Rio, domingo, verão, 40 graus (um pouco menos, mas vale a licença poética). Um dia antes, o Flamengo conquistou a Flórida Cup. Mesmo sendo um torneio amistoso, o “obaômetro” disparou para todos, menos alguns.
Conversando com um amigo na piscina (a praia tava “cheiaça”, foi a solução), especulávamos as chances do Flamengo na temporada. É possível vencer a Libertadores? Brasileirão é obrigação? Estadual melhor vencer para evitar impaciência (Óbvio)? E a Copa do Brasil? Priorizar?
O raciocínio nos pareceu bem simples. Não havia terra arrasada. Abel assumiu um time vice-campeão Brasileiro. Claro que com carências e necessidade de mudanças, especialmente na hora de decidir. Mas é bom partir depois do meio do caminho.
Não começar do zero joga o time em um status bem mais adiante. Com os reforços, como o retorno de Diego Alves, Rodrigo Caio, Arrascaeta e Gabriel, praticamente fortaleceu todos os setores do campo. Os laterais parecem estar a caminho. E o segundo volante uma posição em aberto – e não acho que precise reforçar, a briga tem que ser interna com as peças já existentes.
Brasileirão é longo, mas é a cara do atual Flamengo. Vencer a maior competição nacional requer estrutura, planejamento de elenco, opções, sinergia com a arquibancada, um time equilibrado e, de preferência, um treinador experiente. O clube entendeu a receita e já não entra mais na competição pensando em G4, mas em título. Essa importante mentalidade credencia o Mais Querido ao favoritismo, mas terá que ser demonstrado na prática.
O Estadual é uma porcaria necessária. Ainda que jogue a enorme maioria dos jogos com o time reserva, tem, por obrigação, chegar nas finais credenciado ao título. Se ganhar, grande coisa. Não fez mais que a obrigação. Se perder não há perdão como se prega antes do início da competição. Carioca derruba técnico, diretor e remodela um departamento de futebol. Ganhar também pode super valorizar atletas, é preciso ter filtro.
Foto: Alexandre Vidal / Flamengo
Por fim, as copas. O Flamengo atua na Copa do Brasil com o tamanho de seu Manto Sagrado e sua tradição. É tricampeão, foi finalista em 2017, semifinalista em 2018 e talvez tivesse conquistado o título se mudanças acontecessem antes – não dá pra saber. O importante é que o clube encara os jogos com naturalidade, respeitando o favoritismo que carrega, na maioria das vezes se impondo e enfrentando grandes equipes do futebol brasileiro, também relevantes no cenário sul-americano. Sem medo, pressões extras, fantasmas ou bichos-papões.
E dessa forma deve se comportar na Libertadores. É uma competição difícil, claro. Com dificuldades únicas. Mas enxergar como um bicho de sete cabeças não ajuda, pelo contrário, só atrapalha. Sem traumas. Sem essa de que “todo ano cai na primeira fase” ou “não passa das oitavas”. São equipes diferentes, momentos distintos, que tornam injustos os prognósticos. Isso não é só externo, é muito interno também, entre os torcedores. A Libertadores precisa ser tratada como um campeonato normal, que o Flamengo estará presente na enorme maioria dos anos e que, por consequência, vencerá. Comportando-se a altura de quem é: um gigante brasileiro, que se planejou para pleitear a taça mais importante do continente. Sem desespero. Sem “eliminação precoce” permeando o pensamento. Com naturalidade.
Assim terá chances.
E assim foi mais um típico domingo de verão carioca: muito sol, resenha e Flamengo.
Aos 22 anos, Gabigol chega ao Flamengo com um peso nas costas. Contratado por empréstimo o atacante terá um ano para provar, não só a torcida rubro-negra, que valeu o investimento, mas também a Inter, que ainda pode atuar no futebol europeu após este ano. Para o Flamengo, o alto investimento tem que ser sinônimo de títulos.
No ano passado, quando chegou também por empréstimo ao
Santos, o atacante vinha de péssimas atuações na Itália, pela Inter, e em
Portugal, pelo Benfica. No Peixe, chegou com a camisa 10 e o status de estrela,
mas distante daquilo que era quando saiu da Vila Belmiro aos 19 anos.
O apoio da torcida e a confiança do clube que o formou deram resultado: 27 gols na temporada e a artilharia do Brasileirão 2018. Agora no Flamengo, Gabigol precisa provar que é capaz de ser protagonista em outro clube que não o Santos.
A exemplo do seu novo reforço, o Flamengo briga para provar seu poderio estrutural e financeiro em 2019, que foram conquistados durante os últimos seis anos, mas pouco resultou em títulos de grande expressão.
Arrojado no mercado, o clube carioca contratou Rodrigo Caio, Gabigol e tirou Arrascaeta do Cruzeiro – a diretoria ainda busca Rafinha, Dedé e Bruno Henrique para fechar o elenco até o meio do ano.
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Alexandre Vidal/Flamengo
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Pouco mais de um ano depois da contratação de Mancuello pelo Cruzeiro junto ao Flamengo, o Rubro-Negro abaterá a dívida pela transferência do argentino. Contratado em janeiro do ano passado, Mancuello foi um dos personagens importantes na negociação envolvendo Arrascaeta.
O Flamengo, que já havia renegociado a dívida no fim do ano passado, acertou que dos 7 milhões de euros que serão pagos a Raposa nesta segunda-feira, referentes a primeira parcela de Arrascaeta.
Segundo o repórter Samuel Venâncio, da Rádio Itatiaia, R$ 3,8 milhões serão utilizados para abater a dívida.
Dívida do Cruzeiro referente à compra de Mancuello: clube autorizou o Flamengo a descontar o valor de R$3,7 milhões no pagamento da primeira parcela de €7 milhões que está programada pra cair amanhã. Menos uma! pic.twitter.com/rBAKhL1MOg
Com propostas da Argentina e do México, o meia ex-Flamengo aguardava o fim do imbróglio para se transferir do Cruzeiro, já que a dívida deveria ser quitada antes de qualquer nova negociação.
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Vinnicius Silva/Cruzeiro
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Depois do anúncio realizado através do Twitter oficial do Flamengo, Arrascaeta já está treinando junto de Gabigol e aguarda a volta do restante elenco do Flamengo que está na Flórida Cup para se integrar ao grupo.
12 – É ter a única Nação no mundo. A Nação Rubro-Negra que faz o Flamengo mais forte e permite a contratação de craques através do seu programa de Sócio-Torcedor.
Assim como nas outras coletivas, a expectativa é de que Marcos Braz, Carlos Noval e Paulo Pelaipe estejam ao lado do uruguaio durante a apresentação, que está marcada para começar às 16h.
Com contrato de 5 anos, Arrascaeta se tornou a transferência mais caras da história do Flamengo – os valores chegaram na casa dos R$ 63,7 milhões. Junto do contrato, o Flamengo acertou também o abatimento da dívida referente ao meia Mancuello, que será descontada da primeira parcela paga pelo Flamengo ao Cruzeiro.
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Divulgação/Flamengo
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Na busca por títulos, o Flamengo terá três grandes frentes em 2019: a Copa do Brasil, a Libertadores e o Brasileiro. Para tentar garantir o máximo de desempenho em todas as competições é preciso que se tenha um time entrosado e descansado, e esse é um dos motivos pelo qual Abel busca dois “times titulares”.
“Temos que copiar o que dá certo. E vamos fazer como o Palmeiras fez ano passado e equilibrando o plantel. Não dá para jogar quarta e domingo, quarta e domingo”, disse o treinador após o título na Flórida Cup.
Apesar de ser inevitável priorizar uma competição ou outra,
o Rubro-Negro vem se reforçando para que tenha dois bons times e Abel possa
rodar o elenco com efetividade. A ideia é que cada equipe jogue um jogo ou uma
competição diferente da outra, a exemplo do que o Palmeiras de Felipão fez em
2018 quando disputava Brasileiro e Libertadores.
Na Europa a tática é antiga, mas ainda é pouco utilizada no
Brasil por conta do baixo poderio financeiro em relação aos europeus. Desde que
foi apresentado, Abel deixou claro que não pretende fazer como Barbieri em
2018.
“Acho que, estrategicamente, houve um erro (em 2018). Talvez, pelo número de jogadores. Não suporta. O termo é esse. Não suporta porque ninguém prepara equipe para 70 jogos em 17 dias. Neste primeiro mês, o torcedor vai ter de entender que, talvez, não vá ter equipe titular, vai ter de rodar”, comentou Abel na sua primeira coletiva em janeiro.
O Flamengo enfrenta amanhã (15) um time universitário nos Estados Unidos em um jogo treino, o confronto está marcado como o “último ato” em solo norte-americano antes da volta ao Brasil. No domingo, o Rubro-Negro estreia no Carioca diante do Bangu, e deve ter formação sem Arrascaeta e Gabigol.
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais:
Alexandre Vidal/Flamengo
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Janeiro de 2015. Com apenas 20 anos de idade, a revelação uruguaia Giorgian Daniel De Arrascaeta Benedetti desembarcava no Brasil para defender a camisa do Cruzeiro. O meio-campista, que iniciou sua carreira no clube uruguaio Defensor, era visto pelos cruzeirenses como substituto de Ricardo Goulart, negociado com o futebol chinês.
Números do ex-camisa 10 cruzeirense no clube mineiro. Créditos: Adriano Skrzypa
De Arrascaeta disputou 186 jogos oficiais pelo Cruzeiro, marcando 49 gols, dando 35 assistências e recebendo 23 cartões amarelos e 1 vermelho. Pelas cores celestes, conquistou a Copa do Brasil em 2017 e 2018 e o Campeonato Mineiro 2018.
Estatísticas de Arrascaeta por competição. Créditos: Adriano Skrzypa
O uruguaio disputou 17 competições pelo Cruzeiro, fez gol em quinze delas e deu passes que resultaram em gols em treze. Em 2016, atingiu a marca de 14 gols e 18 assistências em 52 jogos pela equipe. De Arrascaeta é o maior artilheiro estrangeiro da história do Cruzeiro, com 49 gols marcados, e o artilheiro isolado no “novo” Mineirão, com 30 tentos.
Arrascaeta marcou a maioria dos gols com o pé direito e no 2º T. Créditos: Adriano Skrzypa
Contra o Flamengo, o ex-camisa 10 cruzeirense marcou dois gols importantes: na final da Copa do Brasil 2017, no jogo de ida, após falha de Thiago, e nas oitavas da Libertadores 2018. Ambos marcados no Maracanã.
Após ser anunciado na noite do último sábado (12), o meia Arrascaeta já esteve no CT Ninho do Urubu para iniciar os trabalhos físicos.
O uruguaio postou uma foto no stories do Instagram, ao lado de outro reforço rubro-negro, o atacante Gabriel Barbosa.
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Os atletas que estão hospedados no mesmo hotel, na Barra da Tijuca, chegaram a assistir o duelo entre Flamengo x Ajax juntos, pela Flórida Cup. E o entrosamento continuou grande, com ambos treinando neste domingo no CT Ninho do Urubu.
Arrascaeta deve ser apresentado pelo Flamengo na tarde desta segunda-feira (14), no CT Ninho do Urubu.
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Instagram/Divulgação
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Existe uma máxima no futebol que quase sempre é verdadeira: se o marcador está correndo atrás de alguém, alguma coisa já deu errado.
Correr atrás dos adversários cansa e é muito arriscado. Quase sempre dá errado. Aquela perseguição a toda velocidade é o último recurso, é puro desespero. É tentativa de recuperação.
No entanto, um padrão se repete em todo lance de perigo contra o Flamengo: lá está Cuéllar correndo atrás de alguém.
O Colombiano é um monstro em campo. Não tem apenas raça e disposição, mas inteligência, leitura de jogo, força, velocidade e tempo de bola. Um leão no meio-campo.
Por que, então, podemos identificar essa cena que se repete sempre que o Flamengo é atacado?
Blog do Téo na TV Mundo Bola
Um breve histórico
Há um ano, Carpegianni montou o Flamengo em um 4-1-4-1 bem distinto, com Cuéllar logo atrás do meio-campo (até então Éverton Ribeiro, Diego, Paquetá e Everton), protegendo a defesa.
A principal função do camisa 8 era proteger o “funil”, a entrada da área, a famosa “zona do agrião” (pelo menos para os mais velhos). Assim, Cuéllar funcionava como uma espécie de “âncora”, impedindo que os adversários ficassem confortáveis à frente da nossa área e induzindo-os a atacar pelos lados.
Barbieri mudou essa função. Cuéllar deixou de ficar preso à frente dos zagueiros e passou a ter liberdade para fazer a cobertura pelos dois lados. Ele apoia defensivamente qualquer um dos laterais, dependendo do lado da bola.
Se o adversário constrói sua jogada pela esquerda, lá está Cuéllar cobrindo Pará ou dobrando a marcação. Na outra ponta é a mesma coisa.
O “âncora” se tornou “limpador de para-brisas” e seu rendimento cresceu, assim como a consistência defensiva do Flamengo.
Compactação
Jogando no 4-1-4-1, o espaço entre a linha de defesa e a linha de meio-campo é ocupado por um volante, justamente Cuéllar.
Mas o Flamengo mantém uma organização bastante rígida na vertical, o que significa que uma linha raramente “entra” na outra. Ou seja, os pontas não acompanham os laterais adversários até a linha de fundo, ficando mais recuados que os próprios laterais rubro-negros, por exemplo.
(É por isso que o gol de Danilo Avelar, do Corinthians, na semi-final da Copa do Brasil, não foi culpa de Éverton Ribeiro, mas isso é outro assunto)
Isso significa que a presença de Cuéllar “empurra” a linha de meio-campo para frente, até para que um dos meias possa se juntar à pressão na saída de bola do adversário. As duas linhas jogam ligeiramente afastadas (no futebolês moderno se diria que não há compactação vertical) e o volante se ocupa de todo o espaço entre elas. Aquele espaço enorme, aquela terra de ninguém, tem dono: Cuéllar.
Em contraste, se o Flamengo se defendesse no 4-4-1-1 (ou 4-4-2, tanto faz) o meio-campo recuaria, as linhas ficariam mais agrupadas. O espaço seria preenchido por vários jogadores
Os problemas
A questão que surge é a seguinte: se Cuéllar, como “limpador de para-brisas”, sai para apoiar um dos laterais, seja com uma cobertura, seja com uma dobra de marcação, o espaço que ele normalmente ocupa fica vazio. Se a linha de meio-campo não recua para compensar essa saída, surge um buraco justamente no “funil”, a zona mais perigosa, aquela que devemos defender sempre.
Além disso, o camisa 8 é obrigado a dar piques extremamente longos. Não só corre atrás dos adversários, mas sai em enorme desvantagem. Assim, muitas vezes chega atrasado nessas jogadas e é facilmente batido. Os dois gols do São Paulo, que veremos abaixo, são bons exemplos. Se o sistema de cobertura fosse diferente, possivelmente teriam sido evitados.
Não se trata de um erro individual de Cuéllar. Pelo contrário, ele é o mais prejudicado nessas situações – o que mais corre e é menos apoiado. Mas ele acaba sendo o símbolo maior dessa falta de sincronia.
Existe uma arma mortal para atacar o Flamengo: arraste Cuéllar para fora de sua posição e seja feliz.
Isso precisa ser corrigido.
Alguns exemplos
Olhando os melhores momentos dos jogos do Flamengo, é fácil identificar estes lances. Basta focar exclusivamente em Cuéllar quando o adversário tem uma jogada de perigo.
Vamos a alguns exemplos usando imagens. Cuéllar está sempre marcado pela seta amarela. Os vídeos estão nos links (no site do globoesporte.com).
No primeiro gol dos holandeses, Huntelaar vai para cima de Pará e o lateral Cerny faz a ultrapassagem por fora. Cuéllar sai desesperado na cobertura, chega atrasado e não consegue evitar o toque para trás. O centro-avante invade o funil e chuta livre.
A linda troca de passes do Ajax levantou uma pergunta: onde estava Cuéllar enquanto o adversário tabelava na entrada da área? Ele havia saído dali para dar combate a Huntelaar próximo à nossa lateral direita, lá no início da jogada. A bola veio para o meio e, com a entrada da área desprotegida, Rhodolfo resolveu se adiantar para disputar a jogada. Fez lambança. Deixou um buraco às suas costas, bem aproveitado.
O primeiro gol do São Paulo no Morumbi merece uma historinha. Renê perdeu uma disputa pelo alto contra Diego Souza no círculo central. Eram dois jogadores do São Paulo contra cinco do Flamengo. A bola ficou com Carneiro. Réver era o jogador do Flamengo mais próximo, mas quem saiu na cobertura foi Cuéllar. Chegou a toda velocidade quando o atacante já tinha a bola totalmente controlada na ponta direita, então foi facilmente batido por um leve corte. O cruzamento foi ruim, mas encontrou Diego Souza, que justamente infiltrava pela entrada da área livre para fuzilar o goleiro.
O segundo gol foi um golaço, de fato. O garoto teve muito mérito. Mas acompanhe a jogada toda com atenção. Helinho vem com a bola dominada e muito espaço. Renê já está preocupado com a ultrapassagem do lateral direito do São Paulo, que vem voando completamente desacompanhado. Com isso, Cuéllar vai ajudar. Chega, mais uma vez, correndo à toda velocidade contra um jogador que tem a bola sob controle e o pé bom “para dentro”. Com isso, é facilmente batido novamente e fica muito distante para tentar bloquear o chute, que vai no ângulo.
Aqui, não vamos falar do gol, mas do lance mais perigoso do Palmeiras no jogo (que acabou com milagre de César e impedimento mal marcado pelo bandeira). Guerra ganha de Leo Duarte uma bola longa pelo alto. Cuéllar está mal posicionado, mais pela esquerda, cobrindo uma subida de Renê. Nenhum outro meio-campista do Flamengo fecha o espaço. A bola fica com Dudu, que tem todo o tempo do mundo para dominar, amaciar, olhar e deixar Guerra na cara do gol, enquanto Cuéllar o persegue desesperadamente.
Deu tudo errado contra o Cruzeiro na Libertadores. Logo após o primeiro gol, Thiago Neves perdeu uma chance inacreditável embaixo das traves depois de um passe estranho de Robinho dentro da pequena área. A jogada se construiu nos pés de Arrascaeta, que avançou com relativa tranquilidade, apenas perseguido por Éverton Ribeiro. Cuéllar estava cobrindo uma subida de Rodinei ao ataque e não estava ali para fechar o caminho do uruguaio.
Thiago Neves ainda desperdiçou outra boa chance quando o jogo ainda estava 1×0. Cuéllar teve que dar apoio perto da linha lateral, a bola chegou a Arrascaeta, que encontrou o camisa 30 absolutamente livre na entrada da área. Éverton Ribeiro só chegou para combater quando a bola já estava na metade do trajeto rumo à lua.
Mas não acaba aí. No segundo gol do Cruzeiro, Renê retornava do ataque e Cuéllar foi se aproximando para cobrir Réver na linha de fundo. A bola chegou mais uma vez a Arrascaeta, que rolou para Henrique. O chute saiu exatamente na posição onde Cuéllar deveria estar, pelo menos em teoria, e desviou em Thiago Neves antes de entrar.
Existe solução?
Tudo isso mostra como o futebol é um sistema vivo. Uma série de reações em cadeia. Quando um jogador se desloca, abre espaço. Se esse espaço não for bem ocupado imediatamente, gera problemas que vão se empilhando.
O problema está claro. Existe um limite para o tamanho da faixa de campo que um jogador pode cobrir sozinho. Não é possível estar em dois lugares ao mesmo tempo. Claramente Cuéllar fica sobrecarregado, pois se demanda que ocupe uma área grande demais.
Parte da solução passa por refinar ainda mais o senso de posicionamento do colombiano, mas “aprisioná-lo” na entrada da área não parece ser boa ideia, pois foge de suas características.
O Flamengo precisa melhorar seu sistema de coberturas. Talvez os zagueiros precisem se acostumar a dar suporte aos laterais com mais contundência e certamente os meias precisam melhorar a compactação.
Mas a solução mais rápida e eficaz parece ser uma só: dividir o trabalho. Literalmente.
Com as novas contratações, o Flamengo pode mudar do 4-1-4-1 como formação-base para um 4-2-3-1 (com Éverton Ribeiro, Arrascaeta e Vitinho na linha de meias), se denfendendo em 4-4-2. Ao lado de Cuéllar estaria um outro volante – Piris ou até mesmo Rodrigo Caio – que ajude a fatiar o campo em duas metades.
Cada volante daria suporte ao lateral de um lado. Quando um deles fosse forçado a sair de posição, o outro garantiria a fechamento do tal “funil”.
Proteger a entrada da área deve ser a prioridade do Flamengo. Foi a maior vulnerabilidade de 2018. A chegada de novos laterais deve ajudar, mas o importante é corrigir a ocupação dos espaços.
Por tudo isso, talvez o caminho lógico seja mesmo a escalação de outro “limpador de para-brisas” ao lado de Cuéllar, sem cair no discurso pré-moldado de que “um time precisa de um primeiro e um segundo volante”. Um esquema assim pode manter a liberdade dos homens de frente e dar ainda mais tranquilidade para os nossos laterais.
Devemos aproveitar o nosso leão ao máximo, não sacrificá-lo.
A novela acabou de vez. O Flamengo anunciou na noite deste sábado (12) em suas redes sociais, a contratação do meia Giorgian De Arrascaeta. É o terceiro reforço do Fla para a temporada (clube já oficializou as vindas de Rodrigo Caio e Gabigol).
O Rubro-Negro vai desembolsar cerca de € 15 milhões (R$ 63,7 milhões) mais comissões por 75% do meia ex-Cruzeiro.
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O clube mineiro vai ficar com a maior parte da quantia, e o restante vai para o Atenas e Defensor. Será referente à dívida da Raposa na época da contratação, em 2015, de aproximadamente € 4 milhões (R$ 17 milhões).
Arrascaeta é a maior contratação da história do Flamengo e do futebol brasileiro. O uruguaio superou dentro clube da Gávea a vinda de Vitinho (R$ 45 milhões), e também no cenário nacional, a chegada de Tévez no Corinthians (R$ 60 milhões).
O ”baixinho” meia de 24 anos é ambidestro, e disputou a última Copa do Mundo com a Seleção Uruguaia. O jogador foi revelado pelo Defensor, e está no futebol brasileiro desde 2015.
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Rubro-Negro esteve em vantagem do início ao fim e venceu com autoridade jogando em São Paulo
Marquinhos mostrou novamente toda sua qualidade, anotando 22 pontos, e ainda deu quatro assistências e quatro rebotes. O argentino Franco Balbi, com 19 pontos e sete assistências, também foi outro destaque rubro-negro.
Já no lado do Corinthians, destaque para Humberto, maior pontuador do time com 17 pontos. Shilton foi o líder de rebotes, com seis.
No primeiro quarto o Flamengo foi muito ofensivo próximo ao garrafão. O Rubro-Negro teve apenas três tentativas de arremessos de três pontos, convertendo dois (66% de aproveitamento). O Corinthians se arriscou mais, mas não teve tanto sucesso, os paulistas tentaram seis arremessos de três, mas só converteram dois (33%).
Ao final do primeiro tempo, o placar marcava vitória do Flamengo por 49 a 34. Mesmo jogando como visitante, o Rubro-Negro implantou seu ritmo e mostrou porque tem o melhor ataque da competição. O time paulista começou melhor no terceiro quarto e mostrou potencial para anular a vantagem, mas o ritmo foi caindo. Por outro lado, a defesa se consolidou – este foi o período com a menor diferença de pontos entre as duas equipes, com 18 pontos anotados pelos alvinegros e 20 pelos rubro-negros.
Em posição muito mais confortável, com 17 pontos de vantagem sobre o Corinthians, o Fla voltou para o último quarto dando uma verdadeira aula de assistências. Em um dos lances mais bonitos da partida, Franco Balbi deu passe por baixo para Nesbitt somar mais dois pontos.
O quarto período sacramentou o baile flamenguista. A atuação de gala de Franco Balbi foi fundamental para que o Flamengo tivesse aproveitamento ainda melhor no ataque – faltando cinco minutos para o jogo acabar, os cariocas tinham somado 18 pontos no quarto, contra apenas quatro do Corinthians.
A equipe da Gávea até poderia chegar aos 100 pontos, se apertasse mais no ataque, mas oprtou por administrar a vantagem. Por fim, vitória do Flamengo por 91 a 68 jogando fora de casa.
No primeiro turno, o jogo ficou marcado por conta da estreia entre Flamengo e Corinthians no NBB, melhor também para os rubro-negros. Na ocasião, a equipe da Gávea triunfou por 72 a 64 em partida na Arena Carioca 1.
O próximo compromisso do Flamengo é contra o Pinheiros, segundo colocado da tabela e adversário direto na briga no topo do NBB. O jogo será na próxima segunda-feira (14), às 19h (Brasília).
*Créditos da imagem destacada no post e nas redes sociais: Beto Miller/Flamengo
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