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  • Sub20 vence Palmeiras e decide vaga pra final na Gávea


    Felipe Henriques | Twitter @Lipe_Henry

    O Flamengo vai disputar a primeira colocação do Grupo E contra o Fluminense na próxima quarta-feira, na Gávea, às 15h. Isso, porque venceu o Palmeiras por 2-0, gols de Cafu e Felipe Vizeu, de forma incontestável no interior paulista, na cidade de São José dos Campos.

    Precisando da vitória para continuar sonhando com o título, o Flamengo iniciou o cotejo partindo pra cima do adversário, perdendo duas boas oportunidades nos 10 primeiros minutos. Em contra partida, o Palmeiras também teve suas chances para sair na frente no marcador.
    Porém, foi o rubro-negro que abriu o placar: Cafu cobrou uma falta na entrada da área com extrema categoria, sem chances para o goleiro palmeirense: 1-0, num jogo equilibrado mas com o domínio do Mengão em chances criadas e em posse de bola.

    No segundo tempo, a vantagem foi ampliada por Felipe Vizeu, que substituiu Douglas Baggio, integrado aos profissionais e artilheiro do Mengo na competição. O Palmeiras bem que tentou, mas não conseguiu ameaçar e a vitória foi justa.

    O resultado deixou o Mengão na 2ª colocação do grupo E, atrás apenas do líder Fluminense com 13 pontos. O Palmeiras ficou com 4 pontos na terceira colocação e o lanterna é o Vasco, com todo o respeito, sem nenhum ponto.
    Pelo menos no “aperitivo” para o duelo do próximo domingo, deu Mengo, que segue sonhando com o título do Brasileirão sub-20.

     

     

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  • Vencer ou vencer: Flamengo encara Palmeiras pelo Brasileiro Sub20

     

    A ótima campanha no principal campeonato organizado pela CBF precisa comemorar uma nova vitória hoje. Isto porque o time Sub20 do Flamengo se viu obrigado a ganhar do Palmeiras, jogo que vale pela penúltima rodada da fase de classificação para a grande  final.

    O Flamengo soma 9 pontos e tem que somar mais três pontos e chegar com condições de superar o Fluminense, com 13 pontos. É vencer hoje e vencer na próxima quarta-feira, dia 19, na Gávea. O vencedor do Grupo E decide com o vencedor Grupo F, onde Vitória-BA e Cruzeiro estão na briga.

    A grande esperança de gols está nos pés de Felipe Vizeu, que vem substituindo o artilheiro Douglas Baggio, que agora compõe o grupo profissional.

    O jogo tem transmissão pela ESPN Brasil à partir das 20h, no estádio Martins Pereira, em São José dos Campos-SP.

    O Mundo Bola vai publicar o pós-jogo minutos após o apito final.

  • Fortalecido! Borges supera pressão após boa apresentação tática do time

    Cristóvão ousa e consegue encontrar variação quando não puder contar com o grande artilheiro Guerrero


    Diogo Almeida | Twitter @DidaZico

     

    A semana começou com muita pressão para Cristóvão Borges. Acostumado a dirigir equipes menores do futebol brasileiro, Cristóvão parece começar a entender que não tem derrota compreensível e vitória sem críticas no Flamengo. Apoiado por Bandeira, que o considera um técnico moderno e aberto a novos conceitos, ganhou sobrevida considerável no cargo depois da vitória alcançada na noite de ontem, após péssimos resultados diante de Santos e Ponte Preta.

    Sem ganhar do Atlético Paranaense desde 2009 – jogo épico da volta do Imperador – em Brasileiros, o time começou o jogo embalado pela expectativa acerca da escalação de Ederson no lugar de Guerrero. A dúvida do treinador era se Ederson daria movimentação e, consequentemente, fluidez ofensiva para a proposta que começava pelos dois volantes leves, Allan Patrick de armador principal, e Evérton mais Sheik fazendo os ponteiros com obrigação de marcar pelos flancos. Ederson precisaria ser agudo e contundente.

    Ao longo do primeiro tempo, assim que a marcação rubro-negra encaixou, as peças do tabuleiro ofensivo armado por Borges começaram a desempenhar seus papéis e o time teve momentos de muita lucidez. É claro que, algumas jogadas deixaram flagrantes a a falta de um artilheiro, mas a proposta de jogo foi cumprida. Mesmo que o primeiro gol da partida tenha saído de uma falha da zaga adversária somada ao oportunismo de Wallace.

    No segundo gol, a falha da zaga foi decisiva para o gol de desempate de Sheik, mas não ocorreria sem a marcação avançada, que naturalmente ocorreu por alguns momentos importantes da partida, outro dedo do técnico e dedicação do grupo, que nitidamente enxerga Cristóvão como bom comandante. E demonstra isso em campo.

    Boa estreia de Ederson! | Foto Flamengo/Gilvan de Souza

    Quando Ederson arrancou e optou por um drible corajoso em direção ao gol em contrapartida a um bom passe, a falta em frente à área foi o único recurso adversário. Foi assim que nasceu o terceiro e decisivo gol, na cobrança perfeita de Allan Patrick. O primeiro tempo se encaminhava para o fim e Ederson estava agradando com o manto e o 10 nas costas. Não pesou.

    O esquema improvisado de Cristóvão – foi treinado apenas na terça-feira – pode ser uma alternativa para o time do Mengão nos jogos sem Guerrero. Claro que não há fórmulas prontas no futebol, o próprio treinador sabe disso: “A equipe vem mantido uma qualidade. Cada jogo é um jogo, mas é claro que a gente ficou satisfeito hoje, ainda mais sabendo que o Ederson ainda tá sem ritmo” declarou na coletiva de imprensa após o jogo, porém não há muita dúvida que houve um lucro quando boa parte da torcida só enxergou prejuízo na suspenção do peruano.

    Ederson saiu com cerca de 10 minutos da etapa complementar. Kayke entrou e mostrou que pode ser útil. Forte e habilidoso, mostrou-se bem concentrado nas jogadas de ataque e até mesmo na cabeçada do gol anulado por estar em posição de impedimento. Trazê-lo pode ter sido uma solução bastante acertada.

    O placar do jogo entre Flamengo e Atlético-PR não condiz com a verdade, o Flamengo enfrentou uma forte equipe, que briga na parte de cima da competição desde a primeira rodada e teve atuação acima da média. A torcida acordou feliz pela vitória, esperançosa novamente com o futuro no Brasileiro e, acima de tudo um pouco mais convencida que Cristóvão sabe preparar o time para enfrentar os adversários. O que não encobre outros erros do treinador.

     

    Cristóvão preparou bem o time, mostrou que tem o grupo na mão e testou esquema | Foto Flamengo/Gilvan de Souza

     

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  • Atuações: Sheik manda no jogo, e Ederson estreia bem; notas de Flamengo 3×2 Atlético-PR

    Atuações: Sheik manda no jogo, e Ederson estreia bem; notas de Flamengo 3×2 Atlético-PR


    Hesley Menezes | Twitter @_hesleymenezes

    César: Saiu mal em muitas bolas cruzadas na área, mas não vi culpa em nenhum dos gols. O primeiro pode ter sido defensável. Nota 5.

    Pará: Melhor partida dele pelo Flamengo. Apoiou bastante e, na defesa, quase não deu espaços. Ótimo jogo do lateral direito do Mengão. Pra ganhar confiança, tanto pra ele, como da torcida. Nota 7,5.

    César Martins: É alto, mas não parece usar muito esse recurso a seu favor. Foi com ele, a disputa de bola por cima no 2° gol do time paranaense. Nota 5,5.

    Wallace: Ajudou ofensivamente abrindo o placar do jogo. Mas sua principal função é defender. E nisso, o capitão do Flamengo, tá longe de executar bem. Nota 5.

    Jorge: Já não encontro mais palavras pra descrever as partidas do Jorge. É sempre muito regular, joga bem todo jogo. Que tranquilidade, esse moleque tem! Nota 7,5.

    Márcio Araújo: Nem boa, nem péssima partida. Jogou mais aberto pela direita em uma função diferente da que vinha fazendo. Ajudou bem no ataque e na defesa. Nota 6.

    Canteros: A oscilação continua. É um jogo péssimo, outro bom, um péssimo, outro bom. Hoje o argentino jogou na posição em que mais rende. Marcando como volante, e distribuindo o jogo de trás. Com 2 meias mais ofensivos em campo, ele não chegou tanta a área como nos últimos jogos. Nota 7.

    Alan Patrick: PARTIDAÇA! Chegou ao Fla com desprestígio pela passagem no Palmeiras, e a expectativa era de que ele fosse apenas útil ao elenco. Mas vem gastando a bola nos últimos jogos, e merece ser titular. Dor de cabeça boa para o Cristóvão. Hoje fez um golaço de falta. Também deu a assistência para o gol do Wallace. Nota 8.

    Ederson: Era o estreante da noite, e uma partida razoável já era lucro. Mas o Ederson estreou bem, com confiança. Partindo pra cima, driblando, arriscando, finalizando em gol. Ótima estreia do novo camisa 10 do Mengão. Nota 8.

    Everton: Não apareceu muito no jogo, mas foi dele o passe de cabeça pro gol do Emerson. Nota 6.

    Emerson Sheik: O dono do jogo. Assim como Pará, me arrisco a dizer que foi a melhor partida do Sheik desde a sua volta ao Flamengo. Ele é inteligente com a bola, tanto com o placar adverso, como a favor. Ele se movimenta, dribla, arrisca, joga em todos os lugares do campo. No segundo tempo, ele simplesmente gastou a bola, provocando várias faltas, segurando a bola no ataque, e até causando a expulsão de um volante do time atleticano. Nota 8,5.

    Kayke: Pouco tocou na bola nos momentos em que esteve em campo. Fez um gol, mas estava em posição irregular. Nota 5.

    Samir: Entrou na vaga do Wallace, que saiu machucado, e não comprometeu. Nota 5.

    Jonas: O Walter ‘deitou e rolou’ em cima dos zagueiros do Flamengo. O gordinho do rubro-negro do time paranaense dominava a bola e era um Deus nos acuda na zaga do Flamengo. Ninguém conseguia tirar a bola do atacante. Mas isso foi só até a entrada do Jonas. Logo na primeira disputa com o jogador que mais levava perigo à nossa defesa, o volante do Flamengo fez o que mais gosta e sabe fazer: roubou a bola. Nota 6,5.


    Cristóvão Borges: Escalou bem o time, mas insistiu em manter o Márcio Araújo no time titular, deixando Jonas, o nosso melhor jogador na bola aérea, no banco. O resultado era previsível. Tomamos dois gols em bolas aéreas. Pelo menos desta vez, fizemos 3 e saímos com a vitória. Nota 6,5.

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  • O nascimento de uma nova Embaixada da Nação


     Diogo Almeida | @DidaZico

     

    É um sentimento que toma conta de nossas ações. Ser Flamengo morando longe do Rio de Janeiro é um estado de espírito. Dificilmente não houve um posicionamento conceitual – mesmo que ancestral: passado de pai pra filho – baseado nas condições impostas pela força vital flamenga, raça, amor e paixão.

    Munido desses sentimentos, um grupo de jovens vem fortalecendo a fé rubro-negra em Vitória da Conquista, cidade situada no sudoeste da Bahia. O município se destaca pelo crescimento acelerado de seu PIB e a importância estratégica em uma região com mais de 50 cidades desde o norte de Minas Gerais. Entre os cerca de 350 mil habitantes, boa parte torce pelo Mais Querido.

    É dentro desse contexto que está nascendo uma nova Embaixada da Nação, a FlaConquista, e que belo nome, não?

    Conversamos com o Rava Ogawa, que junto com a Jade Morais, estudante de nutrição de 19 anos, o Warlisson Santos, estudante de fisioterapia de 23

    Jade Morais, Rava Ogawa, Ravier Carvalho e Warlisson Santos: A turma que organiza | Foto Rava Ogawa

    anos e o Ravier Carvalho, advogado, formam uma espécie de comissão de organização das atividades da Embaixada: “A ideia de juntar um grupo partiu do Warlisson, e a galera passou a se juntar desde o primeiro jogo contra o Náutico, pelas oitavas de final da Copa do Brasil” informou, “Partiu do Ravier a motivação pra gente estudar a possibilidade de virar uma Embaixada”, informou o estudante de 19 anos.

    No site oficial do Fla, as embaixadas da Nação são descritas como movimentos espontâneos de torcedores. A vontade de ver o Mengão irmanado com outros rubro-negros, longe do Rio de Janeiro, tantas vezes em localidades milhares de quilômetros distantes da sede do clube é algo que só fazendo parte conseguimos explicar. Os torcedores do Flamengo que não moram na cidade-sede do Mais Querido naturalmente foram chamados de off-Rio, uma denominação que usamos na falta de outra melhor…

    Organizar esses núcleos, que surgem despretensiosamente, é algo de suma importância em um momento complicado para a torcida rubro-negra, que vem sendo alvo de grupos radicais de torcedores dos times locais, movidos pelo bairrismo e pelo preconceito. A torcida flamenguista, espalhada por todas as partes do Brasil, vem, sistematicamente, sendo tratada com bastante agressividade. As Embaixadas da Nação são uma força vigorosa de aglutinação ordeira, feliz e condizente com os verdadeiros ideais do Flamengo, e, o melhor, de forma segura.

    “Estamos crescendo, todo jogo vamos pro Bar Goró, nosso reduto. Sabemos das exigências para oficializar uma Embaixada e aos poucos queremos preencher os requisitos”, disse orgulhoso.

    O Flamengo concede uma caráter institucional às Embaixadas. É um braço que se estende da Gávea, ramificando-se e cruzando fronteiras internacionais. Um diploma entregue cerimoniosamente lembra os deveres cívicos da Embaixada perante a Nação, que são elas:

     Realizar encontros com frequência em locais fixos e pré-determinados, escolhidos pelos participantes;

    –  Dispor de coordenadores com atribuições de marcar as datas e tomar as providências para a realização das reuniões;

    –  Disponibilizar endereço para correspondência;

    –  Ter mais de um ano de existência.

     

    Fonte: Site Oficial

     

    Se você é de Vitória da Conquista ou está pela cidade, junte-se à FlaConquista! Entre em contato.

    Rava Ogawa: 77 9133-6786

    Ravier Carvalho: 77 9165-4376

     

  • No olho do furacão

    Pressionado após dois resultados ruins, Flamengo recebe o Atlético-PR no Maracanã na estreia de Ederson



    Incertezas têm cercado a cabeça dos rubro-negros com relação ao lugar que esse time merece estar na tabela do Brasileirão. Poderia estar brigando por G4? É de meio de tabela ou vai brigar pra não cair outra vez? Oscilando, o Flamengo que vinha no embalo de Guerrero, vem de empate contra o Santos em casa, e derrota pra Ponte Preta em Campinas, em jogos que foi melhor que o adversário.

    Pronto para estrear, Ederson precisou de mais tempo para estar em melhores condições físicas. (Foto: Flamengo Oficial / Gilvan de Souza

    E hoje, recebe o Atlético Paranaense, que é mais um daqueles times “chatos” de se enfrentar. Tem uma equipe jovem, com bons valores, e com o técnico Milton Mendes, que chegou contestado em abril vindo da modesta Ferroviária(SP), e hoje ajuda sua equipe a ocupar a sexta colocação no Brasileiro, com 29 pontos, apenas um a menos que o último integrante do G4, o Fluminense.

    No Flamengo, após a derrota de domingo, dois treinos e uma certeza. A estreia do meia Ederson, que depois de pedir para não ser relacionado para a última partida em Campinas, fará sua estreia no Flamengo. O meia toma o lugar do atacante Paolo Guerrero, desfalque importantíssimo, que está suspenso após tomar o terceiro cartão amarelo, todos por reclamação. Ederson deve formar o meio campo ao lado de Alan Patrick, deixando Everton e Emerson na frente, ou podemos ter uma linha de 3 com Everton mais recuado, e Sheik adiantado no comando de ataque. Fora isso, a equipe é a mesma que começou o jogo contra a Ponte no último domingo. Além de Guerrero, Luiz Antônio também está suspenso pelo terceiro cartão. Marcelo Cirino, Paulinho, Armero e o goleiro Paulo Victor ainda desfalcam a equipe com problemas de lesão.

    Pelo lado do time paranaense, o treinador Milton Mendes deixou o mistério de lado e já confirmou a equipe que iniciará o jogo desde ontem (11/08). Mesmo com as boas atuações dos meias Fernando Barrientos e Daniel Hernandéz na última rodada, Milton opta por uma linha de 3 meias com Marcos Guilherme, Nikão e Bruno Mota, sem alterar o desenho tático da equipe, com Walter na frente. O Atlético tem como desfalques o lateral Bruno e o zagueiro Cleberson, que estão se recuperando de lesões.

    Vale lembrar, que para este jogo teremos o retorno do atacante Kayke, que após 7 anos rodando o mundo, voltou ao clube que o revelou. E inscrito no BID, o atleta estará entre os suplentes para a partida de hoje.

    Flamengo e Atlético PR entram em campo às 19:30, no Maracanã.

     

    FICHA TÉCNICA:
    FLAMENGO X ATLÉTICO-PR

    Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
    Data:  12 de agosto de 2015
    Horário: 19h30
    Árbitro: Marcelo Aparecido de Souza (SP)
    Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Rogério Pablo Zanardo (SP)

    FLAMENGO: César; Pará, César Martins, Wallace e Jorge; Márcio Araújo, Canteros, Alan Patrick, Ederson e Everton; Emerson
    Técnico: Cristóvão Borges

    ATLÉTICO-PR: Weverton; Eduardo, Kadu, Vilches e Sidcley; Otávio, Hernani e Bruno Mota; Marcos Guilherme, Nikão e Walter
    Técnico: Milton Mendes

     

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  • Futebol + CT: O foco está no lugar certo?


    Luiz Filho | Twitter: @lavfilho

    Prosseguindo com o Centro de Treinamento como assunto da coluna, gostaria de questionar a “a cultura do ‘faraonismo’” x CT possível. Insistimos em um CT faraônico, monumental, mas megaestruturas são fundamentais? O foco está correto? Talvez o futebol do Flamengo (e o CT) estejam no caminho errado em relação à preparação. Penso que o foco deva ser nas pessoas; funcionários e atletas. Pra exemplificar o que penso, traçarei paralelos com o atletismo e natação, os esportes que distribuem mais medalhas olímpicas, discutiremos modelos, que possam ser aplicados no futebol brasileiro, no futebol do Flamengo.

    Pensando na estrutura, nos funcionários que trabalham no clube, penso sim que devam ser o foco do trabalho do clube na criação de uma filosofia esportiva, logicamente apoiada em tecnologia e conhecimento, investindo-se na qualificação dos serviços prestados dentro do departamento de futebol em todos os níveis. Do “chão de fábrica” ao executivo top, porém formando, formar é importante, cria identidade, desde que não haja acomodação. A demissão de José Luiz Runco pode ser uma oportunidade de reformulação interna, porém não sabemos o que acontece dentro do departamento de futebol.

    Utilizando a natação como campo de conhecimento esportivo, é válida a experiência americana no esporte. Depois do fracasso nas olimpíadas de 1972 (Austrália 8 x 2 EUA, em ouros conquistados), resolveram massificar de vez, tornando a natação em um dos mais populares. Investiram em novas técnicas de treinamento, em todos os níveis da creche à universidade. E não é exagero. Hoje existem 330 mil nadadores federados, num país de 300 milhões de habitantes. No Brasil são 10 mil numa população de 200 milhões. Dá pra fazer um paralelo com o futebol, nossa modalidade mais popular, ok? Da quantidade se faz a qualidade.

    O exemplo australiano, que derrotou a equipe americana na olimpíada 1972, também é bacana. Como sede das olimpíadas de 2000, detentora de grande tradição na natação mundial, a Austrália (confederação e comitê olímpico) resolveu criar um centro de excelência em natação único no mundo. O investimento em tecnologia do esporte foi muito grande. Foi o primeiro centro desse porte específico para um esporte. Cuidava do dedo mindinho até o último fio de cabelo (passando pela cabeça, as mentalidades). Formaram um “exercito de superatletas”, dentre eles Ian Thorpe, o mais famoso. Também dá pra trazer pro futebol atual, a captação, a formação e a lapidação do talento ao extremo.

    O clássico EUA x Austrália na natação é a comprovação de que não existe caminho perfeito, mas existe um caminho. Um encontrou na popularidade e o outro na técnica a excelência, a competitividade. A natação é extremamente popular na Austrália e há nos EUA uso massivo de tecnologia, também. O que há em comum nestes exemplos: nos dois países há competições semanais, com rivalidades individuais, municipais, estaduais, nacionais, entre colégios, universidades, etc. No Brasil não existem tantas competições, não há essa competitividade natural, em fases de treinamento. Sem entrar na “questão do esporte natação”, os caras competem em todos os períodos físicos, técnicos, táticos, tem na competição algo natural, mentalidade vencedora. O Flamengo deve buscar seu caminho.

    No atletismo também existem dois modelos muito bacanas para se pensar na produção atlética. Não falarei dos EUA, que também produz atletas aos montes, de excelência, as vezes com métodos não ortodoxos (doping, inclusive uma grande investigação em nível mundial foi aberta semana passada), fixarei com foco no ser humano, nos métodos de treino, com dificuldades semelhantes às que temos no Brasil. Pode ser no atletismo, futebol, ou qualquer outra coisa. Quênia e Jamaica são escolas tradicionalíssimas do atletismo mundial. Sem tantos recursos tecnológicos, nem financeiros.

    No Quênia, tudo é favorável ao atletismo quando se refere às provas de longa distância, de resistência atlética, as provas de fundo, como são chamadas. O treinamento é executado em grandes planícies, na verdade em altiplanos. A altitude melhora o desempenho atlético em comparação ao “nível do mar”, o biótipo dos quenianos também favorecem ao tipo de competição. Altos, longilíneos, com tendões e ossos longos. Não se trata de “dádiva de Deus”, o “povo escolhido para tal tarefa”, tem muito trabalho ali. Treinadores locais foram estudar na Europa, principalmente e disseminaram os métodos de treinamento simplificado e eficaz. Extraem a qualidade da quantidade, com qualificação, excelência.

    Na Jamaica é parecido. O biótipo é favorável, porém para as provas de velocidade, explosão muscular. Os caras treinam e treinam muito! Competem desde criança, extraindo a qualidade da quantidade. Há uma competição escolar, a maior do país, onde crianças de 12 a 16 anos competem no estádio nacional. São aproximadamente 6 mil competidores de todo o país. Lembremos que a Jamaica é pequena, e tem muitas medalhas em jogos olímpicos e mundiais de atletismo.

    Lá o atletismo é currículo escolar e extraem da quantidade, a qualidade. Lá o foco está nas pessoas, não pura e simplesmente no treinamento. O exemplo máximo é o fenômeno Usain Bolt. O homem mais rápido de todos os tempos, um superatleta que nunca correu em seu potencial pleno, já que comprovou-se em estudos que poderia correr 0.08s abaixo do recorde mundial se não se soltasse, se “corresse até o fim”. Faria 100m em 9.46s não 9.58s (tente correr 100m). Monstro! Esse mito do esporte mundial, pasmem, treina em pistas de grama até hoje. GRAMA.

    Como pode um superatleta treinar na grama? Bolt quase não corre em pistas, somente em fase de polimento e as competições. Logicamente ele tem estrutura, mas o país talvez não tenha para dar o suporte que imaginamos daqui, principalmente quando pensamos em dinheiro. Pois é, o foco é nas pessoas, na preparação. No atletismo: Jamaica x Quênia o foco é na técnica, característica do povo, a falta de recursos faz os campeões o ser humano preparado, não mimado. Tenho me questionado: será que o investimento no futebol brasileiro está certo? Será que o melhor investimento é mesmo na estrutura? Pra lapidar é necessitaria uma megaestrutura? Talvez, não. Sei que a estrutura ajuda, contudo o foco deve ser nos profissionais, os que aparecem na ponta do processo (jogadores, treinador) e os de base, os que não aparecem (analistas de desempenho, preparadores físicos e técnicos, médicos…).

    Devemos pensar na preparação dos futebolistas (atletas do Flamengo) com os exemplos que dei acima, os de natação e atletismo e os dos países, mas estudar a fundo caso a caso, não superficialmente como acabo de fazer. Trago o tema à reflexão. As condições existem por aqui e o Flamengo não deve ser o “salvador da pátria de chuteiras”, longe disso, o problema é mais grave, e não se impede que façamos nossa parte. As escolinhas devem competir constantemente, entre si inclusive, promovendo peneiras constantes, buscando talentos sempre Brasil à fora. Devemos qualificar nossos olheiros e professores, principalmente, para que possam perceber, lapidar aos talentos que surgem. O futsal deve fazer parte do treinamento, da preparação dos jogadores do campo, futebol se joga cada vez mais com tomadas de decisões complexas em tempo/espaço curtíssimos.

    Vejo de fora e penso que o maior problema do Flamengo seja o RH. Falta qualificação dos funcionários, base, é essa impressão que se tem de fora, algo no processo está errado, o foco a avaliação, execução, algo que não se enxerga. Posso e devo ter sido injusto, porém algo ocorre, algo que não conseguimos enxergar e que se repete como um padrão. O Flamengo não consegue o salto de qualidade que pensamos ser possível. Que os melhores estejam aqui, contratados, preparados, com possibilidade de crescimento individual e coletivo. Runco foi o demitido mais recente, existiam reclamações sobre seu trabalho, Tannure, novo chefe do setor, é médico-chefe do UFC no Brasil. Qual é a prioridade dele? O foco deve ser mais nos profissionais e na formação/informação do que na estrutura física, que também é importante, não fundamental.

    Contextualizando, ampliando um pouco, misturando laranjas com maçãs, casos de outros esportes, podemos fazer o Flamengo crescer. As diferenças entre o Brasil e Europa no futebol parecem as de massificação e foco na estrutura. Atualmente, o futebol europeu chegou em um estágio onde os jogadores de futebol são “praticamente fabricados em laboratório”, mas não foi este o aspecto que tornou a Europa vitoriosa dos 3 últimos mundiais. Os pontos fundamentais além da estrutura, são o intercâmbio e o fomento ao esporte, sem desperdício. Do mesmo jeito que nem tudo é uma maravilha lá, nem tudo é lixo cá.

    Temos que focar nos profissionais, todos, e menos na estrutura física, como mostram os casos de Jamaica e Quênia, que fazem muito com o mínimo. Vivemos de vitórias, fomos forjados entre o caos e o oba-oba, mas não podemos como clube, instituição pensar o futebol nesse entremeio. O foco deve ser completo, ninguém rasga dinheiro, deve existir profissionalismo ao extremo da recreação ao alto rendimento, no clube social, nas escolinhas e no CT, na preparação das equipes de futebol. O mais importante é criar um modelo Flamengo. Qual nosso modelo? Estou convencido de que o Flamengo erra por não conhecer e conduzir seus profissionais, não tem um caminho definido.

    Os profissionais fora de campo também devem ter investimento do clube em cursos, viagens, intercâmbios, titulações acadêmicas, empirismo em campo, comprovação de teses. As teses devem ser criadas e refutadas, se for o caso. Até sugiro uma parceria com a Universidade do Futebol. Eles pensam o futebol como um todo, em todos os âmbitos. Assim deve ser no Flamengo, deve se pensar no futebol nos mínimos detalhes. Se fizermos estaremos à frente de todos, por tudo o que vem acontecendo nos últimos anos e o que promete ocorrer daqui para frente com a LRFE, mesmo que esteja projetando o longo prazo, não dá pra esquecer o curto prazo.

     

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  • Nota de Repúdio contra o racismo e apoio a Cristóvão Borges


    COMUNICADO


    Ontem, o atual técnico do Flamengo, Cristóvão Borges, foi ao programa Linha de Passe, do canal de televisão ESPN Brasil, e desabafou contra o tratamento recebido, segundo ele, por uma parte da imprensa. Apesar do discurso vago de Borges, a opinião geral nas redes sociais foi a de que o treinador se referia a um texto do jornalista Renato Maurício Prado, veiculado em seu espaço digital Blog do RMP, em 14/07/2015 (coluna intulada Imperdoável).

    No texto, Maurício Prado dialoga com o personagem Bagá, uma espécie de alter ego do colunista, e Bagá, crítico feroz, chama Cristóvão Borges de Mourinho do Pelourinho:

    — O que esse presidente está esperando pra botar o Cristóvão no olho da rua? Errou, irmão, admite e conserta. Chama logo o Oswaldo (de Oliveira) que ainda está aí dando sopa. Aliás, na saída do Luxa, se tivessem deixado o Jayme como interino, poderiam ter pegado o Marcelo Oliveira, antes do Palmeiras. Resolveram apostar no Mourinho do Pelourinho, deu nisso.

    A sua ida ao programa televisivo supracitado, no entando expôs claramente que se sentiu ofendido com o termo. Pelourinho, é um objeto usado para acorrentar os negros escravos em Portugal e no Brasil, onde eram expostos para venda; comumente açoitados. Hoje em dia, em Salvador, Pelourinho também é um nome de bairro famoso, turístico, mas que guarda viva em sua memória imaterial e museológica a dor de um período trágico na história da humanidade.

    O racismo é sentido independente do fato do agressor ter a certeza de que não cometeu racismo. Não cabe a parte infligidora negociar o que afeta a parte inflingida. Se Cristóvão Borges sentiu-se ofendido com os termos, não importa quando, como e onde escolheu expressar sua mágoa.

    O Portal Mundo Bola, através desse comunicado, reverbera a voz de sua Redação, que discutiu a problemática com seriedade e autonomia entre seus membros e findou a questão como repúdio a toda forma de racismo ou injúria racial cometida contra o treinador do Clube de Regatas do Flamengo.

    Rio de Janeiro, 11 de agosto de 2015

    Portal Mundo Bola

  • Capítulo 11: O Campeonato Brasileiro de 1979


    Gustavo Roman | Twitter @guroman

     

    Com a conquista do Tricampeonato, a expectativa na torcida crescia. Afinal, o Flamengo que mandava no futebol carioca ainda não havia brilhado em termos nacionais. Zico, por exemplo, era chamado de jogador do Maracanã. Tentando mudar isso, Coutinho não requisitou a contratação de nenhum reforço. Para o treinador, o elenco já era suficientemente forte e precisava de qualidade e não quantidade.

    O rubro-negro foi incluído no Grupo L do certame nacional, junto com Gama, XV de Piracicaba, Londrina, Grêmio, Bahia, Santa Cruz e Náutico. Apenas os dois primeiros colocados avançavam a próxima fase.

    Os dirigentes da CBD marcaram a estréia para quinta feira, apenas quatro dias do Tri estadual. Revoltados, os cartolas do Flamengo ameaçaram não colocar o time em campo. Sem tempo para descansar ou recuperar os contundidos, Zico, Tita e Carpegianni foram vetados. A solução achada por Coutinho foi escalar Cláudio Adão como meia de ligação e Beijoca no comando do ataque.

    Mesmo com todos os problemas, o mengo não teve dificuldades para vencer o XV de Piracicaba, por três a zero. Cláudio Adão, duas vezes e Almeida, contra foram os marcadores.

    A segunda partida também aconteceu no Maracanã. Frente o Náutico, triunfo de dois a zero. Beijoca e Júnior anotaram os tentos. Após a partida, o Departamento Médico confirmou que Zico retornaria no jogo seguinte.

    Com o galinho de volta, o estádio Bezerrão, em Brasília bateu seu recorde de renda e de público. Segundo laudo dos bombeiros cabiam 30.000 pessoas. Porém, mais de 40.000 estavam lá dentro, causando uma superlotação. Em campo, o Flamengo conquistou sua terceira vitória seguida. Zico e Adão marcaram, na vitória de dois a um.

    O próximo compromisso seria decisivo para a classificação. Em casa, o fla receberia o Grêmio. Todos queriam vingança do 5×2 de 78. Para este confronto, Rondinelli estava vetado, contundido. Sem muitas opções, Coutinho confirmou a escalação do recém contratado Boca na zaga. Tita ficaria no banco, sem condições de atuar os 90 minutos.

    Flamengo 2×0 Grêmio

    Originalmente, Coutinho arrumou seu time com Adílio na ponta esquerda, Adão no comando do ataque e Reinaldo, na direita. No meio, Andrade era o volante mais marcador. Carpegianni tinha liberdade para encostar no ataque e Zico era o comandante da equipe.

    O começo de partida não poderia ser melhor para o rubro-negro. Aos dois minutos, Carpegianni soltou uma bomba de longe e mandou a pelota no ângulo superior direito de Manga. Fla um a zero!

    Na jogada seguinte, Baltazar ganhou a dividia de Boca e mandou m petardo de pé esquerdo. Cantarele teve que se esticar todo para mandar a finalização para escanteio.

    Mesmo em desvantagem, o tricolor não se expunha muito, preferindo manter o seu estilo de muita marcação. Com o adversário plantado na defesa, o mengo tocava a bola, tinha a posse de bola, mas não ameaçava a meta de Manga. Somente aos 39, a equipe carioca marcou seu segundo gol. Júnior, deslocado pela meia esquerda, lançou Zico em profundidade, entre os zagueiros. O camisa 10 foi a linha de fundo e cruzou na medida para Cláudio Adão escorar e mandar para o fundo das redes. Dois a zero!

    Nos minutos finais da primeira etapa Toninho sentiu uma contusão e teve que ser substituído por Leandro.

    A primeira chance da etapa final gaúcha. Vantuir cabeceou sozinho e Carpegianni salvou em cima da linha, evitando o primeiro gol do Grêmio. Enquanto isso, o time da Gávea recuava e tentava explorar os contra ataques.

    Boca se lesionou e teve que deixar o gramado, aos 25. Com isso, Cotinho teve que mexer em várias posições. Andrade passou a ser o lateral direito. Leandro passou a atuar como zagueiro. Adílio voltou para o meio de campo e Júlio César foi para a ponta esquerda.

    Aos 39, Adílio tabelou com Cláudio Adão e acertou a trave direita de Manga. Este foi o último lance interessante que aconteceu no gramado. O Flamengo mantinha os 100% de aproveitamento e praticamente assegurava a sua classificação a próxima fase.

    O desafio seguinte era contra o Londrina, fora de casa. A diretoria rubro-negra pediu a CBD que realizasse exame antidoping. A partida foi equilibrada e terminou empatada em um a um. Cláudio Adão fez o gol carioca. A equipe perdia seu primeiro ponto no certame. Nada que ameaçasse a liderança da chave.

    Para sacramentar de vez a vaga, o Fla precisava de uma vitória nos dois jogos que faltavam. Em Recife, a delegação enfrentou um clima de guerra. Apesar da superioridade técnica, os comandados de Coutinho não saíram do zero contra o Santa Cruz. Com isso, a equipe iria precisar pelo menos do empate na rodada final.

    Insatisfeito com o rendimento do time nos dois últimos empates, o treinador resolveu mexer no onze titular. Andrade jogaria improvisado na lateral direita. Adílio voltaria ao meio de campo e Carlos Henrique seria o ponta esquerda.

    As alterações deram certo e o Flamengo goleou o Bahia, no Maracanã, por quatro a zero. Cláudio Adão foi o grande destaque da tarde, marcando três gols. Jorge Luís, contra completou o marcador. Com os dois pontos, a equipe garantiu a primeira colocação do grupo.

    No dia seguinte, a CBD divulgou os grupos da Terceira fase. O Tricampeão Carioca ficou junto com São Bento, Comercial e Palmeiras. Três paulistas. Apenas o vencedor de cada chave avançaria as semifinais.

    A divulgação da tabela agradou a todos na Gávea. O primeiro compromisso seria contra o São Bento, no Maracanã. Depois, a equipe iria a Ribeirão Preto, enfrentar o Comercial e fecharia sua participação novamente em casa, diante do Palmeiras.

    Para o jogo diante do São Bento a ordem era atacar. Coutinho sabia da importância de fazer um bom saldo de gols, para poder jogar pelo empate na última rodada.

    Flamengo 4×0 São Bento

    Com a volta de Toninho, Andrade pode jogar na cabeça da área. Adílio e Zico completavam o meio de campo. Reinaldo, Cláudio Adão e Carlos Henrique formavam o ataque. O desfalque da vez era Carpegianni. Na zaga, sem Rondinelli, Nelson e Boca, quem jogou ao lado de Manguito foi Dequinha.

    E o gol não demorou a sair. Aos 13, Júnior achou Adílio, que achou Zico sozinho dentro da área. O galinho bateu. O goleiro sorocabano espalmou e Cláudio Adão marcou na sobra. Um a zero.

    A partir dali, o time parece que se desinteressou pelo jogo. A tal ponto do São Bento assustar, em uma cobrança de falta de Ticão, esplendidamente defendida por Cantarele. Aos 39, Brandão apareceu na cara do goleiro rubro-negro, que mais uma vez foi obrigado a se virar para evitar o empate. Dois minutos mais tarde, nova oportunidade do time visitante. Campos, de bate pronto, mandou perto da trave, assustando os torcedores presentes ao Maracanã. Sob vaias, o rubro-negro deixou o gramado rumo aos vestiários.

    Tentando melhorar o desempenho da equipe, Coutinho começou a etapa final com Tita no lugar de Carlos Henrique. Mas foi Zico, sempre ele, quem tirou o time do sufoco. Aos 18, ele cobrou com perfeição uma falta e marcou o segundo gol do fla.

    Aos 37, Zico recebeu ótimo passe de Reinaldo, mas perdeu o tempo da bola e chutou em cima de Márcio. A partida tornou-se extremamente violenta de parte a parte. E o árbitro, Manoel Amaro nada fez para coibi-la.

    Para sorte de todos, aos 41 saiu o terceiro gol. Zico deixou Reinaldo em excelente posição, entre os zagueiros. O ponta direita dominou, driblou Márcio e tocou. Três a zero.

    Ainda haveria tempo para o quarto tento carioca. Aos 44, Reinaldo cobrou forte uma falta. Márcio tentou encaixar e bateu roupa e Zico, de cabeça, aproveitou para fechar o placar. Na continuação, Toninho foi expulso ao agredir o jogador do São Bento. Placar final, Flamengo quatro a zero!

    No Morumbi, o Palmeiras assumiu a liderança do grupo graças ao número de gols marcados, ao golear o Comercial, por cinco a um.

    No meio de semana, o rubro-negro foi até Ribeirão Preto e conseguiu outra boa vitória, desta vez, pelo placar de dois a zero. Carlos Henrique e Zico marcaram os gols. Na mesma noite, o Palmeiras fez quatro a zero no São Bento, jogando em casa e garantiu a vantagem de jogar pelo empate no Maracanã.

    O clima que antecedeu o confronto foi de puro otimismo. Na Gávea, todos acreditavam que venceriam o alviverde e que estariam pela primeira vez na história do clube em uma semifinal de Campeonato Brasileiro. Como o Inter já havia garantido a sua classificação na outra chave, os dirigentes rubro-negros já haviam reservado passagens e estadia em Porto Alegre, onde seria disputada a primeira partida da semi. Só esqueceram de avisar ao verdão!

    Flamengo 1×4 Palmeiras

    Para este duelo, Coutinho escalou um time mais ofensivo, já que necessitava da vitória. Toninho estava de volta a lateral direita. Dequinha e Manguito formavam a zaga. Júnior completava a defesa. No meio, Carpegianni, Adílio e Zico. Reinaldo, Cláudio Adão e Tita completavam a equipe. A jovem equipe paulista, treinada por Telê Santana tinha como destaques Jorge Mendonça, Pedrinho, Baroninho, Rosemiro e César.

    A primeira oportunidade foi do Flamengo. Tita se livrou de dois e rolou para Carpegianni mandar uma bomba da entrada da área. Gilmar se esticou todo e conseguiu fazer uma excepcional defesa, desviando para escanteio.

    O rubro-negro era melhor, mas quem abriu o placar foi o Palmeiras. César passou como quis por Manguito, invadiu a área e chutou cruzado. Jorge Mendonça apenas escorou para fazer um a zero.

    Sem inspiração e esbarrando na ótima marcação imposta pelo clube paulista, o Flamengo criava muito pouco. Só aos 43, surgiu nova chance. Júnior centrou a bola. Adão a matou no peito, girou e chutou forte. Gilmar fez a defesa em dois tempos. Zico ficou louco, reclamando do centroavante, pois estava sozinho, a sua direita e teria melhores condições de empatar a peleja.

    No ataque seguinte, um lance digno de inacreditável futebol clube. Jorginho puxou um contra ataque nas costas de Júnior. Foi até a linha de fundo e cruzou rasteiro. César, de dentro da pequena área, sem ninguém para atrapalhá-lo, nem mesmo o goleiro já que Cantarele havia tentado antecipar o cruzamento bateu de chapa, mas redonda explodiu no travessão. Incrível!

    Sem ter alternativa, o mengo partiu com tudo para o ataque nos 45 minutos complementares. Em contrapartida, deu ao Palmeiras o espaço que ele queria para usar o contra ataque.

    A blitz rubro-negra deu certo, pelo menos momentaneamente. Aos 8, Zico invadiu a grande área e foi calçado por Pires. Pênalti assinalado pelo árbitro Cai Rosa Martins. O próprio galinho foi para a cobrança e empatou a partida. A esperança voltava a tomar conta do estádio.

    Aos 23, uma ducha de água fria na torcida. Baroninho cobrou uma falta da ponta direita, de forma direta, rasteira. Carlos Alberto se antecipou a Carpegianni e desviou para as redes. O curioso é ver no vídeo taipe que Cantarele chamara atenção de Carpegianni para a entrada de um jogador exatamente por onde saiu o gol.

    Coutinho tentou mexer no time, sacando Reinaldo e fazendo entrar Carlos Henrique. De nada adiantou. A esta altura, o Flamengo já estava perdido em campo. Em seguida, aos 31, veio o golpe fatal. Pedrinho lançou Baroninho, nas costas de Toninho. O ponteiro segurou a bola e permitiu que o lateral chegasse para mandar uma bomba e marcar o terceiro. Três a um.

    No desespero, Coutinho pôs em campo Beijoca, na vaga de Adílio. A única coisa que o atacante conseguiu foi fazer uma tremenda confusão. Primeiro, ele deu uma cotovelada em Mococa. Depois, um soco em Baroninho. Claro que foi acabou expulso pelo árbitro.

    Mas ainda haveria tempo para mais um gol palestrino. Aos 44, o time carioca parou, pedindo a saída de bola pela linha lateral. Baroninho foi a linha de fundo e cruzou na cabeça de Zé Mario, que marcou o quarto gol e fechou o caixão. Palmeiras quatro a um!

    Com a eliminação a estimativa do prejuízo para os cofres do Flamengo era de aproximadamente 15 milhões de cruzeiros.

    No próximo texto: O pós Brasileiro, as férias e a pré temporada de 1980. Até breve!

     


    Gustavo Roman é jornalista, historiador e escritor. Autor dos livros No campo e na moralFlamengo campeão brasileiro de 1987, Sarriá 82 – O que faltou ao futebol-arte? e 150 Curiosidades das Copas do Mundo. Conhecido como um dos maiores colecionadores de gravações de jogos de futebol, publica toda quinta-feira, aqui no Mundo Bola, a série “Biografia Rubro Negra 1978-1992”, onde conta a saga do período mais vitorioso da história do clube mais querido do mundo.


     

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  • #EDITORIAL 11.08.2015

    Sim! Estamos com tudo! O Portal Mundo Bola está a cada dia mais presente no dia a dia dos rubro-negros e nos enchendo de orgulho.

    Domingo teve jogo no Moisés Lucarelli. E quando tem jogo do Mengão pelo Brasil, sempre tem um Blogueiro da Nação na torcida visitante (que muitas vezes é maior que a torcida do time local hahaha).

    Contra a Ponte, não foi diferente. Geraldo Farias, o amazonense fladarfeiro convicto e engajado pra caramba nas causas, agora morando em Sampa, viajou até a importante Campinas e nos presenteou com uma matéria muito legal sobre tudo que rolou antes, durante e depois da decepcionante derrota.

    Hoje inauguramos nosso email querosercolaborador@fla.mundobola.com especialmente pra você que tem um projeto de conteúdo e quer entrar pra nossa redação.

    Também estaremos acompanhando toda a movimentação de bastidores do clube. A terça-feira promete. Ontem o técnico Cristóvão Borges foi ao programa Linha de Passe, do canal ESPN Brasil e denunciou que vem sofrendo racismo por parte da imprensa. O alvo do baiano parece ter sido o colunista do O Globo e apresentador do canal Fox Sports, Renato Maurício Prado, que publicou, há 30 dias, coluna reproduzindo a expressão “Mourinho do Pelourinho”. O treinador parece que só acusou o golpe nesta segunda, após a pressão pela sua saída ter chegado a níveis explosivos.

    Também teremos postagem nova no Blog Overlapping, o capítulo 11 da Saga do Penta… Cobertura do treino no Ninho do Urubu… e muito mais!

    Segue a nossa hashtag #‎Reage‬ durante a semana. Use-a para interagir conosco. Pergunte, faça sugestões de pautas, reclame, comente, critique. O Portal fla.mundobola.com é nosso! Ajude a fazer dessa iniciativa a melhor mídia de informação, entretenimento e convivência virtual entre os torcedores do clube mais foda de todos os tempos, o nosso Clube de Regatas do Flamengo.

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    Diogo Almeida | @DidaZico, editor.

     

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