Autor: diogo.almeida1979

  • O trem pagador que sustenta a federação do Rio de Janeiro

    Não é de hoje que o Flamengo tem importantes lutas no futebol brasileiro.

    Você sabia que em 1977 o Flamengo foi o clube responsável por conquistar o direito ao dinheiro da transmissão de TV, que ia integralmente para a CBD, antiga CBF? Pois os clubes NADA recebiam da TV até o Flamengo conquistar esse direito fundamental para o desenvolvimento do futebol brasileiro. Confira aqui: /marcio-braga-tv

    E clube foi pioneiro, assim como é hoje contra a FERJ, quando o clube lutou – e venceu – batalha jurídica para conquistar seu direito legítimo de negociar suas placas de publicidade no Campeonato Estadual do Rio.

    Mesmo sendo direito adquirido via Lei Pelé, Federação insistia em manter para si os lucros advindos das placas de campo alegando ser decisão do arbitral (onde Flamengo é minoria e lá na frente deste artigo veremos o porquê).

    Após mais esta vitória, conhecemos através da matéria do Mundo Bola sobre o assunto um pouco dos valores que giram em torno dessa publicidade e que não iam para os cofres do clube.

    Conforme a reportagem explicita inclusive com e-mails de possíveis empresas interessadas, vemos que o Flamengo estima que pode levantar com suas placas de publicidade um valor que gira entre 1,5* e 9 milhões de reais por ano, valor idêntico ao que o clube arrecada com alguns espaços de seu uniforme como barra das costas da camisa e números.
    *Valor que o clube conseguiu nas primeiras negociações em 2017 em cima de suas próprias placas

    Hoje, a FERJ fica com o valor integralmente sem nada repassar aos clubes. Mas na reportagem, vimos que sem o Flamengo sendo transmitido no Estadual, as empresas simplesmente não se interessaram pelo campeonato, tendo a Sportplus (empresa que negocia as placas) fechado apenas com Guanabara, Germed e Brahma até a assinatura de contrato do Flamengo com a Rede Globo em contrato que não envolve mais a Federação, em ação que atende a uma das demandas do clube.

    A Sportplus chegou até mesmo a repassar ano passado 50% de seu contrato à Klefer, de Kleber Leite, pois temia que o clube não assinasse e preferiu dividir um possível prejuízo que acabou não acontecendo, uma vez que o Flamengo assinou com a Globo após conquistar o direito de receber direto da emissora, ficando a salvo das apropriações indevidas pela Federação que recentemente retirou da cota do clube valores para premiações de terceiros, aplicou multas descabidas entre outras medidas arbitrárias).

    Confira aqui algumas das reportagens do Mundo Bola sobre o assunto e intere-se a respeito:

    /futebol/documentos-expoem-prejuizo-milionario-que-ferj-causa-ao-flamengo

    /processo-sport-plus-ferj

    /fla-faz-valer-liminar-e-negocia-proprias-placas-no-carioca

     

    O dízimo indébito

    Mas o que realmente sustenta a Federação ao longo do ano é a cota do borderô que ela abocanha a cada jogo. Nos estaduais ela perdeu força, pois a média de público é muito baixa e a maioria dos jogos tem ingressos com ticket médio muito baixo. Só que é nos jogos do Flamengo em que ela deita e rola, no Estadual e ao longo do ano em competições que não tem nenhuma operação, ingerência ou responsabilidade na organização.

    Temos o exemplo recente da estreia do clube pela Copa Bridgestone Libertadores: 4×0 no Maracanã sobre o San Lorenzo e com 60mil expectadores, sendo aproximadamente 54mil pagantes e 6 mil gratuidades. A renda do jogo foi de 3,68 milhões de reais. A FERJ, que NADA fez pela partida, pela competição ou até mesmo pelo Maracanã, levou limpos, 368mil reais. Exatamente o que você leu! O Flamengo gastou 1,71 milhões para ter o estádio em ordem para o jogo, quitando conta de luz atrasada, fazendo manutenção do quadro de energia do estádio, renovando o gramado com sua parceira Greenleaf, removendo entulho, retirando tapadeiras e sinalizações do RIO2016, e até mesmo colocando cadeiras e divisórias entre as torcidas. Vale lembrar que em outubro, também foi o Flamengo que pagou a reforma do gramado para reabrir o estádio na reta final do Brasileiro 2016.

     

    Vamos aos números?

    Para este artigo, vou levar em conta os números de 2015, que são consolidados e indiscutíveis, já publicados por Flamengo e FERJ, e também por ser o ano mais crítico de guerra entre Flamengo e FERJ, com troca até de agressões verbais no arbitral da entidade.

    No balanço anual da Federação de 2015, temos os seguintes dados, conforme documento disponibilizado em seu site pelo link: http://www.fferj.com.br/CentralDocumentos, para as receitas da mesma:

    Percebe-se que a FERJ arrecadou com patrocinadores de sua competição, o valor de 8,42 milhões, menos que no ano anterior quando arrecadou 10,12 milhões. Isso deve-se à briga entre Federação e Flamengo, quando o mesmo ventilou pela primeira vez usar apenas reservas no estadual, afastando patrocinadores, o que repetiu-se em 2016 e 2017.

    Já no item Bilheteria/Renda de Jogos, temos o valor de 5,99 milhões em 2015 contra 6,44 milhões em 2014. A queda explica-se pelo Flamengo não ter chegado às finais do Estadual em 2015, quando o mesmo foi campeão em 2014. É notório que a renda e público dos jogos finais com o Flamengo são maiores que entre os clubes rivais ou rivais x pequenos.

    Esse item Bilheteria é computado somando-se a taxa de 10% de todos os jogos de seus clubes filiados em 2015, o que nos dá a entender que a renda TOTAL dos jogos de todos os filiados da FERJ no ano foi de aproximadamente 60 milhões de reais (59,9M).

    Em 2015 a FERJ já contabilizava em cada borderô de partida a cota de TV, afim de minimizar o impacto negativo do prejuízo que os clubes tinham a cada jogo, enquanto a entidade retirava seus 10% sem qualquer ônus, além de lançar públicos redondos e maquiados nos jogos entre pequenos, sem qualquer transparência, conforme denúncia do Globoesporte.com: http://globoesporte.globo.com/rj/futebol/campeonato-carioca/noticia/2015/02/publico-redondos-e-cota-de-tv-no-bordero-doping-estatistico-no-carioca.html

    Assim, a Federação sempre tem lucro, enquanto os clubes acumulam prejuízos, pois a mesma retira sua parte sem se preocupar com custos de operação dos jogos do campeonato que organiza. Se a mesma cobrasse 10% no Estadual, porém cobrasse 5% nas partidas do Brasileiro, Libertadores, Copa do Brasil, Sulamericana e Primeira Liga, com certeza o clube não ficaria tão indignado, pelo menos não pela cota pura e simplesmente.

    Você sabia que quando o Flamengo manda um jogo fora do Estado do Rio de Janeiro, o clube paga 5% à Federação local e 10% à FERJ que nada faz além de autorizar o jogo fora do Rio de Janeiro?

    Vamos então ao balanço financeiro de 2015 do Flamengo, disponível no Portal da Transparência Rubro-Negra:
    https://flamidia.blob.core.windows.net/site/upload/downloads/20160329094523_853272.pdf

    Reparem que o Flamengo tem 43,67 milhões em bilheteria em 2015. E olha que não foi a nenhuma final, nem sequer do campeonato da própria FERJ.

    Se a FERJ recolheu 10% de toda a bilheteria do Flamengo no ano, isso quer dizer que ela teve 4,36 milhões de reais provenientes dos borderôs do Flamengo.

    Isso quer dizer: 4,36 de 5,99 milhões, ou 72,78% da arrecadação da FERJ com bilheteria em 2015 é resultado direto do que mamou nas tetas rubro-negras.

    Em caso de comparação, veja quanto as Federações Estaduais cobram de taxas pelo Brasil:
    ⦁ Federação Carioca: 10%
    ⦁ Federação Paulista: 7%
    ⦁ Outras Federações: 5 a 7%

    Além disso, a FERJ tem praticado aumentos acima da inflação para a maioria das taxas burocráticas que cobra dos clubes, como podem conferir na tabela do Jornal Extra no link:
    http://extra.globo.com/esporte/taxas-cobradas-pela-federacao-do-rio-aos-clubes-tem-aumento-acumulado-de-ate-900-15036122.html. Algumas chegando a aumento de até 757%, valor que é o triplo da inflação do período. E os clubes pequenos, apesar de reclamarem publicamente, votam favoravelmente a cada novo aumento em arbitrais. Sabe por quê?

     

    O que realmente incomoda

    Mas sabem o que mais incomoda o clube rubro-negro? Que em 2015, por exemplo, a FERJ tenha feito a seus clubes filiados, empréstimos no valor total de 16 milhões de reais conforme seu demonstrativo financeiro.

    Ao contestar em arbitral, entre outras questões, como são, com que prazos e juros, feitos esses empréstimos, nosso Presidente foi xingado e hostilizado por Eurico Miranda e principalmente Rubens Lopes, que acusam o Flamengo de querer ganhar mais do que deve e apropriar-se do que é de seus clubes “co-irmãos”. E ainda ouviu que a FERJ não tem que dar explicações pois os contratos de empréstimos são CONFIDENCIAIS. Veja em nota da FERJ depois que Flamengo publicou carta aberta à imprensa questionando a entidade:
    http://fferj.com.br/Noticias/View/10441

    Como uma entidade que representa um grupo de clubes pode dizer que o dinheiro destes clubes pode ser distribuído a seu bel-prazer, sem prestação de contas e ampla transparência aos mesmos?

    Ficou mais do que claro que o clube é responsável DIRETAMENTE por mais de 70% do que a FERJ arrecada anualmente, e se levarmos em consideração que as placas de publicidade negociadas à parte podem dividir o valor entre Flamengo e Federação a partir deste ano, o valor pode estabilizar-se facilmente em 80%.

    E fica mais que claro também que, se o clube sustenta a Federação, também é ele quem empresta dinheiro a clubes rivais e clubes pequenos, sem saber em que condições são feitos esses empréstimos.

    A única coisa que o clube sabe é que todos os clubes que recebem empréstimos da FERJ votam com ela cegamente em todo arbitral, ainda que com pautas negativas às finanças desses mesmos clubes.

    Por essas e outras o Flamengo exige transparência da Federação e a conquistará judicialmente, já que move ação contra a mesma. Saberemos em breve se o Vasco quitou salários atrasados de fim de ano com dinheiro arrecadado às custas do Flamengo, por exemplo.

    Segundo o advogado que move a ação: “O Flamengo afirma acreditar que a FERJ obtém a maioria em suas deliberações por meio da concessão de mútuos (empréstimos), com possíveis condições favorecidas de pagamento, ou mesmo, perdão da dívida, a seus associados, notadamente os clubes pequenos.

    Como é um clube associado da FERJ e parte das receitas da Federação decorrem de rendas advindas do Flamengo (TV e bilheteria), o Flamengo requer que a FERJ detalhe as condições dos mútuos que concede aos demais entes associados, pois essa informação não é especificada no balanço anual.

    O Flamengo registra que, no exercício de 2014, foi registrado o valor de R$ 21.472.000,00; e, no exercício de 2015, R$ 12.018.000,00 de mútuos, sem que se esclareça se houve o pagamento de qualquer parcela desses mútuos à Federação.

    Ao final, o Flamengo requer: ‘A condenação da FFERJ na obrigação de prestar contas em formato contábil sobre todos os mútuos realizados em benefícios das associações desportivas que compõem a Federação, de forma documentada, comprovando os valores indicados nas contas com os contratos de mútuo firmados, tudo, de forma clara e precisa, individualizando o valor emprestado, o valor pago e o valor ainda devido, com referência aos 03 (três) anos anteriores ao ajuizamento desta medida, sob pena de não poder impugnar as contas a serem prestadas pelo FLAMENGO’.”

    Fonte: /ferj-sera-citada-pela-justica-do-rio-em-processo-por-transparencia-movido-pelo-flamengo

     

    Um adendo interessante: Segundo balanço publicado pelo Consórcio Maracanã, de propriedade da Odebrecht S/A., a renda bruta do estádio em 2015 tem 72% de seu valor angariado em partidas do Flamengo. Vale lembrar também que em 2015 com o Engenhão fechado, Botafogo e Fluminense mandaram quase todos os seus jogos lá, tínhamos todos os clássicos e até mesmo o Vasco jogou lá todo o segundo turno do Campeonato Brasileiro, uma vez que seu presidente retirou os jogos de São Januário alegando falta de segurança, pois a torcida a cada jogo inflamava-se contra o nefasto cartola.

    Para finalizar este primeiro post no Mundo Bola, é com grande orgulho que vejo o Flamengo levantar-se contra essa maléfica entidade que vive às custas de nosso clube, o eterno trem pagador que sustenta Federação e Maracanã desde sempre. Venceremos o mal que assola o Rio de Janeiro.

    Saudações Rubro-Negras.
    Bruno de Laurentis escreve todas as sextas-feiras. Siga-o no Twitter: @b_delaurentis

     


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  • Foi doído

    Foi doído. Por tudo que cercava o jogo. Invencibilidade, bom futebol nos jogos anteriores, elenco fortíssimo. Favoritismo. Mas é Libertadores. É futebol. E, acreditem, o quanto antes a torcida, o time e a comissão técnica entenderem esse contexto, antes iremos amadurecer para a continuidade da disputa continental.

    Boa parte da torcida já entendeu: não existe jogo fácil na Libertadores. Não venceremos todos os jogos. Não mesmo. A diferença da torcida argentina para a nossa está no apoio incondicional. Tomam um gol e cantam mais alto. Porque sabem que o papel da torcida em um jogo da competição também tem seu peso. Precisamos conscientizar cada vez mais nossas vozes nas arquibancadas. Estamos no caminho.

    O time jogou bem. Poucos irão discordar dessa afirmação. O gol dos caras aconteceu em uma jogada muito bem ensaiada. O bloqueio no nosso marcador, a cabeçada bem no canto, pra baixo. Gol de quem treinou a jogada. O Diego fez uma falta desnecessária? Acontece. O que não pode acontecer é a questão de falhas individuais que não resultaram em gol, mas que poderia. Vaz, mais uma vez, testou nossos corações. Fora algumas saídas de bola e tentativas de roubadas que não deram certo. Isso sim, precisamos mudar.

    Alguns jogadores estavam em noite pouco inspirada: Guerrero, Diego e Arão. Guerrero funcionou muito bem incomodando a zaga, fazendo o pivô, mas não foi feliz nas conclusões. As vezes parece que falta confiança. Diego é craque, mas ontem não teve o destaque que o time sempre espera (e precisa) dele. Já Arão aparece muito bem, mas não conclui tão bem. Ponto a desenvolver.

    Agora, a questão mais polêmica: a mudança de esquema do Zé Ricardo para o jogo. Esqueça qualquer conceito que você possua sobre o nosso treinador. Analisem o jogo de ontem, apenas. Entrar com o meio reforçado fez com que ganhássemos o setor e consequentemente o domínio da partida. Qual susto sofremos no primeiro tempo, tirando a jogada do Vaz? Percebam, ainda, que nosso poder ofensivo não foi maculado. Basta ver que criamos boas oportunidades e não seria nenhuma injustiça sair para o intervalo com a vantagem no placar.

    Questionar o técnico tem validade, por mais incrível que pareça, quando das substituições. A entrada do Berrío era favas contadas, mas, como o jogo se apresentava, talvez o ideal fosse não mexer na formação tática. Perdemos o meio com isso. Deu errado. Mas quem, em sã consciência, não acharia normal a substituição realizada? Então, muita calma nessa hora.

    Jogamos bem, não faltou garra, não faltou disciplina tática. Faltaram gols. Faltou a vitória. Porém, o fato de jogar bem não pode apagar algumas atuações individuais. Essas, sim, precisam ser consertadas. Urgentemente. Temos elenco pra isso.

    Não culpem o Zé, não culpem o azar, não culpem o Marcio Araújo, não culpem nem mesmo o Rafael Vaz. Respirem fundo, que a derrota doeu. Por todo o contexto. Mas a derrota de ontem é o que faz o futebol ser o esporte onde ninguém vence de véspera, ou por poder financeiro, ou por jogar melhor. Antes agora, na fase de grupos, onde ainda temos possibilidade de recuperação, que nos jogos eliminatórios. E chegaremos no lá, podem me cobrar. Saudações Rubro-Negras.
    Felipe Foureaux escreve todas as quintas-feiras. Siga-o no Twitter: @FoureauxFla

     


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  • Quando as luzes do alçapão estão perto de apagar

    As luzes do alçapão estão perto de apagar.

    Chega aquele momento em que o forasteiro tem que segurar a esquálida, transpirada, sacrificada vitória na base da bicuda e da porrada. A hora em que os nativos avançam destemidos, qual horda de índios, alçando bolas a esmo em bloco, chutando o vento, buscando, aos gritos, desmanchar o revés a tapas. O instante em que o mediador, intimidado ou venal, torna-se mais receptivo ao surgimento de histórias de superação, de gols tardios, de redenção dos locais. Nisso, qualquer esbarrão, qualquer tropicão, qualquer escorregão, transforma-se em motivo. Em pretexto.

    A despeito de tudo isso, o Flamengo parece se comportar bem. Vai segurando a vitória, tentando tocar a bola naquele pasto, buscando manter o limitado mas raçudo adversário longe de sua área. Até chegar a derradeira volta do ponteiro. Uma bola alçada, a matada no peito pelo zagueiro, situação controlada. Mas, súbito, ergue-se um sussurro, que se transmuda em murmúrio, que vira clamor, que se converte em gritos, um urrar eufórico e catártico que, num átimo, passa a envolver todo o estádio, agora em chamas.

    É pênalti.

    Pênalti, aos 46 minutos do segundo tempo. Pênalti inexistente, ou no mínimo bem duvidoso. A matada no peito vira mão e a bola está na marca. Enquanto o estádio canta de alívio, um aglomerado em negro e vermelho se forma ao redor da ladina figura de preto. É o segundo pênalti da noite, o segundo discutível, o segundo para os da casa. O treinador flamengo, colérico, quer bater, quer quebrar, é contido pela meganha. O árbitro, inerte, parece indiferente à grita dos visitantes, esboça um sorriso de canto de boca, acende um cigarrinho, expressão cínica dos facínoras. Fez o jogo. Aos poucos, a confusão arrefece, o da casa pega a bola. E, de forma tão fugaz quanto rebentara, aquele alarido tonitroante simplesmente cessa. O estádio parece gelar, hirto.

    Sozinho debaixo das três traves e sem esboçar o mais remoto traço de emoção, Ubaldo aguarda a hora da cobrança.

    E o estádio treme.

    * * *

    O Flamengo não vive bom momento. É bem verdade que não se pode reclamar das contratações e da montagem do elenco, seguramente um dos melhores, talvez o melhor do país. A uma base já fortíssima (Leandro, Figueiredo, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Lico) foram acrescentados reforços de primeira linha (o centroavante Edmar, o ponta-direita Lúcio Bala, destaque em Guarani e Palmeiras). Repatriou-se Tita (cujo retorno do empréstimo ao Grêmio foi antecipado). Na virada de 83 para 84, veio de volta Nunes, que estava emprestado ao Botafogo, e contratou outro reforço de Seleção Brasileira, o ponta-esquerda João Paulo, do Santos. Além desses reforços, ainda há a base, que, além de jogadores de qualidade formados na Gávea (Hugo goleiro, Zé Carlos II, Adalberto, Bigu, Gilmar), foi reforçada com a contratação de Bebeto, Guto e Heitor, campeões mundiais de juniores (sub-20) no México.

    E há Ubaldo. Que veio pro lugar de Raul, aposentado.

    No comando desse plantel, o treinador Cláudio Garcia, que desenvolveu a base do Fluminense que se sagraria campeão estadual no final do ano anterior.

    Mas, se o elenco é forte, o clube vive um momento turbulento. Garcia e o supervisor Roberto Seabra não falam, há muito tempo, a mesma língua. Há divergências entre alguns vice-presidentes, que ensaiam um balé de “renuncia-não renuncia” durante todo o semestre. A própria torcida, ainda ressentida pela saída de Zico, parece desconfiada. É como se algo ainda estivesse faltando.

    O time até inicia bem a temporada, chega a golear o Santos (4-1) no Maracanã na estreia da Libertadores (em atuação de gala de Mozer, a melhor dele pelo rubro-negro). Mas a forma de jogo da equipe parece dar sinais de esgotamento. João Paulo não consegue se firmar. Lúcio está gordo e não é sombra do veloz e mortal atacante da Taça Rio-83. Nunes e Edmar, tensos com a concorrência mútua, não deslancham. Lico e Adílio já não demonstram a mesma mobilidade para desempenhar o papel de bloqueio no meio-campo. Mesmo assim, o Flamengo não encontra dificuldades para transpor a Primeira Fase do Brasileiro (disputado no primeiro semestre), apesar de algumas exibições ruins (sai debaixo de vaia após um 3-2 sobre o Operário-MS, jogo que vencia por 2-0, cedeu o empate e venceu no fim com um gol irregular. Depois, num 2-2 com o Goiás, também no Maracanã, a torcida quase invade o campo para agredir os jogadores).

    Os problemas, de fato, começam na Segunda Fase. O Flamengo inicia bem (3-0 Brasil de Pelotas, 1-0 na Portuguesa em SP). Depois, é goleado pelo Internacional no Beira-Rio (0-4), cai em Pelotas (0-1) e escapa de perder para a Portuguesa no Maracanã ao arrancar, nos minutos finais, um suado 1-1, novamente sob muitas vaias.

    Com o clube em crise, o time emperrado e o emprego por um fio, Cláudio Garcia pensa em promover várias mudanças. Mas essas alterações terão de esperar. O Flamengo viaja à Colômbia, onde fará dois duríssimos jogos pela Libertadores. Precisará de pelo menos três dos quatro pontos em disputa (apenas se classifica o primeiro da chave) para se posicionar bem na briga pela classificação. O momento pede conservadorismo. Experiência.

    Mesmo assim, Garcia surpreende ao escalar, como titular, o jovem volante Bigu, que formará dupla com Andrade. Na frente, Lico e Adílio seguem como “falsos-pontas”, com Nunes como o único atacante “de ofício”. É uma variante defensiva do esquema de 1981, com dois volantes de contenção realizando o trabalho defensivo mais pesado.

    Dá certo. O esquema funciona e o Flamengo faz ótima partida contra o forte América de Cali, no temido estádio Pascual Guerrero. O empate em 1-1 é tido como injusto, pois o rubro-negro desperdiça, pelo menos, quatro chances reais de gol (entre elas uma cabeçada de Nunes no travessão). Mais bem escoltados, Lico e Adílio crescem assustadoramente de produção. A nota desagradável é a lesão de Leandro, que vinha sendo o destaque do jogo, abatido a patadas pelo volante Aquino. Aliás, o defensor paraguaio ainda arruma outra quizumba, ao agredir Nunes, que reage. O auxiliar somente “enxerga” o revide e Nunes é expulso. De qualquer forma, a boa exibição é exaltada e o Flamengo recupera a confiança para o jogo seguinte, contra o Atlético Junior, em Barranquilla.

    Ao contrário do amplo e espaçoso campo de Cali, o Flamengo agora terá que lidar com o pequeno Estádio Romélio Martínez, para 20 mil espectadores, que está completamente lotado. O jogo é tido como de “vida ou morte” para o Atlético Júnior, derrotado na estreia pelo América (0-2). O rubro-negro, por outro lado, precisa da vitória para alcançar a pontuação planejada. A primeira novidade é desagradável. O auxiliar peruano que “expulsara” Nunes no jogo de Cali agora apitará a partida em Barranquilla.

    Cláudio Garcia promove outro garoto para o lugar do lesionado Leandro. O lateral-esquerdo Adalberto (que atuara bem na segunda etapa em Cali) vai para o jogo, com Júnior sendo deslocado para a direita. No lugar de Nunes, entra Edmar. O restante da equipe é o mesmo.

    O jogo é complicado, desde cedo mostra-se difícil. O Atlético Júnior atua com disposição, adianta as linhas, não respeita tanto. Alça bolas a esmo, criando problemas. Pratica um jogo vigoroso, não raro violento, sob a complacência da arbitragem. Preso, truncado, o Flamengo pouco cria. Impaciente, Cláudio Garcia não espera o intervalo e arrisca. Saca Adalberto e coloca o atacante João Paulo. Júnior volta à lateral-esquerda e Bigu vem para a direita. Adílio vai para o meio-campo. O Flamengo, com uma alteração, mexe em quatro posições e abre o time.

    Novamente dá certo. O rubro-negro passa a ocupar o campo adversário e não demora a abrir o placar, num chutão da defesa que encontra Edmar sozinho. O centroavante dribla o goleiro e completa para o gol vazio. Flamengo 1-0. Enfurecidos, os colombianos exigem a anulação do gol, alegando impedimento, a torcida joga pedras, ameaça invadir, a Polícia ocupa o gramado. Após muita confusão, o gol é confirmado. Mas haverá volta.

    O Flamengo recua desnecessariamente, passa a aceitar a pressão do time local. Tenta trocar passes na defesa, mas o campo está em péssimo estado. Júnior se atrapalha e perde a bola para o ponta-direita Barrios, que avança e, diante do goleiro, joga a bola na frente e salta. Força o choque. Sem titubear, o árbitro aponta para a marca. O Flamengo exerce a reclamação protocolar, faz uma catimba para marcar posição, mas o pênalti é cobrado por Galván. Bola dum lado, goleiro do outro. 1-1.

    No segundo tempo, os times trocam chances de gol, o jogo segue truncado e pouco definido. Parece se arrastar para o empate, até que aos 33 Edmar sai da área, recebe na ponta-esquerda, faz um carnaval e cruza rasteiro para Tita, que emenda no ângulo. Flamengo 2-1. Agora, restam pouco mais de 10 minutos para a vitória redentora.

    Já estamos com 45 minutos. O Flamengo, todo entrincheirado na área, aguarda suplicante o apito final. O Júnior ataca com os dez de linha. Bolas vão e vem dentro da área, todas cortadas pela zaga, que atua bem. Até que Ischia cai pela esquerda e tenta cruzar. Mas a bola vai baixa e fraca, o suficiente para Figueiredo aparar no peito e sair jogando. No entanto, o árbitro, solerte e como que esperando pelo momento do bote, apita, estridente. Pênalti.

    Chegou a hora de Ubaldo.

    * * *

    O estádio está trêmulo.

    Galván, novamente diante de Ubaldo, ajeita a bola na marca. Ao contrário do pênalti anterior, esse é o lance capital da partida. O momento em que se definirá se sua equipe seguirá viva na competição, ou se vagará morta-viva nas rodadas seguintes. Não há espaço para erros. Galván está irremediavelmente condenado ao êxito. Do contrário, perecerá. E, entre a sobrevivência e a extinção, está Ubaldo.

    O melhor goleiro do mundo segue frio, sem demonstrar expressão. Olha fixamente para o atacante, fita-o desafiador. Estica os braços, intimida mostrando sua monumental envergadura. Agacha-se e espera o apito. Pés concretados ao chão. Nenhum sinal de movimento prévio. Não vai adivinhar. Vai esperar. Vai despejar toda a responsabilidade em Galván. Todo o lance, e tudo o que dele decorrer, será graças às escolhas que fizer o atacante.

    O apito trila, estridente, onipresente. 48 minutos.

    Galván caminha, vacilante, à espera de um mísero sinal que traia o goleiro. Mas Ubaldo, implacável, imperturbável, não lhe concede a mais mísera pista. Face congelada, corpo fincado à grama. O atacante se aproxima da bola. Vai bater no canto direito, repetindo a anterior. Não, no esquerdo. Direito… Enfim, esquerdo. E chuta, colocado.

    Dura o piscar de um olho. Ubaldo salta, felino, explode em músculos que o catapultam na exata direção para onde fora desferido o chute. Estica-se e, com a palma das mãos, consegue chocar-se com a esfera, que iria abandonar-se à beira da trave. O chute, embora fraco e vacilante, é bem colocado. Mas Ubaldo o alcança. Apara a bola e, noutro salto leonino, engolfa seu corpo ao redor da pelota. Não vai ter mais jogo.

    O estádio desmaia no mais profundo e consternado silêncio.

    Ouvem-se apenas os gritos em baixo calão daquele bando de invasores, que agora erigem uma colina em negro e rubro sobre a expressiva figura de Ubaldo. Tapinhas, empurrões amistosos, abraços. O Flamengo vence a partida por 2-1. O árbitro tremelica um apito malcriado e sai pelos fundos, sem ser notado. E aqueles herois da última batalha saem estropiados, camisas em trapos, manquitolando, espírito esgarçado. Mas felizes.

    Ubaldo segue caminhando para o vestiário. A bola permanentemente sob o braço.

    Recusa-se a soltá-la.


    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo.
    Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72

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  • Flamengo lança anúncio com Zico, urubus e torcedores

    No dia do segundo jogo pela Libertadores, competição que tenta voltar a vencer após 36 anos, o Flamengo lançou hoje um novo vídeo promocional do programa Nação Rubro-Negra. A campanha publicitária é de longe a mais elaborada já feita pro programa, num vídeo que inclui Zico, urubus, torcedores e um belo e emocionante texto exaltando o Flamengo narrado pelo cantor rubro-negro Marcelo D2. O filme tem 81 segundos, referência ao ano das maiores conquistas do Flamengo. Veja o vídeo:

    O Flamengo confirmou para o Mundo Bola que o anúncio será veiculado pela Globo a partir de hoje. A emissora, porém, não confirmou o horário da veiculação. Não é possível saber se ele acontecerá durante o jogo contra a Universidad Católica, embora seja o cenário mais provável para a estreia. O Flamengo não pagará pela veiculação – a cessão do espaço publicitário faz parte dos acordos de televisionamento do clube com a Globo.

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  • Flamengo joga para repetir boa largada de 2010

    O Flamengo busca a vitória hoje contra a Universidad Católica, no Chile, para repetir seu melhor inicio em Libertadores. Até hoje, em 12 participações, em apenas uma oportunidade o time venceu as duas primeiras partidas: em 2010, quando venceu justamente a Católica, na estreia, por 2×0, no Maracanã, e depois derrotou o Caracas, na Venezuela, por 3×1.

    Nas outras 11 participações, o Flamengo nunca venceu sua primeira partida como visitante. Em nove ocasiões, o time estreou fora de casa, com cinco empates e quatro derrotas. Em 1984, após a goleada na estreia contra o Santos, no Maracanã, empate na Colômbia, contra o América de Cali. E em 1991, o Flamengo empatou tanto na estreia como mandante contra o Corinthians quanto na primeira partida fora, contra o Bella Vista, do Uruguai.

    Para quem não tem o melhor dos desempenhos fora de casa, o Flamengo defende, porém, uma curiosa invencibilidade hoje: venceu as duas últimas partidas como visitante fora do Brasil por competições sul-americanas — contra o Emelec, na Libertadores-2014, e contra o Palestino, na mesma Santiago onde será disputada a partida de hoje.

    O Flamengo, porém, nunca derrotou a Universidad Católica jogando fora de casa pela Libertadores. Foram duas partidas e duas derrotas, em 2002 e 2010.

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  • Para evitar a saudade de tudo que ainda não vimos

    Peço perdão por começar esse texto com o pecado da autocitação, mas ele é necessário para estabelecer uma premissa. Considero Vinicius Júnior incomparável com qualquer um dos “projetos de craque” que surgiram na Gávea nas últimas duas décadas, período no qual acompanho de mais perto o futebol. Nenhum deles foi tão dominante nas categorias de base como Vinicius. Vinicius é, hoje e desde os seus primeiros passos na base, o melhor jogador brasileiro de sua geração. Ninguém discute isso.

    Para quem não conhece, porém, um pequeno currículo: melhor jogador da seleção brasileira campeã do Sul-Americano sub-15 em 2015. Líder de um Flamengo que conquistou um inédito Campeonato Brasileiro sub-15. Mais de 80 jogos de invencibilidade no Flamengo por mais de 3 anos. Uma temporada inteira de invencibilidade no sub-17 no ano passado. Rapidamente se tornou o principal jogador do sub-20 do Flamengo em apenas dois meses de categoria, sendo o grande destaque na última Copinha. E é atualmente o artilheiro do Sul-Americano sub-17, com cinco gols.

    Uma quantidade tão absurda de talento não será detida por questões extracampo. A tradicional preocupação de não incensar demais o jogador para que ele não ache que está com a vida ganha antes mesmo de estrear no profissional e se perca no meio do caminho me parece despropositada neste caso. Vinicius Júnior será um grande jogador de futebol que brilhará nos principais clubes europeus. É questão de quando, e não de se. Para quem duvida, uma pequena amostra do repertório que ele vem exibindo no Sul-Americano sub-17. Uma rápida pesquisa no Twitter ou no YouTube revelará muito mais.

    Equação financeira

    Isso posto, como o Flamengo pode garantir extrair o máximo desse talento – e não digo apenas com a quantia que receberá de um dos grandes europeus quando ele deixar o Ninho, mas com retorno dentro de campo, com gols, jogadas de craque e títulos? E não apenas nas categorias de base? A atual multa de 30 milhões de euros, um trocado para os grandes clubes europeus, não será obstáculo quando alguém realmente quiser levar o jogador embora — o que legalmente só poderia acontecer quando ele completar 18 anos, mas há sempre um jeitinho.

    Minha tese: devemos justamente contrariar todo nosso instinto de preservação e jogar Vinicius Júnior nas alturas. Tratá-lo como o craque que ele ainda não é, mas fatalmente será. Começar a consumir Vinicius Júnior diariamente e cobrar a mídia para que nos dê doses diárias de Vinicius Júnior. Fazer que os anunciantes percebam o produto que é Vinicius Júnior. Em resumo, contribuir para que Vinicius Júnior se torne, também fora de campo, o novo Neymar.

    Se Neymar estendeu sua permanência no Brasil o suficiente para fazer o Santos quebrar um jejum de quase 50 anos sem Libertadores foi porque conseguiu, jogando no Brasil, ter salário e projeção de jogador europeu, com ajuda das dezenas de contratos de publicidade que fechou por seu status de ídolo. Isso jogando em um clube de pequena torcida se comparado à nação rubro-negra.

    Com uma nação de 40 milhões de torcedores seguindo cada passo seu, Vinicius tem um potencial de gerar ainda mais receita e acordos caso consiga apresentar um desempenho semelhante ao de Neymar. E o Flamengo tem que ter a visão de fazer como o Santos e ceder ao jogador a maior parte dos lucros obtidos a partir do seu direito de imagem.

    Com o potencial financeiro muito superior ao Santos, o Flamengo tem possibilidade de pagar um salário europeu a Vinicius. Mas é irreal imaginar que, no mundo atual, isso baste para manter um craque jogando aqui a carreira inteira, ou até os 30 anos, como Zico ou Júnior. Vinicius pode até ser rubro-negro de coração, mas os garotos de hoje não sonham, como Zico um dia sonhou, em se tornarem ídolos e campeões pelo Flamengo. Isso é apenas um degrau no caminho que eles imaginam e que desemboca no Barcelona ou no Real Madrid.

    Nesse caso, o Flamengo deve fazer diferente do Santos, que acabou levando uma pernada de Neymar e seu pai, que fecharam contrato com o Barcelona disfarçando o preço da venda em vários itens fictícios, deixando o Santos a ver navios. Como o Flamengo pode se precaver de algo parecido?

    A imprensa europeia revela que grandes clubes já monitoraram e demonstraram interesse em Vinicius Júnior, sendo os principais deles Barcelona e Manchester United. Aceitando a realidade de que não pode competir com esse canto da sereia, o Flamengo deveria negociar com os grandes interessados, com anuência de Vinicius Júnior e seus representantes, uma venda a prazo. Prioridade na venda garantida com a cláusula de que Vinicius só deixará o Flamengo quando completar 21 anos, como tinha Neymar em 2013. E o preço do pagamento final flutuando de acordo com metas obtidas ao longo da duração do contrato de pré-venda – gols marcados, títulos, convocações para a seleção. Um modelo excepcional para um jogador excepcional.

    Nesses quatro anos e meio, Vinicius ainda poderá dar muito retorno dentro de campo. Para começo de conversa, deveria começar a ser integrado ao elenco profissional desde já. Não inscrevê-lo no Carioca parece ter sido um erro, pois seria a oportunidade ideal para que ele fosse usado imediatamente. Mas como não adianta chorar sobre o leite derramado, que ele comece a treinar com os profissionais e vá jogando pelo sub-20 até o início do Campeonato Brasileiro.

    Para quem ainda assim tem medo de que tudo dê errado e que o Flamengo desperdice um enorme talento, fico com as palavras de um certo atacante da seleção sub-17 quando tinha apenas 14 anos:

    — O medo é uma ilusão.

     
     
    Rodrigo Rötzsch é jornalista e coeditor do Mundo Bola. Siga-o no Twitter: @rodrigorotzsch.
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  • Jornal chileno expõe abismo financeiro entre Flamengo e Católica

    O “El Mercurio”, um dos principais jornais chilenos, usou nesta terça-feira o aspecto financeiro para pintar o Flamengo como favorito para a partida de amanhã contra a Universidad Católica. O jornal apresentou o Flamengo como “o gigante que visita o Chile”.

    Segundo a publicação, o salário de Paolo Guerrero equivale a oito vezes os de Santiago Silva e Diego Buonanotte, os dois jogadores mais bem remunerados da Católica. Já a folha salarial total do Flamengo seria de quase nove vezes a do time chileno.

    O jornal também comparou a receita anual dos clubes com verbas de televisionamento. O Flamengo recebe 14 vezes a mais do que a Católica.

    Vale lembrar, porém, que o abismo econômico também deu o tom da cobertura na imprensa chilena antes do confronto contra o Palestino, no ano passado pela Copa Sul-Americana. Naquela ocasião, o time chileno acabou se classificando – mesmo levando em conta o fato de que o Flamengo poupou a maioria dos titulares no jogo da volta após abrir vantagem de 1×0 na partida do Chile.

     
     
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  • Flamengo começa a envelopar arquibancada da Ilha

    O vice-presidente de Administração Rafael Strauch, responsável pelo projeto do estádio da Ilha, postou hoje no seu Twitter a foto de uma das arquibancadas sendo envelopada com as cores e o escudo do Flamengo.

    A estreia do Flamengo no estádio ainda não tem data marcada. O plano é que ele esteja disponível para a partida contra o Atlético-PR, na Libertadores, no dia 12 de abril, mas o plano A ainda é jogar no Maracanã caso seja possível um acerto com o consórcio liderado pela Odebrecht em moldes mais favoráveis do que o da primeira partida, contra o San Lorenzo.

    O Flamengo fechou com a Portuguesa contrato de aluguel do estádio de três anos renováveis por mais três.

     


  • Novo show dos Garotos do Ninho dá liderança ao Brasil

    Só deu Flamengo no jogo entre Brasil e Equador pelo Sul-Americano sub-17. Vinicius Júnior marcou os dois primeiros, e Lincoln completou a vitória por 3×0 contra o Equador, que levou o Brasil a 7 pontos e à liderança do hexagonal final do Campeonato Sul-Americano sub-17. A dupla ainda trocou assistências: Lincoln passou pro segundo gol de Vinicius, que retribuiu a gentileza no gol do colega de Flamengo. Os dois marcaram 9 dos 16 gols do Brasil no Sul-Americano sub-17. Vinicius Júnior é o artilheiro do Campeonato, com cinco tentos, enquanto Lincoln é o segundo maior goleador da competição, com quatro.

    Vinicius ainda teve pelo menos mais duas boas chances de completar seu hat trick. Nas duas, passou do goleiro, mas parou em zagueiros equatorianos. Os gols, no entanto, não fizeram falta.

    Com o jogo resolvido, o técnico Carlos Amadeu decidiu tirar Vinicius Júnior aos 15 minutos do segundo tempo para descansar o principal jogador brasileiro para a sequência da competição. A mudança esfriou o jogo, e o Brasil não fez mais gols.

    O Brasil enfrenta agora a Colômbia, na quinta-feira, e pode até ser campeão já na próxima rodada se vencer, o Chile perder para o Equador e o Paraguai não derrotar a Venezuela. Na última rodada, o Brasil ainda enfrenta o Chile, no domingo. O time está a um empate de garantir matematicamente a vaga no Mundial da Índia, em outubro.

    Veja os gols da vitória:

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  • Com quatro zagueiros, Flamengo embarca pro Chile

    O Flamengo já embarcou para a viagem ao Chile para o jogo contra a Universidad Católica com uma delegação de 20 jogadores — o goleiro César viajou como precaução, mas ficará fora do banco caso tudo transcorra normalmente com Alex Muralha e Thiago.Um segundo jogador ficará fora do banco, já que apenas 18 podem ser relacionados para a partida. Como anunciado mais cedo, o meia Mancuello não viajou por questões médicas. Veja a lista dos relacionados:

    Goleiros: Alex Muralha, Thiago e César
    Laterais: Pará, Rodinei e Miguel Trauco
    Zagueiros: Réver, Rafael Vaz, Juan e Donatti
    Volantes: Rômulo, Willian Arão, Cuéllar e Márcio Araújo
    Meias: Diego, Éverton e Gabriel
    Atacantes: Orlando Berrío, Paolo Guerrero e Leandro Damião

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