Autor: diogo.almeida1979

  • #Falta1Dia: quem é o freguês? Saiba quem mais venceu nos confrontos entre Fla e River

    Falta apenas um dia para o jogo mais importante da atual geração de rubro-negros

    Está chegando a hora. Em um pouco mais de 24 horas (às 17h deste sábado, 23), a bola irá rolar em Lima, no Peru (Estádio Monumental), para a grande final da Libertadores entre Flamengo x River Plate.

    Na história, as equipes já se enfrentaram 17 vezes, e a vantagem é rubro-negra.

    O Flamengo venceu sete partidas, contra seis do River e ocorreram quatro empates.

    O “Mais Querido” também tem a marca de mais goleador nos duelos, com 27 gols marcados contra 23 sofridos.

    ÚLTIMO CONFRONTO

    Foto: Reprodução

    Na última vez que se encontraram, Flamengo e River Plate empataram em 0 a 0, no Monumental de Nuñez, na Argentina.

    O jogo era válido pela última rodada da fase de grupos da Libertadores do ano passado.

    Ambas as equipes já estavam classificadas para as oitavas de finais, e disputavam apenas quem seria o primeiro ou segundo lugar. O empate dava a liderança final para o River, e foi o que aconteceu.

    FICHA TÉCNICA
    RIVER PLATE 0 X 0 FLAMENGO

    Local: Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires (Argentina)

    Data: 23 de maio de 2018 (Quarta-feira)
    Horário: 21h45 (de Brasília)

    Árbitro: Andres Cunha (Uruguai)

    Assistentes: Mauricio Espinosa (Uruguai) e Nicolás Taran (Uruguai)

    Cartões amarelos: Nacho Fernández, Scocco, Enzo Pérez, Maidana (River) ; Lucas Paquetá, Jean Lucas(Fla)

    RIVER PLATE: Armani, Montiel, Maidana, Pinola e Saracchi; Ponzio, Enzo Pérez, Palacios (Rojas) e Nacho Fernández; Scocco (Mora) e Lucas Pratto (Borré)

    Técnico: Marcelo Gallardo

    FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Rhodolfo, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Lucas Paquetá, Everton Ribeiro e Jean Lucas (Jonas); Vinicius Júnior (Marlos Moreno) e Henrique Dourado (Lincoln)

    Técnico: Maurício Barbieri.

  • Flávio H. Souza: O pertencimento

    Há um pertencimento de qualquer torcedor ao bom jogo jogado de qualquer time afinado. Seus torcedores se animam

    O Flamengo dá esta sensação de pertencimento que creio que nenhum outro time permite. Sua torcida está em todo lugar, curtem se curtir e ainda que times mambembes tenham tido seu lugar na história do clube, sua torcida sempre soube que o Flamengo era o maior clube do mundo e que carregava um enorme potencial de voltar a ser aquele time grande e temido.

    Demorou anos. Muitos anos. Teve que fazer uma revolução administrativa, em meio a muitas brigas internas, e cortar na carne. Saneando financeiramente e reposicionando processos administrativos visando uma administração moderna e competente.

    A torcida, em todo lugar, comprou esta ideia. O Flamengo não é mais motivo do deboche “eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo” e voltou a ser orgulho de todos. A Base do Flamengo ressurgindo depois de um longo tempo de trevas também. Assim como a reestruturação patrimonial, a construção de uma estrutura de treinamento impactante. Coloca qualquer time nos trinques, jogadores desejosos de virem pro Flamengo. Ao contrário de outros tempos em que perdemos jogadores até para o Botafogo.

    Isto fez crescer o sentimento. É bom estar do lado de algo que funciona. A competitividade esportiva era o calcanhar de Aquiles. A gestão passada não parecia ter este sentimento muito forte e desenvolvido como a atual. Tanto que esta retórica ajudou, merecidamente, a ganhar a eleição. Muitos rubro-negros  sentiam na pele que este fator estava faltando e apostou nestes caras. Ganharam por ampla maioria. 

    Leia no blog Pedrada Rubro-Negra:
    O rico e seu telhado de vidro

    Rei morto, rei posto. O que vimos desde o começo do ano foi a aposta neste sentido competitivo. Uma contratação errada de Abel não foi sendo arrastada como um peso morto por mais tempo que se devia por considerações ou simpatias pessoais de dirigentes amadores ou mesmo dito profissionais. Foi trocado por um técnico português de 65 anos saído de um time das Arábias, com um bom histórico no Benfica. O Mister Jesus.

    E o Mister Jesus pôs em prática o time mais forte e competitivo que vimos desde há muito anos. Claro que com o reforço de ótimas contratações atuais e algumas do passado recente. O Flamengo encanta, deslumbra e faz querer ver seu jogo por puro apreço ao futebol. 

    Há um pertencimento de qualquer torcedor ao bom jogo jogado de qualquer time afinado. E o Flamengo hoje é este time. Seus torcedores se animam, esquecem os milhares de problemas atuais e fazem do Flamengo um excelente ponto de fuga para um sentimento sublime que é difícil de encontrar na vida real. Torcedores de times adversários que não acumulam raiva e recalque têm a chance de se verem envolvidos nesta enorme paixão e se deixarem levar pelo mais puro sentimento de amor ao futebol.

    A torcida levando os jogadores, literalmente, ao aeroporto é uma cena já marcada na história.

    O Flamengo sou eu. Você. Todos nós.

    Vamos ser campeões vamos Flamengo.

  • #Faltam2Dias: “Increíble, fiesta e ¡Impresionante!”: a repercussão internacional do AeroFla

    Faltam apenas dois dias para o jogo mais importante da atual geração de rubro-negros

    Faltam 48 horas para a final da Libertadores de 2019. A torcida do Flamengo conta os minutos para depois de 38 anos, assistir novamente sua equipe na decisão da maior competição do continente, e a “prova de amor” feita por ela, ocorreu na última quarta-feira (20).

    Durante a tarde, torcedores fizeram o famoso “AeroFla” no Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador. Cerca de 10 mil pessoas estiveram no local, dando o último apoio aos atletas antes do embarque para Lima, no Peru.

    A festa foi grande e a repercussão também. Mídias internacionais e torcedores de outras equipes fora do país, trataram o episódio como “increíble (incrível) e ¡Impresionante! (impressionante)”.

  • Por que seremos campeões?

    Não seremos campeões da Libertadores somente por causa do fantástico futebol do atual time do Flamengo – existem muitos outros motivos

    Porque fizemos uma campanha sensacional.

    Porque o Flamengo se preparou para isso e durante anos precisou viver com dificuldade e vendo os outros vencerem. 

    Porque nenhum time venceu o Brasileiro e a Liberta no mesmo ano desde 71. Será a primeira vez.

    Porque o último carioca a vencer foi o Vasco, em 98. São 21 anos desde então. Chegou a hora.

    Porque os peruanos amam o Brasil e irão torcer por nós por causa de Trauco e Guerrero. 

    Porque o Flamengo jogou 19 vezes em Lima, ganhou 13 e perdeu só três. No Peru, pela Libertadores, foram dois jogos, uma vitória e um empate, ambos em 2008. Está invicto no país na competição. 

    Porque o Flamengo foi o primeiro time brasileiro a vencer o Mundial em jogo único no Japão e será o primeiro a jogar – e vencer – uma final única da Libertadores.

    Porque Diego Alves tem a camisa amarela como sua preferida para agarrar, como era Raul Plassmann. 

    Leia no blog Respeite o Flamengo: Wake me up when September ends

    Porque nunca um jogador que conquistou a Champions por um time alemão venceu também a Libertadores em sua carreira. Rafinha será o primeiro.

    Porque Rodrigo Caio irá unificar os títulos. Ganhou a Sul-Americana pelo São Paulo e vencerá a Libertadores pelo Flamengo. 

    Porque Pablo Marí será o terceiro jogador europeu a vencer a Libertadores, sendo o primeiro espanhol. O último europeu foi o italiano Dante Mircoli, pelo Independiente, em 1972. 

    Porque Filipe Luís disputou duas Champions, mas sem vencer. Vencerá agora e conquistará seu primeiro grande título continental. A Supercopa da Uefa é só um jogo. 

    Porque Willian Arão será o único jogador da história a ganhar a Libertadores pelos times de maior torcida do Brasil, Flamengo e Corinthians.

    Porque Gerson quis sair da Europa e vir para o Brasil para ser campeão com o seu time de coração. 

    Porque Everton Ribeiro irá passar a faixa de capitão para Diego levantar a Taça.

    Porque Diego voltou muito antes do tempo previsto para conquistar sua segunda taça continental. Em 2012 ele conquistou a Liga Europa pelo Atlético de Madrid. E irá disputar seu segundo mundial. 

    Porque Arrascaeta foi eliminado pelo River Plate na Libertadores de 2015 e terá sua revanche. Além de decidir finais.

    Porque temos Bruno Henrique.

    Porque Gabigol irá voltar para a Europa com o Brasileiro, a Libertadores, o Mundial e mais de 40 gols na temporada. 

    Porque nunca um técnico português venceu a Libertadores. Jesus será o primeiro.

    Porque o único europeu a conquistar o título foi Mirko Jozić, da antiga Iugoslávia, em 1991, pelo Colo Colo. Está na hora de outro europeu vencer. 

    Porque o River joga com a camisa do Vasco. E o Vasco está torcendo pelo River em uma final contra o Flamengo.

    Porque viajamos para a final com 81 pontos. E vocês sabem o que 81 significa. 

    Porque a Nação ignorou as dificuldades e se locomoveu para Lima de todas as formas possíveis para empurrar o time na garganta.

    Porque 10 anjos do céu irão empurrar o time para o ataque e merecem o título que jamais terão a chance de conquistar.

    Porque somos o Flamengo. 

    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação / Conmebol

  • Téo Benjamin: O futebol brasileiro está esperando um memorando para descobrir novidades

    O mundo atual não é assim. Para viver nesse mundo globalizado, hiper conectado e tão veloz é preciso ser ativo na busca por conhecimento

    “Não entendo essas mentes fechadas.”

    Jorge Jesus reclamou de um tratamento agressivo por parte da mídia e de seus colegas brasileiros.

    O português está certo, mas o problema não é com ele. É a mentalidade do futebol brasileiro.

    Quando, em 1999, Portugal foi escolhido para sediar a Euro 2004, fez uma escolha consciente: iria se tornar uma potência do futebol.

    Até então o país só havia se classificado para duas Copas do Mundo. Desde então participou de todas.

    Para isso, investiu em infraestrutura, construiu estádios novos em folha (inclusive para seus três maiores clubes), renovou seu trabalho de base, encontrou uma identidade de jogo, qualificou profissionais em todas as ligadas ao áreas do futebol e naturalizou o brasileiro Deco. Quando, em 2007, o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, fez festa. “Somos o país do futebol. Somos pentacapeões”

    Estádios novos em folha foram construídos, mas tudo acabou em 7×1.

    Não é coincidência.

    As ligações futebolísticas entre Brasil e Portugal não são novas.

    Cândido Oliveira é uma lenda do outro lado do Atlântico. Mais do que títulos ou grandes esquadrões, o ex-jogador, jogador e jornalista ajudou a construir a base do futebol português.

    Ele estagiou no lendário Arsenal de Herbert Chapman, inventor do sistema W-M, que dominou o futebol mundial há quase um século.

    De volta à terrinha, escreveu o livro “Futebol: técnica e tática”, uma espécie de manual que foi fundamental para a popularização da formação por lá.

    Cândido tinha uma abordagem completamente teórica sobre o futebol e escreveu outros livros, incluindo “Evolução tática no futebol”, extremamente relevante até hoje.

    O futebol português, aliás, é obcecado por sistemas e modelos de jogo por influência dele. Também fundou o jornal A Bola acreditando firmemente que jornalistas esportivos não deveriam apenas informar e entreter, mas educar. O grande objetivo era gerar e difundir conhecimento sobre o jogo.

    Em 1950, Cândido de Oliveira veio ao Brasil para treinar o Flamengo.

    Outra figura importante em Portugal foi o húngaro Béla Guttman, bi-campeão nacional e bi-campeão Europeu pelo Benfica.

    Antes de chegar a Portugal, em 1957, ele treinava o lendário Honved de Puskas e veio ao Brasil jogar amistosos contra o Flamengo e o Botafogo.

    Guttman decidiu, então, ficar no país e foi treinar o São Paulo. Foi extremamente influente na popularização do 4-2-4 que ajudou o Brasil a vencer sua primeira Copa um ano mais tarde, em 1958. Foram várias as figuras importantes que passaram por Portugal ao longo das décadas. Muitas delas, inclusive, brasileiras.

    Mesmo assim, o país seguia sendo coadjuvante no futebol.

    Tudo mudou na virada do século. Um plano que deu certo. Na Euro 2004, a seleção portuguesa contava com sua geração de ouro no auge e era treinada por Felipão – queridíssimo por todos os lusitanos.

    Jogou bem, encaixou, fez jogos épicos, eliminou adversários difíceis, chegou à final e perdeu inacreditavelmente para a Grécia.

    Naquele mesmo ano, o Porto levantava uma improvável taça da Champions League comandado por um jovem especial: José Mourinho, o treinador que mudaria muitos paradigmas no futebol mundial.

    Mourinho era um típico treinador português: um estrategista totalmente focado no sistema, no modelo de jogo e obcecado por lapidar a interação das peças no seu tabuleiro e anular as peças adversárias. Era um grande adepto da Periodização Tática, metodologia criada pelo professor Vitor Frade. Um dos primeiros adeptos do processo de treinamentos que se tornaria popular ao redor do mundo depois.

    Mourinho levou a metodologia para o Porto e revolucionou o trabalho de preparação. Aliás, Mourinho levou Vitor Frade para o clube como diretor de metodologia.

    No Blog do Téo: Téo Benjamin: Relatório River – Parte 1: o modelo de jogo

    Pare por um segundo e imagine um clube brasileiro criando um cargo com esse nome para um acadêmico que tinha criado uma forma de treinar diferente de tudo que era usado até ali. Seria piada. Todos os treinamentos eram focados em situações de jogo.

    Todos os treinos duravam 90 minutos – ou 120 min se o time estivesse se preparando para um jogo com possibilidade de prorrogação. Todos os exercícios eram feitos com chuteiras e caneleiras – equipamento completo. 

    Mourinho fez seu time treinar no sol de meio-dia durante alguns dias para se preparar para o calor de Sevilla, onde seria a final da Copa da UEFA de 2003, contra o Celtic. Venceu na prorrogação, correndo bem mais que o adversário. 

    Mas o ponto mais relevante da “revolução Mourinho” era sua análise dos adversários. Quando era assistente de Bobby Robson e Louis van Gaal, ele era responsável por preparar relatórios dos próximos oponentes. Ambos os treinadores dizem nunca ter visto tanta atenção aos detalhes. 

    Mourinho ficou tão insatisfeito com o nível dos relatórios de observação dos adversários da equipe técnica do Porto que contratou do próprio bolso um auxiliar para fazer isso. 

    O Porto cresceu e venceu.

    Quando Mourinho foi embora, o novo treinador, Luigi Delneri trouxe métodos antigos e os jogadores protestaram, pois sentiam que estavam andando para trás. Delneri foi demitido antes mesmo de fazer seu primeiro jogo oficial. 

    Enquanto Mourinho atraía os holofotes como treinador, o melhor jogador do mundo (ah, vamos excluir o Messi aqui por um minuto) também era Português.

    Nada disso é coincidência.

    Jorge Jesus chegou à primeira divisão portuguesa e varreu tudo. Fez o Benfica voltar a vencer dentro de Portugal e disputou duas finais europeias.

    Desde então, uma horda de treinadores e jogadores portugueses invadiu os grandes clubes mundo afora. 

    Portugal ainda venceu a Euro em 2016 para confirmar definitivamente sua virada na história. Depois de menos de duas décadas, a pequena nação escondida na esquina da Europa dava as cartas no cenário mundial. Os portugueses são, sim, relevantes no futebol atual.

    Enquanto isso, no Brasil, continuamos vivendo nossas vidas. Continuamos acreditando que “somos penta” e nada mais importa.

    Os jogadores brasileiros PERDERAM protagonismo na última década. A seleção brasileira também.

    Talvez seja culpa da nossa condição única: somos o centro da maior periferia do futebol.

    Nos enfrentamos entre nós. Há sempre um campeão. Ganhamos dos nossos vizinhos sul-americanos na Libertadores, pois somos muito maiores e mais ricos. Com isso, achamos que está tudo bem. Foi dito no Sportv durante a semana que é impossível saber se há algo realmente novo nos treinamentos de Jorge Jesus.

    Primeiro, há dezenas de vídeos de treinamentos disponíveis online e dezenas de jornalistas que acompanham o clube todos os dias e, em boa parte, os treinos. Segundo, há os relatos dos próprios jogadores falando que tudo é diferente.

    Nas primeiras semanas de Jorge Jesus, um zagueiro titular de 23 anos disse que não conhecia 70% do que o treinador havia apresentado.

    Há, também, o mais importante: um time que evolui a cada jogo, sempre incorporando novas ideias e conceitos, corrigindo seus defeitos e criando novas soluções. Uma equipe que vai ganhando forma aos poucos e, mesmo sendo melhor a cada semana, ainda parece muito longe do auge. Quando Jorge Jesus chegou ao Brasil e foi elogiado, muitos disseram “não ter recebido o memorando” sobre as qualidades do português.

    Além de sem graça, a piada revela um problema: o futebol brasileiro está esperando um memorando para descobrir novidades. O mundo atual não é assim. Para viver nesse mundo globalizado, hiper conectado e tão veloz é preciso ser ativo na busca por conhecimento, na leitura da realidade e na compreensão do futuro.

    Tudo está mudando o tempo todo. Precisamos aprender. Sempre há algo a aprender. É preciso sempre se colocar em movimento. Não há nada de errado nisso.

    Aliás, não há nada inerentemente errado com o jeito brasileiro de jogar futebol nem nas ideias de jogo que circulam por aqui.

    Mas por que essas mentes tão fechadas?

  • Téo Benjamin: Relatório River – Parte 1: o modelo de jogo

    Um primeiro olhar mostra dois times muito parecidos. Gostam da bola, mantém a posse, chegam rápido ao ataque e fazem estrago na frente

    Gallardo chega à sua terceira final de Libertadores com um time que tem qualidade, consciência, flexibilidade e, principalmente, intensidade.

    Chegou a hora de olhar para o adversário da final.


    Assim como contra o Grêmio, um primeiro olhar mostra dois times muito parecidos. Times que gostam da bola, mantém a posse, chegam rápido ao ataque e fazem estrago na frente. 

    Até mesmo a formação-base é parecida. O River joga num 4-4-2, mas como um dos volantes sempre se posiciona por trás da linha de meias, seria até mais correto desenhar num 4-1-3-2, mesmo sistema usado por Jorge Jesus em Portugal e raiz do 4-4-2 atual do Flamengo.

    De fato, há muitas semelhanças, mas também diferenças marcantes.

    A começar pela própria ocupação dos espaços. Enquanto o Flamengo se preocupa muito em proteger zonas e rotas do campo e manter a linha defensiva de 4 SEMPRE montada e bem posicionada, o River é quase o oposto. 

    No Blog do Téo: Téo Benjamin: Flamengo 3×1 Bahia (análise da partida)

    Dizemos que o River joga no 4-1-3-2 apenas por convenção. A verdade é que o time vive de uma luta constante pela bola e se organiza a partir disso. O desenho das linhas não é o mais importante. Com isso, os laterais atuam quase sempre à frente dos zagueiros, na linha do volante. 

    Há quase cem anos, o inglês Herbert apresentou ao mundo o seu W-M. Três defensores, um quadrado no meio e três atacantes. Hoje chamaríamos de 3-2-2-3. O sistema ganhou o mundo e, no Brasil, foi a base que gerou o 4-2-4 campeão do mundo em 1958.

    Gallardo joga no que poderíamos chamar de um M-W, ou seja, um 2-3-3-2, muito mais que um 4-4-2. A ideia principal é congestionar o meio-campo e ter superioridade numérica para ganhar a bola por ali, mas vamos falar mais sobre isso olhando o sistema defensivo mais para frente…

    Além da diferença de organização no espaço, o River é um time muito mais direto que o Fla. Aposta na intensidade para recuperar a bola e sair em disparada no contra-ataque com muitos jogadores. É um time que não para muito para pensar e articular as jogadas. O time argentino sai mais “para a trocação” e aposta na sua intensidade para passar como um rolo compressor sobre os adversários.

    Arrisca mais, por isso é o time que mais perde bolas por jogo na Libertadores, enquanto o Fla é apenas o 26º de 32 equipes. 

    Apesar de tentar, em média, 22 passes a menos por jogo, o River erra 12 passes a mais que o Fla. Também tenta quase 38 lançamentos (15º na Libertadores) por jogo, enquanto o Fla tenta apenas 30 (29º). 

    O River é o segundo time que mais tenta dribles, enquanto o Fla é apenas o 7º. Mas a diferença de eficiência é gritante: o River acerta 70% dos dribles que tenta e o Fla acerta 85%. Com isso, o time argentino é o mais desarmado da competição. 

    Podemos olhar também para as finalizações. Quase 52% das finalizações do River são de fora da área, enquanto o Fla finaliza menos de 42% de longe.

    Além disso, o Fla acerta na direção do gol 49% das suas finalizações, enquanto o River acerta apenas 35%.

    A palavra de ordem é intensidade – com e sem a bola. Se Jorge Jesus varreu o futebol brasileiro com uma marcação alta e uma forte pressão na saída de bola do adversário e pressão pós-perda da bola que poucos usavam por aqui, o River praticamente dobra essa aposta. 

    Os millonarios correm, mordem e atormentam durante o jogo todo. Não é a toa que o River é o time que mais fez faltas por jogo e o quarto que mais sofreu na Libertadores. A bola está sempre viva, sempre em disputa. 

    O time parece mais à vontade nessas situações. Ganha as disputas no meio, puxa o contra-ataque, perde, pressiona, retoma, acelera, finaliza… Pressiona a saída de bola, retoma, lança, erra, ganha a segunda bola, acelera, perde de novo, aperta de novo… E assim vai. 

    gallardo river plate flamengo

    Esse tipo de jogo frenético parece ser mais confortável para o River do que ser amassado no próprio campo, marcando perto do próprio gol e esperando o contragolpe, ou até mesmo ser obrigado a amassar um adversário encolhido e encontrar espaços no meio de uma defesa fechada. 

    O Flamengo, por outro lado, é mais versátil. Joga com intensidade e pressão, mas também acalma o jogo, controla o ritmo e roda a bola.

    Ambos os times têm percentuais altíssimos de posse, mas como só há uma bola no futebol, alguém inevitavelmente ficará menos com ela. 

    Assim, muitas alternativas se abrem. É melhor entregar a bola ao adversário ou disputá-la pelo meio em intensidade máxima? Ou ainda tentar ficar com ela sem se arriscar muito?

    Apenas Gallardo e Jorge Jesus podem responder. 

    O River é um time muito bem coordenado, com ideias cuidadosamente pensadas para maximizar o potencial de cada uma de suas peças. Os jogadores se encaixam perfeitamente na proposta de jogo, mas isso é um assunto para a próxima parte do relatório…

  • Jorge Jesus descarta retorno a Portugal e afirma: “Minha cabeça está 100% no Flamengo”

    Apesar de estar na final da Libertadores e na iminência de ser campeão brasileiro, o Flamengo tem uma grande dor de cabeça neste final de temporada: a permanência ou não de Jorge Jesus. Com contrato até o meio de 2020, o vínculo do português tem uma cláusula que o permite deixar o clube em dezembro. No entanto, ao que tudo indica, isso não vai acontecer.

    Nos braços da torcida, Jesus estaria cada vez mais seduzido por todo carinho recebido dos rubro-negros e o fico definitivo estaria cada vez mais perto. Em entrevista ao portal JN, de Portugal, o treinador afirmou estar 100% com a cabeça no Flamengo.

    “Eu estou super-feliz no Flamengo. No Rio tenho sido tratado muito bem. Os resultados estão me encantando e também encantando a torcida. A minha forma de estar vai ser 100% a defender o Flamengo, até ao último dia em que tiver contrato, porque tenho sido sempre assim. Tenho todo o orgulho no meu país, e em ser português, mas hoje estou muito bem no Brasil e a minha cabeça está 100% aqui, não está nada fora do Brasil e muito menos em Portugal”, disse o Mister, que descartou o regresso ao seu país natal.

    “Não tenho objetivos de regresso a Portugal. Mais: acho que dificilmente eu vou regressar a Portugal. Neste momento o meu foco é o Flamengo. Foi isso que me propus, foi por isso que aceitei esta proposta. Já disse aos dirigentes do Flamengo e agradeci por me terem dado esta oportunidade”, disse.

    “Chegar à final dos Libertadores era o meu sonho. Já cheguei. Agora o segundo sonho é trabalhar para a conquistar e depois ser campeão do Brasil. Isto é o que neste momento me interessa. Tudo o resto não faz parte dos meus projetos futuros”, finalizou.

    Siga o autor: @matheusleal1

  • Téo Benjamin: Relatório River – Parte 2: o time ideal

    Do goleiro ao centroavante, passando pelo técnico Gallardo e suas armas do banco, uma análise dos jogadores do River Plate

    Para além de todas as comparações sobre formação e estilo entre os dois finalistas, há também comparações entre os jogadores. De fato, há similaridades entre os elencos de River e Flamengo.

    Vamos conhecer os Millonarios em detalhes!

    O “11 ideal” do River hoje é montado no 4-1-3-2 (ou M-W, como explicado na PARTE 1)

    Há variações táticas possíveis – que vamos explorar mais pra frente -, mas uma coisa se mantém: um time de muita pegada e habilidade. 

    No gol, Franco Armani, de 33 anos. Chegou ao River Plate no ano passado depois de oito temporadas no Atlético Nacional da Colômbia, onde venceu seis campeonatos nacionais e uma Libertadores em 2016.

    Armani se tornou um ídolo tão grande na Colômbia que surgiram ofertas para se naturalizar e jogar pela seleção do país. Ele não aceitou. Queria defender a albiceleste.

    Contratado para ser titular do River, ganhou rapidamente a confiança do clube e da torcida. 

    Foi tão bem em seu primeiro semestre no River que chegou à Seleção Argentina na Copa de 2018, na Rússia. Começou no banco, mas jogou como titular o terceiro jogo depois de mudanças drásticas de Sampaoli. Jogou também nas oitavas, quando a Argentina foi eliminada. 

    Logo depois da Copa, Armani bateu um recorde importante e se tornou o goleiro do River Plate a ficar mais tempo sem tomar um gol: 800 minutos (quase 9 jogos completos) pelo Campeonato Argentino. 

    Além de sua capacidade debaixo das traves, Armani é um líder dentro e fora de campo. Orienta a defesa constantemente, corrige posicionamento, dá esporro e incentiva. No vestiário, é tido como um cara querido por todos, um exemplo. 

    Na lateral direita temos Gonzalo Montiel, de 22 anos, revelado pelo próprio River e titular já na conquista de 2018. Foi convocado pela primeira vez neste ano.

    Um lateral correto. Não é brilhante, mas é pau pra toda obra. É razoável em tudo. Uma espécie de Luigi no Mario Kart.

    Aparece muito no ataque, apesar de não ser um virtuoso, e ajuda como pode na defesa, apesar de não ser uma fortaleza.

    Tem muita disposição e não desiste de nenhuma jogada. É importante ultrapassando pela direita para “abrir o campo” e criar espaços para os caras do meio. 

    Na zaga central, Lucas Martinez Quarta, de 23 anos, também revelado pelo River, também convocado para a Seleção Argentina recentemente e também parte da conquista de 2018. Jogou o primeiro jogo da final, quando o River usou três zagueiros, e foi barrado no segundo, em Madri.

    Nesse ano, se tornou titular depois da saída de Maidana. É um jogador cotado para a Europa, mas desperta reações controversas. É uma espécie de Leo Duarte: jovem, rápido, mas com algumas falhas de posicionamento importantes. 

    Pela sua velocidade e disposição, tende a ser o zagueiro que cobre uma área maior do campo e faz o “trabalho sujo” saindo para o bote sem medo de fazer a falta. Às vezes deixa espaço às suas costas quando faz isso. 

    Ao seu lado joga Javier Pinola, que usa a faixa de capitão na ausência de Ponzio do time. O zagueiro de 36 anos teve uma passagem pelo Atlético de Madri, mas jogou pouco por lá.

    Da Espanha foi para a Alemanha. Ficou dez anos no Nurenberg e foi titular na maior parte do tempo.

    Faz aquele estilo xerifão que às vezes tenta apitar o jogo. É um zagueiro chato. Gosta de uma disputa no corpo e algumas vezes de uma catimba. 

    É canhoto e bastante técnico. Costuma procurar passes rápidos e limpos para o lateral esquerdo ou o meia daquele lado. É a principal arma na saída de bola do River.

    De alguma forma, pode ser comparado a Pablo Marí por sua atuação com a bola, mas perde muito no físico

    Além dos 36 anos que não lhe dão a mesma disposição e velocidade, Pinola tem apenas 1,82m, mesma altura de Rodrigo Caio e onze centímetros a menos que Marí. 

    Na lateral esquerda, Milton Casco, outro remanescente do time campeão do ano passado.

    Casco já não é garoto, mas é muito veloz. Faz o corredor esquerdo todo. Aparece no ataque sempre fazendo a ultrapassagem por fora e protege bem o lado esquerdo da defesa.

    Também não é craque, mas é um jogador interessante. Tem mais recursos que Montiel e tb é mais experiente e consciente taticamente.

    Pode variar bastante o comportamento. Em alguns jogos, vira quase um ponta pela esquerda. Em outros, fecha por dentro na defesa, quase como zagueiro. 

    Quando sobe muito, deixa Pinola na roubada, tendo que segurar um contra-ataque no alto de seus 36 anos.

    Quando um zagueiro sai para dar combate mais à frente, normalmente é ele quem fecha por trás, alinhado ao outro zagueiro. 

    O meio-campo é certamente a zona mais interessante do campo de jogo do River. É onde o time concentra os jogadores mais versáteis, inteligentes e intensos. Todo o jogo – ofensivo e defensivo – passa pelo equilíbrio do meio. 

    Tudo começa com Enzo Pérez. O meia habilidoso que encantou pelo Godoy Cruz e venceu a Libertadores em 2009 pelo Estudiantes foi para Portugal contratado por… Jorge Jesus!

    Depois de uma grave lesão no joelho, voltou ao Estudiantes por empréstimo. Quando retornou mais uma vez a Portugal, Jesus propôs que ele deveria jogar como volante. O argentino não quis, mas o Mister insistiu e disse que lhe ensinaria.

    Assim, Pérez se tornou figura central no Benfica multi-campeão de Jesus.

    Quando grandes clubes europeus se interessaram pelo jogador, JJ disse que ele era o atleta mais difícil de substituir no elenco, pois era o cérebro da equipe.

    De fato, sua versatilidade e espírito coletivo são impressionantes. A história de Pérez lembra Arão, mas vale lembrar que, apesar do River jogar numa formação parecidíssima com a do Benfica de JJ, Enzo Pérez joga numa posição diferente.

    Antes ele jogava à frente ou ao lado de Matic, que afundava entre os zagueiros. Agora é ele que joga por trás.

    Quem joga à frente ou ao lado de Enzo Pérez é Exequiel Palacios, de apenas 21 anos, mais um revelado pelo River.

    Jogador destro, habilidoso e muito, muito calmo com a bola. Extremamente consciente, batalhador e versátil.

    Ele jogou as duas finais no ano passado. Na primeira, com o River no 3-5-2, foi volante ao lado de Pérez, com Pity Martínez mais à frente. Na segunda, jogou como meia à frente de Pérez e Ponzio. 

    Hoje faz uma função parecida com a que Gerson exerce no meio-campo rubro-negro.

    Mesmo pouco badalado perto dos companheiros, Palacios é, acima de tudo, o ponto de equilíbrio do time. 

    Apesar de ter capacidade para chegar à frente, Palacios não entra muito na área. Em 21 jogos nessa temporada, marcou apenas um gol.

    Leia no Blog do Téo: Téo Benjamin: um raio-X do gol do título da Libertadores

    Em vez disso, ele joga sempre ao lado da bola, um pouco atrás do jogador que tem a posse quando o time está no ataque. Assim, exerce três funções fundamentais.

    Primeiro, é o “passe de segurança” para qualquer um. A bola sempre pode voltar nele para que a jogada seja clareada.

    Segundo, ele disputa a “segunda bola” sempre que há uma disputa. Por fim, é o organizador da intensa pressão pós-perda do River.

    Quando qualquer jogador perde a bola no ataque, Palacios não corre para trás com o intuito de fechar a defesa. Corre para frente com o objetivo de pressionar a bola e retomá-la rapidamente.

    É dessa forma que Palacios exerce uma função quase invisível, mas fundamental no time do River.

    Se ele é neutralizado, o time perde o meio-campo, deixa espaços, fica vulnerável na defesa e perde volume de jogo no ataque. 

    Por um dos lados, normalmente o direito, joga o canhoto Nacho Fernandez. Como bem definiu o @LuchoSilveira, Nacho é o relógio de Gallardo. Faz tudo muito bem. É tipo o Mario no Mario Kart, mas com estrelinha.

    Além de um baita organizador no meio-campo e bom passador, ele entra na área e marca gols. Alguns comparam a Everton Ribeiro, mas ele me lembra um pouco o Ricardinho, hoje comentarista.

    Um dos caras que pode desequilibrar para o River.

    Do outro lado joga Nico De La Cruz, irmão de Carlos Sánchez, do Santos.

    Normalmente Nico, que é destro, joga pelo lado esquerdo, mas às vezes inverte com Nacho.

    Tem características bem diferentes. É mais arisco e driblador, tem um pulmão privilegiado, mas é inconstante.

    O uruguaio de 22 anos participou das seleções de base do Uruguai, mas nunca foi convocado para a principal.

    É o tipo de meia chato, que joga por dentro ou pelo lado e sempre parte para cima, mas acelera o jogo em momentos errados.

    Por isso, há quem ame e há quem desdenhe. 

    Matías Suárez jogou quase sua carreira profissional inteira no Anderlecht da Bélgica. Em 2016, depois de atentados terroristas em Bruxelas, decidiu ir embora aos 28 anos e rompeu o contrato unilateralmente.

    A FIFA o condenou a pagar € 1,5 milhão para o clube, então efetivamente ele teve que pagar a própria transferência ao Belgrano, seu primeiro clube.

    Foi bem e tudo parecia encaminhado para uma história bonita de aposentadoria, até que o River decidiu comprá-lo. 

    Suárez chegou a Nuñes aos 31 anos, se tornou titular e foi convocado pela Seleção Argentina pela primeira vez na Copa América deste ano, disputada no Brasil.

    Em 18 jogos na temporada, marcou apenas três gols, mas essa não é sua principal influência no time. 

    Ele é quase ambidestro e bastante técnico. Ocupa todos os espaços na frente. Pode atacar a área, pode sair para tabelar, pode cair pelos lados… Se não marca muitos gols, é o líder de assistências do Campeonato Argentino ao lado de De La Cruz. 

    Em geral, Suárez joga bastante próximo do seu companheiro de ataque, o colombiano Rafael Borré, fazendo movimentações para confundir os zagueiros.

    Borré é o artilheiro do time na temporada e queridinho da torcida.

    Não é aquele centroavante rompedor típico. Com apenas 1,74m e 70kg, ele se movimenta muito e ataca muito bem os espaços nas costas da defesa. É aquele típico cara esperto que aparece livre numa bola rasteira no segundo pau ou pega um rebote inesperado do goleiro. 

    Além dos 11 titulares, o River tem outros jogadores importantes.

    O elenco não é muito grande, mas tem boas peças de reposição e jogadores capazes de mudar um jogo. A versatilidade parece ser obsessão de Gallardo. 

    Paulo Díaz é um zagueiro chileno que pode jogar como lateral ou até mesmo como volante. Não é brilhante, mas é útil para mudar a formação do time sem fazer substituições. Caso o River use três zagueiros, como foi ventilado, ele seria o nome.

    O Colombiano Juan Quintero é o toque de mágica. Um jogador que vê tudo que está acontecendo e o que ainda vai acontecer no campo. Sua entrada em Madri definiu o título da Libertadores no ano passado. Ele mudou o jogo e fez o segundo gol, um golaço.

    Quintero sofreu uma grave lesão no joelho e ainda não voltou totalmente, mais ou menos como Diego. Dificilmente joga os 90 minutos, mas pode entrar no final se o jogo estiver complicado. É um craque! 

    Lucas Pratto era titular, mas também sofreu uma lesão e hoje senta no banco. É um velho conhecido do torcedor brasileiro. Forte, alto, muito bom no jogo aéreo e excepcional no pivô. Se entrar, muda as características da linha de frente.

    Scocco é excelente. Um atacante completo. Na minha opinião, melhor até que Suárez. Vem sofrendo com muitas lesões musculares e ainda não tem chance de ser titular, mas é rápido, habilidoso e muito inteligente.

    Por fim, o maestro da companhia, o comandante de tudo isso, o homem que transformou o River Plate como jogador e depois como treinador: Marcelo Gallardo.

    O homem tem o time nas mãos, sabe o que quer e conhece muito de futebol. É um estrategista nato e joga para ganhar.

    Os pontos fortes do River são a técnica e o equilíbrio do meio-campo, a intensidade física e a experiência de um time que já joga junto há tempos e já ganhou muitos títulos.

    Além disso, Enzo Pérez conhece muito bem Jorge Jesus – e isso não pode ser subestimado. 

    Mas também há pontos fracos. O mais óbvio é a estatura. Apenas três jogadores de linha têm mais de 1,80m (no Flamengo são seis). Além disso, o time morde muito e acaba deixando buracos nas costas. Os zagueiros ficam muito expostos, do jeito que Gabigol e BH gostam. 

    Será um grande jogo. Os dois treinadores têm capacidade de sobra para fazer um duelo tático magnífico com peças de altíssimo nível.

    Agora que conhecemos os nomes do River, é hora de conhecer os detalhes de funcionamento do conjunto, mas só na próxima parte…

  • BrTT e Shrimp estão de saída do Flamengo eSports

    Após as mudanças na administração, conforme noticiado aqui no Mundo Bola, o Flamengo eSports será gerenciado pela Team One. Os contratos dos 5 jogadores titulares se encerraram no ultimo dia 18, e muito se especulou sobre o futuro da line-up campeã do CBLOL.

    Hoje (20/11), brTT veio a publico para esclarecer sobre seu futuro e deu uma noticia desagradável para a maioria da Nação que acompanha o eSport: ele não renovará seu contrato com o time. Em carta publicada em seu perfil no Twitter, ele destaca o sonho que foi defender a camisa de seu time de coração, mas afirma que não confia no novo projeto, além de afirmar “nem sei mais se posso chamar de Flamengo ou se é só um time carregando o nome”.

    Além disso, o jogador deixa em aberto uma possibilidade de se aposentar. Ele é um dos nomes mais antigos no cenário, e pode seguir os passos de outros jogadores de sua geração de focar na carreira de streamer.

    Pelo Flamengo eSports, brTT conquistou o acesso para o CBLOL via Série de Promoção, além de ter chegado a três finais de Split, vencido uma e ter representado o Brasil no mundial vestindo a camisa rubro-negra.

    Confira a integra da carta do jogador:

    Quando entrei no Flamengo lembro que a unica coisa que passava na minha cabeça era que eu estava realizando um sonho que eu nunca tive nem audácia de sonhar.
    Virei Flamenguista por causa do meu avô, o mesmo que me deu meu primeiro computador e graças a ele consegui trilhar toda minha história até o dia de hoje.
    Quem é meu cria desde muito cedo já conhece essa história, estavam presentes no dia que contei que ele perdeu a luta contra o câncer. Minha vitória de 2015 foi dedicada a ele, mas sinceramente todas as vitórias da minha vida sempre foram. Ele foi a pessoa mais importante da minha vida, então ser flamenguista sempre significou algo muito forte pra mim.
    O projeto do Flamengo chegou até mim sem pé nem cabeça, e construímos juntos o que o time se tornou hoje.
    Eu fui o primeiro jogador de elite que largou um time do CBLOL, e encarou dar 50 passos pra trás, indo pro Circuito Desafiante por escolha própria. Naquela época Circuito Desafiante era extremamente desrespeitado, ninguém nem acompanhava, então todos os meus fãs achavam que eu estava louco e dando o maior tiro no pé da minha carreira.
    Eu não errei.Chegamos na final do Circuito Desafiante, entramos no CBLOL direto pra final, e tivemos mais duas finais seguidas, tendo na ultima nos tornado Campeões Brasileiros.
    Foi a primeira vez na história do nosso cenário que vimos uma torcida organizada nas arquibancadas, tremendo todas as estruturas, e cantando com uma só voz.
    Os boatos eram reais, tinha gente querendo desfazer o nosso time, e era um sentimento horrível estar treinando pra uma semifinal tão importante, pra uma final gigantesca, sabendo que já tinham intenções pro nosso futuro que não dependiam de nada do que fizéssemos.
    Eu nunca tive tanto foco em toda minha vida quanto pros treinamentos dessa ultima etapa, eu não sabia qual seria o fim disso tudo, mas eu me recusava a aceitar a ideia de sair do Flamengo sem honrar a nação, sem honrar os meus fãs, sem honrar a camisa do time que eu carregava no peito.
    Eu foquei tanto, eu treinei tanto, eu me esforcei tanto que um dia me toquei que eu não sabia mais o que estava acontecendo na minha própria casa. Um dia cheguei mais cedo do treino e encontrei minha mulher chorando, e mesmo morando na mesma casa percebi que não via ela fazia tempo. Ela estava mais magra, sem brilho nenhum, ela estava passando por algo que não queria que eu soubesse, e eu estava ocupado demais pra descobrir o que era.
    Só quando fomos eliminados do mundial que ela finalmente me contou que estava lutando contra a depressão, e que ela não conseguia mais passar por aquilo sozinha.
    Nação, eu dei tudo o que eu podia por vocês. Eu realmente lutei nesses últimos dois anos pra retribuir toda alegria e amor que vocês me deram.
    Estão tendo muitas mudanças na administração do Flamengo no esports, e eu nem sei mais se posso chamar de Flamengo ou se é só um time carregando o nome. Mas eu preciso ser fiel a vocês e dizer que não confio no novo projeto.
    Meu contrato encerrou ontem e eu decidi que não irei renovar.
    Eu estou aberto pra receber propostas de outros times, pra conversar, pra saber os caminhos que posso seguir, mas pra ser sincero, talvez eu decida não seguir mais nenhum…
    Eu precisava abrir meu coração pra vocês e contar tudo o que esta acontecendo aqui na minha cabeça.
    Nação, foi uma honra lutar por vocês.
    Obrigado por tudo.

    O jungler Shrimp também abandonará a vitoriosa formação que assombrou o CBLOL no ano de 2018. Conforme mencionado anteriormente, seu contrato expirou e segundo informações do jornalista Chandy Teixeira do eSporTV, não será renovado.
    O jogador ainda não confirmou oficialmente a saída, mas deixou claro em seu Twitter que é um agente livre. Ainda segundo Chandy, ele visa voltar para o cenário da Coreia.

  • A heptocracia e o mundo

    Não há mais retorno: vivemos definitivamente numa heptocracia, que será reforçada quando o Flamengo chegar à octocracia e à eneacracia

    A menos de três dias do Flamengo x River Plate o que vejo pelas ruas, nas casas, esquinas e botequins é o rubro-negrismo tomando conta de tudo.

    Na verdade, enganam-se os que pensam ser isto um reflexo da expectativa pela decisão. Não. A decisão já não mais importa e é esta advertência que venho fazer aqui no Mundo Bola, este site que só me traz orgulho a cada grande momento Flamengo.

    O que venho advertir, principalmente aos não-ungidos (ou seja, àqueles que por um acaso ou desvio não puderam ser Flamengo), é que não há mais retorno: vivemos definitivamente numa heptocracia, que evidentemente só será reforçada quando chegarmos à octocracia e à eneacracia (não me peçam para definir o regime depois da democracia). 

    Em 1989, ano das nossas primeiras eleições diretas para presidente desde a década de 1950 – e após 25 anos de regime – o sociólogo Roberto da Matta deu uma entrevista inesquecível para a Folha de São Paulo fazendo um prognóstico sobre a Seleção Brasileira que disputaria a Copa da Itália ano que vem. Vejam: ali ainda tínhamos a Seleção Brasileira que importava, não isso que vemos agora, comandado por um técnico no mínimo triste (adjetivo que não me renderá processos mas que expressa todo o sentimento). Entre várias declarações fortes, Da Matta afirmava: a conquista da Copa de 1990 trará um período de grande prosperidade para o povo brasileiro. Diante da incerteza do repórter, já que vivíamos um cenário incerto e, como sempre, volátil com as eleições, ele ressaltou que há movimentos do povo brasileiro que independiam de governos ou instituições. 

    Sem saber, Da Matta, ao falar de algo transitório (Seleção Brasileira) acabou abordando com maestria algo definitivo (Flamengo). E todos haverão de reparar: não importa o que façam as três instâncias de governo, é um Brasil diferente este que foi tomado pelo Flamengo de Gabriel e Jesus (e não de Gabriel Jesus, ressalte-se). 

    Há, neste momento, milhares de crianças que estão preocupando pais não-Flamengos. Imaginem os senhores a reação dos pais do pequeno gremista que recebeu a camisa de Gabigol no sensacional vídeo? Como deter? O que vai acontecer com o nosso sistema a um longo prazo? 

    No Ethos Flamengo: Stand by me

    Este tipo de preocupação me aflige porque é muito óbvio que em um período de dez ou 15 anos de dominação o número de pessoas que poderemos sacanear tende a diminuir assustadoramente. Só eu já conheço dois casais com filhos entre quatro e seis anos, casais em que ninguém é Flamengo, e que já vislumbram um pequeno rubro-negro já se insurgindo. Há chance de retrocesso? Sempre há. Talvez se os pais gravarem em DVD todos os jogos do Flamengo de 2005, por exemplo.

    Quer saber? Nem assim. Mesmo na ruindade o Flamengo exibe uma grandeza espiritual que toca o coração dos novos. Uma vitória fora de casa sobre o Paraná com gol de Obina certamente haverá de nos tirar uma lágrima dos olhos daqui a uns 30 anos, se por este mundo ainda estivermos. Assim como o gol de Lê em 1999 permanece sendo um dos nossos top 50 de todos os tempos e assim por diante. 

    Do mesmo jeito que recorri a Da Matta para avaliar as consequências da Heptocracia, recorro agora a Alexis de Tocqueville, autor de “A Democracia na América”, a fim de juntos tentarmos entender o fenômeno e buscar análises do futuro.

    Tocqueville, como sabemos, é uma referência até hoje por ter, no século 19, feito uma abordagem das ambiguidades da democracia a partir das revoluções Francesa e Americana. Embora eu prefira as “Reflexões sobre a Revolução na França” de Edmund Burke, reconheço em Tocqueville um pioneirismo ao perceber que a evolução da democracia também poderia, com facilidade, atingir um estágio de despotismo (e ele ainda não se referia ao socialismo, posto que ele morre na época em que Marx estava publicando suas obras – me corrijam, por favor, se não é verdade).

    No sentido de que a democracia pode, em nome do desejo da maioria, adotar procedimentos que afrontam as liberdades individuais, Tocqueville deu as bases para o que viria no século 20 na Alemanha, por exemplo. E muito mais: em “Democracia na América” ele simplesmente aponta EUA e Rússia como futuros divisores do mundo em um futuro distante (e vejam bem, ele fala isso na metade do século 19). 

    Em sua viagem pelos EUA ele percebeu que a participação dos americanos em partidos e organizações políticas crescia exponencialmente. O francês não pôde deixar de fazer paralelos com sua própria revolução – com a diferença de que a americana era gradual e sem o sangue derramado nas guilhotinas dos jacobinos. Partidos políticos antes dominados pelos donos dos meios de produção eram agora locais onde cada vez mais e mais cidadãos tomavam parte. 

    A grande contradição que Tocqueville via era o fato de que para ele a igualdade de condições era fator sine qua non da democracia – mas esta podia levar a um individualismo e a um “isolamento” dos cidadãos com suas famílias. Este comportamento levaria, segundo o francês, ao esquecimento das tradições e à falta de vínculo com o mundo. 

    Recorro a Tocqueville para que fiquemos alertas quanto às contradições da Heptocracia: é preciso manter o dualismo, e neste ponto, enquanto o francês aponta, nostradamicamente, EUA x Rússia como divisores políticos do mundo conhecido, eu já vejo que a partir de 2019 o mundo que temos será dividido, quase igualmente, entre Flamengo e todo o resto (inclua-se por favor Real Madrid, Barcelona, “meu Chelsea”, Botafogo, Vasco, Fluminense e times da China e Japão neste “todo o resto”).

    O que nos fortalecerá será o mesmo que Tocqueville aponta como antídotos para os venenos homeopáticos gerados pela própria democracia: tradição, tolerância, empatia com o mundo, participação, diálogo, visão do futuro. Neste contexto, a belíssima música inspirada em “Primeiros erros” nos dá o caminho:

    “Em dezembro de 81
    Botou os ingleses na roda
    Três a zero no Liverpool
    Ficou marcado na história”

    Celebramos aqueles que brilhantemente nos trouxeram até aqui, aqueles que compõem um pouco do que somos, aqueles que criaram as regras do cenário que vivemos. Em seguida, definimos um território-base, o distrito, o espaço onde nossa cultura é gerada antes de conquistar todo o mundo: o Rio.

    “E no Rio não tem outro igual
    Só Flamengo é campeão mundial”

    E, finalmente, o mais belo de todos os versos na minha opinião, aquele cântico no qual nos tornamos, tal e qual em oração, um só (dentro do conceito de “religião” significando “religar”, religar uns aos outros)

    “E agora o seu povo/ Pede o mundo de novo”

    O Flamengo tem o seu povo, e ele é composto por todas etnias, crenças, cores, sexualidades, preferências políticas e gostos cinematográficos possíveis. Porque é povo que “pede o mundo de novo”, e faz disso há anos uma súplica quase sebastianista e creio eu que foi exatamente esse período de espera e súplica o que nos levou a essa devoção.

    O povo que pede o mundo de novo viu finalmente a imagem do barco com o rei voltando, no horizonte, quando vencemos – a meu ver inesperadamente, confesso – o Grêmio no domingo.

    Este povo está em festa porque estamos vivendo a heptocracia, estamos comemorando que nos devolveram o que é nosso (o país todo) e agora viveremos sob o reinado dos justos. Que não se deixará cair em tentação por entulhos autoritários ou ideias supostamente emancipadoras mas que trazem em seu bojo uma raiz despótica. É uma democracia parecida com a que viu Alexis de Tocqueville em sua turnê pela América relatada aos franceses: cada vez mais e mais cidadãos ingressando, participando, cobrando, festejando, algo sem paralelo em outro time ou lugar. O francês evidentemente não acompanhou os altos e baixos da democracia americana, suas imperfeições e os pesos e contrapesos das décadas seguintes.

    Mas Tocqueville jamais conheceu, com certeza, a heptocracia. Que me parece ser, neste ponto, uma democracia ainda mais plena e cheia de vitalidade do que aquela vista na América. O mundo ficará mais próspero, muitos pensarão que a causa disso é o provável fim da guerra de impostos entre EUA e China, mas não se enganem: a Heptocracia é o que mudará tudo. E ela já está acontecendo.

    Mesmo assim, Flamengo, por favor: vença sábado. E sábado, chega logo, senão não paro mais de escrever.