Autor: diogo.almeida1979

  • Partida razoável na primeira noite dos reservas de Muricy

    Márcio Araújo, de volta ao time é observado por Juan em mais uma saída de jogo. Foto Gilvan de Souza/Flamengo

    Após a ótima vitória no Fla-Flu em Brasília no último domingo, o Flamengo retornou a campo pelo Campeonato Carioca para enfrentar a Cabofriense no Moacyrzão em Macaé. Como anunciado antes do clássico, Muricy Ramalho poupou quase o time inteiro para dar rodagem ao elenco.

    O Jogo

    Só com três titulares, Muricy mandou o seguinte time à campo: Paulo Victor – Pará, César Martins, Juan (C) e Chiquinho – Márcio Araújo, Canteros e Mancuello – Éverton, Felipe Vizeu e Gabriel.

    Se a equipe era diferente, a filosofia em campo não foi alterada no início de jogo. Marcação no campo da Cabofriense e a busca pela troca rápida e eficiente de passes. Com isso, os espaços foram começando a aparecer mas a equipe pecou no último passe que não alcançou Vizeu em dois cruzamentos. No terceiro, o garoto aproveitou: Bola lançada para Mancuello na direita, o argentino rolou para Pará que cruzou na cabeça de Felipe Vizeu, o atacante cabeceou com estilo no canto abrindo o placar aos 9′.

    Aos 11′, quase saiu o segundo após roubada de bola do Éverton na área adversária. O ponta cruzou e quase Vizeu marcou de novo após ótima defesa de Andrey. Depois de uma cabeçada de Juan aos 14′, a equipe de Cabo Frio chegou duas vezes aproveitando vacilos de Pará e Chiquinho. Após a parada técnica, o rubro-negro seguiu com dificuldades para chegar na área adversária, abusando dos cruzamentos para Felipe Vizeu. No fim do primeiro tempo, o Mengão teve duas boas chances de ampliar, em ótimas jogadas de Mancuello e Éverton, mas não fez e assim terminou o primeiro tempo.

    As duas equipes voltaram sem mudanças do intervalo e após um início ruim de segunda etapa, a equipe aos poucos foi se acertando e retomando o controle da partida. Melhor em campo, Mancuello voltou a aparecer quase marcando um golaço de falta aos 12′. Com o ritmo diminuindo drasticamente, Muricy colocou Arão e Cirino em campo e a equipe apresentou uma sensível melhora, pois Arão se apresentou mais ao ataque do que seu substituto Canteros. No fim do jogo, a Cabofriense partiu para cima buscando um empate precioso, mas sem sucesso.

    Fim de papo, Flamengo 1 a 0, e mais três pontos na conta. A próxima partida é no dia 28/02 às 17h contra o Resende em Volta Redonda

    Mancuello 

    Melhor em campo. Com ótima movimentação e com muita disposição, o argentino ditou o ritmo do ataque rubro-negro e até foi bem na marcação quando o adversário recuperava a bola. Merecia o gol hoje. Está fazendo valer o investimento nele.

    Felipe Vizeu

    Excelente estreia do jovem atacante como titular do Mengão. Fez um lindo gol de cabeça, o gol da vitória, e  mostrou ótima movimentação e muita habilidade com a bola nos pés fora da área, deixando a torcida cheia de esperanças para o futuro.

    César Martins e Juan

    Melhor partida de uma dupla de zaga do Flamengo no ano. Mesmo o adversário não sendo do mesmo nível dos adversários que encontraremos no Brasileirão, a dupla de zaga teve uma atuação que beirou a perfeição.

    César Martins novamente fez uma ótima partida. Preciso, veloz e tranquilo são as palavras que podem descrever a partida do camisa 3.

    Já Juan pela primeira vez foi capitão da equipe depois de sua volta ao Maior do Mundo e não decepcionou. Seguro, passou a tranquilidade para o resto da equipe, e novamente esteve bem posicionado na maioria das investidas da Cabofriense.

    Márcio Araújo

    Após a ótima atuação de Cuéllar no domingo passado, Márcio Araújo foi o titular do time reserva e teve dois tempos distintos. No primeiro tempo fez um bom jogo, com boas inversões de jogo e uma ótima arrancada que quase terminou em gol.

    Já no segundo tempo, cometeu três erros nos três minutos iniciais (um quase custou o gol de empate) e não se encontrou durante o restante da segunda etapa, provando que não pode voltar à titularidade de fato.

  • Atuações: Vizeu marca na sua estreia como titular e Mancuello participa bem do jogo; Cesar repete boa partida

    PAULO VICTOR: Time reserva. Goleiro titular! Fez defesas importantes no jogo e saiu do gol com qualidade em lances de bola aérea. Pela falta de entrosamento com quase todos os jogadores da defesa, hesitou em sair jogando com os pés como tem feito esse ano. NOTA 7

    PARÁ: A falta de sequência pesou em alguns lances em que sua principal característica, a velocidade, faz a diferença. Mesmo assim fez uma boa partida em ambos os setores da lateral direita. Não tem qualidade para fazer sombra ao Rodinei, porém mostrou ser um bom reserva. Fez um ótimo cruzamento para Vizeu marcar. NOTA 6,5

    CÉSAR MARTINS: Aumentou a dor de cabeça do técnico Muricy Ramalho. Embora o adversário não oferecesse grandes dificuldades à defesa do Fla, o zagueiro se manteve num nível forte e com a mesma seriedade de sua última partida. Mostrando que está cada vez mais confiante, o camisa 3 foi até abusado em alguns momentos, mas sempre com segurança e firmeza. NOTA 7,5

    JUAN: Usou sua experiência para fechar aquele setor da defesa do Mais Querido. Sofreu com algumas subidas do ataque da Cabofriense em velocidade, mas deu conta do recado. Precisa parar de insistir em lançamentos, mesmo quando dão certo, tira do time a chance de se utilizar de sua principal característica que é a troca de passes e inversões por baixo. Descansado, vem para nova sequência de jogos. NOTA 7

    CHIQUINHO: Parte razoável. Demonstrou segurança e confiança em vários lances no ataque e também na defesa. Tentou dar ritmo maior que o titular da posição, porém sua qualidade técnica não o ajudou. NOTA 6

    https://www.youtube.com/watch?v=JGr47aBHXXA

    MÁRCIO ARAÚJO: Quando não tenta ser incisivo, não compromete. Hoje até criou chance clara de gol e Mancuello não converteu. No segundo tempo, errou alguns lançamentos e bolas relativamente fáceis de passar. Defensivamente fez roubadas de bola e deu combates firmes. NOTA 6

    CANTEROS: Partida ruim do argentino. Pouca movimentação, errou passes importantes, pouco ajudou à frente dos zagueiros. Atuando assim, não parece que vai incomodar o titular Arão. NOTA 5 

    MANCUELLO: A medida que sua condição física melhora, ele vai apresentando um futebol melhor. Sua doação máxima em campo e qualidade técnica mostram a cada partida que é peça de grande importância do Mengão. Já se mostrou perigoso nas bolas paradas, mas aparenta uma certa ansiedade em marcar seu primeiro gol. NOTA 7

    EVERTON: Quando acelera sua passada raciocina pouco e quase sempre erra as jogadas. Tem movimentação excelente, só que se complica em lances que podem levar perigo ao adversário. Hoje teve a chance de fazer um golaço e sofreu pênalti não marcado. NOTA 6

    GABRIEL: Tem velocidade, dribla razoavelmente bem, se dedica de forma exemplar, mas lhe falta qualidade técnica. Hoje fez uma partida até acima de sua média, mesmo assim não convence. NOTA 5,5 

    Na estreia entre os titulares, Vizeu marca seu primeiro gol jogando como profissional. FOTO: Gilvan de Souza | Flamengo

    VIZEU: Estreia em grande estilo. Pela primeira vez entre os titulares no time profissional, o jovem atacante deixou sua marca logo aos nove minutos do primeiro tempo. Em seguida, o time caiu de rendimento e ele sumiu um pouco do jogo. Quando o time chegava ao ataque e a bola pintava na área ele sempre estava em condições e até finalizou com perigo em outros momentos. No segundo tempo, quando a equipe voltou a crescer no partida, novamente levou perigo ao gol da Cabofriense. NOTA 7,5

    CIRINO: Não parecia muito solto e acabou não entrando tão bem quanto nas últimas atuações pelo Fla. Participou de algumas jogadas pela direita, sempre tabelando com o lateral e com Arão, mas sem a intensidade comum ao atacante. NOTA 6 

    ARÃO: Muda o panorama do jogo. Em sintonia fina com o elenco, o volante dá vida nova ao time sempre que está em campo. Saindo do banco para substituir o apagado Canteros, mostrou que é o dono da vaga naquela posição. NOTA 7

  • Vizeu garante vitória sobre a Cabofriense

    Vizeu comemora o gol, que garantiu a vitória do Flamengo sobre a Cabofriense / Foto: Gilvan de Souza

     

    Depois de vencer o Fla x Flu por 2×1 no final de semana, o Flamengo voltou a campo na noite dessa quarta-feira (24). O desafio contra a Cabofriense trouxe a campo apenas 3 titulares: o goleiro Paulo Victor, o zagueiro Juan e o meia Mancuello.

    Embora o Moacyrzão tenha recebido um público pequeno, a torcida presente no estádio demonstrou apoio a equipe. Antes mesmo do início do jogo, a torcida aplaudia a equipe na entrada ao gramado. Ao longo da partida, os torcedores presentes cantaram e comemoraram mais uma vitória do Flamengo no Carioca.

    Após os 3 pontos conquistados em Macaé, o Flamengo chegou aos 13 pontos e permanece em segundo lugar no grupo B, atrás apenas do Botafogo, líder desde o início da competição.

     

    BOAS CHANCES NO PRIMEIRO TEMPO

    O Flamengo começou se movimentando bem na partida e antes dos 10 minutos conseguiu chegar ao gol. Estreante da noite, o atacante Felipe Vizeu recebeu um belo cruzamento feito por Pará e de cabeça marcou seu primeiro gol como profissional.

    Apesar de ter conseguido levar perigo à meta adversária, o time do Flamengo sentiu dificuldades em alguns momento para tocar a bola. O posicionamento da equipe da Cabofriense dificultou a troca de passes para o time rubro-negro, que não conseguia achar saída para chegar até ao ataque. Após orientações dadas por Muricy de fora do campo, a equipe conseguiu se reorganizar e teve duas boas oportunidades nos 5 minutos finais, com Mancuello e Gabriel.

    Apesar de ter marcado apenas um gol na primeira etapa, a equipe que estava em campo conseguiu produzir boas oportunidades de gol. Com destaque para Mancuello, que conseguiu achar bons chutes que levaram perigo à meta da Cabofriense. O argentino ainda armou boas jogadas e por pouco não deixou o dele no primeiro tempo em Macaé.

     

    SEGUNDA ETAPA É MARCADA POR POUCAS FINALIZAÇÕES

    O time do Flamengo voltou mais lento para a segunda etapa, com um número de finalizações bem inferior àquele visto no primeiro tempo. A Cabofriense parece ter sentido o bom momento e conseguiu pressionar mais a saída de bola rubro-negra.

    Com menor movimentação da equipe na segunda etapa, o técnico Muricy Ramalho chamou Cirino e Arão, que vêm se destacado no time titular. O atacante e o meia entraram no lugar de Gabriel e Canteros, que errou muito durante toda a partida. Mesmo com os dois titulares em campo, o Flamengo seguiu com dificuldades de finalização e não conseguiu marcar o segundo gol.

    Nos últimos minutos de partida, a Cabofriense ainda assustou, quase conseguindo empatar o jogo. No entanto, assim como a equipe rubro-negra, o adversário também não conseguiu ter boa pontaria na hora de chutar em direção ao gol e a partida terminou com a vitória por apenas um gol do Flamengo.

     

    FELIPE VIZEU SE DESTACA EM NOITE DE TITULAR

    Destaque Da Copa São Paulo de Futebol Júnior, Felipe Vizeu teve a oportunidade de atuar os 90 minutos. E não tem como não dizer que o destaque do jogo é todo dele. Com boas finalizações durante a partida, Vizeu conseguiu levar perigo diversas vezes à meta da Cabofriense e foi o responsável pelo gol da vitória rubro-negra no Moacyrzão.

    No intervalo da partida, o atacante falou sobre o trabalho que vem realizando e citou sobre orientações dadas por Muricy nos treinamentos. “Graças a Deus venho fazendo um bom trabalho nos treinamentos e isso reflete nos jogos. Futebol é justo: se a gente treinar bem, reflete no jogo. Professor Muricy sempre pede para estar na área quando a bola estiver nas laterais. Pude receber a bola e fazer o gol. Fui feliz em fazer o gol da partida, mas não posso parar por aqui, tenho que seguir treinando”.

     

    SITUAÇÃO NO CAMPEONATO

    Com a vice-liderança do grupo B, o Flamengo está bem próximo de conseguir a classificação para a próxima fase do Carioca. Com 13 pontos conquistados, uma vitória contra o Resende, no próximo domingo, garante o rubro-negro na etapa seguinte da competição.

     

    Ficha Técnica

    Time: Paulo Victor, Pará, C. Martins, Juan e Chiquinho; M.Araújo, Canteros (Willian Arão) e Mancuello; Éverton, Gabriel (Marcelo Cirino) e Felipe Vizeu

    Cartões: o árbitro não puniu nenhum jogador na partida.
    Arbitragem: Carlos Eduardo Nunes Braga
    Auxiliares: Wendel de Paiva Gouvêa e Francisco Pereira de Sousa

    Público: 1988 pagantes / 2632 presentes
    Renda: R$65.309

     

     

  • Cabral e a mentira do Maracanã Rubro-Negro

    Cabral de mãos dadas com Lula: Maraca virou estádio de Copa do Mundo.

     

    A recente história do Maracanã é cheia de idas e vindas. Mais idas do que vindas. Com o passar dos anos o “Maior do Mundo” deixou de ser um estádio com um custo de operação baixo para os clubes cariocas e virou um estádio caríssimo depois que seu projeto arquitetônico foi adaptado ao famigerado Padrão FIFA.

    Talvez a largada para o começo do fim do Maracanã como o havíamos conhecido tenha sido dez anos atrás. Ricardo Teixeira, até então presidente da CBF, já sabia que o Brasil seria escolhido como sede do Mundial de 2014. A seleção ainda disputava as Eliminatórias da Copa da África do Sul, quando o dirigente chocou a opinião pública com a declaração de que o Maracanã não poderia ser usado na eventual Copa do Mundo em terras brasileiras. Para o dirigente, atualmente na mira do FBI por corrupção e conspiração, o estádio deveria ser demolido e um outro construído em seu lugar.

    A pressão surtiu efeito, antes ignorado pelo governador Sérgio Cabral, o dirigente logo foi chamado para uma audiência particular e saiu muito satisfeito com a “boa-vontade” demonstrada pelo executivo fluminense.

    Meses depois, com a confirmação sem surpresas do Brasil como sede em 2014, o governador tratou também de anunciar a mais ampla reforma da história do Maracanã, que depois seria gerido por um consórcio.

    Márcio Braga era o presidente do Flamengo à época. Ainda em 2005 ele conseguiu aprovação do prefeito César Maia para a um projeto de construção de um centro de lazer e entretenimento integrado a um novo estádio de 32 mil lugares. Os moradores da Gávea e adjacências fizeram pressão e os deputados estaduais aprovaram a Lei nº 3002/05, que determina que para construção de qualquer empreendimento imobiliário de lazer e entrenimento na Gávea seria necessária uma prévia autorização do Poder Legislativo Estadual mediante Projeto de Lei específico.

     

     

    Em resumo, para que se construa algo na Gávea precisa-se de um deputado que assine um Projeto de Lei e o leve a votação na casa. Fácil, não?

    Como se não bastasse, a Lei 3002/05 recebeu duas emendas em 2014, por conta da Arena Multiuso. O lobby da associação de moradores da região conseguiu aprovar mais dois empecilhos para o Flamango.

    A primeira emenda aprovada acrescenta que, depois de todas as licenças, será obrigatório ainda ter uma audiência pública com a participação da sociedade civil, visando o debate com diferentes correntes de opinião.

    A segunda emenda acrescenta a vedação para a construção de empreendimentos residenciais e shopping centers.

    Parece ser impossível um estádio na Gávea. Talvez nem a Arena Multiuso seja aprovada, depois de todas as batalhas vencidas para obtermos as licenças.

    Voltando ao passado recente de idas e vindas…

    A pressão da torcida rubro-negra foi imensa com a notícia de que o governador, vascaíno, não teve boa vontade política para com o Flamengo. Pensando em seu eleitorado, Cabral recebeu Márcio Braga e o tranquilizou. O sonho de ter lutar por um estádio na Gávea foi demovido perante a promessa de Cabral de incluir no edital de escolha do consórcio que assumiria a gestão do Maracanã reformado — ou reconstruído –, em condições favoráveis para que o Flamengo pudesse concorrer ao leilão de escolha do consórcio administrador.

    Márcio procurou o Fluminense para uma co-administração. Ainda em 2008, o ex-presidente trabalhou muito no sentido de se municiar com informações técnicas relevantes, que dariam suporte para a adoção de um modelo otimizado para o Flamengo. Em 2013, MB publicou carta explicando como se deu este processo:

    “Inclusive, boa parte dos estudos de viabilidade, projeções econômico- financeiras e pesquisas de mercado para isso já foram feitos por Flamengo, Fluminense, CBF e ISG, em 2008, quando se trabalhava com a ideia de os clubes administrarem o estádio.

    À época, por exigência do Flamengo, este grupo buscou a participação da AEG, maior empresa de conteúdo para estádios e arenas dos Estados Unidos, que pode viabilizar uma quantidade considerável de eventos no Maracanãzinho, transformando-o no grande diferencial para a geração incremental de receitas permanentes de todo complexo.

    Hoje, ISG, braço da IMG, sócia de Eike Batista na IMX, se apresenta com 5% do Consórcio que pretende administrar o Maracanã, AEG com mais 5% e Odebrecht, que já recebeu mais de R$ 1 bilhão para fazer as obras, com 90%, sendo que, no modelo atual, ainda haveria obras no entorno com valor estimado em mais de R$ 500 milhões.”

    Parece até lenda mas aconteceu de verdade. Sérgio Cabral acalmou Márcio Braga dizendo que o Flamengo iria administrar o Maracanã. A torcida (eleitorado) aquietou.

    “Ele acreditou!”

    O tempo passou e quando o edital saiu os clubes receberam uma canetada proibindo a participação administrativa no lugar onde são os protagonistas do espetáculo. Salutar lembrar que, por conta da promessa de Cabral, o Flamengo desistiu da licitação do Engenhão, deixando o Botafogo sozinho, dias antes do prazo final.

    Hoje abandonado, o Maracanã está aberto para festas de casamento, bailes de carnaval e shows de bandas internacionais. Futebol com os clubes do Rio? Talvez em outubro.

    Com principal empresa do consórcio vencedor abarrotada de dívidas, prejuízos e auditorias, seu dono Marcelo Odebrecht preso por corrupção há mais de seis meses mandou demitir quase todos os funcionários. Do diretor-executivo Marcelo Frazão, passando pela assessoria de imprensa até chegar ao empregados responsáveis pela limpeza e segurança.

    Nas idas e vindas o Maracanã serviu para seleções estrangeiras na Copa 2014, obrigou o Flamengo a jogar no estádio do Botafogo por anos, sugou o Flamengo a partir de 2013 com taxas altíssimas que impactaram diretamente o preço do ingresso, e criou um elefante branco no lugar do estádio conhecido e reconhecido em todo o mundo.

  • Sonhos de um coadjuvante

    Dizem que o novo assusta. Imaginem um novo com doses de genialidade. Como o elástico de Roberto Rivelino. Os dribles de Mané Garrincha, a bicicleta de Leônidas da Silva. Quantos, então, não se assustaram com o corta luz de Pelé sobre o goleiro uruguaio na Copa do Mundo de 1970, no México? Se o estádio se calou, televisões assombraram torcedores pelo mundo, calculem a emoção dos que vestiam a mesma camisa amarela e presenciaram toda a obra de arte ao seu lado?

    Nós, ex-jogadores de futebol, privilegiados coadjuvantes das raras genialidades que por nossos gramados reinaram em décadas passadas, cuja ultima espécime foi o Neymar, às vezes acordamos no meio da noite de um sonho vivido. Teria sido mesmo aquele lance de verdade?

    Leia também: O meu jogo de despedida

    Após conferir a jogada  na lembrança, em meio a breve e escura  vigília, e voltar a dormir, prometemos contar dia seguinte para todo mundo. Não seria justo guardar as pérolas que assistimos de camarote, na Sala VIP do futebol, a centímetros da ponta das nossas chuteiras. Esta passagem me fez despertar neste último domingo, dia de Fla-Flu. Suado e feliz.

    Era meu primeiro treino no Flamengo, em Miguel Pereira, onde o clube fazia sua pré-temporada. Quando descia pela esquerda no coletivo, via todo mundo me olhando, esperando lhe conceder o objeto de desejo. Que estava ali rolando aos meus pés. Menos o Zico. Mesmo livre, às vezes, não me olhava. E eu tinha a bola. Estaria olhando pra quem? Daí eu a atrasava para o Júnior, procurava o Geraldo para a tabela ou cruzava na área para o Luizinho.

    Final do primeiro tempo, Júnior se aproxima. E pergunta:  “Está com raiva das gratificações? Tá rico, não precisa do bicho? Notei que você não meteu uma só bola para o Galo!”. Retruquei: “Mas ele sempre olhava para o outro lado, como lhe passaria a bola?”. Aí o capacete, que há mais tempo convivia com nosso camisa 10, explicou que ao pressentir que receberia um passe, Zico abria seu olhar giroscópio em busca de um repertório maior, para dar seqüência imediata às jogadas.

    Quando tinha certeza de que, livre, seria acionado, segundos antes já abria o GPS a notar se o Toninho passava apoiando a sua direita, o Tadeu estaria ao seu lado apoiando, Rondinelli, o Deus da Raça, livre mais atrás para reorganizar a saída de bola. Isto quando não partia em direção ao gol ao perceber a zaga adversária desarrumada. Como anteveria tantas opções olhando para quem, como eu, queria lhe passar a bola?

    Depois da lição, lembrei da frase sábia de  Neném Prancha: “O bom jogador vê, o craque antevê.” No segundo tempo do treino, mesmo diante do novo, do inusitado, tratei de acioná-lo imediatamente. Aliás, foi o único apartamento que consegui comprar na minha carreira. Se não fossem os conselhos do Júnior, estaria vivendo de aluguel até hoje!

    Por Zé Roberto, ex-ponta do Flamengo dos anos 70 e autor de deliciosos livros sobre futebol, como Crônicas de um (ex) Jogador.

  • Com oito reservas na equipe, Flamengo enfrenta a Cabofriense nessa quarta

    Apesar do bom desempenho da equipe no Fla x Flu, o técnico Muricy Ramalho vai cumprir o prometido rodízio de jogadores e escalará apenas três titulares contra a Cabofriense. Os jogadores da equipe titular que devem entrar em campo nessa quarta (24) são Juan, Mancuello e o goleiro Paulo Victor. O jogo tem transmissão do Premiere e tempo real no @Mundo Bola_CRF.

    As grandes mudanças não equipe não ficam restritas à vontade do técnico. Com Wallace e Cuéllar suspensos por expulsão no último jogo, além de Guerrero de fora por cartão amarelo, as alterações na equipe acabaram quase obrigatórias.

    Após a vitória no final de semana, o Flamengo viu sua situação no Campeonato ficar mais tranquila. Com 10 pontos acumulados, o Flamengo ocupa o segundo lugar do grupo B, atrás apenas do Botafogo que está com 100% de aproveitamento no Estadual.

     

    O adversário

    A Cabofriense não tem bom desempenho no campeonato. Com apenas 4 pontos em 5 jogos disputados, o time de Cabo Frio amarga o 6º lugar do grupo A do Campeonato Estadual.  Logo na estreia do campeonato, a Cabofriense empatou sem gols com o América, partida disputada em casa, no Estádio Alair Corrêa, o Correão.

    Até o momento, a única vitória conquistada pela Cabofriense ocorreu na terceira rodada do Carioca. Na ocasião, a Cabofriense ganhou de 3×1 do Bonsucesso, em partida realizada no Estádio Elcyr Resende, em Bacaxá.

     

    Ederson e mais três

    Oficialmente, ainda restam 4 vagas para completar a lista de inscritos do Flamengo no Campeonato Carioca. Mas na prática, esse número cai pra três. Isso porque uma delas tem dono: Ederson já está garantido na lista de Muricy para os lugares que restam. O meia segue na recuperação de seu condicionamento físico para que, em breve, possa atuar pela equipe rubro-negra.

    Ao lado de Ederson, dois zagueiros têm grande chances de estar nessa listagem. Com 22 anos, Antonio Carlos estava no Avaí e chegou ao Flamengo em dezembro de 2015. Ao lado dele, Rafael Dumas subiu da base e agora à disposição do técnico Muricy Ramalho no time principal.

    O prazo para inscrição dos atletas termina no penúltimo dia útil que anteceder a segunda fase do estadual.

    Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

     

    FICHA TÉCNICA

    Cabofriense x Flamengo

    Local: Estádio Cláudio Moacyr de Azevedo (Moacyrzão)

    Data: 24/02/2015

    Horário: 19h30min

    Árbitro: Carlos Eduardo Nunes Braga

    Assistentes: Wendel de Paiva Gouvêa e Francisco Pereira de Sousa

    Transmissão: Premiere e Premiere HD e tempo real no @Mundo Bola_CRF

    Provável escalação do Flamengo: Paulo Victor, Pará, César Martins, Juan e Chiquinho; Márcio Araújo, Canteros e Mancuello; Gabriel, Everton e Felipe Vizeu. Técnico: Muricy Ramalho

    Provável escalação da Cabofriense: Andrey, Júlio Lopes, Juliano, Rafael Salles e Leandro; Gilson, Pedro Henrique, Keninha e Carlinhos; Marcelo Gama e Charles Chad. Técnico: Eduardo Hungaro

     

  • Flamengo escolhe Maurine e Bia no Draft do Brasileirão Feminino

    Foto: Ricardo Abrantes/Flamengo

    Nesta terça-feira (23) o Flamengo/Marinha foi à sede da CBF no Rio de Janeiro para participar do Draft 2016, o segundo realizado pela entidade para promover o equilíbrio entre os confrontos do Brasileirão. Por meio de um sorteio, ficou definido que o rubro-negro poderia escolher duas entre as quatorze jogadoras da Seleção Permanente e as selecionadas foram Maurine e Bia.

    Os oito clubes classificados para a segunda fase do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino estiveram no Rio de Janeiro na tarde desta terça para dar início a segunda etapa da competição. Assim como no último ano, a ordem de escolha no Draft foi feita por sorteio e o Flamengo ficou com a sexta posição na primeira rodada. Na segunda, a ordem foi invertida e o Mais Querido selecionou na terceira chance.

    Foto: Ricardo Abrantes/Flamengo

    Diferente de 2015, quando eram vinte, a escolha contou com quatorze jogadoras da Seleção. Como o número não é suficiente para que cada clube selecione dois reforços, os dois primeiros times sorteados “draftam” apenas uma atleta, mas com prioridade na seleção.

    Foto: Ricardo Abrantes/Flamengo

    Como no ano passado, o Flamengo/Marinha escolheu a meio-campista Maurine de primeira. A segunda selecionada foi Bia, que também é meia e em 2015 ficou com o São José-SP. As duas estão disponíveis para os treinamentos com o técnico Ricardo Abrantes, devem se juntar à equipe em breve e terão que lutar por uma vaga entre as titulares.

    A segunda fase do Campeonato Brasileiro começa dia 22 de março, mas o Flamengo entra em campo dia 23 contra o São José no Martins Pereira, em São José dos Campos (SP). A partida terá transmissão do SporTV e da TV Brasil.

  • O Maracanã é deles!


    Por Thauan Rocha | Twitter @Thauan_R e @flaimparcial

    Por favor, leia o texto antes de julgar o título e  querer me xingar. E lembre-se que essa é minha opinião, não a do Mundo Bola.

     

    Não há como negar a história que o Maracanã tem com o Flamengo, com o Rio de Janeiro (cidade e estado), com o Brasil e com o futebol mundial, mas isso não significa que o mesmo sirva para as demandas do Flamengo no atual momento.

    O antigo Maracanã foi derrubado para dar lugar a um estádio projetado para receber apenas 7 jogos de Copa do Mundo, que tem um público muito maior e com características extremamente diferentes. Nesse evento não há divisão de torcidas, todos ficam juntos, independente de quem apoia. É comum assistir jogos mesmo que sua seleção não esteja envolvida, fato que não se repete em jogos de clubes. Fora os turistas estrangeiros que aparecem em quantidade absurda e pouco se importam com quem vai jogar. Para o Flamengo atrair esse público de fora precisa ser um clube reconhecido mundialmente com um futebol espetacular, já para as seleções basta estar na Copa.

    O novo Maracanã foi projetado com a promessa do Governo ceder os espaços de uma escola e de um velho ginásio aquático para a construção de shopping e estacionamento. No meio do caminho isso mudou. Agora o Consórcio tem que arcar com o próprio estádio, um parque aquático enferrujado e um ginásio poliesportivo que só comporta jogos de seleção, isso tudo sem poder construir outras estruturas que certamente dariam lucros absurdos. Não deve ser nada fácil tocar esse barco.

    Claro que o superfaturamento das obras não ajudou a deixar a conta no azul (só a dos políticos e empreiteiros ladrões) – foi R$ 1,3 bilhão de verba pública gasto com as obras. Se formos começar a falar dos gastos com as mudanças necessárias para receber jogos do Campeonato Brasileiro, apesar de certamente serem ínfimas (e muito mais lógicas) comparadas as obras feitas no Padrão FIFA, ficaria ainda mais difícil ver o Maracanã como bom estádio. Por erro conceitual no projeto, não há destinação de saídas exclusivas para alocação de torcida visitante, falta ligação para abastecimento dos bares, para a realidade brasileira seria necessária a retirada de cadeiras dos setores Norte e Sul, a colocação de vidros para divisão de torcida e várias outras mudanças.

    Final da Copa do Brasil 2013. No lado direito, fileiras de cadeiras vaizas são usadas como barreiras entre as torcidas. Foto: Alexandre Vidal e João Vitor – Fla Imagem

    Se tivesse público suficiente (convenhamos que a média de público do Flamengo é ridícula, com o time ajudando ou não, apesar de ainda ser boa se levar em conta que há questões econômicas, de transporte inadequado e violência em geral), algumas mudanças estruturais ajudariam a viabilizar o estádio ou aumentar o lucro, se é que seja possível, mas também seriam necessárias outras mudanças. Como a ESPN noticiou, há arrumadinhos políticos para que algumas empresas terceirizadas forneçam certos serviços, mesmo sendo mais caro do que o oferecido por concorrentes.

    Naming rights do estádio e/ou de cada setor, placas de publicidade (ok, esses dois dependem de acordos com Globo e CBF), parcerias para serviços serem prestados exclusivamente por uma marca, eventos feitos além do mundo do futebol e um bom uso do Maracanã como ponto turístico seriam meios de arrecadar (ou melhorar a atual arrecadação) e diminuir o prejuízo (o que é um desperdício, pois em um estádio bem projetado esses seriam pontos centrais para se obter lucro).

    O Maracanã – que dá 900 milhões de prejuízo anual – foi tão bem projetado que o próprio Marcelo Odebrecht o tratava como uma ferramente da sua construtura para ganhar em outros locais, como noticiou o Uol Olimpíadas 2016 no trecho abaixo.

    Além de tentar se grudar ao inegável charme do mítico estádio, que na concepção do projeto serviria para melhorar a já então desgastada imagem da empresa, existia um outro fator para seguir apostando e remendando eventuais furos de orçamento com aporte de capital: o Rio de Janeiro, transformado em canteiro de obras olímpico, passou a ser o maior contratante da Odebrecht, através do braço de infraestrutura da empresa. Assim, perder um pouco de um lado, mostrar que estava perdendo no Maracanã e agradar a tão grande parceiro, era a garantia de forra em outras obras.

    Hoje o Maracanã é uma ferramenta política e um grande problema financeiro. Projetado para sete jogos da Copa do Mundo, não serve para dezenove jogos do Flamengo pelo Campeonato Brasileiro.

    Nessa terça se iniciou um tuitaço com a hashtag #OMaracaÉNosso, onde a torcida pede que o consórcio seja retirado da administração do estádio e que o mesmo passe a ser gerido pelos clubes.

    Entendo a torcida pedir a administração do estádio, principalmente se tratando dos cariocas, pois esse não é só um local para jogos, é um monumento que faz parte da história da população, além de também ser um personagem político importante, já que foi reconstruído com o dinheiro do povo. Só que eu não acredito que vá fazer bem aos clubes. Se houver uma união entre Flamengo e Fluminense – possivelmente com Vasco e Botafogo também, já que eles usam o espaço – para fazer a gestão, talvez seja possível, desde que mudem muitos gastos absurdos que recaem sobre a administração, como o parque aquático Júlio de Lamare. O próprio Maracanãzinho poderia ser cedido a uma empresa especializada nesse tipo de espaço.

    Vejam bem, EU não quero que o Flamengo entre nessa, quero que seja construída uma casa própria quando tiver condições. Não adianta sair do aluguel para sofrer com o financiamento. Mesmo que a atual diretoria diga que é possível gerir esse estádio, não tenho mais confiança nisso. Minha esperança de ter o mítico Maracanã como casa oficial passada no contrato já se foi. Se o fizerem, que seja com MUITO cuidado, mas ainda prefiro que o Mengão espere (o que não quer dizer ficar parado torcendo para que uma arena caia do céu) e faça algo bem planejado que atenda as nossas demandas atuais e futuras.

    Publicação editada às 20hs do dia 23/02/2016.

    Lendo algumas coisas sobre o movimento #OMaracaÉNosso, acho legal esclarecer aqui o que entendi.

    Em um primeiro momento, os organizadores buscam garantir o direito do Flamengo participar do processo licitatório do Maracanã. Enquanto estudos de viabilidade vão sendo realizados, o movimento se prepara para as duas situações possíveis:

    • Maracanã gerando lucro: exigir a participação do Flamengo como protagonista;
    • Maracanã gerando prejuízo: o Flamengo não se mete nesse assunto e cada um segue seu caminho, agora lutando por um estádio próprio do Mengão.

    Nos dois casos a pressão política é extremamente importante, principalmente em ano eleitoral.

    Creio que esse adendo é bastante esclarecedor em relação ao movimento. A prioridade é o Maracanã, que é a posição oficial do clube, mas não terá sequência se não tiver garantias de lucro, o que daria início ao plano B.

    SRN!

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    Thauan Rocha escreve no Flamenguista Imparcial, da Plataforma Mundo Bola Blogs. A opinião do autor não reflete necessariamente a opinião do Mundo Bola.
  • Contra o Fluminense, vislumbramos o Flamengo que queremos

    As expectativas para o clássico contra o Fluminense não eram boas após o jogo contra o Vasco, mas a barração de Márcio Araújo para a efetivação de Cuéllar renovou os ânimos. O time entrou com o espírito de seu 1° volante e poderia ter ido para o intervalo ganhando de goleada, bem como poderia ter terminado o jogo com derrota, após as substituições e expulsões.

    Por indicação dos responsáveis por acompanhar o condicionamento físico dos atletas, Juan foi poupado contra o Fluminense sendo a única baixa entre os titulares. O Flamengo escalado por Muricy foi:

    Paulo Victor – Rodinei, Wallace, Juan, Jorge – Cuéllar – Cirino, Arão, Mancuello, Emerson – Guerrero

    Meio afinado leva o Flamengo ao domínio

    Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

    A primeira mudança em relação aos últimos jogos esteve na dinâmica da trinca central. Mancuello começou jogando voltando muito para fazer a saída de bola junto a Cuéllar, enquanto Arão mantinha-se mais adiantado, porém quando Mancuello se apresentava no ataque Arão segurava mais atrás para auxiliar Cuéllar na defesa.

    Ao contrário do que víamos com Márcio Araújo, não houve intermináveis trocas de passe entre os zagueiros e o 1° volante. Cuéllar procurava sair rapidamente com a bola e principalmente com os meias Arão e Mancuello, sempre avançando para dar opção de passe e assim evitar que o companheiro tivesse que arriscar um passe longo ou voltar a bola. Não há exagero em dizer que, no 1° tempo, Cuéllar colocou Diego Souza no bolso.

    O domínio do meio campo assegurou ao Flamengo a maior passe de bola e uma maior variabilidade de criação de jogadas. No lado direito, Cirino, Arão e Rodinei se entendiam bem, sempre usando a velocidade para chegar à área tricolor, apesar do lateral ainda desperdiçar a grande parte das jogadas que tenta. Já o lado esquerdo é mais técnico e menos veloz, se Rodinei sempre tenta o cruzamento, Jorge por vezes tenta a enfiada para Mancuello ou Sheik que penetram a área. Ainda há um descompasso entre Emerson e seus companheiros, que por vezes passam e fazem a ultrapassagem e não recebem a bola porque o atacante prende excessivamente, tentando jogadas de efeito.

    Como nem tudo é perfeito

    Apesar da pressão, o Flamengo finalizou menos do que poderia diante do volume de jogo apresentado. Os erros de passe no último terço do campo não só impediram que houvessem mais arremates ao gol tricolor, como possibilitaram contra-ataques perigosos em que o Fluminense usou o espaço deixado do lado direito de ataque do Flamengo.

    Fred conseguiu receber em posição perigosa e superar os zagueiros algumas vezes devido à falta de proteção provocada pela demora na recomposição defensiva. Observem os jogos e perceberão que há jogadores que correm com muito mais vontade pra frente do que pra trás.

    Os gols

    Logo aos 14 minutos do 1° tempo Mancuello bateu um escanteio venenoso que fez Diego Cavalieri espalmar a bola de qualquer jeito. Arão, que parece sob efeito da estrelinha do Mário, pegou a sobra e bateu forte para abrir o placar.

    Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

    No retorno do intervalo, o Flamengo começou acelerado e, numa jogada que já havia dado errado várias vezes, Cirino avançou pela direita, passou para Rodinei na entrada da área, que ao invés de avançar à linha de fundo como de costume, cruzou dali mesmo para Guerrero que entrava em velocidade, marcado por apenas um defensor, cabecear para ampliar o placar.

    O gol tricolor veio, novamente, em jogada de bola parada. Gustavo Scarpa bateu muito bem, com a bola passando sobre o 2° homem da barreira – que mal pulou, diga-se – e entrou no canto esquerdo, pouco abaixo do ângulo.

    Arbitragem e Muricy fazem de tudo pro Fluminense virar

    Desde o 1° minuto, Fred apitou o jogo. Enquanto o capitão tricolor fez pressão na arbitragem desde o início de jogo, como de costume, o capitão rubro-negro se preocupava apenas em jogar. Nenhum jogador, mesmo o experiente Emerson, fez qualquer coisa para evitar que Fred influenciasse as decisões do juiz e isso se refletiu em várias marcações equivocadas.

    Aos 7 minutos do 2° tempo, Cuéllar chegou firme em uma dividida com Marcos Júnior, foi empurrado por Pierre e a confusão se formou com jogadores se peitando e outros tantos tentando apartar. O juiz, equivocadamente, não só expulsou Cuéllar como também errou o jogador tricolor que começou a confusão, expulsando Marcos Júnior e não Pierre.

    Para dar seguimento ao festival de erros, Muricy chamou Márcio Araújo – por algum mistério inexplicável Canteros nem no banco estava – e, ao invés de tirar um dos pontas, resolveu tirar Mancuello. A perda dupla matou o meio-campo do Flamengo, que passou a não conseguir criar ou acertar a marcação.

    O time, que vencia por 2 a 0, passou a ficar preso no próprio campo e nitidamente adotou a postura de segurar o resultado. O destaque negativo ficou com a dupla de volantes que além de não protegerem bem a defesa (Arão teve 1 desarme no jogo e Márcio Araújo 0), ainda permitiram ataques perigosos ao errarem passes próximos a própria área, só Arão deu 3 bolas açucaradas pro Fluminense.

    Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

    Mas como até dos piores cenários pode-se tirar algo bom, temos o desempenho da primeira linha de 4 no 2° tempo. Rodinei subiu de rendimento e passou a proteger mais o setor, além de aparecer como desafogo na saída em velocidade pela direita, enquanto na esquerda Éverton entrou no lugar de Emerson para fazer o mesmo. César Martins foi impecável durante o jogo, salvando em um lance que poderia levar ao empate e anulando Fred no 2° tempo. Wallace, líder de desarmes no jogo, também esteve muito bem e seguro até ser expulso por lance infantil apontado por Fred (sim, novamente ele expulsando jogador). Jorge novamente fez partida impecável defensivamente, dando grande cobertura ao setor esquerdo.

    Com a expulsão de Wallace aos 41 do 2° tempo, sem saber quanto de acréscimo o juiz daria – as paralisações pelas expulsões poderiam ser compensadas – e tendo apenas 9 jogadores de linha em campo, Muricy resolveu tirar Cirino e colocar Gabriel ao invés de Léo Duarte, o zagueiro que estava no banco. Se antes o Fluminense já pressionava, com um jogador a mais e precisando de 1 gol pra empatar, a situação piorou muito e a mexida de Muricy fez o Flamengo flertar seriamente com o empate.

    Novidades para o próximo jogo

    Na semana passada Muricy já havia adiantado que começaria a poupar jogadores e as suspensões de Cuéllar, Guerrero e Wallace contribuem para um time quase todo reserva. Contra a Cabofriense, em Macaé, o Flamengo pode ter um time com Paulo Victor – Pará, César Martins, Juan, Chiquinho – Canteros – Gabriel, Márcio Araújo, Mancuello, Éverton – Vizeu. Acho que caberia testar Ronaldo de 1° volante e ver Canteros ao lado de Mancuello.

    Saudações Rubro-Negras

  • Com tuitaço, torcedores se organizam para cobrar políticos sobre abandono do Maracanã

    Desde às 12h desta terça-feira a hashtag #oMaracaéNosso entrou nos Trending Topics do Twitter. A ideia partiu de um grupo de torcedores indignados com o descaso e o abandono do Maracanã, que não recebe um jogo oficial desde a última rodada do Brasileirão de 2015. A principal reivindicação do tuitaço é que o Maracanã seja administrado pelos clubes de futebol.

    A situação do Maracanã é uma das questões políticas mais controversas dos últimos anos, e parece que o estado do Rio de Janeiro não consegue enxergar o estádio como um bem público, ao contrário, o Maracanã é visto como um ativo político e gerador de receita para grupos que apoiam determinados grupos políticos e suas administrações.

    O Maracanã fechou 4 anos antes da Copa do Mundo de 2014, após um Flamengo x Santos válido pelo Campeonato Brasileiro de 2010. O projeto inicial, com centro comercial e estacionamento, não saiu do papel e a seleção brasileira sequer jogou uma partida no estádio durante a Copa. A demolição das estruturas daquele equipamento que recebeu jogos acima de de 150 mil torcedores de outrora e reconstrução total com novo modelo arquitetônico gerou um custo de mais de um bilhão de reais aos cofres públicos, ou seja, dinheiro dos contribuintes do Rio de Janeiro.

    Quando o estádio ficou pronto o governo estadual proibiu que clubes de futebol ou empresas que os representasse pudessem participar do processo licitatório de administração do novo estádio. Com isso, venceu a empresa da construtora Odebrecht, por acaso, a mesma firma que encabeçava o consórcio de obras.

    Menos de dois anos após a Copa, o estádio do Maracanã ainda não havia gerado lucro para a Odebrecht. Em dezembro de 2015 a empresa demitiu grande parte de seus funcionários, e simplesmente fechou as portas para jogos. Aluguel para shows e eventos ainda estão acontecendo, como a apresentação da banda Rolling Stones, na última sexta-feira (19/02).

    Fotos do Maracanã já denunciam o início de um processo de abandono.

    Com isso, parece claro que é hora do povo, você, se manifestar. Através da hashtag #oMaracaéNosso milhares de pessoas estão usando o seu direito de manifestação e pensamento. O grande pedido é que o Maracanã seja administrado pelos clubes de futebol do Rio, que são de fato, os grandes protagonistas e do espetáculo. Os clubes não podem servir como produtos de lucro para empresas que não estão interessadas no bem-estar financeiro dos próprios clubes.