Autor: diogo.almeida1979

  • O Fortaleza consolidou a Tríplice Coroa da Vergonha

    Analise

    Após ser eliminado por um time da série A, o Flamengo dobrou a meta e foi eliminado por um time da série B, então ousou e triplicou a meta sendo eliminado por um time de série C conquistando uma rara Tríplice Coroa da Vergonha. A repetição do placar de ida foi pouco diante do vexame que foi o jogo contra o Fortaleza.

    Novamente vimos a escalação do 4-4-2 derivado do 4-3-3 com Paulo Victor –Rodinei, Léo Duarte, Juan, Jorge – Arão, Cuéllar, Mancuello, Éverton – Sheik e Ederson. Diante do veto a Guerrero pelo departamento médico, o óbvio seria ver Vizeu assumindo a posição como em outros jogos, mas Jayme insistiu na invencionice de Muricy colocando Ederson, transformando um recurso pontual de fim de jogo em uma proposta de jogo com tudo pra dar errado.

    Tática é muito mais que números

    Tática não é uma sopa de números como gostam de dizer, tão pouco tem relação com posições pré-definidas de jogadores. Não podemos vê-los como especialistas exclusivos e sim avaliar sua posição de acordo com sua função em campo. Em um exemplo extremo, se Muralha entrar no lugar de Guerrero, não será goleiro e sim atacante, da mesma forma se Mancuello atua aberto na esquerda não é meia e sim um ponta, pois esta é sua função.

    Ou seja, para escalar um time numa determinada formação tática é necessário saber como ela funciona e que características um jogador tem que ter para atuar em cada posição dentro do esquema. Se Muricy ou Jayme soubessem o mínimo sobre isso não teríamos visto Ederson escalado como centroavante, enfiado na área quase que o jogo todo.

    As principais características de Ederson são sua mobilidade, capacidade de drible, visão de jogo, passe e finalização. Ele é mais definidor do que armador e por isso seu melhor desempenho em futebol foi jogando aberto como ponta ou meia esquerdo, chegando ao fundo para cruzar ou entrando em diagonal para definir. Mas ontem Ederson ficou enfiado na área, não era sequer o falso 9 que atuou contra o Sport no fim do jogo, saindo da área para buscar jogo e deslocando a marcação para Cirino entrar livre.

    O resultado desse experimento bizarro foi vermos um Ederson subutilizado, enquanto Sheik se movia por espaços errados em novo jogo ruim. E diante da nulidade que era o ataque, o mínimo que se esperava era a saída de Sheik e entrada de Vizeu, deixando Ederson livre para se movimentar como 2° atacante ainda no primeiro tempo, mas isso não aconteceu em nenhum momento.

    Ataque inoperante

    Éverton é rápido e forte, mas tem um passe ruim, não é armador, sequer o vejo como opção para ser titular. Ontem mais uma vez correu, tentou aparecer na área provocando alguns impedimentos, errou passes no ataque e de concreto fez muito pouco.

    Sheik se movimentou bastante, mas geralmente por espaços errados. Não conseguiu ajudar na criação por falta de dinâmica, também não apresentou penetração, não finalizou com qualquer qualidade e, na maior parte do tempo, esteve sumido do jogo, principalmente no 2° tempo.

    Mancuello atuou recuando mais, isso o faz participar mais do jogo, porém ao pegar a bola no meio campo não encontrava um jogador se mexendo para sair da marcação e acabava recuando pro Cuéllar ou abrindo em Jorge, ao lado. Quando o placar apertou e faltava tempo, acabou subindo demais e novamente “sumiu” do jogo.

    Arão começou recuando um pouco mais para ajudar na saída de bola, mas logo voltou a atuar no modo pelada e viveu de abandonar posição, geralmente abrindo na direita e subindo como um ponta, tentando alguns cruzamentos e errando a rodo (86% de cruzamentos errados).

    Rodinei piora a cada partida, se é que é possível. Antes ao menos ia até a linha de fundo tentar cruzar, depois passou a insistir nos cruzamentos na linha de entrada da grande área, agora tenta cruzar da intermediária. Só ontem foram 77% de erros no fundamento que deveria dominar.

    Para melhorar o ataque, Jayme esperou dar 15 minutos do 2° tempo, colocou Alan Patrick no lugar de Mancuello, Cirino no lugar de Éverton e Fernandinho no lugar de Sheik. Obviamente não melhorou muito, mas Alan Patrick ainda conseguiu de falta marcar um gol no final, após o placar já estar 2 a 0 pro Fortaleza.

    Resumindo, o ataque só tem um tipo de jogada: Cruzamento pra área, fundamento em que errou 77% das vezes (sim, o mesmo número que Rodinei). E, se não bastasse o absurdo de investir em um só tipo de jogada e escolher justamente o pior fundamento do time, ainda por opção do treinador atuam sem um centroavante cabeceador fixo na área!

    Defesa frágil

    E se os peladeiros sobem alucinadamente ao ataque, por que esperar que voltem tão alucinadamente para recompor? Os passes errados na zona de ataque volta e meia pegavam o time do Flamengo muito adiantado e geravam contra-ataques perigosos. Por sorte geralmente tentavam pela meia esquerda onde Jorge e Éverton conseguiam evitar o pior, juntos fizeram 57% dos desarmes do time, com destaque para o lateral esquerdo que abdica do ataque e toma conta da defesa, sendo o jogador com mais desarmes não apenas no jogo, mas em toda a temporada.

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    A imagem acima, que circulou nas redes sociais como prova de que a defesa do Flamengo é um circo de horrores, é do momento do primeiro gol sofrido pelo Flamengo, aos 3 minutos de jogo. Observem o posicionamento dos jogadores, que só olham a bola, o modo como Rodinei é facilmente driblado, como os zagueiros falham na cobertura e Jorge fica sozinho contra 2 adversários. Para completar Paulo Victor está mal posicionado e, apesar de ter falhado em alguns lances do jogo, de jeito algum pode ser responsabilizado pelos erros de toda a defesa ou mesmo pela eliminação.

    Todos os adversários conhecem os problemas do Flamengo e jogam no erro de posicionamento e execução do time. O Fortaleza fez como manda a cartilha e se fechou, tirando a dinâmica e velocidade do ataque rubro-negro, ainda se posicionou para se aproveitar das falhas de posicionamento dos meias e de Rodinei para marcar os gols que carimbaram a classificação.

    De quem é a culpa?

    O plantel é bom, mas isso não garante um bom time. Vejam o Real Madrid passando vexame com Cristiano Ronaldo e companhia sob o comando de Benítez, mas que sob o comando de Zidane chegou à final da Champions. Futebol do século XXI é coletivo e os jogadores precisam funcionar como engrenagens de um sistema muito bem regulado.

    O erro começou, como sempre, na hora de contratar o treinador e planejar o plantel. Rodrigo Caetano apesar de ser o diretor tem os poderes limitados pelo conselho de futebol e pelo vice-presidente, ou seja, a responsabilidade é compartilhada por todo o comando do Flamengo.

    Como puderam contratar um treinador especialista em retranca para um time que teria filosofia ofensiva como Godinho e Bandeira de Mello tanto alardearam na campanha eleitoral? Será que o Barcelona contrataria o Simeone? Ou seja, contrataram um ótimo sushiman para ser pizzaiolo e obviamente as coisas não encaixaram. Muricy não tem ideia do que seja um time ofensivo e muito menos sabe arrumar um.

    Um exemplo parecido, mas de condução distinta é o São Paulo. Osório construiu e deixou como legado um São Paulo ofensivo, mas o clube trouxe para esta temporada um treinador defensivo, ou seja, filosofia oposta ao primeiro. Ao contrário da diretoria do Flamengo, a do São Paulo não obrigou Bauza a mudar seu estilo, aceitou a mudança para um futebol defensivo e, apesar de ter sofrido com a transição, hoje vê o time evoluir e se classificar para a Libertadores.

    Muricy está com problemas de saúde, desgastado com a torcida, acumulou resultados ruins e vai perder o vestiário a qualquer momento, afinal jogador não gosta de carregar a culpa sozinho. Dado que Sampaoli está livre e é bem visto pela torcida, a hora de ir atrás com tudo é agora. Na inviabilidade, vai atrás de outro estrangeiro também de princípios sólidos e que saberá arrumar essa terra arrasada que Muricy deixa.

    Saudações Rubro-Negras

  • Vergonha! Fla joga mal e é eliminado pelo Fortaleza

    Após vencer o Sport na estreia do Brasileirão, o Flamengo recebeu o Fortaleza no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, pela partida de volta da segunda fase da Copa do Brasil.

    Na partida de ida, os cearenses venceram por 2 a 1. Na véspera do confronto, o rubro-negro perdeu o seu técnico Muricy Ramalho por causa de uma arritmia cardíaca e , para piorar, horas antes do jogo foi confirmada a ausência de Paolo Guerrero por conta de dores musculares.

    Gol no início prejudica a estratégia do Flamengo

    Auxiliar permanente do clube, Jayme de Almeida mandou a campo o mesmo time que ganhou do Sport, sem Guerrero: Paulo Victor, Rodinei, Léo Duarte, Juan e Jorge – Cuéllar, Arão, Mancuello e Éverton – Emerson Sheik e Ederson.

    Precisando do resultado, o Flamengo começou em cima do adversário, dificultando a saída de bola. Mas aos 3 minutos, uma jogada dos cearenses pelo lado direito complicou a vida do Mais Querido: cruzamento pela lateral e Pio, livre, chutou para abrir o placar, Fortaleza 1 a 0 (3 a 1 no agregado). Após o baque do gol sofrido, o rubro-negro voltou a buscar o empate em duas tentativas de Emerson Sheik, ambas sem sucesso. Aos 14′, veio a melhor chance do Fla: cruzamento de Rodinei, Everton desviou e Ederson quase empatou. Aos 22′, após cobrança de falta ruim de Mancuello, Jorge chutou de três dedos para boa defesa de Ricardo Berna. A partir disso, o Flamengo continuou abusando dos cruzamentos e encerrou o primeiro tempo sem levar perigo à Berna. Na saída do campo, o time foi muito vaiado pela torcida.

    Sem mudanças, Fla repete erros e é eliminado 

    Para o segundo tempo, Jayme não mexeu na equipe. No início, o Mais Querido até tentou impor uma pressão, mas voltou a repetir os mesmos erros da primeira etapa e nem as entradas de Marcelo Cirino e Alan Patrick melhoraram a equipe. Desta forma, o rubro-negro viu suas chances acabarem aos 20 minutos, quando Dudu Cearense lançou Felipe, que rolou para Pio marcar seu segundo gol na partida e o gol da consumação do vexame, Fortaleza 2 a 0. A partir disso, a torcida passou a protestar enquanto a equipe continuava a perder chances até Alan Patrick diminuir, aos 43′, em uma belíssima cobrança de falta e dar números finais à vergonha rubro-negra, Flamengo 1 x 2 Fortaleza.

    Ficha Técnica:

    Flamengo (2) 1 x 2 (4) Fortaleza

    Estádio: Raulino de Oliveira

    Árbitro: Diego Almeida Real (RS)

    Flamengo: Paulo Victor, Rodinei, Léo Duarte, Juan e Jorge – Cuéllar, Arão, Mancuello (Alan Patrick) e Éverton (Marcelo Cirino) – Emerson Sheik (Fernandinho) e Éderson.

    Fortaleza: Ricardo Berna; Felipe (Elivelton), Lima, Edimar e Wilian Simões – Juliano, Pio, Dudu Cearense, Jean Mota e Éverton (Juninho) –  Anselmo (Corrêa).

  • O experimento Flamengo Profissional falhou

    E a obrigação de classificação para mais uma etapa da Copa do Brasil contra um time que disputa a Série C, transformou-se numa trágica…ruína. Jogando em ritmo de arritmia Flamengo foi presa fácil dos contra-ataques do Fortaleza. Dois para ser mais exato. E nestes nosso, como dizer, “goleiro”, falhou clamorosamente. Ok. Não foram frangos. Mas foram bolas defensáveis e o Paulo Vitor, de número 48, talvez em um ato falho por ter a certeza da desonestidade técnica de assumir a camisa número 1, deixou passar. Como acontece todo jogo em que conseguem mirar a bola direito entre as balizas.

    Mas ele está no elenco. E por estar no elenco é passível de ser escalado, mesmo que o Flamengo tenha adquirido outro goleiro. O técnico contratado prefere escalar o Paulo Vitor. Seja por acreditar que Muralha consegue ser pior que o Paulo Vitor, seja por medo de mexer com a posição hierárquica de Paulo Vitor dentro do elenco e assim, de alguma forma, prejudicar a relação comissão técnica x time.

    Enfim, não é só de goleiro que vamos falar. O time do Flamengo, como um todo, não é um time. É um aglomerado desconexo. Não há triangulações, nem ultrapassagens. Não há jogadas ensaiadas, proteção efetiva à zaga, nada. O que faz concluir que: ou há imensa precariedade nos treinamentos que estão sendo efetuados ou a qualidade técnica individual dos jogadores que estão no elenco são sofríveis, mesmo que custem um dos maiores orçamentos no Brasil para manter.

    E um time que tem um dos maiores orçamentos do Brasil não pode perder tanto como perde o Flamengo neste primeiro semestre. Há erros enormes sendo efetuados porque esta situação não é de agora, deste ano. Se arrasta desde 2013, em que, por um momento, tivemos um time capaz de ganhar a Copa Brasil com Elias e Brocador. Mas que passou sufoco no Brasileirão. De lá para cá é uma draga que mesmo a promessa de um técnico de alto nível (Muricy), melhor estrutura (CT), melhor cuidado médico, nutricional e fisiológico (Exos), hipotéticas melhores contratações, não conseguiram reverter.

    Não funciona. Como li em um grupo do whatsapp: “O experimento falhou”.

    O Flamengo profissional falhou. E nisso temos toda a cadeia de decisões comprometida. Do presidente, ao Vice de Futebol. passando pelo CEO e Diretor de Futebol. Não souberam formar equipe com alma Flamengo. O máximo que conseguem é uma equipe errática e desarrumada.

    Pegamos o exemplo do Basquete. É uma senhora equipe. Pode falhar alguns jogos, errar bastante, mas tem alma. Sabemos que pode dar um jeito louco e reverter o resultado na base da raça. Como aconteceu ontem. Por exemplo. O Futebol não. Frio, distante, gélido, imóvel. Não tem capacidade de reação.

    Tem que mudar.

    Godinho, com sua pose toda, não deu jeito. Ou está cheio de dedos para intervir, para cobrar. Prefere prestar homenagens a quem é ou está incompetente para resolver. Plínio, em que pese seu suposto conhecimento, não está agregando nada. Rodrigo Caetano e Fernando Diniz, podem ser bons em vários aspectos estruturais e contratuais, mas não souberam criar liga, não souberam sequer montar um Departamento que evitasse que atos tresloucados como contratar Fernandinho e renovar com Marcio Araujo e Sheik acontecessem. Fred Luz, o CEO, encarregado da profissionalização, não soube fazer do departamento profissional mais importante do clube funcionar com eficiência. E o Presidente, em momento grave no futebol do Flamengo, resolveu aceitar convite para representar a CBF em competição da Copa América. Convite plenamente recusável pois não pode haver nada mais importante que o Flamengo em tempo de crise.

    Em suma, tudo errado. De cima a baixo da estrutura profissional e amadora do Flamengo. O futebol não foi priorizado. A impressão é que largaram a chave nas mãos do Rodrigo Caetano, que larga a chave na mão do primeiro técnico que contrata após o antecessor que não deu jeito. E assim se perpetuará se não quebrar esta cadeia viciada.

    Minhas sugestões imediatas:

    – Demita Rodrigo Caetano e Fernando Gonçalves. Não funcionaram.
    – Contrata novo Diretor Executivo do mercado e um Gerente de Campo como Fabio Luciano ou Mozer (tem experiencia internacional).
    – Faça uma Junta de ex-dirigentes do Flamengo com experiencia no futebol para funcionar como Conselho e identificarem problemas executivos.
    – Organizem regularmente treinos na Gávea para aproximação dos jogadores com a torcida. Se sentirem cobrados e tal. A distância fria profissional tão acentuada é inimiga.
    – EBM não vá para os EUA. Seu lugar é no Flamengo.
    – Godinho faça uma declaração dura sobre o péssimo momento ou então pede para sair. Para fazer cara de paisagem tem outros que podem servir muito bem.
    – Quanto a comissão técnica, colocava o Muricy de coordenador e o Zé Ricardo como interino.
    – Demitia sumariamente o Jayme. Não sei de sua serventia na Gávea. Sua presença é bem inútil. Vide a falta de resultados em treinamentos e sua falta de capacidade em orientar o time enquanto substituto.

    Evidente que ninguém irá segui-las. Quem sou eu? Mas o futebol do Flamengo tem hoje o clássico problema de “junta”. O famoso “junta tudo e joga fora”. E esta gestão tem 40 milhões de pessoas nas costas, logo imensa responsabilidade de resolver isto. Seu Conselho Diretor deveria se reunir, sentar junto e executar medidas drásticas e sérias para tirar o Flamengo desta infâmia atual.

  • Após a eliminação, Jayme reconhece decepção e diz: “temos de levantar a cabeça”

    Na noite desta quarta-feira (18), o Flamengo perdeu para o Fortaleza em Volta Redonda por 2×1 e foi eliminado da Copa do Brasil. Após o resultado, Jayme de Almeida, que comandou o time graças à ausência de Muricy Ramalho, falou com a imprensa, admitiu que o resultado foi péssimo e ainda falou de como o time se comportou e como deve reagir agora.

    O auxiliar técnico de Muricy, que tem uma história de altos e baixos no clube, concedeu entrevista coletiva depois da derrota e falou sobre a decepção após o resultado: “Temos que melhorar, não adianta ficar falando que está uma maravilha. Trabalhamos para isso, se o time engrenar as coisas funcionam. Temos que acreditar no trabalho, nesses jogadores, na comissão, não tem alternativa. Pedimos paciência, sei como é difícil falar isso, sou flamenguista, ninguém está satisfeito e sei que a torcida está chateada. Foi uma pancada fortíssima em todos nós. Decepcionado é a melhor palavra, mas está todo mundo pensando em reverter isso“.

    “Temos de ver que o resultado foi péssimo. Foi muito ruim, não esperávamos, mas temos de levantar a cabeça. Precisamos ver o que erramos e corrigir nossos erros, para dar sequência no Brasileiro. Quando tem uma derrota dessas, um time como Flamengo, com a história que tem na Copa do Brasil, realmente é muito chato. Não pode pensar que está tudo ruim. Está tudo uma droga, mas com certeza temos que corrigir os erros e melhorar” – Jayme de Almeida

    Sobre o jogo, Jayme falou da postura do Fortaleza e comentou que, infelizmente, a estratégia adversária deu certo: “É sofrido quando perde, mas às vezes a derrota dá o caminho para melhorar. A proposta do Fortaleza era contra-ataque. Eles criaram muito pouco e foram muitos felizes. Acho que o Paulo Victor fez apenas uma defesa, não lembro de nenhuma outra, não teve chute perigoso. Foi só isso. Mérito do Fortaleza. Tem que dar parabéns a eles sem tirar culpa da gente”.

    Tentando avaliar o que deu errado, o treinador admitiu que faltou atenção: “Olhando o jogo hoje, acho que a gente bobeou, não estava ligado. Faltou um pouquinho de calma, mais experiência, porque o jogo não decide numa bola. No segundo tempo, acho que isso melhorou um pouco”.

    Com a eliminação, o Flamengo ganha vaga na Copa Sul-Americana e volta a focar no Campeonato Brasileiro, em que pega o Grêmio neste próximo domingo. Jayme de Almeida também falou sobre o futuro rubro-negro: “Nosso time lutou o tempo inteiro, não fez uma partida boa. Começou perdendo, se impacientou. É fazer campanha boa no Brasileiro. Tem a Sul-Americana, mas é um pouco mais para frente. O Brasileiro começou, temos que voltar as atenções para no domingo já enfrentar o Grêmio”.

  • Olivinha enaltece elenco e diz: “Tem que respeitar muito o FlaBasquete”

    Na noite da última terça-feira (17), o Flamengo fez o Jogo 5 contra Mogi e conseguiu sair com a classificação para a grande final do NBB 8. Em uma partida sofrida e definida apenas nos últimos segundos, o confronto seguiu o ritmo de todos os duelos entre as duas equipes durante essa temporada. Após o confronto, Olivinha falou sobre a série, a torcida e o Bauru, próximo adversário.

    Com 22 pontos, o veterano terminou como cestinha do jogo, além disso, foram 8 rebotes e 23 de eficiência. “Não deixamos de lutar em nenhum segundo, nossa torcida nos apoiou do início ao fim. Tivemos força graças a eles. Acho que nossa equipe está de parabéns pelo trabalho, pela luta e entrega. Colocamos nosso coração dentro de quadra e não poderia ser diferente“, comentou.

    O ala/pivô relembrou a volta por cima no Jogo 4, que foi disputado em Mogi, mas destacou o poder de reação do elenco do FlaBasquete: “Nos colocamos em um buraco muito grande quando perdemos o terceiro jogo. Fomos para Mogi com uma pressão absurda, muita gente duvidou da nossa equipe. Nós lutamos e deixamos tudo dentro de quadra. Tem que respeitar muito o FlaBasquete“. “Vamos trabalhar bastante para sermos campeões, mas não vai ser fácil. Deixo meu parabéns para a equipe de Mogi, que fez uma excelente temporada e dificultou nossa vida. Agora temos que focar em Bauru, porque vai ser mais uma série muito difícil”, completou.

    Por fim, o camisa 16 ainda abordou o cansaço, já que o Bauru fechou sua série contra Brasília em apenas três jogos, enquanto o Fla fez uma disputa sofrida contra Mogi: “Acredito que eles estejam mais descansados do que a gente por terem fechado em 3 a 0, mas nessa hora não podemos pensar nisso. Temos que fazer de tudo pra chegar no primeiro jogo da final bem e tentar sair com uma vitória de lá“.

  • Após classificação, Neto, Luz e Meyinsse exaltam torcida e falam sobre Bauru

    Depois de muita luta em uma das séries mais difíceis dos últimos anos, o Flamengo bateu Mogi das Cruzes e está na final do NBB 8. Após consolidar a vitória, o elenco rubro-negro fez questão de saudar a torcida e comemorar muito no centro da quadra. O Mundo Bola falou com algumas das estrelas da noite e uma coisa é unânime: a Nação foi fundamental para a classificação.

    O armador Rafa Luz foi um dos jogadores mais importantes defensivamente. Infernizando a vida do ataque adversário, ele vai agora para a sua primeira final de NBB já em sua temporada de estreia. “Era o que a gente sonhava. Sabíamos que o jogo seria difícil, decidido no final como todos os jogos. Ter a torcida a nosso favor durante a temporada foi incrível, ginásio lotado, eles cantando do início ao fim. Isso foi nossa gasolina, sem dúvida nenhuma. Eles nos alimentaram o jogo inteiro pra conseguir essa defesa de hoje”, comentou.

    Rafa Luz foi decisivo defensivamente no duelo contra Mogi (Foto: João Pires/LNB)
    Rafa Luz foi decisivo defensivamente no duelo contra Mogi (Foto: João Pires/LNB)

    Pra mim é muito melhor ajudar o time do que meter uma bola de 3, por exemplo. Sei que meu trabalho é um pouco na sombra, não sou de aparecer muito. Hoje a gente conseguiu transmitir muito bem o que precisávamos fazer na quadra e não tem coisa melhor do que vencer”, disse o camisa 5.

    Jerome Meyinsse terminou com 12 pontos, 3 rebotes e 14 de eficiência. O “Rei do Açaí” falou sobre a dificuldade do duelo: “A gente brigou no quarto jogo, brigou hoje e estamos em mais uma final. Nos oito jogos que fizemos com eles, só um teve mais de dez pontos de diferença. Todos os outros foram bem iguais. Os dois times são bons, tem jogadores experientes. Foi duro até o último minuto”. Ele ainda fez questão de enaltecer a torcida, que mais uma vez acabou com todos os ingressos. “Foi demais a festa hoje. Quero agradecer a todos que vieram e deram energia pra gente, nos ajudaram a vencer esse jogo”.

    Jerome Meyinsse contra Mogi das Cruzes (Foto: João Pires/LNB)
    Jerome Meyinsse contra Mogi das Cruzes (Foto: João Pires/LNB)

    O técnico José Neto também comentou sobre a série e as expectativas para a final. “A gente não entrou no campeonato só para chegar na final não. Jogamos hoje de uma maneira digna de um time que pode brigar pelo título. Com o mando de quadra e essa torcida, é impossível a gente jogar sem estar inflamado. O que a gente sente aqui é uma coisa única, ímpar. Por isso a gente vem aqui e joga com a alma”. “Bauru fez uma série semifinal incrível. Mostra o poderio da equipe, ainda mais contra Brasília, que é uma das melhores do campeonato. Tem que estudar bem para brigar pelo título”, completou.

    O Bauru conseguiu fechar sua série em 3 a 0 contra o Brasília. Com isso, o tempo de treinamento e descanso foi muito maior. Para o elenco rubro-negro, isso não será um problema. “Não estamos cansados. Nos preparamos bem durante o ano para chegar a essa altura do campeonato. Acho que nossa vontade de vencer é muito maior que nosso cansaço. Vamos com tudo pra Marília tentar vencer esse jogo lá e depois voltar para o Rio de Janeiro e fechar aqui logo”, disse Rafa Luz.

    O jogo já é em Marília, então ainda tem a viagem. Mas o time quer ganhar, desde o começo do campeonato já estava desenhado que seria assim. Se eles chegassem na quinta partida teriam esse problema. Acho que a gente tem que focar em ganhar a partida e se preparar pra isso”, comentou José Neto.

    José Neto no comando do Flamengo no jogo 5 (Foto: João Pires/LNB)
    José Neto no comando do Flamengo no jogo 5 (Foto: João Pires/LNB)

    Faz parte dos playoffs. Nas quartas de final nós fechamos em três e eles em cinco jogos. Jogamos o mesmo número de partidas, então vamos chegar lá e o cansaço não vai ser desculpa. Vamos ter que ir com tudo”, completou Meyinsse.

    A final contra Bauru começa já neste sábado (21), às 14h10, fora de casa. A série vem para o Rio de Janeiro no dia 26, às 18h e 28, às 14h10.

  • Para vencer e convencer: Fla enfrenta Fortaleza na Copa do Brasil

    Depois de vencer sem convencer na estreia do Campeonato Brasileiro contra o Sport, o Flamengo volta a campo para enfrentar novamente o Fortaleza na Copa do Brasil. Com a derrota por 2×1 no jogo de ida, o Mais Querido precisa de vitória simples por 1×0 no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, para garantir a classificação. Sem Muricy, a equipe precisa de foco e força total nesse confronto. A partida será às 21h45 e tem tempo real no @Mundo Bola_CRF.

    MURICY FORA

    Na tarde desta terça-feira (17), o clube foi pego de surpresa com a notícia que Muricy Ramalho estava internado por uma arritmia cardíaca. O treinador se sentiu mal por volta de 12h (meio dia) e foi para um hospital na Barra da Tijuca, onde foi diagnosticado. Muricy está em observação e passa bem, como confirmou o chefe do departamento médico do Flamengo, Dr. Marcio Tannure, em coletiva no Ninho. Com sua ausência, o comando ficará na mão dos auxiliares Jayme de Almeida e Tata.

    SEM DESFALQUES

    Contra o Fortaleza, o único desfalque do Flamengo é Muricy Ramalho, já que, como disse o médico do Fla, Marcio Tannure, não existe “nenhuma possibilidade de comandar o time agora“. Além do treinador, o time não tem nenhuma baixa e todos têm condição de jogo. A surpresa fica por conta de Nixon, que não jogava desde fevereiro de 2015 e foi relacionado pela primeira vez depois da lesão. O Mais Querido deve ir a campo com: Paulo Victor, Rodinei, Léo Duarte, Juan, Jorge; Cuéllar, William Arão, Mancuello; Everton, Emerson Sheik e Guerrero.

    FALA, MANCUELLO

    A gente sabe que tem que fazer um gol. No último jogo com o Sport, acho que melhoramos muito. Temos 90 minutos para virar um resultado, temos que fazer mais do que fizemos em Fortaleza. Todo mundo está ligado de que o Flamengo tem que passar, ganhar e seguir esse caminho que está levando

    ADVERSÁRIO

    Para o confronto, o adversário não vem para brincadeiras e quer mais uma vitória contra o Flamengo. O Fortaleza chega sem desfalques ao jogo, vai com força total para vencer o Mais Querido em Volta Redonda e deve repetir a escalação do duelo de ida: Ricardo Berna; Felipe, Lima, Edimar, Wilian Simões; Dudu Cearense, Juliano, Pio, Jean Mota, Everton; Anselmo. Os cearenses disputam a primeira partida após conquistarem o bicampeonato estadual, já que só estreiam na Série C na semana que vem.

    INGRESSOS

    Para atrair os torcedores, o Flamengo está fazendo uma ação em que os primeiros 3.000 torcedores que comprassem ingressos poderiam levar uma mulher gratuitamente. Além disso, crianças de até 12 anos, como é lei no Rio de Janeiro, não pagam. O clube ainda ofereceu, assim como no último jogo, transporte de ônibus para os Sócios que trocassem pontos no Programa Nação Rubro Negra.

    Treino Fla
    Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

    FICHA TÉCNICA:

    Flamengo x Fortaleza – Jogo de volta da Copa do Brasil (ida: 2×1 Fortaleza)

    Data: 18/05/2016, às 21h45 (de Brasília)

    Local: Estádio Raulino de Oliveira, Volta Redonda-RJ

    Árbitro: Marcelo Aparecido R. de Souza

    Assistentes: Rogério Pablos Zanardo e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa

    Transmissão: ESPN Brasil, Fox Sports 2, TV Globo (para RJ, ES, AL, PE (Petrolina), PB, CE, PI, MA, PA (Santarém), AM, RO, AC, RR e DF) e SporTV 2

  • Sem Verba FC: O cobertor curto no Futebol do Flamengo

     

    O cobertor parece sempre curto

    Há bastante tempo venho martelando na mesma tecla: o orçamento é um cobertor curto. Se você gasta aqui, vai faltar ali.

    A torcida não tem que simplesmente olhar se fulano é bom ou ruim, tem que ver o custo-benefício. Um jogador nota 7 que ganha 200 mil é muito mais caro do que um nota 5 que ganha 20 mil.

    Além disso, o torcedor tem que analisar especialmente mais dois fatores: o percentual de direito econômico que o clube possui sobre determinado atleta e o termo final do contrato.

    Tudo isso é chato, mas o futebol é mais do que bola na rede. Com o dinheiro mal empregado, futebol é bola nas costas e gol do adversário.

    No início do ano o Flamengo teve a oportunidade de não renovar com alguns jogadores que oneram demais a folha mensal do clube. Pará, Márcio Araújo e Sheik ganham, juntos, aproximadamente 600 mil por mês.

    Estou falando apenas de jogadores que, após 31 de dezembro de 2015, não possuíam mais nenhum vínculo com o clube. Claro que seria ótimo, por exemplo, conseguir vender o Gabriel pra China ou antecipar a volta do César Martins ao Benfica, mas estou falando apenas de negociações em que Rodrigo Caetano não precisaria pôr o Tico e Teco para trabalhar.

    Você ainda pode somar os valores gastos com os salários de Chiquinho e Fernandinho e a contratação do reserva Muralha. Parte do resultado dessa equação é o quadro atual da nossa zaga.

    Além disso, quando você contrata o Márcio Araújo, automaticamente você retira minutos do Canteros (goste ou não, ele é um ativo do clube, diferentemente do Márcio) e Ronaldo, jovem revelação que deveria ter recebido chances no irrelevante, desdenhável, deficitário e catastrófico Campeonato Carioca de Futebol.

    Em outras palavras, quando Rodrigo Caetano recontrata um Márcio Araújo, além de jogar mensalmente uma boa quantia no lixo, ele desvaloriza ativos do clube.

    Para explicar isso melhor e fazer as contas, ainda que em ordem de grandeza, de quanto desperdiçamos, trouxe meu amigo @Homer_Fla, que assume o texto a partir de agora.

    José Peralta – Twitter: @CRFlamenguismo


     

    Sem Verba Futebol Clube

    Desde o início da Gestão EBM, o investimento no futebol do Flamengo esteve subordinado à saúde financeira do clube. Em passo que essa política inicialmente restringiu consideravelmente o orçamento do futebol, o desafogo financeiro, que promoveu o retorno do patamar de investimento do time não implicou em melhoria significativa no desempenho do clube.

    Pelo contrário, a sensação do baixo rendimento e má utilização da verba do clube se agravou, hipótese acentuada por duas notícias impactantes publicadas durante a semana: A reportagem da Época que revela que o Flamengo é o 4º time com pior retorno de seu investimento na Série A, gastando absurdos R$ 2,1 milhões por ponto conquistado – 45% acima da média nacional -, justificando a vergonhosa 12ª posição com a 6ª folha salarial do país e o inacreditável repasse do zagueiro Antônio Carlos, 22, para a Ponte Preta após onerar o clube por quatro meses sem ter feito um jogo sequer, apesar da bravata de que o Carioca seria utilizado para testes.

    Cansados das desastradas contratações de jogadores com notável deficiência técnica sob a justificativa de “composição do elenco”, aliada à muleta de falta de recurso para investimento que qualifique o elenco, decidimos passar o pente fino nas 51 contratações do quadriênio (2013-2016) e verificar, mesmo que de maneira vaga, o custo dessas contratações.

    Para isso, identificamos os reforços que se encaixam nessa categoria em duas grandes categorias, apostas e medalhões (refugos), calculando o custo associado à suas passagens de maneira simplificada, levando em conta os salários e valores de transação, quando houver, divulgados pela imprensa, sem considerar impostos e outras obrigações. O objetivo dessa metodologia não é aferir precisamente os gastos ou se debruçar sobre cálculos trabalhistas e contábeis complexos, mas apenas transmitir noção da ordem de grandeza de seus custos.

    Dessa maneira, inicialmente levaremos em conta apenas as contratações dúbias no instante em que foram realizadas, desconsiderando, portanto, eventuais insucessos em contratações justificadas, como o lateral direito Léo Moreira ou geralmente aprovadas, como Carlos Eduardo. Desconsideraremos inicialmente na análise o custo associado as renovações questionáveis (como Renato Abreu) e as volumosas multas rescisórias pagas para desfazer os negócios associadas a essas.

    APOSTAS

    ANO JOGADOR SALÁRIO PERMANÊNCIA CUSTO EXT TOTAL
    2013 Bruninho 50 mil 7 meses 300+50%x12 950 mil
    2013 Val 50 mil 7 meses 50%x5 475 mil
    2013 Diego Silva 70 mil 7 meses   490 mil
    2013 João Paulo 70 mil 24 meses   1,68 milhão
    2014 Arthur 60 mil 7 meses   420 mil
    2014 Pico 20/60 mil 3/6 meses 420 mil
    2014 Feijão 20 mil 4 meses   80 mil
    2014 Marcelo 40/80 mil 8/12 meses   1,28 milhão
    2015 Almir 35 mil 7 meses   245 mil
    2015 Thallyson 20 mil* 6 meses   120 mil
    2015 Arthur Maia 80 mil 7 meses   560 mil
    2016 Antônio C. 40 mil 5 meses   200 mil
    2016 Arthur H. 20 mil 5 meses   100 mil
    TOTAL   7,02 milhões

     

    MEDALHÕES

    ANO JOGADOR SALÁRIO PERMANÊNCIA CUSTO EXT TOTAL
    2013 Chicão 180 mil* 18 meses   3,24 milhões
    2013 André S. 270 mil 12 meses 30×120 mil 6,84 milhões
    2014 Elano 250 mil 6 meses 1,5 milhão
    2014 Márcio A. 150 mil 24 meses 8×150 s.c. 4,8 milhões
    2014 Élton 150 mil 4 meses   600 mil
    2015 Pará 140 mil 17 meses 1,2M*+19×140 6,24 milhões
    2015 Ayrton 80 mil 6 meses   480 mil
    2015 César M. 100 mil 10 meses 2×100 s.c. 1,2 milhão
    2015 Bressan 80 mil 8 meses 640 mil
    2015 Émerson 300 mil 11 meses 7×300 s.c. 5,4 milhões
    2016 Chiquinho 60 mil 5 meses 7×60 s.c. 720 mil
    TOTAL 31,66 milhões

     

    *: Os salários especulados (pela imprensa) dos jogadores Chicão e Thallyson tiveram discrepância significativa em diferentes fontes. Foram adotados os menores valores, 20 e 180 mil, respectivamente, a despeito dos 60 e 300 mil mensais encontrados. Espera-se que esse procedimento compense, mesmo que vagamente, valores “inflacionados” sobretudo de apostas. Os R$ 1,2 milhões denotados como consequência da aquisição de Pará foram obtidos pela diferença entre o crédito pela venda de Rodrigo Mendes e o valor recebido pós-acordo com o Grêmio. Essa quantia não reflete, necessariamente, o valor pago pelo atleta.

    Falta de Verba ou Má Alocação?

    Ao longo dos pouco mais de três anos da modernização administrativa do Flamengo, o discurso da indisponibilidade de recursos para investimento em áreas cruciais foi constante e, por muitas vezes, justificado. No entanto, hoje, tal discurso parece pouco convincente. Não porque o Flamengo deva aumentar seu investimento ou extrapolar os limites da responsabilidade orçamental – não deve, mas sim porque o patamar de investimento atual é suficiente para a formação de uma equipe minimamente competitiva, se bem gerido.

    Os dados compilados, no entanto, ajudam a explicar os recentes fracassos no futebol. Embora sua confiabilidade seja questionável, esses revelam um desperdício próximo de R$ 40 milhões nos últimos 41 meses apenas em jogadores que chegaram rodeados por dúvidas ou que desagradaram a torcida, isto é, desconsiderando renovações malsucedidas e jogadores bem referenciados com baixa performance – a inclusão de apenas dois nomes, Carlos Eduardo e Marcelo Moreno, por exemplo, elevaria a estimativa para mais de 51 milhões de reais.

    Apenas para efeito de comparação, reporta-se que a intenção de se investir até R$ 8 milhões em um zagueiro ‘classe A’. Os gastos em medalhões e apostas questionáveis até o momento seriam suficientes para remodelar a zaga por completo, permitindo a contratação de três zagueiros denominados Classe A para acompanhar Juan e ainda pagar um ano de gordos salários de R$ 400 mil mensais para cada um. O valor também é comparável com o custo total do contrato de Paolo Guerrero, isto é, o suficiente para a aquisição e pagamento por 3 anos de elevadíssimos salários de um jogador de referência internacional.

    Mas engana-se quem pensa que o custo mensal médio de 962 mil, suficiente para suprir carências importantes e contratar jogadores de referência, relacionado a esse perfil de contratação seja sua pior parte.

    Custo de Oportunidade

    Na gestão de finanças pessoais, conceitos econômicos básicos aparecem de maneira trivial. É cristalino que é vantajoso guardar seu dinheiro na poupança, onde será reposto com a inflação e uma irrisória taxa de juros, em detrimento de guardá-lo em casa, onde apenas se desvalorizará de acordo com a inflação. Do mesmo modo, é ainda mais vantajoso realizar investimentos em aplicações mais rentáveis, isto é, com maior taxa de juros.

    Desse modo, fica claro que embora não se pague nenhuma taxa ao manter seu dinheiro em casa, ao escolher essa alternativa em detrimento de investimentos em aplicações ou até na poupança, em linhas gerais, você deixa de ganhar. Esse exemplo simplificado pode ilustrar bem a diferença entre custo contábil e custo de oportunidade. Enquanto o custo contábil de manter seu dinheiro em casa é zero, isto é, você não paga por fazê-lo, seu custo de oportunidade é equivalente à quantia máxima que deixou de ser ganha por preterir investimentos mais rentáveis.

    Contextualizando ao futebol, um efeito colateral desse perfil de contratações é o inchaço do elenco associado a elas, que normalmente resulta em subutilização das categorias de base por conta da priorização aos jogadores contratados, normalmente referendados por técnicos cujo compromisso é apenas com a manutenção de seu cargo, não com a estrutura e futuro do clube, causando não apenas o inchaço e mediocrização da folha salarial, mas também tirando importantes minutos de desenvolvimento de jogadores das categorias de base e patrimônios do clube.

    Sequência de jogo é parte fundamental no desenvolvimento técnico e, portanto, da valorização financeira de jogadores jovens. No entanto, mesmo após o título da última Copa São Paulo, jovens jogadores com potencial de valorização como Léo Duarte, Ronaldo e Lucas Paquetá vêm sendo preteridos por medalhões que não pertencem ao Flamengo ou com baixo valor de mercado, mesmo em campeonatos insignificantes, perdendo preciosos minutos de jogos que poderiam render desenvolvimento técnico, evidência e valorização financeira que seria refletida em lucros posteriores.

    Para ilustrar o nível do prejuízo, decidimos avaliar o impacto do tempo de jogo nos valores de mercado de três das últimas promessas da base do Flamengo, Samir, Jorge e Adryan utilizar o valor médio encontrado para supor a valorização que Léo Duarte e Ronaldo deixaram de receber ao perder minutos para jogadores medianos. Para isso, foi utilizada a tática estatística de Regressão Linear.

    Embora esse seja um modelo absurdamente simplificado, com muitas suposições e muito imperfeito, essa técnica atende razoavelmente bem à proposta do texto, estimar de maneira imperfeita os prejuízos causados por medalhões e refugos, sobretudo para uma baixa quantidade de minutos. Desse modo, não pretendo me alongar em aspectos teóricos e matemáticos por trás de uma descrição precisa, embora possa fazê-lo em outro texto caso haja interesse suficiente.

    crfflamenguismo18.05.16
    Curva Estimada de Valor de Mercado (em milhares de euros) x Tempo de Jogo (em minutos) Legenda: Adryan (Azul), Jorge (Laranja), Samir (Cinza) e Média (Amarelo)

    Seguindo o pensamento explicitado, podemos facilmente calcular que os 475 minutos que César Martins, patrimônio do Benfica, tirou de Léo Duarte apenas essa temporada poderiam render uma valorização próxima de € 281 mil ao zagueiro, valorizando o patrimônio do Flamengo em quase R$ 1,1 milhão em partidas de baixa importância. Do mesmo modo, os 1022 minutos que Márcio Araújo tirou de Ronaldo podem ter custado uma valorização de € 605 mil ao patrimônio do clube, algo em torno de R$ 2,39 milhões, em caso de bom desempenho do meio-campista.

    Pior do que apenas a não valorização, os minutos na vitrine se reverteram a terceiros. No caso de César Martins, ao Benfica, detentor de seus direitos econômicos. No caso de Márcio Araújo, ao próprio jogador, que pela idade avançada e status contratual tem baixo valor de mercado. Dessa maneira, fica evidente o grande poder destrutivo da priorização de jogadores medianos em detrimento dos jogadores da própria categoria de base do clube.

    Bancados por técnicos, esses jogadores, recebem salários significativamente mais altos que os jogadores vindos das categorias de base, diminuem seu espaço e se apropriam de minutos que poderiam ser cruciais na formação e no desenvolvimento de jovens promessas, quase nunca entregando em troca futebol que justifique a circunstância, desintegrando qualquer possibilidade de valorização de ativos do clube.

    Dessa maneira, em pouco tempo conseguem inflacionar a média da folha salarial do clube com opções comuns, fazendo com que o recurso disponível seja gasto em “mais do mesmo” para cobrir buracos e falhas na formação do elenco ao invés de financiar a chegada de jogadores pontuais realmente diferenciados e qualificados para dar o equilíbrio e auxiliar na transição dos jovens talentos.

    Embora pessoalmente não condene apostas e oportunidades de mercado – algumas delas, como Alan Patrick, Paulinho e sobretudo Hernane, foram bem-sucedidas em seu tempo -, a chance de encontrar soluções em casa não pode ser negligenciada em hipótese alguma, tendo em vista que seu custo benefício é, por natureza, altíssimo.

    Assim, essa sessão termina convidando os amigos a pensarem, também, sob uma ótica patrimonial na formação e escalação do elenco, buscando a substituição de jogadores comuns por atletas oriundos das Categorias de Base, patrimônios do clube e com salários consideravelmente mais baixos, por meio de uma utilização racional do Carioca e da Pré-Temporada para dar oportunidades e testar adequadamente os bons talentos, obtendo um diagnóstico mais preciso sobre a capacidade real de cada um, apelando para a substituição de jogadores da base por apostas, sejam de jogadores desconhecidos ou da recuperação de medalhões, apenas em caso de necessidade, e não o contrário, permitindo qualificar o elenco com reforços pontuais diferenciados com a verba excedente economizada.

     


    @Homer_Fla é um rubro-negro fanático, fã do Zico, do Junior, do Pet e dos Simpsons e anônimo por abnegação, decidindo assinar seus textos como Homer J. Simpson, em homenagem ao maior personagem da televisão mundial. Engenheiro, é só mais um dos milhões de rubro-negros espalhados pelo mundo. Brasiliense que reside atualmente em Boston.

  • Aqui é Flamengo! Com apoio da torcida, basquete garante vaga na final

    Após vencer em Mogi no último sábado (14), o Flamengo forçou o quinto e decisivo jogo da série no TTC. Precisando vencer para avançar à final, a equipe rubro-negra contou com apoio incondicional e por toda a partida da torcida que lotou o ginásio do Tijuca Tênis Clube e fez tremer as arquibancadas.

    Novamente a partida foi extremamente equilibrada e o Flamengo conseguiu fazer valer o fator casa, vencendo o Mogi por 79 a 75 e garantindo a vaga na final, pela quarta vez consecutiva. O adversário será o Bauru e o campeão será decidido em nova série melhor de 5 partidas, sendo a primeira delas no próximo sábado na casa do adversário.

    A partida começou equilibrada no TTC e o Flamengo conseguiu ficar à frente do placar em grande parte do primeiro quarto. Como não conseguiu abrir uma frente muito grande, o Mogi conseguiu empatar o placar por diversas vezes e o quarto terminou empatado, com 23 pontos para cada equipe. O destaque do quarto foi o ala Marquinhos, que teve um aproveitamento de 70%, somando um total de 7 pontos.

    O segundo quarto foi o pior do Flamengo, que teve dificuldade para finalizar as jogadas e não conseguiu parar o ataque do Mogi. O resultado disso foi uma frente de 8 pontos para a equipe visitante ao final do segundo quarto, com um placar de 44 a 36. Do lado de Mogi, os destaques foram para Larry e Lersch, que marcaram 5 pontos cada. Já pelo lado do Flamengo, o destaque foi Marcelinho, que marcou 5 pontos e conseguiu uma importante bola de três que não deixou a vantagem de Mogi ser ainda maior.

    No terceiro quarto, a virada rubro-negra se desenhou, com destaques para Rafa Luz e Olivinha. Mogi estava com 7 pontos de frente, quando Rafa Luz acertou uma linda bola de 3 e chamou a torcida para jogar junto com o time. Na sequência, Olivinha também conseguiu converter uma bola de 3 pontos e incendiou de vez o torcedor presente no ginásio. A partir daí, as bolas do Flamengo começaram a cair e Olivinha conseguiu desequilibrar, marcando 14 pontos no quarto e deixando o Flamengo em vantagem ao final do período, pelo placar de 62 a 61.

    Cestinha da partida com 22 pontos - Foto: João Pires - LNB
    Cestinha da partida com 22 pontos – Foto: João Pires – LNB

    O derradeiro quarto foi eletrizante e muito equilibrado, a exemplo do que ocorreu em Mogi no último sábado. As equipes convertiam seus ataques e o placar ficou empatado em grande parte do quarto, até que o Flamengo conseguiu três tocos consecutivos e impediu que o Mogi convertesse os ataques, o que permitiu ao rubro-negro ficar à frente no placar. Com 3 pontos de frente, Marcelinho foi o responsável por fazer o ponto que consagrou a conquista da vaga na final do NBB. Após sofrer falta, o ala cobrou lances livres e garantiu a vitória rubro-negra por 79 a 75.

    Jogadores comemoram ao final da partida - Foto: João Pires - LNB
    Jogadores comemoram ao final da partida – Foto: João Pires – LNB

    Com o resultado, o Flamengo disputará sua quarta final consecutiva no NBB. O primeiro jogo da série será em Marília, no Ginásio Neusa Galetti no próximo sábado às 14h10. Assim como aconteceu na série contra o Mogi, o Flamengo terá o mando dos jogos 2,3 e, se necessário, do 5º e último jogo da disputa.

    Diferente do que ocorreu na série semifinal, onde os dias e horários só foram anunciados à medida que ocorria a necessidade de realização da partida, a série final já tem calendário marcado. Outra mudança é quanto ao local de realização da partida: o TTC dá lugar à Arena Olímpica, que passa a ser palco dos confrontos finais. Confira abaixo os dias e horários dos jogos que definirão o campeão do NBB 2015/2016.

    Jogo 1 – 21/05 (sábado) – Horário: 14h10 – Local: Ginásio Neusa Galetti -Marília (SP)
    Jogo 2 – 26/05 (quinta-feira) – Horário: 21 h – Local: Arena Olímpica – Rio de Janeiro (RJ)
    Jogo 3 – 28/05 (sábado) – Horário: 14h10 – Local: Arena Olímpica – Rio de Janeiro (RJ)
    Jogo 4* – 04//06 (sábado) – Horário: 14h10 – Local: Ginásio Neusa Galetti  – Marília (SP)
    Jogo 5* – 11/06 (sábado) – Horário: 14h10 – Local: Arena Olímpica – Rio de Janeiro (RJ)

    Cestinhas
    Flamengo – Olivinha – 22 pontos
    Mogi – Shamell – 21 pontos

    Assitências
    Flamengo – Marquinhos e Rafa Luz – 5 assistências cada
    Mogi – Larry, Shamell e Jimmy – 2 assistências cada

    Rebotes
    Flamengo – Olivinha – 8 rebotes
    Mogi – Shamell – 4 rebotes