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  • O sonho da casa própria

    Fonte: Divulgação

    Dizem que um dos maiores desejos do brasileiro é adquirir um imóvel próprio. Porém, dependendo da forma, e do momento, o sonho pode virar pesadelo.

     

    Eu tive o privilégio de ministrar a palestra Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, baseada no best-seller homônimo do consultor financeiro Gustavo Cerbasi.  Há uma parte específica dedicada ao tema da casa própria. De forma resumida, Gustavo discorda do dito popular “quem casa quer casa”.

     

    Cerbasi tem uma experiência própria. Ao casar, ele e a esposa adquiriram um apartamento para morar. Certo dia ele descobriu quanto seu vizinho pagava de aluguel e percebeu que faria melhor negócio vendendo o seu imóvel e, com o dinheiro investido, a rentabilidade seria suficiente para pagar o aluguel e ainda lhe sobrariam juros.

     

    Essas questões ficam aparentemente no campo pessoal e emocional. Todavia, ao ampliarmos para um clube de futebol, a coisa é mais complexa, embora o lado emocional conflite também com o racional.

     

    Eu (e pelo visto também o presidente Eduardo Bandeira de Melo) sempre acreditei que o Maracanã fosse a casa do Flamengo. E há uma boa lógica nisso. Afinal, o Flamengo nunca teve a propriedade do estádio Mário Filho, mas sempre teve a posse, incluindo o direito a lado de torcida nas arquibancadas.

    Fonte: Divulgação

    As grandes conquistas do Clube foram no Maracanã, ou no mínimo forjadas por lá. É certo que tivemos algumas decepções, mas a história de um gigante do futebol é composta de vitórias e insucessos. O Maracanã era tão fantástico, que mesmo o Santos do Pelé jogou muitas de suas grandes partidas nele.

     

    Como eu ainda não fui ao novo Maraca, talvez ainda não tenha percebido que ele não mais nos pertence. Mas aquele em minha mente sempre me impressionou, desde a primeira vez que pus os pés na rampa, e a fantástica sensação ao subir pelos apertados túneis e já ouvir o barulho da Magnética.

     

    Agora em 2016, não consigo aceitar ver o Flamengo sem o Maracanã para jogar. E me preocupa o fato de não enxergarem que precisamos de um estádio capaz de comportar um número grande de torcedores para ajudar no custeio de um time de futebol competitivo e vencedor.

     

    Em 2013, eu fiquei indignado com os que tentaram impedir que fossem cobrados valores “elevados” de ingresso para a final da Copa do Brasil contra o Atlético Paranaense. Nem quero me aprofundar nisso, pois acredito que seja um assunto que já foi amplamente debatido. Mas o pior de tudo foi a redução de lugares no antes “Maior do Mundo”.

     

    O Maracanã já teve 199.854 torcedores presentes (173.850 pagantes) em 16 de julho de 1950, na partida Brasil 1×2 Uruguai, decisão de Copa do Mundo. Atualmente possui capacidade para 78.838, uma elitização imposta pela FIFA, e sabe-se lá por mais quem, que nos limita muito no que fazer com o estádio nos dias atuais.

     

    Eu sou um defensor de um estádio que possua setores mais caros, que compreendam camarotes, por exemplo, com serviços adicionais; e locais reservados a ingressos populares. Com a atual estrutura do Maracanã isso é mais difícil, pois além da redução da capacidade, a legislação estadual do Rio de Janeiro garante gratuidade para cerca de 12% dos ingressos!

     

    As palavras de Muricy Ramalho em defesa ao Estádio Raulino de Oliveira em Volta Redonda não encontraram respaldo na diretoria do Flamengo. E por uma justificativa plausível, o estádio conta com capacidade para 21.000 espectadores. O Estádio da Cidadania é bem moderno e possui um bom gramado, mas é indicado para jogos de pequeno e médio apelo. Desaconselhável para um clássico, regional ou nacional.

     

    O Maracanã, mesmo com os problemas de gratuidade ainda supera o Morumbi que tem capacidade para 67.052 espectadores. O São Paulo possui um estádio que lhe proporciona boa arrecadação de longa data. Bem localizado, o clube ainda teve ingresso de preço médio na estreia do Paulistão em 2015 no valor de R$32,10.

     

    Mas as novas arenas salgaram o preço médio dos ingressos para a Arena Corinthians (R$43,60) e Palmeiras no Allianz Parque (R$71,50). Esses números foram obtidos na Edição da Folha de São Paulo em 10/02/2015.

     

    O Maracanã, assim como o Minerão e as novas arenas paulistas ficaram muito caros em decorrência da forma como foram concebidos. Ou seja, eles tiveram que se submeter às exigências e desmandos da FIFA e de nossos governantes. Os estádios não foram construídos para atender aos clubes do futebol brasileiro. Por isso que hoje o Flamengo não tem onde jogar, o Cruzeiro joga para as moscas, a torcida do Palmeiras reclama (e com razão) do preço dos ingressos…

     

    Quanto ao Corinthians, pasmem, ele ainda não possui estádio próprio. Do Itaquerão ele tem, no máximo, a posse. Independente da nebulosidade da construção da Arena, o Corinthians começou a pagar 5 milhões de reais mensais desde julho de 2015, compromisso assumido por 12 anos, de uma dívida inicial de 400 milhões de reais. Mas alguma coisa não fecha nessa demonstração, pois o passivo da construção do estádio supera 1,15 bilhão de reais.

     

    A criação de um FII – Fundo de Investimento Imobiliário para viabilizar o estádio era muito boa ideia, em princípio. Ocorre que a conjuntura econômica reduziu sensivelmente a atratividade desse tipo de investimento, embora eu não possa afirmar a principal fonte dos prejuízos constantes das Demonstrações Contábeis deste FII nos anos de 2014 e 2015.

     

    O fato é que praticamente toda a renda dos jogos do Corinthians vai diretamente para o Arena Fundo de Investimento Imobiliário, administrado pela BRL Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A.

     

    Diante de tudo isso, a decisão de arrendar o Maracanã ou construir um estádio próprio é algo mais complicado do que podíamos imaginar. Afinal, o Flamengo precisa de dinheiro imediatamente. Financiar não resolveria nosso problema, muito pelo contrário. A pergunta fundamental é “onde jogaremos as partidas de maior apelo de público”?

     

    No Rio de Janeiro a alternativa ao Maracanã seria o Engenhão, com capacidade para 46.931 pessoas. Mas além de todos as controvérsias acumuladas que envolvem dúvidas em relação à solidez de sua estrutura, o Estádio Nilton Santos possui sérias restrições em seu acesso. E essa, em minha opinião, é a grande vantagem do Maracanã. Eu desconheço outro estádio com tamanha localização privilegiada. O público pode ir de carro, trem, ônibus, metrô, e pela proximidade com áreas residenciais, a pé também é uma boa opção.

     

    Para concluir, em função ainda da transparência insipiente das contabilidades dos clubes brasileiros, eu me arrisco a dizer que são poucos os casos de sucesso da boa utilização e arrecadação de estádios próprios no Brasil. Na minha percepção, o Internacional consegue bons resultados na relação de seu programa de Sócio-Torcedor e o Beira-Rio (que possui capacidade para 50.038 espectadores).

     

    A Arena Grêmio conta com 56.500 lugares, para uma conta tão difícil de pagar quanto a corintiana, embora o custo real ao clube ainda seja uma incógnita. O estádio custou 600 milhões de reais, a OAS queria que o Grêmio pagasse cerca de 360 milhões de reais, mas devido ao estado crítico da Construtora, o valor teria caído para 170 milhões de reais.

     

    O meu principal objetivo ao levantar esse assunto é provocar uma reflexão tanto no que estrategicamente é ideal para o estabelecimento de um contrato permanente de estádios, e o que deve fazer o Flamengo diante da indisponibilidade atual de Maracanã e Engenhão.

     

    No que tange a construir um estádio no Rio de Janeiro, ele seria para qual capacidade? 20.000 pessoas? 45.000? E em qual localização? E quanto ao Maracanã, abandoná-lo? Como eu já manifestei por diversas vezes, não consigo imaginar o Flamengo sem Maracanã…

     

    E nessa temporada, o que fazer? Jogar em Volta Redonda? Ilha do Governador? Juiz de Fora? Espírito Santo? Brasília? Nordeste? Será que essa indefinição prejudicará o Flamengo no Campeonato Brasileiro?

     

    Quero fazer mais dois comentários. Neste domingo jogamos contra o Vasco em seu estádio, cuja capacidade atual é de 21.880 espectadores. Por motivos de segurança apenas cerca de 19.000 foram disponibilizados. A situação financeira do clube cruzmaltino é deplorável. O fato de eles possuírem uma casa própria não lhes resolveu a vida.

     

    Enquanto na Argentina o Boca Juniors tem La Bambonera ao seu dispor para até 49.000 pessoas, o clube faz promoções de venda de diversos atletas, na busca cotidiana de recursos. Na Espanha, o outro lado da moeda, Real Madrid conta com a força dos 81.044 assentos do Santiago Bernabéu e o Camp Nou proporciona que os apaixonados catalães disputem os 99.786  lugares para acompanhar o Barcelona.

     

    Sinceramente, não entendo por qual motivo reduziram os estádios brasileiros. O Flamengo é um clube de futebol para jogar para mais de 100.000 pessoas. Para quem tem dúvidas, basta conferir os principais públicos do velho Maracanã, que jamais serão batidos pelo novo.

     

    Cordiais Saudações Rubro-Negras!

  • Confusão no começo, jogo fraco e derrota no fim

     

    Com bastante apoio da torcida, Flamengo não faz uma boa partida e sai derrotado no primeiro clássico de 2016

     

    O jogo foi cercado de polêmicas antes, durante e depois do apito final. Tudo começou quando saiu a definição do local da partida, com a contestação das condições e a capacidade do estádio, além do principal: a segurança.

    Antes da partida, as atenções ficaram voltadas para a chegada das torcidas a São Januário. A torcida do Flamengo chegou escoltada e entrou sem problemas. Dentro do estádio, alguns torcedores danificaram os banheiros destinados aos adversários e foram detidos.

    Torcida passou sufoco, mas compareceu em bom número a São Januário. Foto: Gilvan de Souza

    Na beira do campo, os treinadores orientavam bastante. Jogo morno e com apenas uma equipe criando chances claras de gol: o Vasco.

    Na saída para o intervalo, apenas Juan, de maneira breve, falou:

    “Atuação boa, jogo truncado. Clássico é assim.”

    Com a bola rolando o Flamengo foi superado pelo rival nos acréscimos

    No fim da partida, Rodinei falou sobre o resultado:

    “A gente sabia que o Vasco ia apertar desde o começo, vinha com essa proposta de jogo. Mas agora é trabalhar e pensar no próximo jogo.”

    Na coletiva após a partida, Muricy Ramalho falou sobre os erros do time, o que faltou para a equipe sair com a vitória e demonstrou muita insatisfação.

    “Nós sentimos muito no segundo tempo. Não ficamos com a posse de bola. Estava um jogo chato de se ver.”

    Ainda sobre o desempenho da equipe…

    “Deixamos a desejar. Nossa posse de bola não foi boa. Começo de temporada é assim mesmo.”

    O time não chegava com perigo ao ataque, não tinha o domínio do jogo. Muricy também falou sobre isso:

    “Nossa transição não foi boa e isso é uma característica do nosso time. Poderíamos ter feito muito mais.”

    E, mais uma vez, citou a falta de posse de bola:

    “O que faltou foi a posse de bola. Não chegamos com a bola dominada no ataque. Mas isso com certeza dá pra corrigir”

    Agora, as atenções estão voltadas para o jogo de quarta-feira, diante do América-MG, pela Primeira Liga. A partida será disputada em Cariacica-ES, no estádio Kléber Andrade na próxima quarta-feira, às 21h45min.


    Matheus Soares faz parte da equipe Mundo Bola Informação. Twitter: @mathheusoares
  • No primeiro desafio do Carioca, Flamengo joga mal e perde

    Após jogar em ritmo de treino contra a Portuguesa, que chegou a ter 2 jogadores a menos em campo, Flamengo enfrentou o maior rival da história recente, o primeiro jogo contra time grande no Carioca. Jogou mal e perdeu com gol no final do 2° tempo.

    Muricy não fez mistério sobre a escalação, descartou Cuellar que ainda está se preparando fisicamente e escalou o mesmo time do jogo anterior, o que apesar de ser positivo do ponto de vista do entrosamento, pode levantar a dúvida sobre a capacidade de mexer no time e identificar os erros que se repetem jogo após jogo.

    O 4-3-3 estava formado com Paulo Victor – Rodinei, Wallace, Juan, Jorge – Willian Arão, Márcio Araújo, Mancuello – Cirino, Guerrero, Sheik.

    Antes do jogo começar, a alta temperatura ambiente e o forte vento chamavam a atenção. Era indicativo de que os dois times sofreriam fisicamente e que no 2° tempo o jogo poderia mudar. De positivo, havia a confiança no preparo físico do Flamengo que vem jogando muito bem mesmo em jogos com grande intensidade.

    O Jogo

    Nos primeiros minutos de bola rolando, vimos ambos os times marcando sob pressão para dificultar a saída de bola do adversário, mas já na metade do 1° tempo o desgaste em ambos os lados afrouxou um pouco a pressão, permitindo um jogo mais franco apesar de truncado. O juiz marcando todas as faltas para não deixar o jogo ficar muito agressivo. E a arbitragem, tão em xeque antes do jogo, não foi ruim em qualquer momento, até os impedimentos estavam bem marcados e não influíram no resultado.

    Alguns podem falar que o jogo contra o Atlético-MG foi o primeiro contra um time grande, mas ambos os times estavam saindo da pré-temporada, longe da forma ideal, o que afetava o desempenho de ambas as equipes, desfalcadas e em formação. Já o clássico contra o Vasco tinha duas equipes com ritmo de jogo, que entraram em campo olhando para o adversário como um igual, dispostas a ir para o confronto aberto e não segurar o resultado como time pequeno.

    Essa igualdade entre as equipes pode ser vista na posse de bola, 54,3% para o Vasco e 45,7% para o Flamengo. Ambas tiveram chance de trabalhar a bola e criar opções em um jogo franco, apesar do início de marcação forte. Desde o início, o Vasco conseguia ser levemente melhor no ataque e acabou tendo mais e melhores chances ofensivas, acertando 5 dos 12 chutes a gol, enquanto o Flamengo errou as 7 finalizações que teve.

    Os Problemas do Meio-campo

    Dentre os problemas do time, destaca-se o meio-campo ineficiente, a recomposição lenta e sem as coberturas devidas, além de um ataque encaixotado na marcação e irritadiço, o que favorecia os erros individuais. Guerrero era visivelmente o jogador mais pilhado do time pela provocação vascaína. Fez faltas bobas e reclamações acintosas e não houve um companheiro que tentasse acalmá-lo, tão pouco Muricy o fez nas paradas técnicas ou intervalo.

    Márcio Araújo sempre atrasado. (Fonte: site do Vasco)

    Márcio Araújo fez, talvez, a pior partida pelo Flamengo. Não conseguia proteger a zaga, recorrentemente estava atrasado no lance e ainda fez faltas bobas perto da área, inclusive a que originou o gol. Com a bola no pé não conseguia fazer a saída de bola, atrasando o ritmo do Flamengo e obrigando os meias a recuarem muito para executar a saída.

    Ofensivamente, Mancuello era quem tentava criar situações de gol, seja na bola parada ou com a bola rolando e dando dinâmica ao lado esquerdo ao fazer trocas com Sheik ou Jorge. Já Willian Arão esteve mais discreto, não conseguiu criar sem ter espaço, mas continuou subindo e dando opção próximo da área.

    Defensivamente, o meio-campo sofreu com um problema que eu venho apontando desde o início do ano: excesso de exposição e falta de cobertura adequada. Não tem como Mancuello e Arão subirem ao mesmo tempo na intensidade que fazem. Esse triângulo de base alta é bom para penetrar defesas compactas de times pequenos que entram em campo para ficar entrincheirados, mas suicida para enfrentar times fortes que entrem para vencer. Arão não é um volante que aparece de surpresa, pois para ser surpresa isso precisa ser feito de vez em quando e não sempre como o jogador faz, deixando o meio praticamente a cargo apenas de Márcio Araújo, o que hoje permitia que o Vasco tivesse mais liberdade para trabalhar a bola, principalmente nos pés de Nenê.

    Os Problemas das Laterais e Pontas

    Os lados do campo também não funcionaram contra um time mais sólido, Cirino não conseguia trabalhar com Arão e Rodinei, a movimentação dos três não estava afinada e Rodinei novamente mostrou que tem vontade, velocidade, mas não consegue transformar em produção. Na esquerda, Emerson Sheik por vezes prejudicou as jogadas por excesso de individualidade. Mancuello e Jorge se moviam para receber e Sheik tentava um drible a mais ou cavar uma falta. No melhor lance do Flamengo no jogo, Sheik tinha a opção de Cirino em velocidade, que entraria sozinho na área, mas resolveu chutar de longe com a frente obstruída e isolou a bola.

    Vemos a repetição dos problemas da falta de recomposição defensiva dos pontas, que após começarem o jogo com gás, deixam de marcar e passam a correr apenas para frente, por volta dos 20 minutos do 1° tempo. Essa falta de apoio defensivo deixa os laterais sobrecarregados ou forçam os meias a abrirem para dar cobertura, o que deixa buraco no meio. O problema é ainda mais grave na direita, onde Rodinei não tem um bom senso de posicionamento defensivo. Inclusive, na melhor chance do Vasco no primeiro tempo, Jorge Henrique recebe a bola na cara de Wallace. Rodinei e Arão sequer aparecem na imagem, chegando só após o zagueiro ter sido driblado.

    Outro problema tem sido o uso das substituições por Muricy, que montou algumas formações bizarras de banco nas últimas partidas. Hoje foi com o que tinha de melhor a disposição, porém terminou o jogo com 2 substituições a fazer. O time tinha jogadores visivelmente muito cansados, outros com o equilíbrio comprometido pelas provocações dos vascaínos, como Guerrero, amarelado ainda no 1° tempo. Havia ainda os que estavam muito mal e comprometiam o restante do time como Sheik e Márcio Araújo. O único a sair foi Cirino, aos 23 minutos, para a entrada de Éverton, que deu mais consistência defensiva ao lado direito.

    Uma Possível Solução

    Espero que após o jogo de hoje, Muricy mexa no meio campo começando por barrar Márcio Araújo e testar Ronaldo e Canteros, que vem treinando desde o início do ano na posição, inclusive após a chegada de Cuellar. O triângulo de meio campo tem que ser invertido para que de fato o 2° volante apareça como surpresa no ataque, o que não necessariamente passa pela troca de Arão por Cuellar. Já nas pontas não dá para ver Sheik como titular absoluto, Éverton não é tão habilidoso, mas contribui muito mais coletivamente e pode ocupar a posição enquanto Ederson não está liberado para jogar.

    O próximo jogo do Flamengo é contra o América-MG pela Primeira Liga. Depois outro clássico, contra o Fluminense, pelo Carioca e, se Muricy não mexer no time, podemos esperar mais um jogo muito complicado como o de hoje, onde uma derrota não seria grande surpresa.

    Saudações Rubro-Negras

  • Atuações: Jorge apagado, Arão sem espaço, Sheik fominha e Fla perde Clássico dos Milhões

     

     

     

    Paulo Victor: Não fez boa partida. Bateu roupa em lance que quase culminou em gol do adversário, nem tentou defender cobrança em falta perigosa.  Não teve chances de defesa no gol adversário. NOTA 5,5

    Rodinei: Regular. Não teve espaço no ataque e sofreu bastante pra conter o ímpeto do rival nas investidas pelo seu lado. NOTA 6

    Wallace: Segue dando sequência nas atuações com erros mínimos. Sua segurança parece estar voltando. Sem obrigação tática de fazer ligação da defesa com o ataque, fez desarmes, antecipações e cortes pelo alto. NOTA 6

    Juan: Nem de longe pareceu o zagueiro que entrou em campo na última quarta. Cometeu uma falha bisonha numa tentativa de corte com a perna direita e quase o Flamengo tomou um gol. Mesmo assim, foi importante em lances de perigo. Contra times velozes pode sofrer, já que visivelmente não tem mais tanta velocidade. NOTA 6

    Jorge: Voltou a fazer uma partida ruim. Até teve uma boa chegada na frente no primeiro tempo, mas cruzou mal. Em lances na defesa, perdeu na corrida para o lateral direito do Vasco. Mas isso pode estar ligado a falta de ajuda na defesa do seu lado e o zagueiro que joga pela esquerda ser um veterano. No final do jogo falhou na marcação em bola na área e seu erro deixou o jogador adversário livre para marcar. NOTA 5

    Márcio Araújo: Ao contrário da última partida, muito fraco. Embora tenha sido providencial em lances de perigo, não consegue contribuir ofensivamente e, num jogo dessa importância, faria muita diferença. Em jogada do Vasco pela esquerda, encolheu o braço para não causar pênalti. Não pode ser titular num time que almeja vôos altos. NOTA 5,5

    Willian Arão: Jogador que vem se tornando cada vez mais importante no esquema de Muricy Ramalho, hoje não teve muito espaço no ataque e precisou trabalhar bastante na defesa. Pode render mais quando seu companheiro na frente da zaga tiver mais qualidade. NOTA 6

    Mancuello: Fez uma partida pior que a de estreia. Pouco se apresentou para buscar o jogo no meio, além de jogar onde menos rende no primeiro tempo, que é o lado direito do campo. Mesmo assim, se mostrou perigoso nas bolas paradas e pode ser decisivo no passe, desde que jogue numa parte do gramado onde possa tirar mais proveito de suas características. NOTA 5,5

    Marcelo Cirino: Bastante marcado, não conseguiu imprimir o forte ritmo na beira direita do campo, o que sempre faz quando tem mais espaço. Num jogo truncado e com pouca bola rolando suas atuações não ganham destaque. Mas é importante no esquema do técnico Rubro-Negro. NOTA 6

    Foto: Paulo Fernandes/Vasco

    Emerson: De longe, o pior do Flamengo em campo. Fominha, cavou faltas demais, não ajudou na defesa e quando teve chance de servir um companheiro melhor posicionado em contra ataque, não o fez e chutou para fora. Suas atuações só mostram o quanto é preciso ter um elenco forte. Não merece ser titular. NOTA 5

    Guerrero: Partida que lembrou os tempos ruins de 2015. Muita reclamação com a arbitragem, provocação ao adversário e pouco futebol. Sofreu com a marcação forte de Rodrigo e não recebeu bola em condições de finalização a gol. NOTA 6

    Everton: Entrou no lugar de Cirino e mais uma vez nada fez em campo. Com a forte marcação no meio, não apresentou nada de produtivo, muito menos em jogada de velocidade, que é o seu forte. SEM NOTA


    Raony Furtado e Hesley Menezes fazem parte da equipe Mundo Bola Informação. Raony Furtado integra a plataforma Mundo Bola Blogs com o Blog Urubu Matuto
  • Fla cria pouco e é derrotado com gol nos acréscimos

    Gilvan de Souza / Flamengo

    Depois de golear a Portuguesa no meio de semana por 5 a 0, o Flamengo voltou a campo neste domingo (14) para enfrentar o Vasco em mais um Clássico dos Milhões. A partida, válida pela 4ª rodada do Campeonato Carioca, apresentou um clima tenso fora de campo. Dentro, porém, foi tranquilo e não terminou nada favorável para o Maior do Mundo.

    Sem proporcionar muita emoção para seu torcedor, o Fla acabou sofrendo um gol no finalzinho e amargou sua primeira derrota na competição.

    O duelo marcou a volta do duelo em São Januário. A última vez que a equipes haviam se confrontaram nesse estádio foi no Brasileiro de 2005, onde o rubro-negro saiu com a derrota de 2 a 1.

    Primeiro tempo morno

    Pouco criativo, o Fla fez um primeiro tempo bem abaixo da expectativa criada entre os torcedores. As constantes trocas de passes e boa transição da defesa ao ataque vistas em outros jogos não funcionaram na primeira etapa, obrigando, assim, a volta dos velhos chutões.

    Com pouco espaço para trabalhar as jogadas, restou ao Mais Querido aproveitar as bolas paradas para levar algum perigo. Sempre com Mancuello na cobrança, o time até ameaçou o gol de Martín Silva, mas nada suficiente para inaugurar o placar.

    Time sem ambição e castigo no final

    Ainda apático, o Mengo continuou devagar na etapa final. As broncas que Muricy Ramalho costuma dar no vestiário não funcionaram desta vez. Com muitos erros de passe, a equipe continuou construindo pouco e só assustou o rival em uma falta cobrada por Mancuello, mas que passou à direita do goleiro vascaíno.

    Tentando dar um novo gás ao time, Muricy promoveu, aos 23 minutos, a entrada de Everton no lugar do já cansado, Marcelo Cirino. A mudança não surtiu efeito e as oportunidades continuaram sem aparecer.

    Quando tudo se encaminhava para um 0 a 0, veio o castigo rubro-negro. Já na marca dos 45 minutos, o Vasco aproveitou uma falta para jogar a bola na área, a defesa flamenguista saiu pedindo impedimento e a redonda sobrou para o zagueiro Rafael Vaz que, completamente livre, mandou para o fundo das redes de Paulo Victor.

    Mesmo com o resultado negativo, o time continua na segunda colocação na tabela de classificação do Grupo B. O próximo confronto do Mengão será mais um clássico. Desta vez, o Fla vai a Brasília para enfrentar o Fluminense.

    Escalação do Flamengo: Paulo Victor, Rodinei, Wallace, Juan, Jorge; Márcio Araújo, Willian Arão, Mancuello; M. Cirino (Éverton), Sheik e Guerrero. Técnico: Muricy Ramalho

    Arbitragem: Leonardo Garcia Cavaleiro

    Auxiliares: Dibert Pedrosa Moises e Jackson Lourenço Massarra dos Santos

  • Flamengo perde para Uberlândia e está fora dos playoffs da Superliga B

    Central formado na Gávea, Marcos Paulo tenta um ponto. Fla não avança. Foto: Flamengo.

    Neste sábado, às 19h,  o Flamengo encarou o Uberlândia/Gabarito, no ginásio Sabiazinho, pela 6ª rodada da Superliga B de vôlei masculino. O time mineiro ocupava a 4ª colocação do Grupo B, com quatro pontos, queria a vitória para garantir um lugar na próxima fase. Já o Flamengo precisava vencer para manter viva a chance de classificação e seguir na briga por um lugar nos playoffs.

    E parecia que tudo ia dar certo para o Mengão. Parecia…

    O time do técnico Arly Cunha venceu o primeiro set por 25 a 20. Entretanto, no segundo set, o técnico Manoel Honorato soube controlar os nervos de seus atletas — o Uberlândia havia perdido seu jogo anterior diante do Botafogo e jogava pressionado — e fechou o disputado set em 25 a 23.

    No terceiro set o Flamengo do veterano da seleção brasileira Jardel, do capitão e cria da casa Gabriel Cunha e de Marcelo Bacci, reforço que chegou da Bélgica, não se encontrou novamente e tomou a virada. 25 a 21.

    No quarto set o Uberlândia/Gabarito pareceu jogar contra um time já entregue, com destino selado. O Fla se mantêm na desonrosa lanterna geral da competição, faltando apenas um jogo para o fim da fase de classificação.

    O projeto de conseguir o ascenso para a elite do vôleibol brasileiro por meio da segunda divisão nacional foi como um saque para fora.

  • Após goleada, Flamengo volta a campo em clássico contra o Vasco

    Sheik, confirmado: “A gente vai ganhar”. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

     

    Depois da goleada por 5×0 contra a Portuguesa no meio da semana, o Flamengo volta a campo neste domingo (14) para o primeiro clássico do ano, contra o Vasco. O jogo ocorrerá em São Januário, às 17h, e terá transmissão da Rede Globo e tempo real no Twitter do Mundo Bola.

    A tensão para a disputa do clássico dos milhões já começou fora de campo, devido ao local escolhido para a disputa da partida. A polícia militar garantiu reforço no entorno do estádio para evitar problemas antes e depois do confronto entre as equipes, além de realizar o isolamento do setor destinado à torcida do Flamengo, onde só terão acesso os rubro-negros que estiverem com ingresso comprado. Não haverá venda de entradas no dia da partida.

    Com 7 pontos ganhos nas 3 partidas disputadas até então, o Flamengo está em segundo no grupo B da primeira fase do campeonato estadual. Para tentar conquistar mais 3 pontos no campeonato, o Flamengo contará novamente com força total na equipe e com nomes que vêm se destacando nos primeiros jogos da temporada, como o argentino Mancuello, o meia Willian Arão e o atacante Marcelo Cirino.

    Embora já esteja regularizado, o colombiano Cuéllar ainda não fará sua estreia com a camisa rubro-negra. O técnico Muricy Ramalho descartou colocar o jogador entre os titulares e prefere esperar um reforço físico maior do volante para que a estreia ocorra com o condicionamento 100% do jogador.

     

    Provável escalação

    Paulo Victor; Rodinei, Wallace, Juan e Jorge; Márcio Araújo; Willian Arão, Mancuello, Marcelo Cirino e Emerson Sheik; Guerrero

     

    Ficha Técnica

    Vasco x Flamengo

    Local: São Januário

    Horário: 17h

    Árbitro: Leonardo Garcia Cavaleiro

    Auxiliares: Dibert Pedrosa Moisés e Jackson Lourenço Massara dos Santos

     

    Transmissão

    TV Globo (RJ, ES, DF, RN, PB, SE, MA, PI, PA, AM, RO, RR, AP, AC e TO), BAND (RJ, MG, ES, DF, PE, BA, AL, RN, PB, SE, MA, PI, PA, AM, RO, RR, AP, AC e TO) e Premiere e tempo real no @Mundo Bola_CRF

     

     

    https://fla.mundobola.com/futebol/sao-januario-palco-de-tragedia-e-confusao-nos-ultimos-anos

  • Com arbitragem polêmica, Fla sub-20 perde no Carioca

    Campanha do Mengão na Taça Guanabara já preocupa: Quatro jogos e três derrotas

     

    Quem compareceu a São Januário, neste sábado, para acompanhar o jogo dos juniores, pôde assistir uma prévia do que pode ocorrer amanhã, às 17h, na categoria profissional.  Em uma partida recheada de polêmicas, o Flamengo perdeu o seu terceiro jogo da Taça Guanabara. O Mais Querido desta vez entrou em campo com a força máxima, mas foi superado por 2 a 1, nos acréscimos, para o arquirrival. Andrey e Lucas Barboza marcaram para o cruz-maltino, enquanto Lucas Paquetá descontou para os flamenguistas. Se não houver mudanças de última hora, como quase sempre acontece na FERJ, o Flamengo volta a jogar no próximo sábado, às 15h30, contra o Fluminense, nas Laranjeiras.

    Andrey aproveita lançamento de Evander e abre o placar. Foto: Carlos Gregório/ Site do Vasco

    O JOGO

    Jogando em casa e com a torcida à favor, não demorou muito para o time anfitrião abrir o placar. Andrey aproveitou o bom lançamento de Evander e tocou por cima do goleiro Thiago que nada pôde fazer. 1×0 Vasco. O gol no início da partida desestabilizou o time da Gávea, que passou a errar muitos passes. Aos dezoito minutos quase foi castigado novamente por Andrey, mas o volante vascaíno mandou no travessão.

    A etapa complementar foi toda de pressão rubro-negra. O time campeão da Copinha deu trabalho ao goleiro João Pedro. Destaque da partida última, contra a Portuguesa, Patrick novamente foi o jogador mais perigoso do Flamengo. E foi  através de uma cartada do meio-campista da Gávea que Lucas Paquetá empatou o duelo. Em jogada pela ponta esquerda, Patrick se livrou da marcação e cruzou, deixando Paquetá em condições de igualar o marcador, aos 31 minutos. 

    O Flamengo  ainda chegou a marcar em duas outras oportunidades, aos 38′, com Klebinho e aos 41′, com Lucas Paquetá, mas ambos os gols foram invalidados pela arbitragem que assinalou  impedimento. Houve muita reclamação por parte dos jogadores rubro-negros que estavam melhor na partida.

    O jogo teve prosseguimento e no último minuto da peleja,  Lucas Barboza aproveitou a cobrança de falta de Evander e desviou para o fundo da rede. 2×1 Vasco. Pela segunda vez, nesta edição da Taça Guanabara, o Flamengo perdeu um jogo levando gol no último minuto da partida. O mesmo já havia acontecido na derrota para o Boavista, na primeira rodada.

  • Estrelas e role players

    Há não muito tempo, escrevi uma breve opinião sobre o zagueiro Juan, que naquela semana era confirmado como um dos primeiros reforços do rubro-negro para a temporada 2016 – veja aqui. Mais do que palpitar se o experiente zagueiro era ou não o reforço ideal para a combalida defesa molamba, o propósito do texto era provocar uma reflexão nos mais céticos.

    Hoje, poucos dias depois da contundente vitória do Flamengo sobre a Portuguesa – relembre aqui, ali e acolá -, o time se prepara para o primeiro grande clássico estadual da temporada. E, naturalmente, parte da torcida (novamente os céticos) faz questão de lembrar que o sucesso diante do maior time carioca-lusitano foi possível graças à fragilidade do time. É de se esperar que a partida diante do Vasco seja mais complicada; por conta da rivalidade, do nível técnico do adversário, pela relevância que eles dão ao jogo, entre outros tantos motivos. Mas, ainda assim, a atuação do Flamengo foi muito boa.

    Dominante nas ações ofensivas, com presença constante dos “triângulos laterais” (ora entre Rodinei-Arão-Cirino, ora entre Jorge-Mancuello-Sheik), o time construiu uma goleada como há muito não se via com relativa tranquilidade. Mas… uma breve passagem pós-jogo pelo Twitter e, INCRÍVEL, havia dúzias de críticas ao time. “Jorge está tímido no ataque”, “Wallace não passa segurança”, “Márcio Araújo é muito burocrático”.

    Vamos com calma. Em primeiro lugar, há de se diferenciar a “atuação” da “qualidade do elenco”. Didaticamente: o fato de Guerrero ter feito três meses de atuações fracas/discretas não faz dele um jogador ruim. Assim como o Márcio Araújo jogar bem em uma partida, não significa que a torcida o considere o volante ideal para o time – apenas que reconhecem o bom desempenho em um dado momento, embora eu mesmo tenha defendido o contestado meio-campista.

    Dito isto, a constatação do cenário é que o torcedor rubro-negro simplesmente PRECISA de personagens para enaltecer e para descontar suas frustrações. E isso leva uma reflexão semelhante àquela que inspirou o texto sobre o zagueiro Juan: é fundamental entender quem é quem nesse elenco para, aí sim, saber o quanto cobrar, o quanto esperar.

    A expectativa em torno de um jogador (qualquer um!) costuma ser motivada por 1) salário e 2) capacidade técnica de um atleta. É, natural, portanto, que você espere que o Guerrero renda mais que o Kayke. Acontece que, geralmente, esquecemos de um terceiro fator (tão ou mais importante que os anteriores): o papel tático cumprido pelo atleta.

    Técnicos montam times focados nos seus maiores talentos, as estrelas. Jogadas ofensivas são pensadas e construídas por ou para as estrelas. O coordenador ofensivo pode ser o armador, camisa 10, ou o centroavante, capaz de abrir espaços, fazer o pivô. Ou o volante que conduz o ritmo do time entre as áreas, o tal box-to-box.

    Quem manda nessa porra sou eu

    Há poucos anos, o ataque do Flamengo era coordenado pelas laterais: ora Leo Moura, ora Juan. Isso permitia ter um meio-campo porradeiro e raçudo, já que o talento era escasso naquela época. As chegadas de Adriano e, posteriormente, Ronaldinho Gaúcho, modificaram o sistema, mesmo que, eventualmente, o esquema tático fosse o mesmíssimo 4-4-2.

    Só que as estrelas não jogam sozinhas. Elas são assistidas pelos role players, tão conhecidos no basquete como o “elenco de apoio”. Rapidamente: o Olivinha é ótimo reboteiro, grande defensor, a alma do time em diversos momentos; mas na hora que dá merda, é bola na mão do Marquinhos. Nesse exemplo, fica bem claro: Marquinhos é a estrela e Olivinha é o role player. O basquete tem essa cultura de saber quem é quem – e não há constrangimento algum nisso. Caras como o Olivinha, ao invés de darem piti, entendem que eles fazem outras coisas que as estrelas não conseguem fazer tão bem. Coisas que muitas vezes não damos importância, como diminuir o percentual de arremesso dos adversários ou passar a bola na altura certa. E é justamente por isso que eles se tornam imprescindíveis ao time.

    Tava esperando um Pirlo, molambada?

    No futebol, é muito difícil identificar os role players. Em parte porque o esporte é pobre em estatísticas, em parte porque nunca aceitamos que o time não use o máximo de talentos disponíveis em um mesmo onze inicial. É como quando jogávamos Elifoot 98 e apertávamos “M” para escalar os melhores jogadores. Acontece que a vida não é um Elifoot. Ajustes requerem tempo, exigem esforço e muita força de vontade. E é nesse contexto que ninguém se pergunta: será que Canteros, Cuellar ou Ronaldo se dedicam mais que o Márcio Araújo no cumprimento do papel tático? O camisa 8 dá um determinado ritmo à saída de bola, cobre as laterais, desafoga o combate direto dos zagueiros. Ações que Muricy Ramalho espera DAQUELA posição. Canteros é potencialmente melhor que o Márcio Araújo? Sim. Mas será que ele faria exatamente essas coisas E num nível mais alto? Provavelmente não, ao menos por agora. Se o menino Ronaldo é lançado nessa função e, por exemplo, não consegue marcar os adversários no mesmo ritmo, ou vão detonar o moleque ou sugerir que mudem o esquema, de modo a coloca-lo num papel que o deixe confortável.

    Cumprir papeis táticos implicam em entender a sua posição, seja como estrela ou role player. Implica em treinar e desenvolver habilidades para assumir tal função sem perder a qualidade de quem você está substituindo. Márcio Araújo não é perfeito, longe disso. E é improvável que, aos 30 anos, siga evoluindo. Provavelmente, quando sair do time, será lembrado como um burocrata. Eu, entretanto, lembrarei dele como um bom role player. O cara que não tem vergonha de assumir um papel simples, por um bem maior.

     

     

    @Danisendebo


     

     

    /molambo-racional/como-sera-2016

  • São Januário, palco de tragédia e confusão nos últimos anos

    Pedido de paz ignorado em 2005. Foto: Reprodução Internet

     

    O Flamengo enfrenta o Vasco neste domingo, às 17h, em São Januário. Apesar de toda a rivalidade e a mística envolvendo o Clássico dos Milhões, o que mais vem chamando a atenção é a preocupação com as questões de segurança do estádio cruz-maltino. Mesmo com o policiamento reforçado para o duelo, com mais de 500 homens da polícia (proporção maior de policial por torcedor), vale lembrar que São Januário foi palco de tragédias nos últimos anos.

    Em 2000, na partida entre Vasco x São Caetano (final da Copa João Havelange), parte do alambrado do estádio caiu aos 23 minutos do primeiro tempo e cerca de 160 pessoas ficaram feridas. Muitas delas entraram na justiça contra o Vasco para cobrar danos materiais e morais. A partida foi suspensa e somente no ano seguinte as duas equipes decidiram o torneio, em jogo realizado no Maracanã. O cruz-maltino foi inocentado em sentença que saiu mais de dez anos após o episódio.

    Já no ano de 2005, no último Flamengo x Vasco em São Januário, também houve problemas. Ainda na etapa inicial, vascaínos atiraram um morteiro em direção aos rubro-negros, que tentaram pular o alambrado e entraram em conflito com a Polícia Militar, causando uma confusão generalizada. Vários torcedores foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros após o tumulto. Desde então, por questões de segurança, o Clássico dos Milhões não é disputado na Colina. Reveja alguns momentos daquela partida:

     

    https://www.youtube.com/watch?v=qQzrD2M9eDA

     

    Eurico ataca

    O presidente do Vasco, Eurico Miranda, em coletiva realizada na tarde de ontem, criticou Bandeira de Mello e atacou a torcida do Flamengo: “De repente, fui surpreendido pelo presidente do Flamengo, dizendo que ele não havia sido notificado. Que não sabia como ia funcionar a segurança dos torcedores, dos moradores… O que ele acha? Que os torcedores do clube dele são bandidos? Que iam atacar os moradores? Isso afasta os torcedores do jogo”.

    O presidente do Flamengo demonstrou preocupação quanto à segurança geral dos torcedores, e Eurico voltou à ofensiva: “Ele (presidente do Fla) rigorosamente não conhece nada. O responsável é o mandante. Nós sim temos preocupações com a segurança. Tudo está aqui na ata, como tudo terá que ser feito: com torcedores, com as organizadas, com tudo. Todas as providências foram tomadas”.

    Grande parte da torcida do Flamengo se preocupa com possíveis punições ao clube, caso se prove que alguma confusão aconteça originalmente da torcida rubro-negra. O Vasco seria punido por conceder um palco pouco apropriado? As suspeitas são grandes devido ao rompimento do Flamengo com a FERJ e o apoio irrestrito do Vasco às decisões da entidade. Que desde o retorno de Eurico Miranda ao Vasco, parece o verdadeiro mandatário, sentando inclusive na cadeira do presidente em reunião que Bandeira de Mello foi xingado.

     

    Não coloque sua vida em risco

    Para a partida de domingo, o Vasco acredita no esquema de sucesso feito pela PM no jogo contra o Corinthians em 2015, que garantiu o título brasileiro aos paulistas. Na ocasião, várias ruas no entorno do estádio foram isoladas e houve escolta para os visitantes. Nenhum caso de violência entre as torcidas foi registrado, apenas delitos isolados.

    O Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE) já está monitorando as manifestações das duas torcidas na internet. A esperança é que tudo corra bem e o jogo seja marcado pelo bom futebol, e não pela violência.

    Cerca de 10% da carga total de ingressos foi destinada para venda aos torcedores do Flamengo. O Mundo Bola não recomenda a presença de qualquer torcedor, seja rubro-negro ou vascaíno. Futebol não pode ser administrado para facilitar a violência.

    https://fla.mundobola.com/futebol/primeiro-classico-dos-milhoes-de-muricy-ramalho