José Boto passa as férias em Portugal após a temporada histórica do Flamengo, mas não deixa de pensar no planejamento e contratações para 2026. Em entrevista ao podcast ‘No começo era a bola’, o diretor técnico abordou diferentes tópicos ligados ao mercado, que passam por reforços de perfil específico, mercado sul-americano limitado e Carrascal como exemplo dessa modelo.
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A começar justamente pela busca por jogadores que não sintam o peso de jogar pelo Flamengo, já que a pressão de torcedores e imprensa é muito alta. Nesse contexto, as opções de reforços no mercado sul-americano são pequenas. Afinal, a maioria dos destaques são jovens pouco acostumados com esse nível de cobrança.
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José Boto não descarta contratações de jogadores que atuam na América do Sul, mas reconhece que os atletas na Europa entregam um “combo” buscado pelo clube.
“O mercado sul-americano é, neste momento, pequeno para aquilo que é a realidade do Flamengo. Isto não quer dizer que não haja jogadores com muito potencial. Mas no Flamengo tens de trazer jogadores prontos para a pressão, porque isto influencia muito. Se tu não lidas bem a pressão de um Maracanã cheio, de uma imprensa todos os dias agressiva, vais ter dificuldades”, disse, antes de completar:
“Além disso, há uma ideia também de trazer uma cultura mais europeia. Tem a ver também com aquilo que é o treino invisível, o tempo que eles se dedicam a cuidar-se deles próprios. Tendo essas referências, como o Danilo, Jorginho, Alex Sandro, isso influencia os outros. Essa é uma das ideias que fez parte do padrão de contratações, não era só em termos técnico-táticos, mas também a nível de mentalidade.”
Essa realidade que encontrou no Flamengo alterou a forma que José Boto atua no mercado de transferências. Conhecido na Europa por gerar grandes lucros ao contratar jovens de potencial e depois vendê-los por valores maiores, o dirigente entende que a mentalidade no clube dificulta esses movimentos.
“Estávamos a comentar sobre o PSG, e eles falavam o que joga o Nuno Mendes, o que joga o Vitinha, o que joga o João Neves, eu disse, estes jogadores nunca jogariam no Flamengo. Se eu dissesse assim, vou buscar o Nano Mendes ao Sporting, com 18 anos e pagar € 75 milhões, era impossível.”
Boto cita Carrascal ao explicar perfil necessário para jogar no Flamengo
Para explicar melhor o que é necessário para se adaptar ao Flamengo, José Boto escolheu falar sobre a contratação de Jorge Carrascal. Ele lembra quando o meia estava na Ucrânia e não contratou o meia para o Shakthar por displicência em campo e principalmente pela vida agitada fora do clube.
Contudo, foi justamente por esse estilo irreverente dentro e fora das quatro das linhas que José Boto teve convicção para contratar o colombiano para o Mengão. Carrascal “não está nem aí” para a pressão externa, segundo Boto, e naturalmente não deixa que nada de fora influencie suas atuações.
“As mesmas razões que me fizeram não levar o Carrascal para o Shakhtar Donetsk foram as mesmas que me fizeram ir por ele no Flamengo. Era um pouco displicente, porque gostava de enfeitar todos os lances. E tinha uma vida fora das 4 linhas pouco recomendável, mas tinha uma dose de loucura que fazia com que, através desse tipo de vida que ele tinha fora do campo, não estava nem aí para a pressão de ninguém”, disse, antes de concluir:
“Ele está mais maduro hoje, como é óbvio, está muito mais maduro. Mas eu sabia que a pressão do Maracanã não o ia afetar nada não o ia dizer nada. Tem a ver já com o perfil psicológico dele não está nem aí para a pressão das mídias, nem abre para ver o que é que dizem dele.”
As falas de José Boto podem dar indícios de como deve ser a atuação do Flamengo no mercado de transferências. Apesar de afirmar em outros momentos que o foco será o mercado brasileiro, a entrevista aponta para a busca de contratações na Europa.
Veja a entrevista de José Boto na íntegra:
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