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  • Ginásio de Futsal e Vôlei e o campo de Society são reinaugurados com homenagens

     

    Manhã de muitas homenagens aos ídolos do passado e atletas vencedores da atualidade

     

     

          Rafael Lisboa (@rafinhalisboa)

     

     

    Na manhã desse sábado, na Gávea, ocorreram dois eventos importantíssimos para o Clube de Regatas do Flamengo. Um foi a reinauguração do Ginásio Renan Togo Soares. “Kanela”, e do campo de society. O outro foram as homenagens aos ídolos do passado no vôlei e do futebol/futsal.

    As primeiras homeneageadas foram as campeãs da década de 1980, como Jackeline e Isabel, que tiveram seus nomes ‘imortalizados’ no novo vestiário feminino no ginásio Togo “Kanela”. Logo depois, foram homenageadas as meninas da categoria Juvenil, campeãs cariocas de voleibol.

    Homenagem às meninas do Juvenil. Foto: Rafael Lisboa/Mundo Bola Informação)

    Depois, foi a vez do vôlei masculino ser homenegeado, ídolos com Nalbert e Bernard estiveram presentes e além da homenagem, entregaram a faixa de campeão carioca  aos jogadores e comissão técnica da categoria adulta, título conseguido após 9 anos. Outro homenageado foi o falecido Ênio Figueiredo, que teve seu nome colocado no vestiário dos visitantes no ginásio.

    Após o vôlei, a homenagem passou para o futsal. Ex-jogadores do Futsal do Flamengo, e os ídolos, campeões do mundo em 1981, Adílio e Júlio César Uri Geller, que começaram no futsal, estavam presentes. O homenageado da vez foi o ‘eterno’ treinador de futsal do Flamengo Cid Escarlate. Cid é o grande responsável pelos melhores momentos da história do futsal do clube. Grande prepulsor do esporte no Fla, Cid foi o primeiro treinador a ser campeão metropolitano pelo Rubro-Negro, em 1998.

    Esportes olímpicos fortes
    Em seu discurso, o VP de Esportes Olímpicos, Alexandre Póvoa destacou a importância da conquista da autossustentabilidade. Financeiramente falando, talvez seja a primeira vez que o CRF tenha essa situação financeira. – Não dependemos mais do futebol atualmente. Todavia a situação não é confortável – declarou Póvoa. – Dependemos das captações e esse é um trabalho feito continuamente. E o projeto Anjo Rubro-Negro precisa ter cada vez mais adesões. O torcedor que declara imposto de renda tem totais condições de ajudar a gente. O passado do Flamengo é glorioso, e o futuro será mais ainda – concluiu o dirigente.

    Society
    O campo, desejo antigo desejo dos sócios foi reformado. E para inaugurar a utilização do novo espaço houve um torneio entre a FlaPel, pelada Fla-Gávea e associados, da qual até o presidente participou. Em clima de desconcentração e festa, Bandeira de Melo disse que a Gávea há muito necessitava de espaços de qualidade para a prática desportiva dos associados e dos alunos das escolinhas. O novo gramado é de material fibrilado em polietileno, com 52 mm de altura, da fabricante Sportlink.

    Sede deficitária
    Com cerca de 10 mil sócios, a sede social do clube – a Gávea – não consegue ser autossustentável. Cerca de incríveis 7 mil sócios não estão em dia com as mensalidades. – É dinheiro que sai basicamente do futebol – comentou o CEO Fred Luz.

  • Sabadão para encher o Tijuca, Nação?

     

        Rafael Lisboa (@rafinhalisboa)

     

     

     

    Flamengo e São José se enfrentam nesse Sábado, no Tijuca Tênis Clube, pelo segundo jogo válido pelas quartas de final do Novo Basquete Brasil 7.

    No jogo de ida, realizado na última quinta-feira, na primeira partida, o Flamengo venceu com facilidade, por 85 a 62, com destaque para Vitor Benite que anotou 19 potnos, sendo o cestinha, e Olivinha, qu com 16 pontos e 13 rebotes anotou mais um duplo-duplo.

    Se vencer o jogo desse sábado, o Flamengo dá um enorme passo rumo às semifinais do NBB 7, abrindo 2 x 0 na série melhor de 5 jogos. Se os dois técnicos, José Neto do Flamengo e Luiz Zanon de São José devem repetir os quintetos iniciais, mas a principal mudança será na postura dentro de quadra, principalmente na equipe de São José, como destaca o técnico da equipe, Luiz Zanon em entrevista ao Mundo Rubro-Negro, após o jogo: “Nós tivemos uma atitude muito pequena, em todos os aspectos, defensivo e ofensivo. Nós jogamos muito acanhados, e assim deixamos uma equipe com o poderio deles jogar, e aí fica difícil correr atrás. Temos que buscar a vitória no Sábado.”

    Já o técnico rubro-negro, José Neto, destacou, também ao Mundo Rubro-Negro, a aplicação defensiva como ponte forte para a vitória de quinta, onde o ápice foi no último quarto, quando a equipe da Gávea só cedeu 11 pontos à equipe do São José, e para a equipe ir buscar o bicampeonato: “Esse é o ritmo que temos que impôr, a gente sabe que nosso jogo não é so lá na frente, e que aparece noso jogo mais pela pontuação, mas é muito em virtude da nossa defesa. Sabemos que para ganhar uma série nos playoffs, e para ganhar alguma coisa além do que só uma vitória, temos que ter um ritmo defensivo, e nos preparamos para isso.”

    Prováveis escalações:

    Flamengo: Laprovittola, Benite, Marquinhos, Olivinha e Meyinsse. Técnico: José Neto

    São José: Baxter, Laws, Valtinho, Drudi e Caio Torres. Técnico: Luiz Zanon

    Trio de Arbitragem:

    Guilherme Locatelli (SC)

    Leandro  Sehnem (SC)

    Marcos Antônio Ferreira (SP)

    Obs 1: A presença da Nação Rubro-Negra é fundamental! Vamos lotar o Tijuca Tênis Clube, Nação!!

    Obs 2: Cobertura muito especial no @Mundo Bola_CRF começando às 16h30, direto do TTC.

    Obs3: Divulgue o fla.mundobola.com para todos os rubro-negros! Faça o Mundo Rubro-Negro com a gente, porque a maior torcida do mundo, faz a diferença!!

  • Torcedor sai do Rio para ver Fla em Salgueiro-PE

    Onde estiver estarei. Carlos Alvarenga vive conforme a frase, estampada na faixa rubro-negra que leva consigo mundo afora. Sua última aventura aconteceu esta semana, quando saiu do Rio de Janeiro para ver o jogo Salgueiro x Flamengo, válido pela segunda fase da Copa do Brasil deste ano.

    Por intermédio de Delmiro Júnior (que comanda o perfil instagram.com/maiordomundo), o Mundo Bola obteve o contato do Alvarenga, famoso por compor a letra que se encaixou perfeitamente no Tema da Vitória (composta pelo Maestro Eduardo Souto Neto). Trilha sonora das manhãs vitoriosas de domingo, quando Ayrton Senna fazia renovar a crença na magia de ser brasileiro.

    Carlos Alvarenga no Salgueirão, feliz da vida! (Foto: Arquivo Pessoal)

    E eis que a magia do Tema da Vitória ressurge nas arquibancadas do Maracanã no final da década passada! O canto embalou o time nos títulos importantes daqueles anos e até hoje arrepia a galera no New Maracanã, entrando definitivamente no rol de cantos perenes e míticos da Maior Torcida do Brasil.

    Time de Tradição (Letra: Carlos Alvarenga/Música: Eduardo Souto Neto)

    ¶Eu sempre te amarei
    Onde estiver, estarei
    Óh meu Mengo!

    Tu es time de tradição
    Raça, amor e paixão
    Óh meu Mengo!

    Eu sempre te amarei
    Onde estiver, estarei
    Óh meu Mengo!

    Tu es time de tradição
    Raça, amor e paixão
    Óh meu Mengo!

    A ida para Salgueiro-PE

    Chegando ao destino! (Foto: Arquivo Pessoal)

    – A CBF demorou a confirmar o dia e o local da partida. Quando confirmou, estava em cima da hora. Fomos ver passagem pra cidades mais próximas de Salgueiro, tendo em vista que Salgueiro não tem aeroporto. Tinha Petrolina, Pernambuco e Juazeiro, na Bahia – cidades que são divididas por uma ponte. Mas a passagem aérea para esses destinos estavam caras. Entre R$ 1.400 e R$ 2.000 ida e volta. Outra opção seria Juazeiro do Norte, a cidade do Padim Ciço… também caro. Vimos que Recife ou João Pessoa seriam as opções mais viáveis. Fomos pra João Pessoa. Chegando lá alugamos um carro e seguimos pra Salgueiro. Nosso grupo era formado por quatro pessoas – conta em detalhes o rouco Alvarenga.

    Na estrada: Registro da obra de transposição do Rio São Francisco (Foto: Arquivo Pessoal)

    O que move esta paixão? Como é o processo de identificação que ocorre na alma rubro-negra? Alvarenga confidencia que nunca deixou de comprar ingresso. Nunca deixou de pagar suas despesas com o Flamengo. Ao perceber que não conseguiria viver longe das arquibancadas, estudou muito, de forma a ter condições para seguir seu destino vermelho e preto. Esteve recentemente em Cancún para ver o FlaBasquete na Liga das Américas 2015, por exemplo. E conhece todos os estados do Brasil. “Até Tocantins, Alvarenga?” “Rapaz, teve um Kaburé e Flamengo… 1995” (risos).

    – De João Pessoa até Salgueiro são 4 rodovias federais e uma estadual! Chegamos em Salgueiro. O preço do ingresso: uma fortuna. Pra todos os estados da federação já seria uma fortuna… No Maracanã, nos estádios da Copa, que têm uma infraestrutura pro torcedor, já seria uma fortuna. Aí, naquele estádio acanhado lá… sem preconceito algum, sem juízo de valores… mas eu digo, comparando com o Maracanã. Uma fortuna – continua o relato.

    Na cidade de Salgueiro-PE

    Totonho e sua cadeira de rodas viajaram de Cariús para Salgueiro: A força de uma paixão. (Foto: Arquivo Pessoal)

    Imaginem os perrengues. Lugares caóticos, intransitáveis com o Manto. A vida em risco, o manto no corpo. Os caminhos precisam ser delineados sob a égide da segurança. A família depende, aguarda em casa. O torcedor rubro-negro que viaja atrás do seu time é um mestre dos caminhos, dribla as encruzilhadas. O flamenguista recebe muitas vezes apenas o ódio quando sai de sua cidade natal, seja ela Rio, Paris ou Salvador, para acompanhar o Mengo. Todos nós aqui sabemos os lugares que grupos de rubro-negros (atenção: pais de família, crianças e adolescentes – não estamos falando de grupos pertencentes a conflitos entre torcidas organizadas) são xingados já nos saguões dos aeroportos e rodoviárias. Alvejados em portas de hotéis e restaurantes. Uma cultura do ódio. A cultura da mochila futebolística sofre, e o comércio e o turismo brasileiro perdem. Em Salgueiro foi diferente.

    Blecaute e chuva no sertão! (Foto: Arquivo Pessoal)

    – Um Carnaval na cidade. Caravanas e caravanas foram chegando. Cidade toda de braços abertos. Fomos muito bem recebidos na cidade, sem estresse algum. Tudo na paz, muito legal. Nos hospedamos em um lugar bem próximo do estádio, chegamos por volta de 13h. Dormimos um pouco. Por volta de 19:30h entramos no estádio. E as curiosidades começaram a surgir: Choveu e a energia no estádio caiu. Eu fiquei sem entender nada, me causou espécie, estranhei mesmo! Chuva forte no sertão! (risos). Falei com alguém ao lado que o Mengão causa até chuva forte, mesmo no lugar mais seco do Brasil (risos). Logo depois a chuva passou o o problema que ocasionou o blecaute foi resolvido. Mengão entrou em campo muito ovacionado, maioria nossa, umas 9 mil pessoas. Se o preço não fosse tão fora da realidade o estádio estaria cheio – continua nosso grande torcedor.

    A partida. O jogo. A meta. Objetivo alcançado. Desta feita 2 a 0 para a favela mais rica de amor do Brasil. A maior parte da Nação comemora o resultado de suas casas. Vibrando depois de um domingo de derrota para o arquirrival do cinto de segurança na camisa. Alívio de Alvarenga e seus amigos de estrada. O cara que acompanha o time pelo time.

    – Não torço pra jogador. Pode ser o time que for. Eu gosto do Flamengo – e ao falar Flamengo a voz de Alvarenga se torna assoviada e doce – eu gosto é da Instituição. Amo o clube e a arquibancada. Vou contar uma coisa, quando tem Flamengo na TV e estou em casa eu nem vejo.

    A volta de Salgueiro-PE

    Pai e Filho no Maraca: Heróis do presente e do futuro da Maior Torcida do Mundo (Foto: Arquivo Pessoal)

    O grito de gol ficou reverberando pelo espaço. É passado. É história. O presente surge e a necessidade de voltar para os seus, para o filho de 10 anos que já conhece mais cidades e estádios Brasil e mundo afora do que este que vos escreve, por exemplo. Meia noite de quarta. Nosso protagonista de aventura e mais dois amigos, outros Alvarengas, que – quem sabe!? – também serão compositores cantos eternos. Estrada de volta, aeroporto de volta, de volta ao lar. A mega odisseia, como denominou o próprio torcedor, teve fim.

    Flamengo pode enfrentar Jacuipense ou Náutico. “Você vai?”

    A Nação sempre vai.

  • Lulucast 2.0 #14: Revolts!

    No #Lulucast 2.0 edição número 14 @danisouto, @BrunaLugatti, @Cissa_Morena e @Nivinha falam sobre a eliminação do #Flamengo no Campeonato Carioca 2015. O Rubro-Negro tinha a vantagem do empate, mas deixou escapar a vaga na final do campeonato ao perder pro #Vasco por 1 a 0. O gol do Vasco surgiu de um pênalti mal marcado. A polêmica não parou por aí. Dois jogadores do time de São Januário deveriam ter sido expulsos e isso não aconteceu. O Flamengo jogou mal, não teve poder de reação e as meninas do #Lulucast ficaram REVOLTADAS!

    Venha ver e ouvir!

    Comente! Mande sua opinião, sugestão ou crítica! Venha conversar com a gente usando a tag #Lulucast.

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  • A corrupção nossa de cada dia

     

        Ricardo Martins (Twitter: @Rick_Martins_BH)

     

     

    Certa vez vi o falecido Armando Marques falando sobre o clássico Fla-Flu que ele apitara em 1968. O ex-árbitro disse que todos viram o lance que Wilton, atacante do Fluminense, se valeu de extrema malandragem para desviar a bola com a mão e fazer o gol tricolor. Ao chegar a sua casa Armando sofreu duras críticas da própria família. Como que o árbitro não enxergou o que todos viram?

    O fato entrou para o mundo do folclore futebolístico, mas o resultado do jogo que ficou registrado para a história do Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi Flamengo 0x1 Fluminense. Embora eu não tenha visto esse jogo, e sequer entendesse de qualquer coisa na ocasião, por força da rivalidade cresci ouvindo sobre esse lance.

    Nunca reclamei de arbitragem. O motivo? Acredito que foi uma vitória do Flamengo contra o todo poderoso Real Madri em 1978, no Torneio Palma de Mallorca. Volta e meia falo dela. Lembro de ouvir a partida pelo rádio, pois na época não existia essa fartura de futebol na TV. O Flamengo terminou o jogo apenas com oito jogadores em campo e, pasmem, com todo o banco de reservas expulso.

    O mais impressionante daquele dia é que, ao ver a parcialidade do soprador de apito, a torcida do Real Madrid começou a torcer fervorosamente pelo Mengão. Diante de intensos gritos de “Flamengo! Flamengo!”, o árbitro foi obrigado a encerrar a partida, que parecia não ter fim, se rendendo a sensacional vitória de 2×1 do rubro-negro. Eu me recordo de Kleber Leite (na época repórter de campo) adentrando o horário do programa “A Voz do Brasil” com uma entrevista a um jovem torcedor madridista que não parava de comemorar a vitória do time brasileiro. A emoção que senti naquele 29 de agosto de 1978 é indescritível.

    Sou da época que as coisas do futebol eram resolvidas dentro de campo. Os erros se perpetuavam nas gozações entre os torcedores. Ou seja, o erro sempre foi algo inerente ao futebol. E nem precisa ser o futebol profissional. Quem nunca reclamou, ou até mesmo brigou na pelada? E quando tem juiz? Mesmo não valendo absolutamente nada, aquela figura que se atreve a decidir em fração de segundo se foi ou não alguma coisa é logo taxada de… Ladrão!

    A diferença é que no futebol profissional contemporâneo a coisa é amplificada pelas lentes da TV, e a dor parece não ter fim para quem perde, e se transforma em “choro de perdedor” na visão do vencedor.

    O problema da amplificação e da espetacularização é tão grave que recorro a dois exemplos. O primeiro é o do acidente que tirou a vida de Ayrton Sena. As TV’s reprisaram tantas vezes a tragédia que, mesmo hoje em dia, eu me recuso em assistir a cena, aliado ao fato que a Fórmula 1 não é mais tão atraente, pelo fato, na minha opinião, de que os carros ficaram mais importantes que os pilotos.

    O segundo exemplo está na expulsão de Tinga no empate na reta final do Brasileirão contra o Corinthians em 2005. Acreditem! Após reprisarem o lance centenas de vezes, eu confesso que fiquei com dúvidas. Por favor, não fiquem zangados, toda e qualquer convicção que eu pudesse ter ficou prejudicada com a chatice do replay infinito.

    Quero aprofundar um pouco essa questão. Por que será que o gol de Maradona, o qual ele tira o goleiro da jogada com a mão, se transformou no gol “de la mano de Dios”? Porque se comemorou o gol de Túlio contra a Argentina, onde o jogador brasileiro também se utilizou da mão? E para os argentinos, a mão agora seira “Del Diablo”?

    Para apimentar, por qual motivo a França foi hostilizada pela imprensa brasileira quando Thierry Henry fez rigorosamente a mesma coisa em 2009 contra a Irlanda, classificando sua seleção para a Copa do Mundo de 2010.

    Parece que vivemos um dilema. São pesos e medidas distintos. Parece que vivemos sob a égide do ditado mineiro “para os amigos tudo, aos inimigos o rigor da lei”. O mundo do futebol revela o que temos de mais passional, nos levando a ter visões que variam conforme a ocasião. É uma espécie de corrupção pela paixão, pelos interesses mais contraditórios, onde mesmo o justo tende a ter suas decisões contaminadas pelo brasileiríssimo “levar vantagem em tudo”.

    Mas não me venham com o papo que isso é mundial, pois não é. E da Espanha, apesar de todos os problemas que possam ser registrados na história daquele País, que vem mais um exemplo de que as coisas podem ser diferentes. Ao final de uma corrida no dia 2 de dezembro de 2012, o espanhol Iván Fernández, que estava na segunda colocação, percebeu que o líder queniano Abel Mutai parou de correr achando que já havia concluído a prova. Em vez de se aproveitar do erro do adversário e vencer, o espanhol preferiu avisar Mutai e o acompanhou até a linha de chegada, se mantendo no segundo lugar.

    Veja o episódio da fair play do atleta espanhol: https://www.youtube.com/watch?v=Q-23xtM3gnE

    Charles Muller (Foto: Wikipédia)

    Diz a lenda que o futebol é um jogo criado pelos cavalheiros ingleses. Ao chegar ao Brasil pelas mãos do brasileiro “britânico” Charles Muller, o esporte foi caindo no gosto popular, até se transformar no grande negócio que é atualmente. Os fins parecem justificar todos os meios utilizados para se vencer a qualquer custo, e o torcedor ficou muito exigente ao ser transformado em uma espécie de consumidor. Eventuais derrotas parecem não fazer parte do aceitável, e sequência de 3 derrotas é subida no telhado para qualquer treinador.

    No Brasil, as próprias atitudes de fair play são questionadas, ou utilizadas conforme a conveniência. Hoje nem há necessidade de se fazer a tradicional cera. Qualquer queda em campo, e logo aparecem os que exigem que o adversário jogue a bola para a lateral.

    Como não dá para sequer sonhar com o dia em que os que sempre reclamam que são prejudicados também se manifestarão com igual eloquência, quando beneficiados, eu torço veementemente para que os times brasileiros voltem a jogar um bom futebol, por que só com erros e fair play não conseguirão mais me corromper. E a você meu caro leitor?

  • Retrospectiva do futebol rubro-negro de janeiro a abril – Parte II

     

    Luiza Sá (@luizasaribeiro) e Mariana Sá (@imastargirl)

     

     

     

     Flamengo invicto, instabilidade e Copa do Brasil

    A segunda rodada do Carioca foi mais animadora para os rubro-negros. Na primeira partida no Maracanã, o Flamengo venceu o Barra Mansa por 4×0 em um jogo fácil onde Marcelo Cirino e Arthur Maia finalmente marcaram seus primeiros gols. A noite também marcou a estréia de Thallyson e a entrada de César no gol para substituir o lesionado Paulo Victor.

    O entusiasmo não durou muito tempo, já que contra o Resende o desempenho do time voltou a ser ruim. Com muita dificuldade o rubro-negro conseguiu vencer a terceira partida do campeonato por 2×1 e já começava a mostrar sinais de que o ano não seria tão fácil assim.

    A quarta rodada foi de goleada, mas o Flamengo não convenceu novamente. Com as voltas de Paulo Victor e Gabriel, que ficou quase três meses fora, o time conseguiu vencer por 5×1, mas deixou a desejar tecnicamente. A montanha-russa dos resultados e atuações já mostrava a instabilidade do elenco, o que começou a preocupar a torcida.

    Sempre em busca da liderança, o Mais Querido precisava manter a série de resultados positivos contra os pequenos. Os primeiros boatos sobre a saída de Léo Moura começaram a correr no dia da partida contra o Boa Vista. Apesar disso, o elenco teve boa atuação coletiva e conseguiu mais uma vitória, dessa vez por 2×0.

    Graças a uma péssima atuação, o time ficou apenas no empate de 1×1 com o Madureira e os desempenhos ruins começaram a assombrar o elenco rubro-negro. A situação não foi diferente na estréia na Copa do Brasil contra o Brasil de Pelotas. Em um jogo de dar sono, o Flamengo vencia por 2×0, mas levou um gol no finalzinho que obrigou a disputa da segunda partida no Maracanã. Vale ressaltar o volante Jonas, que chamou atenção já em sua primeira atuação.

     

    Primeira derrota e despedida de Léo Moura.

    A primeira derrota veio contra o Botafogo. O dia era de festa: estreia da terceira camisa – inspirada no modelo “papagaio vintém” –, comemoração dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro e, para completar, era a última atuação de Léo Moura em jogos oficiais pelo Flamengo.

    O time não jogou mal, mas não fez o necessário para levar a vitória para casa. Apesar da boa atuação, o rubro-negro não soube aproveitar as chances e viu o alvinegro abrir o placar no fim do jogo. Sem poder de reação, a invencibilidade caiu.

    Para celebrar os anos de serviço de Leonardo Moura e dizer adeus ao camisa 2, o Flamengo promoveu um amistoso contra o Nacional-URU e venceu por 2×0. O jogo também foi bom para dar chance a alguns meninos da base que não decepcionaram como Jorge, Douglas Baggio e Matheus Sávio – que fez o segundo gol. A partida em si não foi o principal, mas sim a homenagem ao capitão.

     

    Artilharia de Cirino, Vasco e jogo de volta da Copa do Brasil:

    O Flamengo continuou tentando vencer e convencer seu torcedor. Na partida contra o Friburguense, Marcelo Cirino continuou a se mostrar importante no elenco e deu mais uma vitória ao time, dessa vez por 2×0. Já contra o Volta Redonda, o rubro-negro não empolgou. A péssima atuação em campo não refletiu no placar de 2×1, já que Paulinho salvou. Contra o Tigres, Cirino voltou a resolver e o Mais Querido saiu com a boa vitória por 3×1.

    O jogo de volta da Copa do Brasil foi tão sonolento quanto o de ida. A disputa foi marcada por um fraco desempenho do time da casa e nem a vitória por 2×0 foi suficiente para não irritar os torcedores.

    De volta ao Carioca e debaixo de muita chuva, o Clássico dos Milhões foi emocionante. A eficiência de Alecsandro deu a vitória por 2×1 ao Flamengo em um duelo que teve paralisação de 50 minutos, quatro expulsões e discussões nos bastidores.

    Contra Bangu, o rubro-negro teve que driblar o alto número de lesões do elenco e perdeu inúmeras chances. Apesar dos problemas, o placar final foi de 2×1. Já contra o Bonsucesso, quem se destacou foi Paulo Victor. O goleiro ajudou o Flamengo várias vezes e até defendeu um pênalti, assegurando a vitória por 2×0.

     

    Punição, silêncio e chocolate:

    Depois de uma declaração polêmica contra a Federação Carioca, Vanderlei Luxemburgo foi punido pelo TJD-RJ (leia mais https://fla.mundobola.com/abaixo-a-ditadura/) e ficou fora por dois jogos. Contra a “Lei do Silêncio”, jogadores que Flamengo e Fluminense tamparam a boca reproduzindo o gesto do técnico numa coletiva. Dentro de campo, o Flamengo deu um show, venceu por 3×0 deixando de lado a expulsão do jogador adversário Fred. O clube ainda conquistou o Torneio Super Clássicos e a Taça Adidas, mas não comemorou em forma de protesto.


     

     

    Fiquem ligados! A parte III que conta o último jogo da Taça Guanabara e a eliminação para o Vasco.

  • Flamengo e Brasil, o mesmo fogo

    Por Gerrinson. R. de Andrade (Twitter: @GerriRodrian) - Do Blog Orra, é Mengo!

    Brasil, alguns sabem, é a cor da brasa. Nem precisamos de largos estudos etimológicos para compreender o termo. O nome deste lindo país é diretamente relacionado à cor vermelha do fogo. Cabeçudo foi quem botou verde, amarelo, azul e branco e não botou bastante vermelho na bandeira. Depois tudo aqui é torto e ninguém imagina o porquê – o país praticamente se chama “Vermelho” e há quem vista amarelo pra fazer protesto.

    Os doidões de direita bradam que estão querendo tornar o país vermelho, gritam contra o “perigo vermelho”, odeiam as bandeiras rubras, choram pelo azul e o amarelo, ficam em ereção pelo verde-oliva e mal sabem que aqui a coisa é “brasa, mora?”. Que mudem o nome do país para outra coisa, Áureo, Fulvo, Cróceo, mas assim como a Argentina é a turma do prateado, nada vai mudar o significado do nome desta pátria.

    Flamengo é quase a mesma coisa. A praia do Flamengo ganhou o nome por conta de holandeses, povo ruivo, cabelão vermelho, cabeça de fósforo. Da mesma maneira que em mulherengo, realengo, mamulengo, o sufixo -engo conota exagero, até de modo pejorativo, e a flama – modo erudito para a via popular “chama” – é nada mais que o fogo novamente queimando e deixando tudo vermelho de calor.

    O sujeito flamengo é simplesmente o “vermelhão”, aquele exageradamente sanguíneo, o abrasado, o brasil. E não há maior coincidência, o maior time do país é sinônimo do nome do próprio país. Ninguém sabe disso, o povo não dá muita bola para filologia e afins, não é muito de estudar e geralmente aprende tudo de orelha.

    Aí o nome Corinthians é um estrangeirismo cafona que deveria ter sido revisto no Estado Novo. Palmeiras é uma planta de origem asiática. São Paulo e Santos são nomes para perpetuar religião. Grêmio e Atlético são substantivos comuns, como escola e clube. Internacional é autoexplicativo. Cruzeiro é até bonitinho quando a gente pensa na constelação, mas é absurdo quando a gente pensa na finalidade assassina do objeto de pendurar infelizes. Vasco da Gama era um barbudo fidalgo. Fluminense, Figueirense, Osasquense, gentílicos de sonoridade duvidosa. E o Botafogo, todo preto e branco, é o contraste do próprio nome, que nem vermelho tem.

    Orra, é Mengo!

     

  • A caminhada rumo ao bicampeonato começa hoje

     

         Rafael Lisboa (Twitter: @rafinhalisboa)

     

     

     

    Hoje às 18h no ginásio do Tijuca Tênis Clube, Flamengo e São José se enfrentam pelo jogo 1 das quartas de final do Novo Basquete Brasil 7. O confronto de hoje é o que mais aconteceu na história do NBB, 27 vezes, e acontece pela 4ª vez na história dos playoffs. É clássico!

    José Neto x Luiz Zanon
    O duelo de hoje marca o encontro entre dois técnicos de muita história: José Neto é auxiliar do técnico da seleção masculina, Rubén Magnano, e Luiz Zanon, assumiu o compromisso de treinar o São José, ao mesmo tempo em que comanda a seleção feminina.

    Caio Torres volta a enfrentar seu ex-clube
    O pivô do São José e principal jogador da equipe joseana, Caio Torres, volta a encontrar seu ex-clube. O pivô tem média de 14,6 pontos e 9,2 rebotes. Muita atenção nele, Mengão!

    Zanon e Benite falam sobre o jogo
    O ala/armador do Orgulho da Nação, Vitor Benite, falou sobre o jogo de hoje: “O São José é uma equipe bastante tradicional, experiente e que fez uma excelente série de oitavas de final diante do Paulistano, além de possuir jogadores que são acostumados a vencer e a decidir jogos. É um adversário já tem história com o Flamengo em disputa de playoff, por isso, acredito que serão jogos muito bons para quem assistir nos ginásio ou acompanhar pela televisão e internet,”

    Já o técnico do São José, Luiz Augusto Zanon, comentou sobre a série que será disputada entre Flamengo e São José, que começa hoje, e sobre a motivação da sua equipe: “Essa série tem boas chances de ser equilibrada. Desde que eu comecei a disputar playoff eu digo que cada jogo é um jogo. Acredito que o primeiro jogo vale muito para que esta escrita de vários jogos seja mantida. Será muito difícil, mas espero que essa escrita seja mantida e a série dure até o último jogo.Estamos muito motivados. Crescemos muito nos últimos jogos da fase de classificação e nos portamos muito bem nas oitavas de final contra o Paulistano. Mas eu sempre friso que em playoff você não leva nada de um jogo para o outro, nada de uma série para outra. Temos uma nova série, contra um adversário muito duro e fortíssimo candidato ao título. Mas independente disso, vivemos um bom momento e estamos confiantes em um bom resultado.”

    Prováveis escalações

    Flamengo: Laprovittola, Benite, Marquinhos, Herrmann (Olivinha) e Meyinsse. Técnico: José Neto

    São José: Baxter, Valtinho, Laws, Dedé e Caio Torres. Técnico: Luiz Zanon

  • Reunião com Luiz Eduardo Baptista, o Bap


    Flávio H. Souza | Twitter: @PedradaRN

    “Eu não volto ao Flamengo sem que o modelo que acreditei, que existiu por quase 2 anos, volte a imperar.”

     

    O  ex-vice-presidente de marketing do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista da Rocha (Bap), comenta sobre as razões de sua saída do Conselho Diretor do Flamengo e informa os novos passos que está tomando na política rubro-negra.


     

    Mundo Bola: Como o processo de ajuda ao Flamengo teve início?

    Bap:  Este processo para ajudar o Flamengo, começou em 2009 com a formação do Movimento chamado Fla21, onde eu, Wallim, Tostes, e mais algumas pessoas. Não obtivemos sucesso daquela vez, mas ao menos conhecemos como era o processo eleitoral. A partir daí, basicamente eu e Wallim começamos a escrever um projeto sobre o que seria o Flamengo ideal. O objetivo era “despersonificar” as ações no Clube de Regatas do Flamengo. Nada nem ninguém é mais importante que o grupo. Este era o princípio basilar, em que eu acredite que continue funcionando. E, na verdade, nós conseguimos muito apoio de fora do clube, no primeiro momento, para este processo, muito mais do que de dentro do clube…E ao longo dos anos que a gente tem estado lá fico feliz em dizer que algumas pessoas de dentro do clube, também reconheceram a importância do grupo. Flamengo é grande, Flamengo é plural. É muito difícil você tocar um clube como o Flamengo, com demandas de curto prazo de esporte olímpico, de finanças, de futebol…médio prazo de projetos mais estruturados do clube, busca de patrocínios, enfim, é uma tarefa hercúlea. Não é uma tarefa para uma pessoa só. Definitivamente não é. Então o nosso projeto a gente entendia que devia ser um grupo, apesar do regime ser presidencialista, não importa qual seja o presidente, você tinha que ter um grupo, em primeiro lugar, e que trabalhasse pelos interesses do clube. E aí vinha o slogan:” Tudo pelo Flamengo, nada do Flamengo”. Este era o primeiro passo. O segundo, é que o presidente, ainda que pudesse ser qualquer pessoa, acreditasse nos princípios do grupo, e, de alguma maneira, demonstrasse no dia a dia alguma aderência a estes princípios do grupo. Então, assim foi feito. E assim, quando Wallim foi gongado, nós acabamos escolhendo o Eduardo (Eduardo Bandeira de Mello) e trouxemos gente que acreditava neste modelo de projeto, e acabamos sendo consagrados ganhando as eleições em dezembro de 2012.

    E o seguinte, o trabalho que fizemos no clube, foi um trabalho no qual me orgulho, no qual fiz parte. Eu entendo que foi um grupo importante que fez estas entregas e entendi que o grupo é mais importante do que os indivíduos.

    Bap ainda em tempos de harmonia com a atual gestão (Foto: Site Oficial)


    Mundo Bola: E o que aconteceu?

    Bap: Ao longo do tempo, como tudo na vida, as pessoas têm todo o direito de mudar de opinião, tá certo? Eu não mudei de opinião. Eu continuo achando que o grupo é importante, nunca achei que o presidente isoladamente era mais importante do que o grupo. E sempre me pautei pelo que seria melhor para o Flamengo. Eu não tenho projeto de poder de estar no Flamengo durante 20 ou 30 anos. Ainda que acredite que a gente tem um projeto que seria importante pro Flamengo durante 20 ou 30 anos, desde que se tenha um grupo unido e competente. Na minha visão isto funcionou durante 21 meses, foi tudo perfeito, depois do 21º mês houve mudanças, do meu ponto de vista, ok? Eu entendo do que foi combinado entre eu, Eduardo e Wallim antes das eleições, em que fechou com Eduardo sendo candidato, mudou com o tempo. Se me perguntar exatamente porque que mudou, não sei exatamente porque que mudou, porque não fui eu que mudei. Continuo a mesma pessoa, pensando da mesma forma, trabalhando pelo Flamengo, ajudando o Flamengo, como parte do grupo. Em vários momentos fui voto vencido, acatei e honrei o que o grupo tinha decidido. E depois do 21º mês houve mudanças nisso. Não é verdade que depois aquilo o que era decidido pelo grupo era encampado pelo nosso presidente. Bom, eu não sei pelos demais, mas comigo e com Wallim, ele tinha um acordo olho no olho, do que o combinado não é caro. Do meu ponto de vista este cristal se quebrou.

    O sucesso da gestão do Flamengo até agora sempre foi, e talvez o grande público assim como o sócio não saibam, foi exatamente ter um colegiado, ter uma visão parlamentarista dentro do clube. Porque mais de uma cabeça pensa melhor que uma só. Agora, quando o “parlamento” decide uma coisa e uma pessoa isoladamente resolve fazer outra, a gente começa a ter um problema. Quando isto acontece uma vez, duas vezes…e aí acontece quatro ou cinco vezes, eu entendo que os incomodados têm que se mudar. Eu me senti incomodado, e não trabalho desta forma, porque sou um cara que tem palavra. E quando mudo de opinião, digo para as pessoas que mudei de opinião.


    Mundo Bola: E o que pensa do Flamengo do futuro?

    Bap: Quando a gente pensa no Flamengo do futuro, eu acho que não existe possibilidade de se ter um grupo unido, no médio longo prazo, e acrescente isto os desafios de uma nova etapa que o Flamengo terá que enfrentar, com algumas pessoas que, de alguma maneira, não pensam igual aos outros. Quem pensa de uma maneira isolada, personalista, não vai conseguir comandar o Clube de Regatas do Flamengo. E esta é uma preocupação grande que tenho. Então, não acredito que o corpo que a gente tem hoje, se mantido exatamente tal e qual, seja ideal pro Flamengo no próximo mandato.

    Acho que teremos desafios mais importantes, mais complexos, a gente vai ter que fazer mais do mesmo da porta do Flamengo para dentro, mas da porta do Flamengo para fora, a gente tem que ter uma agenda muito diferente. É mais ou menos quando você está estudando na escola, uma coisa é você estar fazendo Ginásio, outra coisa é estar fazendo Vestibular, outra coisa é quando se forma na faculdade, outra é quando vai trabalhar, isto vai mudando com o tempo. A gente vai mudando, se adequando, e as demandas e as cobranças que vem para gente são diferentes. No Flamengo não vai ser diferente. Então, sob este aspecto, juntando a experiência que tenho, pessoal e profissional, e o que tinha idealizado pro Flamengo, Eu, Bap, na minha opinião, não acredito que o Eduardo seja o nome ideal para comandar o Flamengo no novo mandato. Ainda que ele tenha dado uma contribuição importante para o Flamengo. Mas, olha, o Eduardo não teria feito nada se não fosse o grupo que está com ele. Assim como nenhum de nós, isoladamente, teria sido capaz de fazer o que a gente fez. Então, achar que depois que está feito…” Ah! Eu tenho uma maior responsabilidade, um tamanho maior na obra…” Eu acho que não é adequado. Entendeu? Então, basicamente, a razão da minha saída foi a que lhe expliquei, para mim o que é combinado não é caro, começa a combinar uma coisa e fazer outra, pode funcionar pro mundo, comigo não funciona. E eu não vou mudar porque já estou velho para mudar. Agora, as outras pessoas estão absolutamente à vontade para pensar como elas queiram pensar, enfim, a vida é feita de diversidade. Penso diferente de meu filho, da minha filha, ainda assim amo eles. Isto não embota minha capacidade de avaliar o que acho adequado pro Flamengo ou não. Então, resumindo, é isto.


    Mundo Bola: Entendo que havia este grupo ligado a você e outros membros que se uniram depois, alguns não necessariamente concordando com isto…

    Bap: Havia um “núcleo duro” de 8 pessoas. E estas 8 pessoas, de alguma maneira, é que decidiam…é como um partido político. Você pode fazer coalizações, mas as decisões estratégicas mais importantes são definidas dentro do partido. E dentro do partido, a decisão era parlamentarista. Ok? Este é o ponto.


    Mundo Bola: As outras pessoas que faziam parte deste “Núcleo Duro” continuam lá ou estão com o pensamento igual ao seu mas preferiram continuar no Flamengo até para não prejudicar o próprio clube?

    Bap: Olha vou falar por mim. As sete pessoas além de mim continuam lá. Se a maioria concorda com isto? Eu acredito que não. Mas dentro desta maioria tem gente que está para um lado, tem gente que acha que está tudo bem, e tem gente que pensa exatamente como eu, acha que não está tudo bem. Se você for avaliar onde que está o grupo dos que eram fundadores básicos do Movimento desde 2009, estes estão todos pensando como eu. Não tenho a menor dúvida. Agora, tem outros, que se juntaram depois, que fazem parte do Núcleo Duro, e que pensam diferente, é da vida. Talvez eles achem que o clube evoluiu muito bem, que eu seja um cara muito duro, eles estejam relativizando as coisas, ou seja, “melhor assim do que correr o risco de voltar para trás” …e como diz o Vanderlei Luxemburgo, numa frase que acho muito feliz é: “Tem gente na vida que tendo medo de perder, perde a vontade de ganhar”. Não no sentido de ganhar eleitoralmente, mas ganhar no sentido de poder implementar de forma ampla aquilo que a gente sonha pro Flamengo, pelo menos é o que o Grupo, que teve comigo desde o princípio, pensava. Os componentes básicos do Núcleo Duro. Agora, as pessoas têm todo direito do mundo de mudar de opinião. É natural, é da vida.

     

    Mundo Bola: De acordo com o que falou então foi este tipo de princípio de governança de forma colegiada que permitiu estes enormes avanços. Se este tipo de governança não existir mais, não teríamos então mais esta evolução, como aconteceram nestes 2 anos…

    Bap: Os princípios que nos trouxeram até aqui não existem mais. É isto que as pessoas precisam entender. É como rendimento de fundo de investimento. Acha que o rendimento que tem hoje terá garantia do mesmo resultado futuro? Não. A garantia do resultado futuro é a continuidade das melhores práticas. E o que estou dizendo é que isto não está acontecendo mais agora. E irá levar um tempo para as pessoas perceberem. Minha preocupação não é com o curto prazo do Flamengo. A minha preocupação é, o que você falou, tem que ser mantido com gestos e atitudes. Não adianta achar que vai mudar…” Ah! Existe um grupo…” Se você não respeita a vontade do grupo, o grupo não existe mais. “Ah isto quebra o clima do que foi construído” …Não. Mas em um ano muda tudo! Não tenha dúvida disso.

    Algumas coisas ficarão muito claras daqui a 6 meses, daqui a um ano, se a gente não resgatar isto que eu, Bap, acredite ser fundamental. Qual seja? O trabalho do grupo, o trabalho da equipe, não ter ninguém mais importante que o outro. Quando eu perco votação eu sempre me submeto a decisão da votação que perdi no grupo. Faz parte. Não posso perder uma decisão do grupo que decida X e eu faça Y. Não existe isto! Aí o grupo acabou! Agora, o grupo ficar cercado de pessoas que, de alguma maneira, ficam juntas e dizem:” Ah! Nós somos um grupo” …Não basta dizer que é do grupo, entendeu? Você tem que praticar isto. Este que é meu ponto. Que é diferente de algumas pessoas. Respeito a opinião delas mas penso diferente. Acho que a maneira que elas pensam de alguma maneira está incutido no Flamengo nos últimos 20, 25 anos. Eu penso diferente. E aí é aquela máxima da vida: Os incomodados que se mudem.

    Antes que alguém diga que eu queira mandar em tudo no Flamengo. Eu não preciso mandar no Flamengo para atender meu ego. Não é que eu esteja à toa na vida sem fazer nada. Sou presidente de uma empresa que fatura 30 vezes o que o Flamengo fatura. Sou presidente de uma empresa de televisão, e quando alguém diz: “Ah! O problema do cara é ego!” Sim é ego, moro em São Paulo, tenho 3 filhos, tenho filho de 4 anos, tenho filho adolescente fazendo vestibular. Tenho que trabalhar numa empresa grande com imensas responsabilidades mas o que quero mesmo é “mandar no Flamengo” …Pô…menos né? Se eu quisesse realmente mandar no Flamengo, não tinha idealizado, junto com outras pessoas, o conceito do grupo em parlamentarismo.

     

    Mundo Bola: Então, estas pessoas acordaram que o modelo seria este, só que você se afastou por constatar que não…

    Bap: Isto foi combinado fundamentalmente entre eu, Eduardo e Wallim e depois dividido com outras pessoas que eram companheiras de primeiríssima hora. Agora, quando outros se juntaram ao grupo e sabiam que seria assim, e que, de alguma maneira, compraram este conceito do parlamentarismo no primeiro momento. E ao longo do tempo, à medida que os resultados apareceram, ou eles mostraram o que pensavam ou mudaram de opinião, começando a achar que este conceito de parlamentarismo não era adequado para o Flamengo. Então tem gente do grupo que vivia dizendo: “Não! Aqui é presidencialista, quem manda é o presidente!” E está lá ainda. Quando dão errado as decisões a conta é do grupo. Vejo assim, não é justo que a decisão do indivíduo se sobreponha a decisão do grupo. Eu defendo isto. E outros ali também defendem. Onde tem muita emoção como no Flamengo, que é o que me fez entrar no Flamengo, eu entendo que a emoção que tenho pelo Flamengo vai embotar a minha capacidade de emoção por isto que acho um grupo decide melhor que uma cabeça isolada. Então quando começo a achar, que por ser razoável a minha decisão pessoal deve prevalecer, acho que é o princípio do fim deste conceito de parlamentarismo, da unidade do grupo. Esta é minha visão.

     

    Mundo Bola: Então você tem a absoluta convicção que esta sua visão está correta, até pelo sucesso que foi a gestão nestes 21 meses?

    Bap: Exatamente isto! Se a gente pudesse voltar atrás com o ambiente que tem hoje e as condições que tem hoje, a gente não teria tido o mesmo sucesso. É mais ou menos como se você tivesse ido ao médico e ele dissesse: “Você está com câncer, você irá fazer 20 sessões de quimioterapia”. Aí você faz 10 e você começa a se sentir muito melhor e pensa: “Não vou fazer as 10. Já estou ótimo! Sei que não preciso disso…” Leva um tempo para a conta chegar, você concorda?  Este é o meu ponto de vista: O que trouxe a gente ao sucesso e as conquistas retumbantes destes dois anos, foram os princípios que nortearam nossas ações e que trouxeram este resultado espetacular, o que estou dizendo é que eles não estão mais lá. Isto que me preocupa. Agora, a casa vai cair em 6 meses? Não. Vai cair em um ano? Não. Não vai cair. Isto vai ter a continuidade, vai ter o sucesso que a gente projetou em 5, 10 anos? Eu estou garantindo que não vai. Esta é minha opinião.

     

    Mundo Bola: Então, diante disso, você irá sempre continuar batalhando pela continuidade destes princípios?


    Bap:
    Sempre! Eu não acredito que um clube como o Flamengo possa ter um regime presidencialista de fato e de direito que funcione adequadamente.


    Mundo Bola:
    Seria bom mudar o estatuto também, porque o estatuto hoje é todo voltado ao presidencialismo…

    Bap: É, mas não tem uma palavra no estatuto do Flamengo que impedisse a gente de combinar o que a gente combinou e que trouxe os resultados espetaculares que aconteceram nos dois primeiros anos. Eu ouvi sempre muita gente culpando o estatuto do Flamengo de “porque que não faço isto, porque que não faço aquilo”. A verdade é que no estatuto do Flamengo não tem uma linha que diga que você não pode ser correto, que você não pode profissionalizar o clube, que você não pode contratar gente para tocar o clube de forma profissional, que você não pode tocar com um grupo como fiquei te dizendo, não tem uma linha que diga isto! Agora, o que é combinado, na minha visão, deve ser cumprido.

    O fato de ter estado muito bem até agora é pelo conjunto da obra e do que foi feito até agora. Será que estará bem daqui a 1 ou 2 anos? A gente vai ver. Eu não acredito que, quebrado este cristal, mudando estes princípios, ou porque os desafios do Flamengo agora são outros, ou uma combinação dos dois fatores, que a permanência deste modelo tenha sucesso, ou não o sucesso que a gente poderia ter. Esta é minha crença. Mesmo quem diga que eu queira “mandar em tudo”. Olha, não sou candidato a eleição em 2015, ok? Não sou candidato a nada. Não era em 2012 e não sou em 2015. Antes que digam que quero ser presidente do clube, e que, se fosse, iria mandar sozinho. Também não ia! Porque não acredito que um clube como o Flamengo possa ser mandado por um cara só.

     

    Mundo Bola: E hoje você percebe que há, digamos assim, um presidencialismo mais forte.

    Bap: Sem a menor dúvida. Estimulado por alguns que supostamente eram do grupo. Agora, esta é minha opinião. Acredito que as pessoas façam isto porque elas acreditam que isto esteja certo. E o que acontece no Flamengo é o seguinte: quando você pensa diferente as pessoas pensam que você virou inimigo. Penso diferente da minha filha, do meu filho, nem por isto deixo de amá-los. Vou mudar de opinião porque amo eles? Não. Não vou mudar de opinião.

     

    Mundo Bola: Agora, uma observação a respeito deste presidencialismo, com esta Lei de Responsabilidade Fiscal Rubro Negra, que foi aprovada pelo Conselho Deliberativo recentemente, não acha que agora qualquer presidente, com mais responsabilidades financeiras, contábeis, etc. não teria que ter um peso maior nas tomadas de decisões, visto que o nome dele estará individualmente envolvido em qualquer coisa que o clube fizer?

    Bap: Acho que sim. Mas quer saber? A responsabilidade é solidária do grupo. Acho que qualquer presidente do Flamengo devia preferir ter um grupo, como estou falando, tomando as decisões. Ainda que não fosse por uma questão do mérito, fosse uma questão política. Acho que a gente evoluiu muito. Esta mudança de estatuto do Flamengo é um marco importante. Mas quer saber? Este assunto é discutido há dois anos pela gente. Conseguimos aprovar agora.  Mas não é uma coisa que aconteceu nos últimos 30 dias. Reforma do estatuto do Flamengo é um assunto que a gente discute há 5 anos. Se tem uma unanimidade no Flamengo é que o estatuto tinha que mudar. À partir daí todo mundo discorda. Uns acham que tem que ser isto, outros acham que tem que ser aquilo. Uns grupos acham que não tem que se pagar nada por ser sócio do Flamengo. Outros acham que torcedor não deve votar. Uns acham que pode ter voto pela internet outros acham que não. Uns acham que o regime deve ser presidencialista outros acham que não. Uns acham que um Conselho de 4, 5 mil pessoas funciona adequadamente, outros acham que deveriam ser 300. Tem mil formas diferentes de você pensar, o que vejo é o seguinte: independentemente do que diga este novo estatuto, inclusive a parte de responsabilidade fiscal, um grupo coeso e que trabalhe pelo Flamengo na linha “Tudo pelo Flamengo e nada do Flamengo” só ajuda o presidente a dormir mais tranquilo. Quanto mais sólido e mais forte for o grupo, mais tranquilo e menos exposto este presidente vai estar. Esta é minha visão.

     

    Mundo Bola: O Zico outro dia falou que você é muito importante no Flamengo, externou isto, e gostaria que você voltasse, o que teria a dizer para ele?

    Bap: Vou te dizer o seguinte: O Zico, além de meu ídolo, virou um grande amigo meu, por conta do trabalho que a gente desenvolveu até antes de me engajar no Flamengo. Foi garoto-propaganda da Sky. A Sky ajudou a pagar o salário do Zico quando ele esteve no futebol do Flamengo. Nós tivemos a oportunidade de discutir Flamengo apenas e tão somente pelo denominador comum que nos unia que era a paixão pelo Flamengo. Então nós começamos a discutir Flamengo por uma questão filosófica, sem nenhum pano de fundo eleitoral. E o Zico me falou naquela ocasião que o dia em que resolvesse me meter com a política do Flamengo para falar com ele, que, de alguma maneira ele voltaria a ajudar. E ele cumpriu com a palavra dele. Vejo tudo que Zico fala com muito carinho.

    Eu disse isto quando saí: “Saio do Flamengo mas o Flamengo não sai de mim”. Tem projetos que eu tocava lá atrás que eu continuo tocando pelo Flamengo…O trabalho pelo Flamengo é ‘Pro bono’. O fato de ter saído de lá tem muita mais a ver de ter jogado a toalha em relação as decisões que a gente toma. Porque é assim…. sair de São Paulo toda 2ª feira, pegar avião, ir pro Rio de Janeiro, ficar em reunião no clube até 11, meia-noite…Pegar uma ponte aérea às 7 horas da manhã no dia seguinte…não se tem noção da quantidade de problemas que acontece no dia-a-dia do Flamengo. Então é assim, é muita paixão que faz a gente se entregar por isto. O mínimo que a gente espera é respeito, companheirismo…É que as coisas aconteçam como o grupo combinou. Porque era o combinado. Então, o que tenho que dizer pro Zico é assim: Eu não vou trabalhar com pessoas ou em um projeto que, eu pessoalmente, não acredito. Agora, sempre vou ajudar o Flamengo! Eu ajudava a gestão da Patrícia! A Sky continua patrocinando o basquete do Flamengo. Continuo tocando projetos de marketing do Flamengo. Alguns que já saíram do forno, outros que ainda não saíram do forno. Continuo ajudando em questões políticas, onde o papel que exerço na sociedade pode ser usado positivamente pelo Flamengo. Agora, o que não estou mais é no dia-a-dia de tomada de decisões ou de, aqui entre nós, que…eu achava que a decisão do grupo era mais importante do que dos indivíduos. Porque vou ficar indo pro Rio, discutindo, votando determinadas coisas que acabam por serem, na minha visão, subvertidas, no que o grupo decidiu? Não tem mais grupo. Está se usando o grupo como elemento retórico, de mídia, porque o grupo de fato, como foi idealizado, não existe mais. Eu não sei porque. Tem que perguntar para outras pessoas, não para mim. Agora, Zico é um amigo querido, um ídolo, e eu espero realmente voltar ao Flamengo. Mas espero voltar com o modelo que eu acredito. E foi o modelo que trouxe este resultado. Ok? Este resultado não foi conquistado pelo Bap, pelo Tostes, pelo Wallim, pelo Póvoa, pelo Landim, ou pelo Eduardo, isoladamente. Não foi por nenhum destes caras, foi a força do grupo. Agora, depois de um tempo, as pessoas começam a achar que o grupo não é tão grupo…que fulano e sicrano tem um lado que eu não gosto…as pessoas começam a acreditar que o que está lá foi dado, caiu do céu. As pessoas começam a esquecer do que causou o momento positivo pro Flamengo. E o que acho é que a gente não pode esquecer na vida o que ajudou a gente a chegar onde chegamos. Não acredito no que vejo funcionando lá hoje. Posso estar errado. Mas não vou trabalhar ou apoiar o que acho que está equivocado.

     

    Mundo Bola: Tem aliados seus que continuam lá, Wallim, Tostes, Póvoa, Landim…eles continuam no Conselho Diretor.

    Bap: Eles foram eleitos de forma absolutamente legítima. Eles estavam no grupo antes do Eduardo. Eduardo se incorporou ao grupo 27 dias antes das eleições. Vamos deixar claro as coisas, está falando em nomes que trabalharam neste projeto por 3 anos no mínimo. E o Rafael do SóFLA? Se juntou com a gente no processo, trabalhou loucamente. O SóFLA chegou antes do Eduardo! Para te dar um exemplo. A FAT já existia antes do Eduardo. E aí vai se dizer que o grupo A ou B era mais importante do que o outro? O que foi mais importante? Foi a união de todo mundo em cima do objetivo comum que era “Tudo pelo Flamengo e nada do Flamengo”! Agora você achar que isto deu muito certo durante dois anos e agora daqui para frente não é tão importante? Achar que agora deveria ter um regime misto, para umas coisas a gente é presidencialista, para outras a gente é parlamentarista…

     

    Mundo Bola: Para você não serve este regime misto?

    Bap: Para mim este regime misto não serve. Porque o que é combinado não é caro. Vamos repactuar tudo e dizer: Decisões do Tipo A são do presidente, todas outras decisões são parlamentaristas, a gente coloca no grupo. Se o grupo concordar, assim seja. Agora, fazer sem dividir com o grupo, combinar sem dividir com o grupo, isto para mim não funciona. E isto não foi feito uma vez só. Isto que quero deixar claro. Não sou doido.

     

    Mundo Bola: Se o grupo então decidisse em comum acordo, um esquema como de alçada de decisões, em que decisões X fossem do presidente, outras são dos próprios VP´s, passou disso, outros assuntos mais sérios, mais complexos, por exemplo, seria o Grupo. Você veria isto como satisfatório?

    Bap: Perfeitamente! O que é combinado não é caro! 100% correto o que falou. O que não pode é agir assim e nunca ter sido combinado isto.

     

    Mundo Bola: O que faltaria então é uma negociação neste sentido?

    Bap: Não tenho certeza se é negociação, o que acho é o seguinte, na minha opinião pessoal, este estado que nós chegamos, não foi por um problema de falta de comunicação. Eu, infelizmente, não acredito nisso. O que não faltou foi conversa e exteriorização de desconforto com isto. Não é que um dia eu chutei o pau da barraca e todo mundo ficou chocado. Não! Lavação de roupa suja nós cansamos de ter. Não foi uma ou duas vezes. Foram algumas vezes. Acho que quando se tem uma lavação de roupa suja e você não fala, no seu silêncio você está aquiescendo e está concordando. Quando você fica calado, o grupo decide X e você faz Y, para mim você não está cumprindo o que foi combinado. Uma vez é problema de comunicação, n vezes não tem nada de problema de comunicação. Tem a ver com a visão que você tem do mundo, e por você achar que as coisas não devam ser mais como foram idealizadas.

     

    Mundo Bola: Então talvez esteja faltando neste momento uma reavaliação do Conselho Diretor e das pessoas que estão no grupo até para voltar a filosofia original.

    Bap: O que vou dizer é o seguinte: A gente já sabe, porque tem 2, 3 meses que saí, quem pensa de um jeito e quem pensa de outro.

     

    Mundo Bola: Já tem mapeado quem pensa diferente

    Bap: Claro! Totalmente! Eu sei, todos eles sabem. Todos os membros do Conselho Diretor do Clube de Regatas do Flamengo sabem a resposta sobre sua consideração.

     

    Mundo Bola: De qualquer maneira o modelo imaginado para a chapa Fla Campeão do Mundo, a Chapa Azul, que veio da Fla21, é o parlamentarista, que foi executado com extremo sucesso visto as dificuldades que o Flamengo tinha.

    Bap: Corretíssimo.

     

    Mundo Bola: Se todos sabem, e várias pessoas que estão lá dentro sabem do sucesso deste modelo, nada impede uma revisitação sobre o tema em uma negociação de um novo pacto.

    Bap: Acho que é o seguinte. Conceitualmente acho que você está certíssimo. Filosoficamente falando, é isto mesmo que você falou. Conhecendo as pessoas, eu, minha opinião pessoal antes que digam que só estou falando na primeira pessoa, não vou falar em nome de outras pessoas que não estão aqui conversando contigo, ok? Minha opinião é que se elas não pensassem diferente ou não tivessem mudado de opinião, eu não teria saído hoje do Flamengo. Então é assim: eu não vou mudar a forma como penso. Eu não acredito que as demais pessoas, as que pensam diferente de mim, vão mudar a forma como elas pensam. Eu não acredito. Filosoficamente, conceitualmente, a sua consideração está certíssima. Seu eu acho que isto é possível do ponto de vista político? Infelizmente acho que não. Ainda que eu gostaria que fosse hem? Eu acho que seria melhor pro Flamengo. Claro!

     

    Mundo Bola: Porque já funcionou assim, não é nada inusitado…

    Bap: Eu só quero que volte a ser como era um ano, um ano e meio atrás. Perfeito!

    Mundo Bola: Em caso de eleição de uma chapa com Eduardo Bandeira de presidente, você acha que seus aliados continuariam com a diretoria ou só ficariam até o fim desta gestão?

    Bap: Acho que você devia perguntar isto para eles. Eu não sei. Deixa eu te dizer uma coisa, eu sou Flamengo, vou morrer Flamengo, sou Flamengo para caralho! Eu fui Flamengo com Patrícia, não vou ser Flamengo com Eduardo? Claro que podendo eu vou ajudar. Sempre. Eu acho que estes caras que estão conosco, uma das coisas que era denominador comum, é que ninguém precisa de nada do Flamengo, muito pelo contrário. Flamengo tira tempo deles. Para suas profissões, tempo da família, tempo de vida deles. Eles não tiram nada do Flamengo. O conceito era tudo pelo Flamengo e nada do Flamengo. Isto foi fartamente e longamente discutido durante os 3 anos que antecederam a eleição de 2012. Tanto é que os que se juntaram ao projeto tinham isto como mantra. Maioria esmagadora tinha isto como mantra. Então é bobagem achar que se Eduardo montar uma chapa vai todo mundo que está lá sair do Flamengo…Eu não sei! Talvez Eduardo convidasse alguns deles para ficar, alguns aceitariam outros não aceitariam…Eu não sei, o que vou te falar é o seguinte: Eu não volto ao Flamengo sem que o modelo que acreditei, que existiu por quase 2 anos, volte a imperar. Não existe esta hipótese. Porque não acredito nisso. Vou te falar. Houve casos em que fui voto vencido e que deram uma mega merda no clube em que nunca disse pro mundo que era contra. Quer ver um caso? André Santos. Para te citar um.

     

    Mundo Bola: Neste concordo contigo…

    Bap: Então é o seguinte. Eu sou um cara de grupo! Cota extra! Que tal cota extra? Eu fui contra! Nós votamos e decidimos que a gente ia retirar o projeto de cota extra. E nosso mandatário decidiu pela cabeça dele não fazer. Defendeu outra coisa. E quando dá errado, a dívida vem para todo mundo, é isto? Eu acho o seguinte, tem momentos que fui voto vencido, em que botei o galho dentro, desculpa o meu francês…eu engoli minha opinião e o que aconteceu? A vontade do grupo foi soberana. E você quer saber? Ainda que a gente fique puto porque a gente tem ego, a gente tem opinião, o diabo, eu tenho a mais plena consciência que no médio, longo prazo este modelo é o melhor pro Flamengo. Porque “desemocionaliza” as decisões. E o que nos leva em comum lá no Flamengo? É a emoção! E em um sistema com emoção…o que acontece com a pessoa? …Você não tem um dia que está mal? Não tem um dia que faz uma asneira? Uma bobagem que acaba se arrependendo? O grupo é uma rede de proteção para isto. Por isto que a votação do grupo é importante. Porque todos nós temos um dia ruim em que temos vontade de chutar o pau da barraca e depois se arrepende.

     

    Mundo Bola: Hoje vejo na política do Flamengo, a formação de diversos grupos políticos: SóFLA, Sinergia, FAT e outros inclusive de oposição. Então vejo as pessoas se unindo em grupos e tendo decisões de grupo. O que deve ter sido a proposta do Conselho Diretor de início, e de acordo com sua visão, não foi respeitada. Então, para você poder implementar uma gestão neste conceito de grupo, você teria duas alternativas: convencer o Conselho Atual a voltar ao esquema anterior ou construir um novo grupo, pessoas com as ideias parecidas com as suas, para implementar este tipo de governança. O que acha sobre isto? Pretende fazer um grupo?

    Bap: Eu acho que a minha saída foi exatamente para deixar todo mundo à vontade para eles escolherem o que acham melhor. Eu estou montando um processo que a gente pretende lançar um candidato exatamente em cima dos princípios que nortearam o projeto lá de trás. E que trouxe o Flamengo ao sucesso. As pessoas que quiserem se juntar a este grupo…Se no limite todos que quiserem se juntar neste grupo…Só que agora o cara tem que subscrever este troço. São super bem vindos. A outra opção é: você pensa diferente? Perfeito! Monta um grupo, ganha as eleições, e aí convida todo mundo que julgue adequado a fazer parte da Diretoria. O que estou dizendo é o seguinte, se não for no modelo como penso, não vou fazer parte de nenhuma diretoria do Flamengo, não vou colocar meu nome exposto, com princípios que não posso subscrever. É uma questão de pré-requisitos. Não é uma questão de João ou Maria. Entendeu?

     

    Mundo Bola: Então existe este processo que você está formando junto com outras pessoas.

    Bap: Nós estamos conversando porque o que acontece é o seguinte, uma coisa é eu achar isto outra é ter apoio de sócios, ter apoio de gente que queira estar comigo, não é? É uma coisa diferente. Agora eu acredito nisso, tem um mundo de gente que acredita também. Estou surpreso positivamente com a quantidade de gente que, de alguma maneira, apoia. Que é uma maioria silenciosa e que naturalmente não habita ou que não está ali convivendo politicamente com o clube…Agora, existem desafios, não é? Tem que arranjar um candidato, que tem que compartilhar desta forma de pensar, tem que ser confiável, tem que ser um candidato adequado para esta nova fase do Flamengo…O Flamengo, cara, vai ter desafios muito importantes daqui para frente. Liderar as discussões de uma Liga no Brasil, no Rio de Janeiro, partir para um processo de restruturação dos ativos que temos na Gávea, construção de um estádio no Flamengo…você quer saber? Isto é coisa para gente grande, não é trabalho para uma pessoa só. Ainda que fosse trabalho para uma pessoa só, na minha opinião, esta pessoa não deveria ser o Eduardo. É como um jogador em um determinado momento do jogo. Não tem jogador que é mais adequado para um momento ou para outro? Acho que a contribuição que o Eduardo deu foi fenomenal como todo mundo. Eu não acho que a contribuição dele foi maior ou foi menor que os demais. Eu sempre achei isto. O que não tenho mais certeza é se ele continua achando a mesma coisa. Na minha opinião, não.

     

    Mundo Bola: Vejo neste processo que você está formando, diversas intercessões com membros do Conselho Diretor atual. Muitos até devem pensar igual e, acho eu, deve ser um caso de buscar entendimento pelo menos para esta eleição, que para outra já seria outro candidato…

    Bap: Eu não discordo do que você está falando. Concordo conceitualmente. O que estou falando é que pelos elementos eu acho que dificilmente isto teria liga hoje. Em gênero e número, vai. O grau é que, de alguma maneira, acho mais difícil. Se o grupo conseguir arranjar um candidato, uma terceira via, e este nome de terceira via subscrever este conceito de parlamentarismo, está tudo resolvido. Aliás, porque a gente pensou igual durante 21 meses, certo? Vou voltar para o que falei agora pouco. Eu não vou mudar. Eu estou velho para mudar.

     

    Mundo Bola: Agora, uma dúvida que tenho, até histórica, inclusive. Sobre a Fla21. O que deu errado? Porque não aconteceu naquela época? E se tem semelhança com que está acontecendo hoje em algum aspecto?

    Bap: Eu acho que não estava claro no Fla21 que deveria ser um grupo tocando o negócio como parlamentarismo. Acho que este foi um dos principais desafios. O “grupo” acabou que não sendo um grupo, mas um bando. Era um bando que pensava parecido.

     

    Mundo Bola: É que teve uma separação, pessoal migrou para a chapa do Plínio…

    Bap: Enfim, a chapa estava pronta, algumas pessoas pegaram a chapa que estava pronta para apoiar o Areias e deram entrada como se fosse de outro candidato. Legal né? O que acha disso, sem combinar com o grupo?

     

    Mundo Bola: E você aproveitaram a experiência deste episódio para formar a Chapa “Fla Campeão do Mundo”

    Bap: Perfeitamente.


    Mundo Bola: E o funcionamento desta chapa, uma vez eleita, com uma aprovação popular fantástica, teve um funcionamento ótimo por 21 meses e, na sua opinião, degringolou pela falta de prosseguimento em um sistema parlamentarista, pois começou a ter início ações mais individuais.

    Bap: Isto. É assim, é o desrespeito a decisão do grupo. A decisão do Núcleo Duro deixar de ser soberana. Este é o ponto.

     

    Mundo Bola: Pelo que vi nas entrevistas, a maior parte de suas desavenças foram com ações externas do presidente. Não acha que se houvesse a figura de um negociador ou negociadores chancelados pelo Conselho Diretor para tomar frente a estas ações nos órgãos públicos, FERJ, CBF, etc. isto poderia ajudar em sua volta, pois evitaria estes desacordos? Pois a negociação se daria a partir do que o Conselho Diretor decidisse.

    Bap: Não acredito que isto iria acontecer. Eu concordo 100% com que você está dizendo só não acredito que vá acontecer. É isto. Faz total sentido o que você está falando desde que a outra parte cumpra com o que foi combinado. Agora para isto tem que se ter confiança, cumplicidade, e o que aconteceu? Isto com o tempo foi desaparecendo no Flamengo. Infelizmente.

     

    Mundo Bola: E quanto ao futuro, você pretende um dia concorrer a presidente?

    Bap: Você não tenha dúvidas disso.

     

    Mundo Bola: Não seria para agora, seria para 2018?

    Bap: Talvez. Agora deixa eu te dizer uma coisa. Seu eu não conseguisse montar um grupo que me apoiasse em um projeto destes da mesma forma parlamentarista que estou lhe dizendo, eu não seria candidato porque tenho certeza absoluta que o Flamengo não é trabalho para um cara só.
    Mundo Bola: Agora, hipoteticamente, existe o trabalho nas fases mais difíceis, que foram o que vocês passaram, a fase da pedreira, e existe o tempo da bonança, não ache que um sistema presidencialista em tempo de bonança, não que funcione melhor, mas demora a degradar?

    Bap: Isto é um erro de avaliação. O Flamengo, dias de bonança, isto não está tão bem que a gente possa relaxar. Isto que você está falando é uma falácia. Quem acredita nisso, acredita em Papai Noel, em Coelho da Páscoa…olha, é uma encrenca o tempo inteiro. Aquilo é um caldeirão de emoções, de problemas…Vai faltar 5 anos para chegar no ponto que você está falando. Tem um mundo de coisas para fazer no dia a dia, é complicado demais. Todo dia tem bucha.

     

    Mundo Bola: Na sua visão, se não tiver uma equipe pensando coletivamente, com as melhoras práticas de uma equipe qualificada, o Flamengo não anda

    Bap: Se não tiver isto 24×7, exatamente isto. A gente vai chegar daqui a um ano e vai ter realizado muito pouco.  Este é o meu ponto. Achar que este grupo deu o que deu, já foi importante, já cumpriu o seu papel, para a frente não é tão importante, na minha opinião, é um erro de avaliação, um equívoco grave.

     

    Mundo Bola: Como está vendo o Flamengo agora, depois que saiu, está vendo algum avanço ou retrocesso?

    Bap: Eu prefiro não comentar o que você está dizendo porque uma coisa é quando a gente está dentro e a gente sabe, a gente conhece. Tudo que estou te falando até agora eu conheço, tenho propriedade, eu vivi os fatos. Você pode concordar, pode discordar, mas são fatos. Olhando de fora prefiro não comentar porque aí me igualo aos outros 39 milhões de rubro-negros, que são torcedores, e eu teria uma opinião de torcedor, quer dizer, aí a opinião do Bap teria o mesmo valor dos outros 39 milhões. Não tenho necessariamente a base necessária nem a visão completa para, de alguma forma, dar uma opinião abalizada. Posso garantir o seguinte, o que me levou a sair é isto aí. Existe reflexos disso aí dentro do Flamengo? Existe. Teve reflexos do que falei, do que decidi a sair, enquanto estava lá. A cota extra, a gente combinar uma coisa em relação a Federação e fazer outra, teve resultados imediatos! E quem está lá sabe disso. Este é o meu ponto. Ter um monte de gente boa chegando a uma conclusão e faz outra? O regime permite? Permite, é presidencialista. Agora não foi o presidencialismo que fez este resultado espetacular nestes dois anos, ok? Mas não foi mesmo!

     

    Valeu! Obrigado Bap pela entrevista!

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  • Capítulo 2 | Finalmente… O Campeonato Brasileiro de 78

    Todos sabiam que conquistar o certame nacional de 78 seria extremamente complicado. Afinal, o Mengo não poderia contar com Zico e Toninho, na Seleção Brasileira. Além disso, não havia dinheiro em caixa para reforçar o elenco. Nem mesmo a venda de Osni ao Bahia, por 1,5 milhões de cruzeiros aliviava a situação. A esperança era negociar Toninho com o Inter, por mais 3 milhões. O lateral, entretanto, não acertou as bases salariais com o clube gaúcho e permaneceu na Gávea.

    A ordem era prestigiar a prata da casa. Jovens como Leandro, Vítor, Cidade e Lino passariam a ganhar mais oportunidades. Os únicos reforços contratados foram o obscuro centroavante Radar, que veio do Rio Verde, de Goiás, por empréstimo e o ponta esquerda Santos, trocado pelo lateral Vanderlei (Luxemburgo) com o Inter.


     

    Capítulo 2 – Finalmente… O Campeonato Brasileiro de 78

    Primeira fase

    A primeira fase do Campeonato tinha dois grupos com treze clubes e quatro com doze. Os seis primeiros colocados classificar-se-iam para a segunda fase. Os demais, iriam para repescagem. O Flamengo ficou na Chave G. Estreou diante do Fluminense, vencendo por 1 a 0, gol de Luís Paulo. Neste clássico, Modesto Bria dirigiu a equipe.

    Na sequência, Joubert assumiu o comando do time, pelo menos até Coutinho voltar da Copa, em Julho. Mesmo jogando mal, o rubro-negro emplacou mais três vitórias seguidas, todas pelo placar mínimo, sobre o Fast (gol de Júnior Brasília), Remo (gol de Valdo) e Goytacaz (gol de Merica).

    Antes do primeiro revés da equipe, um emissário da Inter de Milão foi a concentração Brasileira e apresentou uma proposta de 1 milhão de dólares por Zico. Márcio Braga tratou logo de rechaçar os italianos. Enquanto isso, a equipe caia diante do América, por 3 a 2(gols de Adílio e Carpegianni) perdendo assim sua invencibilidade na competição

    Na sexta rodada, o Mengo voltou a vencer e não convencer. Bateu o Americano, em Campos por 1 a 0, gol marcado por Radar.

    Outros cinco triunfos fecharam a participação e deram ao fla a liderança do grupo. Contra o Bangu, mesmo com uma zaga improvisada, formada pelos ex juvenis Adriano e Cidade, uma goleada de 4 a 1. Destaque para o “novo ídolo”rubro-negro Radar, autor dos quatro tentos.

     

    O próximo compromisso seria contra o Nacional, de Manaus. Temia-se um prejuízo pelo pouco público. O novo supervisor do clube, Domingos Bosco tratou de convocar a torcida “Venham ver Radar jogar”. O novo xodó não marcou e o time saiu de campo vaiado, mesmo vencendo por 2 a 1 (Santos e Adílio). Radar, segundo o Jornal O Globo do dia seguinte, não conseguia nem mesmo dominar a bola.

    Na nona rodada, a melhor partida do time. Júnior e Tita marcaram, no 2 a 1 em cima da Portuguesa. No triunfo seguinte, diante do Paysandu, Tita e Radar fizeram os gols do 2 a 0. Finalmente, em Piracicaba, o Mengo bateu o XV, por 2 a 1 (Júnior e Tita). Encerrando assim sua participação.

    Aproveitando-se de uma folga na tabela, antes do início da segunda fase, a equipe pode recuperar alguns jogadores, como Cláudio Adão e marcar três amistosos, atenuando um pouco a crise financeira. Por recomendação do Vice Presidente de Futebol, Ivã Drumond, Leandro, que vinha impressionando nos treinamentos, deveria ser testado na vaga do oscilante Ramirez.

    O primeiro amistoso aconteceu diante do Atlético de Alagoinhas. Três a um, para o Flamengo, com gols de Júnior, Ramirez e Valdo. Contra a Seleção de Ipiáu, goleada de 4 a 0 (Radar, duas vezes, Luís Paulo e Merica). A última partida foi diante da Seleção de Nova Friburgo. Mais um triunfo tranquilo, desta vez de 3 a 0 (Tita, duas vezes e Anselmo).

     

    Segunda fase

    A excelente campanha na fase anterior dava ao Flamengo uma certa tranquilidade. Afinal, agora seriam formados quatro grupos, com nove integrantes dada.Os seis primeiros estariam classificados a terceira fase, juntamente com o time que tivesse a maior pontuação dentre os 12 eliminados (achou confuso e bagunçado? Tudo culpa de nossos cartolas).
    A estreia foi diante do Corinthians, no Morumbi. Radar marcou e salvou o time da derrota. O 1 a 1 ficou de bom tamanho pelo que as equipes apresentaram. Na sequência, mais dois empates, ambos no Maracanã, frente ao Sport ( 0 a 0) e Botafogo (1 a 1, gol de Tita). Neste jogo, o rubro-negro desperdiçou a oportunidade de acabar com uma longa invencibilidade do alvinegro.

    Nos treinamentos, Cláudio Adão finalmente havia se recuperado de uma lesão e voltaria ao time, se fosse bem no coletivo. Depois dos 3 a 1 nos juvenis, gols de Valdo, Adão e Evilásio, ele foi confirmado. Outra boa notícia vinha da Seleção. Toninho renovara seu contrato com clube.

    A primeira vitória nessa fase veio somente na quarta rodada. Cláudio Adão, de volta a equipe e Júnior, de pênalti, marcaram no 2 a 0 em cima do Juventude. Entretanto, toda a animação que tomara conta da torcida e do treinador Joubert foi por água abaixo logo na rodada seguinte, depois da derrota para o Operário-ms, por 1 a 0.
    Faltavam três rodadas e a equipe sabia que precisava somar pontos, para não depender de outros resultados para classificar-se. No Maracanã, triunfo de 2 a 0, em cima do Botafogo de Ribeirão Preto, que contava com um jovem doutor e futuro craque chamado Sócrates. Os gols foram de Adílio e Merica.

    Na sétima rodada, um empate sem gosto, frente ao Comercial, por 1 a 1 (Radar). Insatisfeito com o rendimento da equipe, Joubert escalou Tita na ponta direita (lugar que ele iria ocupar anos depois). No coletivo, deu tudo certo três a zero nos reservas, tentos de Adílio, Carpegianni e Cláudio Adão. Outra mudança promovida pelo treinador foi a barracão de Cantareli. Roberto entraria em seu lugar.

    O Flamengo precisava ao menos do empate diante do América, na última rodada, para não depender de outros resultados. Mais uma vez, o time rubro aprontou para cima do mengo. O 2 a 0 obrigava o fla a esperar pelos demais resultados e jogos atrasados para saber se iria ou não disputar a terceira fase.

    Para piorar ainda mais a situação, na disputa de terceiro lugar da Copa do Mundo, Toninho machucou seu joelho e Zico sofreu uma forte distensão na coxa. O galinho estava definitivamente fora da fase decisiva do nacional, se o time se qualificasse.

    A vaga acabou sendo conquistada, mesmo com o Mengo tendo terminado apenas na sétima colocação. O clube entrava por índice técnico. O médico Célio Cotechia vai ao aeroporto, receber os lesionados do Flamengo. Fica desanimado e diz que Zico só volta em 60 dias.

    Antes da próxima fase, mais dois amistosos, afinal, havia contas a serem pagas. Diante da Seleção de Macuco, goleada de 4 a 0, gols de Ramirez, Enéas (contra), Merica e Júnior Brasília. Já frente ao Estrela do Norte, vitória magra, pela contagem mínima (gol de Valdo).

     

    Terceira fase

    A terceira fase do brasileiro contaria com quatro grupos, com oito integrantes. Apenas os dois primeiros colocados avançariam as quartas de finais. Antes de estrear, contra o Botafogo, Radar, que havia perdido espaço com a volta de Adão, é devolvido ao Rio Verde. Bosco ainda tentou prorrogar o empréstimo ou parcelar a compra, mas não houve acordo.

    Mais uma vez, o rubro-negro tinha a oportunidade de dar um fim a longa série invicta do Botafogo. Novamente, falhou. O clássico acabou igual ( 1 a 1, gol de Carpegianni). Pior, Júnior sentiu uma contusão e não poderia atuar diante do Palmeiras.

    Contra o verdão, Ramirez foi improvisado na lateral esquerda e o novato Leandro, fez sua estreia no time titular. O resultado foi decepcionante (novo empate de 1 a 1, gol de Adílio), porém nascia para o futebol um dos maiores jogadores da história do clube. A atuação de Leandro foi elogiada pela imprensa e arrancou do técnico Joubert a seguinte declaração “Leandro foi realmente uma surpresa. No segundo tempo do jogo contra o Palmeiras, em vez de marcar, estava sendo marcado pelo ponta esquerda Nei”.

    Os dois empates já não haviam sido bons resultados. Entretanto, uma goleada sofrida frente ao Grêmio, por 5 a 2 (gols de Santos e Júnior, de pênalti), praticamente sepultaram qualquer pretensão rubro-negra de brigar pelo título. Além disso, a derrota foi o estopim de uma crise na Gávea. Carpegianni disse que queria ser vendido. “Não aguento mais. O time não tem defesa, meio de campo ou ataque. Está tudo muito mal. Estou louco de vontade de sair. Desesperado mesmo”. Nos microfones da Rádio Nacional, o Apolinho, Washinton Rodrigues dizia que alguns jogadores não mereciam vestir o Manto Sagrado. Sobrou até mesmo para Júnior. O Presidente Márcio Braga era outro pessimista. “Não há dinheiro para contratar reforços. Temo pela nossa participação no Campeonato Estadual. Vou pedir ajuda a FAF (Frente Ampla pelo Flamengo)”. Segundo relatório apresentado por Ivã Drumond e Domingos Bosco, o time necessitava de pelo menos quatro reforços. Um goleiro, um zagueiro, um ponta direita e um centroavante.

    Pela quarta rodada, a equipe foi ao Morumbi e segurou o 0 a 0 frente ao São Paulo. Diante do quadro, a igualdade foi considerada um bom resultado. Na sequência, veio um alento. Uma vitória de 3 a 1 sobre o Coritiba, no Maracanã (gols de Cláudio Adão, Toninho e Adílio). O lateral Toninho voltou ao onze titular, mesmo estando fora de forma e sem ritmo de jogo.

    Para ter qualquer chance de se qualificar, o Flamengo precisava vencer seus dois últimos compromissos por três gols de diferença ou mais (pelo regulamento, isso daria três pontos por vitória).

    E ainda torcer por uma grande e complexa combinação de resultados. O técnico Joubert e o Supervisor Domingos Bosco disseram que ainda acreditavam.

    O sonho terminou na sexta rodada. O algoz foi novamente o América. A derrota de 1 a 0 foi uma vingança de Jaime Valente, que havia sido demitido da equipe da Gávea e agora dirigia o time rubro.

    Restava apenas cumprir tabela, na derradeira partida. Antes da viagem para Bauru, onde enfrentaria o Noroeste, Cláudio Adão alegou dores na coxa e foi cortado da delegação que iria para o jogo e depois para a Argentina, disputar um amistoso diante do Talleres, em Córdoba. Desmotivado, o Mengo foi dominado pelo adversário e o revés por apenas 1 a 0 acabou sendo pouco, tal o domínio do Noroeste. Agora, era juntar os cacos e se preparar para o Campeonato Carioca!

     

    No próximo episódio: Finalmente, começam as alegrias!

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    Leia a Saga do Penta – BIOGRAFIA RUBRO-NEGRA

     

    Capítulo 3 | Com título épico contra o Real Madrid: A preparação para o Carioca de 78

     

     


    Gustavo Roman é jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros No campo e na moralFlamengo campeão brasileiro de 1987, Sarriá 82 – O que faltou ao futebol-arte? e 150 Curiosidades das Copas do Mundo. Conhecido como um dos maiores colecionadores de gravações de jogos de futebol, publica toda quinta-feira, aqui no Mundo Bola, a série “Biografia Rubro Negra 1978-1992”, onde conta a saga do período mais vitorioso da história do clube mais querido do mundo.