Em abril de 2018, a Assembléia Geral das Nações Unidas declarou o dia 3 de junho como o “Dia Mundial da Bicicleta” . O dia é o resultado da campanha do professor Leszek Sibilski e do apoio do Turcoemenistão e outros 56 países. No futebol, a bicicleta caracteriza-se como um movimento onde o jogador inclina o seu corpo para trás no ar, ao mesmo tempo em que apoia-se com uma das pernas e coloca a outra acima da região da cabeça, com o objetivo desta acertar a bola em um lançamento aéreo, sem que o atleta encoste as costas no chão.
O Mundo Bola mostra, a partir de agora, os últimos cinco gols de bicicleta do Flamengo. Três deles, inclusive, foram marcados em 2019: dois no Campeonato Carioca e um no Campeonato Brasileiro. Após relembrá-los, vote no seu favorito!
1 – De Arrascaeta – Ceará 0 x 3 Flamengo
Sem dúvidas, um dos mais belos gols do Flamengo na temporada passada. O duelo foi válido pelo Campeonato Brasileiro, e em caso de vitória, o Rubro-Negro assumiria a liderança da competição. Dito e feito: 3 a 0 em plena Arena Castelão. Após lançamento de Willian Arão, o lateral Rafinha fez um cruzamento na medida para o meia uruguaio. O resto você já sabe…
2 – Diego Ribas – Flamengo 4 x 0 Cabofriense
Na goleada por 4 a 0 sobre a Cabofriense, pelo Carioca 2019, o segundo gol chamou a atenção: após cruzamento de Willian Arão, o meio-campista Diego Ribas, também sem dominar antes, mandou uma bela bicicleta e ampliou a vantagem do Mengão no duelo.
3 – Henrique Dourado – Resende 1 x 1 Flamengo
Na segunda rodada da Taça Guanabara, o Flamengo empatou com o Resende em 1 a 1. Além de marcar as estreias de Gabigol e De Arrascaeta com o Manto Sagrado, o jogo teve um golaço de Henrique Dourado: após bela jogada entre De Arrascaeta e Trauco, o lateral peruano cruzou na medida para o Ceifador fazer um belo gol de bicicleta.
4 – Leandro Damião – Avaí 1 x 1 Flamengo
Pelo Campeonato Brasileiro 2017, o atacante Leandro Damião aproveitou a dividida pelo alto do zagueiro Juan e marcou um belo gol de bicicleta, garantindo o empate com o Avaí, em Santa Catarina. Em 2011, o mesmo jogador havia feito outro belo gol neste estilo, porém, contra o Flamengo (defendendo o Internacional).
Seria o segundo gol de Damião de bicicleta pelo Flamengo, mas em 2016…
Vale fazer gol 2 vezes? VALE! Damião faz lindo gol de bicicleta, mas o juiz havia marcado pênalti. O camisa 18 bate e converte!1×0! #FLAxGRE
— Flamengo (@Flamengo) August 21, 2016
5 – Nixon – Flamengo 2 x 2 Botafogo
Esse gol é passível de interpretação. Brasileirão 2012. Flamengo 2 x 2 Botafogo. Após cruzamento de Welington Silva, o atacante Nixon marcou ali seu primeiro gol pelos profissionais do Mengão. Uma bicicleta estranha, mas que resultou em gol. Na época, o atleta comentou sobre: “Quando a bola veio, eu pensei: “vou dar bicicleta”. Graças a Deus, a bola entrou”.
Flamengo e o técnico português finalmente chegaram a um acordo após uma longa novela
Na tarde desta terça-feira (02), o Flamengo chegou a um acordo e acertou a renovação de contrato do ”Mister” Jorge Jesus. A negociação foi longa e árdua, com os contatos sendo iniciados no início da temporada, mas só após a paralisação do futebol por conta da pandemia do coronavírus, o acerto foi fechado. O rubro-negro prepara o anúncio oficial.
O novo contrato de Jesus com o Flamengo vai até junho de 2021, com cláusulas que permitem a liberação mediante ofertas de clubes pré-determinados do futebol europeu. O novo salário do treinador português será em torno de 4 milhões de euros anuais, cerca de 2 milhão a menos que o comandante pedia juntamente com seus representantes.
No comando do Fla, Jesus tem 51 jogos, 38 vitórias, 9 empates e apenas quatro derrotas. Além de ter conquistado os seguintes títulos: Brasileiro (2019), Libertadores (2019), Supercopa do Brasil (2020) e Recopa Sul-Americana (2020).
Outros jogadores também se pronunciaram, mas Everton Ribeiro se destacou por desejar atuar mais firmemente na pauta.
O meia capitão do Flamengo usou suas páginas para se posicionar sobre as pautas raciais, e abordou o assunto com o grupo AfroReggae, uma ONG baseada no Rio de Janeiro, que promove ações de cunho social, artístico, educacional da cultura afro-brasileira desde 1993.
Everton diz ter frequentado as favelas do Rio junto a ONG e percebeu que a imensa maioria da população negra ser moradora da região não era uma coincidência, e manteve contato com William Reis, coordenador do AfroReggae. O jogador reconheceu os privilégios de sua cor de pele, bem como a existência do racismo estrutural excludente, que segrega nas universidades e no mercado de trabalho, e que também é fatal para a comunidade negra.
O jogador se dispôs a buscar mais conhecimento para o assunto e a usar sua influência para ceder espaço as pessoas negras nessa luta pela igualdade. Everton relembrou ainda a triste estatística de que um negro morre a cada 23 minutos no Brasil, e finalizou sua publicação citando Angela Davis, importante filósofa americana que se destaca na luta contra a discriminação racial.
A demonstração de empatia de Everton Ribeiro vai de encontro com o silêncio de outros jogadores, como Neymar, que foi cobrado nas redes sociais e chegou a ironizar as críticas de Felipe Neto. Nos EUA, onde os protestos pela morte de George Floyd são diários, vários atletas profissionais também se posicionaram, como Karl-Anthony Towns e LeBron James da NBA.
As redes sociais foram palcos de manifestações do elenco em protesto à morte de George Floyd, em Minnesota.
Gabigol foi o primeiro a se pronunciar em suas páginas, com o hashtag #VidasNegrasImportam. A tag ganhou força na última semana após o assassinato de Floyd por um policial branco em Minneapolis, EUA. Diariamente, várias cidades dos Estados Unidos registram manifestações pelas ruas, pacíficas pela tarde e mais extremadas pela noite.
Vale lembrar que as publicações vêm em uma esteira de críticas por parte da torcida em relação a diretoria com a volta aos treinos e envolvimentos políticos, permeada pela constância de mortes pelo Covid-19. O capitão rubro-negro Everton Ribeiro fez importante manifestação também sobre a questão nesta segunda-feira.
O volante Gerson também fez postagem sobre o assunto, bem como Vitinho, Everton Ribeiro, Lincoln, os goleiros Hugo Souza e Gabriel Batista e Lázaro. O garoto que foi campeão brasileiro sub-17 em 2019, publicou em seu Twitter a seguinte frase:
“A luta não é brancos contra negros, é de todo mundo contra racistas”
O atacante Bruno Henrique foi mais além em suas publicações. O jogador questionou até quando negros serão discriminados e menosprezados, e quando uma pessoa negra poderá sair de casa tranquilamente. No Twitter BH exclamou:
Quero poder criar o meu filho num mundo em que de fato a vida dele tenha valor.
“Não finja que não existe um problema no mundo. Não dê as costas ao racismo. Não aceite que vidas inocentes sejam tiradas de nós. Não dê mais desculpas”#VidasNegrasImportam ✊??
No Brasil, além da tensão política já decorrente, o último domingo marcou protestos mais tensos. No Rio, o Movimento de Favelas do Rio de Janeiro no mesmo dia realizou um ato, em decorrência da morte do jovem negro João Pedro, assassinado durante uma operação policial.
O título brasileiro de 1980 completa 40 anos em 2020 e terá sua história contada detalhadamente e em três partes
Por Emmanuel do Valle – do Memória Rubro-Negra e Flamengo Alternativo
Primeiro grande título nacional do Flamengo, o Campeonato Brasileiro de 1980 – conquistado em final épica diante do Atlético-MG no Maracanã e que serviu de pontapé inicial para as conquistas da América e do mundo no ano seguinte – completa 40 anos em 2020 e terá sua história contada aqui detalhadamente e em três partes.
Neste primeiro capítulo, traçaremos um panorama histórico do Flamengo nos torneios nacionais anteriores a 1980, contextualizando com o momento vivido pelo clube em cada época e expondo motivos pelos quais ele ainda não havia sentido o gostinho de uma conquista nacional. E também rememoraremos as mudanças vividas pelo Fla e pelo próprio futebol brasileiro naquela virada dos anos 1970 para os 1980, além da campanha na primeira fase.
O Flamengo e os torneios nacionais
Os anos 1960 não foram um período particularmente feliz para o Flamengo. À medida em que os esquadrões memoráveis como os dos dois primeiros tricampeonatos cariocas faziam cada vez mais parte do passado, o clube mergulhava em dificuldades financeiras e, salvo alguns poucos jogadores que marcariam época mesmo naquele período de vacas magras, era forçado a levar a campo times muito mais aguerridos e aplicados do que técnicos.
Foi nessa mesma época que o futebol brasileiro viu nascer os primeiros torneios nacionais, como a Taça Brasil (disputada entre 1959 e 1968), competição entre campeões estaduais, e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, criado em 1967 como uma ampliação do antigo Torneio Rio-São Paulo (o qual o Flamengo havia conquistado em 1961) e realizado até 1970. Diante disso, pelos motivos já citados, o clube teve poucos momentos de brilho nos dois campeonatos.
Do primeiro só participou uma vez, em 1964, na condição de campeão carioca do ano anterior. Entrou já nas semifinais, em que venceu os dois jogos contra o Ceará, antes de ser superado pelo hegemônico Santos de Pelé com uma derrota por 4 a 1 em noite chuvosa no Pacaembu e um empate sem gols no Maracanã, diante de 52 mil torcedores, pouco mais de um terço do público do Fla-Flu do returno do Carioca daquele ano jogado dois meses antes.
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Teria disputado outra vez a Taça Brasil em 1966, pelo mesmo critério da participação anterior. Mas no começo daquele ano de 1965, a Federação Carioca de Futebol decidiu passar a apontar como seu representante na competição o vencedor da Taça Guanabara, um torneio à parte do campeonato principal a ser instituído naquela temporada, em meio às comemorações do quarto centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro.
O Torneio Roberto Gomes Pedrosa, por sua vez, pegou o Flamengo vivenciando o pior momento daquele período já ruim, bem no meio do jejum de sete anos sem títulos cariocas – o segundo maior da história do clube – entre 1965 e 1972. Com três campanhas fracas nas primeiras edições, a exceção seria 1970, quando o time surpreendeu ao brigar até o fim pela vaga no quadrangular final, perdida no saldo de gols. Acabaria em quinto lugar.
A partir de 1971, ao longo daquela década, o clube começaria a oscilar boas e más campanhas, algumas vezes batendo na trave para figurar entre os finalistas. Em 1974, por exemplo, havia feito a segunda melhor campanha geral na primeira fase entre os 40 participantes, ficando só atrás do Grêmio. Mas na etapa seguinte, com o time mutilado por lesões, entre elas a da revelação Zico, ficaria de novo pelo caminho antes de chegar ao quadrangular decisivo.
Em 1975, a campanha foi mais irregular nas primeiras etapas, mas o time parecia ter crescido na hora certa, às vésperas das semifinais. Vinha de um excelente empate diante do futuro campeão Internacional dentro do Beira-Rio quando pegaria, na última rodada, um surpreendente Santa Cruz, também brigando pela vaga. No Maracanã, o Flamengo jogava pelo empate, mas o Tricolor de Luís Fumanchu, Givanildo e Ramon se superou e venceu por 3 a 1.
No ano seguinte, outra vez a excelente campanha acabou se perdendo em meio ao regulamento da competição e a derrotas fora de hora. O time foi o segundo que mais somou pontos ao longo do certame, atrás apenas de um irretocável Internacional (que levantaria o bicampeonato) e à frente dos outros três semifinalistas (Corinthians, Fluminense e Atlético-MG). Mas acabou mais uma vez em quinto, eliminado na terceira etapa pelo saldo de gols.
Zico marca contra o Grêmio pelo Brasileiro de 1976: mesmo com a goleada de 5 a 1 sobre os gaúchos, o Flamengo ficou de fora das semifinais
Entretanto, aquelas eliminações não chegaram exatamente a tirar o sono dos rubro-negros. Na época, entre os torcedores do Rio de Janeiro, o Campeonato Carioca ainda era aquele visto com mais carinho, não só entre os flamenguistas – e mesmo tendo em vista as conquistas nacionais de Botafogo (Taça Brasil de 1968), Fluminense (Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1970) e Vasco (Brasileirão de 1974). Alguns números demonstravam isso.
Tanto em 1974 quanto em 1976, mesmo com as boas campanhas do Flamengo, o Campeonato Brasileiro registrou médias de público inferiores às do certame carioca. No primeiro ano, foram 11.601 torcedores em média os que assistiram aos jogos do torneio nacional, enquanto 15.012 viram, também em média, as partidas do estadual. Já em 1976, mesmo com a presença de público subindo para a média de 17.010 no Brasileiro, a do Carioca saltou até 19.070.
Mesmo os clássicos disputados pelo Brasileirão na maioria das vezes não alcançavam os mesmos fantásticos números registrados pelas bilheterias do Maracanã no Carioca. Naquele mesmo ano de 1976 em que Flamengo e Vasco estabeleceram o público recorde da história do clássico num jogo rotineiro de Taça Guanabara (mais de 174 mil pagantes), os dois levaram pouco mais de 52 mil num jogo pela reta final do Brasileiro, com ambos podendo ir às semifinais.
Por vezes, o que prejudicava a campanha do Flamengo e diminuía o interesse do torcedor pela competição nacional era o desequilíbrio das tabelas. Não foram poucas as vezes em que, desde os tempos do Robertão, o clube teve de fazer um número absurdamente maior de partidas como visitante, atuando em bem menos ocasiões no Rio (leia-se Maracanã). Era como se, para o clube, o campeonato nacional fosse uma espécie de excursão valendo pontos.
Na fase de classificação do Brasileirão de 1972, o Flamengo fez 21 partidas contra equipes de outros estados. Destas, em apenas cinco foi o mandante. No ano seguinte, a distorção voltou a acontecer: dos 17 jogos contra clubes de fora do Rio na primeira fase da competição, o time fez apenas quatro no Maracanã. Pulava de Goiânia para Recife, de Aracaju para Belo Horizonte, de Vitória para Belém. Tudo em intervalos muito curtos.
Tendo de cumprir essa estafante rotina de viagens, estabelecida pela antiga CBD no intuito de aumentar a arrecadação do torneio – ou seja, fazer cortesia com o chapéu rubro-negro, o que só reforçava a imagem do Fla (e sua torcida nacional) como trem pagador do futebol brasileiro –, o time não poderia mesmo chegar muito longe. Era natural que, sem o devido preparo para a maratona, perdesse peças (e pontos) importantes pelo caminho.
Além de tudo, o Campeonato Carioca (e os estaduais em geral) ocupava a maior parte, cerca de dois terços (às vezes mais), do calendário do futebol. Eram as suas disputas que priorizavam a atenção dos torcedores do Rio. E foi pela perda da chance de decidir um título carioca – o de 1977, contra o Vasco – que o Flamengo enfim decidiu mudar tudo, no episódio que entrou para a história rubro-negra como o Pacto do Barril.
Acordando para o Brasileiro
O grande incômodo, a sensação de que realmente pegava mal um clube do tamanho, do peso e da representatividade do Flamengo não ter um título nacional, só começou a bater pelos lados da Gávea no fim dos anos 1970. E, por mais contraditório que possa parecer, reconquista da hegemonia estadual, com o tricampeonato levantado em 1979, acabou servindo também para abrir a cabeça do clube no âmbito nacional.
Foi como subir um degrau de cada vez. Se o gol histórico de Rondinelli de cabeça contra o Vasco em 1978 encerrava traumas regionais recentes e, sobretudo, simbolizava enfim a afirmação da talentosa geração liderada por Zico, e se os outros dois campeonatos estaduais vencidos na longuíssima e confusa temporada de 1979 colocavam o clube como o dono do pedaço no Rio, a ordem agora era enfim ser campeão do Brasil.
Haveria, porém, um obstáculo. No mastodôntico Brasileirão de 1979, que contou com 94 clubes, o Flamengo (assim como algumas outras equipes do Rio e de São Paulo) entrou na segunda fase, ficando em primeiro no seu grupo que incluía Grêmio, Bahia, Santa Cruz, Náutico, Londrina, XV de Piracicaba e Gama. Na etapa seguinte, teria pela frente o Palmeiras (que só estreara naquela fase), o São Bento de Sorocaba e o Comercial de Ribeirão Preto.
Nas duas primeiras rodadas, deu a lógica: os dois favoritos do grupo venceram os adversários interioranos. Mas só o Flamengo atuou fora de casa, enfrentando clima de guerra em Ribeirão Preto para vencer o Comercial por 2 a 0. Para o confronto decisivo da última rodada, o Palmeiras dirigido por Telê Santana tinha a vantagem do empate pelo saldo de gols. No Flamengo, haveria o desfalque de Rondinelli, mas todos confiavam na classificação.
Significativamente, era a primeira vez que o Fla levava mais de 100 mil pessoas ao Maracanã em um jogo de Campeonato Brasileiro contra uma equipe de fora do Rio. Só que o Palmeiras abriu o placar aos 11 minutos, com Jorge Mendonça livre na pequena área para escorar um cruzamento de César. O Flamengo foi para o intervalo perdendo, mas conseguiu um pênalti no início da etapa final e Zico bateu com categoria para empatar. Era a senha para a virada.
Só que ela não aconteceu. O time se mandou todo para o ataque, já que só a vitória o levaria às semifinais, e deixou enormes espaços às costas da defesa aproveitados pelo time do Palmeiras. Baroninho bateu falta e Carlos Alberto Seixas cabeceou para colocar os paulistas outra vez na frente. Pedrinho marcou o terceiro em nova jogada de Baroninho. E, no último minuto, em outra jogada de Baroninho, o volante Zé Mário fechou a goleada.
A derrota em casa se tornou ainda mais vexatória graças ao papelão protagonizado por Beijoca, centroavante contratado do Bahia para o Brasileiro e que entrara naquele jogo no lugar de Adílio, mas só seria notado ao agredir o volante Mococa e o ponta Baroninho, sendo merecidamente expulso de campo. O esquentado atacante baiano vestiria ali a camisa rubro-negra pela última vez, prenunciando outras mudanças no elenco para 1980.
Novos ventos
Naquela virada de ano, aliás, muitas coisas mudariam no futebol brasileiro. Até a própria entidade que tinha o papel de organizá-lo. Em 23 de novembro de 1979 foi criada a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sucessora da CBD, extinta em setembro. Imediatamente após seu surgimento, a CBF teve seu primeiro presidente eleito, o industrial carioca Giulite Coutinho, ex-presidente do America, e que prometia reformular o torneio nacional.
A primeira medida empreendida seria a transferência do torneio para o primeiro semestre do ano, começando no fim de fevereiro e se estendendo até o início de junho. Outra novidade, mais importante, foi a cisão da competição em Taça de Ouro e Taça de Prata, equivalentes ao que se chamaria de primeira e segunda divisão, respectivamente. E o número de participantes passou a ser mais controlado, quase fixo, bem diferente dos anos anteriores.
Depois da competição inchada em 1979 (e que, além disso, também não contou com muitos dos clubes paulistas, que abriram mão de disputa-la), agora apenas 40 – nomeadas obedecendo a critérios técnicos, limando a politicagem que marcou os torneios dos anos 1970 – iniciariam a disputa da Taça de Ouro, com quatro equipes vindas da Taça de Prata (que teria 64 participantes) subindo para disputar o torneio de elite a partir da segunda fase.
Nos exatos 76 dias compreendidos entre 9 de dezembro de 1979, quando da eliminação diante do Palmeiras, e 24 de fevereiro de 1980, data de sua estreia no Campeonato Brasileiro seguinte, o Flamengo também sofreu pequenas revoluções. Não foram muitas as peças que deixaram o elenco: além do já citado Beijoca, que retornou ao Bahia, o zagueiro Boca, que fez alguns jogos pelo Brasileiro, foi devolvido à Francana-SP, seu clube de origem.
Para reforçar a zaga, ponto mais criticado na derrota para o Palmeiras, o Flamengo contratou do Londrina um jogador que havia impressionado ao atuar contra o time no jogo pelo Brasileiro disputado no Estádio do Café. Marinho, perto de completar 25 anos, com passagem rápida pelo São Paulo em 1977, boa estatura e impulsão, destacava-se também pela velocidade na cobertura e recuperação. Chegava para ser o titular do setor, ao lado de Rondinelli.
Outro que chegava era o lateral-direito Carlos Alberto, do Joinville, marcador seguro e apoiador eficiente. Vinha para suprir uma possível lacuna no setor depois de o Internacional quase tirar Toninho Baiano e, mais tarde, o jovem Leandro da Gávea. Outras apostas de custo reduzido eram o meia Aderson, do Remo, e o centroavante Gérson Lopes, do Operário-MT, 20 anos, franzino, mas promissor. E que seria o pivô de um conflito que agitaria a Gávea.
Num amistoso em Cuiabá, o Fla venceu o Mixto por 7 a 1, e o garoto jogou de início, marcando três gols. Cláudio Adão, o titular, ficou no banco e entrou no fim do jogo. Como também ficaria no amistoso seguinte, contra o Atlético-MG no Mineirão, antes de um problema muscular cortá-lo da delegação. Insatisfeito por pensar que de novo seria preterido no time, como chegara a ser em 1979 por Luizinho das Arábias, Adão botou a boca no mundo.
O centroavante exigia um lugar no time, sob a alegação de que era o segundo artilheiro da equipe (atrás apenas, naturalmente, de Zico). Ou então que o vendessem. No fim das contas, sua atitude se revelaria um exagero. Primeiro porque Gérson Lopes, ainda muito imaturo, acabaria sequer participando da campanha no Brasileiro (assim como Aderson). Sua carreira com a camisa rubro-negra se resumiria a aqueles amistosos de pré-temporada de 1980.
Segundo porque Cláudio Coutinho havia sido justamente o técnico que pedira sua contratação ao Flamengo em 1977, quando quase ninguém acreditava que Adão voltaria a jogar futebol após uma gravíssima fratura na perna, sofrida ainda quando defendia o Santos e que o afastara dos gramados por mais de um ano. A pouco mais de uma semana da estreia no Brasileiro, o treinador tinha agora um novo problema, o da camisa 9, para solucionar.
O próprio Coutinho, aliás, não deixava de representar uma novidade. No início de fevereiro, ele deixara o comando da Seleção, trocado por Telê Santana, precisamente o técnico do Palmeiras que eliminara o Flamengo no Brasileiro. O que significava estar livre para enfim se dedicar em tempo integral ao clube e, sobretudo, não ter mais de conviver com as críticas – vindas em especial da imprensa paulista – à sua maneira de comandar o escrete.
Tita (o camisa 9 do “losango móvel”) e Júnior combatem contra o Santos.
Para suprir a ausência de Adão – que, após ser afastado, acabaria negociado com o Botafogo já com o Brasileiro em andamento – o treinador teve de improvisar um novo sistema, com Tita a princípio escalado no centro do ataque, mas formando o vértice mais avançado de um certo “losango móvel” também composto por Andrade, Carpegiani e Zico, que girava o tempo todo, tendo ainda Adílio aberto pelo lado esquerdo como falso ponta.
Enquanto isso, lá atrás sob as traves, Raul – que esteve quase certo de ser vendido ao Grêmio – ganhava uma nova chance entre os titulares depois de ter atuado em apenas sete das 82 partidas disputadas pela equipe ao longo de 1979. Uma lesão de Cantarele fez com que o veterano goleiro fosse novamente escalado nos amistosos, saindo-se muito bem, em especial num empate em 0 a 0 diante do São Paulo no Morumbi, no qual fechou o gol.
A Taça de Ouro
Além de Raul vestindo a camisa 1, o Flamengo iniciaria sua campanha nacional com Carlos Alberto na lateral-direita (Toninho retornaria na quarta rodada), Rondinelli e Marinho no miolo de zaga e Júnior na lateral-esquerda. No meio, Andrade, Carpegiani e Zico, tendo Reinaldo (ex-America) pela ponta-direita e Adílio (depois Carlos Henrique, ponteiro veloz trazido da Desportiva em 1979) na esquerda. Por fim, Tita de centroavante, dentro do “losango móvel”.
A etapa inicial da Taça de Ouro trazia os 40 participantes divididos em quatro grupos de dez, enfrentando-se dentro das chaves em turno único. O Flamengo ficou no Grupo C e teria pela frente logo de cara nada menos que o Internacional de Falcão, Batista, Mário Sérgio e um novato chamado Mauro Galvão. Era o atual detentor do título nacional, conquistado de maneira invicta derrotando duas vezes o Vasco na decisão em dezembro de 1979.
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O outro grande do grupo era o Santos, que mantinha a base dos “Meninos da Vila” originais, com o goleiro Marola (da Seleção Brasileira de Novos), um meio-campo talentoso com Gilberto Costa, Rubens Feijão e Pita, além dos velozes ponteiros Nilton Batata e João Paulo. A quarta força era a perigosa Ponte Preta, vinda de seu segundo vice-campeonato paulista em três anos e recheada de nomes de alto nível, como o goleiro Carlos, da Seleção principal.
Completavam o grupo a boa equipe do Náutico, o truculento São Paulo de Rio Grande (RS), o Botafogo da Paraíba (indicado como vencedor do estadual de 1978, uma vez que o de 1979 ainda não tinha se encerrado – e só terminaria em junho de 1980, após o Brasileiro) mais outros três campeões estaduais: o Ferroviário do Ceará, o Itabaiana (que conquistara o bi sergipano mais tarde estendido ao penta) e o Mixto (iniciando um tetra mato-grossense).
Logo de saída, o Flamengo teria de enfrentar os dois principais adversários, a começar pelo Santos no Morumbi. Na época, Zico era com frequência menosprezado pela imprensa paulista, tratado como “jogador de Maracanã”, incapaz de decidir jogos atuando longe do Rio, e hostilizado pelo público quando vinha jogar em São Paulo, até mesmo pela Seleção. Mas o camisa 10 rubro-negro trataria de silenciar os críticos e a torcida adversária.
Naquela tarde de 24 de fevereiro, mesmo enfrentando dura marcação do lateral santista Nelson (o futuro técnico Nelsinho Baptista, que passaria sem brilho pelo Fla em 2003), ele anotaria o gol da vitória aos 25 minutos da etapa inicial, após grande jogada do ponteiro-direito Reinaldo, que ganhou disputa de bola com João Paulo na lateral, avançou em velocidade, driblou o zagueiro Neto e fez o ótimo passe para Zico tirar do alcance de Marola.
O Galinho voltaria a decidir o confronto seguinte, diante de um Internacional que surpreendeu negativamente por exibir um antijogo pouco afeito à grande qualidade de talento que reunia. Aos 11 minutos da etapa final, Andrade recebeu de Reinaldo e fez assistência maravilhosa para Zico, a bola passando quase como pelo buraco de uma agulha. E o camisa 10 da Gávea chutou alto, vencendo o goleiro Gasperin e selando a segunda vitória rubro-negra.
Após derrubar os principais adversários, parecia que o Flamengo caminharia tranquilo rumo a uma campanha perfeita que lhe daria o primeiro lugar da chave, certo? Errado. Aquele era um grupo traiçoeiro, e o próprio Inter já havia sido vítima de uma zebraça logo na estreia, batido pelo Itabaiana em pleno Beira Rio por 2 a 1. O time sergipano perderia logo em seguida para o Botafogo-PB, que também venceria o Náutico em Recife.
O Belo seria o próximo adversário do Fla no Maracanã e assumiria o status de grande “fantasma” do grupo: saiu na frente com gol de Soares no começo do segundo tempo, sofreu o empate dos rubro-negros – em atuação confusa e desastrosa – com gol de Tita, mas logo voltaria a balançar as redes com Zé Eduardo. Uma cabeçada de Rondinelli ainda acertou a trave, mas os visitantes foram sempre melhores e mereceram a vitória por 2 a 1.
O resultado derrubou milhares de apostadores da Loteria Esportiva e levou os rubro-negros a repensarem seu esquema ofensivo, considerado pouco efetivo. Tita não rendia como “falso 9”. Com Cláudio Adão descartado, era preciso trazer outro centroavante de ofício, um goleador nato. O clube já tinha um nome bombástico em mente: Roberto Dinamite, que em janeiro trocara o Vasco pelo Barcelona, mas não vinha agradando na Catalunha.
Percebendo a oportunidade, mesmo com o caixa baixo, o presidente rubro-negro Márcio Braga embarcou para a Espanha para tentar negociar – até porque os catalães também não estavam nadando em dinheiro, ainda deviam parte do pagamento ao Vasco e, diante disso, não fariam jogo duro para liberar o atacante, que aceitou vir para a Gávea. Quando a notícia chegou ao Rio, a perspectiva da dupla Zico-Dinamite no Flamengo acendeu a torcida.
Enquanto isso, o time se reabilitava no campeonato. Venceu o Mixto em Cuiabá (2 a 0, gols de Carlos Henrique e Zico) e o Ferroviário no Maracanã (2 a 1, dois de Zico). Em Recife, diante do Náutico, dominou a etapa inicial e marcou com Toninho. Zico saiu no intervalo, Tita ampliou a contagem no segundo tempo, mas os pernambucanos cresceram no jogo e empataram a quatro minutos do fim. Só mesmo a atuação magistral de Raul impediu a virada.
No dia 20 de março, o time recebeu o Itabaiana e não teve problemas para disparar uma goleada de 5 a 0. Só no primeiro tempo, Zico já havia marcado três. Tita ampliou com um chute da entrada da área no começo da etapa final. E o Galinho ainda teve tempo de anotar seu quarto, que o levava à artilharia temporária da competição, com nove gols em sete jogos. E o Flamengo, já classificado para a segunda fase, alcançava a liderança da chave.
A partida seguinte, o empate sem gols contra o São Paulo de Rio Grande no Estádio Aldo Dapuzzo, foi uma verdadeira caçada dos defensores da equipe local aos jogadores rubro-negros, em especial a Zico, que apanhou demais, a ponto de declarar ao fim do jogo: “Vai chegar o dia em que eu não vou aguentar mais. Aí terei que quebrar a perna de alguém para acabar com essa violência. É assim, tem gente que só entende a lei da selva”.
O time gaúcho até demonstrou ímpeto ofensivo no início da partida, mas aos poucos a defesa rubro-negra, muito segura, foi se assenhorando do jogo. Raul, sempre muito calmo. Júnior, ótimo na defesa e no apoio. Andrade, perfeito na proteção à zaga. Zico, uma preocupação constante para os adversários. E Tita, movimentando-se muito e criando ótimas opções de jogada. O gol da vitória não saiu, mas a atuação do Flamengo foi consistente.
Um novo goleador
O que acabou não dando certo foi a negociação para trazer Roberto Dinamite. Desesperados com a possibilidade de ver seu maior ídolo de então seguir para o arquirrival, os dirigentes vascaínos trataram de atravessar a negociação: com o pretexto da dívida que o Barcelona ainda tinha com o clube, acertaram a devolução de Roberto e a rescisão do contrato, com os catalães indenizando o Vasco pelo valor desembolsado até ali.
O Flamengo, porém, não deixou de se reforçar. Se o atacante contratado pode ser chamado de “plano B”, então foi um dos melhores do tipo que se tem notícia. Surgido na base rubro-negra como Joãozinho, ponta-direita, mudou de nome e posição ao ser levado ao Confiança. De lá, foi para o Santa Cruz, onde explodiu e chegou à Seleção com o próprio Coutinho. Vendido caro ao Fluminense, seguiu então para o México antes de voltar à Gávea. Era Nunes.
“Vim para ficar. Comecei aqui, e minha meta sempre foi voltar para o Flamengo. Se tiver que retornar ao México, abandono o futebol. Mas tenho certeza de que isso não acontecerá. Confio no meu futebol”, declarou o atacante na véspera da estreia, contra a Ponte Preta no Maracanã, pela última rodada da primeira fase. Trazido do Monterrey por empréstimo, Nunes desejava retribuir as expectativas da torcida com muitos gols. E não decepcionaria.
Mesmo já classificados, Flamengo e Ponte Preta fizeram bom jogo naquela noite de 30 de março, com quatro gols e algumas belas jogadas, como a finalização de Zico na trave, num rebote de Carlos, e as boas intervenções dos dois goleiros. O Fla saiu na frente aos 18 minutos, quando Zico lançou Tita, que desceu pela direita na diagonal e fez um passe espetacular para Nunes, nas costas da defesa. O novo dono da 9 chutou forte e correu para o abraço.
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A Ponte empatou pouco depois em cabeçada de Serginho. Mas no segundo tempo, sob chuva, Nunes voltaria a se destacar: em ótima jogada individual, passou por vários defensores antes de entregar na medida para o chute de Zico. Carlos nem se mexeu: Fla 2 a 1. O zagueiro Juninho ainda salvaria cabeçada do Galinho em cima da linha e, aos 38, Odirlei tornaria a empatar. Porém, diante de mais de 75 mil torcedores, a estreia de Nunes foi animadora.
O empate fez com que o Flamengo terminasse na segunda colocação do grupo, atrás do Santos. Mas a campanha, a quarta melhor entre todos os 40 clubes da primeira fase, era consistente: cinco vitórias, três empates e apenas uma derrota, 16 gols marcados e sete sofridos. Também se classificaram naquela chave, pela ordem, o surpreendente Botafogo-PB (em terceiro lugar), Internacional, Ponte Preta, Ferroviário do Ceará e Náutico.
E o time se ajeitava: Raul seguia em grande forma no gol; a nova zaga se entrosava; Júnior fazia partidas cada vez mais exuberantes; Zico já despontava como o artilheiro, com 10 gols, ao lado do gremista Baltazar; Tita era deslocado para a direita do ataque, deixando o ponta autêntico Reinaldo no banco; Nunes estreara de maneira empolgante; e Júlio César, o “Uri Geller”, recuperava seu melhor futebol entrando no time no lugar de Carlos Henrique.
Na segunda fase, os 28 clubes classificados da etapa anterior da Taça de Ouro se juntavam aos quatro promovidos da Taça de Prata (América de São José do Rio Preto-SP, Americano, Bangu e Sport) e eram novamente distribuídos em grupos, agora em oito chaves com quatro equipes cada enfrentando-se em turno e returno. Ao fim das seis rodadas, os dois melhores colocados de cada uma delas avançariam para a terceira fase de grupos.
A chave do Flamengo na segunda etapa teria, portanto, o já citado Bangu, vindo da Taça de Prata; o Santa Cruz, quinto colocado no Grupo D; e o Palmeiras, terceiro colocado no Grupo B, criando imediatamente a expectativa para o reencontro entre rubro-negros e alviverdes, apenas quatro meses após o triunfo dos paulistas no Maracanã no fim do ano anterior. Mas essa história será contada na segunda parte do especial
Até lá! SRN!
*Créditos das imagens no post e nas redes sociais: Reprodução
O quarto capítulo da série Biografia Rubro-Negra avança pelo Brasileirão de 1974 depois do amistoso contra o Flu de Feira de Santana, a jornada teve seu ponto alto contra o Inter
BIOGRAFIA RUBRO-NEGRA – CAPÍTULO 4 :: Por Gustavo Roman
Antes de voltar a campo pelo campeonato o time aproveitou a estada em Salvador para viajar até Feira de Santana e enfrentar o Fluminense local num amistoso. Joubert fez várias experiências e só colocou os titulares em campo nos 45 minutos iniciais. Os gols foram marcados por Geraldo, de falta e Paulinho. O lateral-direito Alcione, em período de testes na Gávea, jogou o tempo todo para poder ser melhor avaliado pela Comissão Técnica.
O próximo adversário era o América. Chamava atenção o duelo entre os irmãos Zico e Edu. Destaques de seus respectivos times. Doval finalmente havia renovado seu contrato e estava a disposição de Joubert. Chiquinho e Dario, recuperados de lesão também estavam prontos para o confronto. A única notícia ruim vinha da seleção. Com o corte do goleiro tricampeão do mundo Félix, Renato foi convocado. Isso queria dizer que o jovem Canterele seria o titular da meta Rubro-Negra.
E o Fla não decepcionou. Venceu de virada. Luisinho faz 1 a 0 para o América. Arílson e Paulinho foram os autores dos tentos. Os dois pontos conquistados levaram o time da Gávea muito perto da ponta da tabela ao lado de Inter e Grêmio. A torcida começava a sonhar com algo maior.
Oitava Rodada
Contra o Inter seria um dos poucos jogos importantes dessa tediosa e longa fase de classificação. Afinal, estariam frente a frente em Porto Alegre Inter e Flamengo. Dois dos líderes do grupo. O Rubro-Negro contava com importantes voltas. Como Dario, confirmado no comando do ataque. Doval ficaria no banco. No último treinamento antes da viagem Joubert decidiu que Geraldo, melhor fisicamente, começaria jogando. Com Zé Mário ficando como opção.
E realmente foi um jogaço. A equipe carioca foi superior nos 30 primeiros minutos. Com Zico desfilando toda sua inteligência e visão de jogo pelo Beira-Rio. O goleiro Schneider salvou os donos da casa em pelo menos três oportunidades. Em finalizações de Zico, Dario e Geraldo. Quem não faz, leva. Aos 30, Pedrinho cruzou. A zaga Rubro-Negra falhou. Dorinho tocou sem chance para Cantarele.
Logo aos três minutos do segundo tempo o Fla chegou a igualdade. Dario achou Zico no meio da zaga. O Galinho ajeitou o corpo e bateu longe do alcance de Rafael. Depois, Dario e Lula ainda perderam oportunidades claras de dar a vitória a seus times. Mas o empate ficou de bom tamanho. E mostrou que o Mengo não estava mesmo para brincadeira.
Nona Rodada
Como a Seleção estava jogando amistosos na preparação para a Copa do Mundo o campeonato deu uma diminuída no ritmo. O que significava uma oportunidade a mais para os clubes faturarem. O Flamengo,por exemplo, foi até Unuarama jogar contra o time local. O estádio estava lotado. E a renda foi excelente. Só o que não agradou foi o futebol dos Rubro-Negros. Derrota de 1 a 0. E mais uma prova que o time só ligava a chave quando o jogo era pra valer.
Adivinhem o que aconteceu? O time foi para Curitiba enfrentar o Atlético Paranense. E voltou a jogar bem. A equipe já havia perdido algumas chances quando, aos 23 minutos, Dario lançou Zico, que driblou o goleiro e fez o primeiro. Aos 40, o Galinho deu a assistência para Paulinho marcar o segundo. A etapa complementar foi um sufoco para o Flamengo, que acabou recuando em demasia e deu espaços para a reação do Furacão. Aos 26, Sicupira descontou. Cantarele ainda teve muito trabalho. Mas o time carioca na base da raça conseguiu segurar a vitória.
Décima Rodada
Contra a Desportiva, Joubert pode contar com a volta de Vanderlei a lateral-direita. Além dele, Zé Mário ganhou nova chance na vaga de Geraldo. Uma vitória colocaria o Fla como líder no geral (entre os 40 times do campeonato). E muito bem cotado para a sequência da competição.
E não foram só os dois pontos que vieram. Eles vieram com mais um show de bola do time. Com Doval de volta no lugar de Dario, o Mengo aproveitou o fator casa e mandou no jogo desde o começo. Aos 19, Paulinho tomou a bola de Adalberto e lançou para Zico, que só tocou na saída do goleiro. O domínio era tanto que a Desportiva não chutou uma vez sequer contra a meta de Cantarele. Depois de perder algumas chances, veio o segundo tento. Aos 39, Arílson cobrou falta sofrida por Paulinho com perfeição. 2 a 0. O líder do campeonato não diminuiu o ritmo na etapa final. Logo aos 8, Paulinho cruzou e Doval se antecipou a marcação e empurrou para as redes. Aos 18, Arílson fez toda a jogada e deixou Doval livre. Sem goleiro. O gringo fez e definiu o placar. 4 a 0.
Décima Primeira Rodada
Em Florianópolis, o Flamengo foi defender sua liderança diante do Avaí. Os mandantes assustaram logo no primeiro minuto. Cantarele que havia falhado no lance, se recuperou e salvou. Aos 37, foi a vez do camisa 1 do Avaí falhar na reposição e entregar a bola nos pés de Zico. Aí, não tem perdão. Ele emendou de primeira e balançou o filó. Seis minutos depois, Cantarele saiu mal da meta e Jaime salvou em cima da linha. Nos 45 minutos finais os donos da casa pressionaram. Mas o Fla soube se segurar. E garantiu mais uma vitória para a conta.
As autoridades do estado juntamente com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ), trabalham com a possibilidade do Campeonato Carioca retornar no dia 14 de junho, sem público nos estádios. O Mundo Bola
aproveitou a situação para relembrar o torcedor, como o Flamengo estava na competição antes da parada pela pandemia do coronavírus.
O Mais Querido foi o campeão da Taça Guanabara, e já tem presença garantida na final do Estadual. Após o término do primeiro turno, três rodadas da Taça Rio tinham sido disputadas, e o Flamengo venceu todas, somando assim 9 pontos.
No próximo jogo, válido pela 5ª do segundo turno, o Fla enfrenta o Bangu e na última encerra sua participação contra o Boavista. Uma vitória já garante a equipe de Jorge Jesus nas semifinais da Taça Rio.
Confira a classificação
Grupo A(classificam os dois primeiros colocados)
1 – Flamengo: 9 Pts
2 – Boavista: 6 Pts
3 – Bangu: 4 Pts
4 – Botafogo: 4 Pts
Se também vencer a Taça Rio, e não tiver a melhor campanha no geral, o Flamengo jogará a decisão do Carioca com a vantagem do empate. Conquistando o segundo turno, e tendo a melhor campanha no geral, o Mengo é campeão direto sem qualquer decisão.
No momento, o Fluminense tem a melhor campanha totalizando os dois turnos. O clube das Laranjeiras é o líder com 25 pontos, e o Flamengo tem 22. Faltam duas rodadas para o final da fase de grupos da Taça Rio, fazendo o rubro-negro ter apenas duas oportunidades para ultrapassar o rival. Nos próximos dois jogos, o Flu enfrenta o Volta Redonda e o Macaé.
Aproveitando o sábado livre de folga, o meia e capitão do Flamengo, Diego Ribas, publicou uma foto nas redes sociais pedalando na Praia da Reserva, no Rio de Janeiro, ao lado de sua esposa. O ato que descumpre o decreto do governo e o protocolo de segurança do clube, gerou polêmica nas redes sociais e agitou os bastidores do rubro-negro.
Dentro do clube, o episódio causou reprovação e desconforto, mas o Flamengo resolveu não se pronunciar de forma oficial. O site GloboEsporte.com entrou em contato com o camisa 10 que se desculpou pela ação: ”Peço desculpas por quaisquer transtornos que possa ter causado”.
O acontecimento gerou críticas nas redes sociais. Muitos torcedores se manifestaram reprovando a atitude do atleta do Flamengo.
Diego Ribas do @Flamengo furando a quarentena é só mais uma das decepções que o time tem me proporcionado eticamente nos últimos anos pic.twitter.com/dSZiq3i0Kb
Ai não adianta Flamengo montar uma estrutura foda, montar o próprio hospital no CT, para vc furar a quarentena ne Diego, falta de profissionalismo, logo vc! https://t.co/bfLzrSXiEm
A questão do Diego e outros jogadores é justamente essa. Flamengo pode fazer o máximo mas os caras vão furar a quarentena no fim de semana. E tem outra, mesmo sem treinos eles fariam o mesmo. O risco do clube gastar uma grana e não servir pra nada é esse.
O canal SporTV se programou para transmitir neste sábado (30) as reprises dos títulos conquistados pelo Flamengo em 1981 (Libertadores e Mundial), porém, de acordo com o site da Uol, a emissora mudou de ideia.
Não existem problemas em relação a imagens, já que o aval da Globo estava garantido, foi apenas uma mudança dos planos do SporTV.
A transmissão se iniciaria às 23h e se encerraria 02h30 da manhã de domingo. A final contra o Cobreloa com dois gols de Zico, e a decisão do Mundial frente ao Liverpool com dois gols de Nunes e um de Adílio, ainda serão exibidos pelo canal, porém sem uma nova data prevista.
Porém, parte do público que acompanha os Urubus não assiste campeonatos internacionais e ficou se perguntando se a empolgação com o jogador é válida. Pensando nisso, o Mundo Bola fez um trabalho de pesquisa e análise do jogador para apresentar o mesmo para toda a Nação Rubro-Negra.
Ju “Bvoy” Yeong-hoon tem 22 anos, é sul-coreano e começou a sua carreira em um time de base do seu próprio país. De lá, teve passagens por 4 equipes da China, com a mais notável sendo pela JD Gaming, jogando pela liga mais competitiva do mundo como reserva do famoso atirador Imp, campeão mundial de 2014. Mesmo cumprindo esse papel, o jogador atuou em cinco jogos mostrando uma mecânica consistente na campanha surpreendente do time naquele split, pois fizeram a chamada “cinderella run” rumo aos playoffs, vencendo diversos jogos em sequência, mas perdendo para a Invictus na fase eliminatória.
Depois disso o jogador atuou em uma região mais próxima ao Brasil: LATAM. O time até a entrada de Bvoy amargava 2 vitórias e 5 derrotas, mas após a entrada dele entraram em uma sequência impressionante de vitórias e terminando com o recorde (com o atirador no time) de 10 vitórias e 4 derrotas, resultado que qualificou o time para a fase eliminatória. Porém, mais um revés nos playoffs, dessa vez para a zebra XTEN Esports, encerrou a passagem do ad carry pelo time latino.
O auge da carreira do jogador chegou em seu próximo time: a Misfits Gaming, da prestigiada LEC (Liga europeia de League of Legends), considerada como o campeonato de nível mais alto fora da Ásia. Lá, ele acumulou 11 vitórias quando foi titular, ajudou o time a se classificar para os playoffs mas a equipe foi derrotada pela Rogue pelo placar de 3-1
As principais picks do jogador no torneio europeu foram Xayah e Aphelios, o que dá pistas de seu estilo na lane: agressivo e mecanicamente forte. Segundo o analista e criador de conteúdo Bernardo Pereira, o atirador ficou conhecido no Brasil por essa mecânica, chegando “parecer ter 20 dedos nas mãos” nas palavras de alguns jogadores brasileiros, pois nos treinos e confrontos feitos contra eles o atirador era um adversário complicado de ser batido, muito por conta de ser uma ameaça constante na fase de rotas e tendo um posicionamento invejável nas lutas. Tais predicados puderam ser confirmados durante seu split na Misfits.
Mas nem tudo são flores: o analista deixou claro que o jogador ao mesmo tempo que realiza jogadas insanas mecanicamente, pode ficar desligado em meio as partidas e cometer erros grotescos. O inicio meio lento do jogador também pode ser um problema, visto que ele já irá estrear no Split mais importante do ano.
Porém, o retorno de Luci se torna ainda mais positivo para o time com a adição de Bvoy: ambos são amigos pessoais e foi reportado que Luci foi um dos grandes entusiastas para a contratação do ad carry. Bernardo destaca isso em sua análise do jogador:
“Jogar ao lado do Luci, um suporte também bastante agressivo e com o diferencial de ser um grande shotcaller (sem contar a comunicação na mesma língua e amizade que os dois têm), pode ser uma arma extremamente impactante para o jogo do FLA na próxima etapa. Talvez, dentro de uma dinâmica de equipe onde ele esteja melhor “adaptado” por ter pessoas próximas à ele, o ambiente do FLA possa ser um espaço para que esses erros da época de Misfits não sejam repetidos e que ele consiga ficar mais solto para brilhar.
Sobre a entrada do jogador no CBLoL no seu time do coração, o analista também se mostrou empolgado assim como a torcida:
Pensar que um jogador desse porte está no CBLoL é uma alegria como profissional e entusiasta da liga, mas ver que é no Mengão, deixa um gostinho melhor ainda. Vamos torcer pra tudo correr bem com a chegada do sul-coreano, essa etapa promete e muito pro FLA.”
A tão aguardada estréia de Bvoy está programada para acontecer na primeira semana do CBLoL, que será disputada no dia 6 de junho.