Corinthians: História e Fundação

Em 1910, um grupo de trabalhadores humildes do bairro do Bom Retiro fundou o Sport Club Corinthians Paulista. O nome foi inspirado no Corinthian Football Club, da Inglaterra, que excursionava pelo Brasil naquele ano e era chamado de Corinthian’s team.

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Os fundadores deixaram de lado sugestões como Santos Dumont, Carlos Gomes e Guarani, e escolheram Corinthians. Dez dias depois, o time estreava contra o União da Lapa, equipe de várzea.

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O primeiro campo, conhecido como Campo do Lenheiro, ficava onde hoje é a Rua José Paulino. Depois, o clube jogou perto da Ponte das Bandeiras, antes de se fixar no Estádio Alfredo Schürig, no Parque São Jorge. Hoje, o Corinthians manda seus jogos na Neo Química Arena, em Itaquera, uma das arenas mais modernas do mundo.

O uniforme original, azul-marinho e creme, foi substituído pelo tradicional preto e branco pela facilidade de encontrar tecido nessas cores.

Corinthians no cenário Estadual

As primeiras conquistas do Sport Club Corinthians Paulista vieram poucos anos após a fundação. Em 1914, o time conquistou seu primeiro Campeonato Paulista, organizado pela Liga Paulista de Futebol, ao vencer 10 das 10 partidas disputadas — uma campanha perfeita que consagrou o clube como potência do futebol paulistano.

Dois anos depois, em 1916, o Corinthians confirmou o bom momento e levantou mais uma taça estadual, mostrando que o sucesso inicial não era obra do acaso, mas o reflexo do talento e da garra de seus jogadores.

Na década de 1920, o Corinthians consolidou sua hegemonia no futebol paulista. O clube conquistou o tricampeonato consecutivo de 1922, 1923 e 1924, feito que o colocou definitivamente entre os grandes do estado. Nesse período, o time contava com nomes marcantes como Neco, um dos primeiros ídolos do clube, conhecido por sua liderança, faro de gol e identificação com a torcida.

O sucesso dentro de campo coincidiu com o fortalecimento da Fiel, que crescia a cada vitória e começava a moldar a identidade popular e apaixonada que acompanharia o Corinthians ao longo da história.

O domínio alvinegro seguiu firme nos anos seguintes. O Corinthians voltou a conquistar outro tricampeonato paulista entre 1928 e 1930, mostrando regularidade e um futebol envolvente para a época.

No final da década de 1930, veio mais uma sequência histórica: o tricampeonato de 1937, 1938 e 1939, que ampliou a galeria de troféus e firmou o clube como a maior força do estado. Essas campanhas consagraram o Corinthians como o “Campeão do Povo”, um time nascido entre trabalhadores e que rapidamente conquistou o coração da cidade de São Paulo — símbolo de luta, raça e superação.

“Ataque dos 100 Gols” e o longo jejum do Corinthians

O início da década de 1950 marcou uma das fases mais empolgantes da história do Corinthians. Em 1951, o time montou uma linha ofensiva que entrou para o folclore do futebol brasileiro: o “Ataque dos 100 Gols”, formado por Carbone, Cláudio, Luizinho, Baltazar e Mário. Aquela equipe encantava pela ofensividade e eficiência, encerrando o Campeonato Paulista com 103 gols em 28 jogos.

O sucesso não parou por aí. No ano seguinte, 1952, o Corinthians conquistou novamente o Campeonato Paulista, confirmando sua supremacia. Dois anos depois, em 1954, veio a consagração no Paulistão do IV Centenário de São Paulo, torneio comemorativo pelos 400 anos da cidade.

A conquista encerrou uma era dourada. A partir dali, começou o maior jejum de títulos da história corintiana, que duraria 23 anos. O clube viveu altos e baixos, viu o surgimento de um craque do tamanho de Rivelino, e acompanhou a transformação do futebol brasileiro.

Nesse período, apesar da falta de conquistas expressivas, o Corinthians lançou as bases de sua força nas categorias de base: foi campeão das duas primeiras Copas São Paulo de Futebol Júnior, em 1969 e 1970, começando ali uma trajetória vitoriosa na formação de talentos.

A “Invasão Corintiana” e o fim do jejum

Mesmo em meio à seca de títulos, o Corinthians protagonizou um dos episódios mais marcantes da história do futebol brasileiro: a “Invasão Corintiana” de 1976. Na semifinal do Campeonato Brasileiro, contra o Fluminense, o clube mobilizou uma legião de torcedores como jamais se vira. Cerca de 70 mil corintianos viajaram do estado de São Paulo até o Maracanã.

O empate em 1 a 1 e a vitória nos pênaltis levaram o Corinthians à final, e aquele espetáculo nas arquibancadas ficou para sempre na memória do futebol nacional como símbolo da paixão e da fidelidade da Fiel Torcida.

Embora o título não tenha vindo, com a derrota para o Internacional, de Porto Alegre —, a “Invasão Corintiana” serviu como combustível para a virada emocional e simbólica do clube.

O alívio, enfim, chegou em 1977. Depois de 22 anos, oito meses e sete dias, o Corinthians voltou a conquistar o Campeonato Paulista, derrotando a forte Ponte Preta em uma final emocionante no estádio do Morumbi. O gol histórico de Basílio, o “Pé de Anjo”, após rebote dentro da área, desencadeou uma explosão de alegria que tomou conta de São Paulo.

Democracia Corintiana e novos títulos

Com o fim do jejum e a retomada das conquistas, o Corinthians entrou nos anos 1980 pronto para viver uma das fases mais emblemáticas de sua história. O título paulista de 1979 abriu caminho para um período de transformações dentro e fora de campo. Na virada da década, o clube seria palco de um movimento que extrapolaria o futebol e se tornaria símbolo de liberdade e participação: a Democracia Corintiana.

Liderado por jogadores como Sócrates, Casagrande, Wladimir e Zenon, e com o apoio do diretor de futebol Adílson Monteiro Alves, o movimento defendia que todas as decisões, desde as escalações às contratações, fossem tomadas de forma coletiva, com votos iguais entre atletas, comissão técnica e dirigentes.

Em plena ditadura militar, o Corinthians se transformou em um microcosmo da democracia brasileira, e o grito “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia” ecoou para além dos estádios. Dentro de campo, o time mostrou que liberdade e resultado podiam andar juntos: conquistou o bicampeonato paulista em 1982 e 1983, com futebol envolvente e protagonismo de Sócrates, o “Doutor”, ídolo eterno do clube.

Depois da era da Democracia Corintiana, o clube manteve o espírito vitorioso. Em 1988, o Corinthians voltou a levantar o troféu do Campeonato Paulista, justamente no centenário da Abolição da Escravatura, o que reforçou sua imagem como o “Campeão dos Centenários” — já que havia conquistado títulos também nos anos comemorativos de 1922 (Independência do Brasil) e 1954 (IV Centenário da cidade de São Paulo).

Corinthians e a era das grandes conquistas

O início da década de 1990 marcou uma virada definitiva na história do Corinthians. Após décadas de hegemonia regional, o clube finalmente conquistou o sonhado título nacional. Em 1990, com Neto em fase brilhante e um elenco aguerrido, o Timão superou o São Paulo na decisão e levantou a taça do Campeonato Brasileiro pela primeira vez.

O troféu abriu as portas para um dos períodos mais vitoriosos da história corintiana. A Copa do Brasil e o Campeonato Paulista de 1995 marcaram o início de uma sequência de títulos importantes, com um time talentoso e comandado por grandes nomes da época.

Em 1997, o Corinthians voltou a levantar o Paulistão e iniciou uma era de conquistas quase ininterruptas. Vieram o bicampeonato brasileiro de 1998 e 1999, o Campeonato Paulista de 1999 e o histórico Mundial de Clubes da FIFA de 2000, conquistado no Maracanã diante do Vasco da Gama.

O sucesso continuou nos anos seguintes. O Corinthians venceu o Paulista de 2001 e 2003, a Copa do Brasil e o Torneio Rio-São Paulo de 2002, e ainda contou com um elenco estrelado, com Marcelinho Carioca, Ricardinho, Edílson, Rincón, Vampeta, Luisão e Dida, ídolos que marcaram época no Parque São Jorge.

Em 2005, veio mais um Campeonato Brasileiro, confirmando a força do clube na virada do milênio. Nesse período, o Timão também ampliou seu domínio nas categorias de base, conquistando o bicampeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior, tornando-se o maior vencedor da competição.

Mas o brilho daquela era seria seguido pelo maior desafio desde 1910: o rebaixamento à Série B, dois anos depois — um tropeço que precederia uma das maiores histórias de superação do futebol brasileiro.

Queda e reconstrução do Corinthians

O ano de 2007 entrou para a história do Corinthians como um dos períodos mais dolorosos para o clube e sua torcida. Após uma sequência de crises políticas, erros administrativos e campanhas irregulares, o Timão viveu o que parecia impensável: o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Logo no ano seguinte, em 2008, o clube mostrou sua força. Com um elenco reformulado e sob o comando de Mano Menezes, o Corinthians fez uma campanha impecável na Série B, conquistando o acesso com autoridade e o vice-campeonato da Copa do Brasil. O retorno marcou não apenas um novo ciclo esportivo, mas também o início de uma reestruturação institucional, com planejamento e ambição renovada.

O resultado veio rápido. Em 2009, o Corinthians renasceu em grande estilo. Sob o comando do mesmo Mano Menezes, o clube conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, selando a retomada do protagonismo nacional. Nesse período, o time ganhou um novo ídolo: Ronaldo Fenômeno, que, mesmo em fim de carreira, foi decisivo nas conquistas e se tornou símbolo da reconstrução corintiana.

Ao encerrar a carreira em 2011, Ronaldo declarou amor eterno ao Corinthians — e, de certa forma, simbolizou o que aquele momento representava: o renascimento de um gigante movido por paixão, fé e resistência.

Era Tite: um marco histórico no Corinthians

Após a reconstrução e o renascimento em campo, o Corinthians viveu sob o comando de Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, o período mais glorioso de sua história moderna. Em 2011, o time conquistou o Campeonato Brasileiro com uma campanha sólida, marcada pela consistência tática e pela força coletiva.

O título abriu caminho para um novo patamar de excelência e deu ao clube a chance de disputar, no ano seguinte, o maior sonho de sua torcida: a Taça Libertadores da América.

O torneio continental de 2012 foi a consagração de um projeto que uniu planejamento, trabalho e identidade. O Corinthians realizou uma campanha invicta, algo raríssimo na história da competição, e venceu o Boca Juniors na grande final, com uma vitória por 2 a 0 no Pacaembu.

Mas o melhor ainda estava por vir. Em dezembro de 2012, o Corinthians representou o Brasil no Mundial de Clubes da FIFA, no Japão, e enfrentou o poderoso Chelsea, da Inglaterra. Com atuação impecável, o Timão venceu por 1 a 0, gol de Paolo Guerrero, e conquistou o mundo pela segunda vez.

O título coroou uma geração de jogadores lendários — Cássio, Chicão, Ralf, Paulinho, Danilo, Emerson e Guerrero — e consagrou Tite como um dos maiores técnicos da história do clube.

Em 2013, o Corinthians ainda ampliou sua galeria com o Campeonato Paulista e a Recopa Sul-Americana, consolidando definitivamente a era Tite como um dos capítulos mais vitoriosos e simbólicos do futebol brasileiro.

Arena Corinthians

Em 2014, o Corinthians inaugurou a sua moderna Arena em Itaquera, um estádio multiuso que rapidamente se tornou símbolo da grandiosidade do clube e recebeu o evento de abertura da Copa do Mundo FIFA no Brasil.

No campo esportivo, o período pós-Arena trouxe mais títulos e momentos históricos. O Corinthians conquistou novos Campeonatos Brasileiros em 2015 e 2017, além de bicampeonatos paulistas em 2017 e 2018, atingindo 29 conquistas estaduais, número recorde na história do futebol paulista.

A era recente consolidou o Corinthians como potência técnica, estruturada e vencedora. A Arena Itaquera tornou-se palco de grandes decisões e momentos inesquecíveis, enquanto o time manteve a tradição de resiliência, paixão e luta que sempre marcou sua história.

Entre conquistas nacionais e internacionais, títulos de base e profissionais, o Timão segue como símbolo de orgulho para milhões de torcedores, mostrando que, mesmo em uma história centenária, ainda há espaço para novos capítulos de glória.

Referências

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