‘Tu tens o nome do heróico português: Vasco da Gama, a sua fama assim se fez’. O trecho do hino do Club de Regatas Vasco da Gama faz jus às suas origens. Afinal, as evidentes raízes lusas nunca ficaram à parte da história da instituição que viria a se tornar um dos pilares do futebol brasileiro. Mas antes de mergulhar no esporte bretão, o Vasco da Gama seguiu os caminhos do descobridor que lhe dá nome.
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‘No remo és imortal’
Em 21 de agosto de 1898, no bairro da Saúde, na Zona Portuária do Rio, nasceu o Club de Regatas Vasco da Gama. E, como o nome diz, surgiu como um clube de remo, criado por imigrantes portugueses apaixonados por esportes marítimos. Além da óbvia conexão, o nome da instituição tinha uma explicação histórica. Afinal, a fundação ocorria no dia do aniversário dos 400 anos da descoberta do caminho marítimo para as Índias pelo próprio Vasco da Gama.
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Os primeiros títulos viriam sete anos após a fundação do clube, com o bicampeonato estadual de remo. À época, o Vasco era presidido por Cândido José de Araújo, o Candinho, primeiro negro a presidir uma instituição esportiva no país. Mais do que um grande campeão, ele foi o primeiro elo do clube com questões raciais, um legado carregado até hoje.
‘No futebol és um traço de união’
Em 1915, o Vasco entra para o futebol após absorver o Lusitânia Sport Clube, outra instituição portuguesa. Conectada às suas raízes e causas, a equipe ganhou forma com talentosos negros e operários que levaram o clube ao título do Campeonato Carioca da LMDT em 1923. No entanto, a conquista gerou incômodo entre os rivais.
Os grandes clubes do Rio de Janeiro, à época, decidiram deixar a LMDT, criaram a AMEA e determinaram que o Vasco só entraria na nova associação se abrisse mão de 12 jogadores de minorias. O movimento motivou a criação da famosa ‘Resposta Histórica’, escrita pelo então presidente do clube, José Augusto Prestes. O documento tornou-se parte fundamental do processo de solidificação do clube.
Expresso da Vitória varre a América
Na década de 40, o Vasco se torna uma potência no continente. Com nomes como Barbosa, Danilo Alvim, Ademir de Menezes, Friaça e Lelé, o Cruzmaltino se tornava o Expresso da Vitória. O time era avassalador e conquistou quatro títulos estaduais em 10 anos. Além disso, sagrava-se o primeiro campeonato continental da história do esporte, ao vencer o Campeonato Sul-Americano de Campeões, em 1948.
Em 1950, o Expresso da Vitória retomava a história ao conquistar o primeiro título do Maracanã, superando o América na final do Estadual daquele ano. A conquista parecia o início de uma temporada histórica para aquela geração, base da Seleção Brasileira, que disputaria a Copa do Mundo em solo brasileiro. Mas a vida tinha outros planos para aquele time.
Depois de uma campanha lendária, o Brasil, liderado pelo artilheiro do Vasco, Ademir de Menezes, via o Uruguai vencer por 2 a 1 no Maracanã e o sonho do título em casa virou um pesadelo. O resultado foi tão arrebatador que o Expresso da Vitória descarrilou. Os pilares daquela geração saíam de um clube que precisava se refazer.
Renovação rende frutos
O fim do Expresso da Vitória motivou o Vasco a se mexer. Como jogadores formados em São Januário e com destaques de times menores do país, o Cruzmaltino monta um dos seus times mais vitoriosos da história. A dupla de zaga Bellini e Orlando, o centroavante Vavá e os habilidosos Pinga e Sabará levaram o Vasco a três títulos estaduais e um Torneio Rio-São Paulo.
Além disso, o Vasco conquistou vitórias históricas em campeonatos internacionais, como o Rivadávia Correia, em 1953, e o Torneio de Paris, em 1957, superando o Real Madrid de Di Stéfano. Os resultados colocaram Orlando, Bellini e Vavá como titulares fundamentais na campanha do primeiro título mundial do Brasil, em 1958.
Na década de 60, o Vasco viveu os momentos mais difíceis da história do clube até então, com apenas um título (o Torneio Rio-São Paulo de 66) e uma profunda crise financeira, que só começaria a ser estancada na década seguinte.
Explode a Dinamite
O Vasco abre os anos 70 com um título estadual contra o ótimo time do Botafogo. Mas o evento que transformaria o clube para sempre aconteceria no dia 25 de novembro de 1971. O jovem Roberto, de apenas 17 anos, se consolidava, de uma vez por todas, como Dinamite ao marcar um golaço contra o Internacional, no Maracanã.
Daquele momento em diante, Vasco e Roberto se conectam de forma sobrenatural. Afinal, o garoto Dinamite assumiu a responsabilidade de liderar o clube para fora da crise financeira da década anterior. Seus gols garantiram o primeiro título brasileiro do Gigante da Colina, em 1974, e o Carioca de 1977. Roberto ainda conseguiu uma convocação para a Copa do Mundo de 1978, na qual foi um dos destaques. As atuações sublimes de Roberto levaram o atacante ao Barcelona em 1980.
A mão de Eurico
Os anos 80 foram mais frutíferos para o Vasco e revelaram ao futebol brasileiro a imagem de Eurico Miranda. O primeiro ato do então assessor especial da presidência do clube foi impedir a ida de Roberto Dinamite para o Flamengo e garantir o retorno do artilheiro ao Cruzmaltino, meses após sua ida ao Barcelona.
O retorno do Camisa 10 foi apoteótico! Roberto marcou cinco gols na vitória por 5 a 2 no Campeonato Brasileiro. A atuação fantástica foi o prelúdio de uma década incrível para o atacante no Vasco, com três títulos estaduais e três artilharias. Os bons resultados do Cruzmaltino caminhavam em uníssono com o crescimento do poder de Eurico Miranda no clube.
Em 1986, o Eurico se aliava ao presidente eleito do Vasco à época, Antônio Soares Calçada, que lhe deu a chave do futebol do Gigante da Colina. Naquele mesmo ano, explodiria outro grande ídolo: Romário. Ainda muito jovem, o camisa 11 foi peça-chave do título da Taça Guanabara e, no ano seguinte, dividiria o título e a artilharia do Estadual com os parceiros de ataque Roberto Dinamite e Tita.
Romário voltaria aos holofotes em 1988, com mais uma grande atuação no Campeonato Carioca e o título ‘com sabor de Cocada’. Logo após o título, o Baixinho deixava o Vasco rumo ao PSV, na Holanda. Além disso, Roberto Dinamite também sairia do clube, desta vez, rumo à Portuguesa. Perdendo dois ídolos, Eurico Miranda voltaria a entrar em ação, com requintes de crueldade.
Nasce a Selevasco
Disposto a montar um time ainda mais competitivo em 1989, o vice-presidente de futebol do clube foi ao mercado e criou a equipe que viria a ser conhecida como ‘SeleVasco’. Eurico tirou Luiz Carlos Winck do Internacional, Quiñonez do Barcelona de Guayaquil, Zé do Carmo do Santa Cruz e Boiadeiro do Guarani. Mas faltava uma joia brilhante nessa coroa. E ela seria colocada com requintes de crueldade.
Bebeto, que estava se consolidando como ídolo no rival Flamengo, pulou o muro e assinou com o Vasco, em uma manobra de Eurico Miranda. Como principal jogador da equipe, o novo Camisa 10 de São Januário foi peça primordial do título brasileiro de 1989 e caiu nas graças da torcida.
Os dourados anos 90
Uma das décadas mais vitoriosas da história do Vasco foi forjada pelos anos de transição de seu início. Após o título brasileiro, Bebeto ganhava a companhia de Roberto Dinamite, que voltava da passagem pela Portuguesa com moral alta.
No entanto, a parceria não foi das mais frutíferas. O time não rendeu bem em 1990; ficou pelo caminho em todas as competições, o que motivou uma série de mudanças, incluindo a saída de Roberto para o Campo Grande. O fato novo não surtiu efeito e garantiu um 1991 decepcionante. Mas o torcedor mal sabia que os próximos anos seriam históricos.
Em 1992, com Bebeto e Edmundo liderando a equipe, o Vasco fez uma ótima campanha no Brasileirão e, por pouco, não avançou às finais. Após o fim do campeonato, o Bom Baiano deixava o Cruzmaltino rumo à La Coruña e Roberto Dinamite voltava, pela última vez, ao clube. Em seu canto do cisne, o Camisa 10 fez uma ótima parceria com a joia da Colina e ajudou o Gigante da Colina a conquistar o Estadual daquele ano, antes de se aposentar.
No ano seguinte, Edmundo também deixaria o Vasco, com uma proposta milionária do Palmeiras da Parmalat. Mesmo sem o atacante, o Cruzmaltino seguiu forte no Rio e garantiu o tricampeonato em 93 e 94, com peças como Valdir Bigode, Jardel, William e Denner, que morreria em um acidente de carro durante a fase final da campanha do tri.
O sonho da América se torna real
Após um hiato de dois anos sem conquistas, o Vasco se movimentou no mercado com um objetivo claro: fazer história no centenário do clube, em 1998. Para isso, dois anos antes, o Cruzmaltino trouxe Edmundo de volta para liderar um time com jovens promessas como Felipe, Pedrinho e Juninho Pernambucano. E a junção deu certo!
Liderado pelo, agora, Animal, o Vasco foi avassalador em 1997 e conquistou o título brasileiro, com direito a recorde de gols de Edmundo na edição. As ótimas atuações levaram o ídolo para a Fiorentina de Batistuta e Rui Costa. Sem seu Camisa 10, Eurico Miranda não queria repetir os erros da melancólica temporada de 1990 e reagiu rápido.
Com o apoio da multimilionária parceria com o Bank of America, o homem forte do futebol do Vasco buscou Donizete no futebol mexicano e Luizão no La Coruña. A dupla não decepcionou e conduziu o Cruzmaltino ao título estadual e à tão sonhada Libertadores, em 1998, no ano do centenário do clube. Mesmo com a dolorosa derrota no Mundial de Clubes daquele ano para o Real Madrid, o ano marcou os torcedores daquela geração, que vislumbravam um Vasco dominante.
Ressaca, Dream Team e vitórias históricas
O ano de 1999 foi em clima de ressaca. Mesmo com o título do Torneio Rio-São Paulo contra o Santos e a volta apoteótica do ídolo Edmundo, o ano foi vagaroso. As derrotas para o Flamengo, na final do Estadual, para o Palmeiras, no mata-mata da Libertadores, e para o surpreendente Vitória, no Brasileirão, foram um balde de água fria. No entanto, a temporada seguinte seria muito mais emocionante.
Selecionado para disputar o primeiro Mundial de Clubes da Fifa, em 2000, o Vasco montaria um time ainda mais forte. Júnior Baiano, Gilberto e o então ex-amor Romário chegavam para elevar o nível de uma equipe já qualificada, mas que tinha deixado uma dívida com a torcida no ano anterior. Ao lado do desafeto Edmundo, o Baixinho teve atuações fantásticas na competição, mas viu o inimigo e parceiro de ataque perder o pênalti que garantiu o título do Corinthians na decisão.
A derrota foi o estopim de uma série de conflitos entre Romário e Edmundo, que renderam manchetes de jornal e mais vice-campeonatos no Estadual e no Torneio Rio-São Paulo. O Camisa 11 saiu vencedor da queda de braço, enquanto o 10 deixava São Januário rumo ao Santos. Sem o ídolo, Eurico Miranda foi atrás de reforços e trouxe Juninho Paulista e Euller, que seriam fundamentais ao longo do ano.
O quarteto formado pelos Juninhos Pernambucano e Paulista, Euller e Romário, ditou o ritmo do futebol brasileiro no resto da temporada. A conquista da Copa João Havelange e da Copa Mercosul, em um épico jogo contra o Palmeiras, encerrou com chave de ouro o ano do Vasco. Mas mal sabia o torcedor que o conto de fadas se transformaria em tragédia.
A mão de ferro enferruja
Após as conquistas dos anos anteriores, Eurico Miranda chegaria ao ápice de seu poder no Vasco, agora como presidente do clube. Mas o sonho de hegemonia nacional cairia por terra muito mais rápido do que o esperado. O mandatário viu a parceria com o Bank of America ruir por ‘divergências nos investimentos’ e lidava com o aumento exponencial das dívidas do clube.
Com o passar da década de 2000, o Vasco entrou em um profundo ostracismo, marcado por derrotas vexatórias e elencos questionáveis carregados por grandes talentos, que eram oásis em meio ao deserto de qualidade e organização. Mesmo com resultados pouco satisfatórios, Eurico Miranda seguia impávido, disparando contra desafetos e administrando o clube como um feudo. Não à toa, os momentos mais marcantes do clube no período foram um Cariocão em 2003 e o milésimo gol de Romário em 2007.
Eurico Miranda deixaria o Vasco em julho de 2008, após perder as eleições presidenciais do clube para o ídolo Roberto Dinamite. Porém, a situação era insustentável! Mesmo liderado pelo também grande nome Edmundo, o elenco apresentava deficiências ceríssimas que acabariam por provocar o primeiro rebaixamento do Cruzmaltino para a Série B. Após anos resolvendo a vida do Gigante da Colina em campo, caberia ao presidente Dinamite comandar o renascimento do clube.
A ressurreição de um Gigante e a criação do ‘Trem Bala’
Para conseguir voltar à primeira divisão, Roberto Dinamite promoveu uma limpa no elenco. Com Rodrigo Caetano como executivo de futebol e Dorival Jr. como técnico, o Vasco refez o grupo e deu ao polêmico Carlos Alberto a chave do time dentro de campo. Ao lado de peças que seriam fundamentais para o clube, como Fernando Prass, Fágner, Dedé e Elton, o Camisa 19 conduziu o Cruzmaltino ao acesso e ao título da Série B.
Em 2010, no retorno à elite do futebol brasileiro, o Vasco foi mais tímido. A equipe perdeu Dorival Jr. para o Santos e levou um tempo para se acertar na temporada. No entanto, a chegada do treinador PC Gusmão no meio da temporada, somada às contratações de Zé Roberto, Éder Luís e do ídolo Felipe, contribuiu para um fim de ano mais tranquilo. Além disso, começaram a montar as bases de um 2011 que seria histórico para o clube.
Na virada do ano, o Vasco decidiu não manter PC Gusmão e ainda perdeu Zé Roberto para o Internacional. Para completar, o xodó Carlos Alberto ia para o Grêmio em meio a rusgas com Roberto Dinamite. Porém, as chegadas do técnico Ricardo Gomes, além das de Diego Souza, Alecsandro, Anderson Martins e Bernardo, mudaram o patamar da equipe. O ‘Trem-Bala da Colina’ atropelou adversários e conquistou o inédito título da Copa do Brasil.
Porém, um susto mudou a rota de um ano que poderia ser ainda melhor: Ricardo Gomes sofreu um AVC durante o Vasco x Flamengo do primeiro turno do Brasileirão e foi afastado do cargo. No lugar, entrou o seu assistente, Cristóvão Borges. Sem seu treinador, o Gigante da Colina viu o sonho da Sul-Americana esbarrar na ótima Universidad de Chile, de Jorge Sampaoli, e a chance de título brasileiro escorrer pelos dedos na última rodada, com o Corinthians conquistando a taça.
Apesar das dores de 2011, o vascaíno entrava em 2012 com esperança de um bom ano. Mas, apesar dos bons resultados, os traumas estariam presentes. As derrotas nas finais dos dois turnos do Cariocão foram um prelúdio do que estava por vir. Após uma ótima campanha na Libertadores, o Vasco reencontrava o Corinthians, algoz do último Brasileirão, nas quartas de final da competição. Em dois jogos épicos, o Cruzmaltino caiu diante da cabeçada de Paulinho e deu adeus à Glória Eterna.
A eliminação para o Timão causou danos maiores do que os vascaínos esperavam. A derrota expôs uma grave crise financeira no clube e motivou a venda de diversos jogadores, como o Fágner, Diego Souza, Rômulo e outros. Desmontado e desmotivado, o Vasco encerrava o ano de forma melancólica. Mas o torcedor mal sabia que o pior estava por vir.
Crise, queda e velhos conhecidos
2013 foi um ano ainda mais acidentado para o Vasco. Precisando de dinheiro, o Cruzmaltino vendeu o ídolo Dedé ao Cruzeiro. O valor até reoxigenou o caixa, mas a saída do zagueiro foi a porta de entrada para um dos piores anos da história do clube. Outras lideranças, como o goleiro Fernando Prass e o meia Felipe, também deixavam o Gigante da Colina, que viu a sua crise explodir.
Frágil durante toda a temporada, o Vasco foi rebaixado para a segunda divisão novamente, em uma vergonhosa derrota por 5 a 1 contra o Athlético-PR, marcada pela confusão entre torcedores das duas equipes, na Arena Joinville. Se 2013 seria melancólico, 2014 não seria muito diferente.
O caminho de volta à elite foi profundamente acidentado. O ponto mais baixo foi a derrota por 5 a 0 para o Avaí, em São Januário, que sepultou a passagem do técnico Adilson Batista pelo Vasco. A crise aumentou as tensões no clube, em pleno ano eleitoral. Em meio ao acesso turbulento para a Série A, os sócios garantiram a volta de Eurico Miranda ao Cruzmaltino, seis anos após a saída do ex-presidente.
O respeito voltou?
Querendo ‘retomar o respeito’, Eurico Miranda investiu em medalhões e em destaques de times pequenos do país. Em um primeiro momento, o movimento pareceu acertado, em especial, com o título carioca de 2015. Entretanto, o Brasileirão trouxe um choque de realidade. O Vasco teve um dos piores inícios de campeonato de sua história e, mesmo com a arrancada promovida pela chegada do meia Nenê e do técnico Jorginho, acabou rebaixado mais uma vez para a Série B.
No ano seguinte, o Vasco voltou a vencer o Estadual, o que deu a impressão de que 2016 seria mais tranquilo. Afinal, o time era superior ao de 2015. O problema é que, assim como na temporada anterior, o Cariocão iludiu o torcedor. Em mais um ano acidentado, o Cruzmaltino viu a solidez ruir e subiu em terceiro para a Série A.
Em 2017, o Vasco apostou na juventude. Com jovens promessas, como Evander, Mateus Vital e Paulinho, somadas à experiência de jogadores consolidados no elenco, como Martin Silva e Nenê, o Cruzmaltino fez uma campanha decente e garantiu a volta à Libertadores, após cinco anos. Mesmo que a classificação pudesse indicar que 2018 seria um ano sereno, o ambiente político do clube sempre surpreendia.
Candidato à reeleição, Eurico Miranda venceu, porém, a Justiça do Rio de Janeiro apontou irregularidades em uma das urnas. O que poderia abrir caminho para o rival político do presidente, Julio Brant, acabou por provocar uma das maiores reviravoltas da história da política do Vasco.
A chapa do empresário até foi eleita pelos sócios. Entretanto, o aliado de Julio, Alexandre Campello, rompeu com o antigo parceiro e foi escolhido pelo conselho do Vasco como novo presidente. A decisão enfureceu torcedores e deu início a anos ainda mais nebulosos no clube.
Instabilidade aumenta e Vasco volta a cair
Sob pressão da torcida desde o primeiro dia no poder, Alexandre Campello viu o Vasco sofrer diversos reveses em 2018. A derrota no Estadual para o Botafogo, a péssima campanha na Libertadores e a luta contra o rebaixamento no Brasileirão aumentaram as pressões sobre o presidente, que ainda lidava com tentativas de impugnação de seu mandato por parte da chapa de Julio Brant. Mas, graças às atuações de Yago Pikachu e de Maxi Lopez, que chegou no meio da temporada, o Cruzmaltino se manteve na elite.
Sentindo o momento difícil, a torcida do Vasco ‘comprou o barulho’ e foi fundamental para o clube em 2019, liderando o ranking de sócios do país e contribuindo para a construção do CT Moacyr Barbosa. Dentro de campo, o Cruzmaltino teve um ano sem sustos e terminou o Brasileirão em 12º lugar. Porém, o vascaíno veria uma crise sanitária global o afastar de seu ‘primeiro amigo’.
A pandemia da Covid-19 fechou estádios em todo o mundo em 2020 e impediu os torcedores de apoiar suas equipes. Além disso, agravou os problemas financeiros de diversos clubes, incluindo o Vasco. Mesmo com peças como Germán Cano e Martín Benítez, o Cruzmaltino ruía pelas péssimas decisões administrativas. O criticado Alexandre Campello perdia a reeleição e dava lugar a Jorge Salgado, em mais uma votação conturbada. Endividado e bagunçado, o Vasco da Gama voltava à segunda divisão.
Caos total, SAF e intervenção
Em 2021, Jorge Salgado tinha nas mãos uma missão parecida com as dos seus antecessores: levar o Vasco de volta à elite e sanear as dívidas, que ficavam cada vez maiores. A equipe apostava nos gols de Germán Cano e em medalhões como Zeca e Marquinhos Gabriel para atingir seus objetivos na temporada, mas nada deu certo. O clube conseguiu a proeza de terminar a Série B em 10º lugar e, pela primeira vez, não conseguiu subir.
O resultado, somado aos problemas financeiros, colocou o Vasco em xeque. Em meio a uma crise insolúvel, o Cruzmaltino seguiu o exemplo do rival Botafogo, entrou na temporada de 2022 com o pensamento claro de iniciar o processo para se tornar uma SAF. As reuniões para aprovar a transformação caminhavam junto com a sua campanha de um time de operários, que conseguiu o acesso para a Série A na raça e na dedicação.
Ao mesmo tempo, o presidente Salgado vendia 70% das ações do clube ao fundo americano 777 Partners. A venda alimentou as esperanças de um 2023 mais leve, mas as intenções dos investidores deixavam um ponto de interrogação em alguns torcedores e em parte da imprensa.
Mesmo com os altos investimentos iniciais e as muitas promessas, o Vasco sofreu. Principal contratação da temporada, Pedro Raul foi o arquétipo do time da primeira metade da temporada: perdido e decepcionante. A equipe correu sérios riscos de cair novamente, mas, graças ao bom trabalho do técnico Ramon Diaz (e do filho Emiliano) e às chegadas de Paulinho, Payet e Vegetti, o Cruzmaltino se salvou na última rodada.
Em 2024, o torcedor vascaíno via na dupla Ramon e Emiliano Diaz e, com a chegada do diretor de futebol Alexandre Mattos, o ponto de virada para um ano fantástico. Porém, o clube recalculou a rota algumas vezes ao longo da temporada. O dirigente saiu em tempo recorde após conflitos com a comissão técnica e a diretoria. Meses depois, o treinador e o filho deixariam o Vasco em uma situação nebulosa até hoje.
Para completar, a bolha da 777 Partners explodiu. Acusações de fraude e uma grave crise financeira obrigaram Pedrinho, ídolo do Vasco e presidente eleito para cuidar dos 30% restantes das ações, a tomar o poder das mãos da empresa norte-americana.
Como novo mandatário, fez mudanças importantes nos primeiros meses de clube: demitiu o técnico Álvaro Pacheco – que não venceu à frente do Cruzmaltino -, colocou o então treinador do sub-20, Rafael Paiva, no lugar e, para fechar com chave de ouro, trouxe a cria da Colina Philippe Coutinho de volta, depois de 14 anos. Com o craque de volta e os gols de Vegetti, o Vasco fez uma campanha tranquila no Brasileirão e chegou às semifinais da Copa do Brasil, parando no vice-campeão Atlético Mineiro.
Apesar dos resultados, as lesões de alguns jogadores importantes, como Adson e David, e questões internas fizeram com que Rafael Paiva deixasse o Vasco antes do fim do Brasileirão. Com isso, o diretor-técnico Felipe assumiu o comando do time nos jogos finais da temporada.
Conflitos, recuperação judicial e futuro incerto
O momento atual do Vasco não é dos mais sólidos. Apesar da aprovação da recuperação e dos rumores de revenda do clube, a pressão da torcida por resultados aumenta a cada dia. O início de 2025, instável, gerou rusgas entre vascaínos e o presidente Pedrinho. Entretanto, a boa campanha da Copa do Brasil parece ter acalmado o clima em São Januário.
Mesmo com o caos institucional, a paixão do vascaíno parece inabalável. O apoio, as memórias de times lendários, as raízes e a esperança do torcedor carregam e carregarão o clube não importa o momento, afinal, ‘todo vascaíno tem amor infinito’.
Fontes:
https://vasco.com.br/linha-do-tempo/
https://www.memoriavascaina.com/2014/01/rua-da-saude-n-293-o-vasco-nasceu-para.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/23/deportes/1516665586_808224.html
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