Autor: diogo.almeida1979

  • No Flamengo, Diego Alves reencontrará um velho companheiro

    O Atlético Mineiro viveu sua pior fase no ano de 2005 quando o clube foi rebaixado para a Série B. Sem nomes tão grandes no elenco, viveu no ano seguinte um momento de reaproximação com o torcedor, manteve média de público altíssima e, após se superar com a chegada de Levir Culpi como comandante, conseguiu a subir novamente para a elite do futebol.

    Dentre os jogadores do elenco, estavam o goleiro Diego Alves, jovem e substituto de Bruno, que havia se transferido ao Flamengo. No meio-campo, um Márcio Araújo engatinhando na carreira profissional rumo ao atleta titular por onde passou.

    Ambos foram importantíssimos na campanha que culminou no título da Série B para o clube mineiro em 2006. Diego e Márcio falam da importância que teve aquele ano para eles, como cresceram como atleta, a força do grupo e como aprenderam a conviver com a pressão. O Galo foi campeão com 71 pontos e teve o melhor ataque (70 gols) e a segunda melhor defesa (39, atrás dos 36 gols sofridos pelo Sport).

    Apesar da importância, Márcio Araújo viria a ser emprestado ao Kashiwa Reysol, do Japão, em 2007. Diego Alves seguiu como titular da meta atleticana e novamente fez uma boa temporada, que o levou para o Almería e, em seguida, virou uma lenda para o Campeonato Espanhol após grandes exibições pelo Valencia, onde se tornou o maior pegador de pênaltis da história da competição. Já o volante voltou ao Atlético em 2008 e a partir daí foi sempre bem aproveitado por Palmeiras (2010 a 2014) e Flamengo (2014 até atualmente).

    No rubro-negro carioca essa dupla se reencontrará passados 10 anos. Se no Atlético-MG eram jovens em busca da consolidação, hoje goleiro e volante são atletas mais que consolidados e bastante experientes e no Mengão buscarão a glória, mas dessa vez na elite do futebol.

    Em pé o goleiro Diego Alves e agachado o volante Márcio Araújo


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  • De virada, Flamengo vence Grêmio e enfrentará o Novorizontino nas 8ªs da Taça BH

    Fechando a primeira fase da Taça BH de Futebol, o Flamengo enfrentou o Grêmio na tarde deste domingo (16), no Estádio Municipal Caetano Cenachi Neto, em Rio Doce. Com gols de Sidney, Yuri de Oliveira e Marx, o Rubro-Negro derrotou a equipe gaúcha por 3 a 2, de virada, e assegurou o primeiro lugar do Grupo G. Kainandro e Mateus Cardoso descontaram para o Tricolor.

    A derrota eliminou o Grêmio da competição, já que no outro confronto do grupo o Paraná goleou o Ponte Nova (MG) por 8 a 1, empatando em números de ponto com o time de Porto Alegre, mas levando vantagem no saldo de gols: 5 x3.

    Nas oitavas de final o Rubro-Negro enfrentará o Novorizontino (SP), segundo colocado do grupo B. O jogo será disputado na próxima terça-feira (18), às 20h15, em Rio Doce, sede do Flamengo na primeira fase.

    O Jogo

    Pressionado pela goleada do Paraná sobre o Ponte Nova, o Grêmio iniciou melhor a partida, e não precisou de muito tempo para abrir o placar. Aos 12 minutos, o zagueiro Kainandro colocou o time gaúcho na frente, fazendo o goleiro Victor Hugo buscar a bola no fundo da rede pela primeira na competição.

    O Flamengo equilibrou as ações e foi atrás do empate. No minuto 26 do segundo tempo, Sidney, que havia entrado há pouco tempo no lugar de Leandro, deixou tudo igual. O atacante pegou o rebote do goleiro Gabriel após a boa finalização de Rhyan.

    A igualdade no marcador, porém, durou apenas três minutos. Mateus Cardoso colocou novamente o Grêmio na frente do placar. Entretanto, no minuto seguinte, Yuri  de Oliveira pôs novamente igual no marcador. Em jogada pelo lado esquerdo do ataque, Lucas Gabriel tocou a bola para Yuri, que girou na meia lua e acertou o canto direito do arqueiro gremista.

    E ainda teve tempo para a virada rubro-negra. Aos 36 minutos, Rhyan sofreu o pênalti e, Marx, com muita categoria, estufou a rede tricolor, confirmando os 100% de aproveitamento do Flamengo na primeira fase da Taça BH.

    Escalação do Flamengo: Victor Hugo, Braian, Teo, Natan, Ramon, Leandro (Sidney), Matheus (Lucas Gabriel), Vitor Ricardo (Athirson), Gomes (Yuri de Oliveira), Marx e Luan (Rhyan). Treinador: Mauricio Souza.

    Foto: Reprodução /Twitter


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  • Flamengo acerta vinda de Diego Alves e anúncio pode ocorrer ainda hoje

    A mudança de Diego Alves para o Rio de Janeiro parece cada dia mais irreversível. Ele atuará no Flamengo e o anúncio poderá ser feito ainda hoje, dependendo do resultado da partida diante do Cruzeiro, marcado para às 16h na capital mineira.

    O primeiro a noticiar o acerto entre Valencia e Flamengo foi o ex-setorista do Flamengo e agora correspondente do site GloboEsporte na Espanha, Ivan Raupp.

    “Os clubes não confirmam valores, mas o Flamengo acertou pagamento de 300 mil euros (pouco mais de R$ 1 milhão), parceladamente, ao Valencia. Diego vai assinar contrato de três anos com o Rubro-Negro carioca. No Rubro-Negro, entre salários e direitos de imagem, o goleiro vai receber cerca de R$ 500 mil mensais”, informa Raupp.

    Diego Alves fez sucesso no futebol espanhol. Imagem: Divulgação/Valencia FC

    Carioca, Diego Alves está em Ribeirão Preto, cidade que passou a maior parte da vida — o goleiro integrou a base do Botafogo-SP por anos — e onde reside seus familiares. E espera o anúncio oficial para voltar à sua cidade natal. O retorno acontece depois de quase uma década atuando na Europa. Após ser vendido pelo Atlético Mineiro ao Almería por 2,5 milhões de euros, chegou ao Valencia em 2011. No clube valenciano conquistou importantes marcas individuais, como o recorde de minutos sem tomar gol: foram 618, superando a marca do ex-Real Madrid, Iker Casillas.

    O que mais chamou a atenção dos espanhóis e, que provavelmente, ficará na história por muitos anos é sua incrível capacidade de pegar pênaltis. Em La Liga é o recordista absoluto, muito à frente do lendário barcelonista Zubizarreta. São 24 defesas nos 50 tiros diretos batidos em sua meta, em partidas válidas pelo campeonato espanhol.

    Após a queda de produção de Muralha desde o início deste ano, Zé Ricardo vem dando experiência no time titular ao jovem Thiago, campeão da Copinha junto com o próprio treinador, em 2016. Contudo, a forma como se mostrou inseguro nas partidas em que atuou, convenceu a cúpula do futebol rubro-negra a não deixar de aproveitar uma boa oportunidade de mercado — Diego Alves estava sendo oferecido pelo Valencia a vários clubes por conta dos altos custos do seu contrato com o clube.

    Diego Alves ficou teria ficado muito tentado em vir para o Flamengo por conta da boa receptividade da torcida nas redes sociais desde o mês passado, e a proximidade com a seleção brasileira de Tite. Com 32 anos, o jogador ainda sonha em atuar numa Copa do Mundo.

    Atualização (12h26)

    Valencia se antecipou ao anúncio do Flamengo e informou saída de Diego Alves e acerto com o Mais Querido.


     

    Foto destacada no post e redes sociais: Divulgação/La Liga

     


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  • Entrevistamos Luis Nogueira, o “VP de Futebol de Base”

    O tempo dirá se o trabalho que Luis Nogueira vem desenvolvendo no Clube de Regatas do Flamengo vai render frutos. Ele é uma espécie de vice-presidente de Futebol de Base. Oficialmente o cargo não existe. Após a venda de Vinícius Júnior e o anúncio da construção de um colégio dentro do Centro de Treinamento George Helal, os holofotes se voltaram para o trabalho de formação de talentos em Vargem Grande. A esperança da torcida sempre será reviver o slogan “craque o Flamengo faz em casa”.

    Além de explicar seu trabalho no futebol do Flamengo, Luis Nogueira falou sobre a atual filosofia de formação de jogadores, bem como a utilização nos profissionais, e deixou claro que o objetivo final da base rubro-negra não são as transferências internacionais.

    Buscamos do dirigente maiores informações sobre o contrato de cinco anos com o grupo de ensino GPI, que a partir de 2018 vai garantir educação de qualidade para grande parte dos atletas no próprio CT. Emendamos tentando entender como o clube lida com os aspectos disciplinares exigidos dos “Garotos do Ninho”, tanto na rotina de trabalho, como na vida doméstica e até mesmo no mundo virtual, nas postagens em redes sociais.

    Uma grande parte da entrevista foi dedicada à captação de talentos, que parece avançar. Ao fim do ano passado o Flamengo contava com apenas três captadores — ou olheiros, como são popularmente chamados estes profissionais — , atualmente este número pulou para sete e a meta é chegar a 12 ainda em 2017. Segundo Luis Nogueira, as captações estão sob “um estado da arte”, com pouquíssimo apoio científico. E é aí que entrará a parceria do Flamengo com a empresa belga Double Pass, que revolucionou o trabalho de base na Alemanha e Bélgica.

    Ainda sobre a captação de talentos, Luis Nogueira revela a entrada de um novo ator neste ciclo, expandindo-o. Trata-se do agente autônomo, figura que estará vinculada diretamente aos captadores profissionais do clube.

    O sensível momento de transição da base para os profissionais não foi um assunto deixado de lado.Para o “vice-presidente”, é preciso convicção nas metodologias de formação empregadas, assim como fornecer à Comissão Técnica do profissional o maior leque de informações sobre os jovens.

    Cobrança por títulos, como a recente derrota na final da Copa do Brasil Sub-20 2017, a formação de treinadores, o estabelecimento de um percentual estatutário de verba para a base rubro-negra, infra-estrutura, recursos recolhidos através de projetos incentivados, e a filosofia de jogo, o tal DNA Rubro-Negro. Tudo isso está dito. Esperamos que vocês curtam mais essa edição da série Política Rubro-Negra no Mundo Bola.

    Não podemos esquecer de agradecer DEMAIS os nossos apoiadores. Parte da pauta desta entrevista foi feita por eles. Um orgulho para nós. Você acredita em nosso projeto, sente que o conteúdo sobre o Flamengo pode ser produzido com responsabilidade, de maneira propositiva e sempre mirando uma maior instrumentação da massa crítica de nossa torcida? Então nos ajude. Saiba como se tornar um apoiador do Mundo Bola neste endereço: apoia.se/Mundo Bola.

    Leia a entrevista na íntegra:
     


     

     

    Mundo Bola:Luis, muito obrigado por receber o Mundo Bola. Acho que não tem como a gente começar sem falar da sua trajetória de trabalho no clube. Como tudo começou pra você no Flamengo?

    Luis Nogueira: Eu entrei para o SóFLA um pouco depois da eleição de 2012. Meu primeiro trabalho no SóFLA foi entrar no Grupo de Trabalho de Finanças e na parte de contabilidade, que eu pude ajudar melhor. Depois, junto com o Edmilson Varejão a gente ajudou, bem no começo mesmo, com um estudo sobre estádios. Cheguei a fazer uma apresentação no Conselho Diretor sobre Maracanã antes ainda da primeira licitação. Depois o Mário Esteves me convidou para ser assessor do Conselho Fiscal e me desliguei do GT. Depois de algum tempo foi criado o GT de Futebol no SóFLA. Quando o Wallim Vasconcellos deixou a vice-presidência de futebol e o Fred Luz se aproximou mais do Futebol, ele me convidou para ajudar mais na parte de finanças do futebol. A gente tinha um elenco muito grande e tinha muitos “a pagar” que não estavam muito bem mapeados. Não se tinha total visibilidade do orçamento para frente. Tinha muita rescisão, jogadores entrando e saindo. Estava meio bagunçado.

    Mundo Bola: Hoje seu status é de vice-presidente do Futebol de Base, mesmo que oficialmente este cargo não exista. Qual a importância do seu trabalho atualmente?

    Luis Nogueira: O total de investimento na base estava aquém do que a gente gostaria. Sabíamos que tínhamos uma equipe muito boa tocando o departamento de base e que não estávamos dando a eles todos instrumentos necessários.Outros clubes criando e vendendo jogador ano após ano e nós investindo menos do que poderíamos. Foram decisões tomadas que castigavam o orçamento da base. Eu era uma das pessoas que batia nesse ponto de que não se pode tirar orçamento da base. Foi ficando clara a necessidade de uma força política. Mesmo com a figura do diretor de futebol, e, sobretudo, o vice-presidente de futebol. O Eduardo me convidou a ser esta pessoa a cuidar mais da base. Eu já estava muito próximo, conhecia os processos, tinha participado de discussões sobre o conceito do CEP e do CIM. Cargo oficial não tem. Na prática mesmo sou um assessor presidencial do futebol. Não é nem apenas para a base. Conseguimos um aumento no orçamento para investimentos na base já para 2017, isso foi muito importante, conseguimos voltar a disputar competições internacionais e aumentar a equipe de observadores.

     

     

    Mundo Bola: Onde você se encaixa dentro da estrutura de governança do futebol do Flamengo?

    Luis Nogueira: A governança no futebol é muito clara. Hoje o vice-presidente de futebol é o Eduardo Bandeira de Mello , o CEO do clube é o Fred Luz, e o diretor de futebol é o Rodrigo Caetano. Abaixo do Rodrigo Caetano temos os gerentes-diretores, por assim dizer. Que são o Marcos Biasotto, Gerente de Inteligência e Mercado, o Dr. Márcio Tannure, chefe do Departamento Médico e abaixo dele tem o Fernando Gonçalves que cuida da Psicologia, e o Carlos Noval, Diretor de Futebol de Base. Na Direção Técnica do Futebol temos o Zé Ricardo, com o Mozer e o Cléber dos Santos que formam a coordenação técnica. Então essa é a estrutura. Eu sou um elo independente, buscando incentivar discussões na base e com os profissionais todos. O que tento fazer o tempo inteiro é não me meter em parte técnica. O que eu ajudo e cobro o tempo inteiro do Noval e demais é a melhoria constante da estrutura de trabalho, a evolução de competição e avaliação de desempenho, e, obviamente, a revelação de jogadores que tenham sucesso no clube ou valor de mercado.

    Mundo Bola: Como é esse elo independente trabalha dentro do futebol de base?

    Luis Nogueira: Estou o tempo todo em contato com todo mundo: do Noval aos coordenadores técnicos do sub-20, sub-17. Os responsáveis pela captação, chefiados pelo Biasotto. O Caetano, com um série de assuntos que têm interconexão com os profissionais. Falo bastante também com a parte de psicologia, que até este começo do ano a gente tinha gaps por preencher em profissionais na área médica e psicologia. E vou lidando com uma série de outros profissionais, como os do futsal, que a gente está reestruturando. Ontem mesmo estive com o coordenador de futsal. E procuro ir ao máximo de jogos da base e do futsal. Procuro estar presente o quanto posso.

    Mundo Bola: Até onde vai seu poder de tomada de decisões?

    Luis Nogueira: Antes de avaliar o trabalho de um profissional, tenho que procurar saber primeiro qual a avaliação do chefe dele, que é o Rodrigo Caetano em última instância. No dia que eu estiver vetando alguém não estarei cumprindo bem meu papel porque o que a gente precisa é criar mecanismos constantes de avaliação, como qualquer empresa faz, com processos mais formais. Para que se entenda quais são os pontos prós e contras dos nossos profissionais e se consiga avaliar no tempo a evolução de cada um deles. Até para respaldar uma possível ida ao profissional do clube, uma promoção. Precisamos embasar e formalizar mais. E eu cobro muito isso.

    Mundo Bola: Samir, Jorge e Vinícius Júnior. A base do Flamengo começa a ter um selo de qualidade?

    Luis Nogueira: Acho que sim. A venda do Vinícius foi muito importante para o clube. O fato do Real madrid acreditar que um menino de 16 anos pode ser o melhor do mundo daqui a alguns anos, isso para a gente foi muito importante. Acredito que vamos continuar formando bons jogadores.

     

     

    Mundo Bola: Como foi o caso do Vinícius Júnior?

    Luis Nogueira: Chegou uma proposta irrecusável. Geramos um grande talento e espero que ele faça muito sucesso no Real Madrid. É bom para todo mundo. Se grandes clubes do mundo começarem a olhar para a base do Flamengo com esta perspectiva e quiserem comprar todos a preços irrecusáveis eu vou achar uma pena porque queremos que os jogadores joguem aqui. O objetivo primordial é o atleta revelado dar retorno esportivo no profissional do Flamengo. O financeiro será consequência. Mas isso a gente não controla.

    Mundo Bola: Quais são os principais pontos avaliados no trabalho de formação da nossa base?

    Luis Nogueira: Títulos, convocações para as seleções de categoria de base, o aproveitamento no elenco profissional que temos a meta de ⅓ do elenco ser formado em casa e o sucesso profissional do atleta. Se o jogador formado sair do Flamengo e for bem-sucedido em outro clube teremos a resposta de que a formação foi correta. Exemplo: o lateral-esquerdo Dalbert que estão especulando que irá para a Inter de Milão e quase não jogou no profissional do clube. Não se pode avaliar isso através de uma única safra ou de um grupo seleto de jogadores. Tem que ir acompanhando no tempo. Vendemos o Jorge. Jorge foi titular no profissional. Acho que aconteceu o ideal. Tiago é titular atual do profissional, revelado na base. Queremos gerar potenciais titulares.

     

     

    Mundo Bola: Nos últimos dias saiu a notícia sobre a parceria de ensino com o GPI. O que mais podemos falar sobre a construção dessa escola para nossos meninos no Ninho do Urubu? O que você projeta em relação a este projeto?

    Luis Nogueira: Temos a visão, baseada em estatística, de que a maior parte daqueles atletas não vão ser jogadores de futebol profissional. No Flamengo ou em qualquer lugar. Nosso trabalho é pegar com 12 anos e ir acertando cada vez mais, claro. Mas é impossível ter 100% de aproveitamento. É um funil. O Flamengo tem um papel importante. O Flamengo não tem fins lucrativos, o Flamengo é um clube que atende os anseios da sociedade. A partir do momento que temos um atleta vestindo nossas cores, nos tornamos também responsáveis por boa parte da sua educação e da sua formação de cidadania. A parte de educação é muito importante para o futuro dessas pessoas. Claro, é preciso estar matriculado em um colégio, mas hoje não temos um controle efetivo da qualidade do ensino. Com um colégio no CT a gente traz essa ampliação de margem de um bom futuro para muito perto do clube. Assim, não tem como não acompanhar o desempenho disciplinar, as notas e a frequência. Teremos retorno direto no desempenho atlético. Não é uma garantia mas aumentamos a chance de um bom desempenho longe do futebol. E na performance futebolística em si, é muito claro que atletas com melhor nível intelectual vão assimilar melhor o jogo.

    Mundo Bola: Quando começam as obras do colégio?

    Luis Nogueira: Este ano e ano que vem teremos muitas obras no CT, inicialmente a estrutura será provisória mas depois a planta do colégio será erguida assegurando maior conforto. Uma questão que acabou que saiu errado em alguns lugares é que essa estrutura não atenderá inicialmente todos os atletas, apenas os de 14 anos para cima. Abaixo disso seria o Ensino Básico (até o quarto ano). Claro que o para o Ensino Fundamental forte é necessário que a haja uma boa base anterior, mas vamos primeiro dar este passo com o estabelecimento do Ensino Fundamental (do quinto ao nono ano). Eu sou dessa linha, que é a linha de toda a diretoria, de dar um passo de cada vez , do que tentar fazer algo já muito grande desde o princípio sem ter testado antes. Então em um primeiro momento apenas parte dos atletas serão atendidos e depois, se tudo der certo, estender para os menores, inclusive aos pequeninos do futsal.
     

     
    Mundo Bola: Vamos ter uma disciplina que ensina história e cultura do Flamengo?

    Luis Nogueira: Nós já temos uma iniciativa muito interessante do Leandro Nader. Ele também é do SóFLA. Um embrião disso. Ele leva a garotada da base para o FlaMemória e faz uma visita guiada com palestra ao final. A vontade mesmo é que no colégio a gente tenha aulas, uma matéria mesmo com prova, valendo nota. Já estamos com o pedagogo trabalhando nisso.

    Mundo Bola: Já que falamos de educação, como o clube controla o comportamento dos garotos no Ninho, em casa e até nas redes sociais? Quando o garoto chega ao clube, existe uma conversa com ele na presença dos pais e uma cartilha a ser seguida?

    Luis Nogueira: Varia muito de quando e como chega. O cara que está com a gente desde cedo, uns desde os sete anos. É carioca, está adaptado. Outros chegam de fora, de uma outra realidade. A conversa com os responsáveis passa pela exigência da matrícula colegial. Sobre as redes sociais, formalmente não temos um controle rígido, entretanto temos palestras e orientações de um pedagogo que trabalha com a gente em tempo integral na base. Temos um profissional de Serviço Social também. A estrutura pode melhorar, precisa aumentar. Muitos desses meninos têm problemas familiares pesados. O que a gente tenta é orientar na parte comportamental. Passamos nosso feedback para as famílias quando é identificado um problema comportamental. Há um ano estamos tentamos inserir um profissional para cada categoria mas estamos tendo uma rotatividade de profissionais grande. O que há efetivamente agora é um acompanhamento e monitoramento feito através dos profissionais da Pedagogia e do Serviço Social. Não tenho como explicar essa grande saída de psicólogos, não sei se é o mercado. No projeto Pratas do Ninho estamos conseguindo um acompanhamento psicológico mais efetivo, sempre fazendo check quando percebem um problema mais forte.

    Mundo Bola: A torcida é particularmente sensível a este tema. Durante anos tivemos uma imagem um pouco distorcida com relação ao aspecto disciplinar, tanto na base como no profissional.

    Luis Nogueira: O quadro disciplinar do Flamengo é super importante. A gente não tá medindo se o jogador vai ser bom ou não. Se o cara é um excelente jogador e mostrou um problema disciplinar muito grave, vai ser dispensado. Não importa que ele seja o melhor jogador. Ele vai ser dispensado. Existem regras rígidas em relação a algumas coisas. Não adianta. E temos avanços em relação ao que era antes. Até porque o profissional está arrumado e isso bate na base. O exemplo de cima facilita sem dúvida.

     

     

    Mundo Bola: Muito se fala sobre rede de captação de atletas. Cada clube parece seguir uma estratégia própria. Qual é a estrutura atual para o mapeamento de talentos para a base do Flamengo no Brasil e até em outros países?

    Luis Nogueira: O primeiro passo é estruturar as competências desse olheiro. O que é mais importante para o clube hoje, dado que temos recursos ilimitados? A gente pode botar um olheiro para acompanhar na América Latina a partir dos 15, 16 anos, e competir com os clubes europeus que já fazem isso? A gente poderia fazer? Poderia. Qual a restrição? Só pode trazer jogador de fora com 18 anos. Terei que trazer a família. Preciso de muita convicção. Um processo muito bem estabelecido para fazer isso. Conseguimos achar muito talento no Brasil ainda, temos muito a evoluir aqui. As histórias de sucesso não seguem um padrão. Nisso tudo tem um estado de arte envolvido e ainda não mensurável. Independente da arte é preciso ter estrutura e processo. O Flamengo tinha três olheiros até o ano passado. É muito pouco para qualquer trabalho. Se quiséssemos captar só no Rio, ou só em São Paulo, esse contingente não daria conta. O fato é que a gente tem que ter uma rede de olheiros. Hoje temos três olheiros dedicados ao Rio, dois em São Paulo e um no Sul. E fechamos com o sétimo agora. Se tudo der certo teremos 12 até o final do ano.

    Mundo Bola: Esta rede é somente para o futebol de base?

    Luis Nogueira: Prioritariamente. Nada impede de ajudar bastante o profissional. O CIM conta com o Fabrício Souza e o próprio Marcos Biasotto que fazem este trabalho também. O Trauco foi monitorado por seis meses. Acho que foi um trabalho legal. Pode e deve ser melhor. Não adianta ir lá ver um jogo, tem que estar acompanhando. Uma equipe de olheiros no clube pode ser uma equipe de olheiros da base que pode ser integrada eventualmente ao profissional. Dentro de um método. E temos que estar atentos para oportunidades de mercado para atletas de 18 e 19 anos, que já precisam de uma avaliação para atuarem nos profissionais. Se o cara for um fenômeno a gente vai ter uma competição enorme de times de fora, temos que achar o talento o quanto antes A gente é do Rio, certo? A gente domina o mercado carioca de captação? Não domina. A gente primeiro tem que ser o melhor no quintal da nossa casa.

    Mundo Bola: Além de fortalecer a estrutura de captação não é necessário fazer parceria com clubes e aumentar o número de escolinhas do Flamengo?

    Luis Nogueira: Sim. É preciso proximidade com outros clubes e ampliarmos a rede de escolinhas e parceiros regionais. Houve avanços na qualidade da base já nos últimos anos. Nosso sub-20 melhorou, nosso sub-17 é forte. Foram atletas trazidos pela nossa rede de contatos e esforço dos profissionais do clube mesmo sem contar com a estrutura ideal de captação do clube . Pessoas do mundo do futebol que trazem para o clube. O atual estado de seriedade e credibilidade que o clube conseguiu imprimir em sua gestão reaproximou estas pessoas da nossa base. Este ano a gente já com os novos observadores, conseguimos aumentar o número de testes e aprovações Houve uma renovação muito grande em algumas categorias.

    Mundo Bola: Quais são as maiores expectativas no momento?

    Luis Nogueira: Trouxemos um garoto do América-SP, o Braian do Jundiaí, um menino do São Bernardo agora, destaque da Copinha. Tem uma turma boa vindo de Minas Gerais. Receberemos uma turma de um clube de São Paulo para testes na semana que vem. Trouxemos um zagueiro do Guarani, outro do Sergipe também. Também pode chegar uma turminha de futsal de foral. Não vou especificar muito. O que queremos é captar os melhores talentos entre 10 e 13 anos.. Sobre a captação, finalmente, eu brinco que precisamos ter um mapa do Brasil tipo o War, sabe? O misto entre funcionários próprios, parceiros locais (que tenham CT), escolinhas. O fato é que a gente está no passo 1 deste projeto de captação nacional. Estava no passo zero, com a verba de orçamento que estamos pleiteando vamos para o passo 2 ainda este ano. O passo 3 é fazer as parcerias e continuar desenvolvendo nossa rede de contatos. O passo 4 é olhar isso tudo com um conhecimento melhor do mercado e acompanhamento com mais contingente. E o passo 5 é captar um jogador que tem qualidades muito específicas, com bastante convicção que irá estourar no profissional e aí sim, ele pode ser um jogador de um outro país, dentro de um quadro de jogadores que estão sendo monitorados há anos.

     

     

    Mundo Bola: Onde entra o trabalho da Double Pass?

    Luis Nogueira: Justamente nesse planejamento que comentei a pouco. O trabalho da Double Pass vai fazer um alinhamento, um perfil do trabalho que os agentes vão buscar e que os nossos treinadores vão desenvolver ou aperfeiçoar. Define-se assim o perfil por posição, o biotipo dado ao nosso modelo de jogo, por exemplo. Melhorar os filtros dos olheiros: vamos trazer um pouco mais de processo para eles. Claro que estes modelos técnicos não vão segmentar ao ponto da gente rejeitar um atleta por ser baixo ou alto, por exemplo. Mas a gente tem que ter um patamar estabelecido. Junto com a grande estrutura que vamos ter nos próximos anos, acreditamos em resultados ainda Sabendo o que se quer e aprendendo com o que vai dando certo também.

    Mundo Bola: Quais são os pecados do Flamengo na transição do sub-20 para o profissional?

    Luis Nogueira: Acho que essa resposta tem que ser dada pelos profissionais, tem muitas aspectos técnicos envolvidos nesse processo, que é muito complexo. Em relação ao jogador da base: temos que garantir que ele tenha muita qualidade e condições de ser titular do Flamengo.

    Mundo Bola: Existe a discussão hoje no Flamengo de se formar um time B?

    Luis Nogueira: Existe a discussão sobre time sub 23 que não envolve somente o Flamengo.

    Mundo Bola: A pressão da torcida certamente atrapalha os garotos em seus primeiros jogos, se não começam bem. E parece que o clube não consegue bancar.

    Luis Nogueira: A pressão é natural no Flamengo. Se temos convicção no potencial do atleta, devemos insistir. Essa convicção é que norteia o trabalho no clube.

    Mundo Bola: Jogadores como Gabriel não tiram espaço de maturação de jovens com potencial melhor? Quem vem de fora parece ter mais oportunidade do que os nossos jovens, que acabam emprestados depois da primeira sequência de jogos ruins.

    Luis Nogueira: São opções dos treinadores. A única coisa que eu posso falar é do trabalho desenvolvido pela base. O que está sendo feito é um trabalho de monitoramento das características de cada atleta desde muito cedo. Quando ele estiver próximo de subir temos que saber o estágio que o atleta está, onde ele precisa se desenvolver. A integração entre o profissional e base é muito importante aqui. Para que as características dos atletas sejam completamente conhecidas. Quanto mais informações são fornecidas acredito que melhor será a tomada de decisão de usar o atleta no profissional e dar sequência e plano de carreira.

    Mundo Bola: E com relação à formação de treinadores?

    Luis Nogueira: Se aplica a mesma lógica. Temos que saber tudo sobre o perfil dele desde o seu início de trabalho no clube. Se ele tem perfil para atuar no profissional um dia ou se é importante que fique 20 anos com a gente na formação de gerações de atletas.

     

    Mundo Bola: Perdemos a final da Copa do Brasil sub-20 recentemente. Existe cobrança por títulos na base? O time foi cobrado por ter perdido um título?
     

    Luis Nogueira: É natural dentro de um processo de amadurecimento a consciência de que o Flamengo vive de suas vitórias e conquistas. Eles sabem disso. Todos ficaram muito chateados com a derrota diante do Atlético-MG. Jogar decisões é muito importante. Observarmos o comportamento de alguns jogadores vencendo e perdendo. Como encaram jogos decisivos. O primeiro objetivo é formar, e vencer no Flamengo faz parte desta formação. As metas da base são muitos claras, como já disse: títulos, convocações e, a médio prazo, aproveitamento de fato no time de cima (retorno esportivo ou pelo menos resultado financeiro).

    Mundo Bola: O que você pode falar sobre a nossa estrutura física atual, o que vai mudar com as próximas obras?

    Luis Nogueira: A evolução do clube impacta diretamente na estrutura. A gente tinha uma estrutura muito básica até antes da inauguração do CT dos profissionais. Agora a gente tem uma estrutura provisória boa que era dos profissionais e a gente vai para uma muito boa, excelente, se tudo der certo. (Nota do editor: a entrevista foi concedida antes do anúncio da construção de um novo módulo para os profissionais. Com isso, a novíssima estrutura inaugurada em dezembro do ano passado passará a servir aos jogadores das categorias de base).

    Mundo Bola: Haverá uso de recursos captados através de projetos incentivados?

    Luis Nogueira: Estamos trabalhando para conseguir. Na verdade existe uma perspectiva muito boa disso acontecer. Pode ser um anúncio muito bom, mas não vou adiantar ainda. Pode ser que não aconteça. Tem que ser igual ao GPI. Só depois de tudo certo a gente pode detalhar mais. A prioridade com os incentivados é não criar despesa nova. Nunca se sabe se teremos interessados no futuro. O foco é estrutura, então pedi para o pessoal do CEP listar todas as máquinas e equipamentos de musculação, fisioterapia, fisiologia, tudo que for necessário para que a gente tenha a estrutura do profissional. Assim foi feito. Licença de software para monitoramento de mercado também.

    Mundo Bola: A base deve ter um percentual de verba estabelecido de forma estatutária?

    Luis Nogueira: Eu sou contra. Acho que a base tem que ter recurso quando precisar do recurso. Não adianta amanhã chegar para a base do Flamengo e dizer “toma 10 milhões de reais!”. Sabe o que vai acontecer? Vamos acabar gastando mal. Não adianta, tem que fazer a coisa gradualmente. Aumentamos o investimento na base em 2017? Sim! Então agora vamos avaliar. E aumentar quando se entende que precisa realmente aumentar, depois de estudo. Eu sei a necessidade e o porquê da necessidade de aumento da verba.

    Mundo Bola: Como é discutido e apresentada aos jovens da base a tão propalada filosofia de jogo do Flamengo, ou o tal DNA Rubro-Negro?

    Luis Nogueira: Quem lidera essas discussões lá na base são os coordenadores técnicos, que são o Kadu Borges, responsável pelo sub-17 pra baixo, e o Léo Inácio do sub-20, junto com os técnicos. Eles são responsáveis pela criação do modelo de jogo e pela cobrança das diversas comissões técnicas para que aplique o modelo. Na minha opinião, independente do esquema, a filosofia é a de propor o jogo. O Flamengo não espera adversário. Tem que ser brigador, com vontade de ganhar. O Flamengo deve jogar bonito e com raça ao mesmo tempo. Qualquer que seja o sistema de jogo, ele deve ser propositivo, ofensivo, que busca a vitória sempre, jogando em casa ou fora. Aí entra novamente a Double Pass. É colocar no papel essa discussão da filosofia do clube com o suporte da consultoria, com o envolvimento de quase todo o Departamento de Futebol, o presidente, outros membros do Conselho Diretor e envolver até o torcedor de alguma forma também.

     


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  • A série dos doze: 2008

    “Tranquilidade” foi a palavra-chave de 2008. Quarto ano seguido, 35º título carioca na história do FlaBasquete. Mais uma vez comandados pelo lendário Paulo Chupeta — que naquele ano chegou a comandar  a seleção brasileira pouco antes do campeonato começar.

    O Flamengo, diferente de três anos atrás, chegou a um patamar elevado em questão de orçamento. Era o clube com o maior poder de investimento comparado aos outros, seu time sem dúvidas novamente vinha acompanhado do favoritismo.

    Fez jus às apostas dos torcedores, brilhou na fase de classificação jogando 8 jogos e vencendo todos eles, somando 16 pontos. Já o seu futuro oponente nas finais, Cabo Frio, jogou 8 partidas, venceu 4 e perdeu 4, com o total de 12 pontos. Um detalhe importante é que o Flamengo não jogou a semi indo pois o Cabo Frio e o Club Municipal haviam empatado na tabela.

    Entre um placar apertado, Cabo Frio venceu o Club Municipal por 69×66, apresentando-se como candidato ao título. Entretanto, o elenco rubro-negro estava a todo vapor, mantendo a consciência em dia como contou na época, Chupeta ao site do Flamengo:

    “Em 2008 foi um título mais tranquilo. Mas todos os jogadores tinham ciência de que deveriam fazer seu melhor, independente do adversário, porque assim nós valorizamos a competição. E foi isso que foi feito. Conquistamos o título jogando nosso melhor basquete e respeitando todas as equipes”.

    As finais estenderam-se em dois jogos, o primeiro disputado no Ginásio Poliesportivo Aracy Machado e o segundo no Ginásio Hélio Maurício. Os placares também foram longos com o Fla protagonizando mais um jogo eletrizante.

    Final:

    5 de dezembro – Cabo Frio 70 x 114 Flamengo

    8 de dezembro – Flamengo 102 x 61 Cabo Frio

    Marcelinho mais uma vez foi o cestinha da competição com 393 pontos, e levou o MVP da temporada.

    Time:

    Daniel, Duda, Coloneze, Fernando, Fred, Hélio, Igor, Júllio, Marcellus, Marcelinho, Wagner e Wanderson

    Téc: Paulo Chupeta.

    Este mesmo elenco levou o time da Gávea ao bi do NBB 2008-2009.

    Leia a série dos doze

    A série dos doze: 2005

    A série dos doze: 2006

    A série dos doze: 2007
     


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  • Sobre ficar preso de motorhome e me prender pelo Flamengo

    Escrevi meu último post antes do Vasco x Flamengo e fui correndo para o Walmart assistir ao jogo. Terminei o post falando o seguinte: “Não sei se o wi-fi lá vai funcionar. Não sei se o link pirata vai ser tirado do ar pela Globo no meio da partida. Não sei se o Fla vai justificar sua supremacia perante ao adversário. A única certeza que tenho é que todo meu esforço para ver você jogar é pouco perto de todo o amor que sinto por você, Flamengo.”

    Nunca soube se o wifi funcionou ou não, se a Globo tirou o link do ar ou não. No meio do caminho meu motorhome quebrou na pista local da estrada e nunca consegui ver o jogo. Era sábado a tarde e o máximo que eu conseguiria fazer era ser rebocado para a porta de uma oficina que já estaria fechada quando eu chegasse e só reabriria na segunda-feira de manhã, tendo que dormir ali mesmo, na porta do mecânico. Pensei bem. Desisti. Cancelei o reboque do seguro. O Flamengo venceu.

    https://www.youtube.com/watch?v=AuXAEIjaB_Q

    Com muita dificuldade consegui voltar para o acampamento onde eu estava. Passei dois dias preso lá até segunda-feira de manhã, quando, antes de ser rebocado para o Terra Del Sol Automotive, passeando com meus cachorros, dei de cara com uma Rattlesnake, a famosa Cascavel no Brasil. Fico animado quando vejo coisas que nunca tinha visto antes, seja uma cobra, seja uma cidade. Desconfiava de um problema de aterramento de fios, mas era ignição. O cara estava desligando no meio da estrada, do nada. Tenso. Como sempre, você fala pro mecânico que é um motorhome, ele fica puto – pelo tamanho que ocupa na garagem dele -, diz que não vai conseguir arrumar no mesmo dia, que você vai ter que pernoitar lá, e aí entra em cena o meu plano infalível: fico do lado de fora da oficina, sem atrapalhar ninguém, claro, horas em pé, olhando fixamente para eles trabalhando. Os caras ficam incomodados e resolvem arrumar nosso motorhome logo. Mas quando uma pessoa se permite conhecer a outra, coisas boas também podem acontecer. Acabei ficando brother deles e dando conselho amorosos para o mais novo. Perguntaram da gente, das minhas tatuagens, da nossa profissão, da nossa história, do nosso roteiro. Perguntei pra eles da vida em Alamogordo, das tatuagens deles, se eles já foram para o México.

    Conseguimos ir embora no mesmo dia, já de saco cheio de Alamogordo, New Mexico. O Flamengo venceu, a semana foi boa, entramos no Arizona, ganhei uma hora no fuso, fiquei quatro horas do Brasil, e o Flamengo perdeu pro Grêmio. Voltando um pouco: essa é terceira vez que rodamos o Arizona. A primeira em 2014, a segunda em 2015 e agora. Nunca havia vindo tão Sul, tão perto do México, e pra mim é gratificante poder explorar regiões que ainda não conheço. Foi assim que conheci Bisbee, cidade que viveu de mineração no passado e hoje é uma comunidade hippie nas montanhas vivendo de vender smoothies, objetos vintage, pizza, artesanato e tour naquela mesma mina dos anos 1970. Agradeço ao Universo por viajar sem roteiro. Bisbee era para ser uma cidade de passagem e resolvemos ficar três dias, duas noites explorando a cidadezinha perdida na montanha, que a mim muito lembrou Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. Bisbee para sempre em nossos corações.

    Sempre que tomo a decisão de ficar um dia a mais me pergunto o quanto é pelo lugar e o quanto é pelo Flamengo. Explico: em Bisbee é proibido dormir na rua, ou seja, tivemos que pagar para ficarmos em um acampamento, cujo wi-fi era sinistro, e isso era sexta-feira. Sábado seguiríamos viagem, e eu provavelmente procuraria um posto de gasolina ou Walmart com wifi para assistir ao jogo. Decidi ficar e a dúvida que veio foi: “fiquei por Bisbee ou fiquei pelo Flamengo?” Acho que pelos dois.

    ***

    Hoje escrevo de mais um posto de gasolina. É aqui, no fundo do estacionamento do Pilot Travel Center, tentando não incomodar nenhum caminhoneiro, que vamos pernoitar. Estou em Nogales, cidade no Sul do Arizona que faz fronteira com uma cidade chamada Nogales, no estado de Sonora, no México. Muita gente não sabe, mas o muro que divide EUA do México não é uma idéia do Trump. Aqui existe um muro, ou melhor, uma grade, que divide as cidades de mesmo nome. A primeira grade, que com os anos foi sendo aprimorada, subiu há mais de 100 anos atrás para o gado não fugir, e depois veio uma moderna em 2011, que hoje tem uma extensão de 200 kms. Na Nogales do lado de cá, 20 mil habitantes. Na Nogales do lado de lá 250 mil. Vou do lado de dentro do posto comprar gelo e ninguém fala em inglês.

    Muito feliz e agradecido por estar aqui. Algumas decisões equivocadas e a vida poderia ter sido tão diferente.

    SRN!
     

    Sou fotógrafo carioca morando em um motorhome com minha mulher e nossos cachorros, criando conteúdo pra We Are Alive e nossos clientes. Acima de tudo, rubro-negro! Siga-me no Twitter: @Pedrobeck. Inscreva-se no meu canal http://youtube.com/WeAreAlivenaestrada


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  • Novo módulo do Ninho: Wrobel fala sobre projeto

    Após conviver com críticas em um passado não tão distante, o Flamengo caminha a passos largos para se tornar referência mundial em estrutura para o futebol – tanto no profissional como na base. Na semana passada, o clube divulgou que, ainda neste mês, dará início à segunda etapa nas obras do Centro de Treinamento George Helal. Nesta nova fase, será construído um novo módulo, maior e mais estruturado, para o elenco profissional.

     

    A expectativa é que o novo módulo seja entregue até o fim de 2018

     

    Inicialmente, o módulo profissional atual, inaugurado no final do ano passado, ficaria em definitivo com a equipe profissional e uma novo CT seria construído para as categorias de base. Mas o clube detectou a necessidade de melhorias no projeto e optou pela construção de uma nova estrutura para a equipe principal. Já os garotos do Ninho, ficarão com o módulo atual.

    – Os novos módulos contemplarão o que existe de mais moderno em termos de centros de treinamento. Praticamente todos os espaços serão ampliados, pé direito duplo, quartos individuais, criação de novos ambientes, tudo clean, iluminado. Ou seja, buscamos o que existe de melhor para torna-lo uma referência – explica Alexandre Wrobel, vice-presidente de patrimônio.

     

    Alexandre Wrobel

     

    Com previsão de entrega no final de 2018, o novo projeto é inspirado em modelos de CTs europeus. As novas obras no Ninho do Urubu serão viabilizadas com recursos advindos da negociação envolvendo o Morro da Viúva.

    Confira a entrevista com Alexandre Wrobel

    Quais serão as principais novidades na nova estrutura para o futebol profissional?

    Os novos módulos contemplarão o que existe de mais moderno em termos de centros de treinamento. Praticamente todos os espaços serão ampliados, pé direito duplo, quartos individuais, criação de novos ambientes, tudo clean, iluminado, ou seja, buscamos o que existe de melhor para torna-lo uma referência.

    Com este novo módulo, pode-se dizer que o clube será referência mundial?

    Não tenho dúvida nenhuma com relação a isso! Seremos referência em termos de estrutura tanto na base como no profissional.

    Para você, como é ver toda esta mudança na estrutura do Flamengo e saber que está envolvido no projeto?

    Motivo de enorme orgulho e satisfação. Até hoje confesso que me emociono quando entro no CT. As vezes fico parado só contemplando. Lembro da primeira vez que lá estive, aquelas imagens ficaram na minha cabeça por um bom tempo. Aquilo não tinha nada a ver com o Flamengo que sonhamos. Eu respiro o Flamengo desde sempre, ter podido contribuir efetivamente para a realização desse sonho não tem preço. Realmente é impressionante a transformação, mas ainda temos um longo caminho pela frente…

    No fim de 2018 a ‘cidade rubro-negra’ estará concluída?

    Exato! Este é o nosso compromisso!

    O módulo que ficará para a base tem quartos suficientes para todos os garotos? Ou será preciso fazer alguma adequação na estrutura?

    Cada quarto passará a acomodar 4 atletas, ou seja, teremos capacidade, em um primeiro momento, para até 96 garotos. Como o projeto do CT é modular, havendo necessidade, nada impede a construção de quartos adicionais. Fora isso faremos algumas adequações como por exemplo, transformar a sala de coletiva e de imprensa em 2 novos vestiários, aumento do refeitório etc.

     

    Estrutura atual ficará para a base.

     

    Imagem destacada no post e nas redes sociais do Mundo Bola: Divulgação/ Flamengo


     

  • Flamengo vence a segunda e avança de fase na Taça BH Sub-17

    Na noite desta sexta-feira (14), no Estádio Municipal Caetano Cenachi Neto, em Rio Doce, o time juvenil rubro-negro conquistou mais um importante resultado na Taça BH de Futebol. O Mais Querido derrotou o Paraná por 2 a 0, com gols de Rhyan e Marx, e avançou de fase na competição.

    Como também venceu o primeiro jogo, o Rubro-Negro chegou aos seis pontos e conquistou a classificação antecipada para as oitavas de final do torneio. Ainda pelo Grupo G, o Grêmio goleou o Ponte Nova (MG) por 5 a 1, e está na segunda posição da tabela, com quatro pontos. O Paraná tem um ponto em dois jogos disputados, e o Ponte Nova, eliminado da competição, ainda não pontuou.

    Pela última rodada da fase de classificação, o Flamengo enfrenta o Grêmio, no próximo domingo (16), às 13h, em Rio Doce. O duelo vale a liderança do grupo – Fla garante o primeiro lugar com um simples empate. Apenas os dois primeiros colocados avançam de fase.

    O jogo

    A equipe sub-17 do Flamengo tem por característica pressionar os adversários desde os primeiros momentos da partida, e nesta sexta não foi diferente. Com um bom volume de jogo, o Mais Querido conseguiu abrir o placar ainda no primeiro tempo. Aos 36 minutos, Rhyan ganhou a bola pelo alto e ajeitou de cabeça para Vitor Ricardo, que desferiu um chute cruzado. A zaga rebateu e a bola sobrou para Rhyan, que finalizou rasteiro e colocado de canhota, no canto direito do goleiro, abrindo o placar em Rio Doce.

    Os Garotos do Ninho ampliaram a vantagem no início do segundo tempo, com um golaço de Marx. O camisa 10 da Gávea se livrou da marcação, observou o espaço a sua frente, e finalizou de longe, no ângulo direito do goleiro paranista, definindo o placar: Flamengo 2 x 0 Paraná.

    Escalação do Flamengo: Vitor Hugo, Braian, Teo, Natan, Ramon, Henrique (Leandro), Matheus (Lucas Gabriel), Vitor Ricardo (Athirson), Luan (Gomes), Marx (Yuri de Oliveira) e Rhyan. Treinador: Mauricio Souza.

    Foto: Reprodução /Twitter


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  • Organização x Desorganização

    Primeira derrota do Flamengo, na Ilha do Urubu.

    O Grêmio ganhou por 1 x 0, mesmo mostrando, desde o início, que vinha em busca de um empatezinho.

    Mas, surgiu a chance do gol, numa moleza que a defesa do Fla deu e eles aproveitaram, é claro.

    Depois disso, o Flamengo partiu pra cima.

    Como sempre perdeu alguns gols, faltou sorte em outros lances, mas, no geral, o que se viu foi um time desorganizado.

    Enquanto isso, a organização dos gremistas chega a irritar.

    Como são disciplinados e concentrados!

    Quem dera o Mengão fosse assim…

    O Flamengo tem um ótimo elenco, cheio de grandes valores individuais (menos Márcio Caramujo e Leandro Caminhão).

    E é isso que eu não entendo. Nem eu e nem a Nação.

    Como podem tantos jogadores bons de bola não formarem uma equipe eficiente de verdade?

    Não se iludam, pois não estamos tão bem na tabela. E poderíamos estar.

    Os pontos que deixamos de conquistar são diretamente proporcionais aos gols que perdemos.

    E dá-lhe cruzamentos!

    E dá-lhe passes errados!

    O time se esforçou? Sim.

    Os jogadores rubro-negros demonstraram vontade? Sim.

    Mas a desorganização dentro de campo foi total.

    Zé Ricardo tem conseguido bons resultados graças exatamente aos craques que tem nas mãos.

    São eles que vêm resolvendo, quando a coisa aperta.

    Tudo na individualidade, no lampejo.

    Mas, nem sempre dá para contar com isso.

    Conclusão: caímos para a quarta posição e os Gambás nadam de braçada.

    Outra conclusão: como Guerrero faz falta ao Flamengo.

    Leandro Caminhão é um peladeiro enganador.

    O Caramujo nem sabia onde estava a bola, na hora do gol do Luan. Foi o maior culpado neste lance.

    E, no domingo, ainda temos que encarar a pedreira do Cruzeiro, no Mineirão.

    Espero que São Judas Tadeu esteja de plantão…
    Fim da conversa no bate-papo
    Digite uma mensagem…

     
    Paschoal Ambrósio Filho é jornalista e autor dos livros 6x Mengão, 100 Anos de Bola, Raça e Paixão e PentaTri


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  • Treze de Julho, Rock, Rio de Janeiro e o Flamengo

    No dia treze de julho de 1985, Phill Collins, da banda Genesis, após participar do Festival Live Aid (em Londres e na Filadélfia) declarou aquele sábado como o Dia do Rock. Apesar de certo desdém com a data por parte de ingleses e americanos, aqui no Brasil a data ‘pegou’ e é comemorada desde 1987.

    Para nós RUBRO NEGROS, o dia treze de julho deste ano, certamente terá um significado mais que especial e isso em nada tem a ver com solos ou riffs de guitarra, mas sim com os cânticos ensurdecedores e hipnotizantes que ecoarão das arquibancadas sinistras da Ilha do Urubu incentivando o Flamengo a amassar o Grêmio contra a parede. O mesmo adversário que assistiu de dentro do campo, duas conquistas que escreveram dois capítulos imperdíveis na história do futebol, inclusive dispensam letras, números são mais que suficientes: 1982 e 2009.

    Treze de julho não é um dia especial apenas para aqueles que curtem Nirvana, Sepultura ou Guns, mas também para aqueles que curtem Fundo de Quintal, Mozart, Mc Marcinho, Beethoven e Roberto Carlos. Essa quinta feira será de maldade, feita especialmente para zuar o padeiro, colocar pilha no porteiro, no cara lá do teu trabalho, aliás, dia de não conseguir trabalhar, dia de perder a fome, dia de quem está no trem que variou, dia de quem conseguiu comprar ingresso, dia de torcer pro dia passar rápido e dia do dia tomar a rápida decisão de passar devagar.

    Os outros secam, mesmo com a certeza do tempo perdido, mesmo sabendo que há algo diferente no ar. Quem não veste não consegue explicar, até quem vivencia tem dificuldade para decifrar, mas tem algo conspirando na atmosfera.

    Uma vitória rubro negra sempre fará bem ao futebol. O Rio de Janeiro precisa destes três pontos, infelizmente não trará de volta a vida o Guilherme Alves, o Bryan Mercês ou sequer amenizará a dor da grávida Claudinéia Melo. Mas essa magia que só os amantes do futebol conhecem, auxilie e de alguma forma faça nossa cidade sorrir, essa metrópole que tem tido sua alegria roubada, saqueada e baleada dia após dia.

    Que seja uma noite de alegria intensa, bola na rede, escalada na tabela e festa nas arquibancadas improvisadas da Ilha, celebre a dádiva de ter nascido Flamengo, “sempre em frente, não temos tempo a perder”.

    Nós somos a marra que sobrepõe à lógica, o Flamengo que todos debocham, mas temem e isso não se trata de dívidas pagas ou dinheiro sobrando, “basta à camisa aberta no arco”, o resto vocês já sabem.

     
    Fábio Justino escreveu para o site oficial do Flamengo, O Globo (Online), para o extinto Magia Rubro Negra e agora rascunha aqui no Mundo Bola. Opina lá e não deixe de nos marcar: @Mundo Bola_crf e @fabiojusttino

     


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