Autor: diogo.almeida1979

  • Política Rubro-Negra #4 – Entrevistão: Presidente Eduardo Bandeira de Mello

    PoliticaRN

    Oportunidade. Não tem palavra melhor para sintetizar. Na agenda sempre apertada do presidente do maior clube do Brasil, não podemos esperar hora e local marcados com antecedência. E foi assim que conseguimos — finalmente! — uma entrevista daquelas padrão Mundo Bola de qualidade. Looonga, apenas para os mais CDFs de Flamengo. Aqui é pra quem gosta de textão, sim senhor.

    Oportunidade é pra agarrar. E lá fui eu de uma hora pra outra trocar ideia com Bandeira. Na memória os tópicos relevantes e um papo com a galera do Conselho Editorial do site. Não houve tempo para pesquisas, anotar no caderninho meus humildes questionamentos. Então decidi guiar-me por um caminho: não remexer, na medida do possível, em questões que ficaram mal resolvidas lá atrás. Sim. Queria olhar pra frente, não por achar menor revisar o passado recente dessa gestão. Isso deve ser feito e refeito, revirar e deixar revolto, para só depois de assentado todo o discurso chegarmos na verdade total. Promessas não cumpridas e ações estranhas precisam sempre de um questionamento inteligente, sistemático e objetivo, sem segundas — prós ou contras — intenções.

    É notório como Eduardo Bandeira de Mello é escorregadio quando questionado em rádios e tevês. Discurso solene demais, mesmo para o maior cargo esportivo deste país. Agarrada a oportunidade de ter meus 30 minutos na agenda do homem, o que tentei fazer foi presentear meus leitores com uma “conversa guiada”. Espero que gostem.

    Diogo Almeida – Twitter: @DidaZico – Email: diogoalmeida@fla.mundobola.com

    EBM 5 - 28-07-2016
    Vamos começar falando sobre o Maracanã. Estamos em um estágio complicado. O Maracanã está cedido ao Estado e este o disponibiliza para o COI. A Odebrecht anunciou a devolução oficialmente no fim do mês de junho. A seguir, Leonardo Espíndola, secretário estadual da Casa Civil, declarou que o governo estuda aditivo na atual concessão para mantê-la, com um novo parceiro, ou, de fato, promove outra licitação, com ou sem a participação dos clubes. Dentro deste cenário, como o Flamengo está se organizando, efetivamente, pra administrar o Maracanã?

    Bom, nós estamos trabalhando nesse projeto do Maracanã já há muito tempo. Trabalhando na modelagem financeira. No business plan, na identificação de parceiros, nos contatos com o Governo Estadual do Rio e com a Odebrecht também. Nesse momento quem tem que decidir o que vai acontecer é o poder estadual, que é o poder concedente. Se for definida uma nova licitação, com toda certeza não vai haver mais aquela restrição para que os clubes não possam participar. E aí o Flamengo vai participar com seus parceiros.

    O senhor acha mesmo que, havendo publicação de um novo processo de ato concessório, os clubes não ficarão alijados novamente?

    Acho que essa é a única alternativa possível. Não acredito que a nova licitação vai vetar a presença dos clubes porque isso, a não presença dos clubes, era uma coisa até compreensível em 2012 quando os clubes, principalmente o Flamengo, não estavam em uma situação que desse ao poder concedente uma segurança para que o clube viesse a gerir um patrimônio da dimensão e importância do Maracanã. Hoje o Flamengo é um clube que é reconhecido pelo exemplo de gestão financeira, administrativa e desportiva no mundo inteiro. O Flamengo, associado a empresas especialistas, pode perfeitamente gerir o Maracanã.

    Tenho certeza que o Governo do Estado reconhece isso. Então vamos aguardar. Se ocorrer essa nova licitação para que o Flamengo possa se habilitar, até porque todo mundo entende que o Maracanã jamais será um bom negócio sem o Flamengo, seja do ponto de vista esportivo, seja do ponto de vista financeiro.

    Quais são as empresas que estão ao lado do Flamengo na formação desse consórcio? O Clube pensa em um modelo com uma empresa investidora e outra com experiência comprovada em administração de arenas?

    Isso aí eu vou ficar te devendo porque faz parte dos segredos do negócio.

    O senhor poderia adiantar com quantas empresas o Flamengo está trabalhando?

    Com pelo menos mais uma, a princípio.

    Nessas conversas com o poder público, o governo já deu alguma data limite para resolver todo esse imbróglio? Já foi noticiado que teremos definições ali pela época em que a paralimpíada ainda estivesse em curso.

    É possível. Por enquanto não existe nada de definitivo. Não sabemos nem se vai ter outra licitação. Talvez o Governo do Estado opte pela continuidade da administração que surgiu da última licitação, com a troca de controle simplesmente.

    Teríamos pelo menos uma mudança nas regras. Haver uma adaptação evidentemente. Tudo isso requer adaptações mas não adianta a gente especular aqui. Importante é a torcida saber que o Flamengo está em cima desse assunto, que é um assunto considerado altamente prioritário pra nós e que se houver a mínima possibilidade nós não vamos perder.

    Temos contrato com o Maracanã até o fim deste ano. Com o fim desse período de eventos, o Maracanã ainda teria seis datas para o Flamengo, acredito que a partir do jogo contra o Cruzeiro. A gente tem um contrato em vigor. Estamos sendo muito prejudicados este ano. Todo o planejamento contava com o Maracanã até abril. Muita gente acredita que o Flamengo não se planejou adequadamente, contudo, a diretoria trabalhava com a ideia de que contaria com o estádio até…

    Planejamento é o que não falta ao Flamengo. É claro que tem gente que é até mal intencionado, que diz que já se sabia que haveria olimpíadas desde 2007, essa diretoria assumiu em 2013 e não fez nada.

    Iríamos fazer o quê? Construir um estádio? Do jeito que o Flamengo estava financeiramente, destroçado? Nós estávamos preocupados em pagar os nossos impostos, a folha de pagamento no final do mês. E a recuperação do Flamengo está sendo muito custosa. Não se tinha a menor condição em investir em algo que em 120 anos de clube nunca ninguém investiu. Então nós trabalhamos com as possibilidades alternativas e tínhamos, é claro, essa promessa que teríamos o Maracanã até o final de abril e encontraríamos alternativas, é claro, para esse período entre maio e setembro.

    A partir do dia 25 de setembro, que é a data marcada para Flamengo e Cruzeiro, dado que o encerramento dos Jogos Paralímpicos ocorre no dia 18, a gente entende que é possível. Não é muito fácil em uma semana se resolver tudo para que o campo esteja em plenas condições. Mas acredito que, com boa vontade — o Flamengo pode até participar num esforço nesse sentido –, a gente possa jogar sim contra o Cruzeiro no Maracanã.

    Como você bem falou, nós temos um contrato até o final do ano. Se até lá a situação regulatória tiver resolvida, ótimo. Se não, pelo menos até o final do ano a gente tem esse contrato garantindo.

    Perdemos receita de janeiro até abril com o fechamento unilateral do Maracanã. O departamento jurídico do clube trabalha com a possibilidade de busca de ressarcimento, pelo prejuízo do início do ano, assim como se ocorrer essa impossibilidade na reta final do Brasileiro, no que pesa o fato do time estar em plena corrida pelo hepta?

    O Flamengo tem um contrato assinado e esse contrato tem que ser cumprido. Ele tem cláusulas para eventuais descumprimentos. Isso tudo é claro que está sendo analisado pelo nosso jurídico. A história do nosso departamento jurídico fala por si. Acho que dificilmente há um clube no Brasil que tem um jurídico tão competente quanto o nosso.

    Vamos falar agora do Estádio da Gávea. Sonho antigo, um histórico diverso de possibilidades e um saldo de fracassos. E agora? O Mundo Bola entrevistou o Wrobel e ele falou do grupo de estudos, do projeto de estádio protocolado na Prefeitura do Rio. Possivelmente um estádio para 18 mil pessoas. Esta semana também publicamos uma matéria sobre a possibilidade de começarmos com um estádio provisório. Gostaria que o Presidente explanasse de uma forma ampla e ao mesmo tempo aprofundada sobre tudo o que o Flamengo pode fazer.

    Olha, o Wrobel já deve ter colocado pra vocês. Existe este sonho antigo da nossa torcida de ter um estádio pequeno aqui na Gávea para abrigar jogos que não caibam no Maracanã. Jogos da categorias de Base também. Dependendo da concepção arquitetônica, até para outras finalidades. A gente entende que um estádio aqui, principalmente agora, com estas novas estações do metrô, uma delas já em funcionamento nas proximidades, aquela questão do acesso fica totalmente equacionada.

    Nós temos manifestações de associações de moradores do entorno aqui da sede do Flamengo que são favoráveis ao estádio. O que eles não querem é shopping center. Um estádio pequeno vai valorizar a região, inclusive evita um processo de degradamento que existe ali atrás da nossa arquibancada. Aquela região ali, apesar de estar entre o Leblon e a Gávea, é degradada do ponto de vista urbanístico. Eu acredito que um estádio pequeno, bonito, o mais bonito do mundo talvez, com o Cristo Redentor ali em cima abençoando e as montanhas todas… E é um estádio que vai ter os equipamentos naturais que podem ser aproveitados pelo entorno da vizinhança.

    E um estádio grande próprio. Tivemos um certo afã pelo projeto de Guaratiba, temos até reclamações de que a gestão não está devidamente colocando essa opção em pauta, que poderia ser discutido de uma maneira mais aberta para os sócios. Temos outros projetos? Há muito se fala em estádio na Baixada também.

    Desde 2013 a gente avalia estas alternativas. Se não conseguirmos o Maracanã vamos ter que partir para uma solução própria. Nossa prioridade é o Maracanã, isso ficou bem claro para todos os empresários que surgiram aqui apresentando projetos para construção de estádio.

    O projeto de Guaratiba, inclusive, deste grupo, já nos apresentou outras localizações desde que nos procurou pela primeira vez, há mais de 3 anos. E não é o único grupo. Há outros grupos desenvolvendo projetos, em diversas áreas. Se o Maracanã se tornar inviável nós vamos partir para uma solução alternativa, que não necessariamente é esta também. Agora, eu considero uma insanidade levar para o Conselho Deliberativo do Flamengo uma solução que não está nem sendo considerada prioritária no momento. Qualquer solução que vier a ser esposada pela direção do Flamengo vai ter que ser levada aos Conselhos. Seja um estádio em Guaratiba, Vargem Grande, na Baixada ou na avenida Brasil, onde for. Logo que nós tivermos a solução escolhido é claro que vamos levar aos Poderes do Flamengo.

    Sabemos bem como é a relação Flamengo e FFERJ. Agora ela se propõe a ser também um ator nas negociações para a administração do Maracanã. Como os caminhos entre FFERJ e Flamengo se cruzarão daqui pra frente, enquanto o senhor for o Presidente e sua gestão totalmente desalinhada com a política da federação de futebol do Rio?

    Exatamente. Porque o Flamengo tem princípios e valores totalmente distintos daqueles da FFERJ. Então eu acho muito difícil qualquer tipo de entendimento e participações em projetos comuns nem pensar. Se a FFERJ quer ser um ator importante aí no assunto do Maracanã, dessa peça o Flamengo não participa. Nós não vamos contracenar com a FFERJ no Maracanã nem em nenhum outro projeto. Nós somos filiados a FFERJ porque somos obrigados. Não existe nenhum interlocução saudável. Nós temos que seguir o estatuto e somos obrigados a tudo aquilo que o estatuto draconiano deles nos impõe. Agora, ação voluntária chance zero.

    EBM 2 - 28-07-2016

    Com relação ao Campeonato Carioca? Temos aí a negociação de direitos de arena.

    Efetivamente esse contrato atual, negociado pela federação, não estará em vigor ano que vem. Para 2017 não vamos assinar nenhum contrato que seja lesivo aos interesses do Flamengo. Sejam estes econômicos e financeiros, sejam os nossos princípios e valores. Eu acho que essa é uma oportunidade que nós temos para contornar uma série de situações relativas à transparência das contas da federação; os trânsitos dos recursos e uma série de situações que foram publicamente explicitadas no site do Flamengo por ocasião da eleição dessa diretoria da FFERJ, por ocasião daquele conselho arbitral que o Flamengo foi agredido e ofendido e mais recentemente também quando se iniciou um processo de discussão da renovação dos direitos de transmissão. O Flamengo até assinou uma carta dizendo que se interessava pela renovação desde que atendidas todas aquelas ressalvas e contrapartidas. Estamos nesse impasse. Se outros clubes quiserem assinar nós não podemos impedir.

    Existe já um entendimento do Flamengo com a Globo? Até em termos de valores mesmo. Já existe uma cifra acertada entre as partes?

    A Globo é uma parceira histórica do Flamengo. Talvez seja nossa principal parceira comercial. A gente tem uma relação muito boa com a Globo que é uma empresa que tem e defende princípios e valores éticos compatíveis com a importância que ela dentro da sociedade brasileira. Por isso nós entendemos que dificilmente ela vai se curvar a qualquer tipo de interesse subalterno.

    Com relação ao contrato do ano que vem eu diria que não está adiantado. Nós vamos aguardar para que as condições para que a gente tenha uma justa recompensa pela importância do Flamengo e também pela adesão a um conjunto de princípios e valores que para nós são absolutamente e fundamentalmente indispensáveis e inegociáveis. Eu tenho certeza que a Globo vai entender.

    Flamengo entende que precisa aumentar sua cota no Estadual? Existe algum estudo que demonstre que o Clube mereça um aumento de certa porcentagem, por exemplo, e em relação ao valor recebido em 2016? Valor este que a FFERJ não repassou em totalidade, aumentando a premiação da competição com uma diminuição arbitrária da nossa cota?

    Pois é. Essa é uma das questões. A partir do momento em que se assina um contrato temos que ter assegurado aquele fluxo de recurso durante um prazo de validade do contrato. Não pode de repente um conselho arbitral chegar e decidir que vai tirar a cota do Flamengo e dar aí pro Piscinão de Ramos. Nós não podemos aceitar isso.

    Eu não vou adiantar aqui os valores postulando porque não cabe num processo de negociação. A torcida claro que entende que isso deve ser mantido em reserva. Entretanto, ela pode ficar tranquila de que os seus interesses mais elevados estarão sempre sendo defendidos com raça, amor e paixão.

    Caiu muito mal a sua chefia à delegação brasileira na Copa América Centenário. Esse aceite não foi bem visto em setores da torcida, no próprio ambiente interno do Clube, associados e grupos políticos aliados que, de certa forma se viram traídos. Eu digo isso de conversar com vários sócios. O problema foi que o discurso era totalmente contrário à CBF e de uma hora pra outra o senhor aceita ser um representante da entidade.

    Eu não vejo problema nenhum nisso. Já expliquei isso por escrito, tá no nosso site.

    Pra começar: não existe a menor possibilidade de se fazer comparação entra FFERJ e CBF. E eu também não posso me pautar pelo meu prestígio pessoal de curto prazo. Eu tenho que agir pelos interesses do Flamengo. Eu entendo que existe um processo de mudança na CBF. É um processo sério que está levando aí à mudanças nas normas de licenciamento dos clubes, que está levando a um aumento na transparência. Está sendo implantado um sistema de governança corporativa pela Ernst & Young, que é uma das maiores empresas de consultoria do mundo, que tem credibilidade.

    Existe um lado modernizante na CBF que de certa maneira conflita com um lado retrógrado, aquele vinculado às federações. Então, você tem, digamos assim, a CBF do bem e a CBF atrasada. Eu acho que tudo que o Flamengo puder fazer para dar força a esse processo de modernização dentro da entidade, seja através da minha presença lá com a delegação da Seleção, seja através da participação nos grupos de trabalho da agenda de mudança da CBF. Isso não é noticiado, mas o Flamengo participa de todos os grupos. Está dando opinião e participando de todos os grupos de trabalho.

    A gente entende que isso daí atende aos mais elevados interesses do Flamengo. É claro que existem órgãos de imprensa, setores que preferem retratar a questão de uma maneira maniqueísta e dizer que então a CBF não é aquilo que a gente imagina então não podemos ter nenhum tipo de contato. Eu discordo disso. Até entendo que para o meu prestígio pessoal seria melhor eu ter recusado o convite, ter negado a participação dos rubro-negros nos grupos de trabalho, mas eu não estou preocupado com meu prestígio pessoal de curto prazo. Eu tenho certeza que eu estou fazendo o melhor para o Flamengo e o tempo vai dizer. Se as pessoas vierem a compreender no futuro, ótimo. Pelo menos eu estou com a consciência tranquila de que estou agindo no interesse exclusivo do Flamengo.

    Eu entendi que existe uma CBF que quer caminhar para frente e outra conservadora, que nos trouxe ao futebol 7 a 1. Porém, não é de certa forma contraditório buscar melhora via CBF? E aí eu volto pra antiga discussão sobre a formação de uma liga de clubes. Essa energia gasta tentando melhorar a CBF não é alimentar o vilão fragilizado ao invés de aproveitar o momento para organizar o futebol brasileiro sobre uma nova e revolucionária ótica?

    Mas que Liga é essa? Não existe nenhuma Liga. Vamos pensar: poderia ter uma Liga Nacional de Clubes, que fosse bem administrada e tal… O problema é que não existem condições políticas hoje de se criar uma Liga para administrar o futebol brasileiro como um todo. E ainda que se criasse: você confia plenamente nos administradores dos clubes brasileiros? Tem alguns que são ótimos. Pessoas éticas e bem-intencionadas. Outros são piores que a FFERJ e de qualquer pessoa mais retrógrada que tenha na CBF! Eu não preciso nem citar nomes.

    Se tivéssemos uma alternativa concreta que pudesse embarcar imediatamente, tudo bem. Não há. Então hoje o Flamengo está participando… O time joga quarta e domingo. Não podemos ser irresponsáveis ao ponto de romper com tudo, vamos nos desfiliar e vamos reconstruir o futebol brasileiro do zero. Esse processo não existe. O que nós temos hoje é a possibilidade de reunir os clubes bem intencionados e bem geridos como no caso dos clubes da Primeira Liga, que eu acho que é um embrião de alguma coisa muito bonita que pode ser feita pra frente, todavia um processo a longo prazo. E temos a possibilidade, eu diria até obrigação, de interferir para que a CBF melhore. Para que o processo de mudança da CBF se confirme e para que ele não seja obstado pelas forças retrógradas que existem lá dentro ainda. Acho que essa é uma responsabilidade do Flamengo e dos outros clubes que estão com a gente nessa história.

    É muito fácil falar que a gente deve fazer a revolução, não é? E aí, quando chegar domingo contra o Coritiba a gente não entra em campo, faz um protesto? Eu acho isso muito bonito pra quem está com o microfone na mão e sem responsabilidade nenhuma. Eu entendo que a gente tem que perseguir os dois caminhos.

    E como são esses grupos de trabalho na CBF? Quem está lá do Flamengo?

    A CBF tem vários Grupos de Trabalho dentro daquilo que ela chama de Agenda de Mudanças. Tem grupo que estuda o estatuto da confederação, que depois será replicado para as federações. Há o grupo que estuda o código de ética da CBF. Tem um grupo que cuida só de transparência, outro é focado no regulamento do licenciamento dos clubes, mais um que se debruça sobre o calendário do futebol no Brasil. O Flamengo entende que é importante a nossa participação para que a gente possa tentar contribuir para que as coisas melhorem. Ano passado entregamos uma proposta de controle externo das arbitragens que é um ponto que precisa melhorar não só aqui no país. Entregamos uma proposta concreta e toda vez que eu vou lá reclamar de arbitragens — e não são poucas porque estamos sendo muito prejudicados — eu lembro da nossa proposta. Então o Flamengo pode dizer que não está reclamando da boca pra fora. Nós fizemos uma proposta que eu tenho certeza que se implantada vai mudar a qualidade da nossa arbitragem. Estamos contribuindo com propostas com princípio, meio e fim.

    Temos representantes em todos os Grupos de Trabalho. Pessoas muito qualificadas, algumas bastante conhecidas. Uns fazem parte da administração do Flamengo e outros são de grupos de apoio político nosso. A CBF jamais vai poder reclamar que o Flamengo ataca determinado ponto sem estar contribuindo com uma postura propositiva e concreta.

    Outros clubes também enxergam essa Agenda de Mudanças como o Flamengo?

    Alguns clubes têm representantes. Mas nenhum atua tão amplamente como o Flamengo.

    O senhor lutou muito pela aprovação do Profut. Com a indefinição do preenchimento de cargos na APFut (Autoridade Pública do Futebol), acredita que será mais uma lei burlada no Brasil?

    Na realidade a lei existe e se ela existe deve ser cumprida. Se tem alguém que não está cumprindo, mais cedo ou mais tarde, será penalizado por isso. APFut efetivamente ainda não foi implantada como deveria por conta de todo esse problema de transição governamental mas pelo menos a gente sabe que os membros da APFut que foram indicados pela sociedade civil — clubes, jogadores etc — foram mantidos. Estamos aguardando a designação do Presidente, dos representantes dos ministérios e, principalmente, do corpo técnico que vai ter que botar a mão na massa e analisar as contas dos clubes. Quem não está pagando as prestações do Profut tá sendo, certamente, descoberto pela Receita Federal. Se vier a atrasar três prestações perde o direito ao parcelamento como um todo, a dívida vence e vai sofrer as punição de cair de divisão. A gente deve cobrar e não foi um trabalho perdido, muito pelo contrário.

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    Tem alguma coisa definida para a pré-temporada de 2017? Ir para redutos rubro-negros no Brasil ou internacionalizar a marca?

    Está sendo avaliado pelo nosso Departamento de Futebol. A solução escolhida será adotada por questões técnicas, o que for melhor para o desenvolvimento técnico do time. A questão financeira também será levada em consideração. Por enquanto não tem nada de concreto.

    Como vai ser a segunda edição da Primeira Liga? A pergunta tem relação direta com a forma que o Flamengo vai querer encarar o Estadual de 2017. Este ano foi anunciado que o Fla daria total foco à Primeira Liga e deixaria o Estadual para testes no elenco, rodar jogadores da Base. Foi até anunciado publicamente que o clube jogaria só com os reservas a maior parte do torneio organizado pela FFERJ em contraposição ao novo torneio, que seria privilegiado. Na prática o que aconteceu foi totalmente diferente. Muricy cansou os jogadores no Estadual e entrou com vários reservas na semifinal da Primeira Liga. Emendando nisso tudo queria saber se na próxima temporada o elenco será usado com mais elasticidade no Estadual dessa vez.

    Vamos lá. Em 2016 o que aconteceu foi o seguinte: o Flamengo tinha anunciado que, por conta da briga com a FFERJ, iria disputar o Campeonato Carioca com um time alternativo. E isso tinha sido avisado à Globo, detentora dos direitos de transmissão. Houve uma mudança na direção da Globo e eles, que estavam até então concordando com a nossa pretensão, resolveram exigir que nós disputássemos com o time principal. Como o Flamengo respeita os contratos, ainda que isso tivesse sido avisado em cima da hora e que acabou trazendo prejuízos pois contratamos jogadores que acabaram não sendo utilizados, resolvemos respeitar. Afinal de contas, a Globo é uma grande parceira nossa e nós entendemos que não houve nenhum tipo de maldade e simplesmente uma mudança de orientação lá dentro. Por conta disso nós disputamos o Carioca com nosso time principal.

    Com relação à Primeira Liga, nós não disputamos com reservas não…

    Na semifinal entramos com seis reservas, Presidente.

    Jogamos com o que a Comissão Técnica entendeu que era o melhor para jogar naquele dia. Inclusive, se você lembrar, jogamos o primeiro tempo com esses seis reservas e dominamos o time do Atlético-PR e fizemos um dos melhores tempos até então. No segundo tempo entraram três dos titulares e nós acabamos perdendo o jogo. Um elenco como o do Flamengo não tem 11 titulares e 11 reservas ou mais, nós temos um conjunto de jogadores que podem ser escolhidos para compôr o time titular a cada jogo. Naquela ocasião o Muricy entendeu que os 11 melhores eram aqueles que jogaram e efetivamente jogaram bem o primeiro tempo.

    O que tem que ficar claro aqui é que aquela escalação não foi uma incoerência. E não teve nada a ver com qualquer tipo de orientação política ou peso de uma competição.

    Existiam indicações de que alguns jogadores podiam estourar. Coincidentemente os exames, que são feitos como parte da preparação para qualquer jogo, acusaram muitos jogadores com um quadro que poderia levar a lesões musculares. Poderia acontecer em qualquer jogo e aí coube ao técnico não arriscar.

    A grande questão que ficou, avaliando depois, é que não tinha necessidade do Flamengo anunciar para a Globo que ia jogar com os reservas. Era só entrar com o time que quisesse e pronto, não acha?

    Nós anunciamos a utilização dos reservas como uma forma de protestar contra o campeonato organizado pela FFERJ. Para a imprensa e os torcedores ficarem conscientes que nós estávamos priorizando outras competições em relação ao Campeonato Carioca. Antes falamos com a Globo e ela compreendeu. Depois houve a mudança da diretoria da empresa, que entendeu diferente e nos pediu para disputar com os titulares, que todos sabiam quem eram. Em respeito aos nossos parceiros comerciais a atendemos.

    Nesta sexta-feira (29/7) será publicado mais um balancete. Eu queria conversar sobre a austeridade financeira, a vinda do Diego. Em 2015 o Futebol consumiu apenas 41% das receitas totais, o Profut estipula um teto de 70%, ou seja, muito abaixo. Este ano o elenco é bem mais caro. No balanço financeiro de 2016 ainda ficaremos abaixo de 70%, dando margem para mais volume de investimento no time da próxima temporada?

    Vamos ficar bem abaixo ainda. O balancete do Flamengo é publicado trimestralmente e é uma peça que todo rubro-negro pode analisar já que estão todos disponíveis no site oficial, da forma mais transparente possível. O que a gente quer é que essa transparência seja estendida também para as outras entidades. Eu gostaria muito de pegar o balancete da federação do Rio, abrir aquela conta-corrente deles e ver pra onde vai o dinheiro da FFERJ. Quem é que dá o dinheiro para a FFERJ todo mundo sabe que é o Flamengo, a nossa torcida. Quem é que usa e de que maneira usa é que eu gostaria de saber.

    O nosso balancete estará amanhã (29/7) publicado. Qualquer um pode abrir, ler, analisar, tecer considerações, fazer comparações com outros clubes, como acontece com o mundo empresarial de uma maneira geral.

    Quanto ao processo de responsabilidade, isso aí é imutável: nunca mais vai acabar. É uma política que veio pra ficar. É claro que à medida que nossas finanças vão melhorando — é isso é uma consequência da competência e da responsabilidade na administração — o clube vai se permitindo fazer investimentos que até então não poderia fazer. Sem nunca se afastar da política de responsabilidade.

    Eu sei que isso gera ciúme em pessoas que se acostumaram em ver o Flamengo fragilizado financeiramente. De repente começam a ver que a situação está mudando e aí vão para a imprensa, pegam o microfone e dizem que acabou a política de responsabilidade. Isso é uma grande idiotice. A política de responsabilidade do Flamengo existe. Simplesmente nós estamos melhorando. Estamos colhendo os frutos daquilo que a gente plantou.

    A torcida pode esperar um outro craque de nível elevado?

    Neste ano agora é muito difícil. Se a comissão técnica achar necessário e encontrarmos uma oportunidade, pode até ser. Para os próximos anos a torcida pode sempre esperar que nós vamos trabalhar para ter o melhor elenco possível. Terminaram todas as dificuldades financeiras do Flamengo? Não. Elas vão continuar por algum tempo. Em comparação com outros clubes brasileiros nós estamos bem melhores. Nos próximos anos, dificilmente um outro clube terá nossa capacidade de investimentos.


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    Leia as outras entrevistas da série Política Rubro-Negra:

    Política Rubro-Negra #1
    César Maia fala sobre o Maracanã e estádio próprio na Gávea

    Política Rubro-Negra #2
    Deputado Federal Otávio Leite fala sobre Profut, Maracanã e Flamengobit.ly/1SWwGTT

    Política Rubro-Negra #3
    Alexandre Wrobel – VP de Patrimônio fala sobre Estádio, CT, Arena Multiuso e muito mais

    Política Rubro-Negra #5
    Vice-presidente de Esportes Olímpicos Alexandre Póvoa

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  • 16 justificativas para a titularidade de Messi Araújo

    Há uma falsa polêmica no ar. Muito acham que Márcio Araújo não tem futebol suficiente para ser atleta profissional do Flamengo. Outros acreditam piamente que Márcio é Messi. Para esses comunico que, a partir de hoje, seus problemas acabaram!

    Você, fiel escudeiro de Messi Araújo, que conseguiu produzir um DVD com as principais jogadas e gols do craque rubro-negro, mas que ainda encontra resistência junto a alguns velhos torcedores ranzinzas, que torram o saco citando os times do Flamengo da década de 80, agora terão 16 justificativas para a titularidade absoluta do novo Diamante Negro.

    Leia também: Sete grandes nordestinos que marcaram época no Flamengo

    Nosso craque é multifacetado e possui a concentração de 16 personalidades que convergem  em uma única pessoa:

    Messi Araújo é…

    Confeirir o craue
    Messi Araújo segurando o amigo imaginário do Canteros
    1. ARQUITETO – Pensador, criativo e estratégico, sempre com planos para tudo;
    2. LÓGICO – Criador, inovador, com uma sede insaciável por conhecimento;
    3. COMANDANTE – Líder ousado, criativo, enérgico, sempre dando jeito em tudo;
    4. INOVADOR – Pensador esperto e curioso, que não resiste a um desafio intelectual;
    5. ADVOGADO – Idealista quieto e místico, porém muito inspirador e incansável;
    6. MEDIADOR – Poético, bondoso e altruísta. Sempre pronto para ajudar uma boa causa;
    7. PROTAGONISTA – Líder inspirado e carismático, que consegue hipnotizar sua audiência;
    8. ATIVISTA – Livre, criativo, sociável e entusiasmático, sempre sorrindo;
    9. LOGÍSTICO – Prático e extremamente confiável;
    10. DEFENSOR – Protetor dedicado, sempre pronto a defender seus amados;
    11. EXECUTIVO – Administrador fora de série. Inigualável em gerenciar coisas ou pessoas;
    12. CÔNSUL – Não, não é a geladeira. Atencioso, social e popular. Sempre solícito;
    13. VIRTUOSO – Experimentador prático e ousado. Mestre em todos os tipos de ferramentas;
    14. AVENTUREIRO – Artista flexível. Um verdadeiro contorcionista. Charmoso. Sempre pronto a explorar e experimentar algo novo;
    15. EMPREENDEDOR – Inteligente, enérgico e perceptivo. Gosta de se arriscar;
    16. ANIMADOR – Entusiasmado, enérgico e espontâneo. Sua vida jamais será um tédio ao lado dele.

    Se após todas essas qualidades, o chato não se convencer de que Messi Araújo tem que ser convocado imediatamente para a Seleção Brasileira, talvez seja melhor esquecer esse assunto e pedir para escalar o Cuéllar.

    Ricardo Martins é rubro-negro carioca radicado em Minas Gerais, advogado e discípulo de Zico.

  • Itaú BBA – Agora analisando o Flamengo

    Por Thauan Rocha | Twitter @Thauan_R e @flaimparcial

     

    Saiu o já famoso estudo do Itaú BBA onde são analisados 27 clubes do futebol brasileiro. Por ser muito extenso, resolvi resumir os 217 slides que estão disponíveis na íntegra aqui. Não resumirei os estudos individuais de todos os clubes e tentei expressar da forma que entendi, mas o ideal é que você veja o estudo completo.

    O resumo está dividido entre uma análise geral e uma individual focada no Flamengo. Fiquem agora com a segunda parte.

    Veja a primeira parte clicando aqui: Uma análise geral do futebol brasileiro

     

    Receitas e Custos

    A receita cresceu só 4% e o único destaque foi da TV que cresceu 11%, mas pode ser reajuste inflacionário. No primeiro gráfico podemos ver que há um equilíbrio na geração de receitas entre TV (38% do total), publicidade (25%) e bilheteria (22%). Isso mostra que a maior parte das Receitas atingiu seu pico, e apenas um bom desempenho em campo pode ajudar a agregar mais receitas com bilheteria e sócio-torcedor. O destaque negativo é a venda de direitos federativos. Na primeira parte vimos que o Fla não chega nem perto de ter um desempenho bom nesse quesito e é preciso corrigir, afinal, craque o Flamengo faz em casa, né?

    Os custos e despesas não mudaram muito, o que permitiu um EBITDA de R$137 milhões. Por não vender muitos atletas, a maior parte do lucro é recorrente.

    Receitas Geração de caixa Custos & despesas

    Fluxo de caixa, investimentos e dívidas

    Em 2015 foram liquidados R$ 17 milhões de adiantamentos de TV feitos no passado e outros adiantamentos de R$ 27 milhões foram compensados, especialmente de contratos de licenciamento. Ainda em 2015, o Fla diminuiu o investimento em atletas que passou de R$ 47 milhões para R$ 21 milhões e voltou a investir na base, pouco, mas voltou. Nas dívidas operacionais podemos ver que há um controle, as dívidas com impostos caíram drasticamente, por efeito de pagamento (R$ 24 milhões) e adesão ao Profut, mas ainda foi preciso captar dinheiro junto a bancos. Como boa parte vence no curto prazo, deverá ser feita uma reciclagem da dívida bancária. Já as despesas financeiras não devem mudar muito, pois com o montante de dívida total na casa dos R$ 540 milhões não há como fugir dessa realidade.

    Composição da dívida

    Clube de Regatas do Flamengo

    Na tabela ao lado podemos ver que o resultado líquido em 2015 foi de R$130 milhões, um crescimento de 40% em relação a 2014. E o que sobrou disso pra 2016 foram R$27 milhões de caixa, um crescimento de 50% em relação a 2014.

     

    Analisando todo esse cenário, a equipe do Itaú BBA fez o Índice de Eficiência do Futebol, que consiste em fazer um cruzamento entre desempenho esportivo – tratado em duas dimensões: total de pontos obtidos no ano e pontuação por colocação nos campeonatos disputados – e desempenho financeiro – tratado a partir dos gastos gerais. O índice é calculado da seguinte forma:

    Os gastos gerais indicam quanto o clube investiu no Futebol, seja via Salários, despesas que sustentam o negócio, investimentos em atletas profissionais e da base e quanto pagou de custos financeiros, que na prática representa o preço do dinheiro tomado para cobrir buracos de caixa originados pela atividade, seja por conta de dívidas, seja por adiantamentos. Então esse valor é dividido pelo total de pontos obtidos pelo clube ao longo de todo o ano, em todos os campeonatos oficiais. Com isto temos o custo de cada ponto, que de maneira geral nos grandes clubes chega a valer milhões de reais. Mas ele sozinho não diz nada, pois um clube pode ter conquistado um bom volume de pontos mas não ter conquistado títulos, por isso ainda são cruzados os custos por ponto com a pontuação das conquistas.

    Títulos Estaduais e Regionais:… 10 pts

    Copa Sulamericana:……………….. 10 pts

    Classificação para Libertadores:. 10 pts

    Títulos da Copa do Brasil:……….. 15 pts

    Brasileiro: ………………………………20 pts

    Libertadores: ………………………….25 pts

    Mundial: …………………………………30 pts

    Subir para Série A:………………….. 5 pts

    Cair para Série B: …………………- 15 pts

    Os clubes então são divididos em:

    Eficientes: são os que conseguiram mais conquistas gastando menos por ponto. Eficiência é conseguir resultados ao menor custo.

    Eficazes: são os que conseguiram mais conquistas gastando mais por ponto. O resultado veio, mas a um custo excessivo.

    Bom trabalho: gastaram relativamente pouco e apesar de não conquistarem nada, permaneceram nas suas séries.

    Deixaram a desejar: estes também permaneceram em suas séries, mas gastando muito mais. Ou seja, o gasto foi improdutivo.

    Não deu: gastaram pouco, era o possível, e o resultado não só não veio como o clube ainda foi Rebaixado de Série.

    Perdulários: gastaram muito e o resultado ao final da temporada foi negativo. Pode até ter conquistado um título menor, mas o rebaixamento de série pôs tudo a perder.

    O Flamengo gastou quase R$2,41 milhões por ponto e ficou com zero na pontuação de conquistas. Assim acabou sendo classificado como “Deixou a desejar” e foi acompanhando por Cruzeiro e Fluminense. Nem todos os grandes clubes vão ser campeões nacionais, internacionais ou poderão ao menos se classificar para a libertadores, mas até em âmbito regional esses três decepcionaram. No RJ a dupla Fla-Flu perdeu o título estadual para o Vasco, time da série B.

     

    Apesar dos erros nos investimentos, o Flamengo foi considerado o clube com melhor gestão financeira. Não podemos ser imediatistas, devemos cobrar para que erros de investimentos não ocorram, mas o processo de reajuste difícil que o Flamengo vem passando vai dar muitos frutos no futuro. Mantendo essa administração responsável e agora fazendo investimentos em estrutura e jogadores de grande porte pelo segundo ano consecutivo (Diego em 2016 e Guerrero em 2015), o Flamengo tem tudo para se tornar um clube Eficaz em 2016.

     

    SRN!

    Comente pelo Twitter @Mundo Bola_CRF ou direto na fanpage do Mundo Bola no Facebook. Sua opinião faz toda diferença!


    Thauan Rocha escreve no Flamenguista Imparcial, da Plataforma Mundo Bola Blogs. A opinião do autor não reflete necessariamente a opinião do Mundo Bola.
  • E agora, José?

    E agora, José?

    O jogo acabou,

    o Márcio enganou,

    o Jayme sumiu,

    a cabeça esfriou,

    e agora, José?

     

    O rubro-negro Carlos Drummond de Andrade há de me perdoar pela paródia mequetrefe, mas essa é a pergunta que está no ar. E agora, José Ricardo Mannarino?

    Zé Ricardo é um batalhador. Para chegar ao patamar de técnico efetivo da equipe profissional de futebol do Clube de Regatas do Flamengo, passou, além do futsal, pelas categorias mirim, infantil e juniores do clube.

    Foi nessa última que ganhou notoriedade. Pegou um Sub-20 desacreditado e, em menos de dois anos, ganhou uma OPG, um Estadual e a Copa SP. O time jogava bonito. Mais do que isso, o time jogava de forma bem estruturada.

    Quem conversava com Zé Ricardo voltava impressionado. Era tudo, menos um treinador boleirão. Mostrava ser esclarecido, estudioso e atualizado. Encantava os jornalistas especializados em categorias de base.

    Cito aqui um momento em especial me marcou e me encheu de esperança: quarta fase da Copinha desse ano. Jogo contra o Bahia e ele manda ao campo o seguinte time: Thiago, Thiago Ennes, Léo Duarte, Lincoln e Michel; Arthur Bonaldo (Ronaldo estava suspenso); Klebinho, Paquetá, Matheus Sávio e Cafú; Vizeu. Vejam essa linha de 4 no meio-campo. Apenas jogadores técnicos, nenhum volante grosso. Fiquei encantado pela ousadia.

    O tempo passou e Zé Ricardo acabou recebendo a grande chance de sua carreira. Virou treinador dos profissionais do Flamengo… Um Flamengo mal treinado, mal organizado, mal planejado… Mas agora o cenário é outro. O elenco ganhou reforços e Zé dispõe de peças para armar um time que brigue lá em cima.

    É bem verdade que ele não tem muito tempo para trabalhar (o ocioso primeiro semestre foi desperdiçado por Muricy), não tem um auxiliar e não tem uma casa fixa no Rio de Janeiro, mas agora o elenco é bom.

    E Zé Ricardo também é bom! Eu quero acreditar nisso. Eu faço questão de acreditar nisso. Eu vejo o Márcio Araújo em campo jogo após jogo, mas me recuso a aceitar que o treinador que fez um trabalho fantástico na base tenha se tornado um Celso Roth 2.0.

    Para não ser injusto, o time hoje já pratica um futebol muito melhor do que fazia com Muricy, Oswaldo, Cristóvão, Jayme, Vanderlei, Ney… Mas quero mais! Acredito que possamos ter mais!

    Não quero entrar no mérito de qual deva ser a escalação, mas Zé Ricardo tem a obrigação de conseguir encaixar o que temos de melhor entre os onze.

    Pra falar do meio pra frente, Cuéllar, Mancuello, Arão, Diego e Paolo seriam titulares na maioria dos times da América do Sul. Ainda temos Alan Patrick, Everton, Ederson, Vizeu… Zé Ricardo pode fazer muito mais.

    Mas e agora, José?

    Chegou a hora da verdade. Vai ser aquele treinador intrépido da base ou o que escala Márcio Araújo pela entrega e Fernandinho porque segura o lateral?

    Ouse, José!

     

    Crédito imagem destacada: Arte do blogueiro sobre foto de Gilvan de Souza/Flamengo
  • Análise do Ninho: Flamengo 2 x 1 América-MG

    O Flamengo só precisou jogar os dez minutos finais do primeiro tempo e a metade inicial do segundo tempo para vencer o lanterna América-MG.

    E ainda conseguiu passar sufoco: fez 2 x 0 e não conseguiu matar o jogo. Criou chances, ótimas oportunidades, mas não concluiu como deveria.

    Bastou o adversário subir as linhas que o sistema defensivo não aguentou a pressão. Repare que no gol sofrido, os zagueiros ficam em desvantagem. O primeiro volante é o último a chegar (imagem destacada acima).

    Zé armou o time com os dois meias tão pedidos, mas o América se fechava bem com duas linhas de quatro. Faltava movimentação, apesar da intensa participação do Guerrero, que pedia desesperadamente para o time subir a marcação, mas Fernandinho não atendia aos apelos do peruano. E no ataque, quando desenvolvia alguma jogada, caía pedindo falta.

    As melhores jogadas aconteceram no final do primeiro tempo com a participação do Mancuello. O gol não saiu por pouco.

    A pressão continuou no começo do segundo tempo. O treinador armou melhor o time. Antes embolados, agora o Allan Patrick fixou-se pela esquerda e deixou Mancuello livre para flutuar.

    Guerrero fazia com maestria o papel de pivô e o Flamengo crescia pela direita com Pará, em noite inspirada. Os dois gols vieram e por pouco não veio também o terceiro e o quarto.

    Vale destacar a boa jogada ensaiada do escanteio, na bola rolada para Rafael Vaz, que encontrou Pará do outro lado e por pouco Guerrero não marca.

    O jogo parecia controlado até o América-MG encontrar um gol. A leitura do Zé em tirar o Chiquinho e colocar o Vaz foi acertada. Mas o adversário descobriu as costas do Pará e foi por lá que eles se criaram e chegaram com perigo. O empate parecia ser questão de minutos, mas a incompetência mineira ajudou e o Rubro Negro saiu com a vitória.

    Foram duas semanas de treino. O esquema se manteve, apesar da mudança de jogadores. Talvez o treinador já esteja preparando o time para a chegada do Diego. Entretanto, não foram atuações boas.

    A zaga com Juan não demonstra a mesma confiança de antes com Rever e Vaz, especialmente nas bolas aéreas.

    Apesar disso, o Flamengo segue no bolo. Agora a cinco pontos do líder.

     

    Não deixe de visitar ninhodanacao.blogspot.com.br/

  • Rodada boa é quando vence

    Após mais de uma semana sem Mengón, onde cada dia parecia uma eternidade na minha vida de abstinência, vamos à resenha da semana!

    As definições de jogo feio foram atualizadas. Que sufoco desnecessário. Flamengo precisa aprender a controlar a vantagem do jogo, não pode ficar sofrendo assim. Valeu pelos 3 pontos, é lógico. A diferença para o líder caiu para 5 pontos!

    Os desfalques foram sentidos. Zé teve que adaptar o time às possibilidades do elenco e não foi muito bem. Mancu e Alan Patrick bateram cabeça em campo por muito tempo, com o segundo jogando muito mal.

    Chiquinho também muito mal. Fernandinho errando tudo. O time ficou sem jogadas pelas pontas e caiu fácil na marcação fechada do América. A zaga também ficou bem desprotegida pelo meio e pela esquerda. Com Juan e Réver em campo não dá pra ser assim.

    Pará jogou muito bem. Funcionou na defesa, apareceu bem no ataque e criou boas oportunidades. Excelente cruzamento no primeiro gol do Fla, a bola foi no pé do Guerrero. Depois ele ainda repetiu a dose, mas o atacante não.

    Mais uma boa partida do lateral reserva. Rodinei vai ter que ralar pra voltar ao time.

    Guerrero voltou bem da Copa América. Tá matador e importante para o time. A bola está chegando mais até ele, nas palavras do próprio. E ontem chegou mesmo, principalmente pelo Pará.

    Guerrero tentou, incomodou, meteu bola na trave e bola na rede. Tá rendendo muito mais em um time mais arrumado. O que me faz pensar em como serão as coisas com Diego em campo.

    Destaque positivo também para mais um #MuralhaSaves e destaque negativo para a teimosia de Zé Ricardo em não tirar Fernandinho. O cara estava matando as jogadas ofensivas do time, era pra ter saído no intervalo.

    E Gabriel não Zé, fica difícil te defender. Os desfalques não justificam a entrada dele em campo. O Adryan estava no banco, era jogo pra ele entrar. Gabriel já foi mais que testado e não deu o retorno desejado. Vai insistir pra quê?

    Fiquei um pouco preocupado com as escolhas, mas eu quero mesmo ver é o time com os reforços, tanto dos que vão estrear como o retorno dos machucados. Aí sim o Zé vai ter seu trabalho testado ao máximo.

    Até lá a meta é trabalhar firme, temos mais 3 jogos duros pela frente. São Judas Tadeu segue guiando o time e nós seguimos torcendo.

    Até a próxima,

    SRN.

  • Ingressos – Coritiba x Flamengo

    No próximo domingo (31), às 16h, o Flamengo entra em campo pela 17ª rodada do Brasileirão 2016 jogando em Curitiba, no duelo frente ao Coritiba, no Estádio Couto Pereira. Os ingressos estão sendo comercializados antecipadamente pela internet e, a partir de sexta-feira, na bilheteria do Estádio. Segundo a assessoria do clube paranaense, cerca de 4 mil ingressos serão disponibilizados para os rubro-negros.

     

    Informações dos ingressos para a Nação Rubro-Negra:

    Localização: SETOR SUL (Visitante)

    Ingressos disponibilizados à Nação Rubro-Negra: cerca de 4 mil

    Valor: R$ 100 Inteira / R$ 50 Meia / R$ 30 Kids (crianças entre 6 e 12 anos)

    Gratuidade: gratuidade para cadeirantes no setor visitante, através do portão 13. Caso seja necessário que o cadeirante seja conduzido por um acompanhante, este pagará meia-entrada. Já para as crianças menores de 05 anos, a gratuidade também é válida. Para acesso ao estádio, é obrigatório apresentar o Documento de Identidade original (RG) ou a Certidão de Nascimento original ou cópias autenticadas e acompanhada de um adulto pagante.

    Obs.: crianças menores de 6 anos, mediante apresentação de documentos, não pagam.

     

    CTB

     

    Pontos de venda:

    Online: site Futebol Card

    Físico: Bilheteria Visitante do Couto Pereira – Portão 13

    SEXTA-FEIRA: das 10 às 18h

    SÁBADO: das 10 às 17h

    DOMINGO: das 10h até os 10 minutos do 2º tempo

     

    Os ingressos também podem ser adquiridos nos pontos de venda:

    LOTERIAS MARACANà– Rua Abel Scuissito, 2931, Loja 12 – Bairro Atuba – Colombo Pr – Fone: 3037-3773 (Próximo a trincheira do Atuba e Calçados Vila Rica)

    MUNDO DO FUTEBOL – Avenida do Batel, nº 1868 – Piso L2 – Loja 251 – Shopping Pátio Batel – Fone: 3020-3737

    MUNDO DO FUTEBOL – Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza nº 600 – Loja 2028 – Park Shopping Barigui – Fone: 3317-6868

    Curiosidade

    O Flamengo venceu o Coritiba no Couto Pereira nos 3 últimos confrontos, válidos pelo Campeonato Brasileiro (2013, 2014 e 2015). No último deles, 1.324 rubro-negros estiveram presentes no setor visitante.

     

    *Informações retirados do site oficial do Coritiba FC

  • De lateral sempre contestado a reforço imediato

    Marcos Rogério Ricci Lopes, mais conhecido como Pará, chegou ao Rubro-negro em janeiro de 2015, emprestado pelo Grêmio numa negociação que envolveu antiga dívida do clube gaúcho junto ao Flamengo. Vindo com o intuito de substituir Léo Moura, o atleta teve muitas oportunidades mas nunca emplacou. A torcida, projetou em Pará uma espécie de vilão responsável pela iminente saída do seu ídolo. Quando a diretoria do Flamengo anunciou a saída de Léo, ainda no primeiro semestre de 2015, após 10 anos de clube, Pará se tornou o jogador mais vaiado do time que oscilava no Campeonato Brasileiro. Se a torcida não gostava de Pará, agora titular absoluto no lugar de LM, ela passou a hostilizá-lo com vaias em muitos jogos.

    Para piorar, Pará se envolveu em uma polêmica junto com alguns companheiros de elenco. O caso ficou conhecido como “Bonde da Stella”, nome dado ao grupo de jogadores flagrado com bebidas em churrasco após um treino do Flamengo em Vargem Grande. Pará foi afastado por alguns dias e depois voltou a reintegrar o elenco. Na última rodada do Brasileiro, com o time no meio da tabela, marcou seu único gol na competição, diante da derrota em casa contra o Palmeiras.

    Com a contratação de Rodinei, vindo da Ponte Preta no início da atual temporada, Pará perdeu espaço no time. Após luxação no cotovelo esquerdo sofrida pelo titular ganhou mais uma chance de começar um jogo titular, contra o Atlético Mineiro, em Brasilia, pela décima quarta rodada do Brasileirão. E não parece estar comprometendo. Ontem, pela décima sexta rodada, Pará foi o destaque da partida. Tanto no primeiro tempo, se arriscando em finalizações, quanto no segundo, dando assistência para o gol de Paolo Guerrero. Em entrevista ao Globo Esporte, após o jogo, Pará diz ter ficado feliz com a participação do gol, acredita em seu potencial e que trabalha duro para, quando for solicitado, poder ajudar.

    O atleta começou no Santo André, em seu primeiro ano no elenco foi campeão da Copa do Brasil diante do Flamengo, em 2004. Depois foi para o Santos, onde teve passagem por quatro temporadas e destaque no cenário nacional e internacional. No time da Vila Belmiro foi campeão Campeonato Paulista (2010 e 2011), Copa do Brasil (2010) e da Copa Libertadores da América em 2011.

    Na montagem do elenco deste ano, a torcida e imprensa julgavam certa a saída do jogador nascido em São João do Araguaia, região metropolitana de Marabá. Para surpresa geral ficou no elenco. Aos detratores, a atuação desta segunda-feira (25) mostra que o lateral Pará pode ainda ajudar muito o Flamengo neste Brasileiro.

     

    Após as últimas partidas em que o lateral entrou em campo, o Mundo Bola comentou suas atuações. O saldo é bom, mostrando que Pará é um reforço imediato, apesar de sempre contestado.

    Flamengo x Atlético-MG:

    Pará – Em altíssima voltagem o experiente lateral deu conta do recado. Sempre muito forte na defesa, não deu muitos espaços para o adversário trabalhar e buscou sempre que possível as jogadas em linha de fundo junto com Cirino e Arão. Embora limitado, sua dedicação e excelente forma física sobressaíram e fez com que a consistência pelo setor direito permanecesse. NOTA 7

    Atuações: Muralha fecha o gol; Pará vai bem na lateral; e Vizeu garante a vitória

     

    Flamengo x Botafogo 

    Pará – Sendo bastante requisitado pelo time adversário, o atleta foi mediano. A equipe toda, possuindo a vantagem de 3 a 1 e cedendo o empate, não foi acima do nível. Não levou cartão e ajudou em alguns momentos no ataque. NOTA 5

     

    Flamengo x América-MG

    Pará – Uma das melhores partidas do lateral direito pelo Flamengo. Com começo um pouco tímido e dando até algum espaço para criação do adversário por aquele lado, o camisa 21 evoluiu e foi peça fundamental para o Flamengo daí por diante. Um monstro na defesa e com passes para gol no ataque, Pará substituiu o até então titular absoluto Rodinei com volume de jogo superior e deu uma ótima dor de cabeça para o técnico Zé Ricardo. NOTA 8,5

    Atuações: Pará em grande estilo; Arão-apagado; e Guerrero marca de novo

     

    Crédito imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo
  • Itaú BBA – Uma análise geral do futebol brasileiro

    Por Thauan Rocha | Twitter @Thauan_R e @flaimparcial

     

    Saiu o já famoso estudo do Itaú BBA onde são analisados 27 clubes do futebol brasileiro. Por ser muito extenso, resolvi resumir os 217 slides que estão disponíveis na íntegra aqui. Não resumirei os estudos individuais de todos os clubes e tentei expressar da forma que entendi, mas o ideal é que você veja o estudo completo.

    O resumo está dividido entre uma análise geral e uma individual focada no Flamengo. Fiquem agora com a primeira parte.

    Veja a segunda parte clicando aqui: Agora analisando o Flamengo

     

    Geral

    Em 2015 houve um crescimento de 5% acima da inflação, parece pouco, mas em 2014 houve uma queda.

    Evolução das receitas brutas totais Evolução das receitas brutas totais recorrentes

    Analisando a composição das receitas vemos que os clubes continuam a ser dependentes da TV com 42% do total das receitas, o aumento da venda de atletas está relacionado a desvalorização do Real, mas não alterou a sua participação do total que continua em 12%. A bilheteria/sócio torcedor representa de 19% para 17%, publicidade de 17% para 15%, estádio 6% e de 8% para 7% outros. As variações foram: TV +25%; direitos econômicos +22%; estádio +18%; bilheteria/sócio torcedor +7%; publicidade +3%; e outros +5%.

    Breakdown das receitas totais por origem Comportamento das receitas por origem

    Direitos de Transmissão

    Analisando a divisão da receita de TV parece ter algo errado. O Cruzeiro foi o que mais recebeu e o Atlético-MG passou até do Vasco, mas isso ocorreu porque os mineiros receberam luvas por renovações, o que deve aparecer no balanço de outros clubes em 2016. Nas variações podemos ver que o Criciúma perdeu 71% da receita por cair de divisão e o Vasco ganhou 40% por subir (e perdeu logo em seguida). A liderança ainda pertence ao Flamengo, mas o Corinthians ganhou um aumento ligeiramente maior – 11% e 12%, respectivamente.

    Receita total com TV Share e concentração Receitas com direitos de TV Variação anual

    Direitos Federativos

    Podemos ver que a variação do dólar causou uma perda de receita – as transações mais significativas são feitas em dólares.

    Devido ao título de 2014, o Cruzeiro foi quem mais vendeu com R$67 milhões, o São Paulo ficou em 2º com R$62 milhões e o Corinthians em 3º com R$52 milhões, já o Flamengo ficou em 9º com apenas R$12 milhões, menos até que o Goiás em 8º com R$18 milhões. Se pegarmos os valores desde 2010, o São Paulo é o 1º, Corinthians o 2º e Internacional o 3º, enquanto o Flamengo está em 12º. Não somos uma boa vitrine e nem revelamos muitos jogadores. O Santos, que tradicionalmente é uma clube formador e vende bastante jovens, é o 4º com 8,50% do total. Juntando todos os 12 clubes representados no segundo gráfico, temos 90% da arrecadação total no período, que foi de R$2,4 bi.

    Evolução da receita anula | Reais x Dólares Participação no Total de Venda de Direito Federativos

    Publicidade

    A crise desde 2014 vem afetando o mercado – houve uma redução de 7% da arrecadação em valores reais -, mas os clubes ainda precisam evoluir bastante neste quesito. Se analisarmos os investimentos totais do mercado publicitário e o que é investido nos clubes, vamos ver que só 0,40% de R$132.100 milhões foi destinado para eles em 2015.

    Os que normalmente mais arrecadam são Flamengo e Corinthians, com um proporção de R$2,6 e R$2,4 por torcedor em um ano, mas o Palmeiras conseguiu o 2º lugar com um crescimento absurdo, passando a arrecadar R$6,6 por torcedor. Essa proporção é menor que a do Fluminense e do Internacional que possuem R$7,6 e R$7,1, respectivamente.

    Receitas estabilizaram em termos nominais ...mas perdeu da inflação em 2015 Flamengo e Corinthians recorrentes Receita de Publicidade x Torcedor (Base Ibope 2014)

    Bilheteria e Sócio-Torcedor

    Podemos ver que o crescimento alcançado não superou a inflação, ou seja, em valores reais houve uma queda de 2%. Outro ponto importante é que a participação do ST vem aumentando – representa 52% em 2015. Com o aumento de sócios acaba diminuindo o que arrecada com bilheteria, mas aumenta no geral e é uma receita bem mais segura.

    Nesse segundo gráfico podemos ver que o Internacional e o Grêmio são os que mais faturam com ST, o Palmeiras arrecadou bastante com bilheteria e com ST, mas não são valores muito maiores que os do Flamengo, mas a diferença de crescimento entre 2014 e 2015 é muito grande, o maior entre todos os clubes.

    No terceiro gráfico entendemos porque Internacional e Grêmio, que tem 81% e 99% do público sendo ST, não possuem renda de bilheteria. Corinthians, Cruzeiro e Figueirense possuem um público 100% de ST em 2015, enquanto isso o Flamengo tem apenas 40%. Além de não ter muitos sócios, o Mengão costuma jogar no Maracanã, estádio com capacidade altíssima, logo não há demanda tão grande que justifique a vantagem do sócio de comprar antes.

    Evolucao bilheteria e sócio-torcedor Bilheteria x Sócio-Torcedor Relevância do Sócio-Torcedor

    Receitas

    Há o famoso mito da espanholização, mas isso não é verificado pelos dados no gráfico abaixo. Ao longo dos anos os grupos se mantiveram estáveis na porcentagem de arrecadação e só houveram algumas trocas de posição entre os clubes. Apenas três – Flamengo, Corinthians e São Paulo – se mantém no primeiro grupo. Houve um aumento da diferença nominal, mas o que podemos ver é que os clubes crescem juntos.

    São 4 grupos com 5 em cada um dos 3 primeiros e os outros 12 no último.

    Concentração estável... ...mas nominalmente, diferença aumenta.

    Em 2015 o campeão de receita foi o Flamengo, seguido pelo Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro e São Paulo. O novo vice-líder foi uma surpresa, pois teve uma crescimento muito grande e passou na frente de outros times que vinham de anos bem melhores que ele na arrecadação.

    Histórico de arrecadação

    Um ponto que é muito levantado nesse mito é a divisão das cotas de televisão, mas na média geral elas representam 42% das receitas dos clubes brasileiros e no Flamengo são 38%. Em 2016 esse valor vai aumentar por causa das luvas, mas a diretoria rubro-negra trabalha para que a renda da TV passe a representar cada vez menos nas receitas.

    Custos e Despesas

    Pior parte da administração dos clubes, os custos cresceram abaixo da inflação, então houve uma queda real, isso fez a geração de caixa crescer 250%. Com custos estáveis e um crescimento tão alto do EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), os clubes tiveram lucro após 2 anos de prejuízo. Agora o prejuízo acumulado no período 2010-2015 foi de R$176 milhões. É importante destacar que Flamengo e Palmeiras juntos representaram 36% do EBITDA, já no EBITDA Recorrente a dupla representa 86% e o Mengão é o único clube que se mantém estável e em crescimento ao longo desse três anos.

    Custos estáveis ...e parece sobrar dinheiro.

    EBITDA Recorrente

    EBITDA Recorrente

    De fato houve uma melhora, mas Flamengo e Palmeiras puxaram os valores pra cima. Ainda é preciso que muitos clubes entendam a importância de manter uma boa saúde financeira. Mas onde os clubes gastam tão errado? Não é na folha de pagamento (desde direitos de imagem até o salário do roupeiro) que reduziu de 57% para 50% das receitas totais, são os investimentos que drenam caixas futuros e que farão falta para fechar a conta.

    Despesas com pessoal em queda ...ajudando na equação do Profut

    Podemos ver que os investimentos vem de dois anos seguidos de redução e 2015 foi a primeira vez em 6 anos que o EBITDA foi maior que os investimentos. Essa redução significa que os clubes terão dinheiro para pagar dívidas, não precisarão pegar empréstimos, atrasar salário e/ou impostos, mas essa não é uma regra geral, alguns clubes puxam os números de formas diferentes. Infelizmente os investimentos na base também diminuíram, não proporcionalmente, mas nominalmente. Os clubes estão investindo mais em estrutura e na formação do elenco com jogadores de outros clubes, o que é muito mais caro que revelar jogadores.

    O São Paulo continua sendo o destaque no investimento de base, tanto em 2015 quanto no acumulado em 6 anos onde investiu de forma regular. O Corinthians reduziu drasticamente seu investimento, mas 2014 foi um ano atípico para os garotos, o máximo de investimento feito antes foi em 2010 com R$15 milhões. O Santos, outro clube destaque, está com um investimento reduzindo. O destaque em MG é o Cruzeiro e no RJ é o Vasco. Vejam que o Flamengo sequer aparece nesses gráficos.

    Investimentos perdem força... ...e as categorias de base não são prioridade. Investimento por clube Acumulado

    Dívidas

    A dívida cresceu apenas 4%, ficando abaixo da inflação, ou seja, houve uma redução real. Isso foi possível graças a redução dos investimentos e do aumento do EBITDA. A relação entre as dívidas e o EBTIDA mostra a capacidade dos clubes pagarem suas dívidas – no terceiro gráfico podemos ver uma redução clara.

    As dívidas tributárias de longo prazo (LP) aumentaram por causa do PROFUT já que alguns clubes passaram a atrasar pagamentos  para que os mesmos entrassem nesse projeto federal. As dívidas bancárias podem ter crescido graças aos juros mais elevados de 2015. Nas dívidas operacionais podemos entender que o aumento dos fornecedores indica que os clubes estão parcelando a compra de jogadores e a redução das provisionadas indica que os encargos e tributos estão em dia.

    Dívida Total Dívida x EBITDA Alavancagem Dívidas Tributárias Dívidas bancárias Dívidas Operacionais

    Liquidez

    Liquidez é a diferença entre os Ativos Circulantes (tem a receber) e os Passivos Circulantes (tem a pagar). Valores positivos significam que há condições de pagar todas as dívidas que vencem no próximo ano com os valores que tem a receber no mesmo período. Todos os clubes da amostra tem valores negativos, ou seja, não há recursos suficientes para pagar todas as dívidas no período, com isso é preciso rolar as dívidas, atrasar pagamentos, ou aumentar as dívidas de outra natureza e/ou reduzir custos. Já considerando que o Profut ajudou a ajustar a liquidez, os números de 2015 mostram quão ruim é a situação dos clubes.

    Liquidez Variação da liquidez

     Gastos totais e fluxo de caixa livre

    O Fluxo de Caixa Livre aqui considerado será o resultado da soma entre Receitas Líquidas, Custos e Despesas, Investimentos em Base, Aquisição de Atletas e Despesas Financeiras. A partir de 2016, quando o Profut entrará em vigor, será incluído o pagamento dessa dívida na conta.

    Saldo positivo significa que o clube geriu bem suas contas e sobrou dinheiro para pagar Impostos atrasados e liquidar Dívidas Bancárias, bem como reforçar o caixa para investimentos futuros. Saldo negativo significa que o clube precisou captar recursos em algum lugar (aumentando as dívidas), consumir receitas futuras ou atrasar impostos e salários. Nos últimos 4 anos os clubes gastaram mais do que arrecadaram, mas, após dois anos muito ruins (2013 e 2014), em 2015 o cenário parece inverter o sinal e começa a melhorar, reduzindo o déficit.

    Analisando cada clube individualmente há um destaque: o Flamengo. Poucos conseguiram manter a Geração de Caixa Livre positiva nos dois últimos anos, Atlético PR e Goiás foram os únicos, além do Flamengo. Bahia e Vitória reverteram o sinal da conta em 2015. Negativamente o Fluminense se destaca, pois aumentou de forma relevante seu déficit. No último gráfico podemos ver que ainda há muito a ser feito, mas boa parte já trabalha com esse objetivo.

    Valores Proporção Receita x Gastos totais Comportamento das contas - Variações anuais

    Fluxo de Caixa Livre por Clube

     

    Se houvesse um campeão, este seria o Flamengo, que já “ganhou” nos dois anos anteriores e tem tudo para continuar sendo, mas vamos falar mais disso em um post específico.

    SRN!

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    Thauan Rocha escreve no Flamenguista Imparcial, da Plataforma Mundo Bola Blogs. A opinião do autor não reflete necessariamente a opinião do Mundo Bola.

     

  • Zé Ricardo faz testes para continuar no 4-4-2 e afirma que Guerrero terá história bonita no Fla

    Após vencer o América-MG, lanterna do Campeonato, por 2×1 com gols de Guerrero e Alan Patrick, o Flamengo encosta no G4 e diminui a diferença para o líder Palmeiras, com apenas 5 pontos.

    Na coletiva posterior a partida, o técnico Zé Ricardo deu declarações acerca do desempenho da equipe: “Foi um jogo difícil. Sabíamos que precisaríamos ter paciência. Não poderíamos confundir velocidade com pressa, senão seria prejudicial para gente. Eu sabia que o América-MG ia jogar nos contra-ataques. No primeiro tempo, depois dos 15 minutos, a gente melhorou bastante. Tivemos muita posse de bola, algumas finalizações. Entendemos que, se mantivéssemos esse ritmo no segundo tempo, fatalmente o gol iria sair. Sempre lembrando que o equilíbrio defensivo deveria ser o principal. Basicamente, conseguimos manter a cabeça no lugar.”

    Paolo Guerrero

    Zé afirmou que o clube dá condições para que os atletas evoluam, mas muitas das vezes eles são criticados de forma injusta, como tem acontecido com Guerrero. ” Conversei com o Paolo quando ele voltou da Copa América. Eu tinha visualizado uma maneira de jogar em que ele seria favorecido e disse que gostaríamos de contar muito com ele. É um atleta que não dá nenhum tipo de questionamento que não seja do campo, é extremamente profissional. Com a qualidade que ele tem, eu não posso acreditar que ele não vai dar certo. Pelo contrário: acho que ele ainda vai ter uma história muito bonita para escrever no clube.” disse o técnico.

    O 4-4-2 

    Sobre essa formação, Zé explicou que fizeram algumas avaliações nesta semana, testando jogadores como Gabriel, Adryan e Alan Patrick. Afirmou que entendem que se Alan e Mancuello soubessem sincronizar bem o retorno e fechar o lado esquerdo do campo, poderiam dar certo jogando juntos, além da equipe ganhar mais opção por dentro da posse de bola. “Não é uma partida que vai definir, mas eu gostei do que vi principalmente no primeiro tempo. Se movimentaram bem, mas até pelo fato dos dois terem que cumprir uma função defensiva pelo lado do campo, isso acabou desgastando os dois bastante. A gente vai avaliar com a volta do Everton a necessidade ou a possibilidade de mantê-los ou não”, concluiu.

    Confiança e equilíbrio da equipe

    “A equipe é madura, mas às vezes peca por excesso de confiança. Estamos tentando buscar o equilíbrio, pois para disputar um Brasileiro da maneira como é, é preciso ter um grupo forte. Só acredito em trabalho a longo e médio prazo. A gente está tentando manter nosso planejamento. O grupo é grande, com 34 jogadores e muita qualidade. Todo mundo quer jogar, mas todos entendem que o profissionalismo está acima de tudo. Espero que siga assim porque em primeiro lugar tem que estar o Flamengo e não a questão pessoal. Criar para o coletivo é o nosso lema, e eu acredito que assim o Flamengo tem a ganhar muito nessa competição”, afirmou Zé Ricardo.

    Jogos no Espírito Santo

    O técnico disse que o grupo é muito bem recebido no ES e gosta muito de jogar em terras capixabas pois a torcida transborda carinho e alegria. Vale lembrar que o Flamengo tem um aproveitamento de 100% no Estado.

    Cheirinho de Hepta?

    O técnico acredita que ainda tem muita coisa para acontecer, já que ainda faltam 3 rodadas no turno e mais 19 no returno, mas acredita que com a chegada dos reforços a tendência é apenas melhorar como grupo e completa que a cada jogo tiram lições e que o Flamengo precisa pensar grande.

    O próximo confronto do Flamengo é no próximo domingo (31) contra o Coritiba no Couto Pereira.

     

    Créditos da imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo