Treinador nem é gente…

Vale a pena recordar que nas últimas vezes que apoiamos o Flamengo incondicionalmente, a recompensa veio em forma de caneco!

Se há uma coisa que se repete a
cada temporada é a dança dos técnicos de futebol. E se a manutenção de um
treinador não é garantia de conquistas, a sequência de trocas de comando
costuma ser meio caminho para o fracasso.

Mano Menezes, Geninho e Abel
sofrem por diferentes motivos. Porém torço para que os dirigentes dos clubes
possam adquirir a sabedoria que o grande acerto está na escolha, seja no
momento que for. Não é proibido demitir ou substituir um treinador de futebol.
O problema é tornar isso uma constante e gerar um ciclo vicioso.

Não me interessa aprofundar, ou
tentar resolver as contingências de outros clubes. Já temos conflitos de mais.
A instabilidade derivada de maus resultados e a ausência de uma solução permanente
é problema de cada um. Na Gávea, o que eu sempre testemunhei foi a forma “Flamengo”
de dar satisfações para a Magnética. O saudoso Carlinhos foi a nossa solução
caseira mais apaixonante. Quem viu o Violino jogar certamente imagina que ele
sempre queria que seus comandados apresentassem um futebol bonito. Vencer
convencendo. Com ele ganhamos dois Campeonatos Brasileiros, uma Mercosul e,
dentre vários Cariocas, aquele com o golaço do Pet…

Somados os tempos de jogador e
treinador, Carlinhos possui 27 taças conquistadas, incluindo uma Pepsi Cup.
Faço questão de destacar essa copa, para chamar a atenção que, em um dado
momento de nossa história, vários torneios eram comumente enaltecidos.

flamengo athletico bruno henrique
Renê e Everton Ribeiro comemoram gol de empate com Bruno Henrique. Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Para não dizerem que estou dando
ênfase a competições sem importância, faço questão de remeter que uma das
maiores façanhas da história do Flamengo foi justamente em um Torneio, o Palma
de Mallorca. Uma vitória sobre o poderosos Real Madrid por 2×1, com apenas 8
jogadores rubro-negros em campo, pois o árbitro expulsara até o banco de
reservas do Flamengo. Aquele Flamengo venceu na raça, com um detalhe, sem a
presença de Zico.

Como não conseguiria de falar de
todos que fizeram história no Mengão, o meu destaque vai também para Andrade e
Jayme de Almeida, ex-jogadores rubro-negros que foram campeões como treinadores
no Flamengo. Se puxarem pela memória lembrarão de que foram conquistas mágicas,
de tão improváveis.

Fora do âmbito de ex-jogadores,
Joel Santana tem histórias para contar. Suficientes para rir e para chorar.
Joel foi solução recorrente. Por duas ocasiões nos livrou do rebaixamento.
Hoje, por mais que eu goste da figura do Papai Joel, e por mais gratidão que
lhe tenha, eu não defendo a contratação dele, ou de qualquer outro treinador
semelhante. O futebol mudou. Técnico de futebol sozinho pouco faz. Uma Comissão
Técnica competente aliada a tecnologia é o que pode gerar equipes competitivas.

Talvez por isso achemos Abel
ultrapassado. Mas vou colocar o dedo na ferida. A hostilização ao treinador do
Flamengo possui uma raiz histórica que nos remete a derrota histórica, em pleno
Maracanã, para um clube “não grande” do futebol brasileiro. Falo isso com toda
a propriedade de quem não tinha Abel Braga como sonho de consumo para dirigir o
Flamengo de 2019. Mas aí fica a grande pergunta: quem poderia ser o grande
treinador para a Seleção Rubro-Negra contemporânea?

Imagem: Reprodução

Se alguém acredita que a atual
diretoria seria capaz de, em plena metade da temporada, nos trazer alguém com
capacidade de levar o atual elenco a um grande título em 2019, então que
continue insistindo no “Fora Abel”. Eu não tenho essa convicção. Confesso que
sonho com um Flamengo que mantenha um elenco de qualidade com um bom treinador
no longo prazo.Provavelmente Abel não seja esse profissional. Porém uma mágica
aconteceu no sábado passado. Espero de coração que o atual grupo de jogadores
do Flamengo transforme o abraço coletivo a Abel após uma vitória na raça sobre
o CAP em um constante bom futebol capaz de ser campeão de tudo em 2019.

Seis pontos atrás do
líder na sexta rodada

Flamengo 3×2 CAP

Foi um jogo estranho. Na verdade,
começou estranho. E permaneceu estranho a maior parte do tempo. Os erros
proporcionaram as oportunidades de gol, que nem foram muitas no primeiro tempo.
O gol do Flamengo surge em um desses erros. Gabriel recebe um passe do
horroroso Madson e sai na cara do gol. Adianta um pouco a bola e sofre pênalti.
Em um primeiro momento pensei que não fosse. Depois na repetição observei com
clareza o joelho do goleiro que desequilibrou o atacante do Mais Querido.

Com o início de segundo tempo a
impressão era de que o empate da equipe visitante era uma questão de tempo. Deu
angústia ver a dificuldade do Flamengo em sair jogando. E o gol veio do outrora
também hostilizado Marcelo Cirino. Ele foi o autor do gol de empate e o da
virada. O segundo veio por meio de uma penalidade apenas visível no VAR, pois
Bruno Henrique derrubou o jogador paranaense em um toque por cima, difícil de
perceber com o lance rápido.

Quando parecia que mais uma vez a vaca iria para o brejo e consolidaríamos a nossa freguesia diante do CAP, Abel Braga, contrariando a tudo e a todos lança Rodinei e Lincoln para mudar o rumo da prosa. A Magnética não ficou nada contente e passou a xingar o treinador. Era o prenúncio de algo trágico ou heroico. E o futebol fez das suas. Primeiro por premiar os melhores jogadores do Flamengo na temporada, Everton Ribeiro e Bruno Henrique, que juntos fizeram o segundo do Mengão com bastante lucidez.

A mágica viria a seguir, dentro de uma imprevisibilidade digna de nos fazer lembrar do histórico gol de Rondinelli em 1979. Primeiro Renê monstro evitando o terceiro gol do CAP. Na sequência o mesmo Renê cruza a bola para o cabeceio da mesma camisa de número 3. Renê merece uma menção honrosa. Ele é um operário nesse time. Ele não possui os recursos técnicos de Trauco. Por muito tempo também foi hostilizado. Mas peço ao leitor para puxar na memória das vezes que Renê nos salvou nessa temporada.

Ao fazer o gol da vitória,
Rodrigo Caio demonstrou que vive um momento extraordinário em sua carreira.
Demonstra motivação e liderança. Por isso vou deixar passar, só dessa vez, o
fato dele tirar a camisa na comemoração. Comemorei bastante. Essa vitória, se
por um lado gerou irritação e consequentes protestos pelas dificuldades encontradas
diante de um adversário repleto de reservas, por outro comprovou que aquele
Flamengo que se entregava fácil ao oponente diante da adversidade, atualmente
luta até o último minuto.

diego alves
Diego Alves saiu como um dos melhores em campo. Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Estamos a seis pontos do líder e
a sete do lanterninha do campeonato. Céu e Inferno estão praticamente
equidistantes na tabela. E isso parece refletir o destino de Abel Braga, que
terá se reinventar para acalmar a Torcida e parte da imprensa esportiva. Ao
contrário de alguns, eu não torço contra o Flamengo, para que o técnico seja
mandado embora. Como sempre afirmo, eu torço para o Flamengo
incondicionalmente. Experimente fazer o mesmo. Torcer é acreditar
reiteradamente no improvável, quiçá, no impossível…

E os outros?

Botafogo 0x1
Palmeiras

Seria equivocado de minha parte
falar de um jogo que não vi. Mas o poderoso Verdão vencer o Foguinho por um
placar magro, oriundo de uma penalidade questionável (a meu ver), nos concede o
direito de acreditar que ainda temos muita chance no Brasileirão de 2019. Levar
esse jogo para Brasília foi um tiro no pé e uns cobres no bolso para os
alvinegros.

Grêmio 1×0 Atlético
Mineiro

Vizeu fez um belo gol. Fosse aqui
em Belo Horizonte, logo alguém diria que era vingança. Na prática a vitória da
equipe gaúcha alivia a pressão em cima de uma das equipes favoritas a títulos
na temporada. O resultado foi justo e poderia ser maior não fossem as grandes
defesas de Victor e a ruindade do atacante André. Já o Galo segue sem fazer
boas apresentações convincentes. Mesmo na vitória sobre o nosso Flamengo, eles
foram muito mais coração do que técnica.

Santos 0x0
Internacional

Podem falar o que bem entenderem,
mas eu vi pênalti no lance anulado com o auxílio do VAR. Não obstante, o Santos
segue também irregular. Só mesmo os bairristas para acreditarem que o time de
Sampaoli joga o melhor futebol do Brasil na atualidade.

Cruzeiro 1×2
Chapecoense

Céu de nuvens carregadas sobre a
Toca da Raposa. Escândalos da cartolagem acompanham um declínio do ferrolho do
Manobol. A crise chega com força contra a equipe celeste. Não falarei dos
delicados assuntos que envolvem a diretoria cruzeirense, mas enfatizo que a
imprensa esportiva mineira pouco, ou nada falou sobre os problemas que agora
foram revelados por reportagens do jornalismo nacional. E a Chape, que não tem
nada com isso, segue em sua habitual estratégia para se manter na elite do
futebol brasileiro, apesar de Ney Franco.

Fortaleza 1×1 Vasco

Luxemburgo terá que viajar no
tempo e retornar para seus anos de melhor treinador do futebol brasileiro.
Falar em título com um Vasco tão destruído pelo EuriquismoMirandismo chega ao
nível da alucinação. Tá certo que é futebol, mas justamente por não apresentar
um futebol minimamente competitivo, que nesse momento considero a equipe de São
Januário forte candidata ao rebaixamento. O Fortaleza demonstra organização,
mas falta qualidade e inspiração.

Corinthians 1×0 São
Paulo

Esse jogo serviu para comprovar o quanto o tricolor paulista ainda está longe de apresentar um futebol decente. O São Paulo me lembra muito um Flamengo relativamente recente. Contrata um monte de jogadores em cima da hora e o treinador que se vire. Cuca ainda vai penar para fazer sua equipe jogar bola. Já o Corinthians de Carille detém pragmatismo suficiente para disputar o G4. Se tirar pelo menos 4 pontos do Palmeiras terá o meu respeito.

Bahia 3×2 Fluminense

Os Orixás afro-brasileiros superaram o Sobrenatural de
Almeida. Boleiros entenderão…

Avaí 1×2 Ceará

Só vi o segundo tempo. Dizem que
o Avaí do técnico Geninho jogou melhor no primeiro tempo. No segundo, o Ceará
mereceu o resultado. Fez dois gols com Thiago Galhardo, que saiu recentemente
do Vasco. Os torcedores vascaínos devem lamentar muito a perda.

CSA 1×0 Goiás

O que esperar quando não está se esperando nada? Ainda não sei dizer o que essas equipes pretendem no campeonato, mas confesso que sou grato pelos dois pontos que a equipe alagoana tirou do líder Palmeiras. Espero que os esmeraldinos façam o mesmo. O jogo foi até interessante, bem disputado debaixo de um temporal. O goleiro do CSA garantiu a primeira vitória de seu time no Brasileirão de pontos corridos. Um resultado histórico.

***

E concluo com o apelo para que a Magnética exerça o direito de apoiar ou criticar quem quer que seja. Mas o ser humano deve ser respeitado. Vale a pena recordar que nas últimas vezes que apoiamos o Flamengo incondicionalmente, a recompensa veio em forma de caneco!

Abel Braga
Jogadores abraçam Abel Braga ao fim do jogo. Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Cordiais Saudações Rubro-Negras!


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