Autor: diogo.almeida1979

  • Qual o tamanho do estádio do Flamengo?

    Nós, rubro-negros, temos a convicção de que somos os maiores em tudo. Somos conhecidos pelo “RUMO A TÓQUIO”, “DEIXOU CHEGAR”, “TÃO DEIXANDO A GENTE SONHAR” e recentemente pelo “CHEIRINHO”. Qualquer brecha, inflamos nosso ego até que tornamo-nos os protagonistas do pedaço, até mesmo quando não levamos no final.

    Ao mesmo tempo em que nosso hino nos ensina a “VENCER, VENCER, VENCER”, ele cria uma horda de torcedores megalomaníacos, ainda mais porque somos para terror da arco-irizada, a Maior Torcida do Mundo™ segundo a FIFA.

    E claro, a maior torcida do mundo quer sempre o maior estádio do mundo, como o foi o Maracanã e o maior público de um jogo de clubes do mundo, com 194.603 presentes (177.656 pagantes) entre Flamengo x Fluminense em 15 de dezembro de 1963.

    O antigo Maracanã tinha setores como a Arquibancada do Anel Superior, as Cadeiras no Anel Inferior e a Geral, que abrigava todo tipo de torcedor. Era uma massa de gente querendo ver o Mais Querido do Brasil. Sem cadeiras no anel superior e geral, tinha tanta gente por metro quadrado que era inacreditável quando estávamos lá.

    Claro, o saudosismo às vezes faz com que mantenhamos apenas as melhores lembranças. O Flamengo não jogava somente para 170 mil pessoas no Maracanã. Nem 100 mil. Pelo contrário, cansamos de jogar também para públicos medíocres, não condizentes com a história, tamanho e paixão de nosso clube.

    Com todo esse imbróglio envolvendo o Maracanã e uma série de políticos, empreiteiros, empresários e empresas – todos presos, diga-se de passagem – o Flamengo viu-se prejudicado e sem ter onde jogar. Mas como vimos na minha coluna anterior*, não é apenas agora que o Fla ficou na mão por causa da indisponibilidade do Maracanã.
    * /o-maracana-e-o-desperdicio

    Essa semana, a discussão ficou entre onde o Flamengo faria seu estádio se partisse nessa direção. Com a licitação do Morro da Viúva, com o clube se reunindo com o prefeito Crivella, com a prefeitura de Niterói oferecendo terreno (excelente, por sinal), com o terreno de Guaratiba confirmado, entramos menos na discussão que interessa: quantos mil lugares deve ter o estádio do Flamengo?

    Médias Históricas

    Para isso, é preciso pensar com a cabeça e não com o coração. Se o clube quer seguir forte financeiramente, precisa de um estádio com tamanho condizente com a média de torcedores presentes do clube, para que a taxa de ocupação seja alta e torne-se um caldeirão de verdade.

    Vamos analisar as médias de público de todos os campeonatos brasileiros desde 1967 (não encontrei informaçãoes sobre o período de 1959 a 1966), e que clube liderou o quesito em cada ano?

    1967:¹ Cruzeiro 34.038
    1967:² Não disponível
    1968:¹ Vasco da Gama 37.296
    1968:² Não disponível
    1969: Cruzeiro 38.024
    1970: Fluminense 36.942
    1971: Não disponível
    1972: Corinthians 40.719
    1973: Flamengo 33.660
    1974: Vasco da Gama 36.619
    1975: Internacional: 51.962
    1976: Corinthians 47.729
    1977: Atlético-MG 55.664
    1978: Palmeiras 31.359
    1979: Internacional: 46.491
    1980: Flamengo 66.507
    1981: Flamengo 43.614
    1982: Flamengo 62.436
    1983: Flamengo 59.332
    1984: Flamengo 38.543
    1985: Bahia 41.497
    1986: Bahia 46.291
    1987: Flamengo 47.610
    1988: Bahia 35.537
    1989: Flamengo 21.991
    1990: Atlético-MG 26.748
    1991: Atlético-MG 26.763
    1992: Flamengo 42.922
    1993: Corinthians 37.330
    1994: Atlético-MG 22.801
    1995: Atlético-MG 21.072
    1996: Atlético-MG 25.449
    1997: Atlético-MG 23.342
    1998: Cruzeiro 28.384[12]
    1999: Atlético-MG 42.322
    2000: Fluminense 20.219
    2001: Atlético-MG 30.679
    2002: Fluminense 25.666
    2003: Cruzeiro 26.109
    2004: Corinthians 13.547
    2005: Corinthians 27.330
    2006: Grêmio 25.630
    2007: Flamengo 39.221
    2008: Flamengo 40.695
    2009: Flamengo 40.035
    2010: Corinthians 27.446
    2011: Corinthians 29.424
    2012: Corinthians 24.299
    2013: Cruzeiro 28.911
    2014: Cruzeiro 29.678
    2015: Corinthians 33.637
    2016: Palmeiras 32.470

    Fonte: Wikipédia

    Repare que o Flamengo foi líder 12 (doze) vezes em 52 campeonatos. É o clube que mais vezes liderou. Mas também é o mais INSTÁVEL. Vai de médias de 16 mil a médias de 66 mil torcedores. O Flamengo liderou o ranking de média de público da edição do Campeonato Brasileiro em:

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    Repare agora que o Flamengo fez as melhores médias nos anos em que brigou pelo título, exceção feita à 1973. Isso significa que nossa torcida não é presente como imaginamos, mas que quando o clube precisa dela para VENCER, ela comparece em peso, e com um estádio que alcançava mais de 100.000 pessoas, isso inflacionava nossa média para cima, principalmente na reta final.

    A coluna de hoje até parece que fala contra nosso clube, mas ela na verdade não trabalha por um estádio que seja justo e honesto com nossa torcida. Se tirarmos a média GERAL do Flamengo desde 1967, temos 26.580 torcedores. Exatamente. E adivinhem? Somos os líderes. Segue o ranking:

    Flamengo: 26.580
    Bahia*: 24.139
    Corinthians: 23.119
    Atlético Mineiro: 23.118
    Cruzeiro: 19.777
    São Paulo: 18.300
    Grêmio: 17.960
    Internacional: 17.701
    Palmeiras: 17.964
    Vasco da Gama*: 16.832
    Fluminense: 16.167
    Santa Cruz: 15.273
    Ceará*: 15.056
    Sport: 14.094
    Coritiba: 13.965
    Botafogo: 13.430
    Paysandu: 13.562
    Vitória: 13.001
    Goiás: 12.891
    Santos: 12.651
    Atlético Paranaense: 12.017
    Náutico: 11.739
    Figueirense: 9.575
    Avaí* : 9.559
    Atlético Goianiense*: 9.466
    Santo André: 9.195
    Guarani*: 8.426
    Chapecoense: 8.174
    Joinville*: 7.547
    Ponte Preta: 7.522

    (*) Valores desatualizados Fonte: Revista Placar – Guia do Brasileirão 2016, 2015, 2012, 2011, 2010, 2009, 2008, 2007, 2006, 2005, 2004 e 2003

    Para que não dependamos de estádios alheios e possamos sempre contar com nossa casa, é preciso ler e entender esses números. O Maracanã, como estádio suporte para jogos de grande apelo será sempre a ferramenta para mostrar gigantismo. Mas um estádio menor, mais barato e com arquibancada mais próxima do campo será sempre uma ferramenta de pressão maior sobre os adversários.

    Se analisarmos os regulamentos de competições nacionais e internacionais, vamos ver que o ideal é que o estádio tenha pelo menos 40 mil lugares, assim nunca ficaremos reféns de terceiros. Mas será que ele pode ser um pouco maior?

    Essa é uma questão a ser debatida em cima de dados e muito bem planejada. O gasto será alto e não podemos errar. Os melhores exemplos são os de Corinthians e Palmeiras.

    Palmeiras fez um bom negócio onde não gastou dinheiro no estádio, mas fica refém da empreiteira quando ela marca shows na Arena. Um exemplo, se o Palmeiras for à final do Campeonato Paulista, não poderá mandar seu jogo em casa porque haverá show contratado.

    Corinthians fez um péssimo negócio. Pegou empréstimos, financiamentos, tem um número impagável mesmo se parcelar em duas décadas e viu ruir seu histórico recente de disputar em cima todos os torneios em que entrava, vivendo sua era dourada. E isso refletiu-se na arena. A “Fiel” mostrou-se não tão fiel e abandonou o time, que hoje já tem apenas 27% do estádio ocupado nos jogos recentes.

    E ambos, Corinthians e Palmeiras, tem estádios com capacidades semelhantes. O Allianz Parque suporta 43.713 pessoas e a Arena Itaquera suporta 49.205 torcedores.

    Conclusão

    Se tomarmos o exemplo desses clubes, parece que um número de 50 mil lugares é um bom número. Poderemos sediar jogos de qualquer competição e em qualquer fase, teremos uma ocupação média do estádio superior a 50% tomando a média histórica de público do clube no Campeonato Brasileiro, a capacidade total aguentaria 10 das 12 médias de público do Flamengo que figuraram como a maior do torneio desde 1967 e ficaremos enfim livres da chantagem que os abutres fazem sobre o trem pagador do futebol do Rio de Janeiro.

    Quando tivermos que jogar numa casa maior se a demanda do jogo for recorde, com certeza um estádio como o Maracanã oferecerá ao clube melhores condições mediante a não obrigatoriedade do Flamengo em fechar com qualquer um.

    Afinal, o Maracanã já não é mais o mesmo, não é?

    O que acham?

    Saudações Rubro-Negras!

    Bruno de Laurentis escreve todas as sextas-feiras. Siga-o no Twitter: @b_delaurentis


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  • Destaque na base, Yuri é convocado pela Seleção Sub-17

     

    O Flamengo pode ter mais um jogador sendo destaque nas seleções de base. Após a conquista do Sul-Americano Sub-17 do Chile, com a participação dos rubro-negros Vinicius Junior, Lincoln, Wesley e Patrick, a seleção brasileira sub-17 começa a preparação para o Mundial que será disputado na Índia, em outubro. Nesta quinta-feira (30), o técnico Guilherme Dalla Déa, auxiliar de Carlos Amadeu na recente conquista juvenil, convocou 20 jogadores nascidos em 2001 para a disputa do Torneio de Montaigu, na França. Entre os convocados está o meia-atacante Yuri de Oliveira, da base do Flamengo.

    Apenas três jogadores que participaram do Sul-Americano foram novamente relacionados. A convocação de um time diferente tem como objetivo observar possíveis nomes para compor com a geração 2000 o grupo que vai disputar o Mundial da Índia, além de fornecer mais experiência aos garotos.

    Natural do Espírito Santo, Yuri, de 16 anos, chegou às categorias de base do Flamengo após se destacar em um amistoso disputado contra o próprio Rubro-Negro, quando atuava pelo Santa Cruz, da capital capixaba. O jogador então, à convite de Gilmar Popoca, realizou testes no Rio de Janeiro e, aprovado, passou a integrar o time infantil.

    Camisa 10 do time sub-15, Yuri apareceu como um dos destaques da base na última temporada. Foi capitão da equipe nas seguintes conquistas: Taça GuanabaraCopa 2 de Julho e Campeonato Carioca. No Estadual, foram nove gols marcados, e na Copa 2 de Julho, disputada na Bahia, foi eleito o melhor jogador da competição. Ainda em  2016, Yuri teve três convocações pela seleção. No início deste ano foi incorporado ao time sub-17.

    No jogo de volta da decisão do Campeonato Carioca Sub-15, Yuri marcou o primeiro gol da vitória de 2 a 1 do Flamengo sobre o Botafogo. 

    http://https://www.youtube.com/watch?v=e7orcEfliJI

    Foto: Gilvan de Souza /Flamengo

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  • Volante, cabeça-de-área ou meio-campo?

    Acordamos, depois de um empate sem graça contra o Volta Redonda, impactados com a declaração do Cuéllar.

    O colombiano declarou em entrevista que deseja ter uma sequência de jogos. Normal. Esse é o desejo dele, do Rômulo, do Ronaldo… Hoje, quem conseguiu essa sequencia (leia-se Marcio Araujo e Willian Arão) não agrada 100% dos torcedores. E é nessa questão que devemos nos concentrar: Algum dos nossos volantes está jogando o suficiente para ser uma unanimidade?

    Vamos pensar juntos: Alguém questiona a titularidade do Diego? E do Guerrero? Você, com certeza, vai me responder: Ah, não vale, são craques. Mas o Pará é craque? Alguém questiona a titularidade dele? Aí está a diferença. Os questionamentos só existem porque nenhum dos jogadores da posição é inquestionável.

    A titularidade da posição se ganha com um menor índice de erros, em treinamentos e jogos. É uma posição que precisa de raça, bom desarme, boa saída de bola, velocidade e dinâmica de jogo. Nenhum dos nossos volantes tem tudo isso. E abrem brechas para que os torcedores questionem suas escalações. Independentemente de quem for escalado.

    Para o meio do ano, eu, como gestor de futebol do Flamengo, buscaria um camisa 5 inquestionável. O Rômulo poderia ser esse cara, mas a adaptação ao futebol brasileiro, somada a grande expectativa em sua chegada, acaba por não dar, hoje, a confiança da torcida em seu nome. Uma situação bem difícil. Só para evitar polemicas, em minha opinião, esse 5 também não era o Felipe Mello.

    Hoje, daria mais espaço ao Cuéllar. Uma sequência maior. Mas ainda não vi nele tantas qualidades que me fizessem ter total certeza dessa atitude. O Zé Ricardo, que acompanha a rotina de treinos do Flamengo, tem muito mais capacidade de analisar os melhores do que eu. O meu é palpite, o do Zé é análise.

    Deixo aqui uma última reflexão, essa para nossa torcida: Apoio incondicional. Não vejo nomes, vejo o Manto Sagrado. Discutir jogadores faz parte da nossa rotina. Mas quando o Flamengo entra em campo, precisamos fazer valer a máxima de que entramos em campo junto com o time.

    Saudações Rubro-Negras

    Felipe Foureaux escreve todas as quintas-feiras. Siga-o no Twitter: @FoureauxFla

     


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  • Brasileiro Feminino 2017: Flamengo/Marinha é derrotado pelo Santos na Gávea

    Na tarde dessa quarta-feira, o Flamengo/Marinha fez seu quarto jogo no Campeonato Brasileiro Feminino 2017. Jogando na Gávea, as meninas do Mengão acabaram sendo derrotadas para o Santos, por 2 a 1. Os gols foram marcados por Florencia Sole (2x) e Bárbara (do Flamengo).

    O jogo iniciou e manteve-se equilibrado até os 15 minutos da etapa inicial, quando Florencia Sole abriu o placar para as Sereias da Vila. Com isso, as meninas do Flamengo/Marinha foram para cima, e aos 37, empataram, com uma bela cobrança de falta de Bárbara. O segundo tempo, sem tantas chances claras de gol, também foi equilibrada. Mas aos 25, novamente Sole, anotou seu segundo gol na partida (e o 4º no campeonato). A atleta Nathane, recém incorporada na equipe, fez sua estreia pelo Flamengo/Marinha, substituindo Larissa. Nathane inclusive, arriscou belo chute de fora da área no finalzinho, mas não foi o suficiente. Fim de jogo. Flamengo/Marinha 1-2 Santos, no primeiro duelo na história, entre as equipes.

    Assim, a equipe carioca chega a 4 jogos, 2 vitórias e 2 derrotas. 5 gols marcados e 3 sofridos. A atleta Bárbara Chagas anotou seu 14º gol em 35 jogos pelo Flamengo/Marinha!
    Foi o segundo gol dela (4 jogos) em 2017!

    O próximo jogo do Flamengo/Marinha está marcado para a Gávea, neste domingo, às 15h.

     

    Ficha Técnica

    Kaka; Raquelzinha (Rayanne), Tânia Maranhão, Ana Carol e Roberta Emilião; Juliana, Diany, Jane (Gaby) e Bárbara; Larissa (Nathane) e Flávia (Patricia). Técnico Ricardo Abrantes.

     

    Crédito Imagem Destacada: Staff Images/Flamengo

    Siga-nos no Twitter: @FlamengoMarinha

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  • O livro que ensina a ter orgulho do nosso asterisco

    O excelente e — como diz sem falsa modéstia o título — definitivo livro que o rubro-negro Pablo Duarte Cardoso escreveu sobre o campeonato brasileiro de 1987 do Flamengo causará no leitor duas sensações aparentemente contraditórias, mas perfeitamente complementares.

    Com um relato absolutamente detalhado que começa em 1986 e termina nos dias atuais, com a disputa pela Taça das Bolinhas, Pablo documenta, sem deixar sombra à qualquer dúvida. que o Flamengo é o único e legítimo campeão brasileiro de 1987, independentemente do que tenha decidido (mal) o Judiciário de Pernambuco — que como ele demonstra no livro, sequer tinha o que opinar sobre o tema, que caberia a outra jurisdição.

    Mesmo os rubro-negros que não tenham vivido aquele campeonato, caso deste autor, que então era uma criança de 5 anos que assistia ao Xou da Xuxa (e uma passagem do livro mostra que até a Xuxa foi uma inspiração para o sucesso da Copa União),com certeza já se debruçaram sobre a questão e sabem explicar de cor os mais de 1987 motivos pelo qual o Flamengo é campeão daquele ano. Mas a versão resumida da história deixa de lado muitos detalhes que tornam ainda mais inabalável a conquista rubro-negra.

    Como o próprio Pablo observa, os relatos sobre 1987 geralmente partem do ponto no qual a CBF declara que não teria condições financeiras de organizar o Campeonato Brasileiro daquele ano, dando a senha para a formação do Clube dos 13 e da Copa União. O que esses relatos costumam omitir é a absoluta balbúrdia que foi a disputa do Campeonato Brasileiro de 1986 a partir do momento em que se decidiu que o número de participantes seria enxugado para o ano seguinte. Uma guerra de recursos jurídicos de clubes que não queriam ficar de fora — entre eles, claro, o Sport — inviabilizou o torneio organizado pela CBF mais do que qualquer questão financeira. E toda essa balbúrdia, detalhe histórico que tinha ficado perdido pelo menos para este rubro-negro que aqui escreve, teve início com um Vasco esperneando diante da concretíssima ameaça de começar sua saga de rebaixamentos duas décadas antes.

    Outro detalhe que costuma ficar de fora da historiografia oficial é que a Copa União não foi uma simples rebelião dos clubes grandes por si sós: eles eram totalmente amparados legalmente pelo CND, legalmente a principal instância do esporte nacional naquele período, que havia determinado a redução do número de participantes do campeonato , a elaboração do regulamento pelos próprios clubes em conselho arbitral e otras cositas más que o leitor descobrirá no relato de Pablo. Sim, o vice-campeão e o terceiro colocado de 1986 foram alijados da Primeira Divisão de 1987. Mas era um novo campeonato, saindo do zero, que fatalmente cometeria alguma injustiça ao formar seu seleto clube de membros. E tudo aconteceu de maneira absolutamente legal, além de legítima, embora a CBF tenha depois manobrado a legalidade de sua maneira e escolhido quais normas lhe convinha ou não seguir para tentar reter o seu poder — e o das federações estaduais que lhe concediam esse poder.

    O livro também expõe as artimanhas tragicômicas usadas pelo Sport para conquistar o Módulo Amarelo — que incluem literalmente SEQUESTRAR o árbitro da semifinal contra o Bangu, como confessou o próprio presidente do clube pernambucano na época — e as diversas violações do próprio regulamento da CBF e normas de CND ao longo da trajetória. O clubista mais/ clubista poderá ler o livro e concluir que, devido a todas as idas e vindas, não há campeão brasileiro legítimo em 1987; mas diante do exposto, sequer esse clubista poderá imaginar que o campeão legítimo é o Sport. Ou para usar palavras de Pablo, “só os desinformados e os desonestos” poderiam insistir nessa tese, “só que gente assim nunca escasseou no Brasil”.

    O que causa a segunda sensação a que me referi no início do texto – e já chegarei lá -, porém, é o fato de que Pablo consegue demonstrar que a Copa União esteve longe de ser só mais um Campeonato Brasileiro. Ela foi a maior oportunidade desperdiçada para os clubes se livrarem do jugo no qual permanecem até hoje, de federações que servem apenas para sugar seu dinheiro, comandadas pela maior de todas, a CBF. A derrota — ou melhor dizendo, capitulação — do Clube dos Treze, em 1988, para a qual foi instrumental o papel de Judas desempenhado por Eurico Miranda, foi também a derrota do maior esforço moralizador que já houve no futebol brasileiro, do qual o Flamengo foi um dos grandes líderes. Assim foi colocado pelo próprio Caixa D’Água, por sua vez um dos principais líderes da resistência às mudanças, que afirmou que a eleição de Ricardo Teixeira, com a promessa de acabar com o Clube dos Treze — o que praticamente conseguiu, com a entidade passando a se resumir a um cartel negociador de direitos de TV até de fato acabar anos depois — foi, mais que a derrota do então presidente da CBF Octavio Pinto Guimarães: foi a derrota de Márcio Braga, do presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, e do presidente do CND, Manoel Tubino.

    Além de ter conseguido o título, o Flamengo foi, sem dúvida, o grande líder dessa revolução frustrada, e um dos únicos que se manteve firme até o último momento, quando nas palavras de João Henrique Areias, os dez anos que os clubes haviam avançado em 1987, foram perdidos, junto com outros dez. Como chegamos a três décadas desde aquele 1987 e nada próximo do Clube dos Treze e da Copa União surgiu — temos neste momento a tímida Primeira Liga, que está longe de ter a mesma força e significado, e a CBF, mesmo com um presidente impedido de viajar por temor de ser preso, reduziu o poder dos clubes sem qualquer cerimônia — podemos concluir que Areias estava sendo até otimista.

    Diante deste quadro, volto ao início: munido pelos argumentos muito bem documentados esgrimidos por Pablo, nunca estive tão convencido de que o Flamengo é o único campeão legítimo de 1987. E NUNCA FIZ TÃO POUCA QUESTÃO DE TER ESSE TÍTULO LEGÍTIMO RECONHECIDO PELO MESMO SISTEMA QUE O FLAMENGO DESAFIOU.

    A falta de reconhecimento torna esse título ainda mais especial. O asterisco ao lado de 1987 na lista de títulos do Flamengo é uma marca que todos deveríamos carregar com orgulho – por Zico, deveríamos colocar o asterisco em cima do escudo nas camisas neste ano em que ele completa o 30º aniversário! O asterisco é a marca de uma luta que ganhamos dentro de campo, mas perdemos e seguimos perdendo fora: mas como diria Darcy Ribeiro, detestaria estar no lugar de quem nos venceu.

    E se você achar que eu estou escrevendo tudo isso porque sou Flamengo e seria convencido de qualquer jeito, você pode estar parcialmente certo, mas revelo que o trabalho de Pablo é tão consistente que, mesmo usando a explicação apenas como pano de fundo, na introdução do livro, ele conseguiu me provar o que eu jamais tinha admitido antes: a disputa do Campeonato Brasileiro começou não em 1971, mas em 1967, e os vencedores do Robertão expandido são tão campeões brasileiros quanto seus sucessores — e isso inclui reconhecer que o Fluminense é tetracampeão brasileiro e que o Palmeiras tem seis títulos, coisa que não tenho nenhum prazer em fazer. Mas é a única conclusão honesta a que se pode chegar diante dos fatos históricos como se deram, e são narrados por Pablo, e não como foram reescritos pela CBF. Assim como é impossível não reconhecer que a taça que Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo, Andrade, Ailton, Zinho, Zico, Renato, Bebeto e Carlinhos conquistaram em 1987 não só foi um Campeonato Brasileiro. Foi o maior Campeonato Brasileiro de todos os tempos. Com asterisco.

    ***

    Poderia entrar em maior detalhe sobre os argumentos muito bem apresentados no livro muito bem escrito por Pablo, mas o monumental trabalho que ele produziu merece ser lido na íntegra por cada rubro-negro – sejam os legítimos, sejam os genéricos lá do Nordeste, que terão bastante a aprender.

    “1987: a História Definitiva” está em processo de edição, a cargo da Maquinária Editora, e será lançado em novembro de 2017, às vésperas do 30° aniversário do tetracampeonato brasileiro. Para viabilizar a publicação da obra, a editora lançou uma promoção de pré-venda, a preços especiais, com um atrativo adicional: o leitor que comprar antecipadamente poderá, ainda, ver seu nome impresso no livro, num rol de beneméritos do Clube da Verdade 1987.

    Eu ajudaria. Ajudaria não, já ajudei.

    E viva o asterisco!

    Atualização (04/11/2017): O livro foi publicado e já está à venda no site do submarino.

     
     
    Rodrigo Rötzsch é jornalista.. Siga-o no Twitter: @rodrigorotzsch.
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  • kleber marca no último minuto e dá vitória aos Garotos do Ninho

    Foi na base da raça e da emoção! Assim podemos definir a vitória do Flamengo sobre o Volta Redonda por 3 a 2 (Kleber 2x e Gabriel Silva), na noite desta quarta (29), no estádio da Raulino de Oliveira. O gol salvador  marcado pelo lateral-direito Kleber saiu no último lance da partida, aos 49 minutos. E foi um golaço! A vitória deixou o Flamengo vivo na briga por uma das vagas nas semifinais da Taça Guanabara Sub-20. Faltando três jogos para o término da fase classificatória, os Garotos do Ninho estão na terceira colocação do Grupo A com 25 pontos, atrás apenas do Madureira com 26, e Botafogo, com 27 pontos.

    Precisando vencer para continuar perseguindo os líderes do grupo, o Flamengo volta a campo no próximo sábado (01/04), para disputar o clássico contra o Fluminense, no CT Vale das Laranjeiras, em Xerém, às 15h30.

    A partida desta noite marcou a volta de Vinicius Junior, Lincoln e Wesley, campeões com a seleção brasileira do Sul-Americano sub-17.  A última vez em que o trio havia atuado com a camisa rubro-negra, foi na derrota por 2 a 1 para o Corinthians, pelas quartas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, no dia 19 de janeiro.

    O JOGO

    Como sempre acontece independente de onde atua, o Flamengo começou a partida pressionando o adversário. Com os resultados da abertura da rodada, só a vitória interessava ao Rubro-Negro. A primeira oportunidade criada foi aos 12 minutos, no cruzamento de Wesley para Lincoln, que cabeceou para fora. A estrela do lateral Kleber começou a brilhar aos 15 minutos, quando ele arriscou um chute forte de fora da área e abriu o placar no Estádio da Cidadania.


    No último lance do primeiro tempo, o volante Hugo Moura sofreu falta próxima à zona central, mas o árbitro não assinalou a infração. A jogada seguiu e, no contra-ataque, Dudu empatou a partida para o Volta Redonda. Ainda no intervalo Théo entrou na vaga de Hugo Moura, machucado no lance do gol de empate do time da casa. Aos 10 minutos da etapa final, o Flamengo voltou a ficar em vantagem. Gabriel Silva tabelou com Lincoln, entrou na área e bateu por baixo do goleiro. Com o gol marcado, Gabriel Silva se tornou artilheiro do time no Campeonato Carioca ao lado de Lucas Silva e Loran, com cinco tentos.

    Terceiro colocado do Grupo B, e almejando chegar na fase de classificação das semifinais, os anfitriões novamente equilibraram a partida e deixaram tudo igual no placar. Bem comum com to time profissional, a lei do “ex” também atingiu os juniores do Flamengo. Alan Carius, ex-jogador da base rubro-negra, marcou um belo gol deixando tudo igual pela segunda vez, aos 30 minutos. O técnico Gilmar Popoca promoveu algumas mudanças para correr atrás do prejuízo. Autor segundo gol do Fla, Gabriel Silva deixou o campo para entrada do meia Brayan, destaque da Copinha pelo Paulista, e Bill entrou na vaga de Lincoln.

    Aposta do técnico, Bill pedalou pra cima de Julio Amorim e sofreu a falta que resultou no segundo cartão amarelo do lateral do Volta Redonda. Com um jogador a mais, o Flamengo pressionou por todos lados, brigou por cada bola e, aos 49 minutos, acabou premiado pela sua insistência. Após falha da zaga adversária, Kleber recebeu da entrada da área e mandou como veio dando números finais à partida. Volta Redonda 2-3 Flamengo.

     

    Flamengo: Hugo, Kleber, Bernardo, Rafael, Wesley, Hugo Moura (Theo), Jean Lucas, Lucas Silva, Vinícius Junior, Gabriel Silva (Brayan) e Lincoln (Bill). Técnico: Gilmar Popoca.
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  • Para se aproximar dos fãs, Zico lança canal no Youtube

    Ídolo eterno do Flamengo e um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, Zico fará, hoje (30), o lançamento oficial do seu canal no Youtube. Novo projeto do Galinho de Quintino, o Canal Zico 10 contará com quadros variados, mostrará o lado familiar do ídolo e receberá cantores, atores e outras celebridades para bate papos descontraídos.

    “Será uma chance de contar minhas histórias, de me manter cada vez mais próximo dos fãs e falar não apenas de futebol, mas também de música, gastronomia, receber artistas…”, explica Zico.

    Alguns quadros do canal já foram divulgados. No ‘Caderno do Galinho’, Zico contará histórias divertidas de sua época de jogador e dividirá cena com o youtuber e jornalista Bruno Torelly.

    “Poder ocupar esse espaço com o Zico, uma referência desde a infância é sensacional. Os fãs vão ver o ídolo de uma forma diferente, mais descontraída”, aposta Torelly.

    Um dos maiores jogadores do atual elenco do Flamengo, Paolo Guerrero foi entrevistado pelo Galinho e marcará presença no canal. Além do peruano, Zico gravou, até o momento, com os cantores Xande de Pilares e Diogo Nogueira; os atores José Loreto, Thiago Lacerda e Thiago Rodrigues o lutador José Aldo e o jogador Camilo.

    https://www.instagram.com/p/BQME9gulo97/?taken-by=pguerrero09&hl=es

    O projeto é uma parceria com a  Millagro, produtora de vários segmentos publicitários e institucionais.

    “A ideia do Canal é exatamente aproximar o ídolo dos fãs, de uma forma que alcance todas as idades”, destaca Cassiano Scarambone, proprietário da Millagro.

    https://www.facebook.com/ZicoOficial/videos/1355775661128171/

     

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  • Flamengo/Marinha e Santos se enfrentarão pela primeira vez na história

    Nesta quinta-feira, dia 30, às 15h, o Flamengo/Marinha enfrentará as meninas do Santos-SP, em jogo válido pela 4ª rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro Feminino A1 2017. O duelo será realizado na Gávea.

    O Flamengo/Marinha vem de derrota para a Ferroviária. Mesmo assim, em 3 jogos, soma 2 vitórias e 1 derrota, anotando 4 gols e sofrendo apenas um. Já o Santos, contabiliza 2 vitórias e 1 derrota, marcando 6 gols e sofrendo 1. Ou seja, duelo entre equipes que possuem as melhores defesas do campeonato, ambas sofreram 1 gol cada. O líder nesse quesito é o Rio Preto, que ainda não sofreu gols. Será o primeiro duelo entre as equipes na história.

     

    Ex-flamenguistas

    Maurine (2015 e 2016) e Brena Carolina (2015) já integraram o elenco do Flamengo/Marinha. Maurine foi inclusive, um dos pilares do time campeão Brasileiro em 2016. Ela inclusive, falou sobre a sua expectativa para o duelo: “Tenho maior respeito pela equipe do Flamengo, fui campeã por lá mas hoje estou do outro lado e também pretendo ser campeã com o Santos, é praticamente o único título que eu ainda não ganhei aqui e vou me esforçar muito para conquistar nessa temporada. Será um jogo bem disputado com certeza. Mas vamos em busca da vitória, buscar impor nosso jogo e conseguir mais 3 pontos”.

    Maurine: 10 jogos e 1 gol / Brena Carolina: 5 jogos e 1 gol

    Acesso ao estádio

    Como de costume, a entrada é gratuita para TODOS e não há separação entre as torcidas na arquibancada.

     

    Arbitragem e escalação

    O duelo será conduzido pela árbitra Rejane Caetano da Silva, auxiliada por Katiuscia Berger Mendonça e Francine de Lima Maximiano. O time titular para esse jogo ainda não foi definido pelo técnico Ricardo Abrantes, mas não deve fugir muito do 11 inicial dos jogos anteriores: Kaka; Raquelzinha, Tânia Maranhão, Ana Carol e Roberta Emilião; Juliana, Diany, Jane e Bárbara; Larissa e Pâmela. 

     

    O Flamengo/Marinha está no grupo 2, com Ferroviária-SP, Foz Cataratas-PR, Ponte Preta-SP, Rio Preto-SP, Santos-SP, São José-SP e Vitória-BA. Os times de cada grupo se enfrentam em turno e returno, totalizando 14 partidas. Os quatro melhores se classificam às quartas de final, os vencedores dos confrontos avançam às semifinais e estes, à grande final. A partir das quartas de final, sempre jogos de ida e volta. Atualmente, estamos na segunda colocação do grupo, junto com Santos e Ferroviária. Todos possuem 6 pontos. 

     

    Siga-nos no Twitter: @FlamengoMarinha

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  • Finanças vs futebol: o falso dilema

     

    O Flamengo visivelmente deu um salto enorme financeiramente. Onde antes faltava dinheiro, passou a sobrar. A dívida descontrolada, que levava subsequentemente as demandas trabalhistas de ex-jogadores e ex-treinadores a tomar todas as manchetes relativas ao clube na imprensa, passou de um tigre bravo a um gato manso, uma dívida, agora, totalmente domesticada. Sumiram das manchetes não só os estardalhaços trabalhistas e as sentenças que se apoderavam de parte de receitas futuras, como notícias ainda mais desagradáveis, como atrasos de salário dos funcionários, corte de fornecimento de água e quantidade insuficiente de bolas para os treinos.

    Isto por si só já é muita coisa. Ainda assim, sempre ficou o eco de que os dirigentes desta gestão, responsáveis por esta transformação, podiam entender de finanças, mas não entendiam de futebol. Ainda que tais frases tendam a ser proferidas pelo mesmo nível de jornalismo que se pergunta “de onde vem de repente o dinheiro do Flamengo?”, ainda que a “filosofia de botequim” nunca perderá seu charme nem sua atratividade, vamos recorrer à história para mostrar este falso dilema entre ter finanças saudáveis ou cuidar do futebol como precisa ser cuidado.

    O primeiro ponto histórico é para pautar a cobrança de títulos. Todos que acompanham futebol querem a taça, o grito de campeão. Esta é a competitividade do esporte, a razão de ser, o motivo pelo qual mexe com tantas emoções e paixões. Então, sim! Títulos são a métrica no esporte para avaliar eficiência, competência e qualidade de gestão. Dito isto, o que se precisa entender é o parâmetro de comparação.

    De 1993 a 2016, um intervalo de 24 anos, portanto, o Clube de Regatas do Flamengo foi 1x Campeão Brasileiro (2009), 2x Campeão da Copa do Brasil (2006 e 2013), zero Libertadores, e 1x Campeão da Copa Mercosul (1999). Foram apenas quatro títulos de maior relevância num intervalo de 24 anos!

    Está certo que a competitividade do futebol brasileiro é completamente distinta à de outros países, no Brasil há muito mais clubes de futebol em condições de aspirar títulos do que em outras praças. Então vamos comparar com quem mais ganhou troféus equivalentes no país neste intervalo de vinte e quatro anos, de 1993 a 2016.
     

     
    1) o Corinthians foi 5x Campeão Brasileiro (1998, 1999, 2005, 2011 e 2015), 3x Campeão da Copa do Brasil (1995, 2002 e 2009), 1x Campeão da Libertadores (2012) e 2x Campeão Mundial (2000 e 2012), são 11 títulos de grande relevância;

    2) o Palmeiras foi 3x Campeão Brasileiro (1993, 1994 e 2016), 3x Campeão da Copa do Brasil (1998, 2002 e 2015), 1x Campeão da Libertadores (1999) e 1x Campeão da Copa Mercosul (1998), são 8 títulos de grande relevância;

    3) o Cruzeiro foi 3x Campeão Brasileiro (2003, 2013 e 2014), 3x Campeão da Copa do Brasil (1996, 2000 e 2003) e 1x Campeão da Libertadores (1997), são 7 títulos de grande relevância;

    4) o São Paulo foi 3x Campeão Brasileiro (2006, 2007 e 2008), zero Copa do Brasil, 1x Campeão da Libertadores (2005), 1x Campeão da Copa Sul-Americana (2012) e 1x Campeão Mundial (2005), são 6 títulos de grande relevância;

    5) o Internacional teve zero Brasileiros e Copas do Brasil, porém foi 2x Campeão da Libertadores (2006 e 2010), 1x Campeão da Copa Sul-Americana (2008) e 1x Campeão Mundial (2006), são 4 títulos de enorme relevância;

    6) o Grêmio foi 1x Campeão Brasileiro (1996), 4x Campeão da Copa do Brasil (1994, 1997, 2001 e 2016) e 1x Campeão da Libertadores (1995), são 6 títulos de grande relevância.

    7) Vasco, Fluminense e Santos também foram 2x Campeões Brasileiros neste período, e Vasco, Santos e Atlético Mineiro ganharam uma vez a Libertadores.

    Portanto, em conceitos relativos, o Flamengo esteve atrás de todos estes clubes nos últimos 24 anos. O primeiro aspecto é voltar a se colocar no padrão de conquistas desta relevância.

    No meio deste período histórico é certo pontuar que o futebol do Rio de Janeiro como um todo viveu uma grande crise e uma grande decadência. O ápice desta crise foi o período de 2002 a 2006. Muita gente não se lembra, mas não podemos deixar que se esqueçam, que especialmente em 2005 e 2006, os grandes times do Rio de Janeiro tinham dificuldade para conseguir se classificar às semifinais de turno do Campeonato Carioca, tendo acontecido de nenhum dos quatro (Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo) estarem presentes. E certamente Madureira, Volta Redonda, América, Cabofriense e Americano não tinham grandes esquadrões do futebol, pois suas equipes não revelaram nenhum grande talento que tenha conseguido fazer história com a camisa dos grandes clubes do futebol brasileiro.
     

     
    No Campeonato Carioca de 2005, os semifinalistas na Taça Guanabara foram Botafogo, Volta Redonda, Americano e Cabofriense (na Taça Rio os grandes acordaram, com Flamengo, Fluminense e Vasco avançando junto ao Volta Redonda). No Campeonato Carioca de 2006, os semifinalistas na Taça Guanabara foram Botafogo, América, Americano e Cabofriense, e na Taça Rio foram Madureira, América, Cabofriense e Americano.

    Por fim, vamos utilizar este último exemplo como parâmetro para ilustrar o falso dilema entre ter finanças equilibradas ou cuidar do futebol, e vamos concentrar a análise no parâmetro de comparação interna, dentro dos muros da Gávea, para ilustrar capacidade de investimento, o grande elo de união dos conceitos de finanças equilibradas e time de futebol forte. Ao invés de se sangrar o caixa pagando juros sobre dívida, penhoras judiciais e atrasos com os compromissos não honrados com elencos de anos anteriores, os recursos passam a se alocar no que devem: salários de grandes jogadores, com talento para colocar o Flamengo de novo na briga por títulos de grande relevância. Ter condições econômicas de entrar nesta briga é o primeiro passo para voltar a levantar troféus relevantes.

    Eis o elenco do Flamengo que iniciou a temporada de 2005, disputando o Campeonato Carioca daquele ano:
    Goleiros: Diego e Getúlio Vargas
    Laterais: Ricardo Lopes, André Santos, Fábio, China e Júlio César
    Zagueiros: Fabiano, Júnior Baiano, Rodrigo Arroz e Thiago
    Volantes: Jônatas, Júnior, Da Silva, Robson, Márcio Guerreiro e Rômulo
    Meias: Renato Abreu, Zinho, Felipe Gabriel, Adrianinho e Caio
    Atacantes: Dimba, Marcos Dener, Emerson Geninho, Alessandro, Fabiano Oliveira e Bruno Barbosa

    Certamente há vários pensamentos “Quem?” quando se lê este elenco. Este time fez a seguinte campanha analisando-se apenas os jogos contra pequenos: 0 x 3 Olaria, 1 x 0 Madureira, 1 x 2 Cabofriense, 1 x 2 Americano, 4 x 1 Portuguesa, 1 x 2 Volta Redonda, 1 x 0 Friburguense e 0 x 0 América. 3 vitórias, 1 empate e 4 derrotas.

    Na final da Taça Rio acabou goleado por 4 x 1 pelo Fluminense. No Brasileiro sofreu uma derrota humilhante por 6 x 1 para o São Paulo, e terminou o campeonato em 15º lugar (no Brasileiro de 2004 havia sido o 17º lugar).

    Eis o elenco do Flamengo que iniciou a temporada de 2006, disputando o Campeonato Carioca daquele ano:
    Goleiros: Diego e Getúlio Vargas
    Laterais: Leonardo Moura, Juan, Leonardo Mattos, Marcelinho e André
    Zagueiros: Renato Silva, Fernando, Ronaldo Angelim, Rodrigo Arroz, Marlon e Thiago
    Volantes: Jônatas, Marabá, Felipe Dias, Júnior e Robson
    Meias: Diego Souza, Renato Abreu, Rodrigo Broa, Toró, Peralta, Felipe Gabriel, Thiago Coimbra e Elan
    Atacantes: César Ramirez, Luizão, Obina, Emerson Geninho e Fabiano Oliveira

    Certamente mais alguns “Quem?”, ainda que começando a ter alguns nomes mais conhecidos. Este time fez a seguinte campanha analisando-se apenas os jogos contra pequenos: 0 x 1 Nova Iguaçu, 1 x 2 Cabofriense, 2 x 2 Portuguesa, 4 x 2 Americano, 3 x 3 Friburguense, 2 x 3 Madureira, 2 x 2 América e 0 x 0 Volta Redonda. 1 vitória, 4 empates e 3 derrotas.

    Sim! Pode acreditar. Você nem e lembrava bem disto, não é!? Mas isto aconteceu: em oito jogos contra pequenos, só uma vitória. E o Flamengo terminou em 10º lugar no Campeonato Carioca daquele ano, igualando a pior campanha feita no Carioca de 1929!

    Eis o elenco do Flamengo que iniciou a temporada de 2017, disputando o Campeonato Carioca daquele ano:
    Goleiros: Alex Muralha, Thiago e César
    Laterais: Pará, Rodinei, Trauco e Renê
    Zagueiros: Réver, Rafael Vaz, Donatti, Juan e Léo Duarte
    Volantes: Rômulo, Márcio Araújo, Willian Arão, Cuéllar e Ronaldo
    Meias: Diego, Mancuello, Dario Conca, Éverton, Gabriel, Éderson, Adrian, Lucas Paquetá e Matheus Sávio
    Atacantes: Guerrero, Berrio, Leandro Damião, Felipe Vizeu e Marcelo Cirino

    Este time contra pequenos: 4 x 1 Boavista, 3 x 0 Macaé, 4 x 0 Nova Iguaçu, 4 x 0 Madureira, 5 x 1 Portuguesa, 1 x 0 Resende e 3 x 0 Bangu. Resta enfrentar o Volta Redonda. 7 vitórias.

    Está ilustrada a diferença entre qualidade de elenco e resultado dentro de campo. Já se havia saído do sofrível para o ruim. Agora, saiu-se do ruim para o bom. Para saltar para o ótimo, depende de grandes conquistas, e até o fim de 2017 haverão as oportunidades para provar. De qualquer forma, o que não se pode é se desfazer um trabalho e ameaçar voltar do bom para o ruim. Agora é seguir a caminhada mantendo-se no bom, numa busca incessante para se chegar ao ótimo.

     
    Marcel Pereira é economista e escritor rubro-negro, autor do livro “A Nação” (Editora Maquinária). Visite também seu blog pessoal: A Nação.

     


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    Imagem no post e redes sociais: Divulgação Adidas

  • Os consagradores 17 minutos de Carpegiani

    É nos jogos grandes que os grandes aparecem.

    Domingo a tabela agenda Fluminense x Flamengo, no Maracanã. Uma partida que tem tudo para se tornar histórica. Seja pelo posicionamento das equipes na tabela, seja pelo momento atual, seja pelas declarações polêmicas que têm esquentado a semana dos dois clubes.

    Todos os prognósticos apontam para um jogo sensacional. Épico. Inesquecível.

    E, de certa forma, os palpites estão certos.

    O Flamengo não vive seus melhores dias. Com os jogadores envolvidos com uma série de amistosos que demandam longas e cansativas viagens, o atual Campeão Estadual, Brasileiro, Sul-Americano e Mundial tem apresentado sensível queda de rendimento. É bem verdade que há momentos como os 3-0 sobre o Botafogo (inesquecível olé no primeiro encontro após os 6-0 de novembro passado), ou um vistoso 8-0 no Madureira. Também é verdade que o time lidera a Taça Guanabara, um ponto à frente de Vasco e Fluminense. No entanto, algumas atuações recentes acendem uma luz de preocupação na torcida e chamam a atenção, negativamente, da crônica. O rubro-negro foi recentemente derrotado pelo Americano (0-1) em Campos, venceu a duras penas o Volta Redonda no Maracanã (enganoso 3-1 conseguido nos minutos finais) e, na última rodada, sofreu para virar em cima do Bonsucesso (3-2) em Moça Bonita, com direito a um gol extremamente discutido de Adílio aos 45 da segunda etapa, uma cabeçada no travessão que quicou no solo e saiu, lance prontamente confirmado como gol pelo controverso árbitro Luís Carlos Gonçalves, o Cabelada. Para complicar, uma estafante viagem a Assunção durante a semana, para enfrentar o Olímpia em um amistoso. O Flamengo vence os paraguaios (2-0), mas o desgaste pode ser um fator negativo.

    Do lado das Laranjeiras, mal se contém a euforia. Após um desastroso, quase melancólico, primeiro semestre, o tricolor parece dar sinais de recuperação. Com o que sobrou do dinheiro da venda de Edinho, monta uma equipe barata, que começa a dar liga nas mãos do treinador Lula (ex-jogador, atacante do forte Internacional dos anos 70 e do próprio Fluminense, anos antes). Embalado, o Fluminense vem de resultados expressivos (3-0 Campo Grande, 5-0 Americano, 4-0 Portuguesa) e exala otimismo. Buscando capitalizar esse bom momento e injetar ainda mais confiança em seu jovem plantel, Lula inicia uma “guerra de nervos” pelos jornais, fustigando o rival.

    “Vi os últimos jogos do Flamengo. Time deles não assusta. Dependem demais de Zico. Ademais, andam ganhando jogo com gol que não foi. Disso tenho medo. Dentro de campo, somos favoritos.”

    É usual, diante de declarações do tipo, que o rival “provocado” recorra a clichês como o trabalho em silêncio, a colocação de jornais nas paredes do vestiários, entre outras manjadas artimanhas motivacionais. O Flamengo opta por não seguir nada disso. Quem retruca é o próprio Presidente.

    “Não estou entendendo o Fluminense. Ganha dois ou três jogos e já quer pagar de grande. Pois pra mim continuam com o mesmo timinho. Domingo vão apanhar de muito. Vai ser um treino.”

    As bravatas do dirigente rubro-negro espirram nos jogadores. Mesmo os comedidos Zico e Júnior resolvem soltar o língua: “Esse time do Fluminense, com muito, mas muito boa vontade, é a terceira força do futebol carioca. Estão bem longe de nós e um pouco abaixo do Vasco. O resto é conversa pra vender jornal”

    Enquanto dirigentes, jogadores e membros de comissão técnica vão batendo boca (e ajudando a promover o clássico), uma personagem resolve escolher o silêncio. Carpegiani, treinador do Flamengo, que começa a sofrer algumas críticas veladas acerca do desempenho do time, sabe que, mais do que nunca, precisa de uma vitória no Fla-Flu. De preferência, com boa atuação. As declarações fortes estão dando à partida um viés de confronto aberto. Para piorar, Lula (que é seu amigo pessoal, ex-companheiro dos tempos de Inter), segue com sua deliberada tática de tentar tirar o equilíbrio emocional do Flamengo.

    “Soube que o Flamengo vem com dois volantes. Isso é um sinal de que nos respeitam e nos temem. Vamos partir pra cima, vamos sufocar. Não terão espaço para respirar.”

    Com efeito, Carpegiani testou em Assunção um meio-campo com Andrade, Vítor e Zico, deslocando Adílio para a esquerda, saindo Lico, poupado por uma pancada. Satisfeito com o resultado, pensa em mantê-la para o Fla-Flu. Mas há outras alternativas. Além de Lico, que é dúvida, Nunes está voltando da cirurgia no joelho e já pode ficar à disposição. Caso deseje manter o artilheiro no banco, a opção é seguir improvisando Peu. Na direita, Tita poderá seguir no time, ou o irrequieto Wilsinho poderá ser lançado. Carpegiani testa uma série de variações e recusa-se a dar qualquer pista. “escalação, só quando entrar em campo”. Sério e calado, faz treinos reservados e conversa. Conversa muito com seus jogadores.

    Aqueles habituados às coisas da Gávea percebem. Os olhos do treinador estão marejados de sangue.

    Finalmente chega o dia em que Fluminense e Flamengo duelarão pela liderança da Taça Guanabara, que abrirá o caminho para o título do turno e a consequente vaga às finais do Estadual. O Maracanã está belíssimo, esfuziante, ensolarado, colorido. E trajado em gala. 122 mil pagantes.

    Valquir Pimentel trila o apito.

    * * *

    Os passos são arrastados. As feições, sombrias, compõem um semblante taciturno, que contrasta brutalmente com a postura loquaz dos dias de prelúdio do clássico. Os olhos parecem perdidos, a dicção tateia gorgolejante em busca de alguma palavra que consiga minimamente explicar o que acaba de acontecer no sagrado relvado do Maracanã. Sem êxito. O treinador apenas balbucia, aos ávidos microfones que teimam em lhe negar a tão ansiada paz, frases desconexas, com pouco sentido aparente.

    “Eu falei… Não era pra avançar… Eles foram… Deu no que deu… Time deles queria isso… E nós caímos na armadilha… Mereceram… Mas eu falei, eu falei…”

    O placar eletrônico do Maracanã segue reluzindo, na forma de um implacável epitáfio em letras feéricas e garrafais, “FLUMINENSE 0 FLAMENGO 3”. Mas a mensagem transmitida pela luminosa engenhoca não chega nem perto de traduzir, de exprimir, de definir o mais completo, o mais inapelável, o mais irretorquível massacre que se fez presenciar em toda a Temporada de 1982 no Maior Estádio do Mundo. Uma surra técnica, física, moral e acima de tudo tática. O Flamengo acaba de quebrar a espinha do adversário. A derreter-lhe as entranhas.

    Do outro lado, o principal responsável pela escovada sorri, estranhamente tímido, talvez assustado com a repercussão da obra que concebera e que seus comandados souberam executar com tanta perfeição.

    Carpegiani entrou em campo com os tais dois volantes. Mais, manteve Wilsinho na ponta-direita e improvisou Tita na posição de centroavante, um “falso nove”. No entanto, a verdadeira surpresa, o real “pulo do gato”, não se deu com a formação que enviou a campo. Mas com o que fez com esses onze jogadores.

    O Flamengo iniciou o jogo em postura completamente retraída. Carpegiani mandou Wilsinho, Tita e Adílio formarem uma linha mais adiantada e recuou para formação “de defesa” os demais jogadores. Isso criou um buraco na intermediária do Flamengo. Ávidos e plenos de confiança, os fluminenses avançaram, ocupando todos os suculentos espaços colocados à sua disposição. Foram com todo mundo. Começaram a criar chances, perder gols. O Flamengo sabia que precisaria sofrer um pouco. E sofreu. Cantarele fez defesas. Zagueiros foram pra bicuda. E, a cada dificuldade flamenga, os tricolores avançavam mais e mais. Atacavam com oito, nove. Volantes viravam meias, laterais se tornavam pontas.

    A presa estava definitivamente atraída.

    A armadilha do falso domínio territorial já havia sido usada outras vezes (como, por exemplo, no dia que o Flamengo deu 6-0 no Botafogo). Mas a artimanha mais letal, mais desconcertante, mais espetacular, ainda iria começar a se mostrar.

    Aos poucos, o Flamengo foi saindo para o jogo, trocando passes, envolvendo. Mas algo bizarro parecia acontecer. Zico estava posicionado como volante, ao lado de Andrade. Recuava e começava a meter lançamentos longos a Wilsinho ou Adílio. Tita voltava para a meia, para fazer a armação. Vítor se projetava como um “camisa 10” autêntico. E foi como um ponta-de-lança que o “volante”, após bela troca de passes, aproveitou um rebote em um chute de Adílio, deu um corte em Aldo e, como um atacante, bateu seco, no canto, para abrir o placar, aos 17 minutos.

    Pouco depois do gol, Wilsinho levou uma pancade e teve que sair. E Carpegiani completou seu plano, colocando Lico em campo. Assim, o Flamengo passava a estar escalado com Cantarele, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Vítor e Zico; Lico, Tita e Adílio. Dois volantes, quatro meias, NENHUM atacante de ofício. E seu jogador mais ofensivo, Zico, atuando como volante, enquanto Vítor atuava mais solto. Mas ainda haveria mais.

    A alucinante movimentação do Flamengo não parecia conhecer limites. Júnior, que sempre atuara avançado, participando das ações do meio, dessa vez ficou preso, cuidando do perigoso ponta Robertinho. Com isso, o zagueiro Mozer passou a participar de triangulações pelo lado esquerdo do ataque. Quando Mozer ia, Adílio voltava e Tita abria. Ou Lico. Não havia centroavante. Pelo lado direito, o Flamengo armava jogadas de ataque com Leandro e o zagueiro Marinho, enquanto Lico voltava para a lateral, fazer a cobertura. Zico, sempre como regista, cantando, lançando e dando esporro. Os volantes Delei e Rubem Galaxe, confusos, sem saber se adiantavam para marcar os lançamentos do Galinho ou se guardavam suas posições. Enquanto a marcação do Fluminense batia cabeça, o Flamengo desfilava em campo. Uma sequência rápida e antológica de passes, todos de primeira, terminando numa cabeçada perigosa de Tita, Maracanã indo abaixo. O Flamengo e seus globettroters da bola. Mesmo o rabugento comentarista Márcio Guedes, sempre pronto a trazer uma palavra crítica, parecia se render, “a atuação do Flamengo na tarde de hoje é irrepreensível.”

    E os gols saindo, um atrás do outro. Após mais uma alucinante troca de passes, a sobra com Adílio, o passe pra Zico, vindo de trás, o Galinho emulando Pelé pro Capita Torres e rolando a bola com desdém, com nojinho, para a bomba de Andrade. 2-0. Logo depois, Zico apanhando a bola na intermediária, Mozer e Marinho se projetando pra receber na frente, a bola na direita pra Lico, a entrada “em facão” driblando a defesa, o toque de lado para Marinho finalizar como ponta-direita. 3-0, aos 34 minutos do primeiro tempo. O Flamengo dizimava o Fluminense em 17 minutos.

    Era uma atuação de almanaque. O Flamengo praticava naquele Fla-Flu a coisa mais parecida, em gramados brasileiros, com o futebol do mitológico Carrossel Holandês de Rinus Michels, um jogo de movimentações verdadeiramente revolucionárias, o estado da arte da perfeição técnica e tática.

    Foi demais para o torcedor Edgar. Trôpego, esbaforido, o geraldino tricolor driblou policiais e seguranças, cortou jogadores de Flu e Fla e se aproximou do árbitro. Não queria agredir. Não queria xingar. Seu olhar porejava súplica. “Parem com isso, pelo amor de Deus. Respeitem meu Fluminense!”, repetia, aos prantos. Implacável, a torcida flamenga cantava, ao som ritmado e gostoso de uma percussão em festa, “Queremos seis! Queremos seis! Queremos seis!”

    Carpegiani, agora mais calmo, está no vestiário, sentado, expressão tranquila. Ri quando se lembra da história de Edgar, diverte-se com os comentários de algum torcedor gaiato. Responde com calma e inusitada simpatia a todas as insistentes perguntas dos repórteres, “Por que não apertou o ritmo? Por que não deu de seis?”, e lembra que o Fluminense é um grande time, e coisa e tal, e tal e coisa, que o Flamengo vem cansado de viagens, que tinha que reduzir o ritmo, “Marinho e Mozer é a nova dupla de ataque, professor?”, e que isso foi exaustivamente treinado, que ele tinha que surpreender o amigo Lula, que o Flamengo tinha um plantel fácil de trabalhar, e as respostas protocolares vão se sucedendo, “e a Seleção, Carpegiani? Você se considera pronto pro lugar do Telê?”, e aí o semblante se torna sério, parece pouco à vontade, não gosta de falar do assunto, prefere a discrição, “se vier, será no tempo certo”.

    As luzes se apagam, e Carpegiani enfim vai deixando o estádio. Postura ereta, séria, a satisfação da missão cumprida. A tarefa de mostrar, mais uma vez, que o Flamengo possui um treinador à altura de seu exuberante elenco. Um comandante em condições de criar estratégias capazes de surpreender e desnortear seus adversários. Um “professor” respeitado como um dos melhores profissionais do país, a despeito de sua pouca experiência, sempre invocada em contraponto à miríade de taças conquistadas.

    Carpegiani abre a porta do carro, acomoda-se. O melhor em campo do Fla-Flu dá a partida e ganha o rumo de casa.

    Sim, é nos jogos grandes que os grandes aparecem.

     
    Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no Mundo Bola e também no Buteco do Flamengo.
    Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72

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