mostrou bastante abalada, em especial o jovem destaque, Lucas Paquetá.

    A cria da base foi o nome do Mais Querido na decisão, fez o gol,  foi aguerrido, até se esgotar e sair no segundo tempo. A jovem estrela do Mengão aparenta estar cada partida mais maduro, sempre buscando bola e sendo oportunista na hora de deixar sua marca no placar. O meio-campista, que já atuou improvisado até como centroavante, marcou seu segundo gol numa final, mas bateu na trave pela segunda vez no ano.

    Na primeira oportunidade, atuando como atacante, foi o autor do gol contra o Cruzeiro na final da Copa do Brasil. Contra o Independiente, Paquetá jogou pela ponta direita, e abriu o placar numa bola que sobrou na área. Apesar do tento, o atleta sentiu a derrota.

    “Dói bastante. A torcida vem, faz uma festa bonita, apoia bastante e às vezes não acontece. Mais uma final que chegamos, batalhamos e não veio” ,  lamentou o jovem na saída de campo.

    Cabisbaixo, o jovem Rubro-Negro falou sobre seu sonho e agradeceu as oportunidades que o técnico, Reinaldo Rueda, lhe concedeu.

    “Almejo dar alegria à Nação, conquistar títulos. Sempre foi meu sonho jogar pelo Flamengo e dar alegria à nossa torcida. Pretendo ficar aqui e fazer história. Só tenho que agradecer ao professor Rueda, por ter acreditado no meu trabalho e ter deixado eu mostrar que o Flamengo pode contar comigo”.

    Paquetá inclusive reclamou da arbitragem colombiana na final da Copa Sul-Americana, pedindo um pênalti para o Mais Querido, não marcado pelo juiz.

    “Acho que foi pênalti. Quando fiz o corte, fui puxado e fui para o chão. É difícil porque além do adversário você tem que jogar contra mais alguém. É até complicado falar sobre isso. A Nação veio e nos empurrou, mas não conseguimos o título. A gente fica triste pelo resultado”, lamentou ao Fox Sports.

    Por último, o meio-campista fez um resumo do ano de 2017, projetando um ano diferente que vem pela frente.

    “Erramos e acertamos durante o ano. O que temos que levar para 2018 são os acertos para fazermos os resultados que a torcida merece. Estou triste pelo resultado. Agora é trabalhar em 2018 para conseguir um resultado diferente” completou.
    O elenco do Flamengo entrou de férias, e volta a se apresentar em Janeiro de 2018.
  • Não foi. Mas ainda vai.

    Mauro Beting lamenta ano frustrante do Flamengo diante de tanto investimento sem títulos de expressão mas exalta ascensão dos garotos da base

     
    Foi num 13 de dezembro que o maior time que vi jogar no Brasil ganhou do Liverpool no Japão como se fosse brincadeira de criança. E foi há 36 anos.

    

Foi num 13 de dezembro que o time com nominalmente os melhores jogadores juntos possíveis ganhou um campeonato “organizado” como se fosse brincadeira de adulto. E foi há 30 anos.

    

No mesmo Maracanã onde neste 13 de dezembro o Rey de Copas Independiente foi novamente coroado. Com Meza se virando muito bem em campo até ser derrubado infantilmente para o niño Barco empatar ainda no primeiro tempo. 

Logo depois do gol de Paquetá.

    O menino maluquinho pelo Mengo que abriu o placar na noite de festa e loucura no bom sentido. Não o nonsense bárbaro da madrugada não dormida, dos gases espargidos pela polícia que tem tanta coisa a fazer que não consegue também porque estúpidos entopem as ruas com a bobagem entorpecida da intolerância torcedora. 



    A baixaria no hotel até a entrada da decisão não pode conspurcar o que se viu em campo. Um bom jogo. Quase sempre leal. Quase sempre com o Flamengo com mais bola como tinha de ser. Criando mais chances como era necessário acontecer. Mas sem conseguir nem mesmo a vantagem mínima para mais 30 minutos de bola correndo. Quem sabe mais pênaltis sem Muralha. 


Mas tudo isso com quase mais 30 jogos na temporada que o rival. Isso pesa.

    Em 1981 era diferente tudo. O Flamengo jogava direto. E jogava mais que todos. Em 21 dias ganhou a Libertadores, RJ-81 e Mundial. Jogando mais do que correndo. Agora o mundo mais corre que joga. E nem sempre consegue na correria.

    

Para tanto investimento o 2017 acabou sendo mais frustrante que ruim. Libertadores veio pelo BR-17. Estadual tem caneco na galeria. Copa do Brasil perdida nos pênaltis. Sul-Americana (consolação pela eliminação prematura na Libertadores) ficou por pelo menos um gol.

    E gol não dos tantos medalhões comprados a peso de Flamengo. Veio pela canhota afiada de Paquetá. Como os gols de Vizeu foram importantes. O pênalti de César em Barranquilla. O talento em desenvolvimento de Vinicius Júnior. Tudo da base. Boa base de tudo. 

Não tem Leandro, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Tita, Zico e Nunes feitos na Gávea como em 1981. Zé Carlos, Leandro, Leonardo, Andrade, Ailton, Zinho e Zico como em 1987 também Made in Flamengo.

    Mas tem em casa quem não precisa ser comprado no mercado. 

Vai ter mais Flamengo em 2018. Frustra como foi decepcionante também em 2016. Mas o caminho é esse.

     


    Mauro Beting, 51, não é Flamengo. Mas foi um pouco por Zico e em nome do melhor time que viu na vida (o Flamengo de 1981-82), que inspirou o melhor Brasil pelo qual torceu (o de 1982). Comenta futebol no UOL, Esporte Interativo e Jovem Pan. Diretor de documentários esportivos, escreveu 16 livros. Curador do Museu da Seleção e do Museu Pelé. Desde 2010 é comentarista do videogame PES. Desde 2017 corneta por aqui. Siga-o no Twitter: @Mauro_Beting.

     

    Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

  • E hoje termina

    Termina o ano. Em seu momento mais importante.

    Ao inferno se foi ruim. Às favas se foi sofrido. Não interessa o que aconteceu, como se deu, quem acertou, qual foi o que errou, o que seria feito de outra forma, o que se procedeu direito.

    Esqueça-se se o time dos caras joga direito, se tem bons jogadores, se é jovem, se a defesa não presta, se chegou a pipocar no primeiro jogo, se somos favoritos ou azarões. Nada disso tem importância.

    Como não faz a menor diferença se levaremos a campo onze craques ou paus de vassoura. Se nosso treinador terá sido o principal responsável pela grande guinada na reta final. Os aspectos técnicos, táticos, físicos, a temporada longa, os desfalques. Detalhes irrelevantes.

    Porque hoje é dia de decisão.

    E aí, amigos, irá se dar a magia, a alquimia, o amálgama que define de forma mais primitiva a nossa essência. A junção do Flamengo com sua gente.

    Hoje nos daremos as mãos. Cada flamengo pulverizado no mais remoto recôndito dessa Nação estará conectado, irmanado em fé, levando seu grito, sua vibração, a energia que brotará de suas entranhas, canalizada para o místico templo engalanado em negro e rubro, explodindo em um urro febril e uníssono. Um urro de quarenta milhões de almas famintas da fome de vencer. De erguer-se em triunfo. De conquistar.

    Vamo, Flamengo! Vamo ser campeão!

    É chegada a hora da batalha final. Nós gostamos de batalhas. Nós somos da guerra. Nós somos do combate. Da luta se fez a nossa glória, à nossa frente só se apresenta uma opção: vencer. E é em dias como o de hoje que cada verso, cada sílaba dos nossos hinos e cantos de amor precisa se fazer mostrar. É em momentos como o dessa noite que o Flamengo erige-se em toda a sua força. Transmuda-se, olhos porejando em sangue, os dentes cerrados clamando por sufocar, acuar, perseguir, sobrepujar. Matar. O adversário, olhos em pânico, suor gelado, revestindo-se em presa.

    Não temos medo. Não fugimos da briga. Vamos honrar a nossa história e a nossa essência. Vamos encharcar nosso sacro pano preto e encarnado. E juntos, na mesma vibração, na mesma sintonia, vamos fazer com que nosso indelével estandarte seja novamente erguido ao mais alto dos planos. Porque é da nossa força. É da nossa natureza. É da nossa estirpe.

    PRA DENTRO DELES!

    Os Alfarrábios entram em férias a partir de hoje, retornando em 11/01. Boas festas a todos.

     


    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
     

    Imagens no post e nas redes sociais: Reprodução.

  • O título da Sulamericana e o amadurecimento de meninos-homens

    Saudações, Rubro-Negros!

    Estamos a poucas horas daquele que se tornou o momento mais importante do nosso ano. E vamos para a batalha dependendo de gente experiente, como Diego, Everton Ribeiro, Cuéllar, Rever e Juan, o maior de todos e ao mesmo tempo um dos homens mais lindos que a Terra teve a sorte de receber. Porém, não será apenas com os cascas-grossas que iremos bater de frente com El Rey de Copas. É também nos meninos recém chegados da base que reside boa parte de nossas esperanças em voltar a erguer uma taça que há muito tardamos em levar para a Gávea. Um deles, ou, melhor ainda, todos eles podem ser os protagonistas dessa epopeia, e alguns até aqui já o vem sendo. São garotos que têm aprendido rápido que na atividade que escolheram não há muito tempo nem espaço para serem… garotos. É preciso crescer e é melhor que seja logo.

    É inegável o nosso nervosismo, é indisfarçável a nossa tensão, é visível o quanto estamos ansiosos pelo momento de a bola começar a rolar no gramado do outrora mítico Maraca, nossa casa predileta.

    Não é para menos. Somos carentes de conquistas internacionais. Do alto dos meus 43 anos, sendo 32 deles dedicados a ver o Flamengo alcançar glórias e produzir alguns vexames muito de perto, jamais estive presente ao estádio para testemunhar a conquista de um título internacional. No último, em 99, contra o Palmeiras, estava no primeiro jogo, entretanto, não no segundo, no antigo Palestra, quando Lê nos deu a Mercosul; contra esse mesmo Independiente, em 95, com o Apolinho Washington Rodrigues de técnico e tentando meter um monitor no banco de reservas, por entender que assim via melhor o jogo — ele chegou a colocar o tal monitor lá em uma ou duas partidas, mas logo a Fifa lhe cortou as asinhas e o proibiu de seguir usando o recurso –, estava lá na finalíssima, quando o gol solitário do Baixo não foi suficiente para que revertêssemos o dois a zero do primeiro encontro; e contra o San Lorenzo, em 2001, pela mesma Mercosul e com direito a presidente decretando estado de sítio na Argentina, obrigando o adiamento do segundo jogo, perdemos novamente; eu também não estava lá, só no Maracanã, quando Edilson, o Capetinha, foi infantilmente expulso no começo do primeiro tempo e comprometeu em 100% o desempenho e a estratégia do time, que não saiu do 0 a 0.

    É justo concluir, portanto, meus amigos, que também eu, apesar das minhas mais de três décadas de ativismo rubro-negro, sou um menino no que diz respeito a celebrar títulos internacionais. E como tal quero e preciso tornar-me grande, crescer para atingir a maturidade que todavia me falta. E é com esse espírito que estarei torcendo logo mais pelo meu time lá do último degrau do setor 5 da arquibancada Norte Superior. E com minha filha ao meu lado, que é justamente quem eu mais desejei ter junto de mim num momento como esse. E a ela se oferece a chance de fazer essa transição e atingir o mesmo amadurecimento ainda aos 14 anos. O que na vida fora do futebol pode ser visto como precoce, desnecessário e até perigoso, algo que nenhum pai minimamente responsáve deve incentivar nos seus filhos, ali dentro, vendo o time levar nas costas todas as nossas carências, os traumas e, acima de tudo, nossas esperanças e expectativas, quando confirmado, quando a faixa estiver atravessada em nosso peito, terá se convertido num marco na história dela e também na minha. E juntos, que é como pais e seus filhos e filhas melhor podem escrever uma história. Que seja com o mais feliz dos finais, pois é certo que nossos corações e gargantas estarão lá para ajudar a ser assim.

    À vitória, camaradas!

    SRN


    Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.
     

    Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo.

  • Disparidade entre setores: conheça os pontos fracos do Independiente na Sul-Americana

    A próxima quarta-feira (13) é uma data decisiva para o Flamengo. Desta vez com o estádio ao seu favor – jogará no Maracanã lotado –, o rubro-negro precisa reverter o 2 a 1 sofrido em Avellaneda se quiser terminar o ano com uma grande conquista. Para facilitar o trabalho dos scouts flamenguistas, o Mundo Bola dissecou o Independiente e traz agora os pontos fracos do adversário argentino.

    De volta ao jogo de ida

    Precisamos voltar para o duelo de ida, que de maneira sutil mostrou os caminhos por onde o Fla pode buscar a vitória. Em jogo apático, com uma forma de jogo apática, Rueda escolheu esperar o Independiente e foi castigado. O mesmo foi feito no jogo de volta contra o Junior Barranquilla, também na casa do adversário, mas a falta de pontaria somada à não necessidade de título para os colombianos chegarem à Libertadores contaram a favor.

    Os argentinos não. Precisam do título e foram caprichosos ao buscarem a virada, mas se expuseram e sutilmente deixaram à mostra suas fragilidades. Não tão perceptivas, mas um tanto quanto perigosa. Como o peito esquerdo de Smaug – dragão criado por J. R. R. Tolkien na obra O Hobbit –, única parte descoberta em todo o seu protegido corpo. Difícil de ser visto, mas quando vulnerável acaba por matá-lo.

    Os Rojos mostraram-se lentos na recomposição, mal resguardados e com fraca defesa. Mesmo pressionando e com maior posse de bola, permitiu que o Flamengo finalizasse a mesma quantidade de vezes. Conseguiram a virada em um chute de rara felicidade e por pouco não sofreu o empate na arrancada de Éverton, parado com falta por Amorebieta.

    Estatísticas comprovam

    Ficaram claros os dotes ofensivos do Independiente. Não à toa, é o time que mais dá passes para finalização na competição, o time que mais dribla, que mais sofre faltas, que mais finaliza, que mais faz lançamentos e que mais troca passes.

    Estes números são fortes, e com a torcida empurrando ficam ainda mais. Mas é aí que entram os pontos fracos…

    Pontos fracos

    É comum nos times com características ofensivas serem mais suscetíveis no setor defensivo. No clube argentino, a disparidade é grande.

    Começando pelo desarme. A média do Independiente é de 13,1 desarmes por jogo, uma das menores médias da competição, ficando a frente de Nacional-PAR, Fluminense e Cerro Porteño entre os times com 6+ jogos. Olhando a média de desarmes CERTOS, os 11,5 dos Rojos só ficam a frente do tricolor carioca, que tem 11,4.

    Consequentemente, é o time que mais comete faltas e mais recebe cartões amarelos.

    No ataque também existem problemas. É o clube que mais errou chutes na competição e precisa de 7 finalizações para marcar um gol, bem acima dos 4,8 do Flamengo. Soma-se a isso a quantidade de passes errados – lidera este quesito– e a média de erros de passe – um dos piores do torneio.

    É também o time que mais perde bola na Sul-Americana, um número alto contando que tem uma das mais fracas médias de posse de bola dentre as equipes que chegaram mais longe.

    Jogo contrário

    O duelo de volta pode ser se o inverso do duelo em Avellaneda. A tendência é o Independiente se segurar mais e o Flamengo partir pra cima. O rubro-negro por pouco não conseguiu um bom resultado como visitante, muito por conta do alto erro no número de passes (43). Arão (8) e Lucas Paquetá (7) foram os que mais erraram passes no jogo de ida.

    Com a bola no chão e o Flamengo fazendo seu jogo, a chance de vitória é grande. Os argentinos são frágeis defensivamente, e Rueda e cia puderam observar isso na quarta passada, quando apenas o adversário jogou. Acertando a bola e a marcação nos pontas, a chance do título é grande.

    *Estatísticas do ótimo Footstats Premium

  • Que tal jogar com Zico? PES disponibiliza Galinho em atualização

    Zico, maior ídolo da história do Flamengo, foi anunciado como novo embaixador do Pro Evolution Soccer (PES), pela produtora do jogo, a Konami. Em um evento realizado nesta segunda (11), em São Paulo, a empresa revelou o Galinho como novo jogador lendário da franquia de simulador futebolístico.

    A Konami revelou Zico em sua versão virtual com diversas jogadas com a camisa histórica do Flamengo de 81, além de Socrates, ex-jogador Rubro-Negro, que morreu em 2011. No evento também esteve presente o ex-atleta da Gávea, Renato Augusto, que atualmente defende o Beijing Guoan, da China.

    “Lá no Japão, fui diversas vezes capas de jogo, quando era técnico da seleção. Por essa ligação com o Flamengo, fui procurado e gostei da ideia. É legal para a criançada que só ouve os pais e avós falando das coisas que aconteceram. Ter essa participação é bacana.” comentou Zico.

    O Galinho de Quintino se mostrou bastante impressionado com a qualidade e realidade do jogo na nova versão.

    “De todos os games de futebol que já joguei, o que mais me impressionou pelo nível de realismo foi o PES 2018, é uma honra ter sido escolhido embaixador e jogador lendário para representar o PES e estou muito empolgado com a parceria para levar o melhor futebol aos fãs”.

    “Fico muito feliz em ser o embaixador de PES, agora é treinar, porque meus netos jogam muito e não posso fazer feio com eles.” brincou Zico.

    O craque vai estar disponível a partir do dia 12 de dezembro nos consoles que o game foi lançado, PS4, PS3, Xbox One, Xbox 360 e PC.
  • Everton Ribeiro: “Vamos com tudo para poder reverter esse quadro”

    Na ultima semana da temporada, o Flamengo tem pela frente o seu jogo mais importante do ano, a final da Copa Sul-Americana. Apesar da derrota por 2 a 1 no primeiro jogo da final, todos tentam manter o otimismo na Gávea. Éverton Ribeiro concedeu a entrevista coletiva desta segunda (11), e acredita que o time está preparado para ser campeão e trazer uma conquista internacional para o Rubro-Negro depois de 18 anos.

    “Otimismo muito grande. Até porque fomos superiores em uma parte do jogo, fora de casa. Agora jogamos em casa, junto com a nossa torcida. Final não tem bola perdida, não tem cansaço. Vamos com tudo para poder reverter esse quadro” disse o meio-campista.

    O jogador afirmou que o psicológico é parte fundamental do jogo, e que a equipe precisa manter a ansiedade baixa e ter calma para sair com a vitória.

    “A gente já sabe que eles vão tentar segurar o jogo, não podemos cair na pilha. Vamos pressionar e fazer nosso jogo. Não podemos dar espaço porque é uma equipe que tem qualidade no contra-ataque” comentou.

    Éverton Ribeiro comentou a má fase que vive na equipe mas confia que tem tudo para ajudar a equipe e marcar a sua carreira.

    “Eu tive bons momentos. Certamente, essa sequência pesou um pouco para mim. Como para todo mundo. A gente teve altos e baixos. Mas podemos fechar o a no com um título, que marca a carreira de um jogador.”

    Apesar do Flamengo estar na sua terceira final do ano, o atleta Rubro-Negro não esteve presente em nenhuma das anteriores à Copa Sul-Americana. Na final do Carioca, o jogador ainda estava no futebol árabe, e só chegou no Mengão após o período de inscrições da Copa do Brasil terem terminado, impossibilitando-o de jogar o torneio.

    “Esse ano era um objetivo meu quando cheguei. Todos tinham expectativa de conseguir títulos, chegar nas finais. Agora, o mais importante e sentir o clima, reverter esse quadro e levantar essa taça para o Flamengo (…) Sabia que era um desafio jogar no Flamengo. Espero dar meu máximo e sair com a vitória” disse o atleta.

    Éverton Ribeiro falou também sobre as críticas da torcida sobre o time e a desgastante temporada do Rubro-Negro.

    “A gente fica chateado como somos humanos. Mas entendo e aceito críticas. Estou no Flamengo, uma equipe gigante. Fico tranquilo porque sei o que posso fazer. Temos cobrança interna, o que é normal.”

    “Foram três jogos com viagens. Jogos intensos, que teríamos que tomar um caminho. Deu tudo certo, conseguimos o objetivo. Na final, saímos em desvantagem. Mas também tivemos essa semana para recuperar. Descansados e com energia sobrando para fazer um grande jogo.” 

    Por último, o meio-campista comentou sobre a situação vivida pelo seu companheiro de time, Guerrero.

    “Está muito triste. A gente esperava que ele pudesse estar com a gente. Ele sabe que estamos juntos. Está agora esperando uma nova chance de diminuir a punição.” 

    Flamengo e Independiente se enfrentam na próxima quarta (13), às 21h45, no Maracanã, pela final da Copa Sul-Americana, o Rubro-Negro precisa reverter a derrota sofrida na Argentina por 2 a 1.

  • Peraltadas #29 – E quem vai pagar a conta? (Doping de Guerrero, Consórcio Plaza…)

    O que a absolvição de KL e a punição de Guerrero têm em comum?

    A conta não chega

    Triste a absolvição de Kleber Leite no Conselho Administrativo do Flamengo. Que desserviço ao clube prestaram os 41 conselheiros que ignoraram o prejuízo de dezenas de milhões de reais causado pelo ex-presidente (clique AQUI para saber mais). Pelo visto, o dono da Klefer também não será punido pelas negociações irregulares de jogadores nos anos 90, que geraram multa do Bacen de quase R$ 100 milhões.

    Good cop

    Gols perdidos à parte, vejo Paolo como o melhor jogador desse elenco. Sua capacidade em fazer pivôs e segurar a bola no ataque, quase sempre alvo de chacotas, é fundamental para o time. Não há dúvida que as coisas seriam mais simples na quarta se ele estivesse em campo. Com sua ausência, o Flamengo perde um profissional dedicado e com mentalidade vencedora.

    Bad cop

    Paolo completará 34 anos em janeiro, recebe um salário altíssimo e perde(ria) diversos jogos da próxima temporada por compromissos com seu amado Peru. Se antes já tinha dois pés atrás com sua renovação, agora a questão é outra, ainda pior. Quem vai pagar pelo prejuízo do Flamengo? FPF? Paolo? Alguém tem que ser responsabilizado. E não falo apenas de salários, mas de multa rescisória, ressarcimento decorrente da perda técnica e danos morais. Espero que o clube não tenha pena de acionar judicialmente o culpado por retirar de campo o jogador mais caro do elenco. Vale lembrar que, em 2008, o TAS condenou Adrian Mutu a pagar € 17 milhões ao Chelsea, que em 2004 havia rescindido o contrato do atacante romeno após ele ser flagrado em exame antidoping por uso de cocaína.

    Trem pagador

    Em 2016, o Flamengo foi o clube com mais jogos e maior audiência em TV aberta. Em 17 jogos, sua média foi de 26 pontos. Esse ano a coisa ficou ainda mais impressionante. Média de quase 33 pontos (!!!) em 43 (!!!) partidas transmitidas pela Globo Rio.

    Libertadores 2018

    Boca, River, Atlético Nacional, Peñarol, Grêmio, Santos, Corinthians e Cruzeiro serão os cabeças de chave da próxima edição. Com vários vexames recentes, o Flamengo está apenas no pote 3, mas se for campeão da Sula na quarta, ao que tudo indica, pula para o 2.

    Michael Douglas

    Kombi de ovos (aqueles graúdos que a galinha chorou para colocar), caminhão de gás, fogos de artifício, coé rapaziada com megafone… a torcida do Flamengo está prometendo não deixar o time rojo dormir na madrugada de terça para quarta. Ao que tudo indica, desde que respeite-se a Lei de Gil, vale tudo nessa final.
     


    José Peralta não é apenas mais um rostinho bonito cornetando o time. Toda segunda-feira suas peraltadas estão aqui no Blog CRFlamenguismo.
     

    Imagem do post e das redes sociais: Reprodução Youtube

  • Após comissões, relatórios e votações secretas: como um empréstimo de R$ 6Mi virou um prejuízo de R$ 61Mi apenas para o Flamengo

    Com mobilização de aliados, Kleber Leite é absolvido no Conselho Administrativo pelo empréstimo do Consórcio Plaza, assumido em sua gestão há mais de vinte anos

     
    No dia 5 de dezembro a torcida do Flamengo travou uma verdadeira batalha pela compra dos últimos ingressos para o segundo jogo da final da Copa Sul-Americana, que será realizado nesta quarta-feira, 13, no Maracanã. Porém, o fato que entrará mesmo para os anais do clube será a decisão de absolver o ex-presidente Kleber Leite da acusação de improbidade administrativa pelos atos executivos envolvendo negócios com o Consórcio Plaza, do grupo Multiplan.

    Caso o conselho optasse pela punição, Kleber teria inicialmente 30 dias para ressarcir o clube nos cerca de R$ 60 milhões pagos ao consórcio no acordo para o fim do processo judicial em torno da dívida. Caso não efetuasse o pagamento, seria preventivamente suspenso por 360 dias, e se ao fim desse prazo ainda não ressarcisse o clube, seria excluído do quadro de associados. Porém, em votação secreta, 41 conselheiros votaram contra a punição e apenas 27 a favor, mantendo Kleber no quadro de associados.
     

    Entenda o caso

    No primeiro ano de seu primeiro mandato, Kleber Leite assinou com o Consórcio Plaza contrato para a construção de um Shopping Center na Gávea. Antes do começo das obras o cartola pediu um adiantamento de R$ 6 milhões à empresa pelo arrendamento do terreno por 25 anos. Segundo ele, o valor foi usado para pagar salários atrasados, pendências do prédio Hilton Santos e, por fim, a contratação junto ao Palmeiras do atacante Edmundo para formar o chamado “melhor ataque do mundo” ao lado de Sávio e Romário, numa tentativa de conquistar algum título no ano do centenário de fundação do clube, que acabou em fiasco dentro e fora de campo. Edmundo jogou menos de seis meses no Flamengo, apanhou dentro de campo na Argentina e causou um acidente de trânsito letal. Acabou negociado com o Corinthians no início de 1996, encerrando a breve experiência ao lado de Sávio e Romário, mas deixando uma dívida que durou muito mais do que a sua curta passagem.

    A construção do empreendimento comercial não foi para a frente por falta da obtenção das licenças necessárias para o empreendimento. Em 2002, a Multiplan deu início a uma briga judicial pelo ressarcimento dos valores adiantados ao Flamengo. Vinte anos depois, o cálculo atualizado da dívida, estimado por um perito judicial, girava em torno de R$ 90 milhões. As partes entraram em um acordo de R$ 61 milhões e encerraram a pendenga no início de 2017. A pendenga poderia até ser estendida por mais tempo, com o Flamengo utilizando de recursos e promulgando decisões em diferentes instâncias mas decidiu usar essa carta para economizar 29 milhões no acordo e evitar um valor ainda mais majorado.

    Em abril deste ano, o desembargador Siro Darlan, benemérito do Flamengo e responsável pela comissão interna de 2010 sobre o caso, protocolou na secretaria do clube uma carta cobrando do presidente Eduardo Bandeira de Mello medidas imperiosas para ressarcir o prejuízo causado por Kleber Leite.

    – Em 2010, fui relator da comissão que apurou responsabilidade do Kleber Leite neste caso. Já naquela ocasião, o Conselho Deliberativo tinha aprovado entrar com ação rescisória. Mas só podia entrar depois de pagar a dívida, o que foi feito agora, com o Conselho aprovando o pagamento. A sentença judicial autoriza o clube a entrar com essa ação regressiva. O Kleber Leite assinou contrato sem autorização do Conselho Deliberativo. Estou pedindo apenas que o presidente cumpra essa decisão em colegiado para evitar dano ao clube – explicou Darlan, ouvido pelo repórter Raphael Zarko, do GloboEsporte.com, em matéria publicada em 21/04/2017.
     


    Leia também: O balanço nosso de cada dia


     
    Os relatórios da comissão permanente de 2010, supracitados pelo juiz Siro Darlan indicaram a responsabilidade de Kleber Leite por ato de excesso de poder por ter transformado uma decisão do Conselho Deliberativo – o recebimento dos R$ 6 milhões do Consórcio Plaza em caráter gratuito e não oneroso ao Flamengo – em uma dívida com garantias, de fato. Uma supressão do cartola, enquanto presidente do Conselho Diretor, ao poder e à autorização do Conselho Deliberativo.

    Pressionado por correntes da situação e da oposição, Rodrigo Dunshee de Abranches, presidente do Conselho Deliberativo (CoDe), convocou reunião para votar a aprovação da possibilidade de ação na justiça comum contra Kleber Leite. Esta votação no CoDe, entretanto, terminou com vitória para o ex-presidente, com os conselheiros acatando dois pareceres jurídicos independentes que indicavam que o Flamengo teria pouca chance de vitória por conta da preclusão do caso. Perdendo, o Flamengo assumiria as custas do processo, cerca de R$ 3 milhões e até uma indenização a Kleber Leite.

    Sem ingressar na justiça comum, o caso foi levado ao CoAd em uma tentativa de punição interna, à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal Rubro-Negra, aprovada em 2015, que prevê punição a dirigentes por prejuízos financeiros causados ao clube em decorrência de improbidade administrativa.
     

    Como foi a reunião que decidiu por não punir Kleber Leite

    Estavam presentes na sessão do CoAD alguns ex-presidentes como Márcio Braga, Hélio Ferraz, Antônio Dunshee de Abranches, Luis Augusto Velloso, George Helal, Patrícia Amorim e Delair Dumbrosck. Os ex-dirigentes do clube podem ter temido o estabelecimento de um precedente que poderia se voltar contra eles em outros casos similares de dívidas contraídas nas antigas gestões. Como a votação foi secreta, os conselheiros que votaram pela absolvição de Kleber não deixaram se constranger nem pelo fato de a sessão ocorrer dias após o ex-sócio do empresário J. Hawilla afirmar à Justiça americana que ele e Kleber pagaram propina a dois ex-presidentes da CBF e ao atual mandatário da entidade para explorar comercialmente a Copa do Brasil, num processo que fez escritórios do ex-presidente rubro-negro serem alvo de uma operação de busca e apreensão solicitada pelo FBI.

    O parecer da comissão de inquérito especial estabelecida sobre o caso serviu como principal argumento contrário à condenação alegando que, como a causa foi encerrada na Justiça e os Conselhos do clube aprovaram as contas da gestão Kleber Leite, o ex-presidente poderia acionar o Flamengo em até R$ 12 milhões. Nos bastidores, porém, alguns conselheiros que votaram contra a punição recorrentemente justificavam que Kleber Leite era “muito Flamengo”, e que este problema ocorrido era sintoma de um Flamengo mal organizado de antigamente, sem saúde financeira, o que dava margem a este tipo de coisa acontecer, e que Kleber não teve a intenção de prejudicar o Flamengo.

    Quando teve a palavra na sessão, Kleber disse que jamais processaria o Flamengo. e que este não poderia ser um motivo para que não votassem contra ele. Alegou o que já afirmara inúmeras vezes em entrevistas e no seu blog:

    – Que o Consórcio emprestou o dinheiro (R$ 6 milhões) em adiantamento na condicional da aprovação do Shopping Plaza;
    – Exigiu como garantia o contrato de Edmundo;
    – O Flamengo com isso pagou os salários atrasados, resolveu um problema no Morro da Viúva e contratou Edmundo;
    – Mais tarde o então governador Anthony Garotinho (1999-2002) aprovou o projeto. O que livraria o Flamengo de pagar os tais R$ 6 milhões, pois esta era a condição;
    – Então, numa festa, um dos donos da Multiplan, José Isaac Perez, teria bebido demais e falado ao Garotinho que tinha subornado vereadores para aprovação do projeto na Câmara Municipal;
    – Garotinho então voltou atrás e vetou o projeto de construção do Shopping, que também incluiria um CT na Gávea.
    – Com esta perda, a Multiplan cobrou o Flamengo pelo “empréstimo”. Leite entende que a culpa do negócio não ter dado certo não foi do Flamengo e sim da própria Multiplan;
    – Por fim, Leite se ressentiu do Flamengo não ter ido à justiça contra esta cobrança.

    Sobre este último item, Kleber Leite publicou uma carta em seu blog onde explica mais detalhadamente a situação, colocando a culpa toda no seu sucessor Edmundo Santos Silva (1999-2002):

    “Com Edmundo Santos Silva à frente, o Flamengo ao invés de acionar o Consórcio, que deu causa à não construção do shopping, não toma nenhuma providência, e ainda por cima passa a ser acionado pelo Consórcio. Pior do que tudo isso foi a defesa do clube, admitindo uma “dívida” que não existia e, em meio à dinheirama que caía por todos os lados dos cofres da ISL, negociar a tal “dívida”. Era, à época, uma louca vontade de pagar…

    Este foi um período em que estive ausente por dois motivos. Pela total incompatibilidade de vida com quem dirigia o clube e, pelo fato de ter morado quatro anos em São Paulo.

    Quando tomei conhecimento do caso pela imprensa, imediatamente, por livre e espontânea vontade, relatei o que aqui disse, em reunião do Conselho Deliberativo.

    Sofro com o desenrolar deste caso. Dói em mim a injustiça que alguns cometem tentando me empurrar responsabilidade que jamais tive. Não gosto de tocar nestes casos, até por considerar cabotino, mas ante a situação, não tenho como não fazer.”

    Kleber Leite se absteve de votar, assim como Bernardo Amaral, presidente da mesa e do COAD. Os conselheiros do SóFLA, principal grupo político de situação foram orientados a votar pela punição. Como a votação foi secreta não é possível saber como cada um votou individualmente, mas segundo as contas de um membro do grupo escutado pela reportagem a prerrogativa foi seguida. Também confirmamos que o grupo estuda entrar com recurso para uma nova votação, na qual tentará mobilizar mais membros para a votação. Os conselheiros favoráveis à punição sabem que a possibilidade de receber o dinheiro ou mesmo parte dele de volta é praticamente inexistente, mas desejam a exclusão de Kleber do quadro de sócios como punição exemplar para casos de improbidade administrativa desta magnitude.
     

    Conselho de Administração

    O Conselho de Administração é formado por membros permanentes e transitórios. Estes últimos são eleitos juntamente com o presidente do clube a cada triênio, com a chapa vencedora apontando 36 membros e a segunda colocada indicando 12 nomes. A maioria do conselho, porém, é formada pelo corpo permanente, formado por ex-presidentes de poder do Flamengo (Conselho Diretor, Conselho Deliberativo e Assembleia Geral, além do próprio Conselho de Administração) e por sócios grandes-beneméritos. A presença dos conselheiros eleitos é obrigatória em cada sessão, com ausências tendo que ser justificadas por escrito, enquanto os membros permanentes têm presença facultativa. Na sessão de terça, porém, boa parte destes esteve presente para registrar o seu voto.
     

    Imagem destacada: Reprodução Facebook.


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  • O último a sair carregue a taça

    Numericamente, o placar é, apesar de desfavorável, totalmente reversível. Há ainda o importante fato que ele obriga o Flamengo a atuar com seriedade.

     
    Amigas e amigos, o ano finalmente vai terminar e chega enfim o momento de admitir: a temporada 2017 do Flamengo pode ter sido qualquer coisa, menos monótona. Para começar, basta ver o número de jogos da nossa equipe. Mais de 80. Isso é uma coisa boçalmente anormal.

    Quando chegamos domingo passado para enfrentar o Vitória no Barradão pela última rodada do Brasileirão, vindos de uma guerra em Barranquilla contra o Junior, cheios de pressão pela tabela favorável a nossos adversários, tudo parecia conspirar para uma tarde trágica. O gol deles no primeiro tempo aumentou essa impressão. Mesmo com o empate que pintou aguerridamente no segundo tempo, parecia que fatalmente deixaríamos a vaga na fase de grupos da Libertadores nas mãos do Vasquinho, ironicamente comandado pelo Zé Ricardo. Seria um 7×1 moral.

    Até que pintou o pênalti aos 49 do segundo tempo e Diego, nosso exausto maestro, colocou no filó, fazendo a Terra retomar sua rotação normal e podermos, aliviados, comemorar o que no início do campeonato parecia não ser mais do que obrigação e acabou se tornando uma façanha e tanto.

    No entanto, mais uma vez, temos que ver os dois lados da moeda. Foi muito mais suado do que a gente queria, foi muito pouco perto do que nosso investimento financeiro ambiciona. Porém, todavia, entretanto, fazia dez fucking anos que o Flamengo não disputava duas edições seguidas da Libertadores. Ou seja, apesar de muitos terem soado as trombetas do apocalipse, guardem suas cornetinhas porque é um fato sim a ser, no mínimo, respeitado. Eu comemorarei.


    Leia também: Tenho em mim todas as dúvidas do mundo, mas uma certeza absoluta: a Copa Sul-Americana deveria ser a nossa prioridade.


     
    Sobretudo porque, como todos sabemos, estamos depois de dezesseis fucking anos estamos disputando uma final continental. A casca e maturidade que esse elenco está ganhando nos dá esperança que, devidamente reforçado, nossa participação na Libertadores do ano que vem há de ser muito melhor.

    O Flamengo no Maraca

    Dito isso, chegamos ao que interessa. O resultado do jogo de quarta-feira passada na primeira perna da maior final continental do ano acabou sendo a cara desse time de 2017: não foi bom, também não foi uma merda.

    Numericamente, o placar é, apesar de desfavorável, totalmente reversível. Há ainda o importante fato que ele nos obriga a jogar a volta para vencer, algo cem porcento necessário para que o Flamengo atue com seriedade e evite mais um episódio da insuportável série “palhaçadinhas históricas jogando em casa”.

    Porém, todavia, entretanto, o chato foi que assistindo a partida, não teve como não pensar que se esse time continua sendo um caso a ser estudado. Mesmo nosso plantel sendo muito mais experiente que a molecada que o Independiente mandou a campo, em determinado momento parecia que os garotos éramos nós. Uma puta falta de cabeça no lugar que fez uma partida que começou dando pinta que seria inteiramente nossa, com os adversários nervosos, tomando gol de cabeça logo no início, sofrendo pra manter a bola no pé, acabar parecendo que poderia ter sido uma tragédia.

    Muitas vezes eu olhava aquilo e pensava que louco seria se o Flamengo tivesse laterais. Sério. Trauco até tem um bom passe, certa habilidade e visão de jogo, mas é das figuras menos capazes de marcar alguém que eu já vi numa linha de defesa. Pará parece que gastou tudo que tinha pra dar no começo do ano. Vive perdido em campo, cansado, consciente de suas muitas limitações. Complicado isso. Espero que a diretoria esteja pensando em soluções para o ano que vem.

    Assim como aguardaremos ansiosos a apresentação do futebol do Éverton Ribeiro, que evidentemente ainda encontra-se preso na alfândega. Sabendo do seu inegável talento, o que temos visto ser apresentado é caso para exorcismo.

    Enfim, quarta-feira que vem a volta é no Maracanã, e esse é o maior de todos os reforços possíveis. O elenco teve finalmente algum tempo para se recuperar da maratona e tudo nos leva a acreditar positivamente que na derradeira apresentação do ano, enfim poderemos ter certeza que a temporada foi vitoriosa e digna de recordação em nossa história, ao vermos Réver e Juan juntinhos, levantarem o caneco.

    Falta pouco. O caminho não foi fácil. Mas vai valer a pena.

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    Duas notas importantes antes de acabar:

    Primeiro, a notícia que começou a ser ventilada que Rueda já estaria dando meia-volta para Colômbia. Já é tradicional parte da imprensa tentar desestabilizar o grupo em um momento decisivo, nada de novo. Mas ver o nosso comandante deixar o futuro aberto em uma entrevista coletiva me deixou cabreiro. Torço para que a diretoria, se isso for mesmo verdade, esteja se movimentando para evitar que aconteça. O cara já mostrou que tem estrela e a probabilidade de fazer esse time encaixar no ano que vem é imensa. Perdê-lo agora seria um retrocesso e tanto.

    Por fim, a triste notícia que Guerrero foi sentenciado pela FIFA com um ano de suspensão. Eu sou radicalmente contra essas “punições exemplares”. Penso que se o cara não tiver usado a droga, como sua defesa afirma, é uma sacanagem sem fim. E se tiver usado, só faz sua cabeça se perder e a chance dele se afundar é muito maior. Não tem qualquer viés humano. Piora quando pensamos que vai impedir um ídolo nacional de defender sua seleção que volta a disputar uma Copa do Mundo depois de 36 anos. Sobretudo essa punição sendo imputada por uma entidade sabidamente corrupta como a FIFA e em um torneio realizado na Rússia, país mergulhado em escândalos de doping. No mínimo incoerente.

    Para nós, fica o amargo gosto de termos que nos despedir dele dessa forma. Seu contrato deve ser rescindido. Não foi o craque que a gente esperava em sua passagem, mas jogou com raça e nos ajudou bastante. Terá sempre meu respeito e torcida para que mantenha a cabeça no lugar e dê a volta por cima.

     


    Pedro Henrique Neschling nasceu no Rio de Janeiro, em 1982, já com uma camisa do Flamengo pendurada na porta do quarto na maternidade. Desde que estreou profissionalmente em 2001, alterna-se com sucesso nas funções de ator, diretor, roteirista e dramaturgo em peças, filmes, novelas e seriados. É autor do romance “Gigantes” (Editora Paralela/Companhia das Letras – 2015). Siga-o no Twitter: @pedroneschling
     

    Imagens destacadas no post e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo