Em entrevista ao canal oficial do Flamengo no último sábado (06), o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, assegurou que o Maracanã terá de volta a ”geral”, setor popular do estádio que foi abolido há 15 anos. A ideia é que cadeiras dos degraus inferiores da arquibancada sejam retiradas novamente.
O último jogo com os ”geraldinos” foi em 24 de abril de 2005. Na ocasião, o Fluminense venceu o São Paulo por 2 a 1.
”O Maracanã nessa nova configuração terá de volta a “geralzona”, o geraldino vai estar de volta ao estádio. Já está no projeto de legislação, e quem ganhar vai ter que colocar a geral, pois foi uma proposta que assinei na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Nosso geraldino vai voltar”.
Atualmente, o Maracanã é gerido por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com Flamengo e Fluminense, e em novembro está prevista uma nova licitação, que dará ao vencedor o direito de administrar o estádio pelos próximos 35 anos.
Além do valor, o Flamengo pode explorar outras oportunidades que o patrocínio milionário da Amazon pode trazer
Por Felipe Ribbe – da FRV Sports Inovação e Novas Tecnologias, para o blog Flamengo S/A
A negociação de patrocínio entre Flamengo e Amazon ficou ainda mais em evidência após o final do acordo com o banco BS2. O que tem dominado as discussões, no entanto, são os valores envolvidos, a exposição que a empresa americana teria na camisa e até a possibilidade da compra dos direitos de transmissão dos jogos do futebol profissional, quando o contrato com a Globo se encerrar em 2024. Neste artigo vou além e exploro outras oportunidades que um eventual acordo com a Amazon pode trazer ao Flamengo.
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Conteúdo audiovisual
Começando pelo audiovisual, uma opção óbvia é o licenciamento de conteúdos exclusivos para veiculação no Prime Video. Produções com os bastidores do dia a dia têm sido feitas com vários clubes de diferentes esportes pelo mundo. Inclusive, chegou a ser noticiado que a Amazon teria comprado os direitos para um documentário sobre o Flamengo no Mundial de Clubes, mas até agora nada foi lançado.
Porém, as produções não precisam se limitar a bastidores. Clube e empresa podem muito bem pensar em diversos outros formatos, seguindo o exemplo do que o Barcelona tem feito. O Barça está produzindo uma série de ficção voltada ao público infanto-juvenil passada na La Masia (o CT das categorias de base) e uma série de animação para crianças de 5 a 9 anos de idade com roteiro de Tab Murphy, que já foi indicado ao Oscar.
Por que o Flamengo não pode ter algo nessa linha também? Recentemente, o clube lançou o Flamiguinhos, canal no Youtube para o público infantil, uma iniciativa muito bacana. O Flamiguinhos poderia ganhar uma nova roupagem, com produções mais longas e mais bem elaboradas, por exemplo.
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Ainda na área audiovisual, a Amazon poderia ajudar na criação e administração de uma plataforma de OTT do Flamengo, uma versão turbinada da FlaTV, com conteúdos especiais e jogos ao vivo do time feminino, da base e de diferentes esportes. Esse OTT seria pago e mais uma fonte de receita para o clube, além de ser uma ótima maneira de se obter ainda mais dados dos torcedores. Essa é uma tendência no mundo e o Barcelona, mais uma vez, é referência, pois lançou um OTT próprio no início de junho.
Dados
Já que escrevi sobre dados, talvez essa seja o maior potencial da parceria. Dizem que dados são o petróleo do Século XXI. Então ter acesso a milhões de torcedores e saber mais sobre eles tem um valor muito acima de qualquer quantia que a Amazon possa pagar ao Flamengo. A partir deste conhecimento, a empresa pode transformar esses torcedores em consumidores de todos os produtos e serviços que oferece.
E o clube, por sua vez, também pode (e deve) capitalizar bastante em cima disto, pois, como a Amazon sabe como ninguém trabalhar com estes dados, haveria informações suficientes para aumentar, por exemplo, a venda de produtos oficiais existentes e/ou criar novos produtos de acordo com a demanda.
Claro que as duas partes teriam que trabalhar juntas para desenvolver estes dados, como bem falou o especialista em marketing esportivo Bruno Maia, em uma live com o jornalista Mauro Cézar Pereira: não adianta só chegar e achar que os dados dos torcedores estarão lá, prontos para serem minerados, ou que os torcedores vão por conta própria alimentar essa base. Até porque, apesar de não ter certeza, acho improvável que o Flamengo já faça uma gestão de dados dos seus torcedores. Uma empresa com essa expertise poderia muito bem auxiliar o clube a chegar no estado da arte nesta área e ajudar a criar diversas novas linhas de receita.
Centro de Distribuição da Amazon no Brasil. Foto: Divulgação
E-Commerce
Apesar da atuação em dezenas de setores, o core business da Amazon segue sendo o comércio online. E em 2019 o Brasil entrou de vez no radar da companhia, que inaugurou um centro de distribuição enorme em São Paulo e fechou parceria com diversas empresas de logística.
O Flamengo poderia hospedar sua loja virtual dentro da Amazon ou até deixar o controle das operações de e-commerce nas mãos da empresa, aproveitando-se da capilaridade da sua rede de distribuição em todo o mundo para venda de produtos oficiais. Pode-se falar que ter um intermediário diminui a margem nas vendas, mas se este intermediário ampliar consideravelmente seu mercado talvez valha a pena na conta final.
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Uma outra área é o licenciamento de novos produtos. Nos EUA, a Amazon tem mais de 300 marcas próprias, que produzem todo tipo de mercadoria e vendem na plataforma por um preço menor do que os concorrentes. Não sei se há intenção da empresa de ter marcas privadas no Brasil, pode ser que não faça parte dos planos, mas não deixa de ser uma possibilidade para a parceria com o Flamengo também.
Estatísticas para torcedores e comissões técnicas
A AWS é a maior plataforma de serviços de computação em nuvem do mundo. Há alguns anos trabalha com ligas importantes para capturar estatísticas e tirar delas informações relevantes sobre o que acontece nas partidas.
Em janeiro, a empresa fechou sua primeira parceria no futebol, com a Bundesliga, e tem usado inteligência artificial e machine learning para obter métricas como a probabilidade de sair gol nos próximos 15 minutos de um jogo, a chance de um gol ser marcado a partir de onde um chute foi dado, decifrar posicionamento tático dos times… Estas informações são disponibilizadas aos fãs enquanto assistem às transmissões e aos clubes durante e após as partidas.
A AWS poderia prestar este serviço ao Flamengo também, não só provendo aos torcedores estas informações sensacionais em tempo real durante os jogos (seja por um aplicativo, nas redes sociais ou na plataforma de OTT, que citei acima), mas também abastecendo as comissões técnicas do futebol e de outros esportes com dados que podem ajudar a melhorar o desempenho das equipes e dos jogadores.
Exemplo do trabalho da AWS com a Bundesliga. Foto: Divulgação
Maracanã Inteligente
Por último, é possível pensar na Amazon ajudando a deixar o Maracanã inteligente. A empresa desenvolve muitas tecnologias que deixariam o estádio mais moderno e melhoraria de forma significativa a experiência dos torcedores. Desde 2018, a companhia opera a AmazonGo, uma loja que não possui atendentes; os clientes que têm conta na Amazon entram passando o smartphone numa espécie de catraca eletrônica e são reconhecidos pelo software; uma vez dentro, podem pegar o que quiser nas prateleiras, que um sistema de visão computacional e inteligência artificial reconhece os itens; depois basta sair da loja, que o valor é descontado automaticamente do cartão de crédito vinculado à conta.
Este ano, a Amazon passou a vender este sistema, o “Just Walk Out”, para terceiros. Nos EUA, muitos estádios e ginásios têm experimentado o uso deste tipo de tecnologia — chamada de contactless — para diminuir filas, o que estimula o consumo dos fãs. Isto poderia ser instalado em caráter experimental numa área com menos circulação no Maracanã e, em caso de sucesso, ser ampliado para todos os setores. A loja da Gávea é outro local que poderia adotá-la.
A Amazon também é muito forte em reconhecimento facial. Apesar do foco da empresa nesta área ser maior em segurança (que também se aplica a estádios), esta tecnologia tem sido testada nos EUA para substituir ingressos físicos e digitais em smartphones, o que não só diminuiria consideravelmente as filas de entrada, como eliminaria o problema com cambistas. Ter torcedores entrando no estádio desta maneira também possibilitaria que eles/elas comprassem produtos (cerveja, cachorro quente, camisa oficial…) usando a face, o que pode permitir até que eles/elas não se preocupem em levar carteira ao estádio. E, claro, todos estes serviços, se integrados, geram mais dados e mais dados geram mais chances de se fazer dinheiro. Ou seja, trata-se de um ciclo virtuoso de enorme potencial.
Enfim, estas são apenas algumas possibilidades que uma eventual parceria Flamengo e Amazon pode trazer, muito além do que direitos de transmissão. Não sei se as discussões estão neste nível ou se tratam simplesmente de exposição da marca em camisa. Espero que não, pois seria uma grande oportunidade desperdiçada por ambos.
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Autor anônimo, camisa do Flamengo com impressão da marca Flamengo – retirado de https://mantosdofutebol.com.br/2020/03/amazon-novo-patrocinador-master-flamengo/
Pouco mais de um ano após ser contratado pelo Milan, o meia Lucas Paquetá pode estar de saída do clube rossonero
Pouco mais de um ano após ser contratado pelo Milan, o meia Lucas Paquetá pode estar de saída do clube rossonero. Segundo especulações da imprensa europeia, o jogador revelado pelo Flamengo não ficará na equipe italiana na próxima temporada e já começam a surgir os primeiros rumores sobre os possíveis destinos.
De acordo com o jornal italiano Tuttosport, o meia de 22 anos já recusou uma investida inicial da Fiorentina, também da Itália, o que indica que a preferência do atleta é realmente mudar de ares – no caso atuar em outra grande liga europeia.
Dois clubes aparecem como os principais favoritos: o Benfica, de Portugal, e o Valencia, da Espanha. Se optar pelo clube português, ele deve disputar a Liga dos Campeões do próximo ano, já que os Encarnados estão muito próximos da classificação. Por lá, ele teria a companhia de outros brasileiros, como Gabriel, Jardel, Carlos Vinicius e Pedrinho (meia do Corinthians que já assinou com o clube português para a próxima temporada).
Já o Valencia está fora da zona de classificação para a próxima Champions, mas ainda briga por vaga na Espanha. No entanto, disputar a La Liga seria uma grande oportunidade para evolução técnica do jogador, por ser uma das competições nacionais mais fortes do continente. Ele teria a companhia do também brasileiro Gabriel Paulista.
O jogador brasileiro já teve seu nome especulado no Paris Saint-Germain, mas a alta pedida do Milan à época teria esfriado a negociação com o time de Neymar. Após o término da temporada, no entanto, a equipe francesa pode entrar novamente na briga pelo atleta, que completa 23 anos em agosto.
Jogador está sem espaço no clube italiano
A temporada 2019/2020 certamente deverá ser esquecida por Lucas Paquetá. Na Série A, ele só foi titular em nove oportunidades, uma delas em fevereiro de 2020. Além disso, o meia esteve em campo durante os 90 minutos em somente um jogo. Em 17 partidas, deu apenas uma assistência e não marcou nenhum gol.
Coletivamente, também há pouco de positivo. O time italiano atualmente está longe da disputa do título da Série A, que tem a Juventus como grande favorita nas principais cotações, com odds de 1.4 para 1. Com 36 pontos, o Milan é apenas o sétimo colocado e briga por uma vaga na Liga Europa.
Trajetória no Milan
Paquetá chegou ao Milan em janeiro de 2019, após se destacar nas temporadas anteriores pelo Flamengo. O clube rossonero pagou 35 milhões de euros (cerca de R$ 200 milhões na cotação atual), sendo a segunda maior venda da história do Mengão, ficando atrás apenas de Vinicius Júnior (Real Madrid, 45 milhões de euros).
Com a camisa do Milan consolidou presença na seleção brasileira, tendo sido campeão da Copa América em 2019. Porém ele jamais correspondeu às expectativas dentro de campo pelos rossoneros. Foram 36 partidas e apenas 1 gol marcado desde a sua chegada.
Após a chegada do técnico Stéfano Piolo, o jogador perdeu ainda mais espaço. No começo desse ano a imprensa europeia chegou a apontar um quadro depressivo no jogador por conta da má fase. Surgiu até uma especulação de possível retorno do atleta ao futebol brasileiro. No entanto, o boato foi negado pelo o agente de Paquetá, Eduardo Uram.
“Estamos na Itália diariamente na companhia do Lucas e ele não apresenta quadro depressivo, nem tem motivo para estar em depressão. Ele está acompanhado de sua família, apoiado por todos. Ele está bem, ao contrário do que vem sendo noticiado. Uma volta ao futebol brasileiro está completamente descartada e jamais foi conversado sobre essa possibilidade”, disse o empresário de Paquetá no começo deste ano.
O próprio jogador negou o boato em sua rede social. “Nunca existiu graças a Deus, nenhuma depressão, nenhuma dor no peito, falta de amigos e desejo de voltar ao Brasil no momento! Fizeram de uma pressão, de uma negociação, tudo isso citado acima! Mas gostaria de agradecer a todos que torcem e se importam comigo. Estou bem, irei continuar fazendo o meu máximo, trabalhando sério, em busca dos meus objetivos, para ajudar o Milan sempre!”, disse.
No entanto, a tendência é que sua trajetória no Milan chegue ao fim na próxima temporada, pelo menos de acordo com a imprensa italiana. Basta aguardar qual será o destino da joia rubro-negra.
*Créditos das imagens no post e nas redes sociais: Divulgação / AC Milan
Flamengo e Amazon ainda estão lapidando elementos do contrato para o patrocínio Master, mas queda de valores desagradam.
Depois da tão esperada renovação com o técnico Jorge Jesus, que ficará no clube até 2021, o rubro negro agora atua a todo vapor nos bastidores buscando definições com a gigante americana Amazon.
Segundo O Globo, a negociação segue cautelosa por parte do Marketing e do Jurídico do clube, e não descartam a possibilidade do negócio não se concluir positivamente.
Porém, mesmo com a saída do Banco BS2, existe a confiança de que outras empresas tenham interesse em figurar o manto quando o futebol retornar. Nas mangas e shorts não foram o suficiente para manter o banco entre os patrocinadores, espaço antes do Azeite Royal, que também rescindiu contrato, o qual pagava R$ 3 milhões anuais.
Todavia, a Amazon ainda é vista como a marca ideal para a parceria, visto que o potencial na área do streaming pode gerar novas receitas a médio prazo na área de produção de conteúdo.
mas o Flamengo vem tendo dificuldades em alcançar os R$ 40 milhões pretendidos. Segundo a ESPN, a Amazon sinalizou um valor 30% menor ao que foi conversado antes da pandemia. A diminuição desagradou o clube que vê a empresa como uma exceção no meio crise econômica.
A previsão de orçamento para 2020 em patrocínios era de R$ 108 milhões, mas o clube já afirmou que haverá um reajuste, dado as consequências da pandemia.
O título brasileiro de 1980 completa 40 anos em 2020 e terá sua história contada detalhadamente e em três partes
Por Emmanuel do Valle – do Memória Rubro-Negra e Flamengo Alternativo
No primeiro capítulo da saga rubro-negra rumo ao primeiro título brasileiro, relembramos o histórico do Flamengo em competições nacionais até ali, falamos do interesse crescente de torcedores e dirigentes pelo Brasileirão, relatamos as reformas sofridas pelo torneio dentro do contexto do próprio futebol no país, abordamos as chegadas e partidas no elenco e, por fim, contamos com detalhes a trajetória na primeira fase da Taça de Ouro.
Agora, na segunda parte, a campanha avança pelas duas etapas seguintes, as quais o Flamengo atravessou invicto e colhendo excelentes resultados. Um deles, contra o Palmeiras no Maracanã, valeu como uma inesquecível revanche da derrota no ano anterior. Mais adiante, uma grande vitória sobre o Santos, também num Maracanã com casa cheia, significou a passagem às semifinais. Aquele era, portanto, o momento de afirmação da equipe.
Os adversários na segunda fase
Classificado como o segundo colocado do Grupo C, o Flamengo teria agora pela frente três novos adversários na segunda etapa da competição – a única fase de grupos jogada em turno e returno naquela edição. A chave J tinha dois favoritos destacados, mas também duas outras equipes bastante perigosas e dispostas a surpreender, prontas para fazerem os papões tropeçarem. E quem seriam esses rivais rubro-negros na disputa?
Em ordem alfabética, o primeiro era o Bangu, rival já conhecido do Estadual, mas que apresentava uma novidade para aquele ano de 1980: o retorno de Castor de Andrade a Moça Bonita, após dez anos de ausência, mas desta vez não mais como diretor de futebol do clube e sim como seu “patrono”, custeando com o dinheiro do jogo do bicho uma equipe repleta de nomes experientes, com longa rodagem no futebol carioca e brasileiro.
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No gol, havia Tobias (ex-Corinthians). Na zaga, o “xerife” Moisés, que recentemente passara pelo próprio Flamengo. No meio-campo, os ex-botafoguenses Carlos Roberto e Ademir Vicente, além do sempre matreiro Dé “Aranha”. E na frente, outro ex-rubro-negro, Caio “Cambalhota”, tinha a companha do trombador Luisão, principal goleador da equipe dirigida pelo ex-zagueiro Ananias, campeão carioca pelo Flamengo como jogador em 1963.
O time da Zona Oeste vinha de grande campanha na Taça de Prata, vencendo o grupo que incluía Campo Grande, Volta Redonda, Serrano e quatro paulistas: Ferroviária de Araraquara, Botafogo de Ribeirão Preto, Inter de Limeira e Noroeste de Bauru. Com cinco vitórias, um empate e apenas uma derrota (para a Ferroviária na estreia), o Bangu liderou sua chave e superou o Uberlândia na decisão do acesso com uma goleada de 4 a 0 em Moça Bonita.
O Bangu com Castor de Andrade à frente: um dos adversários do Fla. Foto: Reprodução /Autor desconhecido
Outro adversário, com quem o Flamengo faria os confrontos mais aguardados, era o Palmeiras. O Alviverde mantinha praticamente o mesmo time que eliminara o Fla no Brasileiro anterior antes de cair nas semifinais para o Internacional. A única baixa era o ponta-de-lança Jorge Mendonça, que saíra para o Vasco. Mas sem dramas: o talentoso Jorginho, ponta-direita em 1979, assumia a camisa 10, enquanto o arisco Lúcio (ex-Ponte Preta) agora vestia a 7.
Houve, porém, a mudança no comando do time, forçada pela saída de Telê Santana para assumir o comando da Seleção. Em seu lugar, entrara Sérgio Clérici, ex-jogador revelado pela Portuguesa Santista e que fizera extensa carreira no futebol italiano, dos 19 aos 37 anos, passando por nada menos que sete clubes diferentes. Mas a campanha apenas regular na primeira fase daquele Brasileiro de 1980 já fazia com que o treinador balançasse no cargo.
Por fim, o Santa Cruz era um time com histórico respeitável no Brasileirão. Chegara às semifinais deixando o próprio Flamengo de fora em 1975 e estivera bem próximo de voltar a figurar entre os quatro primeiros em outras duas ocasiões: em 1977, quando perdeu a vaga no saldo de gols para o igualmente surpreendente Operário-MS, e em 1978, quando chegou às quartas de final, mas caiu diante do Internacional, terminando numa ótima quinta colocação.
Na edição de 1980, porém, havia cumprido uma campanha um tanto oscilante na primeira fase. Foi capaz tanto de empatar em casa com dois dos piores times de sua chave – Gama e Maranhão – quanto de vencer o líder Coritiba e arrancar um empate diante do Grêmio, segundo colocado, dentro do Estádio Olímpico, em Porto Alegre. Em suma: um time que complicava contra os fortes, mas ia mal contra os mais fracos. Valia ligar o sinal de alerta.
O elenco trazia alguns nomes experientes, como o goleiro Wendell (ex-Botafogo, Fluminense e Seleção), o vigoroso zagueiro Tecão (ex-São Paulo) e o malicioso centroavante Tadeu Macrini (ex-Operário-MS), somados ao bom armador Betinho e ao goleador ponta-de-lança Baiano. Mas o time logo enfrentaria uma troca no comando na virada da primeira fase para a segunda, com o gaúcho Cláudio Duarte dando lugar a Paulo Emílio, o mesmo de 1975.
E seria exatamente o Santa Cruz o primeiro adversário do Flamengo naquela segunda etapa, no Estádio do Arruda, no Recife, no dia 6 de abril. Uma partida com predomínio das defesas sobre os ataques, até com uma certa rispidez por parte dos pernambucanos (o zagueiro Gaúcho chegou a rasgar a camisa de Tita), e que teve os rubro-negros melhores no primeiro tempo e os tricolores, que chegaram a colocar uma bola na trave, no segundo.
O Fla, no entanto, poderia ter vencido se o árbitro paulista Dulcídio Vanderlei Boschilia não tivesse invalidado uma jogada de Nunes, que recebeu de Zico, encobriu o goleiro Wendell e, após rebote da defesa pernambucana, mandou para as redes. O juiz, no entanto, ignorou a lei da vantagem e preferiu marcar uma falta do arqueiro pernambucano, que havia tocado a bola com a mão fora da área. Apesar dos protestos, o jogo ficou mesmo no 0 a 0.
A grande revanche
A segunda rodada marcava o reencontro de Flamengo e Palmeiras no Maracanã, pouco mais de quatro meses após a goleada alviverde no mesmo local pelo Brasileiro do ano anterior. Agora, em 13 de abril de 1980, o time paulista chegava para o confronto em meio a uma troca de comando: Sérgio Clérici não resistira a uma surpreendente derrota por 3 a 2 para o Bangu dentro do Parque Antártica na estreia da segunda fase e seria demitido.
Para o seu lugar, a diretoria palmeirense apostou em uma lenda do clube. O veterano Oswaldo Brandão, comandante da Academia bicampeã brasileira em 1972 e 1973, voltava para aquela que seria sua última passagem pelo Parque Antártica. Nome com extenso e vencedor currículo no futebol paulista, havia recentemente dirigido a Seleção Brasileira, entre 1975 e 1977, quando foi substituído exatamente por Cláudio Coutinho – de quem era amigo particular.
Tita “se despede” dos torcedores palmeirenses após marcar seu gol. Foto: Reprodução / Youtube
“O líder, o pai, o técnico: Brandão voltou”: assim a Folha de São Paulo mancheteava o retorno do treinador, que – amizade com o comandante rubro-negro à parte – não evitou lançar uma bravata para motivar o ambiente palmeirense: “Se o Coutinho bobear, arrebento com ele lá dentro do Maracanã”. Para isso, contaria com dez dos 11 titulares do time de 1979. A única baixa, como dito, era a de Jorge Mendonça, compensada com a chegada de Lúcio.
No Flamengo, após quatro empates consecutivos (três deles fora de casa), Coutinho começava a viver um período de incertezas, com a imprensa começando a aventar um suposto desgaste entre ele e o elenco. E a vitória enfática dos reservas sobre os titulares num coletivo na semana do jogo fez com que o treinador resolvesse alterar o time, trocando Adílio por Andrade para fortalecer a combatividade no meio-campo. Toninho também voltava após lesão.
Em São Paulo, onde se costumava até mesmo ridicularizar o treinador rubro-negro pelo hábito de ler livros e mais livros sobre táticas, o jogo era tratado como o confronto entre a “experiência” (Brandão) e a “teoria” (Coutinho). Quando a bola rolou, de fato o primeiro tempo foi bastante estudado de parte a parte, com poucas chances de gol. O Flamengo, porém, aproveitou melhor as que teve e foi para o intervalo em vantagem.
Primeiro, aos 13 minutos, Andrade ganhou uma bola estourada com Rosemiro, e ela sobrou para Júlio César na ponta. O camisa 11 parou, olhou para a área e centrou. Gilmar saltou para a defesa, mas não segurou, e Tita rebateu de cabeça para as redes, abrindo a contagem. Depois, aos 33, Júnior fez jogada pela esquerda e sofreu falta do mesmo Rosemiro perto do bico da grande área. A cobrança de Zico foi perfeita, na gaveta de Gilmar: 2 a 0.
O Fla ainda esteve muito perto de fazer o terceiro ainda na etapa inicial, numa bomba de Toninho em cobrança de falta que Gilmar deu rebote, mas nem Zico nem Nunes conseguiram concluir. Mas, se não veio no primeiro tempo, acabou vindo no segundo, em que o time rubro-negro foi verdadeiramente avassalador. Logo aos sete minutos, Zico tabelou com Tita, entrou na área e foi derrubado por Pires. O próprio camisa 10 bateu e converteu.
Com a já confortável vantagem no placar, Zico alegou dores musculares e deixou o jogo aos 12 minutos, substituído pelo ponta-direita Reinaldo (Tita seria deslocado para a ponta-de-lança). Mas nem mesmo isso impediu o Flamengo de buscar – e, no fim das contas, infligir – uma goleada memorável sobre o time paulista, agora cada vez mais refém do bom toque de bola rubro-negro e desmantelado pelos deslocamentos constantes da ofensiva do Fla.
O quarto gol rubro-negro chegou a lembrar o de Carlos Alberto Torres na final da Copa de 1970. Júlio César bateu escanteio rolando a bola para Júnior, que carregou pela intermediária e abriu na diagonal, Nunes fez o corta-luz e então abriu-se um clarão pelo lado esquerdo da defesa palmeirense. Nele apareceu Toninho, chegando como uma locomotiva e enchendo o pé para fuzilar Gilmar. A vingança já estava completa. Mas cabia mais.
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Depois disso, o Fla relaxou e o Palmeiras foi para cima tentando diminuir a goleada. Antes que pudesse fazê-lo, porém, Tita combinou bem com Carpegiani pelo lado direito do ataque e chutou de virada para marcar o quinto gol. Na comemoração, era hora de extravasar: o camisa 7 correu o campo todo e se dirigiu ao setor das arquibancadas onde estavam os cerca de três mil palmeirenses. Com um “tchauzinho” maroto, acenava despedindo-se deles.
O Palmeiras ensaiou uma breve reação. Primeiro quando Marinho calçou César na área e o árbitro marcou pênalti, convertido por Baroninho com um chute forte. E em seguida quando um centro de Lúcio da direita encontrou Mococa nas costas da zaga rubro-negra para finalizar marcando o segundo. Mas não terminaria assim: o Flamengo não daria ao adversário o direito de colocar o ponto final no placar da partida em plena revanche.
E veio então o cruzamento de Reinaldo também da direita, procurando Nunes na segunda trave. O zagueiro Beto Fuscão não alcançou, e o camisa 9 rubro-negro, na pequena área, teve todo o tempo de ajeitar, deixar cair e bater seco, por entre as pernas de Gilmar. Só mesmo um gol assim poderia concluir a deliciosa vingança do Flamengo, um time que ali provava sua verdadeira força. E que permitia ao seu treinador calar a boca da imprensa paulista.
Depois da grande forra, o Flamengo tratou de garantir a classificação antecipada para a próxima etapa, já que faria no Maracanã seus dois jogos seguintes, contra Bangu e Santa Cruz – e venceria ambos por 2 a 1. Contra o primeiro, o personagem do jogo foi o árbitro Wilson Carlos dos Santos, que apitou um pênalti inexistente para cada lado: Zico e o lateral Ademir converteram. O outro gol foi de Nunes, escorando cruzamento de Júlio César.
Já contra o Santa Cruz, em 21 de abril, Andrade comemorou seu aniversário de 23 anos anotando um lindo gol para abrir o placar, num chute da intermediária que entrou no ângulo. No segundo, na etapa final, Júlio César conseguiu impedir a bola de sair pela linha de fundo e cruzou. O goleiro Carlinhos se atrapalhou e jogou para dentro. No fim, os visitantes diminuíram com Tadeu Macrini, num lance em que a defesa rubro-negra parou.
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A confirmação da classificação permitiu a Coutinho poupar Zico, então à beira de um desgaste físico mais sério. O camisa 10 ficaria de fora dos dois últimos jogos daquela etapa, com Tita ocupando sua posição. No domingo, dia 27, o time faria a partida de volta contra o Palmeiras no Morumbi, agora naturalmente com os paulistas ávidos por vingança depois da verdadeira surra sofrida no Maracanã. Mas ficariam apenas na vontade.
Depois de aguentar a pressão do time da casa por cerca de meia hora no primeiro tempo, o Fla saiu na frente com um golaço: Júlio César armou um salseiro na defesa palmeirense e passou de calcanhar para Júnior, que disparava em direção à linha de fundo. O centro do lateral encontrou Tita chegando como um raio na pequena área adversária. E numa cabeçada fulminante, o camisa 10 daquela tarde venceu o goleiro Gilmar e abriu a contagem.
O Palmeiras empatou três minutos depois com Jorginho, recebendo lançamento no meio da defesa. E virou logo no começo do segundo tempo com o futuro rubro-negro Baroninho, soltando uma bomba quase sem ângulo após rebote da defesa. Mas o Fla frustraria a torcida palmeirense a nove minutos do fim: Nunes carregou a defesa, Reinaldo cruzou da direita, Rondinelli escorou de cabeça e Carlos Henrique chutou de virada para empatar.
O ponto conquistado no Morumbi garantiu também a primeira colocação no grupo ainda com uma rodada pela frente. Mas antes de encerrar sua participação naquela etapa, o Fla foi a Belo Horizonte na quarta-feira, 1º de maio, enfrentar e vencer o Atlético no Mineirão por 1 a 0, gol de Tita, num confronto de times mistos, em amistoso comemorativo ao Dia do Trabalhador. Na volta, enfrentaria o Bangu no Maracanã, no dia 4, poupando vários titulares.
Coutinho deu descanso a Andrade, Carpegiani, Zico e Júlio César – os dois últimos se recuperando de problemas físicos – e ainda substituiu Rondinelli no intervalo. Mesmo assim, Tita garantiu a tarde, marcando os três gols (todos no segundo tempo) na vitória de 3 a 0. Primeiro, apanhando o rebote de um chute de Nunes. Depois, com um toque só, após o goleiro Arerê não segurar o cruzamento de Toninho. E por fim, numa cobrança de falta a la Zico.
A terceira fase
Os 16 clubes classificados para a terceira fase seriam novamente divididos em grupos de quatro equipes, mas desta vez se enfrentando em turno único. Era tiro curto: apenas três partidas para cada clube. Ao Flamengo coube reencontrar dois adversários da primeira fase, Santos e Ponte Preta, além da Desportiva, principal surpresa entre os que avançaram, e que fazia a melhor campanha de um clube capixaba na elite nacional em todos os tempos.
Na primeira rodada, em 10 de maio, o Fla recebeu a Desportiva no Maracanã e venceu por 3 a 0 numa tarde em que Zico e Nunes inverteram os papeis. Foram três assistências do centroavante para três gols do camisa 10. Primeiro, num cruzamento da esquerda para a cabeçada do Galinho. Depois, Nunes driblou o goleiro e centrou para Zico dominar no peito e chutar. E o terceiro, no último minuto do jogo, Nunes cruzou e Zico cabeceou meio sem querer.
O Santos bateu a Ponte Preta pelo mesmo placar no outro jogo do grupo, o que deixou o time campineiro dependendo de uma vitória sobre o Flamengo em seu estádio Moisés Lucarelli, na noite de quarta-feira, 14 de maio, para seguir com chances. O Fla, por sua vez, queria pelo menos um empate para enfrentar o Peixe na rodada decisiva ainda em boas condições. E conseguiria o ponto precioso, mas não sem enfrentar um adversário duríssimo.
Empurrada pela torcida, a Ponte foi para cima e abriu a contagem aos 19 minutos da etapa final. Após confusão na área, o volante Humberto apanhou o rebote e chutou forte da marca do pênalti para abrir o placar. Mas o Fla não se deu por vencido e empatou aos 34: Zico arriscou de fora da área, Carlos não segurou e Nunes, oportunista, empurrou para as redes. No fim do jogo, Zico ainda foi atingido na barriga por uma pedra atirada por torcedores.
O empate tirou definitivamente a equipe campineira da briga. Mas, para o Fla, melhor ainda foi o resultado do dia seguinte, quando a Desportiva segurou o 0 a 0 com o Santos dentro de uma Vila Belmiro lotada, permitindo que os rubro-negros jogassem por uma nova igualdade diante do time paulista no domingo, 18 de maio, no Maracanã, por terem mais gols marcados, um dos critérios de desempate. Mas o Flamengo não se conformaria com a vantagem.
Curiosamente, o cenário lembrava muito o da fatídica partida contra o Palmeiras no ano anterior: o Flamengo a um jogo das semifinais do Brasileiro enfrentando um grande clube paulista que contava com uma equipe jovem, talentosa e de vocação ofensiva, diante de um público superior a 100 mil pessoas – desta vez, exatos 110.079 pagantes, que estabeleceram o recorde nacional de renda. Agora, porém, o desfecho seria completamente diferente.
Zico cabeceia para vencer Marolla e abrir o placar contra o Santos. Foto: Reprodução / Autor desconhecido
O jogo contra o Santos fechou com chave de ouro a campanha rubro-negra naquela terceira fase. Os paulistas bem que tentaram assustar nos minutos iniciais, mas o Flamengo logo tomou conta das ações. Fechando os espaços, tinha sob controle os dois meias de criação do adversário (Pita e Rubens Feijão), impedindo que a bola chegasse aos perigosos ponteiros Nílton Batata e João Paulo. E confundia a defesa santista com sua movimentação incessante.
Mesmo em meio à excelente atuação coletiva, foram muitos os destaques individuais. Toninho, um colosso na defesa e no apoio. Júlio César, com seus dribles, um tormento constante para o lado direito da retaguarda santista. Júnior, além de tomar conta de Nílton Batata, juntava-se aos meias como mais um armador. Andrade, protegendo e apoiando com muita classe. E Zico, é claro, o grande construtor da vitória e da classificação.
O placar foi aberto logo aos 13 minutos, depois que o Fla já havia construído uma sucessão de jogadas ofensivas. Carpegiani, outro que esteve soberbo nos 45 minutos em que atuou, recebeu a bola no meio-campo e, de primeira, lançou Nunes, que caía pela ponta-esquerda exatamente como fizera contra a Desportiva. Zico, pelo meio, correu para acompanhar. O cruzamento veio na medida: o camisa 10 cabeceou para baixo, vencendo o goleiro Marolla.
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O arqueiro santista, aliás, revelaria-se a melhor figura de seu time. Depois de já ter espalmado um chute perigoso de Júnior, reapareceu de maneira brilhante aos 19 minutos, defendendo uma cabeçada de Nunes que tinha endereço certo. Pouco depois, Marolla também pegaria outra boa cabeçada, agora de Zico, e assistiria a outros chutes de Andrade e Tita passarem perto de suas traves. Tudo isso ainda no primeiro tempo.
Na volta para a etapa final, Carpegiani deixou o jogo por um desconforto físico e Adílio entrou em seu lugar. O substituto iniciaria a jogada do segundo gol, aos 13 minutos, puxando um contra-ataque e entregando a bola a Zico na intermediária. O Galinho arrancou fazendo fila na defesa santista até ser deslocado pelo zagueiro Neto na área. Pênalti que o próprio Zico bateu no canto, sem chances para Marolla, selando a classificação rubro-negra.
“Nossos jogadores esqueceram a vantagem do empate e chegaram a uma grande vitória. Na minha opinião, foi um show de autoridade técnica em todos os momentos”, declarava satisfeito Cláudio Coutinho nos vestiários. Uma afirmação que encontrava eco até no resignado treinador santista Pepe: “Atuamos contra o melhor time do Brasil no momento. E se o Flamengo continuar jogando dessa maneira, chegará facilmente ao título”.
Sobre Zico, que já chegava a 18 gols no Brasileiro e negociava uma renovação de contrato que elevaria seu salário a um milhão de cruzeiros, o maior do futebol brasileiro na época, Pepe também não economizou elogios: “Naquele lance em que ele pegou a bola no meio de campo e levou até a nossa área, cavando o pênalti e cobrando, ficou comprovado que Zico vale muito mesmo. Tudo que ele pedir tem que se dar, pois está muito bem”.
Assim, o Flamengo confirmou os prognósticos para o Grupo O e ficou em primeiro. Nas chaves M e N, também os clubes apontados como favoritos – Atlético-MG e Internacional – avançaram. Apenas o Grupo P surpreendeu, com a classificação do Coritiba à frente do favorito Corinthians e também de Grêmio e Botafogo. Os paranaenses seriam os próximos adversários do Fla. Mas esse confronto e também a decisão do título serão contados no próximo capítulo.
Na tarde desta sexta-feira (05), o ”Mister” Jorge Jesus assinou contrato de renovação com o Flamengo por mais um ano. O novo compromisso se encerra em junho de 2021. O rubro-negro usou seu canal no YouTube, a FLA TV, para anunciar o acordo com o técnico português.
Confira o vídeo
Ao lado do presidente Rodolfo Landim, do vice de futebol Marcos Braz, e do diretor executivo Bruno Spindel, Jesus foi entrevistado pela repórter do clube Luana Trindade, e falou sobre todos seus momentos no Flamengo, demonstrando objetivo de voltar ao próximo Mundial de Clubes.
O novo salário do treinador português será em torno de 4 milhões de euros anuais, cerca de 2 milhão a menos que o comandante pedia juntamente com seus representantes.
No comando do Fla, Jesus tem 51 jogos, 38 vitórias, 9 empates e apenas quatro derrotas. Além de ter conquistado os seguintes títulos: Brasileiro (2019), Libertadores (2019), Supercopa do Brasil (2020) e Recopa Sul-Americana (2020).
Anúncio no Twitter também ocorreu
Logo em seguida a entrevista no canal do clube, o Flamengo publicou a renovação de contrato no Twitter.
Uma análise sobre a multifuncionalidade: Arão foi o jogador que mais se transformou com Jorge Jesus, e hoje é o motor do Flamengo
Por Téo Benjamin
Willian Arão foi o jogador que mais se transformou com Jorge Jesus. Passou a ser, em um período curto, o motor que faz o jogo do Flamengo funcionar. A peça defensiva que permite que o time siga no ataque o tempo todo. Em 2019, Arão viveu três períodos distintos. Primeiramente, com Abel, jogava ao lado de Cuéllar em um 4-2-3-1, sendo o volante pela direita. Nessa dinâmica, ele subia sempre ao ataque ligado ao lateral (Pará) e ao meia pelo lado (Everton Ribeiro), enquanto Cuéllar ficavam mais preso.
Em segundo lugar, passou a jogar com Jesus junto a Cuéllar em um 4-1-3-2 ou 4-4-2. Aconteceu contra Athletico, Corinthians, Botafogo, Emelec, Grêmio, Vasco e Inter. Contra o Goiás em casa e Emelec fora, Arão começou e foi substituído por Cuéllar, já dando uma dica do que viria a seguir. Em seguida, diante da saída do colombiano, Arão passou a jogar ao lado de Gerson por dentro. Essa formação iniciou sua caminhada na vitória por 3×0 contra o Palmeiras no Maracanã e seguiu invicta até o fim do ano, rumo aos títulos do Brasil e da América.
Com Abel, Abel jogava ao lado de Cuéllar em um 4-2-3-1
Com Jesus, passou a jogar junto com Cuéllar em um 4-1-3-2 ou 4-4-2
Com a saída do colombiano, Arão passou a jogar ao lado de Gerson por dentro
O que os números dizem sobre as diferentes fases de Arão?
Antes de mais nada, ele sempre foi considerado importante. Foi o jogador que mais atuou no ano, com 66 aparições nos incríveis 76 jogos do Flamengo em 2019. Dos dez jogos que não jogou, sete foram ocasiões em que Abel optou por poupar o time quase todo (aliás, como poupava!). Além de entrar em campo muitas vezes, Arão jogava por muito tempo. Só ficou em campo menos de 90 minutos em 12 oportunidades.
O primeiro grande impacto de Jorge Jesus na vida de Arão foi relacionada à produção ofensiva. Com Abel, o volante tinha uma média de 0.12 gols, 0.2 assistências e 1.44 passes-chave por jogo.
Com JJ, 0.05 gols, 0.08 assistências e 0.46 passes-chave. Arão era usado antes como um homem a mais no ataque, apoiando o centroavante. Quando a jogada saía pelo lado esquerdo, ele infiltrava pela direita para virar quase um atacante. Por isso, tinha uma média de participação em gols tão grande para um volante. Quando saía pela direita, ele podia fazer a ultrapassagem por dentro ou por fora em busca do cruzamento. Era a “raquetada do Arão”, que simplesmente desapareceu com Jorge Jesus. Com Abel, 1.1 cruzamento por jogo, todos da mesma região. Com Jesus, apenas 0.35.
Apesar de não participar tanto da fase final do ataque, Arão passou a participar mais do jogo como um todo. Seu número total de ações por jogo aumentou 10%. O número de passes aumentou 15% e o de dribles aumentou 30%! O número de bolas perdidas caiu 30%.
Arão no apoio ofensivo pela direita
Mas certamente a maior mudança foi no seu senso de posicionamento e leitura global do jogo
Arão deixou de ser intenso por correr atrás da bola o tempo todo e passou a ser intenso por estar sempre no lugar certo na hora certa, realizando — e acertando — mais ações no jogo.
“O impacto do Jesus foi muito grande. Eu já tinha jogado como primeiro volante, mas quando ele chegou e começou a me pedir alguns movimentos, foi uma mudança muito grande para mim. Eu não entendia o jogo daquela forma, não entendia as movimentações daquela forma.”
Seu posicionamento, de fato, melhorou muito. Mais bem colocado, passou a entrar em menos bolas divididas. O número total de disputas (pelo chão e por baixo, com bola e sem bola) caiu 14% e a taxa de vitória nesses duelos subiu de 49% para 57,6%! Arão passou a tentar 26% menos desarmes, mas a taxa de acerto subiu de 44% para 56%. O número de bolas soltas recolhidas por ele aumentou 15%
No entanto seu grande trunfo é mesmo nas interceptações. Arão sempre foi bom no quesito, mas se tornou extraordinário. Sob comando de Abel, ele realizava 4.4 interceptações por jogo. Um número já um tanto alto. Já com Jesus, especialmente logo depois da saída de Cuéllar, esse número passou para 5.5. Com um pequeno detalhe: 38% das interceptações de Arão são no campo de ataque.
Se realizava 4.4 interceptações por jogo com Abel, por mais que o número já seja um tanto alto, com Jesus, especialmente depois da saída de Cuéllar, esse número passou para 5.5. Com um pequeno detalhe: 38% das interceptações de Arão são no campo de ataque. O homem virou uma máquina de recuperar a posse já no campo ofensivo quando o Flamengo força o adversário ao chutão! Sempre no lugar certo, na hora certa.
No quesito interceptações, Arão sempre foi bom, mas se tornou extraordinárioArão: sempre no lugar cero e na hora certa!
O time como um todo, é claro, tem mérito
Nesse sentido, o meia disse: “Além do meu posicionamento, tem o posicionamento dos meus companheiros. Não adianta nada eu estar bem posicionado e o cara do meu lado estar mal posicionado. O time vai ter que correr 30 ou 40 metros a mais.”
Colocando em perspectiva… Cuéllar realizava 4.2 interceptações por jogo, sendo 17.9% no campo de ataque.
Lindoso (Inter) = 5.7 interceptações por jogo – 22% no campo de ataque Michel (Grêmio) = 4.4 – 20% Felipe Melo (Palmeiras) = 5.7 – 21% Pituca (Santos) = 3.8 – 28.9%
Leia também: Como Gabigol marca seus gols? Entenda padrões, qualidades e posicionamento do atacante do Flamengo
Gerson realizou 39.4% das interceptações no campo de ataque, mas são só 2.9 por jogo. Sánchez (Santos) chega a 45.3%, mas em 1.9 interceptações por jogo. Arão intercepta tanto quanto um ótimo primeiro volante e o faz no campo de ataque tanto quanto um grande segundo homem. Mesmo que abrindo mão de sua vocação ofensiva, Arão se tornou um volante para ninguém botar defeito. Ele ainda erra, é claro. Mas quem não erra? Arão está em um nível altíssimo para o futebol brasileiro e é bom que se diga: vem errando cada vez menos.
Ele ainda erra, é claro. Mas quem não erra?
Os números são cada vez mais importantes, mas não dão conta de tudo no futebol. Talvez a principal característica de Arão com JJ nem apareça nas estatísticas. Afinal, ele se tornou um jogador multifuncional que ajuda no equilíbrio do time como um todo, principalmente sem a bola. Os “dados de evento” só mostram as ações ao redor da bola.
Quando Arão se posiciona bem, acompanha um adversário no tempo certo ou faz uma boa cobertura pelo lado direito, por exemplo, evitando que o adversário opte por atacar por ali, isso não é mostrado nos dados. Sua mudança de posição foi sutil. A mudança de função, alterando suas movimentações, foi importante. A principal transformação foi na maneira como lê e controla os espaços.
Willian Arão hoje permite que o Flamengo ataque o tempo todo. Assim, se tornou imprescindível.
Complemento: explorando melhor a participação de Arão na saída de bola e na construção do jogo ofensivo do Flamengo
Jorge Jesus gosta de usar a “saída de três” em algumas situações para conseguir superioridade numérica contra o adversário logo na saída de bola. Com isso, Arão recua entre os zagueiros para iniciar o jogo junto com eles e com o goleiro. Com o tempo, ele foi se acostumando e ficando mais confortável nesse posicionamento. Um movimento mal feito de recuo para tomar o lugar de um zagueiro avançando, inclusive, foi a origem do “Tá mal, Arão”, mas esses elementos foram sendo incorporados ao seu jogo de forma natural.
A mudança na sua dinâmica de jogo fica claríssima quando comparamos a região do campo de onde se originavam seus passes com Abel Braga e com Jorge Jesus no comando. Menos passes no ataque, mais passes na defesa e uma enorme participação no meio-campo.
Saída de três: Arão recua entre os zagueiros para iniciar o jogo junto com eles e com o goleiro
Comparação da origem da posição dos passes de Arão sob o comando de Abel e Jesus
Uma opção extremamente confiável para virar o jogo
O primeiro passe para iniciar a jogada é fundamental. No momento em que a bola sai limpa lá de trás, vai desorganizando o adversário e a jogada consegue chegar limpa lá na frente. Mesmo jogando recuado, Arão é fundamental para a fluidez do ataque rubro-negro.
O segredo nessa etapa é paciência. Às vezes, a bola circula de um lado para o outro até encontrar a brecha para avançar. Com isso, a quantidade de passes feitos por Arão por jogo aumentou 15%, mas o percentual de passes para frente caiu de 77% para 73%. Mesmo com um percentual um pouco menor, em números absolutos, Arão dá mais passes para frente com Jesus (39 por jogo) do que dava antes (35.8). O percentual de acerto, que já era muito bom, subiu um pouco, de 89.7% para 91.9%.
Leia também: Um Flamengo que não abdica da sua forma de jogo
Conforme o Flamengo avança e se estabelece no campo de ataque, forçando o adversário a recuar, Arão se desgruda dos zagueiros e passa a ser uma opção de passe pelo meio para girar o jogo. Aí vem a maior diferença nas estatísticas e a principal melhora técnica trazida por Jorge Jesus: o passe longo. Arão fazia 0.7 passes longos por jogo com Abel e passou a fazer 1.2 com Jesus. O mais impressionante: acertava 70% e passou a acertar 93%!!!
Ele virou uma opção extremamente confiável para virar o jogo de um lado para o outro, variando a forma de atacar e tentando pegar os adversários desprevenidos. Com essa nova ferramenta em seu repertório, Arão foi se tornando cada vez mais importante. Por fim, se hoje o seu maior destaque é o controle dos espaços no meio-campo sem a bola, podemos dizer também que com bola o camisa 5 vem se tornando cada vez mais completo. Tá bem demais!
Arão se desgruda dos zagueiros e passa a ser opção
O meia tornou-se opção confiável de mudança de lado para pegar adversários desprevenidos
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Marcelo Cortes / Flamengo
O Flamengo está muito próximo de oficializar a Amazon como nova patrocinadora máster do clube. O contrato deve ter duração de um ano e meio (até o fim do mandato de Rodolfo Landim), e renderá aos cofres do clube cerca de R$ 40 milhões anuais. Segundo o site Globoesporte.com, o compromisso terá gatilhos que permitem renovação após a eleição de 2021. Caso Landim seja reeleito, a possibilidade de estender o contrato é real.
O acordo está em fase final de ajustes, e o vice-presidente de comunicação e marketing, Gustavo Oliveira, deve falar sobre a parceira em reunião no Conselho Diretor, nos próximos dias. Dentro do Flamengo, existe a expectativa de que a negociação se finalize ainda neste final de semana, e seja levado para votação no Conselho Deliberativo a partir do dia 15 de junho.
Avaliada em R$ 1,1 trilhão, a Amazon lidera o posto das empresas mais valiosas do mundo e fará o clube dar um salto significante em suas receitas, já que o banco BS2 pagava ao Mais Querido de forma anual, cerca de R$ 15 milhões (mais variáveis).
Mais do que um símbolo do Gávea, a camisa do Flamengo vem se tornando cada vez mais uma marca genuína do futebol brasileiro.
Estampando Lukas Podolski durante a Copa do Mundo de 2014, e até mesmo presente nas manifestações contra o racismo nos EUA, o uniforme rubro negro já havia alcançado marcas simbólicas desde sua criação, desde a Papagaio de Vintém até as camisas de títulos e campanhas marcantes.
Destaca-se a Era Adidas que iniciou no fim dos anos 70 até 1992, em que o Flamengo conquistou cinco Campeonatos Brasileiros, a primeira Libertadores e o Mundial de 1981. Ou mesmo a Era Nike, de 2000 à 2009, que englobou dois tri Campeonatos Cariocas e uma Copa do Brasil.
De 1912 até 1969 não havia uma empresa oficial que fornecia o material esportivo. A partir de 1970, a camisa do Flamengo passa a ser estampada pela Athleta, que produzia o material de forma artesanal e chegou, inclusive, a fornecer o material da Seleção Brasileira durante 1954 à 1974.
Adidas, Umbro e Nike foram as fornecedoras durante o icônico período da Petrobras (1984-2008) como patrocinador Master do Flamengo, que foi portanto a empresa mais longeva nesse espaço. Olympikus Tube, Ale, Batavo e P&G figuraram o principal lugar no manto durante a Era Olympikus (2009-2012). Com o retorno da Adidas no ano seguinte, Caixa e BS2 foram os principais patrocinadores.
Todavia, com a boa safra de conquistas o Manto passou a figurar em rankings de camisas de beleza e vendagem. Em 2015, o Flamengo já era o maior em vendas de camisas no Brasil, em um levantamento feito pela Netshoes. Em 2017, o jornal inglês Telegraph elegeu a camisa do Flamengo como a 2º mais bonita do mundo. No mesmo ano, o Manto foi a 3º camisa mais vendida na América, segundo a Euromericas Sport Marketing. Foram cerca de 2,037 milhões de camisas vendidas.
Recentemente, a France Football elencou 50 camisas emblemáticas do futebol mundial. A camisa do Flamengo com Zico ocupou a 43ª colocação. A revista destacou como o uniforme campeão nacional, continental e que derrotou o Liverpool sem dificuldades.
Porém, houveram também camisas polêmicas. Por exemplo, o terceiro uniforme da Umbro em 1995, predominantemente azul, e o terceiro uniforme de 2010 com a Olympikus que também trazia as cores azul e amarelo, em referência as cores originais do time de remo
A camisa de 2020, por sua vez, se mostrou um sucesso de vendas. Lançado em fevereiro, logo no primeiro dia alcançou a marca de 15 mil unidades vendidas, mostrando um aumento de 20% em relação ao modelo de 2019.
Em suma, para o futuro, além do provável terceiro uniforme destacando a cor preta, pelo que foi vazado há algumas semanas em uma apresentação, existe a possibilidade da temporada de 2021 ter uniformes em alusão as conquistas de 1981, dado o 40º aniversário daquele ano histórico.
Finalmente um dos pedidos mais frequentes dos fãs do esporte eletrônico foi atendido. O Flamengo eSports, por meio do twitter, revelou que no 2º Split o uniforme utilizado será o icônico Manto Sagrado numero 1, somente com as adaptações de patrocínio e a inclusão do eSports junto ao símbolo no peito.
Até o split passado o Flamengo utilizava uma camisa alternativa como uniforme nos jogos oficiais.
O anúncio veio em meio a sessão de fotos oficiais do 2º Split, que começará no sábado com o clássico contra a PaiN Gaming. O jogo terá transmissão dos canais oficiais da Riot Games e tempo real no twitter do Mundo Bola.