Autor: diogo.almeida1979

  • Temporal atinge o Fla e fecha sede da Gávea

    O temporal da madrugada da última quarta (6) que causou estragos no Rio de Janeiro, afetou a sede do Flamengo. O clube informou que o local está fechado para os sócios e sem atividades no momento.

    A forte chuva envergou a cobertura da piscina, derrubou árvores, postes e as grades que separavam a quadra da área social. O acesso onde os carros transitavam ficou alagado.

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  • Eu escolho o Flamengo

    “Não vai, não. Eu não quero mais ir pro Corinthians”. A declaração inapelável do jogador quase é comemorada como um gol pelos presentes.

    “Mas você tem que sair mesmo daqui?”

    “Sim. Ir para um centro maior será importante pra minha ascensão profissional.”

    A decisão, comunicada à consorte, já está tomada. É o momento de deixar o clube que o projetou e onde se tornou ídolo, líder, referência, campeão. Os anos de relação desgastaram a convivência com a diretoria, com outros jogadores (alguns roídos de ciúmes com seu status diferenciado) e mesmo com pequena parte da torcida. Em que pese siga como o principal atleta do elenco, é o momento de buscar novos desafios. Conquistar novas torcidas. Alçar voos mais ousados.

    “Vou pro Rio ou pra São Paulo, e de lá pro exterior.”

    Não demora para surgirem os primeiros interessados. Após um punhado de sondagens, as conversas com o Corinthians evoluem de forma mais sólida. O alvinegro paulista acena com um bom salário e a perspectiva, prevista em contrato, de não dificultar eventual saída para o exterior a qualquer momento que surgir uma proposta. Parece justo. Principalmente para o agente do jogador, que vê na transação uma oportunidade valiosa para auferir gordos rendimentos. A negociação é tão vantajosa que, ansioso por seu desfecho (que agora depende das tratativas entre o Corinthians e o clube detentor do passe do atleta), o agente, sem a menor cerimônia, tranca-se com o seu cliente em um hotel de luxo na capital paulista, com ordens expressas para que a telefonista não transmita nenhuma ligação sem identificação prévia. Estão, literalmente, incomunicáveis.

    Evidentemente, a informação de que o jogador está sendo negociado logo chega ao Flamengo. Como esperado, sua diretoria se assanha em polvorosa, por dois motivos: o primeiro, por se tratar de posição de fato carente no plantel (talvez a sua maior lacuna, aliás). O segundo, por se tratar de jogador com quem o rubro-negro já andara flertando um par de anos antes, flerte que chegara a “criar um clima” de um desfecho positivo. Mas, ali, ainda não era o momento. Eis que surge a chance. E o clube não deixará o cavalo passar selado.

    “Vamos atrás dele. Será nosso.”

    Após a palavra de ordem, os dirigentes montam uma operação de guerra nos salões refrigerados da Gávea. Toda a cúpula do futebol se reúne, traçando estratégias, acionando empresas, fornecedores, amigos, enfim, até conseguir formar uma rede de recursos capaz de cobrir a vultosa operação, entre salários e a compra do passe. O presidente do clube detentor dos direitos do jogador, que nutre boa relação com o Flamengo, concorda com os termos propostos, mas, antes de encerrar o telefonema, avisa:

    “Vender, nós vendemos. O problema será vocês acharem ele. Está apalavrado com o Corinthians. Só que os paulistas não nos procuraram ainda.”

    Uma força-tarefa é destacada para localizar o jogador. Família, amigos, colegas, dirigentes, jornalistas, todos são acionados e ninguém faz a mais remota ideia de seu paradeiro. Tensa, a diretoria chega a recorrer a jogadores do próprio elenco do Flamengo para ajudar nas “buscas”. Sem sucesso. As horas vão passando e nada indica o mais pálido indício de êxito. Os ânimos de alguns insinuam fenecer.

    Até que alguém “estala” a ideia, que soa de uma obviedade desconcertante.

    “Oras, se o jogador está indo pra São Paulo, algum agente de lá deve estar por dentro da coisa. Vamos falar com o Milton.”

    Milton é, de fato, o nome perfeito. Um dos mais renomados e reconhecidos empresários em atividade no mercado nacional, cultiva vasta rede de relações e ótima relação com a diretoria do Flamengo. Instado, rapidamente acede em fornecer uma ajuda profissional, algo usual no meio.

    “Claro que sei quem é o agente dele. É o Satrustegui. Esperem que vou dar uns telefonemas.”

    Em pouco mais que um cacho de minutos, o telefone da Gávea estrila com novidades.

    “Ele está no Sheraton.”

    “No Sheraton? Maravilha! Sei de alguém que trabalha lá. Deixe comigo agora. Eu lhe mantenho informado.”

    O vice-presidente de Futebol agora assume o comando das ações. Manda ligar pro Sheraton. Quer falar com seu contato no hotel.

    “Por favor, o Irará?”

    “Desculpe, Senhor?”

    “Irará. Ele trabalha aí. Eu quero falar com ele.”

    “Desculpe, Senhor. Como gerente, posso lhe assegurar enfaticamente que não temos ou tivemos nenhum colaborador trabalhando conosco com esse nome.”

    “Não pode ser, deve estar havendo algum engano.”

    “O Senhor tem certeza que está procurando na cidade certa? Talvez seja o caso de perguntar à unidade de São Paulo.”

    “…”

    “É do Sheraton São Paulo?”

    “Sim, pois não, Senhor? Em que podemos ajudá-lo?”

    “Por favor, procuro por um funcionário de nome Irará”

    “Um momento”

    “Sr. Irará?”

    “Pois não, Senhor.”

    “Aqui é do CR Flamengo. Vai chegar um representante nosso daqui a pouco. Preciso que você lhe abra passagem e o encaminhe ao quarto onde estão o Sr. Satrustegui e o cliente dele.”

    “Assim o Senhor vai me complicar…”

    “Complicado você ficará se barrar a entrada dele e tiver que responder por cumplicidade ao crime de sequestro e manutenção em cárcere privado. Sabemos seu nome e onde mora. Acho prudente colaborar conosco.”

    Quinze minutos depois, Milton chega ao hotel, e bate direto na porta do agente Satrustegui. O tom é de uma tensa cordialidade que não aceita réplica.

    Quem é?” A porta se entreabre.

    “Sou o presidente do Flamengo.”

    Reprodução / Autor Desconhecido

    “Perdón, mas o señor não é el Presidente de Flamengo.”

    “Mas é como se fosse. Tenho procuração dele. Abra.”

    Segue-se uma breve reunião a três, em que o jogador, pessoalmente, ouve a proposta do Flamengo. O rubro-negro oferece um salário notavelmente superior ao dos corintianos, além de um contrato mais prolongado. Termos que seduzem o atleta, que ademais já nutre pelo clube carioca um certo fascínio. Atração essa já demonstrada quando chegara a balançar diante da negociação de anos antes.

    “Satrustegui, vamos para o Rio. Quero detalhar melhor isso com o Flamengo.”

    E, a contragosto do agente, os três embarcam na próxima ponte-aérea, instruídos a se encontrarem com a diretoria do rubro-negro no Copacabana Palace. E assim se faz. No entanto, quando entra no quarto reservado para a reunião, o agente Satrustegui leva um susto. Lá estão o VP de Futebol, o VP do Jurídico, o secretário-executivo do presidente, um procurador (responsável por avalizar as fontes de recursos da contratação) e até um amigo pessoal do jogador. Uma verdadeira entourage disposta a sacramentar, ali mesmo, os termos de uma negociação definitiva.

    Mas não foi isso o combinado! Estamos aqui somente para um contato preliminar, e no más que isso!”, esbraveja Satrustegui.

    Milton toma a palavra e inicia a reunião com um breve relato do que ocorrera em São Paulo. Depois, o VP de Futebol começa a desfiar toda a oferta do Flamengo. Atento, o jogador vai tomando nota do que lhe é passado e, curioso, faz perguntas, inquire sobre detalhes, prazos, valores. Vai se mostrando vivamente interessado nos termos da proposta que lhe vai sendo exposta. O flerte, dessa vez, parece caminhar para algo mais concreto.

    Satrustegui não desiste.

    “Gracias Señores, vou pensar nessa proposta e amanhã lhes dou uma resposta”.

    “Vai nada. Você vai é fazer leilão com o Corinthians.”

    “Não vai, não. Eu não quero mais ir pro Corinthians.”

    A declaração inapelável do jogador quase é comemorada como um gol pelos presentes, mas a cautela é necessária. Há obstáculos importantes a serem transpostos ainda. E um deles segue fazendo questão de se mostrar vivo, em irritante portunhol.

    “Bien, entonces temos que ver otras cositas. Para continuar a negociación, exijo que se coloque uma cláusula facilitando a venda do meu cliente para a Europa”

    “Isso está absolutamente fora de questão. Flamengo não é trampolim de ninguém.”

    A atmosfera se torna nervosa. Satrustegui segue irredutível e inflexível, ameaçando levantar-se com seu cliente várias vezes. Reclama dos termos da minuta de contrato. Regateia com sua comissão. Impõe participação em vendas futuras. Blefa alegando interesse de outra equipe carioca no negócio. Desfere inúmeras exigências, todas inapelavelmente rechaçadas pela diretoria do Flamengo, que já começa a demonstrar impaciência. Até que o VP de Futebol se dirige diretamente ao jogador, em tom definitivo.

    “Bem, acho que agora estamos diante de um impasse. E cabe a você, o principal interessado, decidir. Nossos termos estão na mesa. É você, e só você, quem escolhe.”

    “Eu escolho o Flamengo.”

    “Ótimo. Então, vamos seguir conversando. Sem a intervenção do Sr. Satrustegui, se possível.”

    O agente, irritado, dá um salto e esbraveja. Exala cólera pelos olhos e uma viscosa espuma brota de seus lábios. Com enorme dificuldade para manter um tênue andrajo de serenidade, começa a vociferar, arfante:

    “Ustedes no tienen permissão legal para isso. Sou o agente do jogador. Nada puede ser decidido sem passar por mim. E já me cansei disso. Meu cliente vai para qualquer clube. Menos para o Flamengo. Se o único interessado for o Flamengo, ele não sai de onde está! E vamos embora!”

    O jogador, que até então havia se mostrado tranquilo, também se exalta. E solapa o golpe mortal, o xeque-mate:

    “E quem foi que disse que eu sou seu cliente?”

    “Oi?”

    “Nosso contrato de agenciamento só nos vincula em caso de transação internacional. Não sou obrigado a lhe seguir incondicionalmente. Eu quero continuar escutando o Flamengo. E não vou para o exterior agora. Não é o momento ainda. Portanto, você está fora.”

    Segue-se mais uma sessão de impropérios e ameaças judiciais, interrompida pelo VP do Jurídico que, acostumado a lidar com os subterrâneos da malandragem carioca, entra para “tirar de tempo” o boquirroto Satrustegui:

    “Sr. Satrustegui, como está sua situação no país? Está regular? Posso ver seu passaporte? E esse contrato de agenciamento do atleta? Podemos dar uma olhada? Como o Senhor comprova estar habilitado para fazer parte dessa reunião? Onde estão suas credenciais?”

    Enfurecido e à beira de um ataque apoplético, Satrustegui se dirige ao caminho da saída. E, antes de estampar a porta com um golpe que faz trepilicar as paredes do quarto, expele seu último adágio, que se ameaça imprimir à memória dos presentes tal qual um sortilégio, mas acaba se esfumando na etérea bruma afeita às palavras vãs. Que, ao fim e ao cabo, terão sido apenas palavras.

    Vocês irão me pagar! Todos ustedes!”

    O resto se dá de forma natural. Definitivamente seduzido pela perspectiva de brilhar com a camisa do Flamengo, o jogador acerta, ele mesmo, os últimos detalhes da negociação. Que se encerra com um lauto jantar em um célebre restaurante carioca, regado a caríssimos espumantes. O acerto com o clube do jogador se dá sem maiores complicações, fora a normal dança de números flutuando ao sabor da maior habilidade de persuasão. E, enfim, o jogador é apresentado e segue a liturgia, o ritual de vestir a camisa, beijar o escudo do Flamengo e jurar amor ao rubro-negro e à sua Nação.

    Amor que, de fato, ele escolheu viver. O flerte, enfim, vira namoro. Que será eterno. Enquanto durar.

    * Embora os nomes das personagens sejam fictícios, esta é uma história real.



    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Reprodução / Autor Desconhecido

  • Qual é o teu caminho?

    Onde burguês senta e ostenta sua camisa original de R$ 300,00, ele carrega um símbolo costurado na fantasia.

    Por Ricardo Moura – Twitter: @MouraPalopoli

    Dizem os mais religiosos que no final de nossa vida teremos que prestar conta de tudo que fizemos nessa longa jornada na terra. Todo nosso caminho até a morte será colocado na mesa e ai sim teremos o destino final. Me diga, qual é o teu caminho?

    Fazem algumas semanas que um torcedor símbolo do Flamengo passou a ser perseguido por homens e mulheres, muitos que torcem para o mesmo time, outros de times rivais e pasmem, até membros da imprensa compraram o barulho e partiram para piadas e chacotas sem sentido. Não citarei nomes, não citarei absolutamente nada. Teu caminho dirá de quem falo. Sua jornada será o pires revelador do personagem descrito.

    Quando o homem engravatado afundou o Maracanã, ali, no papel que permitiu a demolição de parte do estádio, estava decretada a morte de parte de um povo. Com as arquibancadas de concreto que foram colocadas ao chão, morriam junto uma centena de personagens que faziam do local um berço da sociedade. Quase um “Mundo Paralelo”, um recorte cirúrgico do que era o Rio de Janeiro, o Flamengo e o Povo.

    Os anos se passaram, e alguns daqueles personagens conseguem sobreviver. Tenho certeza que tristes, mas sobrevivem ao um espaço que não é mais deles. Não é mais da Cidade, nem do Flamengo e muito menos do Povo. O novo Maracanã merece quem o frequenta, merece os jeans, as blusas polos, os sapatênis e o silêncio causado pelo canto da torcida adversária.

    Reprodução

    Um homem resolveu quebrar isso. Vestiu a roupa de seu herói e passou a torcer. Onde burguês senta e ostenta sua camisa original de R$ 300,00, ele carrega um símbolo costurado na fantasia. O dono do sapatênis exibe seu celular, mais preocupado em tirar foto do que ver o jogo, e o julgado apenas carrega um cartaz, tentando fazer a sua parte para que a bola entre. Me diga, qual o teu caminho?

    Na briga, na disputa, no peso sobre peso, eu to com ele. Abro mão do seu ingresso, do seu sócio torcedor, da sua procura por cada lançamento de vestuário do clube, troco isso tudo por ele. Fique em casa, não frequente o mesmo local que ele. Se o teu problema é ele, o meu é você. Se no final do texto você se sentir raivoso, te questiono novamente, diga ai meu amigo, qual o teu caminho?


    Ricardo Moura é jornalista, Flamenguista e prefere mil vezes a alegria de um torcedor puro, do que o dinheiro besta de um torcedor que não conhece seu time. O Flamengo é do Povo e o Povo é muito mais do que você.


    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Reprodução / Autor Desconhecido

  • Só vai dar Flamengo!

    E a conquista seja relativizada num comentário invejoso, pois é justamente a mais doce vitória que provoca a mais insana dor de cotovelo

    Por Gerri Rodrian – Twitter: @GerriRodrian

    I

    Pra vida mudar, basta um tropeço.
    Basta uma revelação, uma chuva forte.
    É que a certeza de que tudo permanecerá permeia nosso presente.

    Seja um casamento, seja uma amizade,
    quaisquer condições,
    tudo parece que vai durar,
    seguir normalmente.

    Mas eis que chega a roda-viva, danada,
    e carrega nosso destino pra longe.

    Talvez não amanhã, talvez nem depois de amanhã.
    Mas é certo: tudo muda, tudo passará.

    O governo, a cor da parede, a parede, a palavra.
    A moeda, a moda, o pensamento.

    Inevitavelmente,
    gostemos ou não, desejemos ou não,
    o que hoje é, uma hora ou outra não mais será.

    Talvez não amanhã, que tem coisa demorando,
    feito dinastia japonesa,
    feito adoração de deus judaico,
    mil anos indo adiante,
    serenamente,
    quase inabalavelmente.

    E, nisso tudo, é bem certo:
    um dia não haverá mais Flamengo.

    Sociedades mudam lentamente (e abruptamente)
    e suas expressões, idem.

    Um dia,
    para um horror de mil demônios,
    não haverá mais Flamengo.

    Dure por mil anos,
    o que é muito para um homem
    e nada para um planeta,
    permaneça assim por todo este tempo,
    mas como tudo o que é obra humana,
    bem sabemos,
    findará.

    Tudo um dia se esvai.

    E restará a algum Homero contar seus feitos.
    Em poesia.
    Para que seus heróis permaneçam vivos,
    iluminando os novos tempos…

    …até que essa obra seja queimada num index odioso,
    pois mesmo a mais doce poesia encontra seu odioso carrasco.

    II

    Assim são as opiniões.
    Pra que mudem, basta um tropeço.
    Basta uma reviravolta,
    uma goleada qualquer.
    É que a certeza de que tudo permanecerá envolve nossa fútil inteligência.

    Seja um lateral, seja o goleiro,
    inclusive o técnico,
    tudo parece que vai durar, em looping eterno.

    Mas eis que chega a roda-viva, danada,
    e carrega nossa opinião pra casa do chapéu.

    Talvez não hoje, talvez nem depois de amanhã – que torcedor é tudo cabeça dura.
    Mas é certo: tudo pode mesmo mudar.

    O volante que hoje é vaia, o atacante de pé torto,
    o reserva desanimado.

    Inevitavelmente, gostemos ou não,
    o que hoje é, uma hora ou outra não mais será.

    Talvez não amanhã, que tem coisa demorando,
    o título que não chega,
    a goleada que tanto esperamos,
    a doce libertadores,
    serenamente,
    quase teimosamente.

    E, nisso tudo, é bem certo:
    um dia só vai dar Flamengo.

    Os times mudam lentamente
    (e abruptamente)
    e suas táticas, idem.

    Um dia,
    para o horror dos mil demônios,
    só vai dar Flamengo.

    Demore ainda mais um tempo,
    permaneça assim por todo este ano,
    mas como tudo o que é obra humana,
    bem sabemos,
    mudará.

    Tudo um dia se inverte.

    E restará a algum PVC contar seus feitos.
    Na mesa redonda.
    Que mais uma vez o Flamengo fará história,
    mudará os rumos do futebol…

    …até que essa conquista seja relativizada num comentário invejoso,
    pois é justamente a mais doce vitória que provoca a mais insana dor de cotovelo.



  • O coração quase rubro-negro

    Dei um carrinho nela, rasguei a grama com a chanca, enchi meus meiões rubro-negros de grama e fiz o gol.

    Por Flavio Gomes – Twitter: @flaviogomes69

    Na televisão passava “Cavalo de Aço” às oito e “O
    Bem-amado” às dez, mas essa meus pais não deixavam a gente ver, era muito
    tarde. Aos domingos, um programa chamado “Fantástico”. Era estranho, porque a
    Rede Globo passava aqui no canal 4. Lá em São Paulo, 4 era a Tupi. A Globo era
    5. Aqui não tinha nada no 5 e a Tupi era no 6.

    Eu queria ver o “Bem-amado” porque era colorido, mas a
    nossa TV era em preto e branco. O pleito, portanto, não colava. Vai dormir.

    Colorida era minha vida de garoto de nove anos numa terra
    distante. O uniforme do Colégio Rio de Janeiro era azul, a calça boca-de-sino
    da primeira comunhão era lilás, a bicicleta era verde e a Belina, vermelha. O
    bondinho também, suponho. Mas posso estar enganado. A praia era branca de doer
    os olhos e o mar, cinzento puxando para o azulado. O hotel bonito, bege. Minha
    camisa de goleiro, laranja. Minhas luvas, marrons.

    Mas meu meião de jogar bola era rubro-negro.

    Porque um dia minha mãe chegou em casa e falou que a
    gente ia fazer um teste na Gávea. A Gávea era o clube do lado da AABB, onde a
    gente fazia natação e judô. A faixa já era amarela. Mas eu queria a verde, com
    grau de esparadrapo.

    Teste, não sei se ela falou assim. Acho que não. A
    orientação, para mim e para o irmão mais velho, era: camiseta e calções brancos,
    meião rubro-negro listrado. Precisava de chuteira, também. Que chamava chanca,
    e tinha só seis cravos: quatro na frente, dois atrás, pregados na sola. Eu
    nunca tinha visto uma chanca de verdade na vida, porque jogava bola nos
    paralelepípedos da rua General Barbosa Lima, no morro do Caracol em Copacabana.
    Não se joga bola de chanca no paralelepípedo. Jogava de conga.

    Havia uma escadaria que dava na avenida movimentada e
    terminava, ou começava, tudo depende de suas intenções, subir ou descer, ao lado
    de um cinema de nome Ricamar. Os ônibus passavam feito loucos soltando fumaça
    negra e meu pai pedia para tomar cuidado quando mandava a gente comprar
    Minister para ele lá embaixo porque tinham raptado o Carlinhos.

    O vizinho de baixo era Vasco, assim como o filho do
    zelador. A gente morava no segundo andar, e os filhos do seu Sérgio eram da
    mesma idade que a gente. Tinha o mais velho, o Serginho, uma menina e um outro
    moleque. Eu tinha a mesma idade que a menina, que achava linda. O Serginho
    fumava na pracinha onde a rua, em forma de caracol, terminava. Eu me escondia
    para ver o Serginho fumar, mas acho que ele só colocava o cigarro na boca e não
    acendia. Um dia fiz a mesma coisa, escondido em casa.

    Serginho ficou famoso, quando cresceu. Seu Sérgio, com suas olheiras profundas, bochechas enormes e cabelos pretos encaracolados, já era famoso, jornalista e compositor de sambas. Fundou até um jornal, mas eu não lia jornais. Lia Orígenes Lessa e a saga de Napoleão, o cabo de vassoura transformado em cavalo de pau que vivia em Parada de Lucas. Lia o livro do Adonias Filho que tinha uma nota de cem cruzeiros na capa, vermelha com a cara do Floriano Peixoto. Minha mãe comprava os livrinhos das Edições de Ouro numa rua que acho que se chamava Santa Clara.

    Eu lia tudo, jogava bola e comia cachorro-quente Geneal.
    Nos finais de semana, subia o Cristo com os parentes de lá ou ia ver o Dedo de
    Deus e o museu que a gente era obrigado a andar de pantufas para ajudar a
    limpar o chão. Era o que meu pai dizia, que a gente limpava o chão. Quando não
    vinha ninguém visitar a gente, o programa era ir ao Maracanã.Tínhamos uma
    carteirinha que deixava entrar de graça. Meu pai gostava de ver jogos do
    Botafogo, porque dizia que tinha menos torcida, não enchia tanto, e era
    engraçado ver como eles sofriam.

    Aí chegou o dia de usar a chanca e o meião rubro-negro.
    Da rua, quando minha mãe levava a gente para o colégio, dava para ver a
    arquibancada alta pelos fundos. Foi a primeira vez que a vi de dentro, num
    campo enorme, de grama. Nunca tinha jogado bola na grama na vida. A chanca
    machucava o pé.

    Colocaram uma trave no meio do campo, porque era muito
    grande e a gente nunca conseguiria correr aquilo tudo. Meu irmão mais velho foi
    junto, com meiões rubro-negros e camiseta e calções brancos. Quem não estava de
    meião rubro-negro, camiseta e calções brancos nem entrava.

    Eu era goleiro e queria usar minha camisa laranja e
    minhas luvas marrons. Não deixaram. Emburrado, fui para a linha. Cada time
    tinha duzentos moleques, todos de branco com meiões rubro-negros. Não dava para
    saber quem jogava em qual time. Fui lá para a frente, perto da trave que ficava
    no meio do campo. Mandaram um time tirar a camisa para ajudar a saber para que
    lado chutar. O meu era com camisa.

    A bola foi para a esquerda e meu irmão, cintura dura e
    aparentemente canhoto, cruzou. Eu estava no meio da área, que na verdade era
    metade do círculo central. A bola passou por todo mundo e veio na minha
    direção. Dei um carrinho nela, rasguei a grama com a chanca, enchi meus meiões
    rubro-negros de grama e fiz o gol. O calção ficou sujo de terra e ralei a
    bunda.

    Arte: Giotto (especialmente para a coluna) 

    Talvez por não ter comemorado, porque queria mesmo era
    jogar de goleiro com minha camisa laranja e minhas luvas marrons, o treinador
    não deu o devido valor ao meu carrinho corajoso, ao ímpeto de me jogar no chão
    para fazer aquele gol com meu coração destemido de garoto de nove anos.

    Talvez por isso meu coração não tenha sido tingido de rubro-negro naquela manhã na Gávea e seja rubro-verde até hoje.


    Flavio Gomes, 54, é jornalista do Fox Sports, tem no currículo um gol pelo Flamengo, mas morreria pela Portuguesa


    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Giotto (especialmente para a coluna) 

  • Flamengo bate Franca e encosta de vez na briga pela liderança do NBB

    Em uma das partidas mais esperadas do NBB, o terceiro colocado Flamengo, enfrentou o líder, Franca, na noite desta terça-feira no Tijuca. O Fla, mesmo embalado pela torcida, perdeu o primeiro quarto, mas reagiu e venceu o jogo por 79 a 74. 

    O Touro não sentiu a pressão de jogar fora de casa, os visitantes tomaram as rédeas da partida logo no início e ditaram o ritmo do jogo. O primeiro quarto terminou 25 a 14 para os paulistanos. 

    Aos poucos o Orgulho da Nação foi encostando no placar, Franco Balbi chamou a responsabilidade e partiu para cima dos visitantes, o rubro-negro conseguiu diminuir a vantagem francana, no fim do segundo período o placar marcava 45 a 40. 

    Torcida inflama virada no último quarto

    O terceiro quarto foi o mais fraco tecnicamente. Os times erraram bastante e tiveram baixas pontuações, mas a torcida rubro-negra, não parou de cantar e incentivar. O Flamengo passou a ditar o ritmo, enquanto o Touro encontrava dificuldades para desempenhar o mesmo basquete do primeiro tempo, principalmente do primeiro quarto. 

    Os comandados de Gustavinho, dominaram o último período, principalmente por causa da torcida que fez a diferença mais uma vez no Tijuca. O ginásio veio a baixo no arremesso para três pontos de Olivinha, era a virada do Flamengo: 65 a 64. 

    Quando o placar marcava 76 a 73, o Franca desperdiçou um ótimo ataque e a chance de levar o jogo para um fim dramático. Na jogada seguinte, de novo Olivinha, anotou para o Flamengo faltando 20 segundos para o fim do jogo e decretou a vitória do Flamengo por 79 a 73.  


    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Marcelo Cortes/Flamengo

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  • Jean Lucas deve ir para o Santos no lugar de Ronaldo

    Uma parte da negociação entre Flamengo e Santos foi sacramentada (Bruno Henrique foi vendido ao rubro-negro e já até fez 3 gols), porém a outra metade do negócio deve ser oficializado nos próximas dias.

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    A pedido de Abel Braga, o Fla vetou o empréstimo de Ronaldo ao Peixe. O volante iria na semana passada realizar os exames médicos em seu novo clube, mas seu desempenho nos treinamentos fez Abel mudar de ideia. Jean Lucas deve ser o atleta envolvido na negociação, como parte do pagamento pela compra do atacante Bruno Henrique. 

    Em entrevista ao jornal A Tribuna, no início da noite desta terça-feira, o vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, confirmou a mudança de atletas do negócio. “No lugar do Ronaldo vai o Jean Lucas. Nós entendemos que era o ideal fazer a troca de jogadores na negociação. O Santos não tem com o que se preocupar. Não terá prejuízo nenhum”.

    O Flamengo não tinha obrigação de ceder nenhum outro jogador, mas a boa relação entre os clubes prevaleceu na negociação. No início das conversas, o Santos chegou a pedir o Jean Lucas, mas o volante não queria sair do clube da Gávea antes de saber se teria chance de jogar no clube onde foi revelado. Agora, a expectativa é de que o desfecho positivo seja feito o mais rápido possível. Sampaoli tem pressa.


    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Flamengo/Divulgação

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  • Conheça Felipe Cardoso, novo reforço do Flamengo nas categorias de base

    O Flamengo acertou na tarde desta terça-feira (5) a contratação do meia Felipe Cardoso, ex-Santos, para as categorias de base. Em seu Twitter oficial, o jovem que já esteve no CT Ninho do Urubu, comemorou a chegada ao rubro-negro.

    https://twitter.com/_felipinho010/status/1092512449541091333

    Conheça o jogador

    FICHA TÉCNICA

    Felipe Cardoso

    Posição: Meio campo

    Nasceu: 04/03/2003

    Altura: 1,73m

    Peso: 55kg

    Felipe tem 15 anos e foi jogador do Santos por seis anos. O meia foi importante e decisivo para a equipe da Villa, nos torneios Sub-11, Sub-13 e Sub-15.

    Na temporada de 2018, Felipe teve um bom início, porém acabou perdendo espaço no decorrer da temporada. Mesmo figurando no banco de reserva, o meia foi o artilheiro do Santos no Paulista Sub-15 com oito gols marcados.

    Além de balançar as redes dos adversários, o camisa 10 tem muita facilidade em colocar os companheiros na cara do gol com assistências. O arranque do meio campo até o ataque e o drible curto, também estão em seus predicados.

    Felipe Cardoso é mais uma contratação que o Flamengo busca apostando em seu futuro. O lateral-direito Matheuszinho, que está no Londrina, chegará ao Fla nos próximos dias na mesma condição.


    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Santos/Divulgação

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  • Flamengo lidera número de novos seguidores em janeiro e segue na ponta do ranking digital dos clube

    Nesta terça-feira (05), o Ibope Repucom divulgou a tabela atualizada do “Ranking digital dos clube brasileiros” neste primeiro mês de 2019. Ao todo, o Flamengo somou 257 mil novos seguidores – Facebook, Twitter, Instagram e YouTube –, 60 mil a mais que o Corinthians, segundo colocado no período.

    O número de novos seguidores nas suas contas oficiais superou o de todos os meses de 2018. Ao todo são quase 22 milhões de pessoas conectadas ao clube por alguma plataforma digital.

    O crescimento ocorre em um período de críticas por parte dos torcedores em relação à qualidade das artes, fotos e vídeos.

    Confira o ranking completo:

    (Imagem: Ibope Repucom)

    *Créditos da imagem destacada: Reprodução/Flamengo

    LEIA MAIS:

  • Ainda o Maracanã: mirando o Futuro

    É estratégia do Flamengo: subsidiar o ingresso e lotar o estádio em jogos de baixo apelo, criando um hábito de consumo que parecia perdido.

    Por Walter Monteiro – Twitter: @womonteiro

    O tema da lucratividade do Flamengo no Maracanã segue em alta. Li algo sobre um prejuízo acumulado de R$ 290 mil no Campeonato Carioca, o que dito assim, sem qualquer reflexão prévia, apenas aumenta a raiva do torcedor contra os donos do Maracanã e a gritaria por um estádio próprio.

    Semana passada escrevi um artigo sobre isso. A ideia era provar que o Flamengo está tendo prejuízo porque decidiu cobrar menos e levar bastante gente a jogos que não valem nada. A lógica que norteou a assinatura do contrato era de que o clube precisaria ter sempre mais de 20 mil pagantes e um preço médio de R$ 30,00 para poder ter lucro. No entanto, cobrando R$ 12,00 ou R$ 16,00 de seus sócios, o Flamengo tem um ticket médio de R$ 21,46, abaixo do equilíbrio necessário.

    Leia mais no Balanço do Flamengo:
    As peculiaridades do Maracanã

    Parece ainda não ter ficado claro que esses prejuízos fazem parte de uma ESTRATÉGIA do Flamengo: subsidiar o ingresso e lotar o estádio em jogos de baixo apelo, criando um hábito de consumo que parecia perdido. E, quem sabe, no futuro cobrar mais, depois que o hábito estiver consolidado.

    Estratégia à parte, o que parece ainda não ter sido completamente compreendido é que por mais que o Flamengo seja mesmo refém da maldita concessão à Odebrecht, parte substancial dos custos tem pouco a ver com a dona do estádio. E precisa ser levada em conta em qualquer que seja o arranjo que o Flamengo venha a ter, jogue no Maracanã como locatário ou proprietário, jogue no Engenhão ou construa seu estádio.

    Começando pelo maior deles, a segurança. Por contrato, os jogos devem ter um mínimo de 676 pessoas envolvidas na segurança, incluindo o controle de acesso, os coordenadores, supervisores, líderes, enfim, o time todo. Quanto será que custa cada um desses seguranças, que são formalmente registrados pela empresa? Vamos dizer que uma média de R$ 250,00 (o que garante a cada um deles uns R$ 150,00 pelo trabalho a cada jogo). Só aí já temos R$ 170 mil. Isso, claro, se os valores forem esses.

    Grosso modo, jogar no Maracanã tem representado 20% da despesa total dos jogos. Os outros 80% estão divididos entre contas de consumo e taxas do jogo. A partir daí é possível especular outros cenários.

    No mesmo fim de semana que Flamengo x Cabofriense jogavam no Maracanã (e o Flamengo lucrava R$ 39 mil), Palmeiras e Corinthians se enfrentaram no Allianz Parque. O borderô da Federação Paulista revela que as despesas desse jogo ficaram em R$ 840 mil (para menos de 40 mil pessoas, o que interfere na quantidade de seguranças). E o Palmeiras levou para casa um lucro líquido de R$ 1,87 milhão. Uau.

    O que poucos se lembram de notar é que: a) o Ticket Médio de Palmeiras x Corinthians foi de incríveis R$ 70,47; b) ao contrário do Maracanã, os custos de utilização e manutenção do Allianz Parque não aparecem no borderô da partida, só no balanço patrimonial do clube. Mas eles existem e são altos, podem apostar.

    Se a FPF cobrasse o mesmo que a FERJ (que, gulosa, cobra o dobro) e se o custo do Allianz Parque tivesse a mesma proporção que o Maracanã (20%), as despesas do Palmeiras seriam de R$ 1,05 milhão. Cobrando o mesmo que o Flamengo cobra (preço médio de R$ 21,47), o Palmeiras teria tido um prejuízo de quase R$ 223 mil. Já o Flamengo, se cobrasse o que o Palmeiras cobrou, mesmo tendo que pagar a FERJ, teria um lucro estupendo de R$ 1,26 milhão.

    Confuso? Vou colocar tudo em uma tabela, colocando o preço médio e incluindo a taxa da FERJ para o Palmeiras, ao mesmo tempo que vou colocar o preço médio do Palmeiras para o Flamengo para projetar o resultado na coluna “Como Seria”:

    Custo Estádio Custo Total Lucro Declarado Como seria?
    FLA X CAB R$ 202.595 R$ 1.018.235 R$ 39.815 – R$ 222.811
    PAL X COR 0 R$ 840.384 R$ 1.876.218 R$ 1.266.190

    Insisto: o baixo lucro (ou até prejuízo) que o Flamengo tem muito menos a ver com o Maracanã do que com as demais variáveis envolvidas, notadamente preços mais baixos e taxas da Federação, sem contar a atratividade do jogo. Afinal, ninguém em sã consciência acredita que um Flamengo x Cabofriense fosse capaz de levar ao Maracanã mais de 40 mil pessoas dispostas a pagar um preço médio de R$ 70,00.

    É possível melhorar os custos do Maracanã? Sempre é. Por contrato, são exclusividades do Maracanã os fornecedores de segurança, alimentação, TI e manutenção elétrica e hidráulica. Todos os demais o Flamengo tem liberdade para indicar. E mesmo em relação aos exclusivos, como eu disse, o clube pode apresentar projetos de redução de custos.

    Porém, muito mais do que a cada jogo ficar praguejando contra a última linha do borderô, é melhor começar a aceitar que os custos de um jogo de futebol são assustadoramente altos e que não há solução mágica ou barata. Daí porque a decisão entre ter ou não ter um estádio passa muito longe dos resultados financeiros do Carioca.

    Eu nem queria tocar no assunto sobre a minha opinião pessoal, mas pelo andar da carruagem, o Botafogo não sai do Engenhão, o Vasco cada vez mais usará São Januário e o Maracanã sobrará para nós e o Fluminense. Sendo realista, a tendência é que o Fluminense enfrente alguns anos de forte ostracismo, inviabilizando o uso do Maracanã. Isso acontecendo, o Flamengo deve ser o único clube de futebol da cidade a prover conteúdo para o estádio – o qual, como espero ter demonstrado, está longe de ser o Lobo Mau dos borderôs. Logo, eu esperaria mais uns 2 anos antes de tomar qualquer decisão maior.