O Flamengo adotou uma postura mais cautelosa em relação ao mercado de transferências nesta temporada. O Rubro-Negro que fez grandes investimentos em 2019 e 2020, resolveu ser menos agressivo e prezar pela saúde financeira do clube.
Entretanto, apesar de menos ativo, o Fla continua ligado no mercado procurando oportunidades para oxigenar o elenco. Nesta semana, surgiu a informação de que o meia Felipe Anderson, do West Ham, poderia estar envolvido em uma negociação com o Flamengo. A notícia foi inicialmente divulgada pelo jornalista Julio Miguel Neto.
De acordo com a apuração feita pela equipe do Mundo Bola, o brasileiro foi oferecido ao Mais Querido, que demonstrou interesse em adquiri-lo por empréstimo. Porém, o maior empecilho de uma possível negociação é a exigência imposta pelo West Ham: O Flamengo teria que arcar com 100% do salário do jogador. O valor é considerado alto, portanto, a situação está em banho-maria.
Na última temporada, Felipe atuou por empréstimo no Porto mas não obteve o desempenho esperado. De volta ao West Ham, o jogador parece não fazer parte dos planos do treinador David Moyes. Revelado no Santos e com passagens pela seleção brasileira, Felipe Anderson se encaixa no perfil de jogador que interessa ao Flamengo, sendo um meia versátil que pode facilmente atuar pelos lados do campo.
?? | O brasileiro Felipe Anderson de 25 anos vem se destacando muito no West Ham!
• 21 jogos • 8 gols • 2 assistências • 38 passes decisivos • 6 grandes chances criadas • 49 desarmes • 36 dribles certos • 27 chutes (19 no gol) • Nota SofaScore de 7.22
Apesar do interesse, no momento o Fla só monitora a situação e não apresentou qualquer proposta pelo meia-atacante. Felipe Anderson chegou ao West Ham em 2019 e tem contrato com o clube inglês até junho de 2022. Desde que chegou aos Hammers, Felipe atuou 73 vezes e marcou 12 gols, além de distribuir 12 assistências.
Espelho, espelho meu, existe algum treinador melhor do que eu? A adaptação da frase, extraída do filme da Branca de Neve, serve para aquelas pessoas narcisistas, mas no caso em debate, talvez o adjetivo ególatra seja melhor aplicado. Ególatra, que segundo o dicionário Léxico, significa “1. Designação de pessoa que louva a si própria; que exercita a egolatria; 2. Indivíduo egocêntrico ou egoísta. (Etm. ego + latra)”.
Inclusive, tem uma piada antiga, que circula na internet, dando conta que o ego dos argentinos é tão grande que para um hermano cometer suicídio só precisa pular de cima do seu próprio ego.
Pode ser que Rogério Ceni tenha se inspirado em nossos irmãos latinos ao se referir ao seu trabalho realizado no Flamengo. Em nenhuma entrevista, até o presente momento, admitiu qualquer tipo de erro ou equívoco no comando técnico.
Do mesmo autor: A torcida do Flamengo no divã
Essa postura já tinha ficado marcada em sua carreira de goleiro, onde raríssimas vezes fez mea-culpa. Ficando na lembrança as falhas no gol da seleção, em jogo contra o Barcelona, e cuja entrevista pós jogo, a par da realidade, não admite as lambanças.
É verdade que o Flamengo até vem evoluindo em 2021, e conseguido jogar bem por três partidas consecutivas, assim como apresentar um padrão de jogo, o que não alcançou em 2020, sob a batuta do mesmo treinador. Contudo, a falta de empatia e senso de realidade tem provocado grande insatisfação por parte da torcida, principalmente após o jogo contra o RB Bragantino.
Talvez, um pouco de filosofia antiga possa ajudá-lo a superar suas dificuldades, afinal Confúcio já ensinava “A Humildade é a única base sólida de todas as virtudes. Não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros.”
O Flamengo contratou Michael junto ao time goiano no início de 2020. Entretanto, o Goiás manteve 5% dos direitos econômicos do jogador. A maior parte é do Rubro-Negro, que detêm 80%. Assim, os 15% restantes são do próprio atleta. Em caso de negociações, a diretoria carioca não é obrigada a notificar o Esmeraldino. Mas é comum nesse tipo de venda informar os envolvidos.
Durante o final de semana alguns portais divulgaram que o Flamengo receberia uma proposta de 6,5 milhões de euros (quase R$ 40 milhões na cotação atual) por Michael. Contudo, o boato acabou não sendo confirmado por nenhum dos envolvidos. Caso as tratativas pelo meia-atacante se concretizassem, o Goiás embolsaria R$ 2 milhões.
Michael ainda não conseguiu se afirmar no Flamengo
Michael ganhou o título de revelação do Campeonato Brasileiro de 2019, quando o Flamengo fez a sua campanha histórica com Jorge Jesus. No entanto, desde que chegou ao Rubro-Negro, em janeiro de 2020, não se afirmou. Até o momento foram 60 jogos, sendo 44 vitórias, seis empates e 10 derrotas.
Em um ano difícil por conta da pandemia, quantias de vendas de atletas das categorias de base são uma das fontes de rendas mais utilizadas por clubes brasileiros, e não é diferente com o Flamengo. Por conta da negociação de Reinier com o Real Madrid, o Mais Querido tem até o próximo dia 10 de julho para receber a última parcela referente à venda da promessa.
De acordo com o jornal Lance, os valores giram em torno de 6,666 milhões de euros, cerca de R$ 44,59 milhões. No total do montante, Reinier gerou aos cofres do clube um valor próximo de 30 milhões de euros. Por outro lado, a verba já constava no planejamento financeiro e orçamentário do Flamengo para 2021.
Atualmente com 19 anos, o meia-atacante está emprestado pelo Real ao Borussia Dortmund (ALE). Na última temporada, fez 19 jogos e um gol.
De acordo com o demonstrativo financeiro do Flamengo, o salto no investimento na formação de atletas só cresce desde 2013. Embora 2020 tenha sido um ano difícil por conta da pandemia ocasionada pela Covid-19, no ano passado o Rubro-Negro investiu R$ 53,1 milhões na pasta.
2013 – R$ 8,195 milhões 2014 – R$ 7,406 milhões 2015 – R$ 10,526 milhões 2016 – R$ 16,652 milhões 2017 – R$ 23,832 milhões 2018 – R$ 35,201 milhões 2019 – R$ 44,123 milhões 2020 – R$ 53,171 milhões
Ao todo, a quantia chegou na casa dos R$ 199 milhões.
Em carta publicada por Rodolfo Landim, o mandatário destacou o fato do clube ter conseguido driblar a crise econômica neste quesito.
”A crise econômica, portanto, não interrompeu nossas estratégias de fortalecimento da marca e aumento da competitividade; ao contrário, demos sequência aos planos de investimentos relacionados à modernização de nossas instalações (…) e qualificação técnica do nosso elenco de Futebol, não apenas pela aquisição e renovação contratual de atletas de ponta como também pelo investimento nas nossas categorias de base”.
Após ser comprado pelo Lille por 9 milhões de euros e logo depois ter sido vendido para o Lyon por 25 milhões, o volante Thiago Mendes, de 29 anos, é o sonho de consumo do Flamengo para substituir o volante Gerson, negociado com o Olympique.
De acordo com o GE, o Rubro-Negro com o aval do técnico Rogério Ceni, já abriu conversas no intuito de viabilizar a operação para repatriar o atleta. No entanto, a negociação segue em estágio inicial. Na última temporada, Thiago disputou 25 partidas como titular pelo Lyon e entrou em campo durante 35 oportunidades. Ainda segundo a publicação, o planejamento do Mais Querido seria inicialmente um empréstimo com valor fixado para compra.
Thiago Mendes sonha em retornar para o São Paulo
Mesmo com o desejo do Flamengo, a prioridade de Thiago quando retornar ao futebol brasileiro é o São Paulo, clube onde brilhou durante três temporadas. No último dia 10, o meio-campista respondeu perguntas de internautas em suas redes sociais e confirmou que seu sonho é voltar a vestir a camisa da equipe do Morumbi.
Foto: Reprodução / Instagram
Saída de Gerson do Flamengo
Após a vitória rubro-negra por 2 a 0 contra o América-MG no Maracanã, Gerson conversou com a imprensa na saída do gramado e falou sobre seus últimos dias com a camisa rubro-negra. O jogador já está vendido ao Olympique e fará seu último jogo com a camisa rubro-negra frente ao Fortaleza, nesta quarta.
”Para falar a verdade estou deixando para pensar na minha saída depois, quando chegar o último jogo. Ainda tenho mais três jogos pelo Flamengo. Então é continuar trabalhando firme, focado, porque ainda tenho dever a cumprir aqui. Então tento estar o máximo possível focado aqui para continuar trabalhando bem”, disse o camisa 8.
Em seguida, Gerson ficou visivelmente emocionado por falar novamente de sua saída da Gávea e já projetou o retorno ao clube.
”Realizei um sonho de ter a oportunidade de vestir o Manto Sagrado. Está acabando, espero um dia voltar. Mas estou muito feliz por tudo que vivi aqui dentro. Espero que o Flamengo continue conquistando muitas coisas ainda e como falei, espero um dia voltar para vestir a camisa tão sonhada por muitos jogadores. Estou muito feliz, mas quero continuar curtindo um pouco o tempo que ainda tenho de Flamengo”, concluiu.
A gente fala muito no ÚLTIMO PASSE, mas para entender o Flamengo atual é mais importante investigar aquilo que eu gosto de chamar de PRIMEIRO PASSE — que nem precisa ser um passe e muito menos ser o primeiro, mas é como a bola sai lá de trás para iniciar uma sequência ofensiva.
Tudo começa no goleiro, mas antes de falar sobre o papel fundamental exercido por Diego Alves, é preciso falar sobre o comandante, sua história e como sua experiência em campo moldou sua visão fora dele.
Rogério Ceni foi um goleiro revolucionário — pelo menos com os pés. Todo mundo sabe, mas vale lembrar: ele marcou 131 gols na carreira, sendo 61 de falta!! Assim, inspirou uma geração de goleiros brasileiros que tentam bater faltas — algo que praticamente só existe por aqui. Mas não era apenas na bola parada que Rogério se destacava.
Rogério Ceni conversa com Diego Alves. Foto: Alexandre Vidal / Flamengo
Ele também era um goleiro que sabia jogar com a bola nos pés, que se mantinha calmo quando recebia um passe e saía para o jogo com eficiência, algo não tão comum na sua época — que estranhamente já parece distante! Nesse sentido, Rogério não era radical como outros sul-americanos. Higuita, Chilavert e Jorge Campos costumavam carregar a bola até o ataque, driblar de maneira arriscada e fazer peripécias.
Todos eram chamados de “loucos”, enquanto Ceni era o oposto: frio, lógico e calculista. Nesse sentido, ele se parece com outro goleiro que fez sucesso nos anos 90 e jogou até depois dos 40 anos.
Barreira corintiana salta para bloquear cobrança de Ceni . Hoje treinador do Fla, fez 61 gols de falta na carreira. Foto: Divulgação / São Paulo
Quando surgiu, Edwin van der Sar era um exemplo de goleiro tranquilo com a posse de bola e transformou a ideia dos europeus sobre o que um goleiro deveria fazer. Com o tempo, porém, Van der Sar foi se tornando menos ágil e mais conservador.
Rogério Ceni fez o caminho oposto. No fim da carreira, passou a sair mais da área, jogar mais adiantado e, inclusive, passou a distribuir chapéus.
Não faltam exemplos de goleiros que jogam MUITA bola e ajudam na saída. A transformação não foi à toa. Não é perfumaria. Em um futebol com espaços cada vez mais reduzidos, é fundamental manipular o bloco de marcação do adversário — e isso começa lá atrás.
Usar o goleiro é uma forma eficiente de gerar superioridade na saída.
Rogério Ceni entendeu isso bem antes de chegar ao Fla, depois da vigésima rodada do BR20. Nos 20 primeiros jogos do campeonato, os goleiros do Fla deram, em média, pouco menos de 15 passes por jogo.
Felipe Alves, goleiro do Fortaleza treinado por Ceni, dava quase 45 por jogo! No Fortaleza, o goleiro era usado de uma maneira muito específica.
Cerca de 19% dos passes realizados pelos goleiros do Flamengo eram longos (mais de 40 metros), com 64% de acerto nesse tipo de passe.
Mas 39% dos passes de Felipe Alves eram longos, com 77% de acerto! No time cearense, Felipe Alves era uma espécie de “quarter-back” do futebol americano, escolhendo as jogadas e fazendo lançamentos longos para onde havia espaço livre no ataque.
Felipe Alves no Fortaleza: 45 passes por jogo. Foto: Divulgação / Fortaleza
Inclusive, muitas vezes jogando MUITO adiantado, bem fora da área. Rogério Ceni, porém, tem uma função diferente para Diego Alves.
O goleiro não é o responsável por encontrar os espaços lá na frente. Ele começa as jogadas.
O mais importante é que os zagueiros do Flamengo não recuam simplesmente para “se livrar do problema”. Há intenção.
Diego Alves é cada vez mais acionado — nas últimas 4 partidas, deu quase 30 passes por jogo —, mas apenas 10% foram longos (com 75% de acerto), sendo que METADE dessas bolas longas aconteceram nos minutos finais contra o Palmeiras, depois do 1×0.
Há vários exemplos de jogadas que passam pelos pés do goleiro rubro-negro e é muito fácil identificar a preferência pelos passes curtos. O @joaoholanda1000, por exemplo, fez um vídeo outro dia mostrando alguns desses lances.
Diante do América MG, D.A foi fundamental para fazer com que o time progredisse em campo desde o setor defensivo. Ativando apoios de jogadores entrelinhas, encontrando o homem livre com lançamentos precisos e consciente quando pressionado, foi muito bem.pic.twitter.com/h5QM6TC7mB
— João Holanda #VACINE-SE! (@joaoholanda1000) June 15, 2021
Acontece que uma das dificuldades do Flamengo — há alguns anos, aliás — vem do fato de que praticamente todo mundo joga fechado contra o rubro-negro.
O goleiro então é usado justamente para atrair a pressão e desorganizar o adversário e criar espaço.
O Flamengo ficou muito acuado no segundo tempo contra a LDU e não conseguiu colocar a bola no chão. Quando conseguiu, saiu o pênalti que selou a vitória.
Vale a pena olhar esse lance nos mínimos detalhes, porque tem muita coisa interessante. pic.twitter.com/kNEAU0EY7k
E, claro, ao desorganizar o adversário, o time precisa acelerar, às vezes fatiando a marcação-pressão, às vezes com uma bola longa saltando toda a primeira onda de pressão, como foi no gol contra o Palmeiras.
E aí entra também o papel dos zagueiros. Na reta final do BR20, Ceni fez uma mudança estrutural importante: passou a fazer, na maioria dos jogos, uma saída de 3 com Arão de um lado, Filipe Luís do outro e Diego à frente.
Quando encaixa, essa saída gera um caos nos adversários.
Tanto Arão quanto Filipe Luís têm capacidade para conduzir a bola naquele “corredor interno” (entre o corredor lateral e o central), cada um pelo seu lado. Partindo sem marcação, eles forçam alguém do meio-campo a sair e isso gera uma reação em cadeia, desorganizando todo mundo.
Mas isso só funciona porque o zagueiro Rodrigo Caio e o volante-mas-hoje-zagueiro Arão têm uma qualidade de passe e uma coragem muito acima de seus companheiros de posição no Brasil.
Esse lance me chamou a atenção nesse primeiro tempo de Palmeiras x Corinthians.
Cantillo arrastou a marcação e abriu-se um espaço no lado esquerdo do meio-campo. O zagueiro João Victor tinha espaço para conduzir e poderia desorganizar a defesa, mas…..pic.twitter.com/iXNjue3Jyl
(É importante deixar claro: essa não é uma forma de apontar o dedo para o menino João Victor, do Corinthians, que inclusive tem uma boa qualidade técnica. A ideia é comparar os tipos de comportamento “esperados” de zagueiros em outros times e no Flamengo).
O Caio Batatinha, do @footure PRO, gentilmente produziu essas imagens aqui mostrando, entre outras coisas, todos os passes progressivos dos dois zagueiros do Flamengo nos últimos quatro jogos.
Com eles, o Flamengo encontra as brechas para entrar no bloco de marcação do adversário.
Nos últimos 4 jogos, a dupla fez 84 passes para o terço final, sendo 18 para o “sexto final” do campo (já na altura da grande área). E é bom lembrar que Rodrigo Caio nem jogou na partida de ida contra o Coritiba…
— João Holanda #VACINE-SE! (@joaoholanda1000) June 17, 2021
Essa ideia de desorganizar para então acelerar é tão importante no futebol atual e nesse Flamengo que às vezes dá certo até quando dá errado.
Pela Copa do Brasil, o Fla perdeu a posse, mas recuperou e encontrou o Coritiba todo espaçado pela subida inicial…
No jogo da volta, algo parecido aconteceu. O Flamengo ERROU a saída de bola depois de recuperá-la e sofreu um perigo na área. É claro que isso não deve acontecer, mas acabou gerando uma chance claríssima lá na frente. E não é coincidência…
Se o time estiver preparado para atacar enquanto defende, consegue explorar contra-ataques, o que tende a ser raro para uma equipe que enfrenta adversários fechados.
Quando manipula e atrai, cria esses espaços, fazendo com que vários ataques tenham cara de contra-ataque. No fim das contas, quando o PRIMEIRO PASSE é consciente e bem executado, o ÚLTIMO PASSE fica mais fácil. Quando a bola sai limpa lá de trás, chega limpa lá na frente.
Ali, quando o time tem espaço para acelerar, é mortal. O grande reflexo disso é a performance de Bruno Henrique, que vem crescendo muito nos últimos jogos.
Há vários fatores para isso… Os desfalques colocam nele o peso do protagonismo e o nível mais baixo dos adversários também dá chances para ele se destacar… Mas há também o comportamento do time como um todo.
Separei aqui TODOS os passes que ele recebeu na última partida. Repare que, quando o Flamengo atraiu e manipulou, ele sempre recebeu acelerando.
É justamente assim que BH pode ser mais útil. Ele não é um cara moldado para espaços curtos e nem para jogar de costas, então como o Flamengo pode aproveitá-lo se todos os adversários jogam retrancados? Atrair, manipular, desorganizar e… acelerar!
Aliás, Gabigol também é um especialista em criar, enxergar e explorar os espaços lá na frente. Não é um centroavante para brigar com os zagueiros. Se ficar cruzando bola na área, o Flamengo anula seu 9. Precisa justamente encontrar essas alternativas.
Por fim, é importante dizer que os últimos 3 jogos foram contra adversários bem mais fracos. Mesmo muito desfalcado, o Flamengo tem total condição de se impor contra Coritiba e América-MG, como fez. Hoje, contra o RB Bragantino, o teste será muito mais duro. Mesmo assim, é importante manter isso sempre em mente. Esse Flamengo é o time do primeiro passe, o time que precisa atrair para atacar.
Quando a bola volta no goleiro, em vez de ter um mini-infarto, respire fundo e lembre-se: é assim que começa o perigo lá na frente.
Acompanhe os jogos ouvindo meus comentários no Telegram: https://t.me/teofb7
Enquanto o Flamengo vive a expectativa da despedida de Gerson, outros três titulares já poderiam assinar um pré-contrato com qualquer equipe a partir de 1º de julho. São os casos de Filipe Luís, Diego Alves e Diego Ribas. Com vínculos terminando em 31 de dezembro, os atletas estariam desprotegidos, de acordo com a legislação, nestes seis últimos meses de vigência contratual.
Contudo, o goleiro Diego Alves, que estendeu seu contrato por mais um ano, se aproxima novamente do fim. Na última semana surgiram rumores, na Itália, sobre interesse da Juventus. Titular absoluto da posição, o jogador é um dos ídolos da torcida. Mas vem convivendo com problemas constantes de lesão nos últimos anos. Ele completa 36 anos no dia 24 de junho.
Outro nome que ganhou espaço e se tornou titular, Diego Ribas também está em último ano de contrato. Um dos heróis da Libertadores de 2019, o meia se tornou peça chave do time na reta final do Campeonato Brasileiro. No entanto, há expectativa sobre seu futuro. Bem visto internamente e um dos líderes, sua renovação é uma das incógnitas do elenco. Ribas completou 36 anos no último dia 28 de fevereiro.
O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO SOBRE O PRÉ-CONTRATO?
Um acordo de pré-contrato é previsto pelo o artigo 25 do Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol (RNRTAF) da CBF. Entretanto, vale destacar, as cláusulas contemplam apenas o futebol brasileiro. Confira o que diz trecho:
Art. 25 – O clube que pretenda celebrar contrato de trabalho com atleta profissional ou técnico de futebol deverá informar ao clube atual do mesmo, por escrito, antes de entrar em negociações com o profissional.
1º – Atletas profissionais somente estarão livres para celebrar contrato ou pré-contrato especial de trabalho desportivo com um novo clube após a expiração de seu último contrato ou dentro dos 6 (seis) meses finais de sua vigência.
2º – Ressalvada a hipótese de empréstimo, é vedada a celebração de contrato cuja vigência se sobreponha, no todo ou em parte, a outro.
3º – A falta de comunicação por parte do clube obrigado a fazer a prévia notificação, nos termos do caput, pode ser objeto de sanções pela CNRD, na forma de seu Regulamento.
4º – O pré-contrato gera obrigação entre as partes e somente deixará de constituir pacto definitivo caso alguma de suas cláusulas ou condições não se realize, importando na obrigação de indenizar, na hipótese de comprovado descumprimento contratual.
5º – O pré-contrato não dispensa a obrigação de formalização e registro do contrato especial de trabalho desportivo.
Mundo Bola Informação | Lucas Tinôco – Arrascaeta até pode estar com sua seleção na disputa pela Copa América, mas o Flamengo quer correr para acertar a renovação do jogador o quanto antes e planeja uma reunião com Daniel Fonseca, empresário do atleta.
Segundo o Paparazzo Rubro-Negro, clube e representante de Arrascaeta devem definir renovação e valorização do contrato, além de que o Flamengo pretende adquirir os 20% restantes dos direitos do uruguaio, que pertencem ao Defensor Sporting-URU. A reunião já era prevista para o segundo semestre.
Flamengo quase foi obrigado a comprar restante dos direitos de Arrascaeta
Após 2 anos com o manto sagrado, Arrasca tem contrato dezembro de 2023. Após grandes atuações e títulos, contudo, esperava-se que o Flamengo buscasse valorizar o contrato dele, o que não aconteceu devido aos enormes prejuízos causados pela pandemia.
Além disso, o rubro-negro “escapou” de ser obrigado a comprar os 20% do Defensor. O clube seria obrigado a exercer essa opção e desembolsar cerca de 1,2 milhão de euros caso o jogador chegasse aos 4 mil minutos em campo na temporada. Ao todo foram 3.833 minutos, restando 167 minutos para a aquisição automática.
Insatisfação com a não valorização
A esperança de Arrascaeta e empresário era que o Flamengo comprasse esses direitos, o que talvez acontecesse não fossem os prejuízos causados pela pandemia.
A compra seria uma prerrogativa para cobrar ainda mais o aumento salarial. Estima-se que Arrascaeta ganhe em torno de R$ 1 milhão (R$ 625 mil CLT e R$ 325 mil em luvas e direitos de imagem).
Os títulos e rendimento espetacular do jogador são outros motivos que levam atleta e empresário a cobrarem valorização contratual, algo que aconteceu com os contratos de Arão, Everton Ribeiro e Bruno Henrique, ainda antes da pandemia.
Apesar do imbróglio, Arrascaeta demonstra querer seguir no Flamengo
Foram várias as declarações do jogador sobre querer seguir no Mais Querido. Ao Canal 4, por exemplo, Arrascaeta falou da alegria de atuar no Brasil:
“Para ir para a Europa tem que ser uma equipe que joga e quer ganhar coisas importantes. Estou muito confortável no Brasil (…) Minhas características se adaptam bem no Brasil, jogar a cada 4 dias me fez muito bem também, estou orgulhoso de tudo que conquistei aqui”, declarou o uruguaio.
Já à rádio uruguaia “Sport 890”, Arrasca falou do interesse em jogar na Europa, mas que está muito feliz de atuar pelo Flamengo:
“O clube quer muito que eu esteja aqui e estou muito feliz. Tenho contrato até dezembro de 2023. Tenho interesse de jogar na Europa, mas estou muito feliz no Rio de Janeiro e jogar numa potência como o Flamengo é um privilégio”, afirmou o jogador.
Em seus últimos momentos com o Manto Sagrado, Gerson vive clima de despedida. O volante foi vendido ao Olympique de Marselha por cerca de 20 milhões de euros. A expectativa é de que após a partida contra o Fortaleza, o jogador participe da coletiva de imprensa. Entretanto, o Flamengo ainda não confirmou a informação.
Ao todo foram 105 jogos com a camisa do Flamengo. No total, 68 vitórias, 21 empates e 16 derrotas. Seu primeiro gol foi na vitória por 3 a 2 sobre o Botafogo, dia 28 de julho de 2019. Marcou 7 gols e deu 10 assistências.
Por sua polivalência e eficiência tanto ofensiva, quanto defensiva, Gerson ganhou o apelido de Coringa do técnico português. Mas fez jus a alcunha após conquistar o Campeonato Brasileiro e Libertadores de 2019, Recopa, Supercopa do Brasil e Campeonato Carioca de 2020 com o treinador.
Contudo, as boas atuações não renderam apenas elogios. Durante o período, o volante conquistou duas vezes a Bola de Prata em sua posição, em 2019 e 2020. No final de maio foi convocado para a Seleção Olímpica. Considerado um dos melhores da sua posição no continente, o jogador foi apontado como o principal nome do Flamengo por diversos comentaristas esportivos.
Caso de Racismo contra o Bahia
Por outro lado, sua passagem também foi marcada por um caso de racismo. Na 26ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2020, contra o Bahia no Maracanã, Gerson acusou o colombiano Ramírez e o técnico Mano Menezes de injúria racial:
“Tenho vários jogos pelo profissional e nunca vim na imprensa falar nada porque nunca tinha sofrido preconceito, nem sido vítima nenhuma vez. O Ramirez, quando tomamos acho que o segundo gol, o Bruno fingiu que ia chutar a bola e ele reclamou com o Bruno. Eu fui falar com ele e ele falou bem assim para mim: “Cala a boca, negro”. Eu nunca falei nada disso, porque nunca sofri. Mas isso aí eu não aceito”, disse à época.
Entretanto, o clube baiano, que sempre defendeu o combate ao racismo, acabou perdoando o atleta. Mas o fato acabou sem punição. Após chegar ao STJD, o relator Maurício Neves Fonseca optou por arquivar o inquérito que apurava suposto crime. Segundo Fonseca, não havia provas suficientes para uma denúncia nessa esfera judicial.
Após falar do resultado e da receita, vamos para o terceiro post da análise do Balanço 2020 do Flamengo aqui no Mundo Bola e no meu Twitter. Chegou a vez de falar sobre os gastos. Então vamos a uma análise horizontal e vertical de diversas despesas e custos. Abordarei também a folha do futebol.
Antes de entrar na análise uma explicação conceitual. Você sabe a diferença entre custo e despesa?
Custos = gastos relativos às atividades-fim, no caso, competição esportiva (exemplo: salário jogadores, jogos).
Despesa = gastos não relacionados com atividade-fim (administrativa, comercial).
Assim como nas receitas, a primeira análise é uma comparação horizontal, ou seja, o comportamento histórico dos gastos (despesas + custos).
Do mesmo autor: A análise das receitas no balanço de 2020 do Flamengo
Abaixo, apresento a série desde 2010 em valores atualizados para 2021. Como podem observar, houve um salto nos gastos a partir de 2017.
Abaixo, um comparativo do crescimento ou decréscimo entre os gastos do Flamengo, em valores de 2021, de um ano com o imediatamente anterior. Como pode se observar, mais uma vez, o patamar se eleva a partir de 2017. É o retrato do salto de qualidade que começamos a ver no time.
Parte da queda dos gastos em 2020 foi causada pelo fato do regime contábil ser de competência (leia mais aqui). Assim, como a temporada só terminou neste ano, parte dos gastos (e da receita) somente serão lançados no balanço de 2021.
Como seria o comportamento dos gastos se a temporada de 2020 tivesse sido encerrada no próprio ano? Abaixo, trago três visões distintas sobre o comportamento dos gastos (por isso que, muitas vezes, análises distintas mostram números diferentes). No 1°, o ano de 2020 ajustado.
Ainda sobre o gráfico anterior, em qualquer critério se observa uma queda de 2020 em comparação com 2019, o que demonstra que a diretoria fez o dever de casa reduzindo gastos. Porém, não foi suficiente para evitar o alto prejuízo. Então, vamos acompanhar como gastamos e o q reduziu.
O principal gasto é com o time de futebol. Em média, o custo com a folha do futebol representou, entre 2013 e 2020 (com acréscimos de receitas que, pela prorrogação da temporada, só serão registradas em 2021):
30% dos gastos operacionais;
Metade da receita operacional.
Ainda sobre o custo da folha do futebol, observa-se uma elevação percentual em 2020. Como a incerteza era enorme (ainda é), é natural que não se cortasse de imediato em nossa principal atividade. Mas, se não houver reversão no cenário da pandemia pode ser que seja necessário reduzir.
Abaixo, dois gráficos mostrando a composição dos gastos: custo (atividade-fim), despesas administrativas, comerciais e financeiras (juros).
Não deixe de ler:
O principal corte foi feito na área administrativa, mais especificamente na folha de pessoal administrativo, com um corte de 44%.
Segue a composição do custo operacional do Flamengo. Como já visto, trata-se dos gastos com a atividade de competição esportiva.
O maior é justamente a folha salarial, seguido por amortização que não envolve saída de caixa (vou explicar melhor em outro post) e, então, direito de imagem.
Em relação às despesas operacionais (comerciais ou administrativas), a principal é provisão para contingência que se trata apenas de um lançamento contábil (sem saída de caixa) e demonstra o aumento da “reserva para emergências”. Em seguida, a folha dos funcionários administrativos.
Ainda nas despesas operacionais, trago a evolução de 2019 para 2020 das principais. Nota-se que o grande corte, considerando a relevância da despesa vista acima, foi na folha de pessoal da administração, com a já mencionada redução de 44%.
Por fim, temos as despesas financeiras. Como se observa no gráfico abaixo, foi a desvalorização da moeda nacional a grande vilã do acréscimo. Houve ainda aumento nos juros pagos pelo Flamengo. O assunto será melhor explorado quando abordar o endividamento do clube.
Como todos, as contas do Flamengo também foram afetadas pela pandemia do Covid. Como consequência, a diretoria enxugou a folha de funcionários da administração. Mas, não tomou nenhuma medida drástica em relação à folha do futebol, até porque as incertezas eram e ainda são enormes.
Foi a responsabilidade fiscal assumida lá atrás que nos elevou de patamar. 2020 ainda não era momento de fortes cortes, mas é preciso manter a disciplina. Não podemos manter o elevado prejuízo em 2021 sob pena de atrasar contas e prejudicar o rendimento esportivo.