Corinthians: base e formação

A base do Corinthians se firmou como uma das mais produtivas do futebol brasileiro, acumulando conquistas e revelando grandes talentos que vestiram o manto alvinegro. Com títulos de torneios de base e promessas que viraram profissionais, o clube paulistano reforça ano a ano sua reputação como formador de atletas.

A história da base corintiana remonta ao mítico “Terrão” do Parque São Jorge, onde muitos jovens deram os primeiros passos no futebol. O DNA formador do clube privilegia, segundo os relatados, técnica, tática, disciplina e identificação com a camisa, atributos que o clube considera essenciais no processo de avaliação dos talentos.

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Quanto à estrutura, as categorias de base funcionam dentro de um complexo mais amplo sob o guarda-chuva do CT Joaquim Grava, que abriga equipes Sub-11 até Sub-20, com campos, alojamentos e suporte educacional para os atletas em formação.

Corinthians e negociações milionárias

Gabriel Moscardo Corinthians PSG
Moscardo anunciado no PSG
(Foto: Divulgação/PSG)

Nos últimos anos, a base tem mostrado seu valor também fora de campo. Um dos exemplos mais recentes é o jovem Gabriel Moscardo, formado nas categorias do Corinthians desde 2017, cuja transferência para o Paris Saint‑Germain está avaliada em cerca de 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 107 milhões), mais bônus que podem levar o total a cerca de 22 milhões.

Outro exemplo é o atacante Wesley (19 anos na época da negociação), vendido ao Al‑Nassr da Arábia Saudita por US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 110 milhões), com possibilidade de bônus adicionais.

Mais um caso recente é o do meia-atacante Pedro, também revelado no Parque São Jorge e atualmente no Zenit, da Rússia. O jogador entrou na mira do Al-Ittihad, que apresentou proposta de cerca de 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 222 milhões). O Corinthians, que possui 30% dos direitos econômicos, receberia algo em torno de R$ 66 milhões aos cofres caso a transferência seja confirmada.

Formação de ídolos

O Corinthians tem uma longa tradição de revelar ídolos que marcaram época: jogadores que saíram da base, vestiram a camisa profissional e conquistaram títulos, gerando forte identificação com a torcida.

Rivellino

Rivellino pelo Corinthians
Rivellino no Corinthians
(Foto: Arquivo/Corinthians)

Revelado nas categorias de base do Corinthians no início dos anos 1960, Roberto Rivellino é considerado um dos maiores jogadores da história do clube — e, para muitos, o símbolo máximo da fase do “Terrão”. O meia-atacante chegou ao Timão ainda adolescente, depois de se destacar no futsal do Clube Atlético Indiano, e rapidamente chamou atenção pela habilidade refinada com a bola.

Seu domínio de perna esquerda, o drible curto e o chute potente se tornaram marcas registradas e lhe renderam o apelido de “Reizinho do Parque”, uma homenagem direta ao Parque São Jorge, sede social e campo de treinos corinthiano.

Rivellino estreou no time profissional em 1965, em meio a um jejum de títulos que já durava mais de uma década. Mesmo sem grandes conquistas coletivas, ele rapidamente se tornou o principal nome da equipe, conduzindo o Corinthians em campanhas marcantes, como a do Campeonato Paulista de 1974, quando o clube voltou à final após longos anos sem disputar o troféu.

Embora o Timão tenha perdido o título para o Palmeiras, aquela temporada consolidou Rivellino como ídolo absoluto. O meia também brilhou em jogos históricos, como na goleada por 4 a 1 sobre o Santos, em 1971, e nas exibições que enchiam o Pacaembu.

Mesmo sem conquistar títulos de expressão pelo clube, Rivellino personificou o sentimento do torcedor durante o período de maior seca de taças do Corinthians. Sua saída, em 1974, após a derrota na final do Paulistão, foi cercada de polêmica — muitos dirigentes o culparam injustamente pelo fracasso, o que levou à sua transferência para o Fluminense, onde conquistaria títulos e continuidade na carreira.

Ainda assim, o nome de Rivellino continuou ecoando no Parque São Jorge. Décadas depois, o próprio jogador voltaria a afirmar que “o Corinthians foi o clube que me fez jogador e me fez homem”.

Na Seleção Brasileira, Rivellino foi campeão mundial em 1970, atuando ao lado de Pelé, Tostão, Jairzinho e Gérson, o que projetou também a imagem do Corinthians como clube formador de grandes talentos técnicos. Até hoje, o “Reizinho do Parque” é lembrado como o elo entre a base e a essência cultural do Timão: talento nascido no Terrão, moldado em dificuldades e eternizado pelo amor à camisa alvinegra.

Casagrande

Walter Casagrande estreava pelo Corinthians
Casagrande na estreia pelo Corinthians
(Foto: Nelson Coelho)

Formado nas categorias de base do Corinthians, Walter Casagrande Júnior representa uma das gerações mais emblemáticas do futebol alvinegro — não apenas pela bola jogada, mas pelo que simbolizou fora das quatro linhas. Nascido em São Paulo, Casagrande chegou ao clube no fim da década de 1970, vindo das categorias juvenis do Caldense e do Nacional-SP.

Rápido, forte fisicamente e com presença de área, Casagrande se destacou no time júnior e subiu ao elenco principal em 1980, ainda com 17 anos, depois de marcar gols decisivos nas competições de base do Estado.

No profissional, o atacante encontrou um Corinthians em transformação. O clube vivia o início da Democracia Corinthiana, movimento que uniu jogadores, comissão técnica e dirigentes em uma experiência pioneira de autogestão no futebol brasileiro. Liderados por Sócrates, Wladimir e Casagrande, os atletas passaram a decidir coletivamente questões internas, como horários de treinos, contratações e concentração.

O camisa 9, formado na base, foi um dos mais engajados no processo, defendendo publicamente a liberdade dos jogadores e o direito de expressão política, em plena ditadura militar.

Dentro de campo, Casagrande viveu um dos períodos mais marcantes da história do clube. Ele foi protagonista nas conquistas do Campeonato Paulista de 1982 e 1983, títulos que marcaram o auge da Democracia Corinthiana e consolidaram o Corinthians como símbolo de resistência e vanguarda.

Seu faro de gol e sua entrega em campo o tornaram ídolo da Fiel — um jogador que unia raça e carisma, espelhando o espírito do torcedor. Um dos jogos mais lembrados de sua passagem foi a vitória por 3 a 1 sobre o São Paulo, em 1983, quando marcou e comemorou com punho cerrado, gesto que se tornaria imagem icônica do movimento.

Após deixar o clube em 1986 rumo ao futebol europeu — com passagens por Porto, Torino e Ascoli —, Casagrande manteve laços fortes com o Corinthians. Ao retornar ao Brasil, seguiu como voz ativa em defesa dos valores que representou dentro do campo: democracia, consciência social e identificação com o torcedor comum. Como comentarista e cronista, continuou a se declarar “cria do Terrão”.

Wladimir

Busto em homenagem a Wladimir
Homenagem ao lateral Wladimir
(Foto: José Manoel Idalgo/Ag. Corinthians)

 

Entre os jogadores formados nas categorias de base do Corinthians, poucos carregam tanta representatividade quanto Wladimir Rodrigues dos Santos.

Nascido em São Paulo em 1954, o lateral-esquerdo chegou ainda adolescente ao clube, em meados de 1971, e rapidamente se destacou no Terrão pela disciplina tática, preparo físico e regularidade. Subiu ao profissional em 1972, com apenas 18 anos, e iniciou uma trajetória que o transformaria em uma verdadeira lenda alvinegra.

Durante mais de uma década, Wladimir foi titular absoluto da lateral esquerda e sinônimo de constância e profissionalismo. Participou da equipe que encerrou a fila de 23 anos sem títulos do Corinthians, com a conquista do Campeonato Paulista de 1977, e se tornou uma figura fundamental na reconstrução do clube.

Sua liderança silenciosa, aliada a uma postura exemplar dentro e fora de campo, fez com que fosse respeitado tanto por companheiros quanto por adversários. Em campo, era conhecido pelo vigor defensivo, bom apoio ao ataque e por ser um dos primeiros laterais modernos do futebol brasileiro, com transições rápidas e boa leitura de jogo.

Nos anos 1980, Wladimir viveu o auge da carreira. Tornou-se um dos pilares da Democracia Corinthiana, movimento político e social que marcou o futebol brasileiro durante a ditadura militar.

Ao lado de Sócrates, Casagrande e Zenon, o lateral foi um dos principais defensores da autogestão e da liberdade dentro do clube — participando ativamente das assembleias de jogadores e sendo um dos primeiros atletas a falar abertamente sobre igualdade racial e direitos trabalhistas no esporte.

Com 805 partidas oficiais, Wladimir é até hoje o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Corinthians — um recorde que simboliza não apenas longevidade, mas também lealdade e compromisso com o clube. Conquistou três Campeonatos Paulistas (1977, 1979 e 1983) e marcou 32 gols ao longo da carreira.

Depois de se aposentar, seguiu envolvido em projetos sociais e em debates sobre o papel do atleta como cidadão. A própria Fiel o consagrou como “o maior lateral da história do Corinthians”, e até hoje seu nome é lembrado com respeito e afeto nas arquibancadas do Parque São Jorge.

Outros grandes nomes da base do Corinthians

  • Wladimir – maior número de jogos da história do Corinthians, símbolo da Democracia Corinthiana e cria do Terrão.
  • Biro-Biro – surgiu na base e virou sinônimo de raça e identificação com a Fiel durante a década de 1980.
  • Viola – formado na base, marcou o gol do título paulista de 1988 e participou da conquista do Mundial de 2000.
  • Wilson Mano – revelado no clube, foi peça importante no título brasileiro de 1990.
  • Dinei – cria do Terrão e único jogador tricampeão brasileiro pelo Corinthians (1990, 1998 e 1999).
  • Neco – primeiro grande ídolo do Corinthians, revelado ainda nos primórdios do clube, bicampeão paulista (1914 e 1916)
  • Éverton Ribeiro – campeão da Copa São Paulo de 2005 pela base corinthiana antes de se destacar em outros clubes.
  • Del Debbio – formado no Corinthians nos anos 1920, foi multicampeão paulista e ícone da defesa alvinegra.
  • Fábio Santos – lateral revelado no clube, retornou em 2020 e se tornou uma das lideranças do elenco.
  • Gil – zagueiro formado no Corinthians, ídolo da era recente com mais de 350 partidas pelo clube.
  • – revelado aos 16 anos, tornou-se artilheiro e campeão brasileiro em 2005 e 2017.
  • Guilherme Arana – lateral-esquerdo da base, destaque nos títulos brasileiros de 2015 e 2017.
  • Ronaldo (goleiro) – formado no Terrão, foi destaque no fim dos anos 1990 e início dos 2000, sendo campeão brasileiro e da Copa do Brasil.
  • Fagner – formado no Corinthians, voltou ao clube após passagem na Europa e se firmou como um dos maiores laterais da história recente.
  • Marquinhos – zagueiro revelado na base, campeão da Libertadores e do Mundial em 2012 antes de ser vendido ao PSG.

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