Autor: diogo.almeida1979

  • Flamengo estreia nesta quinta- feira na Copa do Brasil Sub-20 em busca de título inédito

    Atual detentor do principal título das categorias de base, o Flamengo inicia a caminhada em mais um torneio nacional. Nesta quinta-feira (29), o Mais Querido estreia na Copa do Brasil Sub-20. Finalistas na edição passada, os Garotos do Ninho terão o Paysandu-PA como adversário, no Estádio da Curuzu, em Belém, às 19h.

    Para este confronto o técnico Mauricio Souza terá à disposição o que tem de melhor no elenco. Os três jogadores que estavam servindo a Seleção Brasileira Sub-20 retornaram ao time: Patrick (zagueiro), Vitor Gabriel (atacante) e Neneca (goleiro). Assim, a dúvida na escalação segue sendo na lateral-direita. Desde a lesão de Wesley Gasolina, ainda na Copa São Paulo, o treinador tem feito testes na posição. Os zagueiros Bernardo e Aderlan, além do volante Theo já foram improvisados. Braian e Vitor Ricardo também foram utilizados.

    Em menos de três meses de temporada, o time sub-20 rubro-negro conquistou dois importantes títulos. O primeiro deles foi a Copa São Paulo de Futebol, e logo depois foi a vez da Taça Guanabara – primeiro turno do Estadual-. O desempenho até aqui credencia a equipe da Gávea como uma das favoritas ao título. Mas para Mauricio Souza, essa condição não pode pressionar o time.

    “Temos que manter o pé no chão, entender que é mata-mata, entrar extremamente concentrado, assumir esse favoritismo, mas que isso não gere na gente mais responsabilidade do que nós já temos (…) Estamos muito otimistas em fazer uma boa partida. O grupo se encontra focado. Sabemos das dificuldades do jogo, mas vamos em busca da vitória contra o Paysandu” disse o treinador ao site oficial do clube.

    Já no lado do Paysandu o trabalho ainda é recente. O treinador Rogerinho Gameleira está há pouco mais de um mês à frente do time sub-20. Antes, viveu longa experiência como auxiliar-técnico e também comandou o time profissional em algumas partidas. Ele projetou o duelo contra o Rubro-Negro.

    “Dentro de casa nós temos que nos impor e conseguir o resultado positivo. Vamos jogar com personalidade em busca do resultado favorável para coroar todo esse trabalho que estamos fazendo aqui”, afirmou.

    + Sub-20 do Paysandu vive expectativa para duelo contra o Flamengo na Copa do Brasil

    O regulamento prevê que, caso a equipe visitante vença o primeiro duelo da fase inicial por dois ou mais gols de diferença, estará automaticamente classificada para a fase seguinte sem a necessidade da realização da partida de volta. Mas caso seja necessário, um segundo duelo será realizado na próxima quinta-feira (5.04), no Rio de Janeiro. Avançando de fase, o Mais Querido enfrentará o vencedor do duelo Vitória x Internacional.

    O clube campeão da Copa do Brasil Sub-20 de 2018 estará classificado à Supercopa Sub-20, torneio este que dá vaga à Copa Libertadores da América Sub-20 de 2019, caso esta competição venha a acontecer.

    A Copa do Brasil sub-20 é disputada desde 2012. A melhor participação do Flamengo aconteceu no ano passado, quando o time treinado por Gilmar Popoca chegou até a decisão. No entanto, após dois empates com o Atlético-MG (1×1/ 0x0), o Rubro-Negro perdeu a disputa de pênaltis na Ilha do Urubu e ficou com o vice-campeonato.

    Crédito da imagem destacada: Gilvan de Souza/ Flamngo


  • Miguel Trauco destaca-se em vitória da Seleção Peruana

    O lateral-esquerdo do Flamengo, Miguel Trauco, foi um dos destaques da vitória da Seleção Peruana sobre a Islândia, em amistoso realizado na noite dessa terça-feira (27), em Nova Jersey. Os peruanos venceram sem muitas dificuldades pelo placar de 3 a 1, com gols de Renato Tapia, Ruidíaz e Jefferson Farfán.

    Desses três gols, dois saíram após assistências de Trauco: no primeiro gol, o lateral cobrou falta pela esquerda, e Tapia finalizou de cabeça, abrindo o placar aos 2 minutos de jogo.

    O outro passe para gol ocorreu no terceiro tento peruano, aos 30 minutos do segundo tempo, quando recebeu livre na entrada da área e serviu Farfán, que chutou colocado e contou com desvio do adversário para enganar o goleiro.

    100% de aproveitamento

    Nessa última data FIFA antes da Copa do Mundo 2018, a seleção peruana fechou sua preparação para o campeonato com duas vitórias em dois jogos: 2 x 0 sobre Croácia e 3 x 1 diante da Islândia. Presença indiscutível nas convocações de Ricardo Gareca, Trauco foi titular em ambos os jogos.

    Foto: Seleção Peruana/Twitter


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  • De anjinhos e diabinhos

    (Está concentrado. Desliza os dedos sobre a vítrea superfície do pequeno aparelho. Vai transpondo as etapas do processo de cadastramento. Está disposto a informar nome, idade, estado civil, endereço e tudo o mais que se fizer necessário. Agora lhe é pedido que indique uma imagem. Não sem certa dificuldade, logra afixar um desenho que transfunde uma imagem do Zico a um fundo em negro e rubro. Enfim suspira. Enfim, pronto).

    – Finalmente consegui abrir minha conta no Twitter. Preciso fazer minha primeira postagem. Ahn… Já sei, hoje tem jogo. Vou lançar “Hoje é dia de Flamengo! Bora Mengão, vamos ganhar!”

    << Ei ei ei, o que é isso? Não é o momento de pachequismo e ufanismo. O time nessa draga… Quer ser chamado de baba-ovo da Diretoria? >>

    (A voz zumbe de dentro de seus tímpanos, silenciosa e estridente como uma enxaqueca. O suficiente para fazê-lo interromper o movimento dos dedos).

    No blog: A corrida de canoas e como planejar passa também pelo óbvio

    – Hum, pensando bem, acho melhor ser mais crítico. Mais “cabeça”. Vamos ver… “Hoje tem Flamengo. Que esse bando de frouxos não nos envergonhe. Ganhar é obrigação!”

    << Peraí! Vai jogar energia negativa no dia do jogo? Que espécie de torcedor é você? Time titular tá invicto, é líder na Libertadores… O que você quer mais? Vão lhe chamar de corvo, de cassandra, ou pior, de botafoguense! >>

    EPA, BOTAFOGUENSE NÃO! AÍ É OFENSA PESSOAL!

    (Exalta-se num espasmo e depois, percebendo-se um tanto ridículo por esbravejar sozinho em seu quarto, tenta esquecer o sibilar que ribombou em seus miolos. Agora coloca o celular ao lado e resolve pensar mais um pouco).

    – É, esse negócio de postar coisa sobre o jogo não vai dar certo. Deixa eu ver então… Já sei, posso falar dos jogadores. O Diego deu entrevista, né? Pronto, lá vai. “Diego está tentando assumir a responsabilidade? Bacana, precisamos de algo assim.”

    << Deixe de ser ingênuo, o Diego é muito bem assessorado, isso é coisa ensaiada pra limpar a barra com a torcida. Tá precisando é deixar de ajeitar cabelinho e começar a resolver de fato. >>

    – Hem… Hum… Acho melhor dar uma apertada. “Muito papo e pouca bola. Diego precisa falar mais é com os pés e deixar de ser pipoqueiro.”

    << É por isso que nenhum jogador dá certo no Flamengo. O cara é o melhor jogador do time, admirado por geral, elogiado até pelo Tite, mas pra essas malas daqui ele não serve. Complicado, viu? >>

    (Começa a perceber que esse negócio de postar em rede social não é tão simples como parece. Já está há meia hora e ainda não conseguiu publicar nada. A rigor, não sabe como lidar com seus barulhentos fantasminhas internos, que parecem cada vez mais desenvoltos).

    – Tudo bem, Diego vai dar confusão. Falar do Guerrero, então. Tá acabando a suspensão, vou dar uma moral pra ele. “Força, Guerrero, tá fazendo falta!”

    << Você não pode estar falando sério. Virou viúva do Guerrero agora? O cara ganha 1 milhão pra fazer cara de choro e perder gol? Nem pense em postar isso! >>

    – Pô, tá osso. Deixa eu ver… “Guerrero perto de voltar. Se voltar. Será que vai deixar de ser dinheiro jogado no ralo? Será que vai botar o pezinho? Copa…”

    << Isso, esculhamba mais. Faça o jogo da imprensa paulista e dos arco-íris. Guerrero é um dos melhores atacantes do país. A hora que sair daqui, vai ter time fazendo fila pra levar. É ídolo no país dele e tal. Mas aqui não serve. Se você quer se alinhar aos que defendem que nada presta, que nada tem valor, vá em frente! >>

    – Ok. Nada de jogadores, então. Falar de alguma coisa mais, digamos, unânime. O CT novo. Não é possível que alguém esteja achando ruim as obras do CT. Deixa eu ver, achei uma foto. Só comentar em cima, agora. “Imagem das obras. Esse CT vai ficar fodástico!”

    (Chega a preparar o tweet e está pronto pra, enfim, publicar alguma coisa, mas no último momento é interrompido)

    << Sabia! No fundo você é um militante foca. Um lambe-solas do Banana. Um comedor de pizza. Vai postar foto do CT, daqui a pouco da piscina, depois vai publicar prêmio do Itauzão, e por fim vai cuspir regra querendo comemorar seu sexto lugar em paz! Smurfete! Devolva meu Flamengo! >>

    – Não tinha pensado por esse lado. Nada de fotos, então. Vou arrumar isso. Deixa eu ver… “CT nababesco em ano de eleição. Enquanto isso, o time na lama. Cadê o dinheiro do VJ?”

    << Cassandra! Oportunista! Bapete! No fundo você torce é contra! Quer o que? O tempo da corja de volta? Tá com saudade da Patrícia? Vai ver o legal era atrasar salário e ser despejado de terreno. Pois é. Siga batendo nos bons e vai ver quem vai sobrar pra tocar o barco! Quer o Flamengo de volta? O Flamengo que brigava pra não cair? Que fingia que pagava pros caras fingirem que jogavam? >>

    – CHEGA!

    (O urro vem das entranhas. Dessa vez não se sente ridículo, mas irritado. E está pouco se importando, porque agora vai começar uma inflamada arenga. Pras paredes e, principalmente, pras infernais vozes que pipicam como grilos em sua esfolada mente)

    – O que vocês querem? Não pode elogiar, não pode criticar… Eu quero comentar fatos e discutir ideias, foi pra isso que abri a conta. Será o catzo que isso não é possível? Será que não posso simplesmente lançar meus posts de modo espontâneo? Não posso reclamar de um jogo ruim e exaltar um momento bom? Por que eu tenho necessariamente que seguir uma linha? Um partido? Uma seita? Por que preciso obrigatoriamente xingar e ofender quem não concorda comigo?

    É porque assim são as coisas hoje.

    << Sim. Pra entrar numa rede social, precisa marcar uma posição firme. Senão é desacreditado. Ou você nunca viu aqueles RTs históricos, de coisas que o cara defendia lá atrás e agora fala o contrário? Isso desmoraliza. >>

    – Mas aí às vezes o contexto é outro, oras (pensa vagamente em parar com esse diálogo surreal, mas resolve seguir com a coisa). Não dá pra simplificar todos os casos. E tem outra, eu sou torcedor, não analista de desempenho financeiro ou administrativo. Quero ganhar jogos, comemorar, tirar onda com os rivais, gritar “é campeão”. É difícil isso?

    << Você vai perder likes. >>

    << De fato, será difícil amealhar RTs. Poucos vão lhe seguir. Você fará parte do limbo. >>

    – Olha, quer saber? Vou rascunhar alguns tweets aqui. Do jeito que me vier na cabeça. Depois pego tudo e publico de vez. Aí vocês não me enchem mais o saco.

    (Abre um editor de texto no celular e começa a teclar sem interrupção. Aos poucos as frases vão preenchendo toda a tela do equipamento. Ao terminar, contempla a obra. Parece satisfeito).

    “Problema do time não é só jogador. Temos bons nomes, mas a impressão é que são mal preparados”;
    “No fim do ano termina o mandato. Boas ideias, vários êxitos, mas profundo fiasco na essência”;
    “Rodrigo Caetano, fez alguns bons negócios mas não conseguiu criar um elenco vencedor”;
    “Mengo joga hoje. Temos mais time, podemos e devemos vencer. Não quero nem pensar em outra coisa”;
    “Diego. Parece querer vencer aqui, mas acho que o líder não pode ser ele”;
    “Guerrero: Flamengo paga a ele salário de estrela. Mas o peruano é só um coadjuvante de alto nível”;
    “Dizem que o CT vai ficar belo e avançado. Mas e o outro? Esse cronograma era previsto?”

    (Olha o conjunto de frases, sente-se à vontade com o conteúdo. Nada muito aprofundado, depois os argumentos se desenvolvem. Corre um dedo aqui, trisca outro ali, e pronto. Todos os tweets postados. Sente-se cansado. Pensa em tirar uma soneca. Mas, ao pousar a cabeça no travesseiro, volta a ouvir as, agora, familiares vozes do seu aquém e além. Parecem mais fortes, tão intensas que lhe remetem a uma imagem de um inquisidor apontando seus dedos grossos à face, como que o encaminhasse ao punitivo ardor eterno do fogo dos pecados expiados. A fogueira dos proscritos. Dos malditos.)

    ISENTÃO! ISENTÃO!
     

    * * *

    Boa semana a todos,
     

    Imagem destacada no post e redes sociais: http://www.1zoom.me/pt/wallpaper/519098/z17561.9/1280×720
     


    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72.


     

     

    A corrida de canoas e como planejar passa também pelo óbvio

    “Prazer, eu sou o 9”: Dez centroavantes que marcaram com a camisa do Fla

    A candura e o protecionismo contra a máxima exigência

    Pipocam vozes e ganidos estridentes

    Precisamos falar sobre estes números, Flamengo

    Bom rendimento duradouro e previsível

    Júnior passa por cima dos protegidos do presidente e promove o Anjo Loiro da Gávea

    A profunda entrevista do filósofo do futebol Fred Luz

    O que os homens do futebol do Flamengo já disseram…

    Treze questionamentos para a diretoria do Flamengo responder

    Marcelo Rezende e a sua genial crônica sobre o Flamengo x Atlético-MG de 1980

    A fábrica que o meu pai trabalhou por anos pode virar o estádio do Flamengo

    O goleiro do Flamengo precisa ter os nervos de aço

    O último gringo

    A folha em branco

    Os sinais

    O Flamengo nasceu do Fluminense? Saiba a resposta neste papo entre pai e filho

    O problema não é jogador

    Time dos sonhos. Elenco dos sonhos?

    O destino dos heróis do Mundial de 1981

    Quando todos avisaram para Caio Jr. que com Jaílton não ia dar certo

    A grande roda do Flamengo a girar na mesma direção

    Não fale espanhol: a tentativa de tapetão do Atlético-MG e um pouco mais de 1981

     


     


  • Flamengo vence e assume liderança do NBB

    O Orgulho da Nação é o líder do Novo Basquete Brasil. Em duelo de rubro-negros, o time da Gávea derrotou a equipe do Vitória, por 89 a 75, chegando a décima primeira vitória seguida, além de assumir a ponta da tabela após a derrota do Paulistano contra o Caxias do Sul. Coroando a incrível campanha de 25 vitórias e 3 derrotas.

    O Flamengo iniciou a partida com bastante tranquilidade, além do domínio do garrafão com Varejão e Olivinha, abrindo 5 a 0 no placar. Com as duas equipes errando muito na parte ofensiva, o Mais Querido saiu na frente no primeiro período por 23 a 12.

    No segundo quarto, o Orgulho da Nação voltou diferente, com a entrada de JP Batista, Arthur Pecos e Marcelinho, o Mengão soube admistrar a vantagem, e as bolas de três pontos começaram a entrar. A defesa continuou atuando em alto nível, principalmente no garrafão. O time da Gávea abriu grande vantagem no marcador, fechando em 47 a 26.

    Voltando do intervalo, o Flamengo conseguiu manter a liderança do placar, com o mesmo ritmo da primeira etapa. Rotacionando o elenco, o Mais Querido teve mais um apagão no terceiro quarto, vendo sua vantagem de mais de 20 pontos cair para 11, indo para o período decisivo com 60 a 49 no placar.

    O último quarto começava a tomar contornos de apreensão do lado carioca, com o Vitória em ótimo momento, estando imparável no ataque. No entanto a equipe baiana não foi capaz de parar Marcelinho Machado, recuperando o largo placar. O ala foi extremamente decisivo em sua última partida de fase regular do Novo Basquete Brasil.

    O eterno capitão, Marcelinho, foi um dos destaques do Rubro-Negro na partida, anotando 18 pontos, seis rebotes e quatro assistências. Além do ala, Marquinhos e Varejão também foram muito bem. O camisa 11 foi o cestinha do confronto com 22 pontos, já o pivô contribuiu com outro duplo-duplo (13 pontos e 11 rebotes).

    O Orgulho da Nação volta a jogar apenas nas quartas de final do NBB, esperando o seu adversário a ser definido mas próximas semanas.

  • Aquela coisa de pele

    Saudações, Rubro-Negros!

    Não faz pouco tempo que por todos os lados temos ouvido falar tanto sobre uma latente falta de brios, de ambição e de uma certa indiferença aos resultados por parte tanto dos nossos jogadores e também de dirigentes e comissão técnica. Não é sem razão que falam, é bom esclarecer. Eu mesmo já usei este espaço aqui para tratar dessa falta de tesão irritante que o Flamengo frequentemente demonstra não apenas em diversas partidas, mas também nas entrevistas e declarações após as mesmas.

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    Na Gávea assim como em qualquer outra instituição de estrutura semelhante, seja ela pública ou privada; esportiva, social ou empresarial, com raras exceções, é o comando quem estabelece o modo de ser, de agir e de se relacionar de todos os agentes que compõem aquela organização, tanto interna quanto externamente. É o bom e velho “o exemplo tem que vir de cima”. E sabemos que o nosso comando sofre de um sério problema de ego e vaidade salpicado com uma dose bastante significativa de ausência de autocrítica. Portanto não espanta que no Flamengo possa existir tanto conformismo quanto o que já testemunhamos diante de resultados e apresentações desastrosos, nem que a distância que nos separa da realidade dos nossos rivais cariocas tenha crescido tanto fora de campo nos últimos anos sem que o mesmo se confirme lá dentro. E volto a dizer: abomino o pensamento de que é preciso voltar aos tempos de falta de infraestrutura mínima e salários atrasados para que seja resgatada essa alma rubro-negra da qual sentimos tanta falta. Aquela coisa de pele tem faltado, sim, mas não será com um retorno ao caos que iremos recuperá-la.

    Como torcedores que somos, esperamos que esse resgate ocorra amanhã, contra o Botafogo, e se prolongue por toda esta temporada e as que ainda estão por vir. Não importa se o jogo é válido pelo falido Carioquinha ou se é final da Libertadores. Há jogos que são maiores que certos campeonatos e é disso que se tratam clássicos como o de amanhã. Temos que vencer, convencer e voltar a demarcar território como o grande arrasador de rivais que nos acostumamos a ser.

    SRN

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    Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.


     


  • Em sua última parada antes dos playoffs, Flamengo recebe o Vitória

    Fechando a fase regular do Novo Basquete Brasil, o Flamengo tem um importante jogo diante do Vitória. Ainda com a viva esperança de ser líder, o Mengão encara a equipe baiana nesta terça (27), às 19h30, na Arena Carioca 1. A partida contará com a transmissão ao vivo do Sportv 2. O Mais Querido além de vencer a partida, terá que torcer para a derrota do Paulistano em partida contra o Caxias do Sul, para assumir a ponta da tabela.

    “O Vitória tem feito uma temporada muito boa. Temos que prestar atenção e dar o respeito que o nosso adversário merece. Mas estamos muito focados naquilo que podemos melhorar. Sabemos que precisamos melhorar defensivamente e que será uma partida importante”, comentou JP Batista.

    O Orgulho da Nação chega embalado para lutar até o último instante pela liderança da competição. O Flamengo conquistou sua décima vitória consecutiva, em um duelo disputadíssimo contra o Basquete Cearense, por 87 a 85. Marquinhos e JP Batista foram decisivos para o triunfo do time da Gávea, o ala foi o cestinha da equipe com 20 pontos, enquanto o pivô anotou seus 15 pontos.

    Por outro lado, o Vitória tenta voltar a vencer na competição, após as derrotas diante do Franca e Minas. Atualmente na sétima posição, a equipe baiana se viu ultrapassada pelo Caxias do Sul nas últimas semanas, e ainda pode cair até a nona colocação. Diante da equipe mineira, o Leão sofreu seu último revez, sendo decidido na prorrogação, por 80 a 78. O ala-armador, Okorie, foi o destaque da partida com 15 pontos marcados.

    O Flamengo tem 100% de aproveitamento enfrentando o Vitória, são cinco triunfos em cinco oportunidades. No primeiro turno, o Mais Querido saiu vitorioso por 76 a 68, em partida dominada pelos pivôs. O trio Rhett, Olivinha e JP Batista combinaram pra 45 pontos, além de 18 rebotes e sete assistências.

    Os ingressos para a partida estão a venda no site do Guichê Web, pelo valor de R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia). A Arena Carioca 1 libera o estacionamento para quem comparecer à partida.

  • Sub-20 do Paysandu vive expectativa para duelo contra o Flamengo na Copa do Brasil

    A próxima quinta-feira (29) marcará a estreia oficial do time juniores do Paysandu-PA na temporada 2018. O primeiro duelo será justamente na Copa do Brasil Sub-20, contra o Flamengo, o atual campeão da Copa São Paulo de Futebol. O duelo acontece às 19h (de Brasília), no Estádio da Curuzu, em Belém.

    A garotada bicolor vem treinando pesado para fazer bonito diante de sua torcida. O elenco conta com algumas novidades, sendo o técnico Rogerinho Gameleira a principal delas. O treinador está há pouco mais de um mês à frente do time sub-20. Antes, viveu longa experiência como auxiliar-técnico e também comandou o time profissional em algumas partidas.

    “Os trabalhos estão rendendo muitas coisas boas, sendo que já estou repassando para o Dado (Cavalcanti, técnico do time principal) um relatório de atletas da base que possuem condições de subir para o profissional. Esperamos conseguir esse objetivo, além de conseguir passar de fase na Copa do Brasil”, disse.

    Foto: Ronaldo Santos / Paysandu

    Um dos mais experientes do elenco, o lateral-direito Alisson Zizao está em sua terceira temporada no clube. O atleta comentou sobre o este início de temporada, onde os jogadores querem mostrar serviço para receberem chances. “Sempre é bom ter a concorrência sadia no grupo, e a expectativa é grande de representar o Paysandu bem contra o Flamengo. Temos um grupo fechado e todos estão brigando para defender da melhor maneira possível o Paysandu dentro dessa grande partida”, afirmou.

    O regulamento prevê que, caso a equipe visitante vença o primeiro duelo da fase inicial por dois ou mais gols de diferença, estará automaticamente classificada para a fase seguinte sem a necessidade da realização da partida de volta. Mas caso seja necessária, esta acontecerá no dia 5 de abril. Avançando de fase, o Mais Querido enfrentará o vencedor do duelo Vitória x Internacional.

    O clube campeão da Copa do Brasil Sub-20 de 2018 estará classificado à Supercopa Sub-20, torneio este que dá vaga à Copa Libertadores da América Sub-20 de 2019, caso esta competição venha a acontecer.

    Foto: Renato Santos /Paysandu 


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  • A memória do vento

    O escritor japonês Haruki Murakami criou, em seu livro (lançado no Brasil pela Alfaguara) “Ouça a canção do vento”, um personagem chamado Derek Hartfield, um escritor americano de novelas de ficção científica – o recurso de criar escritores fictícios é sempre interessante, e de cabeça já lembro que Philip Roth e John Fante o fizeram. No caso citado, porém, Hartfield não chega a aparecer como alter ego, e sim como ídolo do narrador de Murakami, alguém a quem ele dedica uma admiração afetuosa.

    Um dos “contos” de Hartfield, segundo nos diz o narrador do livro de Murakami, é sobre um jovem que vive em Marte, e explora um planeta repleto de poços sem fundo, todos feito de tijolos. Na história, é destacado que não há nenhum vestígio de civilização dos marcianos, absolutamente nada – apenas os poços. A humanidade então debate o que teria acontecido, por que os poços, etc. Várias expedições tentam descobrir onde vão dar os poços, por que foram feitos, sempre em vão.

    No blog: O Flamengo em seu momento de dúvida e fé

    Grupos de exploradores levam cordas para poderem voltar. Mas acabam voltando antes de encontrar qualquer coisa que os ajude a entender. Quem entra nos poços sem corda jamais volta – tragado pelos poços laterais, mistérios igualmente incompreensíveis e sem resposta.

    Um dia, nos conta o escritor fictício, um jovem decide entrar nos poços e descobrir o que acontece. Ele está “cansado da vastidão do universo e deseja uma morte anônima”. Ele vai descendo e, à medida que entra, vai se sentindo melhor, o corpo vai sendo envolvido por uma força estranha. Ele entra em um poço lateral e caminha por um tempo indefinido. Anda por túneis tortuosos, e mal sabe se se passaram duas horas ou dois dias. De repente, sente a luz do sol e descobre que o túnel acabou dando em outro poço. Ele escala as paredes e chega à superfície, vê que o sol está diferente, estranho, uma bola cor de laranja como o crepúsculo. Neste momento, ele ouve o vento sussurrar em seu ouvido: “Daqui a 250 mil anos o sol vai explodir, não é muito tempo”.

    O jovem então reclama que “foi de repente”, e o vento lhe responde que, na verdade, quando ele passeava pelos túneis, um bilhão e meio de anos se passou. “Os túneis por onde você passou foram escavados nas dobras do tempo”, diz-lhe o vento. “Nós estamos vagando através do tempo, desde o surgimento do universo até o fim, por isso não há nascimento nem morte para nós. Somos vento”. O jovem pergunta ao vento “O que foi que você aprendeu?”. O vento ri, “agitando a atmosfera”. Em seguida, o silêncio infinito volta a cobrir a superfície de Marte, e o jovem então põe fim à própria vida.

     

    No fim de semana, voltei a um lugar ao qual eu não ia há 42 anos: o Mara Palace Hotel, em Vassouras. É uma casa colonial, uma espécie de relíquia dos tempos em que a região do Sul Fluminense era riquíssima por causa do café. Quando fui ao Mara na época de criança, achava-o um ótimo hotel – meu pai tinha negócios na região relacionados a cinema (era distribuidor de filmes) e costumava ir até lá, fui mais de três vezes com certeza. Em 2018, aos 50 anos, voltei ao Mara, e fiquei triste com o que vi – apesar da dedicação dos funcionários, o hotel sofre com a falta de uma política de turismo, com a febre amarela que espantou os poucos visitantes e com uma decadência física que acomete todos os que não tentam se renovar. Apesar da imponência, as acomodações são sofríveis, o que é uma pena. O preço é de hotel bom, mas…

    Mas o importante aqui é explicar por que estou falando disso e o que isso tem a ver com o Flamengo.

    No Mara Palace Hotel eu encontrei o Zico pela primeira vez em minha vida.

    Nunca esqueci o que aconteceu. O time do Flamengo estava lá para um amistoso, talvez uma pré-temporada. Não lembro. Aí vi Doval, um dos meus ídolos. Vi Rodrigues Neto. Vi Liminha. E aí meu pai aponta, ao longe, ele, cabelos compridos, cara meio sardenta, magro, de camiseta de treino e short: o Zico. “Vamos lá falar com ele”. Um menino de oito anos indo encontrar aquele que já era seu maior ídolo. Zico estava conversando com alguém perto da piscina do hotel. Nós estávamos andando pelo pátio.

    Senti medo, timidez, e disse pro meu pai que não queria ir. Ele, naquele estilo inesquecível, falou algo como “deixa de bobagem”. Mas eu recuei. Andei a esmo, até que alcancei uma porta para dentro do salão do hotel. Um portal. E fiquei ali, escondido, os cabelos grandes e amarelos como espiga de milho. Olhava de vez em quando, colocando a cabeça para fora. Vi meu pai e o Zico rindo de mim.

    Claro: eu estava tão bem escondido que até um cego me encontraria. Mas aí aconteceu: meu pai e o Zico continuaram a andar até o local em que eu estava. E foi exatamente ali naquele ponto, onde fiz essa foto segurando meu filho, que o Zico falou comigo, passou a mão na minha cabeça, e eu não consegui falar nada.

    Eis que de repente, naquela hora, na quinta-feira, fim da tarde, quando toquei as paredes daquele lugar, me senti como o jovem personagem de Murakami, não entendia que tempo havia se passado, por que o sol estava alaranjado, por que o céu não parecia o mesmo e… por que o meu pai e o Zico não estavam ali. Em que túnel eu havia entrado?

    Outro dia li o texto de um pai vascaíno reclamando que o Zico foi pouco cortês com seu filho rubro-negro no lançamento da cerveja do Galinho. Acredito. Quando tentei levar a ele o livro (nunca publicado) em que escrevo sobre a relação entre meu pai, o Flamengo, Zico e eu, a reação não foi lá das mais entusiasmadas. Peguei uma encadernação do livro, com o título na capa – “O velho e o Zico” – e uma foto minha dando milho a pombos e vestido de Flamengo, e entreguei, assim, dizendo que era sobre ele. Só que o Zico estava com pressa, e ele já havia me feito um favor, que foi o de gravar um vídeo para a PM (eu era assessor deles na época) sobre a segurança para a Copa do Mundo de 2014. Ele pegou o caderno e foi embora, sem nem folhear na minha frente.

    Aí você pode estar pensando que eu fiquei chateado com isso e estou reclamando do Zico. Engano seu. Claro que a gente até pode ficar chateado, desapontado – mas não muda o que o Zico é para mim, e sempre será. Ídolos são seres humanos, e não existem para nos servir, e sim para irradiar a luz. A luz que é ser Flamengo, no caso.

    Volto a Hurakami: foi a luz do sol que fez aquele jovem subir o poço e perceber que o tempo passou. No meu caso, é a luz do Zico. É essa luz que me guia para esses momentos com o velho, momentos que descrevo no livro (nunca publicado). É o que me fez ter uma foto com meu filho no mesmo local, na mesma porta, em que tudo aconteceu, em 1976. Sim, é como se bilhões de anos tivessem se passado, mas a verdade é que, ao contrário do Sol, o Flamengo não esmaece.

    Porque o Ser Flamengo é uma herança que o vento espalha e junta novamente, sob a forma abstrata de devoção.

    Foto no texto: Marcele Fernandes
     


    Gustavo de Almeida é jornalista desde 1993, com atuação nas áreas de Política, Cidades, Segurança Pública e Esportes. É formado em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Foi editor de Cidade do Jornal do Brasil, onde ganhou os prêmios Ibero-Americano de Imprensa Unicef/Agência EFE (2005) e Prêmio IGE da Fundação Lehmann (2006). Passou pela revista ISTOÉ, pelo jornal esportivo LANCE! e também pelos diários populares O DIA, A Notícia e EXTRA. Trabalhou como assessor de imprensa em campanhas de à Prefeitura do Rio e em duas campanhas para presidente de clubes de futebol. É pós-graduado (MBA) em Marketing e Comunicação Empresarial pela Universidade Veiga de Almeida. Atualmente, escreve livros como ghost-writer e faz consultorias da área de política, além de estar trabalhando em um roteiro de cinema.


     

     


  • Peraltadas #36 – Vale o Estadual?

    Acaba logo!

    Fluminense x Flamengo, no Engenhão, teve resultado financeiro negativo de mais de R$ 100 mil. Agora teremos Flamengo x Botafogo, no Elefantão, com um ticket médio bastante baixo (acima do que o evento merece, abaixo do que o Odebrechtão exige). Expectativa de mais um jogo no vermelho.

    Quanto vale o show?

    Pelo elenco, pelo investimento, pela receita, pelo cidadão de bem e pela família brasileira, o Flamengo teria obrigação de golear o Botafogo e vencer o Ferjão com certa tranquilidade. Não será assim, mas ainda que seja, vai ficar tudo bem? Os laterais serão excelentes? O Depto de Futebol será ótimo? Mozer e Caetano poderão cravar desde já que a temporada é boa pelos dois (eles contam o turno) títulos?

    No blog: Peraltadas #35 – Na quinta-feira a Mamãe Globo não vai deixar

    Xiiiii

    Recente resolução da Apfut determina que semestralmente os clubes deverão apresentar compromissos de pagamento de compromissos trabalhistas e contratuais, sob pena até mesmo de exclusão do Profut. Tenho a impressão de que os co-irmãos cariocas terão certa dificuldade…

    Inveja

    Perfeita a forma como o CAP trata seu rural. Não vendeu o direito de TV pela merreca oferecida, não inscreveu seu time principal e, com a garotada, ainda não perdeu esse ano. Ótima peneira, excelente forma de dar minutos aos jovens e fantástico tapa na cara de sua Federação.

    Tekpix

    Vamos falar de coisa boa! Não vai ter mais X no omoplata. Não é nada, não é nada, vale mais que o Ferjão.

    Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo


    José Peralta não é apenas mais um rostinho bonito cornetando o time. Toda segunda-feira suas peraltadas estão aqui no Blog CRFlamenguismo.


     


     


  • Os 33 anos do “jogo do papel higiênico”

    O gesto de Vinícius Junior imitando o já consagrado “chororô” botafoguense, ainda nas semifinais da Taça Guanabara deste ano, rendeu alguns dias de discussão – inflamada, do lado de lá – a respeito de provocações. Curiosamente neste último sábado, há 33 anos, em 24 de março de 1985, uma arrasadora vitória rubro-negra entraria para a história do clássico, precedida justamente por uma provocação vinda das bandas da Estrela Solitária. Que falhou clamorosamente, como o resultado do jogo indica. A partida, eternizada como o “jogo do papel higiênico”, é relembrada pelo Memória Rubro Negra nesta semana.

    No blog: Há 50 anos, goleada e festa no Maracanã para um ídolo que voltava

    A história do jogo na verdade começa dois dias antes, na sexta-feira, 22 de março. O Globo Esporte leva ao ar uma matéria com Russão, folclórico chefe de torcida botafoguense, e um caminhão de rolos de papel higiênico. Perguntado sobre a utilidade daquela pilha que levaria ao Maracanã para o clássico válido pelo returno do Campeonato Brasileiro, ele retruca: “O negócio é o seguinte. O pessoal do Flamengo, quando encontra com o Botafogo, se borra todo, né, mermão?”.

    Depois de passar algumas décadas em vantagem no confronto direto contra o Flamengo, o Botafogo viu sua margem diminuir até chegar à igualdade, com o triunfo do Fla no jogo da Taça Rio de 1984. Mas no primeiro turno daquele Brasileirão de 1985, voltou a passar na frente, com uma vitória de virada, nos minutos finais, por 2 a 1. Agora, pelas contas alvinegras, são 71 vitórias deles contra 70 do Flamengo. E eles fazem questão de se referir ao Rubro-Negro como “freguês”.

    Além disso, o Botafogo chega ao clássico embalado por duas boas vitórias, 1 a 0 contra o Internacional e 3 a 1 sobre o São Paulo. Sonha com a classificação no segundo turno. O Flamengo, campeão do primeiro turno em seu grupo e já classificado para a fase seguinte, oscila. No Maracanã, perde para o Atlético-MG e em seguida arrasa o Santa Cruz por 7 a 0. Depois vai a São Paulo e empata com Corinthians e Palmeiras.

    Para encerrar, o Botafogo do técnico Abel Braga tem time completo, com alguns bons nomes: o volante Alemão (da Seleção), o rodado meia Elói e os não menos experientes atacantes Renato “Pé Murcho” (ex-Guarani, São Paulo e reserva de Zico na Copa de 82) e Baltazar (ex-Flamengo, Grêmio e Palmeiras). Somem-se a eles jogadores em alta como o lateral Josimar, o zagueiro Leiz e os pontas Helinho e Berg.

    No Flamengo, por outro lado, o técnico Zagallo quebra a cabeça para procurar substitutos para seus três sérios desfalques: Leandro na zaga, Bebeto na ponta-de-lança e Marquinho (ex-Vasco), jogador de grande importância para o equilíbrio tático da equipe, na ponta-esquerda. O jeito é lançar a garotada. O time vai a campo com nada menos que seis jogadores de 21 anos ou menos.

    Mesmo com todo esse quadro, é surreal – ainda que de certa forma compreensível – perceber que pelo menos dois terços dos quase 70 mil torcedores presentes ao Maracanã são compostos de botafoguenses. E a torcida alvinegra vai ao auge da euforia logo aos dois minutos, quando Renato faz jogada de ponta pela esquerda e, da linha de fundo, cruza para Elói escorar e abrir o placar. “Hoje vai ser de goleada”, pensaram.

    Eles estavam certos. Só erraram o lado. O Flamengo equilibra as ações e empata a partida aos dez, com Adalberto, que tabela com Adílio, recebe e toca sem muita força, para vencer o goleiro Luís Carlos. Já senhor das ações, o Rubro-Negro vira ainda no primeiro tempo, com o ponta-direita Heyder (vindo do Náutico por empréstimo em troca por Nunes), batendo de pé esquerdo. Mesmo em menor número (pasmem!), a torcida rubro-negra já pressente que vem coisa boa por aí.

    No segundo tempo, com apenas um minuto, sai o terceiro. Bola levantada na área, Chiquinho cabeceia, Adílio desvia também de cabeça e mata Luís Carlos. Botafoguenses, o túnel do Maracanã é logo ali. Mas se quiserem permanecer, fiquem à vontade para assistir ao show de Adalberto, 20 anos, em atuação de lembrar Junior. Tanto na defesa, controlando totalmente Helinho, quanto no ataque, o lateral se sai brilhantemente. Aos 13 minutos, o garoto da praia de Copacabana é lançado na ponta, passa pelo zagueiro Cristiano como se ele não existisse, vai à linha de fundo e serve Chiquinho, jovem centroavante em busca de afirmação, que anota o quarto gol.

    O Fla domina amplamente o jogo. “Acha pouco e quer mais”, como diz Januário de Oliveira na transmissão da TVE. Gilmar acerta lindo sem-pulo, após cruzamento de Heyder, mas Luís Carlos segura. Adílio reclama de pênalti de Cristiano, que o calçou e o parou com a mão no peito. Chiquinho quase marca de carrinho ao tomar a bola em uma saída desastrosa do goleiro botafoguense. Paulo Henrique leva pancada desleal por trás de Antônio Carlos e tem que ser substituído por outro garoto, Adílson. Mozer bate a falta e arranca um “uuuh!” da torcida. Heyder perde, sozinho, um gol feito de cabeça na pequena área, após centro de Adilson. O Botafogo, com suas tristes meias cinzas, é um arremedo de time. Borrou-se todo.

    Até que Adalberto toca para Gilmar, que devolve lançando. O lateral dispara, dá um leve toque que faz Josimar e Cristiano baterem de cara um com o outro, entra na área, dribla Luís Carlos e marca o quinto. Um gol consagrador do melhor jogador em campo, ao lado de Adílio (o vascaíno Sérgio Cabral escreveria em sua coluna em O Globo: “Adílio ontem me lembrou Zizinho”).

     

    No último minuto vem o fecho com chave de ouro. Andrade, carrasco dos 6 a 0 rubro-negros de 1981, recebe de Gilmar, entra driblando na área, chuta, Luís Carlos dá o rebote e Gilmar reaparece para tocar para o barbante. Ao Botafogo, só restou agradecer por ter escapado de tomar novamente de seis com o sexto gol vindo do camisa 6 rubro-negro. Não há nem a nova saída. O jogo termina no abraço coletivo dos aniquiladores rubro-negros.

    Com a goleada, o Flamengo iguala novamente o número de vitórias e abre caminho para a hegemonia que nunca mais perderia no confronto. E o Botafogo? Fiquemos com as palavras de Adalberto ao fim do jogo: “Papel higiênico, se sobrou, é para eles enxugarem as lágrimas de 17 anos sem títulos”.

    FLAMENGO 6×1 BOTAFOGO

    Maracanã, 24 de março de 1985
    Gols: Elói aos 2, Adalberto aos 10 e Heyder aos 40 do 1º tempo; Adilio aos 2, Chiquinho aos 13, Adalberto aos 42 e Gilmar aos 45 do 2º tempo.
    FLAMENGO: Fillol; Jorginho, Guto, Mozer e Adalberto; Andrade, Adílio e Gilmar; Heyder, Chiquinho e Paulo Henrique (Adílson Heleno). Técnico: Zagallo.
    BOTAFOGO: Luís Carlos; Josimar, Cristiano, Leiz e Rufino; Ademir, Alemão e Elói; Helinho, Renato (Baltazar) e Berg (Antônio Carlos). Técnico: Abel Braga.
     

    Imagem destacada no post e redes sociais: Reprodução

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    Emmanuel do Valle é jornalista e pesquisador sobre a história do futebol brasileiro e mundial, e entende que a do Flamengo é grandiosa demais para ficar esquecida na estante. Dono do blog Flamengo Alternativo, também colabora com o site Trivela, além de escrever toda sexta no Mundo Bola.

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