Historicamente, o Vasco é um clube de artilheiros. De Russinho, nos primórdios, a Rayan, nos tempos atuais, o Cruzmaltino ampara seu jogo no poder de fogo de seus homens de frente. Ainda que nos piores momentos da história do clube, era quase certo que haveria um jogador com muita capacidade de finalização para resolver jogos.
➕ Ídolos Eternos do Vasco da Gama
Expresso da Vitória trouxe revoluções táticas
Desse modo, boa parte dos grandes treinadores da história do Vasco amparou sua forma de jogador no potencial artilheiro de suas peças. O lendário Expresso da Vitória, por exemplo, teve dois grandes treinadores: Ondino Viera e Flavio Costa.
[review id=”38″]
O uruguaio Ondino Viera foi responsável por implementar o 4-2-4, que viria a ser o principal esquema do futebol brasileiro nos anos seguintes, e foi fundamental para a consolidação daquele elenco como um dos melhores do país.
Já sob o comando de Flávio Costa, aquele elenco era apresentado à ‘Diagonal’: uma espécie de 3-2-3-2, em que o principal atacante jogava em uma função semelhante à do ponta de lança.
Dessa maneira, o artilheiro Ademir de Menezes tinha a responsabilidade de construir as jogadas e a liberdade de pisar na área à vontade. Assim, o atacante se tornou o maior artilheiro e assistente da história do Vasco na época.
Futebol Total e pólvora
Após o fim do Expresso da Vitória, o Vasco teve alguns treinadores marcantes. O exímio estrategista Tim e o experiente e vencedor Zezé Moreira conquistaram Estaduais pelo Cruzmaltino e deixaram seus nomes na história. Mas o novo evento tático canônico do clube seria liderado por Mário Travaglini, na década de 70.
Treinador da primeira Academia de Futebol do Palmeiras, Mário chegou ao Vasco em meio ao despertar de Roberto Dinamite. Para potencializar o poder de fogo do atacante, trazia conceitos do Ajax e da Holanda de Rinus Michels e associava-os à criatividade brasileira.
Com jogadores taticamente inteligentes, de bom passe e boa movimentação, a bolava chegava fácil nos pés de Roberto Dinamite, que ajudou a conduzir o Vasco ao título brasileiro de 1974.
As muitas faces do Delegado
Antônio Lopes é, inegavelmente, o maior treinador da história do Vasco. Com seis passagens pelo clube e seis títulos, o ‘Delegado’, como é conhecido, é a representação desse jogo que busca otimizar a vida dos homens de frente.
Em 1982, Antônio Lopes conquistou o seu primeiro título, o Campeonato Carioca, com um time de operários que negava espaço aos adversários e tentava facilitar a vida do artilheiro Roberto Dinamite. Com muita raça, o Vasco superou o, então, campeão do mundo Flamengo e levou a taça para casa.
No entanto, o grande trabalho do ‘Delegado’ no Vasco e na carreira seria no fim dos anos 90. Com jovens talentos e muita qualidade no ataque, Antônio Lopes tinha um dos times mais temidos do Brasil nas mãos.
Em 1997, o treinador aproveitou a inteligência do centroavante Evair e o colocou como segundo atacante para potencializar a movimentação e o momento mágico de Edmundo. No ano seguinte, teve a velocidade de Donizete, o poder de fogo de Luizão e a criatividade de Felipe para conquistar a América.
No entanto, a relação de Antônio Lopes com o elenco foi se desgastando. O estopim foi a derrota para o Palmeiras no Torneio Rio-São Paulo de 2000, que aumentou o peso dos conflitos com peças importantes e causou a demissão logo depois. Ainda assim, o ‘Delegado” voltou ao clube em outras oportunidades, com a mesma moral e o carinho do torcedor.
Outros treinadores, mesmo alvo
Além dos nomes citados acima, outros treinadores conquistaram títulos importantes pelo Vasco, com abordagens distintas, mas sempre buscando os homens-gol.
Sebastião Lazaroni e Joel Santana conquistaram títulos importantes pelo Vasco unindo defesas sólidas a ótimos ataques. O time de Ricardo Gomes, campeão da Copa do Brasil de 2011, tinha muita produção ofensiva distribuída entre seus meias e atacantes.
Além disso, o lendário Alcir Portella, auxiliar histórico do clube, sempre se preocupou em manter a maneira de jogar do Vasco, em todas as oportunidades em que esteve à frente do time.
Hoje, com Fernando Diniz no comando, o Vasco busca um jogo mais associativo, mas que passa e muito pelos homens da frente, mantendo, ainda que de forma autoral, uma lógica de jogo que se perpetua há mais de um século.
Fontes:
https://imortaisdofutebol.com/esquadrao-imortal-vasco-1974/
https://www.museudapelada.com/1982-o-ano-em-que-o-vasco-mudou-meio-time-para-ser-campeao/
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0303200028.htm
https://www.lance.com.br/lancepedia/tecnicos-vasco-com-mais-titulos-na-historia.html
https://www.casaca.com.br/site/2016/05/25/vasco-hoje-25051997/
https://web.archive.org/web/20150923163452/http://www.ovaciondigital.com.uy/mundial/fifa-mundial-nasazzi-viera.html