Pessoas já entraram em sala de cirurgia parecendo menos anestesiadas que esse time do Flamengo

Banner João Luis Jr

Parece que realmente era um pouco mais complicado. Não foi só afastar o Plata que a intensidade da equipe aumentou, não foi instituir concentração que viramos o Real Madrid, não foi só substituir um técnico campeão de tudo por um careca aleatório que conquistou a Taça Terceiro Lugar no Brasileirão do ano passado que todos os problemas do Flamengo nesse começo de temporada foram resolvidos.

Porque o que se viu nesta quinta-feira, diante do Bragantino, não foi apenas uma partida ruim, não pode ser descrito como um “tropeço”, não consegue ser encaixado na categoria do “jogamos bem mas as coisas não aconteceram”. O que a equipe rubro-negra aprontou em Bragança Paulista foi uma das atuações mais patéticas, displicentes, ridículas e apáticas do passado recente, mesmo levando em conta que esse esse ano já está sendo pródigo em atuações patéticas, displicentes, ridículas e apáticas. 

Claro que tivemos os mesmos suspeitos de sempre. Ayrton Lucas segue atuando menos como um lateral e mais como uma organização terrorista de um homem só, intimidando a população rubro-negra pelo uso do medo, das falhas de marcação e dos cruzamentos na arquibancada. Não é nem mais questão de não servir pra reserva, de precisar de reposição, é lance de realmente cobrar uma posição do Ministério da Justiça, do  Conselho de Segurança da ONU e talvez até daquele pessoal que enterrou o lixo radioativo em Goiás.

Mas não foi só ele. Pedro quase não viu a bola e quando viu aparentemente não reconheceu. Paquetá mais uma vez parece ter apostado em zero gols e zero assistências. Pulgar teve o que só pode ser classificado como um flashback da Guerra Civil Chilena de 1891 e desceu um soco na cara de um coitado do Bragantino. Chegamos num ponto em que a pessoa mais sensata, atenta e taticamente responsável do time era Emerson Royal, o que não costuma ser exatamente auspicioso.

O ataque foi inoperante, o meio não se encontrou, a defesa deixou espaços tão vastos que poderiam ser explorados por uma sonda espacial. E tudo isso diante de uma equipe que estava há seis jogos sem ganhar, era criticada por não marcar gols e com o Flamengo tendo, em tese, toda a pausa da data FIFA para treinar. Aparentemente a atividade treinada foi necromancia e a equipe de Leonardo Jardim ressuscitou com muito sucesso um morto que residia em Bragança Paulista.

E agora o que podemos esperar? Se a solução não era um “choque de ordem”, se o problema não era apenas Filipe Luís ser “amigão” demais, se faltava alguma coisa além de menos compreensão no vestiário, chegou a hora do treinador português mostrar o que mais ele tem pra oferecer. O futebol reativo vai reagir ou vai só apanhar? Os encaixes diretos vão encaixar ou ficar encaixotados? O homem cujo grande trabalho no Brasil foi chegar em terceiro vai se sustentar num time que espera chegar em primeiro?

Ainda é cedo pra avaliar o trabalho de Leonardo Jardim, assim como é cedo para tirar grandes conclusões sobre a temporada do Flamengo. Mas com um Brasileirão que começou em janeiro e uma tabela que já nos coloca com 8 pontos de distância do primeiro colocado, se a equipe rubro-negra não se organizar, pode acabar ficando tarde demais pra brigar pelo décimo título brasileiro.

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