Autor: diogo.almeida1979

  • “Mas onde foi parar o dinheiro”? – Os R$ 70 milhões e o “ano mágico”

    Poucas viradas de ano foram tão recheadas de boas notícias para o Flamengo: o Centro de Treinamento profissional está finalmente pronto depois de três décadas; o Flamengo fechou um excelente contrato de patrocínio, talvez o maior de que se tem notícia na história do futebol brasileiro, além de três outros acordos de menor relevância; a licença para a construção da arena multiuso na Gávea enfim foi concedida; já estão em andamento as obras de um belo estádio provisório que nos permitirá jogar no Rio durante a temporada mesmo com o imbróglio do Maracanã; enfim conseguimos contratar Conca, antigo sonho de consumo rubro-negro, sem precisar pagar nenhum centavo pelo empréstimo – e nossa estrutura ainda foi um TRUNFO e não um ponto negativo na negociação, coisa impensável até dois anos atrás; temos em campo na Copinha o maior prospecto de craque do futebol brasileiro desde Neymar, e quem diz não somos nós. E devo ter esquecido de alguma coisa, tantas foram as novidades positivas desde que a bola parou de rolar, em dezembro.

    Dentro de campo, terminamos o ano com a nossa melhor pontuação desde que se disputa o Campeonato Brasileiro em pontos corridos. Perdemos apenas três dos últimos 26 jogos do campeonato. A defesa sofreu uma média inferior a um gol por partida pela primeira vez desde 1990 – tempo em que a fórmula do Campeonato Brasileiro ainda fazia enfrentar times bem inferiores ao longo do campeonato. Todos os jogadores titulares remanesceram, uma verdadeira raridade após uma boa campanha e com uma Libertadores a disputar. O técnico foi mantido. E ainda chegou um reforço do calibre de Conca, mesmo que só possa estrear em abril, maio ou junho.

    Diante desse cenário, era de se esperar que a torcida estivesse tranquila e otimista neste início de temporada. Mas um rápido passeio pelas redes sociais desmente essa opinião em poucos minutos. Movida por duas falácias – a de que haveria uma promessa de R$ 70 milhões em caixa para gastar com o futebol e que o tal “ano mágico” certa vez mencionado deveria significar uma farra do boi em termo de contratações – os mais radicais insuflam os desatentos a se revoltarem contra a diretoria “sovina” que se nega a “abrir a mão” para trazer reforços e vaticina um fracasso retumbante na temporada que está por se iniciar.

    Fazendo contas

    Já que os dirigentes do clube têm mais o que fazer do que lidar com essa revolta sem sentido, eu, que não tenho, me dedico aqui a tentar colocar os pingos nos is. Primeiro, os tais R$ 70 milhões. Vamos reconstituir. Em março do ano passado, após a publicação do balanço de 2015, o vice-presidente de Finanças Claudio Pracownik declarou o seguinte à revista “Época”:


     
     
    Naturalmente, o número foi para o título da reportagem na revista.
     

     
     
    Distorce daqui, distorce dali, criou-se na FlaTT o mito que Pracownik teria prometido R$ 70 milhões para gastar em reforços para o futebol em 2017.

    Apesar de a diretoria reiterar em todas as oportunidades que não tem dinheiro sobrando para investir em contratações, a ficha da FlaTT só caiu quando o mesmo foi repetido pelo jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN. E enquanto há duas semanas todos se divertiam para sacanear o jornalista que questionava “de onde vem o dinheiro” para pagar o Conca, parte dos mesmos agora cobra “para onde foi o dinheiro?”. Como se Pracownik tivesse mentido ou, pior, decidido guardar o dinheiro no banco, porque sim.

    Não é bem assim. Vamos à frase de Pracownik: “Ano que vem terá um fluxo de caixa ainda maior, de R$ 70 milhões”. Vamos então ao orçamento aprovado em dezembro pela Comissão de Administração do Flamengo.

    Repare que o orçamento prevê R$ 34 milhões em investimentos e R$ 40 milhões a mais em despesas gerais do que em 2016. Some as duas cifras e temos mais que os R$ 70 milhões previstos em 2016. Ou seja, Pracownik foi certeiro em sua previsão, os R$ 70 milhões estão aí.

    E por que R$ 70 milhões a mais para gastar não significam R$ 70 milhões em reforços? Essa é bem fácil de entender.

    Aí chegamos ao tal “ano mágico”- aquele que segundo alguns foi adiado mais uma vez, para 2018. Pelo contrário: o “ano mágico” foi antecipado e começou em julho do ano passado, mais precisamente no dia 19, quando o Flamengo acertou a contratação do meia Diego, antecipando gastos que não estavam previstos. Pegue os R$ 600 mil mensais gastos em Diego, multiplique por 18 – eu ajudo, dá R$ 10,8 milhões – e você começa a achar o destino dos R$ 70 milhões. Junte os cerca de R$ 5 milhões investidos no passe do zagueiro Donatti, outro gasto não previsto pós-entrevista de Pracownik, e os R$ 300 mil mensais pagos por um ano a Leandro Damião e já chegamos a quase R$ 20 milhões dos R$ 70 milhões.

    Acrescente-se aí o aumento da folha salarial previsto para abrigar a chegada de Conca, Trauco e outros reforços que devem vir apenas pelo salário, como é o caso de Rômulo, além das renovações com aumento de jogadores que se destacaram em 2016, como Alex Muralha e Willian Arão. O aumento na folha seria da ordem de 20%, ou cerca de R$ 2 milhões por mês – com 13o, são R$ 26 milhões a mais na conta, ou R$ 46 milhões dos tais R$ 70 milhões.

    Pois bem: além da folha salarial, o investimento no futebol profissional também inclui os gastos, que Pracownik não poderia prever em março do ano passado, com o estádio da Ilha, casa do Flamengo na temporada: serão R$ 7 milhões em 3 anos pelo aluguel à Portuguesa – ou cerca de R$ 2,3 milhões em 2017 – e R$ 12 milhões na reforma: R$ 14 milhões que já nos levam aos R$ 60 milhões naquela conta.

    Saindo do futebol profissional e indo para a base: atendendo a recomendação da consultora Double Pass, que cuida do planejamento de longo prazo de ninguém menos que a seleção alemã, o Flamengo elevará os gastos com a categoria de base em nada menos que R$ 5,5 milhões na temporada. Além disso, gastará R$ 16 milhões para a construção dos módulos do CT destinados aos garotos. Exclua-se da conta os R$ 4 milhões extras conseguidos com a venda da casa de São Conrado e que serão investidos no CT, restam mais R$ 17,5 milhões na conta – e eis que já passamos dos R$ 70 milhões.

    Acrescente-se aí o acordo recente com Romário, que consumiu R$ 6 milhões que poderiam ser investidos em jogadores que não vestiram a camisa do clube pela última vez no século passado, e a decisão política de não renovar o contrato com a Globo para o Campeonato Carioca – que rendeu R$ 9 milhões ano passado e poderia render ao menos R$ 15 milhões este ano – e vemos que Pracownik entregou, inclusive, mais que os R$ 70 milhões que prometeu.

    Trabalho duro sem truques de mágica

    Sobre o “ano mágico”, eu prefiro esperar. Por “ano mágico”, entende-se que o Flamengo conquistará títulos -e ainda que não contrate mais um único jogador, as sementes estão mais do que plantadas para que os frutos comecem sim a ser colhidos já nessa temporada. A ideia de que é preciso ter um esquadrão para ganhar a Taça Libertadores é errônea – basta constatar que equipes humildes como Nacional do Paraguai e Independiente del Valle foram finalistas recentemente, e que as melhores campanhas brasileiras nas duas últimas temporadas foram do São Paulo, que de resto teve um péssimo ano em 2016, e do Internacional, com a mesma base do time que acabaria rebaixado este ano.

    Como eu escrevi ontem no Twitter, o Flamengo tirou a sorte grande de ter uma diretoria não populista e que resiste aos apelos da torcida para gastar um dinheiro que não tem. Quem viveu o annus horribilis de 2012 – e eu fiz uma pequena compilação das manchetes negativas que se respondiam dia a dia contra o Flamengo a partir deste tweet abaixo, que eu só recomendo para quem tem estômago forte – jamais vai reclamar de uma diretoria que deixa de gastar o que não tem em reforços para pagar dívidas e investir em estrutura.

    Se o ano de 2017 será ou não mágico, saberemos em dezembro. Mas uma coisa é certa: a mágica não começou pelo truque do desaparecimento do dinheiro. SRN e Feliz 2017!

     
    Rodrigo Röztsch é jornalista e integra a Equipe Mundo Bola Informação. Também escreve no blog Cultura RN.
    Siga-o no Twitter: @RodrigoRoztsch
     
     
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  • Fla negocia com terreno “extremamente interessante” para estádio

    O vice-presidente de Patrimônio, Alexandre Wrobel, confirmou ao Mundo Bola que o clube encontrou um terreno “extremamente interessante” para construir seu eventual estádio próprio. Segundo o Globoesporte.com publicou ontem, o terreno tem 120 mil metros quadrados e fica na Barra – o vice de Patrimônio não quis confirmar a exata localização. Segundo Wrobel, a atual fase de negociações é para verificar viabilidade e valores da aquisição do terreno pelo Flamengo, que poderia incluir uma eventual inclusão do prédio no Morro da Viúva como moeda de troca – motivo pelo qual a planejada licitação para encontrar uma nova empresa para transformar o local num hotel após a desistência da REX, do grupo EBX, foi temporariamente suspensa.

    Wrobel, porém, afirmou que o clube não bateu o martelo sobre a decisão de ter um estádio próprio, mas que apenas busca alternativas diante da indefinição sobre o futuro do Maracanã.

    – A gente vem estudando essa questão do estádio já tem um bom tempo, estudando alternativas ao Maracanã. Como a situação do Maracanã está nebulosa e indefinida, a gente vem trabalhando em outros planos, e dentro deste contexto surgiram algumas possibilidades envolvendo também o prédio do Morro da Viúva. Alguns terrenos foram oferecidos, alguns não nos interessaram até que no final do ano passado surgiu um terreno que pela localização, pela metragem é extremamente interessante. E a gente vem conversando, se reunindo, para verificar viabilidade, valores, essas coisas todas. Essa por enquanto é a fase dessa negociação. Não tem nada além disso nesse momento ainda. A gente está até segurando um pouquinho a licitação do Morro da Viúva em função dessa questão, que envolve também o Maracanã. Eu acho que a gente está caminhando efetivamente para resolver a questão do nosso estádio de forma definitiva: seja Maracanã, seja a construção de um estádio próprio. Basicamente nesse momento se limita a isso – afirmou o vice-presidente.

    O governador Luiz Fernando Pezão prometeu para este mês uma solução sobre a transferência da concessão do Maracanã, que se encontra em estado de abandono. O Flamengo já reiterou que não jogará no estádio caso o governo dê aval à transferência da concessão para a Lagardère/BWA, mas tem acordo para fechar um contrato de longo prazo caso a concessão passe pelo consórcio liderado pela CSM.

     
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  • Política e Flamengo

    É sabido que o Flamengo, embora seja o clube mais popular do país, consequentemente do Rio de Janeiro, tem uma característica peculiar. Seus torcedores, caso façam parte de qualquer autarquia governamental, simplesmente cagam e andam pro clube de coração. Não que isto seja nocivo. Até diria que é positivo considerando um caráter republicano. Nenhum clube deve ser favorecido ou prejudicado pelo fato de afetar o emocional do poderoso de plantão.

    Mas o Flamengo é o único que é solenemente prejudicado por todos governantes do Estado do Rio de Janeiro. Apenas no apagar das luzes, o vascaíno Eduardo Paes nos concedeu a licença da Areninha, o vascaíno Sergio Cabral, o nefasto ex-governador, que se encontra hoje no lugar que lhe é devido, nos afastou da licitação do Maracanã e colocou seu adjunto Pezão no poder. Um botafoguense que, mesmo com baixíssima popularidade, rasga o manual de sobrevivência política e parece que está a um passo de entregar o Maracanã a terceiros interessados na exploração da torcida do Flamengo. Como explicaria o silêncio que antecede a tempestade?

    O Flamengo, mais uma vez, será vítima de um ambiente político nocivo. Contra a FERJ, que com a chegada do Eurico ao poder do Vasco, se tornou incrivelmente ofensiva ao Flamengo, a ponto de entrar na briga pelo Maracanã, aliada a uma empresa, digamos, do mesmo “naipe”, a BWA. Uma Federação que não apresenta balanços e não faz o mínimo obrigatório a sua função, organizar campeonatos decentes e competitivos.

    E o Flamengo reage. Fez acordo com a Portuguesa da Ilha, e alugará seu estádio. Conselho Deliberativo e Administrativo aprovaram o contrato e o valor de empréstimo que o Flamengo deve captar para atender a este investimento. Um estádio p/cerca de 20.000 pessoas. Um caldeirãozinho que a julgar pelas imagens, colocará a torcida perto de campo.

    Sem o Maracanã iremos jogar mais ali. Mas, digamos que o Pezão, em um rasgo de maturidade e consciência política, decida pelo Flamengo, indo de contra seus aliados mas a favor de boa parte da população de seu Estado. Como o Flamengo lidaria com dois estádios? É uma hipótese remota, mas ainda plausível de aconteceu ao menos até sair a notícia de quem irá ficar com o Maracanã. Uma empresa alienígena francesa junto com um parceiro comercial detestado por todos, ou o Flamengo ? Se você fosse um governador com baixa popularidade, péssimo administrador para piorar, o que você faria para sua sobrevivência política? Prejudicaria o clube de maior popularidade?

    Bem, certos casos é só uma questão de inteligência e consciência. Que legado quer passar à história, governador?

    Flávio H. de Souza é colunista do blog Pedrada Rubro Negra aqui no Mundo Bola e do incrível Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @PedradaRN
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  • Fla tenta transferir Cirino – e dívida – para o Inter

    O Internacional já admitiu que deseja ter o atacante Marcelo Cirino para a disputa da Série B. O empresário do jogador, Pablo Miranda, já afirmou que fará “de tudo” para que seu cliente vá jogar no clube gáucho. O Flamengo busca uma solução para não ter que pagar a dívida do acordo com a Doyen para a chegada do jogador, em 2015, pelo qual o clube tem que ressarcir a empresa pelos 3,5 milhões de euros pagos em 2015, com juros de 10% anuais, ao fim deste ano caso não consiga vender o jogador por valor superior. No fim de 2017, essa cifra chegaria a 4,7 milhões de euros – quase R$ 16 milhões pela cotação de hoje.

    Com essa confluência de interesses, Flamengo, Internacional, Doyen e Atlético-PR – que ainda possui 50% dos direitos de Cirino – negociam uma saída que atenda todas as partes. A ideia do Flamengo, segundo o UOL, é transferir a dívida com a Doyen, ou ao menos parte dela, para o Inter, em troca da cessão do jogador. O Inter também passaria a ter o direito aos 20% de uma venda superior aos 3,5 milhões de euros que hoje é do Flamengo.

    Como o negócio é complicado, a negociação se tornou independente de outra que envolve Flamengo e Inter – a extensão do empréstimo ou compra dos direitos econômicos do zagueiro Réver, destaque do Flamengo no último Brasileiro, cujo contrato atual com o rubro-negro termina no meio do ano – originalmente pensado para ir até o fim da Libertadores, já que foi fechado antes da mudança de formato que estendeu a competição para uma temporada. Réver quer ficar e o Flamengo deseja manter o jogador, mas alguns novos dirigentes do Inter já afirmaram que cogitam contar com o zagueiro. Como o contrato só vence no meio do ano, pode ser que o caso Réver só tenha uma definição posterior à questão Cirino.

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  • Libertadores 2017: entrevista com Joza Novalis

    O blog entrevistou o jornalista Joza Novalis, um dos mais entendidos do futebol sul-americano.

    O assunto? Claro: Taça Libertadores da América.

    Confira:


     
     
    O Flamengo tem tido vexames na Libertadores. Nas duas últimas edições foi eliminado na fase de grupo. Pelo elenco que tem, pelos nomes que ainda vão chegar, acredita que finalmente o clube entre pra ganhar?

    Veja, um dos problemas de nossos dirigentes e comissões técnicas, e que afeta também a jornalistas e por extensão também aos torcedores, é o pouco conhecimento do rival. Mais que isso, a falta de dimensionamento sobre ele. Nisto, somos imberbes perto dos sul-americanos em geral. Eles olham para nós preocupados, nos estudam e nos dimensionam no real tamanho e capacidade que possuímos. Em seguida, canalizam esses esforços para as partidas contra nós. Então, afirmo de cara, o Flamengo pode não apenas passar de fase, mas avançar muito no torneio e chegar às suas fases decisivas. Porém, tudo isso em tese; para tanto, terá de fazer suas lições. E creiam-me, elas não são poucas. A primeira delas é entender que as coisas não dependem só do Flamengo, mas também dos rivais: eles existem e, no caso, são muito bons. Prova, portanto, de como as coisas são difíceis está no fato de que se o Rubro-Negro fizer tudo corretamente ainda terá de passar por rivais duríssimos e que também podem fazer não apenas as coisas certas, mas ainda em nível mais profundo do que o gigante carioca.

    A diretoria do Flamengo nunca tratou a Libertadores como deveria, sempre considerou uma competição igual ao Estadual. Qual o segredo pra disputar e ser vitorioso nessa competição?

    Esta observação ganha relevo, se olharmos para a campanha na Sul-Americana de 2016. A oportunidade era ímpar para o início de um processo de internacionalização. E para um clube como o Flamengo isto importa muito à medida que atrai muitos recursos, à medida que a equipe chega às instâncias finais. Atrai patrocínios e recursos que veem sobretudo da reconexão de muitos torcedores com a alma vencedora do Rubro-Negro. Aliás, dirigentes, não só do Flamengo, abordam muito o assunto, mas parecem ter dificuldades para entende-lo em sua profundidade. Vejo a participação na Sul-Americana como um fiasco que só não foi maior do que as ideias e posturas que o materializaram. O confronto contra o Figueirense escancarou erros que pediam atenção. Eles foram ignorados. Efeito disso foi a eliminação vexatória para o humilde Palestino. Na ocasião, torcedores me pediram, no twitter, que fizesse observações sobre o time chileno. Poucos levaram a sério quando eu disse que embora favorito, o Fla deveria ter uma atenção especial para o rival. Concordaram com o favoritismo, mas fizeram chacota sobre a necessidade da atenção ao desconhecido rival. Ora, o comportamento desses torcedores vinha de fatores culturais (somos sempre os melhores do mundo no futebol), mas também da leitura do que se passava na cabeça da comissão técnica. Então, após a contestável vitória no Chile, enquanto o técnico Nícolas Córdoba passou para seu elenco mais de 70 horas de vídeos sobre o Flamengo, além de estudos completos sobre cada um de seus jogadores, por aqui quase nenhuma pessoa considerou que o representante brasileiro já não estava nas quartas de final. Então, a postura correta, nessas competições, pode ser uma arma mais eficiente do que os grandes elencos. Dirigentes de clubes brasileiros pensam no elenco. A direção do Flamengo se comportou assim, da mesma forma que sua comissão técnica. Portanto, este é o primeiro erro que não deve ser cometido, quanto à pretensão de ser vitorioso na competição. A Católica deve selecionar dois observadores para acompanhar o seu rival brasileiro na Taça Guanabara; um deles é uruguaio e muito profissional. Claro que podemos pensar que o Fla poderá esconder o jogo, no Regional, atuando com reservas, time mesclado e tal. Mas esses observadores, antes de virem para ver jogadores, virão para entender a filosofia de jogo do treinador da equipe, além de fatores como ação e reação numa partida, comportamento da equipe frente ao apoio ou crítica da torcida durante um jogo e assim por diante. O Flamengo não precisa copiar o método da Católica, que, aliás, não será adotado nem pelo San Lorenzo. Porém, precisa fazer algo em torno de olhar para o rival, entender suas grandezas e limitações e saber armar-se corretamente para derrota-lo. Ou seja, para vencer na competição, o extracampo é tão fundamental quanto a um elenco de grande qualidade.

    Sobre Donatti, Cuellar e Mancuello. Eram titulares absolutos em seus antigos times, porém agora enfrentam dificuldades de se encontrarem no Flamengo. São jogadores com cara de Libertadores? Qual explicação e o que acha deles?

    Donatti talvez o grande jogador do Rosário Central, na Libertadores passada. Muitos falavam que Pinola era um zagueiro melhor. Mas “el Pelado” Pinola vinha mal na carreira e só voltou a ganhar nível ao lado de Donatti. Sua capacidade de orientação e de posicionamento e reposicionamento de seus colegas de defesa é rara. Por isso, foi o grande zagueiro do campeonato argentino anterior e um dos melhores da equipe, na Libertadores. Sua capacidade de orientar é fruto também da confiança que seus colegas depositam nele. E tal confiança só existe porque Donatti compra em campo a briga por qualquer jogador. Exemplo: na estreia contra o Nacional, no Gigante de Arroyto, quase todos saíram com a impressão de que Donatti falhara em lances capitais. Contudo, na ocasião, um garoto muito bom, e que não vinha da base do clube, estreava na equipe e não podia falhar diante de 41 mil torcedores. Se alguém puder ver um tape daquele jogo, verá que todas as supostas falhas de Donatti, na prática não foram dele, mas de Gastón Gil Romero. Donatti encobriu todas essas falhas posicionando-se nos lugares certos para que, aos olhos dos outros, ele fosse o vilão. E foi o que aconteceu. Esta é uma grande qualidade deste jogador. Alguns o acusam de lento, mas ele sabe se posicionar e posicionar os seus companheiros nos espaços certos do campo. E algo que poucos se recordam é que o Central atuava lá no campo de ataque, deixando sua defesa exposta. Portanto, ele tem sim a cara de Libertadores. Mancuello, Idem. Cuéllar também possui tal característica, mas bem atrás de seus dois companheiros de equipe. Dos três, Cuéllar é o melhor pelo caráter de sua polivalência. Ou seja, se posicionado em outros setores do campo, não tende a diminuir o tamanho de seu futebol. Claro, muitos irão discordar. Porém, a análise sobre o jogador precisa considerar suas passagens anteriores, pelo Cali e Junior de Barranquilla. Quanto à adaptação isto é bem complicado. Mas asseguro que passa também pela confiança que o jogador sente depositada nele pela comissão técnica. Recém-chegado ao clube e ainda desacreditado, Rafael Vaz teve uma falha grotesca, contra o Fluminense. Zé Ricardo foi mestre em não abandonar o jogador no banco de reservas. E o resultado sabemos qual foi, o zagueiro se tornou um dos melhores da equipe. Já Donatti teve uma infelicidade contra o Figueirense. Porém, o tratamento que recebeu não foi o mesmo. Cuéllar iniciou bem sua participação na equipe ainda dirigida por Muricy. Lembremos: poucas coisas funcionavam naquela equipe. Com Zé Ricardo a equipe pratica um tipo de jogo em que muitas vezes meio-campo e laterais atacam ao mesmo tempo. Defesa fica exposta num corredor aberto pelo centro ou pelos flancos. Então, Marcio Araújo é colocado à frente da defesa. Na prática ele atua como um zagueiro à frente da linha defensiva. Corta bola aqui, corta bola lá, mas apresenta dificuldades extremas de dar um passe de cinco metros. Tudo bem, é a escolha do técnico e eu o respeito pelo seu trabalho no comando da equipe. Porém, se colocasse um zagueiro de verdade na posição não seria melhor? Vem menos ao caso; importa mais é que o técnico e parte da torcida esperam de Cuéllar a mesma coisa. E como ele não faz desse jeito, não serve. Pior que isso é o fato de que Cuéllar não faz da mesma forma que Marcio Araújo porque “não é um primeiro volante”. E o que começa como uma percepção ingênua vira uma verdade. Ora, Cuéllar era um excepcional primeiro volante no Junior de Barraquilla. Por vezes, era segundo também. Sabia marcar, oferecia armação qualificada antes e dentro do grande círculo e muitas vezes chegava à frente para concluir. O fato é que é moderno demais para a posição e Zé Ricardo não quer nada disso. Resultado, também Cuéllar foi para o banco. Portanto, é também por isso que Donatti e Cuéllar encontram dificuldades no clube e estão longe de conseguir uma adaptação satisfatória. Embora eu creia que Mancuello possa entrar mais na equipe, o caso dele é diverso: tem forte concorrência e teve, dentre os três, maiores oportunidades.

    Qual sua opinião sobre o trabalho do Zé Ricardo e sua pouca experiência pra disputar logo de cara uma Libertadores. Gosta dele?

    Experiência em si pode ajudar, mas não é decisivo. Zé Ricardo representou a melhor decisão possível em termos de substituir Muricy. A direção não concordaria, mas Zé Ricardo mostrou também o quanto Muricy fora uma péssima escolha. Indiscutível que Zé Ricardo encontrou um padrão para a equipe e a fez jogar. Mas a meu ver, o esquema se modificava pouco e se revelou passível de ser encaixado pelas equipes rivais, ao fim da temporada. Um dos aspectos do esquema, previa que o extremo desse combate no lateral ainda no último terço do campo. Desta forma, tanto Jorge quanto Pará/Rodnei deveriam se deparar com o atacante no máximo no um a um, bloqueando a profundidade do jogo rival e obrigando-o a explorar o povoado centro à frente da grande área. Quando a bola então caia neste setor, quem era o primeiro homem a dar o combate? Marcio Araújo. Se o esquema funcionasse bem, este jogador poderia ser Cuéllar, por exemplo. A vantagem, no caso, é que quando o colombiano pegasse a bola, a boa armação da equipe começaria dali, e com qualidade. Porém, o que começou com uma entrega total foi se perdendo com o passar dos jogos. Os extremos apresentavam dificuldades para dar o bote, o que obrigava o lateral a atuar quase como um volante, combatendo ou tentando combater o atacante, que fugia fácil da marcação de extremos como Cirino. Então, mesmo que Jorge se consagrasse, mostrando até um potencial para atuar como volante, o seu cacoete para tal não era dos melhores. Mas se no caso dele as coisas não se complicavam tanto o mesmo não ocorria pelo setor direito da defesa. O fato é que nos dois casos a bola muitas vezes passava solta para o campo de defesa do Flamengo. Quando isto acontecia, a defesa exposta ganhava o reforço de um esforçado zagueiro de corte e que atuava à frente de Réver e Vaz: Marcio Araújo. Ele corria de um lado a outro e muitas vezes fazia o corte. Os olhares que aprovaram a temporada do volante não se deram conta de que talvez um outro alguém com ótima preparação física poderia fazer o mesmo. Se o esquema funcionasse corretamente, Marcio Araújo era desnecessário, e se ele era uma peça necessária num esquema que estava doente, o correto era aplicar a tal esquema uma cura. Nesta hora, o treinador precisa aparecer. E Zé Ricardo não apareceu. E por não aparecer, mostrou limitações que precisam ser consideradas.

    Zé Ricardo tem alguns traços dos grandes treinadores. Tem personalidade, pulso firme e banca seu trabalho mesmo diante de possíveis pressões. Digo possíveis pois sei que da direção do clube não parte outra coisa que não seja apoio. Ele tem o comando da equipe e não permite que nenhuma voz descontente ganhe relevo. No entanto, um grande técnico há de ser também um grande gestor de elenco. Não basta tirar um jogador do time e colocá-lo no banco de reservas. Ao fazer isso, o técnico precisa cuidar para que o jogador não vá para o banco inseguro e infeliz. Se isto acontecer, esse jogador poderá se perder completamente. A partir do banco ele dificilmente vai reconstruir sua segurança e autoestima. Quando tiver uma oportunidade, dificilmente atuará bem, pois será presa fácil da pressão das circunstâncias, da necessidade de provar algo para o técnico ou torcida não em quatro ou cinco jogos, mas em 90 minutos etc. Nenhum jogador é santo ou não mereça uma parcela pela queda de seu rendimento, mas também cabe ao técnico uma parcela considerável de tal responsabilidade. E isto fica ainda pior para o técnico, se tal ou tais jogadores apresentavam históricos positivos em seus clubes anteriores, casos principalmente de Cuéllar e Alejandro Donatti. Contudo, acredito que Zé Ricardo possa comandar o Flamengo na Libertadores, desde que faça as necessárias adequações ou readequações na equipe, quando necessário e quando ele, por sua inteligência, perceber o quanto elas serão vitais para que o Rubro-Negro não caia no encaixe da marcação de seus rivais.


    O campeonato argentino está em andamento, o San Lorenzo vai estrear na Libertadores já com ritmo de campeonato, mas o cansaço de final de temporada para eles pode pesar. Acha positivo ou negativo?

    A questão passa muito pelo caráter do trabalho físico no Ciclón. Poucos sabem, mas o San Lorenzo tem um elenco vastíssimo. Alguns jogadores atuavam pouco. Nesses dias, a mídia tem noticiado as saídas de nomes importantes, como Mas, Blanco, Cauteruccio e outros. Creio que será positivo, pois bons jogadores que já estavam no clube serão forno para o amadurecimento de jovens da base que pedem passagem.

    Com a Libertadores durante o ano inteiro, vai criar paralelo com o Brasileiro. Na sua opinião, por acontecer de forma inédita, como os clubes brasileiros deverão trabalhar para disputar fortemente as duas competições?

    Sem desespero, com calma, planejamento adequado e, mais que nunca, com a ideia de que bons jogadores são importantes dentro de campo, mas também como forno para os jovens da base. Os elencos precisam se ampliar. Mas grande número de contratações onera os cofres dos clubes.

    Assim que o grupo da Libertadores foi divulgado, muitos argentinos temeram o Flamengo, por ter entrado no grupo do San Lorenzo. Mesmo após anos de fracasso na Libertadores o Rubro Negro segue respeitado por sua força. Mas como traduzir isso dentro de campo? O adversário trata mesmo o confronto contra o Flamengo como uma verdadeira final?

    Sem dúvida. O tempo inteiro aqui estou falando a partir da perspectiva do Flamengo, daí que só falo das outras equipes. Na perspectiva deles, porém, o Rubro-Negro de fato é assustador. Mas na sua pergunta já há uma resposta. Eles tratam seus jogos contra o Flamengo como uma final, basta ao Rubro-Negro fazer o mesmo. Mas não da boca para fora. Se vão estudar o Flamengo de forma profunda, a esquadra carioca há de fazer o mesmo. No caso do San Lorenzo e Católica há uma conexão significativa das equipes com suas massas torcedoras. Principalmente no caso argentino, os torcedores apoiarão sua equipe mesmo se ela estiver perdendo de goleada. No dia em que um clube brasileiro fizer o mesmo, ou seja criar tal conexão, mesmo em situações adversas, será ainda mais temido dentro de campo pelos rivais da América do Sul.
     
     
    André Amaral comanda há anos o Ninho da Nação, um dos blogs rubro-negros mais importantes da internet e publica alguns posts neste espaço em parceria com o Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @Ninhodanacao

     
     
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  • O que vale a torcida para o patrocinador?

    Já soltei um texto falando sobre como a empresa pode aproveitar o patrocínio a times de futebol indo além do nome na camisa. Mas a reação da torcida também é importante para o patrocinador.

    Quando vou falar desse assunto, uso sempre uma pesquisa que aponta a torcida do Flamengo como a mais fiel aos patrocinadores do clube. 32% dos rubro negros entrevistados disseram valorizar as marcas que patrocinam o Flamengo. Em segundo ficou o Corinthians (11%), logo depois Vasco (8%), São Paulo (7%) e Palmeiras (5%).Sem dúvida isso deve pesar bastante quando uma empresa escolhe um time para patrocinar.

    Se alguém não quiser acreditar em pesquisa, não tem problema. Em 2016, o iFood assinou com o Flamengo por 12 rodadas. E depois acabou renovando o patrocínio. Fizeram um “test drive” e o resultado deve ter sido tão positivo que quiseram continuar. Isso analisando os próprios números deles de retorno do investimento. Não é pesquisa nem achismo, são análises em cima de resultados.

    Uma outra demonstração bem clara de apoio a patrocinadores foi o que aconteceu com a Carabao. Noticiaram que o Flamengo ia fechar contrato de patrocínio com eles e, imediatamente, a FlaTT começou a seguir o perfil deles (do Reino Unido, que era o que tinha) no Twitter. Nem teve a votação no conselho pra oficializar. E a torcida já foi com tudo pra cima. Quando eu olhei, o perfil tinha pouco mais de 6 mil seguidores (me disseram que tinha menos de 4 mil quando foi anunciado o patrocínio). Horas depois já tinha passado dos 10 mil.

    Eu fiz um comentário voltado pra FlaTT comentando isso. Mas não expliquei muito bem. Só quem tava no assunto entendia.

    Acabou chegando na PalmeirasTT e recebi centenas de mensagens “simpáticas”. Mas até aí era esperado. O que me surpreendeu foi ter recebido várias mensagens como essas:

    Os caras não entendem que até um crescimento expressivo de seguidores, em rede social, é um indicador de bom resultado de um patrocínio. São milhares de pessoas que estão voluntariamente querendo receber novas informações da empresa. Quem vive de mecenato não entende que o engajamento é importante.

    Mas também tive uma surpresa bem positiva. A FlaTT, que adora uma confusão, entrou no meio das replys e mostrou que boa parte tem noção da importância de mostrar apoio ao novo patrocinador. Foi tanta gente seguindo a Carabao UK, que eles fizeram um perfil brasileiro às pressas. Que ganhou milhares de seguidores em poucas horas.

    O engajamento da torcida do Flamengo, nas redes sociais, é tão grande que já teve até patrocínio de escalação no Twitter, Facebook e Instagram. E a Orthopride, que patrocina a base, também expôs a marca na escalação do time da Copinha.

    Muitos Palmeirenses também citaram que título é a melhor exposição. O que não é bem verdade. Não adianta ter exposição e não dar resultados.

    Além disso, exposição por um título pode não ser tão grande quanto do time mais popular do país, que teve uma exposição de R$ 1,6bi em 2015. Claro que um título ajuda na exposição da marca dos patrocinadores, mas não é a solução para tudo. Até o cheirinho de hepta rendeu mídia espontânea pro Flamengo.

    Além disso, o público que consome o Flamengo é muito bem dividido entre os sexos e classes sociais.

    Não é todo time que consegue expor marca, de quem nem foi aprovado pelo conselho, em época sem jogo, na capa de jornal.

    Até a Leila Pereira, da Crefisa, sabe que o Flamengo dá mais exposição.

    Além de ter uma torcida que valoriza os patrocinadores, o Flamengo é o único clube realmente nacional. Com torcida grande em todos os estados. Nada melhor para uma marca que planeja entrar forte no mercado brasileiro que o time com maior alcance no país.

    Quando perguntarem de onde vem o dinheiro, lembrem que vem da Tailândia. E de vários outros patrocinadores. Daqui a pouco o Flamengo vai precisar jogar de manga longa para caber mais patrocínio.

    Sem mecenas.

    Pela força da torcida nacional e do clube. Junto de um time forte e competitivo, com ídolos, que está na Libertadores.
     
     
    Luiz Filipe Carneiro Machado é publicitário e titular do blog CRF & ETC.
    Twitter: @luizfilipecm

     
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  • Flamengo sofre até o último minuto, mas vence e se classifica na Copinha

    Com uma atuação pouquíssimo inspirada, o Flamengo só garantiu a vitória aos 47 minutos do segundo tempo contra o São Bento de Sorocaba. Os 2×1 foram o suficiente para garantir a liderança do grupo 23 e a classificação antecipada para a segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na última rodada, os Garotos do Ninho jogam pelo empate contra os donos da casa, o São Caetano, para garantir o primeiro lugar do grupo – o São Caetano venceu o Central-PE hoje por 3×1 e também garantiu a classificação.

    Grande destaque da primeira rodada, o atacante Vinícius Júnior desta vez não fez gol, mas voltou a ser decisivo. Ele fez uma grande jogada pela ponta esquerda e rolou para Hugo Moura marcar o gol da vitória. O lateral-direito Cléber havia aberto o placar, também no último lance do primeiro tempo, e Luiz Gabriel empatou aos 35 do segundo tempo.

    – Não joga só onze, joga o grupo – disse o autor do gol da vitória, que saiu do banco. -Nosso time é muito técnico, gramado é um pouco alto, choveu ainda, mas graças a Deus conseguimos a vitória.

    O técnico Gilmar Popoca falou antes do jogo sobre a opção de manter Vinícius Júnior no banco.

    – A gente procura ser bem sincero com eles. Eu já vivi uma situação bem parecida, ele chegou há pouco tempo, ainda está se ambientando no grupo. A chance dele está chegando. A gente pensa que hoje é melhor ele entrar depois porque ele pode contribuir muito mais com a gente. A gente tem que ter cautela com ele, porque é muito talento e a gente não pode desperdiçar.

    Outro destaque do último jogo, o meia Patrick teve uma tarde para esquecer. Ele perdeu um pênalti no primeiro tempo, que o goleiro Matheus defendeu, e ainda chutou o rebote para fora após driblar o goleiro.

    Depois do pênalti, o Flamengo acordou. Aos 37, a outra boa chance do Flamengo na primeira etapa: Lincoln ganhou a disputa com os zagueiros, a bola sobrou para Patrick e chegou para Jean Lucas, que, livre, concluiu mal, por cima do gol. No ataque seguinte, Lucas Silva deu um bom drible, invadiu a área e chutou em cima do goleiro.

    No último lance da primeira etapa, jogada de lateral para lateral. Michael cruzou, e Cléber, sozinho cabeceou para abrir o placar. Os dois foram campeões da última Copinha como reservas de Thiago Ennes e Arthur Bonaldo.

    – Eu vi o goleiro saindo e cabeceei no contrapé dele – explicou o lateral-direito.

    Na volta do intervalo, o lateral Wesley, companheiro de Lincoln e Vinícius Júnior na seleção sub-17, entrou no lugar de Michael e ganhou a primeira oportunidade no sub-20. Vinícius Júnior também entrou, no lugar de Gabriel Silva. Sob forte chuva, o São Bento tentou partir para cima, e o Flamengo começou a explorar os contra-ataques na habilidade e velocidade de Vinícius Júnior. A melhor chance do Flamengo foi um chute de fora da área no qual Vinícius tentou encobrir o goleiro, aos 34, mas a bola passou por cima do travessão.

    No lance seguinte, na primeira chance real de gol do São Bento, Gabriel Batista deu rebote no chute de Jackson. Alison rolou para Luís Gabriel empatar. O time paulista ainda teve a chance da virada, mas Gabriel Batista fez boa defesa em chute de Betinho aos 42. Aos 47, Hugo Moura definiu a vitória rubro-negra.

     

    Ficha técnica

    Copa São Paulo de Futebol – 1ª fase

    Flamengo 5×0 Central-PE

    Data: 06 de janeiro de 2016

    Local: Estádio Municipal Anacleto Campanella- São Caetano do Sul- SP

    Horário: 18h45 (Brasília)

    Arbitragem: Willer Fulgêncio Santos, auxiliado por Alberto Poletto Masseira e José Lucas Cândido de Souza

    Cartão amarelo: Lincoln, Patrick (FLA); Felipe, Silvio (CEN)

    Flamengo: Gabriel Batista; Kleber, Dener, Rafael, Michael (Wesley); Theo, Jean Lucas (Hugo Moura), Patrick (João Pedro), Lucas Silva; Lincoln (Jardeu) e Gabriel Silva (Vinícius Júnior)

    São Bento: Matheus; Vinicius, Rafael, Pedro, Vinícius Pavani; João Paulo, Victor, Dodô (Betinho) e Isaque (Alisson); Jackson e Matheus Ferreira (Luiz Gabriel)

     
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  • Flamengo nega ter feito proposta por Elias

    O vice-presidente de Futebol, Flávio Godinho, negou que o clube tenha feito uma proposta pelo volante Elias. O jornal português “O Jogo” publicou que o Sporting estaria perto de vender o jogador, campeão da Copa do Brasil de 2013 pelo Flamengo, ao rubro-negro por 3 milhões de euros. Desde que Elias deixou o Flamengo, no início de 2014, o clube fez algumas tentativas de recontratá-lo, mas Godinho diz que não foi o caso desta vez.

    – Não fizemos proposta. Soubemos que querem negociá-lo para a China – disse Godinho ao Mundo Bola.

    O reforço do Flamengo para a posição deve mesmo ser Romulo, do Spartak Moscou. Godinho admitiu que o Flamengo está acertado com o jogador e aguarda a liberação do clube russo.

  • Pracownik: “Ato Trabalhista ainda é conveniente para o Flamengo”

    O Flamengo reduziu as ações trabalhistas que ainda enfrenta em quase 90% na gestão Eduardo Bandeira de Mello, segundo balanço recente do Departamento Jurídico – se em 2013 eram 500 processos, agora são cerca de 50. O vice-presidente Flávio Willeman disse em carta aos associados que esse cenário poderia levar o clube a rediscutir com a Justiça do Trabalho as condições do Ato Trabalhista, que penhora automaticamente 15% das receitas do clube para um fundo para o pagamento de pendências com ex-funcionários. Em conversa com o Mundo Bola, porém, o vice-presidente de Finanças, Claudio Pracownik, avaliou que ainda é conveniente para o Flamengo permanecer no Ato Trabalhista, ao menos em 2017.

    – O Ato Trabalhista foi um dos elementos mais importantes na reestruturação de dívidas do Flamengo, porque nos permitia equacionar as nossas dívidas, colocar elas numa fila para o cumprimento dos seus pagamentos. E o passivo trabalhista realmente era muito grande. O passivo trabalhista realmente diminuiu muito. Mas esse é o passivo conhecido. Existem ainda ações na Justiça que podem nos trazer um passivo grande, e esse passivo pode vir a prejudicar nosso fluxo de caixa. Um exemplo disso é a ação do Dorival Júnior, por exemplo. É muito mais fácil para mim ter um equacionamento do pagamento dessa dívida do que efetivamente ter que pagá-la à vista. No nosso ver ainda existem riscos conhecidos, ações que já foram interpostas, e alguns riscos desconhecidos. Por algum tempo o Ato Trabalhista ainda está fazendo sentido para o clube.

    O técnico Dorival Júnior, atualmente no Santos, ganhou em novembro na primeira instância um processo no qual pode receber até R$ 14 milhões por salários atrasados e outras dívidas do período em que foi técnico no clube. Contratado na gestão Patricia Amorim, ele foi demitido pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello em 2013 justamente porque o clube não poderia arcar com o aumento do salário dele num gatilho que já estava previsto no contrato. O Flamengo vai recorrer da decisão no TST, mas caso seja condenado, poderia sofrer penhoras não programadas de rendas caso deixasse o Ato Trabalhista.

    – Sair do ato significa voltar a um passado antigo, que nos colocaria sobre o risco de penhoras (não programadas). O Flamengo não quer trazer esse risco. Isso quebra a confiança, isso traz pouca credibilidade, faz mal à imagem do clube. Então entendemos que ainda é conveniente a manutenção do Ato Trabalhista por mais algum tempo. Imagino que talvez só por mais um ano. Ano que vem a gente pode voltar a rever essa questão. Principalmente quando esse assunto do Dorival já estiver resolvido – afirmou Pracownik.

    Leia também a explicação que Pracownik deu ao Mundo Bola sobre a autorização para novos empréstimos de R$ 27 milhões.

     

    O que você pensa sobre isso?


     

  • “Mais leve”, Fla encara o São Bento em busca de segunda vitória na Copinha

    Nesta sexta-feira, o time sub-20 do Flamengo entra em campo pela segunda rodada da Copinha para enfrentar o São Bento e tentar embalar a segunda vitória seguida na competição. Na última partida, o time pecou na finalização na etapa inicial, mas após primeiro gol (já no segundo tempo) o time se livrou do peso e tensão da estreia e balançou as redes do adversário mais quatro vezes.

    Destaque na goleada sobre o Central-PE, Vinícius Jr, de apenas 16 anos, que em pouco mais de 20 minutos marcou dois gols, além de ter um terceiro mal anulado, pode ganhar a chance de começar como titular contra o São Bento de Sorocaba, que foi derrotado na estreia pelo São Caetano por 4×2. Hugo Moura é outro que pode começar jogando, já que era o titular antes de sofrer uma lesão e ver Théo fazendo a sua função. Ele entrou no segundo tempo contra o Central.

    Adversário

    O time do São Bento, apesar de tradicional, não tem uma base com grande desempenho. No último campeonato paulista da categoria, o time ficou na 5ª colocação do Grupo 02, no qual os quatro primeiros se classificavam. Apesar de parecer ter faltado pouco para o avanço, a equipe sorocabana ficou com 11 pontos a menos que o Primavera, primeiro clube acima deles.

    Ficha técnica

    Copa São Paulo de Futebol – 1ª fase

    São Bento x Flamengo

    Data: 06 de janeiro de 2016

    Local: Estádio Municipal Anacleto Campanella- São Caetano do Sul – SP

    Horário: 18h45 (de Brasília)

    Arbitragem: Willer Fulgêncio Santos, auxiliado por Alberto Poletto Masseira e José Lucas Cândido de Souza.

    Transmissão

     SporTV transmite o segundo jogo do Mengão na Copinha para todo o Brasil.

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