Empolgado com o podcast do Mundo Bola sobre a criação de uma “super” Libertadores, decidi revisar e repostar um texto meu de 2017. Esta é também a tentativa de voltar aos poucos a escrever aqui. Eu gosto de escrever, muitas vezes não consigo, prometo ao menos tentar. Se tratava do último post de uma série que tinha como tema a reformulação do calendário do futebol sul-americano desde a CONMEBOL até a FFERJ, o nível mais baixo. Reitero que ficarei apenas aqui, no continente. Vamos lá.
A Conmebol e suas 10 federações nacionais com a Concacaf e suas 35 federações, poderiam criar, e têm todas as condições para isso, a Fifam (FIFA Américas): inspirada na administradora do basquete do continente (a FIBA – Federação Internacional de Basquete, Fiba Américas).
Com 44 federações e seleções de um continente unido, ficaria mais transparente a relação com a Fifa. Seria um ganho organizacional mesmo que o trabalho aumente um pouco em seu início, além da adição de México e EUA nas competições, com maior valor a todos, de lá e de cá.
Assim, se promove o intercâmbio com a união, a abertura de um novo e gigantesco mercado, com o desenvolvimento de todos, principalmente das federações de pouca tradição.
Vale destacar que eu considero uma federação única para disputas de clubes, as confederações de EUA e Canadá, por conta da MLS, a liga mais forte da América do Norte, com clubes dos dois países em um único torneio. Para disputa de seleções, elas podem normalmente andar sozinhas, competindo entre si. Observando a questão comercial, os clubes dos dois países se estabeleceriam de forma mais forte se juntos, na liga em que participam.

Pois bem, o mais difícil seria
a distribuição das vagas nas competições, principalmente nas fases de
classificação, visto o que acontece nos continente asiático, no africano e no
europeu. Haveria um inchaço natural na fase de Pré-Libertadores, com amplas
possibilidades para os eliminados de se classificar para a copa Pan-americana
por meio de um ranqueamento, que daria menos vagas para os países que participam
da atual Taça Libertadores, sendo taças amplas. Vamos às competições:
Eliminatórias da Copa do Mundo 2026
No caso das seleções, o ranqueamento não seria necessário. Já que a FIFA desconfigurou por completo a Copa do Mundo de 2026 com as 48 vagas. A nova Copa do Mundo reformulada mexeria nas eliminatórias, unindo as seis vagas da América do Sul com as seis vagas da América do Norte, 12 na Confederação unificada. Com três países-sede estando no continente, três vagas estariam garantidas, restando 42 seleções competindo por nove vagas. Dividiríamos nove grupos de cinco seleções com as sedes entrando no pote dois do torneio, trazendo competitividade aos países sede. Objetivamente, 45 seleções em nove grupos.
A base decisória e de
classificação se daria por tradição, títulos recentes e o Ranking da FIFA, o
que normalmente acontece para ordenamento de cabeças de chave (o mesmo valeria
para as competições de clubes, a serem explicadas mais a frente). As seleções
de melhor classificação no ranking da FIFA teriam a vantagem encabeçar os
grupos. Os campeões de cada grupo garantem a vaga para a Copa do mundo de
2026.
- Pote 1 – Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Equador, Colômbia,
Peru, Venezuela, Paraguai; - Pote 2 – México, EUA e Canadá (donos da casa), Bolívia, Panamá,
Costa Rica, Honduras, Jamaica, Haiti; - Pote 3 – Trinidad e Tobago, El Salvador, Cuba, Guatemala,
Republica Dominicana, Suriname, Antigua e Barbuda, Granada, Porto Rico; - Pote 4 – Guiana, Belize,
São Vicente e Granadina, São Cristovão e Nevis, Santa Lúcia, Barbados, Aruba,
Nicarágua, Bermudas; - Pote 5 – Dominica, Bahamas, Monsserrat, Curaçao, Ilhas Virgens
Americanas, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Caiman, Anguilla, Turcas e Caícos.
Copa Ouro das Américas
Disputa em 2023 com os 15 melhores do mesmo ranking sendo cabeças de chave de pequenos grupos com três seleções numa eliminatória rápida. O campeão de cada grupo mais o país sede se classificarão para a fase final da competição.
Libertadores das Américas + Copa Pan-americana
A Taça Libertadores, se regulada por um ranking por causa do grande número de filiados, ampliaria seu status de principal competição do continente. O ranking classificatório é inspirado no sistema de classificação da UEFA para a Liga dos Campeões. Seriam cinco fases de Play-off para classificação até a fase de grupos da Taça Libertadores das Américas. Os derrotados nos play-offs ainda teriam a possibilidade de tentar vagas na competição posterior, a Copa Pan-americana, disputada simultaneamente à Libertadores (Libertadores disputadas às terças e quartas e a Pan-americana às quintas-feiras, na “semana continental”). O coeficiente para definição das vagas se daria por critérios de tradição, conquistas, ranking continental (aqui utilizei também para me basear, o ranking da FIFA, mas um outro ranking poderia ser criado para a posteridade e a paridade, como ocorre em outras Confederações continentais).
Lista de acesso à edição 2020 da Taça Libertadores das Américas:

Modo de disputa:
Quatro vagas para Brasil e Argentina; três vagas para Chile, Uruguai, Equador, Colômbia, Peru, Venezuela, Paraguai, México, EUA/Canadá, Bolívia, Panamá, Costa Rica; duas vagas para Honduras, Jamaica, Haiti, Trinidad e Tobago, El Salvador, Cuba, Guatemala, República Dominicana; uma vaga para campeões nacionais dos demais países.

O Ranking da Copa
Pan-americana é um pouco diferente da Libertadores, dando um pouco mais de peso
para as federações de menor tradição. Além disso, existem mais vagas na
competição, com mais oportunidade e visibilidade. Os eliminados na Libertadores
entram já na próxima fase da Pan-Americana. Classificam-se para a competição os
vencedores de Taças Nacionais (Copa do Brasil).
Lista de acesso à Copa Pan-americana 2020:


Três vagas por ranking para Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Equador, Colômbia, Peru, Venezuela, Paraguai, México, EUA/Canadá; duas vagas para Bolívia, Panamá, Costa Rica; duas vagas para Honduras, Jamaica, Haiti, Trinidad e Tobago, El Salvador, Cuba, Guatemala, República Dominicana, Suriname, Antigua e Barbuda, Granada, Porto Rico, Guiana, Belize; uma vaga para campeões nacionais dos demais países.
O Brasil com isso teria sete
vagas para as copas continentais, os seis primeiros classificados no Campeonato
Brasileiro mais o campeão da Copa do Brasil, que iria para a Copa
Pan-Americana. Caso o campeão da Copa do Brasil se classifique para a Copa
Libertadores via Brasileiro, o vice-campeão irá para a taça Sul-americana, caso
também o vice-campeão obtenha uma das vagas, o subsequente do Campeonato
Brasileiro herda a posição automaticamente. Todos os países-membros teriam
direito a pelo menos duas vagas nas competições continentais.
A integração faria certa
justiça as tradições e classificações em competições recentes. Também com o
passar do tempo se provaria, já que o ranking começaria assim para ser
integrado em 2020, numa equalização de calendários e competições. Até que se
iniciem os torneios seriam contabilizados pontos para 2020 (desde 2015) e
valeriam para cada 5 temporadas. Caso seleções e clubes tenham desempenho
diferente, suas vagas teriam mais ou menos peso. Para a união se fazer
presente, será necessária a integração total das competições e um novo
calendário em âmbito regional e mundial, falando de seleções e clubes.
Em relação a TaçaLibertadores, Copa Sul-americana e a
Copa América, em nível de seleções, a integração traria desenvolvimento
financeiro e técnico com os Americanos da CONCACAF. Existem precedentes em
nível individual, com países aderindo a confederações diferentes, por que não a
união? O intercâmbio é excelente e o futebol cresce com isso, vide a UEFA que
incluiu em sua confederação países como Israel, Azerbaidjão e Cazaquistão por
exemplo e a Confederação Asiática que incluiu a Austrália, um ganho técnico, e
principalmente financeiro para todo o continente.
FLAMENGO HIC ET UBIQUE!
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