Autor: diogo.almeida1979

  • Chegada de Domènec Torrent deve ser transmitida na Fla TV

    O novo técnico do Flamengo, Domènec Torrent, embarcou hoje rumo ao Rio de Janeiro, em voo com escala em Lisboa. Sua previsão de chegada é às 5h35 da manhã de segunda-feira (03)

    Mundo Bola Informação | Cayo Vinícius – Twitter: @CayoViniciusLN

    O novo técnico do Flamengo, Domènec Torrent, embarcou hoje rumo ao Rio de Janeiro, em voo com escala em Lisboa. Sua previsão de chegada é as 5h35 da manhã de segunda-feira (03). Deve ocorrer uma transmissão de sua chegada na Fla TV, canal oficial do Flamengo. Informação foi confirmada pela nossa redação em contato com a assessoria do clube.

    Domènec Torrent será apresentado amanhã (03), ás 12h30 (horário de Brasília), no CT Ninho do Urubu. Logo após a sua apresentação, o treinador se reunirá com os jogadores do Flamengo e comandará o seu primeiro treino do Mais Querido. O treinador catalão fará sua estreia no dia 08 de agosto contra o Atlético-MG em jogo válido pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro 2020.

    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Foto: Divulgação

  • Daniel Alves no Flamengo? Torcida rejeita; lateral pode ser oferecido

    A diretoria do Flamengo pode receber uma ligação com o DDD 011 nas próximas semanas. Com intuito de amenizar a folha salarial, conselheiros do São Paulo pressionam a diretoria tricolor a oferecer o lateral e meia Daniel Alves ao rubro-negro. A informação é do jornalista Eduardo Savoia, do canal Fox Sports.

    Analisando a reação dos torcedores nas redes sociais, o Mundo Bola promoveu uma enquete em seu Twitter em que perguntava quem era a favor da vinda do atleta. A votação durou cerca de três horas, e 65% dos internautas optaram pela opção “Não”, rejeitando Daniel Alves no elenco do Mais Querido. Confira.

    Apenas 34% votaram na opção “Sim”, com a ressalva de Daniel abaixar seu salário para no atuar no Flamengo. No São Paulo, o atleta recebe uma das maiores quantias mensais de jogadores no país, cerca de R$ 1,5 milhão.

    Na atual temporada, Dani que é lateral-direito de ofício, vem atuando como meia. Mesmo com a eliminação no Campeonato Paulista e a fraca campanha na Copa Conmebol Libertadores, o experiente profissional é o destaque do elenco são paulino com cinco gols marcados, e uma assistência dada, além de ser o capitão de Fernando Diniz.

    Em entrevista recente ao canal do Zico, Alves falou sobre o Flamengo, e comparou o estilo de jogo do São Paulo com o do rubro-negro.

    “Acredito que hoje o São Paulo é a equipe que melhor joga, a equipe que melhor trata a bola, junto ao Flamengo. Pelo destaque individual que o Flamengo tem, ele é mais letal. Mas hoje, no futebol brasileiro, são as duas melhores equipes que jogam”.

    Na posição de Dani, o Flamengo conta no elenco com o titular Rafinha, no entanto no banco de reservas, dois garotos disputam posição para serem o substituto principal do ex-Bayern. Matheus França, alçado do sub-20, e João Lucas, são as opções do técnico Domènec Torrent.

    Créditos de imagem destacada:

  • Apresentação e primeiro treino de Domènec já tem data marcada; confira

    Domènec Torrent foi anunciado oficialmente pelo Flamengo ontem (31) e será apresentado na próxima segunda-feira (03), ás 12h30

    Mundo Bola Informação | Cayo Vinícius – Twitter: @CayoViniciusLN

    Domènec Torrent foi anunciado oficialmente pelo Flamengo ontem (31) e será apresentado na próxima segunda-feira (03), ás 12h30 (horário de Brasília), no CT Ninho do Urubu. Logo após a sua apresentação, o treinador se reunirá com os jogadores do Flamengo e comandará o seu primeiro treino do Mais Querido.

    Torrent desembarca no Brasil no domingo ás 5h30 (horário de Brasília), em voo de Barcelona-ESP com conexão em Lisboa-POR. Lembrando que o treinador catalão assinou contrato com o Flamengo até janeiro de 2022. Ele terá auxilio de três pessoas de sua confiança na comissão técnica.

    A apresentação de Domènec Torrent será transmitida na Fla TV e terá presença de jornalistas de veículos nacionais e internacionais. O treinador fará sua estreia no dia 08 de agosto contra o Atlético-MG em jogo válido pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro 2020.

    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Foto: Reprodução / Facebook

  • Flamengo disputará seis jogos em agosto; confira como estão os adversários

    Todos os jogos no mês de agosto serão válidos pelo Brasileirão; último jogo oficial do Flamengo ocorreu no dia 15 de julho

    Mundo Bola Blogs | Adriano Skrzypa – Twitter: @FlamengoNumeros e @FlaFeminino

    Na próxima semana inicia-se o Campeonato Brasileiro 2020. Atual campeão (com sobras, inclusive), o Flamengo de Domenèc Torrent disputará no mês de agosto seis partidas na competição, contra os seguintes adversários: Atlético Mineiro, Atlético Goianiense, Coritiba, Grêmio, Botafogo e Santos. Todos eles sem a presença de torcida.

    A equipe volta aos campos em partida oficial após quase um mês: no dia 15 de julho, venceu o Fluminense por 1 a 0, na final do Campeonato Carioca. O Mundo Bola traz uma rápida análise do desempenho (pós-paralisação) dos seis adversários do Flamengo em agosto:

    Atlético-MG: 9 de agosto

    O primeiro adversário do Flamengo em agosto é o Clube Atlético Mineiro, no Maracanã. Desde o retorno do Campeonato Mineiro, a equipe comandada por Jorge Sampaoli empatou com o América, goleou a Patrocinense e venceu os dois jogos contra o América na semifinal.

    Em 2020: 17 jogos oficiais – 9 vitórias – 6 empates – 2 derrotas – 29 gols marcados – 13 sofridos. Desde o retorno: 4 jogos – 3 vitórias – 1 empate – 10 gols marcados – 2 sofridos.

    Time base: Rafael; Guga, Réver, Júnior Alonso e Guilherme Arana; Allan, Hyoran e Nathan; Savarino, Marrony e Keno.

    flamengo jorge sampaoli
    Sampaoli é o atual técnico do Galo.

    Atlético-GO: 12 de agosto

    O Campeonato Goiano não voltou, e o Atlético Goianiense não disputa jogos oficiais desde março. Porém, visando o início do Campeonato Brasileiro, a equipe disputou quatro jogos-treino: venceu Goiânia (6 a 0), Vila Nova (3 a 0) e Capital-DF (7 a 0) e empatou com o Cuiabá (1 a 1). Será o primeiro jogo do Flamengo como visitante no Brasileirão.

    Em 2020: 13 jogos oficiais – 9 vitórias – 3 empates – 1 derrota – 27 gols marcados – 4 sofridos.

    Time base: Jean; Dudu, Éder, Gilvan e Nicolas; Edson, Marlon Freitas e Everton Felipe; Matheuzinho, Renato Kayzer e Ferrareis.

    Pelo Brasileirão, as equipes se enfrentaram pela última vez em 2017: o Flamengo venceu as duas.

    Coritiba: 15 de agosto

    O estádio Couto Pereira receberá o confronto entre paranaenses e cariocas, na 3ª rodada. A equipe foi vice-campeã do Campeonato Paranaense: venceu o Paraná nos dois jogos das quartas, eliminou o Cianorte com duas vitórias na semifinal, mas sofreu duas derrotas nas finais contra o Athletico.

    Em 2020: 18 jogos oficiais – 11 vitórias – 3 empates – 4 derrotas – 33 gols marcados – 17 sofridos. Desde o retorno: 6 jogos – 4 vitórias – 2 derrotas – 9 gols marcados – 6 sofridos.

    Time base: Alex Muralha; Patrick Vieira, Rhodolfo, Sabino e William Matheus; Nathan Silva, Matheus Galdezani e Thiago Lopes (Gabriel); Rafinha, Robson e Igor Jesus.

    Muralha voltou a ser emprestado
    Ex-Flamengo, goleiro Alex Muralha é um dos destaques do Coritiba

    Grêmio: 19 de agosto

    Após dois jogos como visitante, o Flamengo retorna ao Maracanã diante do Grêmio, na quarta rodada. Desde o retorno do Campeonato Gaúcho, os tricolores comandados por Renato Gaúcho venceram o Internacional e empataram com Ypiranga e Novo Hamburgo. Na semifinal do segundo turno, venceu o Novo Hamburgo e venceu o Internacional novamente, na decisão. Agora enfrentará o Caxias na decisão do estadual.

    Em 2020: 18 jogos oficiais – 11 vitórias – 4 empates – 3 derrotas – 28 gols marcados – 13 sofridos. Desde o retorno: 5 jogos – 3 vitórias – 2 empates – 8 gols marcados – 4 sofridos.

    Time base: Vanderlei; Victor Ferraz, Geromel, Kannemann e Guilherme Guedes; Lucas Silva, Matheus Henrique e Jean Pyerre; Alisson, Everton (vendido para o Benfica) e Diego Souza.

    No Brasileiro 2019, o Flamengo venceu o Grêmio em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Foto; Alexandre Vidal

    Botafogo: 23 de agosto

    O primeiro clássico do futebol carioca no Brasileirão 2020 ocorrerá na quinta rodada, entre Flamengo e Botafogo. O clube alvinegro disputou três jogos oficiais após a paralisação: venceu a Cabofriense e empatou com Portuguesa e Fluminense. A equipe mal conseguiu chegar na final da Taça Rio. Após, disputou amistosos (Taça Gerson e Didi) contra o Fluminense.

    Em 2020: 15 jogos oficiais – 6 vitórias – 5 empates – 4 derrotas – 18 gols marcados – 17 sofridos. Desde o retorno: 3 jogos – 1 vitória – 2 empates – 6 gols marcados – 2 sofridos.

    Time base: Gatito; Barrandeguy, Marcelo Benevenuto, Kanu e Victor Luis; Caio Alexandre, Bruno Nazário e Honda; Luis Henrique, Rhuan e Pedro Raul.

    Lincoln
    Lincoln marcou o gol da vitória do Flamengo no último jogo contra o Botafogo pelo Brasileirão. Foto: Alexandre Vidal

    Santos: 30 de agosto

    Palco da última derrota do Flamengo no Brasileirão 2019, a Vila Belmiro recebe o duelo entre Santos e Flamengo no penúltimo dia do mês. Os paulistas ainda não venceram após o retorno do Campeonato Paulista: empataram com o Santo André e foram derrotados por Novorizontino e Ponte Preta (que resultou na eliminação precoce na competição).

    Em 2020: 15 jogos oficiais – 6 vitórias – 4 empates – 5 derrotas – 17 gols marcados – 16 sofridos. Desde o retorno: 3 jogos – 1 empate – 2 derrotas – 4 gols marcados – 7 sofridos.

    Time base: Vladimir; Pará, Lucas Verísismo, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Diego Pituca e Carlos Sánchez; Soteldo, Marinho e Kaio Jorge.

    Gabigol fez valer a “Lei do Ex” com um golaço diante do Santos, no Brasileirão 2019.
  • O Fla de Domènec – Parte 1: O tal jogo de posição

    Domínio, intensidade e controle: é provável que o torcedor consiga identificar mais semelhanças do que diferenças nos idiomas

    Blog do Téo | Téo Benjamin – Twitter: @teofb

    A história ficou famosa: Henry resolveu sair da ponta esquerda, tabelou com Messi na direita e acabou fazendo um gol. Depois foi substituído por Guardiola, que não gostou de ver o atacante descumprindo suas ordens.

    Quem conta um conto aumenta um ponto, claro, e hoje já se diz que o treinador furioso sacou o atacante ainda durante a comemoração. Nada disso: Henry saiu no intervalo, com o jogo contra o Sporting pela Champions League em 2008 já encaminhado num 2×0 tranquilo. Quase uma década antes, o Barcelona passava por uma situação parecida. Rivaldo era o ponta-esquerda no esquema do treinador holandês Louis van Gaal, mas irritou o treinador quando abandonou sua posição e entrou pelo meio para marcar um gol contra o arquirrival Real Madrid.

    Do mesmo autor: 12 meses inimagináveis

    Rivaldo queria jogar centralizado, mas van Gaal não via espaço para o brasileiro ali. A situação ficou insustentável quando o brasileiro recebeu o prêmio de melhor jogador do mundo e celebrou declarando que não queria mais jogar pelo lado esquerdo. O treinador barrou seu camisa 10, mas acabou sendo vencido na queda de braço que acabou lhe custando o emprego. O problema com Rivaldo, claro, não foi o único motivo para a queda — mas é mais emocionante contar a história desse jeito.

    henry guardiola
    Imagem: Divulgação / Barcelona

    Apesar das enormes diferenças, Pep Guardiola bebe das mesmas fontes que Louis van Gaal e esses contos — com muitos pontos aumentados – ajudaram a criar uma noção curiosa: no tal jogo de posição, cada jogador seria inexoravelmente preso a um pedaço do campo. Guardiola é profundo, apaixonado, convicto, inventivo… mas não é dogmático. Seus três trabalhos até aqui – Barcelona, Bayern e City – guardam características em comum, mas são muito, muito diferentes entre si. Pep soube se adaptar a cada contexto.

    Mais do que isso, cada time era completamente diferente no primeiro e no último ano de seus trabalhos. As equipes evoluem, se transformam e se reinventam a cada temporada. Aliás, a cada jogo (e mesmo dentro dos jogos) é possível ver muita variação tática. E é fundamental que se diga: são sempre times dominantes, intensos e muito, muito bonitos de ver jogar. Criatividade, habilidade e talento individual não faltam nos jogos de times que buscam um sistema coeso e eficiente para impor seu jogo. A primeira vez que a analogia aparece no livro, inclusive, é em uma fala do próprio Domènec Torrent, então auxiliar de Pep e novo treinador do Flamengo.

    rivaldo barcelona van gaal
    Imagem: Divulgação / Barcelona

    “Venho lhe dizendo que ele precisa ir pianinho para não passar muitos conceitos aos jogadores de uma só vez. São atletas muito inteligentes taticamente e que gostam do nosso modelo de trabalho, (…) mas a gente precisa levar em conta que eles estão aprendendo um idioma novo”. Conforme o time vai aprendendo e se tornando fluente no “idioma”, é possível adicionar novas “estruturas gramaticais”, expandir o “vocabulário” e construir a partir de uma “sintaxe” mais complexa.

    Veja também: Arão como fator de equilíbrio do Flamengo

    Quando Guardiola chegou (junto com Domènec), O Bayern havia vencido o Campeonato Alemão e a Champions League na temporada anterior sob o comando de Jupp Heynckes. Não faria sentido virar tudo de cabeça para baixo de uma hora para outra. Lembra algum time?

    A situação com Henry em 2008 era diferente. Era o começo de Pep em um time que buscava se reconstruir. Ele precisava mostrar ao elenco estrelado que era preciso respeitar o processo de trabalho, mas mesmo assim esperou o jogo estar decidido para tirar o craque francês.

    Imagem: Divulgação / Bayern

    No fim das contas, o tal jogo de posição acredita que a ocupação racional dos espaços é a melhor forma de evoluir no campo, mas isso não quer dizer que os times sejam estáticos ou que haja pouco espaço para a criatividade. Pelo contrário.

    A busca é por avançar em campo vencendo linha a linha da defesa adversária, atraindo o adversário para desorganizá-lo com o objetivo de encontrar o próximo “homem livre” por trás da próxima linha. Assim, busca gerar superioridade para machucar o adversário. Essa superioridade (ou vantagem) pode ter várias formas: numérica (2-contra-1, por exemplo), qualitativa (um atacante habilidoso no mano-a-mano), espacial (zagueiros adversários expostos correndo para trás) etc.

    Veja também: Como Gabigol marca seus gols? Entenda padrões, qualidades e posicionamento do atacante do Flamengo

    Os pontas não ficam abertos (dando amplitude) porque é bonito ou porque cansa menos ou para que o treinador possa demonstrar seu poder de impor sua vontade ao elenco. Eles podem ficar ali para criar vantagens específicas, mas só faz sentido se for vantajoso mesmo. Quando a bola está saindo da defesa, é melhor o ponta se aproximar para tabelar ou é melhor se afastar para abrir espaço para o meia receber? Ou ainda para receber a bola longa e encontrar o meia infiltrando?

    São maneiras de resolver os problemas do jogo. Afinal, o futebol é um exercício de resolução de problemas. Todo movimento precisa ter um porquê. A melhor resposta depende do que você quer, das características dos seus jogadores, do adversário… Sim, alguns tipos de jogadores podem ser privilegiados ou podem encontrar dificuldades dependendo das escolhas feitas, de como o time resolve seus problemas. Mas isso é verdade para qualquer modelo de jogo.

    Com um elenco pronto, é preciso que o treinador tenha flexibilidade para respeitar o que já existe. O próprio Domènec disse em entrevista recente, antes do interesse do Flamengo: “Como treinador, acredito que a coisa mais importante é respeitar as características dos jogadores”.

    Veja também: Um Flamengo que não abdica da sua forma de jogo

    É bom lembrar que há um ano também se falava muito que Jorge Jesus era extremamente dogmático, que não abria mão do 4-1-3-2 nunca e que só sabia jogar com um centroavante alto. Deu no que deu: um time dinâmico, leve e imparável.

    Hoje o discurso geral sobre o Flamengo vai para o outro extremo: fala-se muito em caos, em movimentações imprevisíveis e liberdade total. A verdade é que esse time chegou onde chegou por ser flexível, mas extremamente organizado.

    Alguns movimentos sutis, quase imperceptíveis, eram considerados obrigatórios obrigatórios pelo Mister. Isso mesmo, OBRIGATÓRIOS! Qualquer um podia fazer, mas tinha que ser feito. Tudo para tentar resolver os problemas do jogo.

    É como uma sessão de jazz… com uma estrutura clara, um idioma comum, a criatividade pode fluir. Os times de Pep não são uma apresentação ensaiada e o Flamengo de JJ não é um conjunto excepcional de solistas inventando o que fazer a cada momento. Por isso são tão bons.

    Cria-se hoje um clima de apreensão questionando se Domènec vai convencer Everton a ficar longe da bola por muito tempo, por exemplo. Mas poderíamos perguntar há um ano se Gerson poderia ser convencido a dar piques sabendo que não receberia a bola, apenas para abrir espaço.

    Aqui, vou na contramão do que tem sido dito.

    Com uma proposta obcecada por dominar o jogo, um desejo latente de controlar o jogo pela bola, intensidade no ataque, marcação-pressão etc, é provável que o torcedor consiga identificar mais semelhanças do que diferenças nos idiomas.

    Um idioma comum é fundamental para que os jogadores se entendam, pensem rápido em conjunto e as ações coletivas funcionem. Um idioma pode até ser diferente do outro, mas o importante é que seja consistente. No final das contas, é tudo sobre resolução de problemas.

    Um time totalmente estático em posições definidas não tem nada a ver com o tal jogo e posição. É só um time previsível e fácil de marcar, que não cria espaços e não resolve problemas.

    É só futebol ruim mesmo.


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  • Auxiliar de Domènec se empolga com Flamengo: ‘Animado e ansioso’

    Na manhã desta segunda-feira, às 05h40 (horário de Brasília), o novo técnico do Flamengo Domènec Torrent, desembarcará em solo brasileiro junto de seus três auxiliares: Jordi Guerrero, o analista de desempenho Jordi Gris e um preparador físico. E em suas redes sociais, Guerrero já se manifestou se mostrando empolgado com o final feliz da negociação. Confira.

    No Flamengo, Domènec e seu staff irão receber 1,5 milhão de euros por ano (cerca de R$ 9 milhões na cotação atual). Jorge Jesus e seus sete integrantes de sua equipe, recebiam mais do que o dobro: 3,5 milhões de euros (cerca R$ 21 milhões) anuais. O vínculo de Dome com o rubro-negro será até 31 dezembro de 2021. No final de seu contrato, o treinador e sua comissão receberão cerca de R$ 13,5 milhões, com este valor podendo aumentar com eventuais premiações.

    História de Domènec

    Torrent e Guardiola se uniram na temporada 2007/08, assumindo o Barcelona B. Na época, a equipe jogava a quarta divisão da La Liga, mas sob o comando da dupla, os catalães subiram para a terceira e venceram os playoffs que os classificavam para a segunda divisão. Com o sucesso, ambos foram promovidos e assumiram a equipe principal do Barça em maio de 2008. No comando da lendária equipe de Messi, Xavi e Iniesta, foram vitoriosos anos até 2012, com conquistas marcantes como a Champions League, Mundial de Clubes e La Liga.

    Por ter tido sucesso ao lado de Torrent, Guardiola convidou seu auxiliar para continuar com ele nos próximos desafios, e ambos se mudaram para o Bayern de Munique. No clube alemão, conquistaram títulos como a Bundesliga e Mundial. Já em terras inglesas, a principal taça foi a da Premier League, pelo Manchester City. Ao todo, foram 24 troféus conquistados pela dupla.

    Em junho de 2018, Torrent teve o desejo de ser o treinador principal de uma equipe, e se separou de Guardiola para assumir o New York City FC. Na primeira temporada ficou em terceiro lugar na conferência leste, garantindo um lugar na fase de playoffs (mata-mata), mas acabou sendo eliminado na primeira rodada.

    No ano seguinte, o treinador terminou em primeiro lugar no leste, naquela que foi a melhor temporada da história no New York City. Nos playoffs, terminou eliminado novamente, desta vez nas semifinais. Torrent deixou o clube da MLS em novembro de 2019.

    Créditos de imagem destacada: Reprodução/Twitter

  • O desafio de Torrent

    O desafio de Torrent é fazer os jogadores acreditarem na sua filosofia, pois de futebol ele entende, mantendo assim a mentalidade vencedora

    Blog Ficou Marcado na História | Allan Titonelli – Twitter: @AllanTitonelli

    Com a contratação de Domènec Torrent como técnico do Flamengo os analistas esportivos dissecaram seus fundamentos. A principal credencial talvez seja ter sido assistente de Guardiola, um dos treinadores mais badalados do mundo da bola. Parece ser inquestionável também seus conhecimentos técnicos sobre o futebol.

    Do mesmo autor: Quando um técnico não é mero detalhe

    Todavia, depois dos títulos que ganhou pelo Flamengo, Jorge Jesus vai ser uma eterna sombra para os treinadores do clube, principalmente para seu substituto imediato. Há uma característica do Mister que talvez tenha sido a chave para a mudança, e precisa ser trabalhada por Torrent. Falo sobre a mentalidade vencedora, que aliada aos treinos técnicos à exaustão, até que as funções e posições fossem assimiladas, as quais só foram possíveis ante a absorção da primeira.

    Afinal, Jesus transformou um time que ficava no cheirinho em multicampeão, e cheio de si. Essa mentalidade começou com os discursos autoconfiantes e no superlativo; provocar desafios (quem não se lembra de quando o Mister chegou, mandando logo pintar as paredes do Ninho com as fotos dos Campeões da Libertadores e do Mundial, e disse aos jogadores que a deles seria a próxima a estar ali) e fazer acreditar no que dizia (vi vários relatos de jogadores dizendo que Jesus fazia previsões que se concretizavam em campo, aumentando a confiança).

    O livro “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg, traz uma história do treinador Tony Dungy da NFL, que contextualiza bem essa mentalidade vencedora, e como quebrar esse paradigma, embora não iremos ser exaustivos em seus detalhes. Segundo Dungy, “Os campeões não fazem coisas extraordinárias”, “Fazem coisas ordinárias, mas as fazem sem pensar, rápido demais para o outro time reagir. Seguem os hábitos que aprenderam.” (Os hábitos ensejam três etapas – deixa, rotina e recompensa – , e Dungy só mudaria a rotina).

    Tony Dungy
    Dungy no Hall da Fama da NFL. Crédito da foto: Divulgação

    Para Duhigg, em vez de ensinar todas as formações possíveis aos jogadores, era necessário apenas uma parte delas, mas treiná-las à exaustão, até tornar o comportamento automático. Contudo, para seus ensinamentos darem certo, os jogadores necessitavam estar no controle do poder mental, não podendo fraquejar com um gol do oponente, ou com as adversidades, precisavam seguir acreditando. Ou seja, não bastava o físico, o técnico, mas relevante o controle mental, e acreditar no sucesso. E esse foi seu grande desafio antes de se tornar campeão da NFL. Afinal, a fé (eu acredito) seria um recurso para alavancar os hábitos, concretizando as transformações desejadas.

    Voltando ao Flamengo de Jesus, que trouxe um profissional ligado à parte mental, Evandro Mota, para mudar essa cultura. Afinal, ele próprio, Jesus, havia perdido campeonatos nos últimos minutos, então já tinha enfrentado derrotas doloridas, e sabia o que fazer para não repetir o insucesso. E, para superar esse paradigma é necessário confiar e acreditar naquilo que o técnico diz. O resultado prático dessa mudança foi exteriorizado nas palavras de Bruno Henrique, “estamos em outro patamar”, ou na confiança de que “hoje tem gol do Gabigol”.

    Enfim, a meu ver, esse é o desafio de Torrent, fazer os jogadores acreditarem na sua filosofia, pois de futebol ele entende, mantendo assim a mentalidade vencedora.

    Leia o livro “19 81 – Ficou Marcado na História”

    *Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação / NY City

  • Domènec Torrent no Flamengo: veja a repercussão internacional

    Chegada de novo técnico ao Flamengo gerou notícia na imprensa internacional. Domènec Torrent é do Mengão. Detalhes no Mundo Bola

    Mundo Bola Informação | Yago Martins – Twitter: @Yago_Martins23

    A chegada do catalão Domènec Torrent ao Flamengo ultrapassou as fronteiras brasileiras e virou notícia ao redor do mundo. O rubro-negro anunciou a chegada do treinador na tarde desta sexta-feira (31), e logo após a confirmação, muitos veículos de comunicações internacionais destacaram a contratação por parte do Mais Querido. Confira as manchetes.

    Em voo procedente de Lisboa, Domènec Torrent chegará em solo brasileiro com seus auxiliares, nesta segunda-feira, às 5h40 da manhã. O vice-presidente de futebol Marcos Braz e o diretor executivo Bruno Spindel também estarão no desembarque.

    Veja também: Grandes momentos de Domènec Torrent no livro de Guardiola: reflexões, broncas, foco e Philipp Lahm

    Segundo informação do jornalista Venê Casagrande, o Flamengo já trabalha com a possibilidade de alterar o horário das atividades de segunda. Antes prevista para manhã, o treinamento deve ser no período da tarde, às 15h. Tudo isso, pela chegada nas primeiras horas do dia do novo treinador.

    Quem é Domènec Torrent

    Torrent e Guardiola se uniram na temporada 2007/08, assumindo o Barcelona B. Na época, a equipe jogava a quarta divisão da La Liga, mas sob o comando da dupla, os catalães subiram para a terceira e venceram os playoffs que os classificavam para a segunda divisão. Com o sucesso, ambos foram promovidos e assumiram a equipe principal do Barça em maio de 2008. No comando da lendária equipe de Messi, Xavi e Iniesta, foram vitoriosos anos até 2012, com conquistas marcantes como a Champions League, Mundial de Clubes e La Liga.

    Por ter tido sucesso ao lado de Torrent, Guardiola convidou seu auxiliar para continuar com ele nos próximos desafios, e ambos se mudaram para o Bayern de Munique. No clube alemão, conquistaram títulos como a Bundesliga e Mundial. Já em terras inglesas, a principal taça foi a da Premier League, pelo Manchester City. Ao todo, foram 24 troféus conquistados pela dupla.

    Em junho de 2018, Torrent teve o desejo de ser o treinador principal de uma equipe, e se separou de Guardiola para assumir o New York City FC. Na primeira temporada ficou em terceiro lugar na conferência leste, garantindo um lugar na fase de playoffs (mata-mata), mas acabou sendo eliminado na primeira rodada. 

    No ano seguinte, o treinador terminou em primeiro lugar no leste, naquela que foi a melhor temporada da história no New York City. Nos playoffs, terminou eliminado novamente, desta vez nas semifinais. Torrent deixou o clube da MLS em novembro de 2019.

    Créditos de imagem destacada: Divulgação

  • Grandes momentos de Domènec Torrent no livro de Guardiola: reflexões, broncas, foco e Philipp Lahm

    Novo treinador do Flamengo, Torrent teve destaque em alguns momentos no livro “Guardiola Confidencial”, do jornalista Martí Perarnau

    Mundo Bola Blogs | Adriano Skrzypa – Twitter: @FlamengoNumeros e @FlaFeminino

    Nesta sexta-feira, o catalão Domènec Torrent, foi anunciado oficialmente como o novo técnico do Flamengo. O treinador de 58 anos assinou contrato válido por um ano e meio com o clube carioca, e será o sexto técnico europeu a comandar o Mengão.

    Após iniciar sua carreira como treinador no Palafrugell, no Palamós e no Girona, Domenèc foi auxiliar de Pep Guardiola (Barcelona, Bayern e Manchester City) durante onze anos, conquistando 24 títulos no período. Torrent então decidiu seguir “carreira solo” e assumiu o New York City FC, entre os anos de 2018 e 2019.

    Em 2015, o jornalista espanhol Martí Perarnau lançou seu livro intitulado “Herr Pep“, após um ano acompanhando de perto a rotina e o trabalho de Guardiola durante 28 semanas no Bayern de Munique (2013/14). Traduzido ao português pela editora Grande Área, a obra recebeu o nome de “Guardiola Confidencial“. Torrent, então auxiliar de Pep na temporada foi lembrado no livro. Recorde os principais momentos:

    guardiola confidencial
    Martí Perarnau acompanhou Pep e Cia durante uma temporada.

    1 – Lahm de volante: Rafinha participa

    No Momento 7 do livro, intitulado “Viu o potencial do Lahm?”, Perarnau detalha o amistoso vencido pelo Bayern diante do TSV Regen, por 9 a 1. O último capítulo trata-se exclusivamente do atleta:

    Durante a volta a Munique, aliás, a cabeça de Guardiola já está em outro lugar: mais precisamente, em Lahm. A viagem se transforma em uma conversa monotemática entre Guardiola e Domènec Torrent, assistente técnico, sentado a seu lado: “Viu o potencial do Lahm? Viu como ele encontra os corredores, como gira e protege a bola? Certamente pode jogar tanto na lateral como no meio de campo”. É o prenúncio de uma das grandes descobertas da temporada…

    A confirmação vem no “Momento 26”, que mostra detalhes sobre a final da Supercopa da UEFA. no dia 30 de agosto de 2013. Bayern e Chelsea empataram em 2 a 2, e o clube alemão sagrou-se campeão nas penalidades máximas.

    Após meia hora de jogo, acontece uma mudança que marcará toda a temporada do Bayern. Kroos sofre todas as vezes que o Chelsea lança bolas às suas costas, porque sua maior virtude não é girar rápido e defender. Então, Domènec Torrent, assistente de Pep, lhe diz: “E se colocássemos Lahm como volante?”.


    Guardiola não vacila. Levanta-se rápido e, quase entrando em campo, grita para Kroos: “Toni! Você de 8, você de 8! Philipp de 6!”.


    Nesse momento, inicia-se uma nova etapa para Philipp Lahm, como volante do Bayern. Lahm chegou ao Bayern aos onze anos, vindo do ft Gern, e nas categorias de base treinou sob as ordens de ninguém menos que Hermann Gerland, assistente técnico de Heynckes e de Guardiola. Gerland o colocou para jogar em várias posições: como lateral direito, ponta e meio-campista, função em que também foi comandado por Roman Grill, que hoje é seu representante.

    Aos dezenove anos, estreou na equipe principal, treinado por Ottmar Hitzfeld. Como as laterais eram ocupadas por Willy Sagnol e Bixente Lizarazu, Gerland se encarregou de falar pessoalmente com o técnico do Stuttgart, Felix Magath, para que aceitasse o empréstimo de Lahm. No Stuttgart, o atleta se destacou como lateral esquerdo. Dez anos depois, Guardiola começou a usá-lo como meio-campista e agora, em plena final da Supercopa Europeia e com o placar adverso, ordenava que ele assumisse a delicada posição de volante: o eixo do time.


    Meses mais tarde, no final de novembro, Guardiola recordaria aquele movimento: “As palavras de Dome [Domènec Torrent] foram chaves. Se ganharmos alguma coisa nesta temporada, será em razão daquele dia. Ouça bem o que digo: se ganharmos alguma coisa nesta temporada, será por causa do Lahm. Porque posicioná-lo como volante foi o que reordenou todas as peças”.


    Aos poucos, o Bayern começa a dominar a final. Além de Lahm ter se reposicionado, Pep também fez Rafinha se adiantar, de forma que a equipe passou a atacar com um 3-3-1-3. Rafinha fecha por dentro e ajuda Lahm, enquanto Kroos pode armar as jogadas de ataque e Müller atua livre, como meia ofensivo.

    2 – “Nos maus momentos, nunca se deve dar uma bronca”

    Momento 35. Intervalo de jogo e o Bayern perdia para o Mains 05 por 1 a 0. No final de jogo, o resultado marcou 4 a 1 para os bávaros. Martí então pergunta à Torrent se teve “bronca” nos jogadores no intervalo da partida. E a resposta foi essa:

    Nunca. Nos maus momentos nunca se deve dar uma bronca. As broncas são reservadas para os bons momentos, que é quando elas podem ser úteis de verdade. Nos maus momentos o que fazemos é corrigir posições e detalhes, nunca perturbar. A credibilidade você ganha corrigindo, não dando broncas quando está perdendo.

    3 – “Naquela noite aprendi que teria sido melhor ficar calado”

    Momento 52. Já era março de 2014 e o jornalista jantou com Guardiola e Torrent, após uma vitória sobre o Leverkusen. E duas conversas do novo técnico do Flamengo merecem ser destacadas:

    Depois do jogo contra o Bayer Leverkusen jantei com Pep e Domènec Torrent, o assistente técnico, e mencionei os recordes batidos na liga. Guardiola não sabia dos cinquenta jogos de invencibilidade, nem que tinha igualado as 25 partidas sem perder de Heynckes, nem dos outros números, mas Torrent foi direto em seu comentário: “Olha, Pep, não vamos nos preocupar com os recordes. Esqueçamos os recordes e vamos atrás do que interessa, a Champions. Tanto faz se perdermos jogos ou se levarmos gols a partir de agora. Deixemos os recordes para a próxima temporada”.

    Perarnau foi além: questionou Pep e Dome sobre escalações ideais. E aprendeu com a resposta do auxiliar:

    Propor uma escalação ao técnico do Bayern e ao seu assistente era uma tentação que eu não podia recusar. Assim, armado de uma inconsciência quase irracional, respondi: “Bom, está muito claro para mim. Colocaria os onze que hoje estão em melhor forma e os posicionaria em um 4-2-1-3”. E dei os onze nomes que eu escalaria, mas por que fui falar? Guardiola escutou em silêncio e não abriu a boca. Domènec Torrent por sua vez, demorou menos de dois segundos para me indagar: “E se fosse contra o Real de Cristiano Ronaldo e Bale, não escalaria Boateng, que é o zagueiro mais rápido que temos? E se fosse contra o Barça, enfrentaria Messi sem Schweinsteiger? E se fosse contra o Chelsea, jogaria com um 9 fixo sem Götze nem Müller?”.

    Quantas variáveis! Naquela noite aprendi que teria sido melhor ficar calado. Guardiola não opinou sobre minha escalação, mas as perguntas de Torrent me fizeram compreender que não basta ter toda a informação, é preciso pensar e pesar muitos outros fatores, já que qualquer deslize ou precipitação na hora de escolher pode provocar um erro grave. É obvio que eu sabia que ser técnico é uma tarefa complexa e difícil, mas naquele jantar compreendi isso melhor do que nunca e ainda percebi que, muitas vezes, nós que analisamos de fora somos
    menos meticulosos e detalhistas que aqueles que criticamos tão facilmente.

  • O homem que não voltou de Lima

    A sua vida era um primeiro tempo em que nada dava certo. Mas como seria bonito se todo mundo tivesse a chance de um segundo tempo, não é?

    E a debandada do Mister, hein? No grupo do Whatssap do República Paz & Amor, e provavelmente nos teus aí também, a notícia acabou em treta. Culpa minha, que ao saber que nosso comandante português já içava as caravelas para retornar a Portugal (ou já foi? Vai amanhã?), enxuguei o choro e desabafei:

    Dunlop (cor roxinha)
    “E eu, como fico? Fiz promessa de beijar os pés de Jorge Jesus caso ele nos levasse ao bi da Libertadores – agora vou precisar dar uma bitoca no pé de um técnico do Benfica!”

    Vivi Mariano
    (Figurinha)

    Jorge Murtinho
    “Devagar, Dunlop. Se o treinador rompeu o contrato, você não está automaticamente liberado de romper a promessa?”

    Arthur Urublog
    “Com a devida venia, Jorge: se há uma cláusula de rescisão e uma das partes exerce essa cláusula não há rompimento. Te prepara pro beijo com chulé, Dunlop!”

    Arnaldo Branco
    “Pessoal, hoje só tenho um horário disponível para tretar, de 18h53 às 19h, pode ser?”

    Nivinha Fla (por áudio, matando a pau)
    “Apaporra, nunca teremos um ano de tranquilidade? Nós rubro-negros, como disse o poeta, só conhecemos dois estados mentais: a Crise na Gávea e o Oba-Oba. O Flamengo nos obriga a beber!”

    Resignado, fechei a janelinha do grupo na esperança de que o velho ditado fosse real: “Quando Deus fecha uma porta, Ele abre sempre uma janela, e se fecha a janela, Deus abre a basculante do WC, e fica todo mundo na casa maluco com esse abre-e-fecha”.

    Veja também: Domènec Torrent x Jorge Jesus: as diferenças e semelhanças de trabalho no Flamengo

    Pois não é que foi batata? Na mesma hora, uma janelinha verde piscou, com uma bonita história flamenga. O fornecedor, meu informante favorito, era o amigo Dyocil, um Indiana Jones carioca que volta e meia desencava, sem chicote nem chapéu, ótimos causos desse Rio de Janeirão de meu deus.

    “Fala Dun”, confirmou o Dyo, “falei com a fonte. Depois de oito meses, segue tudo bem com o camarada rubro-negro. Isso mesmo, o homem ainda não voltou de Lima!”

    Não sei como os cronistas experientes lidam com essas coisas. Eu, garoto novo no ofício, quando me servem uma iguaria assim, fico um Marcos Braz às avessas – com o sol no sangue. Os pelinhos do braço chegam a eriçar, saca?

    Após frenética troca de áudio, começo a conhecer meu personagem. Personagem não: meu herói. Meu mais novo ídolo, já que o saudoso Jesus não quis dar a outra face, e sim dar no pé.

    Veja também: Começa o segundo turno do Carioca de 1974

    O nome dele? Olha, não pense que não confio em ti, leitor. Mas sabe como é, o cara não quer divulgação. Imagina o Caco Barcellos batendo lá na comunidade ao saber da história? Sem falar que o pai anda enfrentando problemas de saúde. Portanto, boca de siri.

    Vamos, então, escolher um apelido para a fera. O nome de um exilado famoso. Adão, o primeiro expulso do paraíso? Napoleão? Chaplin? Gonçalves Dias? Facilitemos. Em vez de um nome, um número qualquer, para não dar confusão. Você escolhe. Não, escolhe você… Bem, escolhi: chamemos nosso herói de, digamos, Trinta e Sete.

    Para contar a história do bravo Trinta e Sete, precisamos voltar a novembro de 2019. Hein? Não, não há tempo para anotar nenhum número da loteria, vamos já. Novembro de 2019, e o Trinta e Sete não estava nos seus melhores dias. Cabisbaixo, sem vintém, caminhava arrependido pelo morro, ciente de que descumprira um dos dez mandamentos da malandragem. Aquele que prega: “Não darás tchauzinho à mamãe com as mãos aferradas às costas”.

    Pois é, nosso amigo sucumbiu a tentações, pegou maus atalhos, dormiu na tranca dura. Foi ao inferno e voltou, mas em liberdade a coisa não melhorava muito. Arrumar um emprego decente, com a ficha dele, é impossível no Brasil. E o que doía mais: o olhar duro das senhoras vizinhas e da criançada da favela, que chegava a perfurar a carne. Era apontado como mau exemplo.

    A vida do Trinta e Sete, como se percebe, assemelhava-se a um primeiro tempo em que nada dava certo. Mas como seria bonito se todo mundo tivesse a chance de um segundo tempo, não é? O Trinta e Sete teve.

    Veja também: RR: queria ter sido seu amigo

    O segundo tempo do Trinta e Sete começou num churrasco. Daqueles. Foi ali, perto da brasa lotada de bistecas, capa de gordura, e os amigos todos reunidos, que sua vida começou a virar. Saca o chutão do Diego no fim do jogo com o River Plate? Foi daquele jeito.

    O Trinta e Sete chegara sorrindo, chinelo, bermudão e Manto Sagrado, além da tatuagem rubro-negra. Corta carne daqui, serve de lá, e um dos amigos mandou de longe, à la Diego: “Vamos com a gente ou não vamos?”

    Ah, não havia ninguém no planeta que gostaria mais de ir ao Peru ver a final da Libertadores do que nosso amigo. Na casa de seus 35 anos, ele tinha sido geraldino raiz, de pegar lata de leite em pó na casa dos tios para ir trocar por ingresso, nos tempos em que o Mais Querido tinha Pet, Edílson e Juan. Mas viajar até Lima? Não tinha ingresso, dinheiro nem roupa.

    – Parceiro, é contigo mesmo: vamos em quatro ônibus e no último tem uma vaguinha. Tu é irmão, e a gasolina já está paga mesmo. Bora?!

    Ah, como pensam rápido os heróis, não é mesmo? Você e eu, provavelmente, pensaríamos em coisas materiais como mudas de roupas e casacos, e em tolices como dar um beijo de despedida na namorada. Mas o Trinta e Sete? Meus amigos, o Trinta e Sete soltou um zap para a mãe, e pronto. Às seis da tarde, quando a frota de ônibus deixou a comunidade, um dos mais famosos berços do samba carioca, o Trinta e Sete estava lá. “Se o ônibus enguiçar, eu empurro, podem ficar tranquilos”, disse ele, pau para toda obra.

    Depois de uns cinco dias sacolejando no bumba, 120 e tantas horas de odisseia, estavam em Lima. O Trinta e Sete não era sujeito de viver na aba, tampouco aguentava mais uma noite dormindo no ônibus, e foi à luta. Encontrou logo um dos estabelecimentos mais animados da noite peruana, e começou a se enturmar. Ganhou a galera na lábia e propôs: de noite, ele beberia ali. De dia, pagava seu consumo com faxina e outros serviços gerais. Negócio fechado.

    Dizem, mas aí acho que é conversa, que nosso herói já estava em Lima quando a namorada ligou, com saudade. Descobriu, depois de um ano de relacionamento, que o Trinta e Sete era gente como você e eu, um flamengo doido de pedra. “Você nem passou em casa, é maluco mesmo!”. Mas o Trinta e Sete agiu certo. Ele refletira: caso desse um pulo em casa para buscar casaco, dar um beijo na mãe e um abraço no pai, que está meio doente – seu tio, inclusive, foi uma das vítimas fatais dessa onda de Covid, há poucas semanas – ele sabe que desistiria. O único jeito de ir ver o Mengo era não pensar em mais nada e se enfiar dentro do ônibus.

    Veja também: Quando um técnico não é mero detalhe

    O ingresso apareceu na tarde do jogo, graças à rapaziada. Cada um contribuiu com um pouco, e conseguiram a entrada no mercado paralelo com outros amigos flamengos. Agora era com Gabigol & cia! Pra cima deles, Flamengo!

    Não podia dar errado, e não deu. Ao voltar do estádio, Lima era o Rio de Janeiro, e o Trinta e Sete era o rubro-negro mais feliz do mundo. No embalo da festa, a gerente do estabelecimento fez o convite: por que ele não ficava? Era ótimo trabalhador, todos gostavam dele e ele podia continuar a dormir por ali. E, imagino, nem deve ter insistido, pois pensou: “Imposible! Como un muchacho desse vai trocar uma nacion linda e tão bien gobernada como el Brasil, ainda mais el Rio de Janero, por Lima…!” No sabes nada, inociente…

    E foi assim, meus amigos, que quando o quarto ônibus ligou os motores e fechou as portas, o Trinta e Sete não estava nele. Ressacados pela glória eterna, os amigos ainda tinham mais essa para contar, deixando os grupos de zap da galera em polvorosa: “Mano, o cara ficou! kkkkkk”

    Hoje, depois de oito meses, o Trinta e Sete segue empregado e comprou uma motocicleta em Lima. Na minha cabeça, já deve ter aprendido a preparar o melhor dos ceviches e aqueles drinques peruanos estupendos. Todo santo mês, ele envia um dinheirinho para a mãe.

    E ele ainda não pode ver, mas quando seu nome é citado nos churrascos e ruas do morro, os olhares e sorrisos são outros. “Cara obstinado é aquele”, dizem as vizinhas. “Ele agora é celebridade”, afirma um amigo de infância. “Graças ao Flamengo e aos próprios esforços, ele é o herói da molecada da favela. É o cara que foi a Lima sem nada no bolso, ajudou o Mengo a ser campeão e refez a vida. Contra tudo e contra todos. De virada.”

    E ninguém mais lembra, ou quase ninguém, aquela cena no churrasco, quando nosso herói pegou a carteira e mostrou para os amigos: “Quer saber? Eu vou. Vou com vocês, mas olha aqui tudo que eu tenho: com as moedas, humm, estou com 37 merréis!”

    Vou-me embora para o Peru, lá sou amigo do rei! Um rei de chinelos e bermudas, sim, mas que só nos prova a velha máxima de Fernando Sabino, a que diz: no fim dá tudo certo – se não deu, é porque ainda não chegou ao fim. Ainda mais para quem tem amigos, uma pitada de coragem e o Flamengo no coração.